Carta de Adelindo Kfoury
NÃO “AGUENTANDO”, SÓ RETORNANDO…
Os queridos quasenheum leitores nem perceberam (certamente pela natural desimportância) impus-me pequeno hiato nestas esporádicas maltraçadas na vã esperança de esfriar os “octogenários” neurônios, porém confesso a mais absoluta incapacidade de resistir. Caso aquiescência do Mestre Rosário, eis-me de volta… Maior culpa (sim, sei que todos se garantem inocentes!…) caberá aos ilustres personas que esvoaçam pelos corredores, salas e plenários do Congresso Nacional.
Não conseguindo desvencilhar-me do vício “historiográfico”, começo por lembrar que o primeiro parlamento moderno foi criado na Inglaterra durante o século XVII, para avaliar e acompanhar os gastos públicos que até então eram arbitrados ao talante do Rei. (Parece-me já estar ouvindo o habitual telefonema do Mestre e Irmão Jorge Neme, do alto de sua invejável cultura alertando que “os Conselhos de Anciães surgidos após o ano 4.000 a.C. foram sementes do que mais tarde seria Senatus cabendo a Roma sua adoção como assembléia permanente e após 510 a.C. a mais alta corte e autoridade do Estado…).
Estou querendo falar sobre as contínuas e horripilantes cenas de corrupção explicita jogadas aos nossos olhos e ouvidos pela mídia, cujo palco principal são casas legislativas, ministérios e órgãos governamentais, cabendo ao Congresso Nacional uma fatia desgraçadamente descomunal. Confesso que recuso imaginar existir escondida nos subterrâneos do Congresso uma escola de malandragens, golpes, perfídias e corrupção. Não é possível que tantos congressistas já nasçam com tanta “cultura” acumulada…
Como cidadão, fiquei triste quando li expressões numa revista já em 31-1-2007, afirmando que “o Parlamento brasileiro é uma instituição de triste presente e incerto futuro, mas de passado glorioso”. Claro que sua história mostra-nos como já foi uma instituição de grandes feitos, tanto no Império como na República Velha, mantendo perfeita e honesta sintonia com a sociedade. No segundo reinado, a sua participação foi fundamental na conquista da abolição (quem recorda ter sido primeira mulher senadora a Princesa Izabel?).
Neste dias de tormenta que vivemos, fico a imaginar como é sábia a Prova Quádrupla de meu Rotary Clube, quando induz-nos avaliar que ética e moral são os dois mais expressivos pilares da democracia representativa. Agora, parece voltamos à idade média quando a política de Estado consistia simplesmente em manter privilégios das castas dirigentes, escolhidas e eleitas pelo povo… Aliás, o grande Karl Popper, já dizia em 1922 que “os tiranos criam mentiras, acreditam nelas, tornam-se escravos delas e…inexoravelmente desaparecem, pois o descolamento da realidade liquida-os!”
Para não concluir deixando o azedume do presente que me angustia, vale relembrar fato atribuído a uma da maiores autoridades do nosso Passado. Em 31 de janeiro de 1878, o então Ministro da Justiça Lafayete Rodrigues Pereira (o “popular” Conselheiro Lafaiete…) recebeu de seu irmão uma petição com pedido em favor do pai de ambos. No despacho, escreveu: “A pretensão de meu pai não pode ser deferida. Se tal acontecesse, no dia seguinte eu teria perdido toda confiança do País, do Imperador e dos próprios amigos”. Garante o historiador que o pleito era para um pequeno aumento de proventos, ao qual julgava ter direito pela igualdade com outros funcionários da mesma área de trabalho…
E deixo dito: “TODO HOMEM QUE SE VENDE, RECEBE MUITO MAIS DO QUE VALE”. (Barão de Itararé)
Adelindo Kfoury Silveira é Jornalista, Historiador e Escritor Grapiúna, Membro da Academia de Letras de Ilhéus, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Instituto Histórico de Ilhéus, Historiador Principal da Fundação Jupará-Itabuna




