CIA DA NOTÍCIA

JESUS, O HOMEM

Julio Cezar de Oliveira Gomes –

Sempre me impressionou a dimensão humana de cristo, sua presença como pessoa de seu tempo e lugar, sua atuação como homem de carne e ossos, sujeito às vicissitudes de sua época.

Nada tenho contra o Jesus Deus, propalado pelas Igrejas. Mas para mim Jesus foi um ser de existência concreta, real, humana, que nasceu na Palestina, em um reino governado por Herodes, submetido à lógica da dominação romana, este sim o grande império daqueles tempos.

Sem ser o mais pobre entre os pobres, pois sua família não estava submetida à escravidão e seu pai tinha uma profissão, a família de Jesus era, sem dúvida, bastante humilde, tendo que forjar a cada dia, com o suor do próprio rosto, a subsistência de seus membros.

Tenho convicção da existência histórica de Jesus, o homem, e da mesma forma acredito que realizou os milagres que lhe são atribuídos. Estes permanecem, até hoje, inexplicáveis do ponto de vista da ciência. Mas sabemos que há muitas coisas que a ciência não explica, e que nem por isso deixam de ter efetiva existência.

É esse Jesus homem e suas relações sociais que me encanta, que o traz ainda mais para perto de nós, de nossa natureza igualmente humana, que nos permite chamá-lo de irmão, embora seja o Irmão Maior.

Como se sabe, Jesus transformou a água em vinho, curou cegos e leprosos, ressuscitou mortos. E como também se sabe, era pobre, sem quaisquer bens materiais, e morreu executado pelo Estado de Roma, a pedido da elite religiosa e política dos Hebreus, com a chancela do povo de sua época, que escolheu libertar Barrabás.

Cumpre exaltar a dimensão humana de Jesus para percebermos que ele, de fato, quis tornar-se o Cristo, e abriu mão de todas as riquezas, confortos e honrarias em nome de seu objetivo, ou Missão.

E que riqueza Jesus possuía?

Sua própria inteligência, carisma e talento, que poderiam tê-lo transformado no maior líder político de todos os tempos, no homem mais rico de sua época, para que seu nome ecoasse por séculos como fundador de um Estado que talvez durasse mil anos.

Assim como Jesus curou leprosos miseráveis, poderia ter livrado das moléstias a um grande senhor de terras e escravos ou ao filho de um governante, que de bom grado lhe daria todo o ouro e púrpura que possuísse. Assim como resuscitou ao pobretão Lázaro, morto há três dias, poderia fazê-lo com o filho do governador ou do Sumo Sacerdote, e cair para sempre nas graças dos ricos e poderosos de seu tempo, para merecer todos os presentes e homenagens possíveis.

Tal como Jesus usou de sua agudíssima inteligência e habilidade para fazer com que judeus enfurecidos desistissem instantaneamente de cumprir a lei que mandava executar a pedradas a mulher flagrada em adultério, poderia tê-las usado para ascender socialmente, aproximando-se dos poderosos e, a partir daí, do próprio César.

Ele sabia que as mesmas massas de humildes que o acompanhava, ouvindo suas palavras, poderiam exaltá-lo em uma caminhada em direção ao poder, ou levantar-se de armas em punho a um simples comando de voz. Mas jamais o fez.

É por isso que quando a Bíblia nos diz que Jesus foi tentado com todas as riquezas do mundo, e que todos os palácios e reinos foram postos a seus pés unicamente para que ele abdicasse de sua missão, isto não é uma linguagem figurativa. E quem fez isso não foi o diabo: Foi o mundo, a oferecer-se em facilidades e glórias temporais àquele que foi, sem dúvida, o melhor entre os homens, mas ao mesmo tempo um simples homem.

Jesus teve a força e grandeza de recusar tudo isto para enfrentar acusações imerecidas, um julgamento injusto e uma execução penosíssima, pois a crucificação não era somente uma forma de aplicação da pena de morte, mas a pior existente em seu tempo, a mais lenta, dolorosa e publicamente infamante.

Eis aí a grandeza de Jesus, sua verdadeira dimensão divina. Sem essa metáfora de “Eu sou o Cordeiro de Deus”, mas com a dureza de uma execução tramada pelos ricos, apoiada pelos pobres e levada a cabo pelo Estado.

Sem desrespeitar ao Jesus das religiões, para mim é esse Jesus humano que mais importa, que mais toca, e quem mais fez.

Ao aceitar sua execução, Jesus dividiu a história em antes e depois dele, projetou inapagavelmente suas palavras em nossas mentes, perpetuou-se e cresce cada vez mais através dos séculos.

Mais do que tudo, faz-se presente no mundo, ainda hoje, milhões de vezes por dia e em todos os países, quando ajudamos alguém, quando amparamos aos idosos ou educamos às crianças, quando conseguimos perdoar alguém, quando agimos com retidão, quando trabalhamos com vigor pela construção de um mundo melhor.

Sua morte não foi uma abstração. Seus milagres também não o foram. E sua presença entre nós é igualmente palpável, material, diuturna, a cada coisa boa que conseguimos fazer.

Viva Jesus, que Jamais foi saudado como Imperador, mas que permanece vivo como Cristo.

Graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz

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Hotéis e restaurantes estão preparados para receber turistas na Semana Santa

Milhares de turistas estão sendo esperados em Canavieiras durante o feriadão da Semana Santa e de Tiradentes (17 a 21 de abril). Além das comemorações religiosas de tradição católica, neste período também será realizado o Primeiro Encontro Nacional de Motociclistas de Canavieiras, promovido pelo Moto Clube Via Brasil, com o apoio da Prefeitura, e que pretende reunir cerca de três mil apaixonados pelo motociclismo de todas as partes do Brasil.

Segundo um dos organizadores do evento, o presidente do Moto Clube Via Brasil, Raimundo Costa de Oliveira (Rambo), está prevista a realização de shows de bandas de rock contratadas pelos organizadores na praia e no sitio histórico, além de uma feira de produtos artesanais e industrializados para o segmento. Grandes marcas de motos estarão com seus estandes montados no sitio histórico para venda de motos e peças, além de acessórios.

Para receber os visitantes, proprietários de hotéis, restaurantes e empresas do segmento turístico estão se preparando para recepcionar bem os turistas. Apesar do grande número de reservas, Canavieiras oferece uma boa quantidade leitos e lugares nos restaurantes, principalmente nas cabanas de praias, ideal para o lazer dos turistas que procuram a cidade durante os meses de verão e feriados.

Segundo o empresário Carlinhos Alegria, proprietário da Cabana Alegria de Viver, na Praia da Costa, na Ilha da Atalaia, mesmo com o grande feriado o segmento turístico está estruturado para atender os visitantes com o melhor da culinária canavieirense. Além da variedade de pratos com base em frutos do mar, uma especialidade de Canavieiras, também serão realizadas promoções, no sentido de fidelizar os turistas.

Uma das atrações desta Semana Santa, junto com as moquecas de peixes e mariscos, será o camarão cultivado em cativeiro. No período de 18 a 21 de abril, a Cabana Alegria de Viver promove o 2º Festival de Camarão, com pratos diversificados e preços diferenciados. “Estamos preparados para oferecer uma estadia com tudo de bom que Canavieiras tem em sua culinária”, conclui Carlinhos.

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Prefeitura decreta ponto facultativo

O prefeito de Canavieiras, Almir Melo, editou o Decreto 53-14, de 14 de abril de 2014, decretando ponto facultativo nas repartições públicas municipais durante o expediente de 17 de abril de 2014. A autorização do ponto facultativo teve como justificativa a tradição religiosa de guardar a Quinta-Feira Santa pelos católicos.

Ainda na justificativa, o prefeito considerou que as celebrações eucarísticas são acompanhadas milenarmente pelo povo cristão, inclusive que a maioria dos funcionários participa ativamente das cerimônias da Paixão e Morte do Senhor Jesus Cristo. Uma ressalva no decreto é quanto aos funcionários lotados nas áreas da limpeza pública, guarda municipal salva-vidas e servidores da saúde, que deverão observar as escalas de serviço elaboradas por suas secretarias.

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Zairo Loureiro tem contas rejeitadas pela Câmara

Jorge Garcia apresentou relatório em separado

O vereador Jorge Garcia apresentou um relatório em separado pedindo a reprovação

O ex-prefeito Zairo Loureiro teve suas contas referentes ao ano de 2012 rejeitas pela Câmara de Vereadores de Canavieiras. Em sessão bastante tensa, realizada nesta terça-feira (15), parte dos vereadores confirmou o Relatório com o Parecer do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que opinou pela rejeição, porque irregulares.

Embora os vereadores Cacá (PP) e João Moreira (PT) tenham opinado no relatório das Comissões como favoráveis à aprovação, o vereador Jorge Garcia (PMDB) apresentou um Relatório em Separado, opinando pela rejeição. Dos nove vereadores que compõem o Legislativo, apenas oito compareceram à sessão.

Dos oito vereadores presentes, cinco votaram a favor da aprovação: Deni (PP), Dalva da Pescan (PSD), Nide Enfermeira (PP), Cacá (PP) e Moreira (PT). Votaram pela rejeição os vereadores Jorge Garcia (PMDB) e Cleonildo Tibúrcio (PRTB). Já o presidente da Câmara, o vereador Gildeon Reis Pinheiro (Kinha), do PPS, se absteve de votar. O vereador Nilton Nascimento (PSD) não compareceu à sessão.

Como o quorum requerido para a apreciação e rejeição do Parecer Prévio do Tribunal de Contas dos Municípios é de 2/3, os cinco votos dados pelos vereadores ligados ao prefeito não foram suficientes para “derrubar” a rejeição. De acordo com a decisão da Câmara, o ex-prefeito passará a ser considerado “ficha-suja” e não poderá concorrer a qualquer cargo público.

No Relatório em Separado, o vereador Jorge Garcia enumerou as diversas irregularidades cometidas com o dinheiro público, grade parte delas comprovadas através de diligências externas e consideradas insanáveis. Segundo o vereador, as contas de Zairo Loureiro são alvo de investigação da Polícia Federal, Procuradoria da República e da Controladoria Geral da União.

Para o vereador, até mesmo na defesa prévia apresentada pelo ex-prefeito à Câmara estão confessadas as irregularidades, mas de forma dissimulada, o ex-prefeito ainda “faz deboche” da seriedade do TCM. “Embora tenha assumido os crimes cometidos contra a comunidade, com ironia, ele ainda acredita que deve ser perdoado”, enfatizou Jorge Garcia.

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50 ANOS DE 31 DE MARÇO DE 1964 E O BRASIL DE HOJE

Julio Cezar de Oliveira Gomes 

Para uns, golpe. Para outros, revolução. O fato é que há cinquenta anos um movimento militar arrancou o presidente João Goulart do Palácio do Planalto e impôs àquele Brasil um governo composto por uma estranha junta militar.

O resto da história, já se sabe. O regime de exceção se impôs pela força das armas e da máquina governamental por vinte e cinco longos anos, até que sob a pressão da imensa maioria dos brasileiros pelo fim da Ditadura, foi eleito, de forma indireta, um presidente civil, em 1985; e depois promulgada a Constituição de 1988, pondo fim ao Período Militar.

Entretanto, o que há de novo neste aniversário de 31 de março de 1964 não é a comemoração dos militares, que sempre a fizeram, de forma mais ou menos ostensiva, mas um clamor pela volta dos militares ao poder, que ecoou fortemente por todos os meios de comunicação.

Causa estranheza que em um Brasil muito mais desenvolvido economicamente, muito mais escolarizado e com chances de ascensão social infinitamente maior do que as que existiam na década de 1960, 70 e 80, este clamor tenha sido ouvido. Mas foi.

Penso mesmo que, se o povo não aderiu ao apelo do retorno à Ditadura, foi justamente por esta compreensão de que a vida melhorou, e muito.

Porém, o mesmo povo que se recusou a aderir à Marcha da Família também se recusa a defender o regime democrático, em uma clara demonstração de desprestígio da democracia junto àqueles que mais deveriam defendê-la: o povo.

Observo, especialmente, que o discurso de que a Ditadura assassinou cruelmente seus opositores – e assassinou de fato – não comove mais às pessoas. Por que será?

Façamos uma análise. Segundo organizações que têm afinidade com os mortos e desaparecidos da ditadura, estes somaram 379 pessoas ao longo de 25 anos (fonte: http://www.desaparecidospoliticos.org.br/pessoas.php?m=3). A relação oficial, admitida pelo Governo, registra 357 mortos; e os familiares dos desaparecidos falam em 426 pessoas (fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/58032-lista-oficial-de-mortos-pela-ditadura-pode-ser-ampliada.shtml).

Agora voltemos ao Brasil de hoje.

De acordo com fontes conceituadas como a inglesa BBC, que baseia seus números em dados oficiais, do Governo Federal “Segundo essas mesmas estatísticas (feitas a partir de dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde), ocorreram, em 2010, quase 50 mil assassinatos no país, com um ritmo de 137 homicídios diários” (fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111214_mapaviolencia_pai.shtml).

Assim, com 137 homicídios diários, em apenas três dias e algumas horas a violência urbana, cotidiana e ligada ao crime comum de hoje assassina mais pessoas do que a Ditadura matou ao longo de 25 anos!

Senhoras e senhores: Com 50 mil mortos por ano não pode haver como prestigiar a democracia, porque com tal número de homicídios simplesmente não há democracia. Há qualquer outra coisa. Menos democracia.

Neste aniversário de 50 anos do 31 de março de 1964, não quero atiçar revanchismos, nem retirar aos militares a responsabilidade sobre os crimes que tenham cometido. Quero apenas dizer que há um Brasil que chora, cotidianamente, por um dilúvio de sangue que jorra das capitais e do interior deste país. Sangue de jovens, de negros, de brancos, de mulheres, de pessoas pobres e de classe média, de crianças, de idosos, enfim, de seres humanos.

Gostaria, imensamente, que parássemos um pouco de nos preocuparmos com os 357 mortos da ditadura, que não poderemos mais salvar, e que passássemos a nos preocupar com os mesmos 357 que perdemos a cada três dias. Aqueles pelo menos conseguiram entrar para a história do Brasil, defendendo seus ideais.

Quanto a estes, só consigo pensar, todos os dias, que é nossa obrigação fazer alguma coisa para tentar salvá-los. Antes que, em três dias, os percamos de novo.

Professor de História e advogado

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Comer bem…e muito

A depender do tipo da comida, esse título não é bem recomendado. Até aí, tudo bem, mas se tenho a mão bons alimentos, não tenha receio, “meta o pé na jaca”. E foi exatamente isso que fiz neste sábado, com as lambretas que comprei na rampa do cais do porto, aqui em Canes, assessorado por Paschoal Pelegrini, com ch e tudo, para diferenciar de Blaise, o nosso filósofo e matemático, que assinava apenas Pascal.Lambretas-cozidas-(12)

Geralmente, aos sábados, não costumo comer frutos do mar, pois neste grande dia em que marca o fim de semana sou mais chegado a uma alimentação mais pesada, com bastante sustança, com a finalidade de aguentar o tranco. Afinal, sábado é o dia consagrado à esbórnia, de jogar conversa fora com os amigos, de preferência numa mesa de bar, regada a uma boa cachaça e cerveja bem gelada. Não há quem resista!

Mas o bom papo e as iguarias etílicas também pedem uma boa comida, seja no próprio bar ou em casa. E neste sábado optei pela versão doméstica, com a ajuda da minha mulher, que tomou para si a tarefa de preparar a lambreta, no que me sobrou mais tempo para continuar a apreciar as bebidinhas, entremeadas com alguns tira-gostos. Nem reclamei…também, pra que…

Só ao fazer algumas incursões na cozinha é que passei a vislumbrar o que iria deliciar mais tarde. De início, nada de mais, pois estou acostumado a comer a lambreta cozida, com caldo, enriquecida com os temperos normais de frutos-do-mar, a exemplo de cebola, tomate, pimentão e os tradicionais temperos verdes, que dão aquele toque especial e a vontade de comer mais.

Lambretas-gratinadas-(12)Mas, até aí, tudo bem. Algo melhor estava sendo preparado às escondidas, com as duas dúzias de lambretas que sobraram. Com todo o cuidado, abriu as lambretas, desprezando a parte superior da concha. Como tempero, usou uma mistura de requeijão cremoso com queijo cheddar, azeite e orégano e cebola, espalhando o queijo parmesão por cima. Daí, foi só distribuir por cima da lambreta, levar ao forno e gratinar.

Receita simples e gostosa, tornando um simples fruto-do-mar numa refeição rápida e muito saborosa. Sem esquecer na diversidade: lambretas cozidas e ao forno, acompanhadas com arroz branco. Nada melhor para substituir a comida de grande sustança habitual dos sábados. Antes que esqueça, na lambreta cozida, dona Vilma acrescentou o dendê, aquele bem artesanal, vindo da roça, sem as conhecidas baldeações.

Foi só comer!

Nem mesmo receita é preciso descrever aqui, pois tudo foi ão simples e magistral.

Nada mal para rebater o prato de sexta-feira à noite, a Linguiça ao Alto Beco do Fuxico, mas isso é assunto para outro dia.

Prometo voltar ao assunto em muito em breve.

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MULHERES (BAIANAS) NO PODER

Durval Pereira da França FilhoDurval Filho - diretor da Biblioteca Afrânio Peixoto - Foto Walmir Rosário (1)

 No contexto das discriminações existentes entre os seres humanos, é possível que uma das mais antigas seja contra as mulheres. Desde priscas eras, porém, a luta pelos direitos da mulher tem sido uma constante, seja através de correntes filosóficas, seja por meio de segmentos religiosos, como o cristianismo primitivo, por exemplo.

Os movimentos em defesa dos direitos iguais para homens e mulheres, que começaram de forma tímida no final do século XIX, a partir das décadas de 1960/1970 ganharam forças capazes de impactar as sociedades ocidentais. Essas forças foram se tornando mais efetivas, tanto no campo da cultura como no campo do direito, principalmente com relação aos direitos políticos (votar e ser votado), direito à autonomia, direitos trabalhistas etc.

Na constituinte da República (1890-1891), um projeto favorável ao voto feminino foi derrotado pelos positivistas que consideravam a atividade política desonrosa para a mulher. Contudo, a História do Brasil está repleta de ações de mulheres que se destacaram pela resistência a toda e qualquer forma de opressão.

Para efeito das nossas considerações, colocamos em evidência mulheres baianas, a começar com Maria Felipa de Oliveira, escrava da ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, mulher guerreira, em todas as acepções do termo, que liderou os baianos em lutas decisivas pela independência, em 1823.

De igual maneira, a abadessa Joana Angélica de Jesus (1761-1822) e Maria Quitéria de Jesus Medeiros (1792-1853): a primeira, de Salvador, tornou-se a protomártir da independência; a segunda, de Feira de Santana, foi a primeira mulher brasileira a integrar uma unidade militar no país. Embora muitas mulheres baianas tenham lutado pela independência do Brasil, essas três entraram para a história como símbolos da luta que culminou no Dois de Julho.

Trinta anos depois, em 1852, foi criado o Jornal das Senhoras, divulgador das primeiras bandeiras em defesa dos interesses femininos. E nesse universo, merece realce o nome de Ana Justina Ferreira Nery (1814-1880), de Cachoeira, patronesse das enfermeiras do Brasil, função na qual atuou de forma marcante na Guerra do Paraguai (1864-1870).

Em 1887, foi graduada a primeira médica do Brasil, a gaúcha de Rio Grande, Rita Lobato Velho Lopes (1866-1954), pela antiga Faculdade de Medicina da Bahia. E em 1891, a Ordem dos Advogados do Brasil, a contragosto, admitiu o registro de Myrtes Gomes de Campos (1875-1965), fluminense de Macaé, o que fez dela a primeira mulher brasileira a exercer a profissão de advogada.

Mas somente em 1922, cem anos depois da luta de Maria Felipa, foi criada a Federação Brasileira para o Progresso Feminino, pela bióloga paulista Bertha Lutz (1894-1976), o que inspirou Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues (1861-1926), de Santo Amaro da Purificação, escritora, professora e poeta, a organizar as mulheres na Bahia.

Nessa época, em Canavieiras, as jovens professoras Isbela Freire e Anadília Costa já formavam fileira em defesa do voto feminino, antiga reivindicação que se tornou vitoriosa em 1932, quando o Código Eleitoral garantiu o direito de a mulher votar e ser votada. E em 1935, a advogada Maria Luiza Bittencourt, de Salvador, foi eleita primeira deputada baiana para a Assembleia Constituinte.

Raimunda Maria Vargens Cidreira (1920-1985) foi a primeira mulher a ocupar um lugar na Câmara Municipal de Canavieiras (1951-1955), fato só repetido 35 anos depois, quando Denyse dos Santos Reis Carvalho foi eleita para a legislatura de 1989 a 1992. Outras vieram a seguir.

Em Belmonte, Dejanira Rezende de Souza foi a única prefeita eleita (1959-1963) naquele município até o momento.

Namir Oliveira Mangabeira e Silva, em Itabuna, foi também a única mulher a ocupar (interinamente) a chefia do Executivo Municipal (05.09.1966-03.10.1966). Maria Rita de Almeida Fontes foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Legislativo de Itabuna, embora de forma indireta, no governo de Ubaldino Brandão (1948-1951), sendo sua atuação no período de 1950-1951, porque o titular da cadeira fora nomeado para administrar o então distrito de Buerarema. Algumas outras vieram depois.

Desde Maria Felipa, uma trajetória de lutas tem sido palmilhada por mulheres na política e no cenário sócio-cultural, tais como Maria da Conceição Soares Lopes (1905-1994), vereadora de Ilhéus no governo de Herval Soledade (1956-1959) e Luislinda Valois Santos, desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia. Essas três têm muito em comum: baianas, negras, de origem humilde e guerreiras. Embora na história de cidades tradicionais como Canavieiras, Ilhéus e Itabuna não haja registro de mulheres assumindo o Executivo Municipal, por força do voto direto, a Bahia tem um histórico de lutas pela igualdade de direitos entre os gêneros.

O Brasil tem péssima colocação no cenário mundial em termos de representação feminina no Parlamento, mas algum avanço já se pode ver. O Congresso Nacional e o Tribunal Superior Eleitoral, numa ação conjunta de caráter suprapartidário, procuram estimular maior participação de mulheres nos processos eleitorais.

É um bom momento para se repensar o ranço do patriarcalismo, do coronelismo, do mandonismo machista ainda presente no cenário político nacional e regional. As mulheres continuam gostando de flores, mas elas também precisam de mais informações e de mais poder.

Durval Pereira da França Filho é historiador e membro da Academia de Letras e Artes de Canavieiras. – dumaestro11@hotmail.com

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15º FORRÓ SOLIDÁRIO DO GACC

15º-FORRÓ-SOLIDÁRIO-EM-PROL-DO-GACC---CARTAZ---2014

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Justiça condena blogueiro e Google ao pagamento de danos morais

O blogueiro diz ser diplomado e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), embora ninguém tenha visto seu diploma ou registro na Fenaj/Ministério do Trabalho

O blogueiro Paulo Caminha e a empresa Google – réus num processo movido pelo prefeito de Canavieiras, Almir Melo – foram condenados pelo juiz dos Juizados Especiais, Eduardo Gil Guerreiro, a pagar R$ 25 mil (com as devidas correções) a título de danos morais. A ação teve como objeto reparar as afirmações aleivosas imputadas ao prefeito no blog do primeiro réu, sem qualquer fundamentação ou comprovação de veracidade.

O magistrado considerou que a sentença teve, também, o caráter didático, no sentido de desencorajar o agente causador do dano a repetir o comportamento indesejado. No mérito, o magistrado considerou que o jornalista tem o direito de informar, noticiar livremente um fato e cobrar as providências do Ministério Público e da Justiça, e ainda questionar a inércia das autoridades responsáveis pela apuração.

Ainda na sentença, o juiz considerou que não é lícito o uso de adjetivos pejorativos. “Se o autor do fato noticiado é corrupto ou não, que fique a juízo do leitor a decisão. Não cabe ao veículo de imprensa chamar ninguém de corrupto”, disse. No fato em questão, o blogueiro afirmou que o prefeito fez contratações de R$ 2 milhões sem licitação e ainda usou os termos corrupção e corrupto se referindo claramente ao autor. “Tais termos certamente ofendem a honra e extrapolam o livre exercício da imprensa”, frisou o juiz.

Quanto à condenação ao réu Google, disse o magistrado na sentença, “há de se esclarecer que embora não seja responsável pelo conteúdo daquilo que é publicado no blog, é graças à estrutura e ampla divulgação que ele oferece que a notícia atinge um número indeterminado de leitores. Não pode o Google se esquivar de sua responsabilidade ao hospedar o blog. O Google se beneficia e lucra muito com o fato de possuir ampla divulgação e penetração entre os usuários de internet, assim, deve assumir os riscos de seu negócio.

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MOBILIZAÇÃO PARA QUÊ?

Julio Cezar de Oliveira Gomes

Nos dias 17, 18 e 19 de março o ensino público de primeiro e segundo grau estará em greve, promovida pela CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, em todo o Brasil.

A ação da CNTE visa, segundo consta de sua convocação, exigir o cumprimento da Lei do Piso do Magistério; estabelecimento de plano de carreira e fixação nacional da jornada de trabalho dos professores; garantir o investimento dos royalties do petróleo na valorização da Educação; votação imediata do PNE – Plano Nacional de Educação, pelo Congresso Nacional; firmar posição contra a proposta dos governadores dos estados, de reajustes para o magistério abaixo do estabelecido pela Lei do Piso; e destinação de 10% do PIB para a Educação Pública.

Sem dúvida, as propostas da CNTE são justas, e se aprovadas poderiam proporcionar um salto qualitativo na educação brasileira, tão desvalorizada e de desempenho tão pífio, sobretudo na rede pública de ensino básico.

Poderia ainda, ao valorizar economicamente o magistério, impedir que a Educação continue a perder seus melhores profissionais para outros setores da economia, e incentivar aos jovens para ingressar nos cursos de nível superior voltados para a docência, hoje tão desprestigiados.

Em busca de tais objetivos, sacrificaremos três dias de aula, e conforme o vício dos professores, pais e alunos brasileiros, o faremos com a semana quase toda, pois após três dias sem funcionar a quinta e sexta-feira (dias 20 e 21) terão aula em um injustificável ritmo de “enforcamento”, de “feriadão”, tão vergonhoso, mas tão ao gosto de nosso povo.

Não há como ser contra a paralização da CNTE. Se com greves e reivindicações as lutas sociais não avançam muito, sem elas caem na mais completa ineficácia.

Por outro lado, também não há como não lamentar a perda de quase uma semana sem aulas, em um ano que já será prejudicado por uma absurda e injustificável paralisação do ensino público e privado entre os dias 12 de junho e 13 de julho – desta vez promovida pelo Governo Federal, pelo menos, nas cidades sedes dos jogos – por força da Copa do Mundo. Afinal, que importância tem a educação de nossos jovens diante deste torneio de futebol?

Fico a pensar em nós brasileiros, como nós somos, pensamos e agimos. Nós nos mobilizamos para o Carnaval, para o desfile das escolas de samba, para comprar os abadás mais caros para os blocos de trio elétrico. Nos mobilizamos também para dar algo em torno de 150 milhões de votos para decidir quem ganhará o BBB, como fizemos em 2010, quebrando o recorde mundial em votações deste gênero de programa; Nos mobilizamos para a copa do mundo, para assistir ao último capítulo da novela das nove da Rede Globo e para outras coisas do mesmo gênero.

Entretanto, somos muito frequentemente incapazes de nos mobilizarmos para resolvermos os problemas voltados para a educação e para a saúde, para a falta de cumprimento às leis de nosso país, para a falta de respeito com idosos e crianças, e não estamos nem aí se um jovem tenente da PM foi o quarto policial a ser assassinado pelo crime organizado somente este ano, em uma única UPP situada no Rio de Janeiro, como se o tráfico e seu rastro de crimes e tragédias já não estivessem presentes em todas as regiões do Brasil.

Me parece que a questão não é tanto o que nos mobiliza, pois temos direito a festejar, brincar e ser felizes; mas naquilo para o que não nos mobilizamos, como se, imitando avestruzes, enfiássemos a cabeça em um buraco para não vermos os problemas à nossa frente.

Repito que não há como ser contra que os trabalhadores em educação, nacionalmente unificados, façam seus movimentos reivindicatórios, paralisando as aulas por três dias. Entretanto, como a imensa maioria das pessoas não dará a menor importância para tal fato, começo a achar que os problemas de nosso país não estão nos gestores – meros reflexos daquilo que somos, fazemos e pensamos – mas sim em nós, o povo brasileiro.

Professor, graduado em História; e Advogado, graduado em Direito, ambos pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

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OAB ENTREGA CARTEIRA A NOVOS ADVOGADOS

Do Pimenta Blog

O novo advogado Felipe Aragão Padilha Ferreira, ladeado pelos pais, os também advogados José Augusto Ferreira e Clara Padilha Ferreira

O novo advogado Felipe Aragão Padilha Ferreira, ladeado pelos pais, os também advogados José Augusto Ferreira e Clara Padilha Ferreira

O presidente da subseção da OAB em Itabuna, Andirlei Nascimento, realizou na manhã desta sexta-feira (28) a entrega da carteira da Ordem a cinco novos advogados. Durante a cerimônia, Nascimento e o tesoureiro da instituição, Ariosvaldo Barbosa, destacaram como questão fundamental que os profissionais da área se pautem por valores éticos.

O presidente também falou sobre a ação da OAB local em defesa das prerrogativas dos advogados, lembrando inclusive embates travados com quadros do judiciário. “Não queremos desrespeitar ninguém, mas também exigimos que os advogados sejam respeitados em sua atividade, valendo ressaltar que não existe hierarquia entre os profissionais do direito”, enfatizou o presidente da subseção.

Os novos advogados são Caio Vinícius Correia Soares, Cleiton Confessor de Carvalho, Raimundo Dantas das Virgens, Felipe Aragão Padilha Ferreira e Patrícia Alves Rossi Monteiro. Todos prestaram juramento, no qual prometeram “exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição”.

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Agulhão ao Puxim – ou especialidade em prendas domésticas

Por Walmir Rosário

Definitivamente, não há como negar, hoje, as prendas domésticas me agradam mais do que a política, ou às análise sobre essa atividade que decepciona cada vez mais o brasileiro. Não há como negar que a política está intrinsecamente ligada às prendas Agulhão-ao-Puxim---Foto-Walmir-Rosário-(125)domésticas, principalmente a cozinha, a começar pela quantidade e qualidade dos alimentos que conseguimos nos abastecer.

Mas essa é uma visão limitada, pois nem todos os brasileiros podem se dar ao luxo de tê-la. Afinal, o estômago nem sempre permite e Programa Bolsa Família está ainda para corroborar todas as teses que porventura possam a ser defendidas. E não venham a me dizer que as prendas domésticas, especialmente as da cozinhas, são atividades menores. Nem pensar!

Ao se preparar um prato, não se pensa essencialmente em matar a fome de qualquer indivíduo, por mais simples que seja a “gororoba”. Defendo a tese de que além de encher a barriga, o ser humano se sentir satisfeito, saboreando a matéria-prima (carne, frutos-do-mar, aves, vegetais…) e os temperos utilizados para torná-la mais saborosa.

E aí é que entra o trabalho intelectual, indispensável na arte da harmonização dos sabores. É primordial que gosto da matéria-prima – como chamei acima – seja preservado. O “pulo-do-gato” é exatamente saber acentuá-lo com os temperos e condimentos que se têm à mão. O mesmo bife pode ter o gosto absurdo de uma “sola-de-sapato”, ou de um manjar dos deuses.

E foi pensando nisso que preparei – meticulosamente –, neste sábado (22), uma nova incursão na cozinha. À minha disposição, postas de Agulhão Bandeira, ou Agulhão-de-vela, em postas. A dúvida inicial foi qual a melhor forma de prepará-lo: frito, cru ou ensopado. Optei por levá-lo ao forno, pois além de cozinhá-lo, poderia secar o caldo, sem assá-lo.

E assim, fiz. As quatro postas pesavam um quilo e temperei-as com sal, açafrão-da-terra, pimenta branca e limão siciliano. Em seguida levei à geladeira, onde deixei marinando por quatro horas. Enquanto isso, passei a preparar os acompanhamentos do mesmo prato principal: batatas-do-reino cruas e cortadas em cruz.

Junto às batatas, também coloquei, dois tomates de tamanho médio, também cortados em cruz; e meio pimentão, cortados em tiras, e passados no sal e açafrão. Montados na travessa – o peixe e as batatas –, coloquei por cima uma cebola roxa (média) cortadas em fatias finas, coentro, cebolinha, alho porró, alcaparras, manjericão, gengibre em pó e reguei com azeite.

Novamente levei a travessa à geladeira, coberta com papel alumínio (importante lembrar que a parte opaca fica para cima), onde deixei-a por mais uma hora marinando. E aqui vai uma dica: os temperos devem ser colocados de forma parcimoniosa, para que um não sobreponha o gosto do outro e que apenas realcem o sabor do peixe.

Depois é só levar a travessa ao forno, a 250 graus, permanecendo por uma hora. Outra dica importante é que deva ser colocada com o forno já quente. Caso seja colocado em forno frio, deixar por 1h20min. Depois disso, verifique o cozimento e, caso esteja do seu agrado, retire o papel alumínio e volte a travessa ao forno, deixando por mais 25 minutos.

Um ótimo acompanhamento é o arroz branco. O vinho fica pela conta de cada um, embora um bom rosé harmonize bem esse prato. Uma coisa eu posso garantir: quando minha mulher chegou em casa (do trabalho, apesar de sábado), saboreou o prato e aprovou-o, incondicionalmente. E foi anota 10 de uma expertise em frutos-do-mar. Ainda bem!

INGREDIENTES

1 kg de Agulhão;

4 batatas-do-reino;

2 tomates;

1 cebola média;

1 limão siciliano;

½ pimentão;

Açafrão (a gosto);

Sal (a gosto);

Pimenta branca (a gosto);

Alcaparras (a gosto);

Manjericão (a gosto);

Cebolinha (a gosto);

Coentro (a gosto);

Alho Porró (a gosto);

Gengibre (a gosto);

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