CIA DA NOTÍCIA

Tecnologia é boa, mas…

Walmir Rosário*

Confesso que sou aficionado por tecnologia de modo geral, principalmente da informática, teoricamente um arsenal de ferramentas para facilitar a vida do homem moderno. Entretanto, temos que tomar todos os cuidados para não complicarmos nossas vidas com os usos e costume que nós impõem essas modernidades.

Pra começo de conversa, sempre é salutar o uso dessas invenções que nos abastece de informação, que nem sempre são verdadeiras: a tal da internet, conhecida como terra de ninguém. Está tudo lá, de parto de formiga a conserto de aviões em pleno voo, passando pelos filósofos antigos e modernos, diagnósticos de doenças variadas e medicamentos para deixar o leitor tinindo.

Olhe sempre com desconfiança de tanta bondade, pois como diz o velho ditado, quando a esmola é grande o mendigo desconfia. É preciso filtrar todas as informações, o que nem sempre é possível, pois os créditos nem sempre são merecedores de confiança, apesar da beleza do discurso. Engana mais do que propagandista de feira vendendo remédio de raízes para todas as doenças.

E na internet se sabe de tudo, ou melhor, sabem tudo de você. Basta ligar o computador ou smartfone para que apareçam propagandas de produtos que você sonhou comprar. Como fazem isso ainda não sei, mas confesso que funciona e se o cabra tiver a cabeça fraca cai no conto do vigário, melhor dizendo, do internauta.

Dia desses pensei em verificar o preço das passagens aéreas e no dia seguinte recebi uma enxurrada de propostas para voar pelo mundo inteiro aos mais variados preços. Resolvi, então, fazer uma busca para um destino possível de minhas possibilidades, a preços módicos, claro, mas não conseguia. Refiz o roteiro até chegar a bom termo e, contente e satisfeito, emiti as passagens.

Para minha surpresa, no dia seguinte, em todo o site que visitava, olha lá a minha vontade inicial a preços acessíveis, conforme o planejamento inicial. Até que tentei trocar, mas não consegui. Teria que pagar três vezes mais para que meu desejo fosse atendido, mesmo com dois meses de antecedência, tempo que eu pensava que não causaria problemas à companhia aérea.

Diante do impasse, resolvi manter meu roteiro acertado anteriormente, para não causar constrangimentos ao planejamento da empresa dona do avião e nem aos meus parcos recursos. Eu desisti, menos a companhia, que fica me mandando notícias sobre o voo objeto do meu desejo. Fico em dúvida se eles querem facilitar minha vida ou tomar o dinheiro que não tenho.

Agora, constrangido mesmo fiquei numa manhã dessas ao conferir meus e-mails recebidos, pois esperava algumas notícias importantes sobre a chegada de uns livros e outras encomendas. Das empresas que comercializei nem uma linha, porém lá estavam três propostas de medicamentos para aumentar a potencia sexual, dentre outras fantasias delirantes.

Logo eu, que sempre fui uma pessoa recatada e não ando por aí espalhando notícias – verdadeiras ou não – das minhas intimidades, achei muito estranho o que esses vendedores me ofereciam. A mim causou estranheza esse tipo de comércio inovador, mas como esse pessoal do marketing inventam tantas estratégias mercadológicas, busquei no Google quem seria o pai dessa inovação.

Confesso que não encontrei esse Philip Kotler da vida, em compensação, fiquei estarrecido com algumas informações que me chegou aos olhos a respeito do comércio na internet. Enquanto uns chamam esses anunciantes de remédios milagrosos de espertalhões que se utilizam da fraqueza alheia para ganhar dinheiro desonesto, outros dizem que são pessoas de má-fé que usam esse expediente para aplicar golpes financeiros: são os achacadores.

O que me encantou dias desses foram as generosas ofertas de diversos grandes bancos, preocupados com problemas em minha conta e nos cartões de crédito. Com receio que eu ficasse sem dinheiro ou não passasse constrangimentos ao tentar fazer alguma compra com o cartão, pediam com toda a presteza que eu fornecesse as senhas para serem retificadas.

Me senti tão prestigiado que na hora fiquei com raiva de mim mesmo por não lembrar os números e letras das senhas para informar aos zelosos banqueiros, até que me dei conta que não era correntista desses estabelecimentos. Como diz o ditado (olha ele de novo…): um bom pedir faz um bom dar, daí minha preocupação em atendê-los com presteza.

Só depois tomei conhecimento de que essas ofertas todas eram coisas de crackers e hackers indivíduos com habilidades e conhecimento em informática para entrar em programas e computadores. Dizem que a diferença está no uso que fazem na invasão: se é de forma desonesta – crackers; se para obter segurança – hackers.

No meu caso, tive até pena dos caras, que tentavam levar o que eu não possuía. Mesmo assim, aconselho aos colegas internautas que evitem se aventurar nessas terras estranhas, pois podem ser “depenados” caso recursos possuam em suas polpudas contas. Já ia me esquecendo que outras pessoas praticam golpes na internet apenas para roubar a propriedade intelectual.

Esses últimos são mais perigosos.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Os muitos pais da BR-415

Walmir Rosário*

A Bahia reedita mais uma campanha política acirrada com a luta travada entre as candidaturas do governador Rui Costa (PT) à reeleição, e a do atual prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) ao Palácio de Ondina. Uma das mais recentes disputas é a duplicação da BR-415, no trecho entre Ilhéus e Itabuna, anunciado pelo Governo do Estado como se fosse sua, embora os recursos tenham origem no Governo Federal.

A eleição ainda será no próximo ano, mas já pega fogo em todo o Brasil e na Bahia não poderia ser diferente, pelo contrário, aqui começa mais cedo, haja vista a dualidade das candidaturas. E faz tempo que é assim, com os eleitores e simpatizantes de Antônio Carlos Magalhães e um seu adversário, seja lá de que corrente política for, mas unidas (ou coligadas) para tentar derrotar os adversários de sempre.

E não é de hoje que o palanque é armado em Itabuna em 1985, a exemplo do que lançou Waldir Pires (PMDB) ao Governo da Bahia, que no ano seguinte ganhou para Josaphat Marinho (PFL) por uma avalanche de votos: perto de 1,5 milhão. Se antes o palanque foi montado na praça Adami, agora foi deslocado para a avenida Juracy Magalhães, na saída para a Ilhéus, cidade vizinha amada ou odiada, de acordo com os interesses.

E o motivo da discórdia é a chamada duplicação da BR-415, trecho que será construído pela margem direita do rio Cachoeira, mas sem o fôlego suficiente para segui-lo até sua foz. O projeto é antigo, elaborado pelo Derba, revisto pelo DNIT, e, de certa forma, é um grande vetor de desenvolvimento regional, por desbravar uma área que produz cacau, café, gado (leite e corte) e produtos de subsistência.

Sim, mas onde está o motivo da refrega entre os possíveis candidatos ao Governo Estado da Bahia? No anúncio do “pai da criança”. Pela primeira vez todos os candidatos que se apresentar como tal, mesmo sem o certificado do DNA. Ou melhor, a genética financeira aponta que o Governo Federal é o pai e mãe da criança, pois gerou e vai custear todas as despesas de criação até que se dê por independente.

E não é de hoje que a fecundação da criança é insistentemente anunciada, mas sem resultados positivos. Pelos meus cálculos, está já é a quarta vez que os coitados dos jornalistas anunciam a data do nascimento, mas a mãe União cismava em não dar a luz ao rebento. De tanto anunciarem, os governadores baianos petistas se acostumaram e se consideraram (em verdade, se consideram) o verdadeiro pai da criança.

E nessa renhida disputa, o governador do Estado considera o rebento como seu, por ter sido a duplicação anunciada durante os governo de Lula e Dilma, embora nunca executada. Assim como a BR-415, outras obras com recursos do Governo Federal são executadas pelo Governo do Estado e Municípios, como se fossem de recursos próprios e não oriundos de transferências, seja a que título forem.

E os petistas – que não são graça e sabem utilizar a mídia no formato os fins justificam os meios – massacraram o presidente da República, “golpista” no entender deles, como se não quisessem executar a obra. E os arroubos não foram poucos, com afirmações falaciosas do tipo: “Se o governo golpista não fizer, nós faremos”, embora grande parte dos recursos federais já esteja disponível na conta.

Mais uma vez, a turma do Temer “apanha como mala velha pra tirar a poeira”, sem ter qualquer culpa registrada em cartório, e não soube ou sabe contra-atacar e promover sua defesa. De forma atabalhoada, cancelou a vinda do ministro dos Transportes a Itabuna e se apresentar no palanque como o verdadeiro pai da criança. Nos comunicados petistas, a culpa teria sido de ACM Neto, que agiria nos mesmos moldes do avô, embora nem cabeça branca ainda tenha.

E essa confusão toda tem todo o motivo para tanto. A obra, embora não seja uma duplicação de verdade, é importante para o desenvolvimento econômico e social, não só de Itabuna e Ilhéus, mas da região cacaueira como um todo. A atual BR-415 se tornou uma avenida comercial, industrial e serviços, além de ser nosso caminho do nosso pequeno mas atuante aeroporto e poderá nos oferecer novos rumos.

Só que, no meu modesto entendimento, a duplicação de verdade começaria em Itabuna, no bairro da Conceição, e se estenderia até a cidade de Ilhéus e não terminaria no meio da estrada. A nova estrada terá 17,98 quilômetros de extensão, embora a distância entre as duas cidades meçam quase 30 quilômetros. Uma perna nasce menor do que a outra e antes do bairro ilheense do Banco da Vitória o tráfego se congestionará de novo. Deveria ter sido feito um enxerto ou uma prótese para corrigir a deficiência.

É uma pena que uma estrada tão anunciada e cancelada como essa continue com com os defeitos congênitos, que poderiam ter sido corrigidos antes do começo da obra. Até porque o fluxo do tráfego não é apenas das duas cidades e sim de toda uma região, que sempre teve a vocação para produzir e ser grande, mesmo que seu povo abdique da política, entregando-a de bandeja aos povos de outras regiões, contentando-se apenas com a economia.

Eu, como sou um otimista incorrigível, acredito que a obra seja concluída, porém muitos ainda são como São Tomé: têm que ver para crer.

*Radialista, jornalista e advogado

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Bancos! Ah, os bancos!

Walmir Rosário*

Que os bancos só emprestam dinheiro aos clientes que não precisam, todos sabem, mas o que passamos a saber a cada dia, é que os bancos somente querem cobrar taxas como estabelecimentos bancários, porém não admitem prestar os serviços a que devem entregar e já cobram por isso. É muito estanho, mas é verdade e é mais uma jabuticaba brasileira.

Pouco vou a uma agência bancária e só me dirijo a esses locais em última instância. Também não é pra menos: tenho que transpor uma série de barreiras para conseguir ultrapassar a porta giratória, após provar que não ando mal-intencionado e desarmado. Mesmo assim sou visto com desconfiança pelos estagiários e empregados, como se fosse ali apenas para importuná-los.

Ora, se um consumidor qualquer procura um banco é porque pretende fazer qualquer tipo de negócio que o banco preste: tomar empréstimos, sacar o seu dinheiro depositado com antecedência, ou, quem sabe, emprestar dinheiro ao banco. Alguns, até, se propõem a emprestar dinheiro aos bancos por juros ínfimos, mesmo sabendo que se precisar vai ter que pagar 10 vezes mais por isso. Mas como tem gente que tem gosto pra tudo…

Seja lá qual for sua intenção, não será bem-visto até que o gerente ou outro funcionário graduado lhe saúde com cara de bons amigos e, quem sabe lhe dê um abraço afetuoso e espalhafatoso para que todos conheçam a sua importância. Caso não seja desse quilate, será desprezado pelo caixa nem tão rápido, que lhe despacha um aviso deste tipo: “Você não tem o perfil para esse serviço”.

Pois é, se um reles equipamento que fica estacionado no lado de fora do banco não lhe aceita, por qual motivo os funcionários do banco iriam lhe aceitar lá dentro, dar um abraço apertado e servi-lhe um cafezinho? Seu perfil é o de fila de correspondente bancário e como tal você deverá se comportar. Hoje, você não é aceito na Caixa Econômica Federal nem mesmo para abrir uma conta poupança. Ah se Itamar Franco ainda fosse vivo e presidente do Brasil…

Um banco múltiplo, como é o caso de 99,99% dos bancos brasileiros, oferecem serviços como depósitos e saques nas contas-correntes e poupanças que mantêm, mas não querem que os clientes de suas contas entrem em suas agências. Estranho, muito estranho esse comportamento de uma empresa que quer o cliente longe dela, mesmo que cobre taxas cada vez mais caras para isso.

Atualmente é muito comum entrarmos na antessala de uma agência bancária – local onde ficam as máquinas chamadas caixas eletrônicas ou rápidas, apesar das grandes filas – e encontrarmos pessoas vestidas com um casaco com um letreiro às costas “Posso ajudar”. Engana-se que acredita na ajuda, a verdadeira função delas é fazer com que a agência se livre daquele cliente ou simples consumidor e procure outro lugar qualquer para pagar suas contas.

Parece mentira, mas é verdade. A cada conta – água, energia, cartão de crédito ou outra compra qualquer – que um consumidor paga, os estabelecimentos bancários recebem determinado valor sobre o recebimento. Mas não querem que esses serviços sejam prestados em suas agências. E isso à vista e beneplácito das autoridades do Banco Central e outras esferas governamentais.

Para isso, contratam outra empresa, denominada correspondente bancário para prestar esse serviço em seu nome. Nessa terceirização, claro que os bancos ficam com a parte do leão, destinando aos seus correspondentes bancários apenas uma pequena parte do que recebem para prestar esse serviço. Se exime dele mesmo (que contratou) prestar o serviço e repassa para outro, se livrando de diversas obrigações inerentes, a exemplo da contratação de bancários, equipamentos e segurança.

No caso dos correspondentes bancários da Caixa Econômica Federal os problemas são mais agravados, com as loterias, recebimento de benefício de prestação continuada (bolsa-família, PIS, dentre outros), além dos pagamentos e saques da própria Caixa e do Banco do Brasil. A cada dia são registrados tumultos nesses locais, principalmente nas pequenas cidades onde não têm ou são poucas as agências bancárias.

E no Brasil de hoje o item segurança é o que mais causa preocupação, pois o chamado correspondente bancário tem manter sob sua custódia o dinheiro oriundo das transações decorrentes. São os terceirizados obrigados a manter nos seus estabelecimentos uma grande soma em dinheiro para pagar quem vem em busca de saques e receber vultosas somas dos que pagam suas contas.

Para o transporte de valores, os estabelecimentos bancários utilizam carros-fortes, grandes e treinadas equipes de segurança, além do apoio do sistema de segurança do Estado. Já os pequenos correspondentes bancários utilizam seus próprios funcionários, sem qualquer aparato, para transportar os valores até os estabelecimentos bancários a quem servem.

Não é preciso dizer que a parte mais fraca sofre com a bandidagem solta e armada nas ruas, planejando assaltos diários, tanto aos correspondentes bancários quanto a outras empresas que trabalham com valores, a exemplo dos supermercados. A todo o dia temos notícias dos assaltos aos funcionários transportando esses valores, que acontecem na saída de suas empresas ou chegada aos bancos.

O que mais causa espécie é que os bancos oficiais, criados para fomentar o desenvolvimento e atender aos que não têm o perfil desejado pelos bancos particulares, são os que causam mais dificuldades para o cliente. É muito comum ouvir nos bancos oficiais que algumas pessoas não são clientes, apenas simples usuários, mesmo que eles recebam seus salários por aquele estabelecimento.

Quosque tandem abutere, bancos, patientia nostra…, parodiando o cônsul romano Marcos Tulio Cicero.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Mais que violência – brutalidade

Walmir Rosário*

Violência: esse é um tema que não gosto de abordar em artigos ou qualquer outro tipo de escrita, já que acredito ser uma selvageria todos os tipos de violência, que vai desde o simples(?) constrangimento às vias de fato. Mas hoje a violência é cheia de requintes e brutalidades, praticadas em simples assalto para tomar o celular da primeira vítima que aparece com um desses aparelhos fáceis de comercializar, e portanto torna-o como o maior bem de consumo dos ladrões e outros malfazejos.

E para praticar esses crimes não importa a idade. Pelo contrário, as quadrilhas preferem os menores, amparados pelo artigo 104 do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), que os torna inimputáveis. O instituto que foi criado para amparar teve efeito contrário diante da esperteza dos bandidos, que passaram a utilizar o ECA como biombo da impunidade em várias modalidades criminosas.

Pior do que o péssimo uso do ECA é a forma pusilâmine das autoridades em relação à impunidade. E isso tem relação direta com as ondas de violência que acometem o Brasil. Se não há punição, uma parcela de marginais atua sem qualquer receio da reação legal das instituições. Essa leniência é vista constantemente pelos bandidos na arregimentação de menores para suas quadrilhas.

E essa ação dos bandidos em relação aos menores que praticam assaltos também foi copiada pelos movimentos chamados políticos, nos diversos protestos promovidos por partidos políticos e sindicatos. Além dos menores, a moda é o uso de máscaras para participar de um “protesto pacífico”. Não restam dúvidas se quem vai a um movimento e tem que se esconder é porque tem algo a esconder da sociedade.

Tanto no assalto ao celular (figura aqui utilizada para caracterizar outros tipos de furtos e roubos) quanto nos protestos políticos essas ações estão recheadas de violência, ou melhor dizendo, brutalidade. Paus, pedras, armas brancas e de fogo, sem falar nas bombas caseiras, bastante utilizadas nas chamadas guerrilhas urbanas. E o pior, grande parte desses crimes são perpetrados numa multidão, o que dificulta a sua autoria.

Sei que é bastante arriscado para alguém abordar e analisar esses crimes cometidos por menores e encapuzados, pois são sérios candidatos a serem execrados pelos chamados grupos de proteção (?). Imediatamente, os críticos passam a ser chamados de retrógrados e alimentador dos grupos de extermínios, numa mudança de valores sem precedentes, transformando os infratores em coitadinhos e vice-versa.

E a defesas dos desses grupos protetores dos criminosos de menor idade – geralmente bons de lábia – dizem que possuímos códigos penal e de processo penal modernos e garantidores da liberdade e justiça dos menores adolescentes, inclusive os infratores. Para fazer valer esses direitos temos as casas de atendimento, onde ficam internados quando as leis são transgredidas, tudo na conformidade da lei de execuções penais. Saem e voltam com uma constância absurda. Sinal que não resolvem.

Sou de opinião que os infratores, principalmente os menores, não sejam internados (ou apreendidos) juntos aos considerados “escolados” no crime, do contrário essa chamada ressocialização nunca acontecerá. Seria, e é o inverso, pois os estabelecimentos prisionais são verdadeiras universidades do crime, com pós-graduação em níveis de especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Se o menor pratica descuidos, roubo, assalto e até latrocínio, na universidade do crime terá tempo suficiente para conhecer – se é que ainda não foi apresentado – ao mundo das drogas, usando e traficando. E faz isso livremente sob a custódia do Estado. Quando ganhar as ruas terá que colocar em prática todos os ensinamentos. Infelizmente, prevalece a lei do mais forte.

Bem, falei muito mais do que deveria, não propus absolutamente nada para transformar a sociedade e, ao menos, tomei qualquer partido pró ou contra a diminuição da maioridade penal, apenas reverberei a voz das ruas. E se perceberam, até como advogado, sequer mencionei leis, por acreditar que a realidade está muito além delas. Por isso acredito que é hora da sociedade acordar.

Pois é, atualmente, em alguns locais, por falta de espaço nas prisões e falta de condições pecuniárias do Estado manter os malfeitores encarcerados, os crimes campeiam, já que foi dado o sinal verde para os criminosos. Enquanto isso, os cidadãos, os trabalhadores, os que fazem questão de “andar direito”, são obrigados a se manterem presos em suas casas com medo dos bandidos.

Para finalizar, recorro ao ilustre Cesare Bonesana, Marquês de Beccaria, que em 1764 escreveu o livro “Dos Delitos e Das Penas”, que propõe a dignidade da aplicação das penas. Para ele, “as vantagens da sociedade devem ser igualmente repartidas entre todos os seus membros. No entanto, entre os homens reunidos, nota-se a tendência contínua de acumular no menor número os privilégios, o poder e a felicidade, para só deixar à maioria miséria e fraqueza. Só com boas leis podem impedir-se tais abusos”.

Então hoje o que precisamos trocar, as leis ou as pessoas?

Mais isso é assunto para um próximo artigo. Até lá!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Sou brasileiro, sou solidário!

Walmir Rosário*

Não é pra me gabar, não, mas sou um homem bastante rico e excêntrico. Não sou de exibir muito luxo, mas gosto de tratar os amigos com bastante carinho. Para eles dedico parte de minha fortuna com a finalidade de que vivam bem, sem qualquer aperto ou constrangimento por pequenas coisas, afinal, temos que dividir o que temos para não sermos considerados avarentos.

Eu poderia, até, guardar mais dinheiro ou gastá-lo sozinho em viagens e outros prazeres mundanos, mas não me sentiria bem vivendo nessas orgias sem a presença e o bem-estar dos amigos, especialmente os mais chegados. Afinal, trabalho muito para isso e gasto o meu dinheiro não com a rapidez que ganho, é verdade, mas diria que num tempo considerável, como requer a vida em sociedade.

Como vocês devem ter percebido, não sou de ostentar bens de luxo, embora reconheça que são excelentes para o lazer nos finais de semana e receber bem os amigos e os amigos dos amigos. Não tenho propriedades como iates, carros esportivos das marcas Ferrari, Jaguar, Lamborghini, Porsches ou os aviões a jato da moda para percorrer o mundo. Acredito que discrição faz parte da minha personalidade.

Os que ainda não sabem fiquem informados da minha influência junto aos políticos das três esferas de poder: federal, estadual e municipal, cada um com a parte que lhe toca. Os que vivem em Brasília recebem uma ajuda mais substancial, pois a vida lá está por hora da morte. Além do mais é um local inóspito e nossos políticos precisam de mais cuidados, a exemplo de bons restaurantes, aviões confortáveis e hotéis de primeira.

Parte dos meus recursos destino ao pagamento de correspondências e outras formas de comunicação mais modernas, como a telefonia fixa e celular, pois não é todo o mundo que tem tempo disponível para ficar em busca de wi-fi para teclar nos wathzapps da vida. Também ajudo no pagamento dos régios salários dos assessores, ajudantes eficientes na elaboração de projetos e contato com as bases eleitorais.

Como não sou homem de mentira, jamais negarei que minhas empresas também contribuem de forma especial para as campanhas eleitorais, que custam os olhos da cara e não está pra qualquer um. Mas esse apoio desinteressado é retribuído com pequenas compensações nas votações no congresso e algum direcionamento nas verbas públicas, coisa de somenos importância.

Tenho me esforçado bastante para eleger os amigos mais chegados e os por chegar, pois minha prodigalidade é conhecida no Brasil e exterior, onde volta e meia faço questão de depositar alguns dólares e euros nos paraísos fiscais. E nada mais justo que isso, pois os amigos políticos sempre precisam de recursos extras nos seus passeios internacionais. Ninguém é de ferro e precisa sempre distrair as ideias no exterior. Tudo feito às claras.

Possuo amigos a mão cheia e em qualquer lugar, pois esse é o meu estilo de vida. No judiciário não deixo por menos e tenho destinado alguns mimos para esses sábios que cuidam da justiça. Além da inteligência, precisam se apresentar bem, o que não poderiam fazer sem nosso apoio, por isso faço questão de liberar o chamado “auxílio-paletó”, para que possam se vestir bem e com marcas de conceito internacional.

Ainda mais recentemente liberei o “auxílio-intelectual”, para juízes e promotores, no valor de R$ 14 mil – em alguns estados – para a aquisição de livros jurídicos, ampliando o cabedal de conhecimento forense. Alguns amigos até censuraram esse apoio, ressaltando que seria impossível a qualquer cristão ler, mensalmente, todos esses títulos, mas não importa, o que vale, é a minha generosidade.

E por falar em generosidade, também promovi outra doação, esta, na forma de “auxílio-moradia”. Não acho justo que nossos magistrados, procuradores e promotores usem parte dos seus salários em aluguéis, que estão pelo preço da morte. E a morte é um assunto que me sensibiliza bastante e há muito instituí a pensão permanente para filhas de funcionários públicos civis e militares de algumas carreiras de Estado. Nada mais justo.

Minhas graciosas ações não ficam apenas no campo político, pois coleciono amigos tantos na área cultural, especialmente músicos, artistas das várias linguagens, como teatro, plástica e até os chamados agitadores culturais. Para eles, incentivei a Lei Rouanet, onde distribuo recursos aos meus chegados, de forma gratuita, e por desvario acredito que eles fazem a prestação de contas, na forma da lei. Até que fazem, mas sei que não resistem a uma perfunctória auditoria. Mas o que se há de fazer…

Gostaria de tecer mais comentários sobre a minha generosidade a esses amigos, cuja pobreza franciscana me deixa bastante consternado, mas vou parar por aqui para não despertar a ira da imprensa e pessoas maledicentes. Ainda mais nesses tempos de hoje, em que gravam tudo que fazemos em áudio e vídeo, como se fossem os detestáveis “paparazzi” que não nos deixa em paz, nem mesmo no recôndito dos nossos lares.

Às vezes me perguntam quem sou eu, por que vivo de fazer altruísmos distribuindo benesses e recursos financeiros aos meus amigos, como se no meu íntimo não fosse eu um ser solidário, humanitarista e filantrópico. No meu âmago, benevolência não é apenas uma palavra, mas uma atitude que pode mover o mundo através do amor e do afeto ao próximo, notadamente os amigos que nos governam.

E ainda me perguntam: Quem é você? Ora, sou apenas o cidadão brasileiro que paga seus impostos e contribuições em dia.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Nem Rio de Janeiro nem Haiti, a violência também impera aqui

Walmir Rosário*

Cada vez mais a sociedade tem medo de tudo e de todos. O que antes víamos apenas na televisão já faz parte do nosso dia a dia e algumas pessoas nem se importam mais com as mortes. Elas (as mortes) fazem parte do nosso cotidiano, queiramos ou não, e a insegurança impera em Canavieiras e outras cidades como em qualquer morro do Rio de Janeiro ou o Haiti, após seus governos perderem os parâmetros de dignidade.

A Bahia, considerada em todo o país como a “boa terra” já é vista com restrições. E em Canavieiras, por exemplo, o bate-papo noturno nas calçadas, para aproveitar a brisa noturna e colocar os assuntos em dia, é visto com restrições. Volta e meia, na avenida mais movimentada, a Octávio Mangabeira, ou rua 13, como chamamos, os assaltos a aparelhos celulares e outros pertences são praticados a torto e a direito.

A sociedade organiza movimentos, mobiliza parte da população atingida, para a felicidade de alguns políticos que sabem muito bem utilizar esses eventos como palanques gratuitos de promoção. As autoridades policiais, o Ministério Público e o Poder Judiciário apenas olham e dizem que nunca se combateu a violência como agora. Mostram dados que só eles têm conhecimento. E fica tudo como dantes.

Por fora, circulam com desfaçatez as organizações não-governamentais e pastorais travestidas de defensores dos direitos humanos. Mas agem numa só via, a “defesa dos coitadinhos” dos bandidos, sem se incomodar com os cidadãos que trabalham e custeiam a máquina estatal. Essas organizações recebem dinheiro de instituições internacionais para fomentar a chegada dos partidos antes de esquerda ao poder, criando um clima de instabilidade política e social. É o Brasil dos expertos contra o Brasil que trabalha.

E a violência não tem dado trégua à sociedade. Se na zona urbana a insegurança recrudesce a cada dia, na zona rural não tem sido diferente. Morar longe da movimentada cidade, especialmente num sítio com paisagem bucólica, já não é a opção para milhares de pessoas residentes nas grandes capitais, a exemplo do Rio de Janeiro e São Paulo. Nem mesmo aqui.

O que antes parecia uma excentricidade tornou-se uma temeridade, haja vista a falta de segurança dos arredores da cidade, onde o Estado não dispõe de qualquer representante. Hoje, os sítios e grandes fazendas, principalmente as que os proprietários ali residem, são o alvo preferido pelos ladrões. Além dos prejuízos materiais, ainda há o risco moral, pois todas as atrocidades são praticadas contra as famílias.

Longe de mim ser um arauto do medo e do terror, mas estou falando com a triste experiência que tive a 20 metros de casa, quando fui abordado por dois indivíduos que queriam o aparelho celular. De armas na cintura, como toda a pressa pedem o aparelho, antes que se enervem e resolva tirar nossa vida. Assim, de forma tão barata, passam o produto do roubo adiante, trocado por algumas pedras de crack ou gramas de cocaína.

Valor algum tem a vida, que já foi considerada o maior bem do homem. Enquanto para alguns cidadãos (de bem, é claro) ainda são, para os bandidos pouco vale, pois os traficantes somente aceitam como pagamento dinheiro em espécie ou objetos de fácil circulação. É o que diz a lei do crime instituída pelos novos mandatários das cidades brasileiras, sob o complacente olhar das autoridades.

A confusão em torno do combate ao crime é tão grande que estamos acostumados a ver vídeos publicados por policiais militares e civis reclamando da impotência das instituições em relação aos bandidos. É a lei, dizem delegados, promotores e juízes, que concedem liberdade todas as vezes que esses meliantes são presos e levados às delegacias e nas audiências de custódia.

Caso seja menor de 18 anos, é um assombro. Os jovens com físico de “guarda-roupas” debocham do policial assim que é rendido, evocando seus direitos legais contidos no Estatuto da Criança e Adolescente. Um verdadeiro escárnio para a sociedade que vive decentemente, trabalhando para pagar os impostos e manter os “mimos” a eles destinados pelo diploma legal.

Os menores, que antes eram utilizados pelos senhores absolutos do crime, hoje são quem dão as cartas, haja vista a experiência adquirida e a facilidade com que são liberados e voltam à delinquência. Os policiais sequer podem agir com o mesmo desforço para não serem denunciados como truculentos e sofrerem processos administrativos e policiais pelos excessos cometidos contra essas “criancinhas”

No Sul da Bahia, as fazendas de cacau são um verdadeiro “paraíso” para os assaltantes. Os furtos e roubos nas roças são praticados à calada da noite por todos os tipos de ladrões. Vemos na periferia das cidades amêndoas de cacau secando nos passeios e até mesmo no meio das ruas. Essas amêndoas, depois, são vendidas a “compradores” de cacau, que não exigem qualquer comprovante de sua procedência.

Já as quadrilhas estruturadas não querem ter trabalho com as operações de colheita e secagem e partem para o assalto do cacau seco, ainda nas barcaças ou nos armazéns das fazendas à espera de transporte. Fortemente armados, à noite, surpreendem administrador e trabalhadores e, após todo o tipo de violência física e moral, levam o cacau, café, gado (bovinos e ovinos) e o que mais for encontrado pela frente.

Aos poucos, estamos vendo como somos frágeis e estamos à mercê dos malfeitores, embora cumprimos religiosamente nossas obrigações com o Estado, pagando todos os impostos que nos apresentam. Fazemos a nossa parte, o Estado não cumpre a sua e relega ao “deus-dará” seus cidadãos, como se esses tivessem apenas deveres e direitos nenhum.

São as autoridades matando a “galinha dos ovos de ouro”. Matança essa iniciada com a lei que retirou o direito de autodefesa dos cidadãos brasileiros, tomando-lhes todas as armas que possuíam. Entretanto, não deu o mesmo tratamento aos bandidos, que ostentam fuzis e metralhadoras, cenas mostradas pelos canais de TV. Só os governos não enxergam, ou não fazem questão de observar.

Lembrai-vos da Venezuela! Lá, a ditadura começou assim!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Faltam ideologias e sobram donos aos partidos políticos

*Walmir Rosário

Atualmente, a maior falácia do Brasil é a tão falada reforma política. E não poderia ser diferente, pois a casta dominante em Brasília e que domina o Congresso Nacional – Senado e Câmara federais – e o Executivo não tomariam qualquer decisão contra o status quo em vigor. Poderíamos, ainda, incluir na casta dominante o Poder Judiciário, acostumado às benesses do poder, com ressalvas, é claro.

Esses senhores que escolhemos – muito mal – para nos representar não aceitam nos dar a contrapartida da representação, que seria trabalhar para colocar em vigor todas as promessas feitas durante as sucessivas campanhas eleitorais. Os deputados federais seriam, caso cumprissem o que prometeram, os representantes do povo; já os senadores seriam os representantes dos estados federativos, que em última instância teriam que promover a paz e o bem-estar social do seu povo.

Mas com a Lei de Defesa e Proteção ao Consumidor não tem o poder de penalizá-los, fica o dito em campanha pelo não dito após a posse, sem qualquer conotação de propaganda enganosa. Enfim, “esqueçam tudo que eu disse”, na péssima lição dada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Em outras palavras, o que eu digo não se escreve, conforme o ditado popular bastante conhecido pelos brasileiros bonzinhos.

Mas se o leitor acredita que os políticos são ruins, pense então na série de agremiações que os reúne para pedir o seu inocente voto e finalizar o contrato firmado com você logo após apurados os votos e empossados nos cargos. É assim que a banda toca nesse nosso Brasil, em que os partidos políticos se despiram das mais diferentes ideologias, logo após a queda do Muro de Berlim e a chegada de Lula à Presidência da República, com o propósito de nunca mais apear do poder.

Se os partidos estão desprovidos de ideologia, sobra neles o coronelismo atávico dos poderosos que os dominam com mãos de ferro para punir os inimigos ou membros mais afoitos que contrariem o escrito nas suas cartilhas. A dureza do tratamento com os subalternos, entretanto, não é a mesma quando tratam da benesses do poder, com a ocupação de cargos na estrutura administrativa do Estado e suas estatais.

Pelo contrário, a pose republicana passada nos discursos de palanque, emissoras de rádios, televisões e jornais se transforma em comportamento espúrio com a finalidade de tomar parte no rico botim do dinheiro público. Tudo feito à sorrelfa, no recôndito dos gabinetes palacianos, sem a presença de testemunhas indesejáveis. Farinha pouca, meu pirão primeiro, é o lema dos nossos bravos políticos.

Mas, e as reformas? Sinceramente, acredito até que eles pretendam implementá-las, mas ao jeito deles, ampliando a participação no combalido bolo de recursos públicos, cujo fermento é, em maior parte, o pagamento dos impostos pelos assalariados. Que venha o fundo de R$ 3,6 bilhões, associado às contribuições das empreiteiras, o caixa 2 e o roubo das estatais. Quanto mais, melhor.

E as reformas? Calma, que vamos promover mudanças profundas nos partidos políticos – simples associações necessárias para o registro de candidaturas –, promovendo a tão sonhada mudança nos nomes e suas siglas. Basta tirar o P – de partido – de algumas agremiações, acrescentar ou substituir nomes em outros e o eleitor ficará bastante satisfeito com as reformas.

Até que tem sentido, dirão eles, com a desculpa de que a exigência da legislação eleitoral da palavra partido como primeiro nome foi uma imposição dos militares durante o período da ditadura. À época, os militares insatisfeitos com o sucesso nas urnas do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – uma espécie de “Arca de Noé” que abrigava políticos dos mais diversos matizes – sobre a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava os governos militares, inventaram o P inicial como condição para o registro de partidos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Agora, estimado eleitor, já que você se sente um perfeito idiota, me diga o que essa mudança de nome acrescentará na sua vida, no desenvolvimento do país, a não ser embaralhar, ainda mais, a cabeça do nosso povo? O que a palavra partido – ou a falta dela – influenciará na economia, no desenvolvimento social do nosso povo? Mais uma vez, nada, a não ser o engodo que deveremos deixar descer goela abaixo.

Mas, não ligue não! Já que estamos conscientes de que a política é arte de quem não presta, como dizemos normalmente, pelo menos não sentimos violência quando somos surrupiados de nossos bens materiais. Afinal, com a violência que impera hoje em dia, pelo menos seremos vítima de simples furto, sem a ameaça de revólver, e não de roubo dos bandidos que campeiam as ruas de nossas cidades, armados até os dentes.

Como parece que nos encontramos num beco sem qualquer saída, só nos resta escolher o tipo de violência que preferimos sofrer: a física e patrimonial ou a psicológica e moral. E depois não me digam que é por falta de opção.

*Radialista, jornalista e advogado.

A UTOPIA CANAVIEIRENSE

WalmirRosárioWalmir Rosário*

Segundo os historiadores, há utopias sonhadas e utopias tentadas. Umas assumem o papel político enquanto outras o religioso. Algumas são apenas sonhos de filósofos, que jamais saem dos livros. Já a Maçonaria abrange as duas, pois é uma utopia filosófica e uma tentativa de implantá-la na prática. Por isso, tem envolvimentos com a política e ainda é confundida com a religião.

A utopia prega um modo de vida universal – como na Maçonaria – com a finalidade de redimir o homem pecador e formar uma verdadeira fraternidade, em que o profano possa conviver com o religioso. Para isso, são escolhidos no meio social indivíduos de elite moral, no sentido de prepará-los para servir de alicerce para essa sociedade, seja nos aspectos espirituais ou interesses mundanos. Mas como é possível fazer isso numa sociedade múltipla, diversa? Veremos com a história de nossa cidade:

Para Canavieiras convergiram todos os povos, diferentes etnias. Cada um em busca de novas oportunidades. A data mais precisa desta invasão é o ano da era vulgar de 1882, quando foi noticiada mundo afora a descoberta de diamantes no Córrego do Salobro, terras da Vila Imperial de Canavieiras.

Brasileiros e estrangeiros de várias nacionalidades aqui aportaram em navios e canoas – até mesmo em lombo de burros. Entre os nativos, a grande maioria da Chapada Diamantina, com a única preocupação de “bamburrar”, ficar rico e poderoso faiscando os famosos diamantes das fraldas da Serra da Onça.

Sozinhos ou com as famílias, vieram de toda as partes do mundo para desbravar as matas, vasculharem os rios e córregos. Até mesmo uma empresa francesa investiu pesado na importação de equipamentos para esvaziar a Lagoa Dourada, onde acreditava-se ser um depósito fervilhante dessas pedras preciosas. Apesar das motobombas trabalharem dia e noite todo o esforço foi em vão e quanto mais tiravam, mais água ajuntava.

Como gente atrai gente – por ser o homem um animal gregário –, uma leva de mascates deixou de preambular de povoamento em povoamento para se aqui se estabelecer. Comércios de todos os tipos foram abertos, desde os armazéns de secos e molhados, com produtos para a subsistência e o trabalho, quanto para o luxo e o divertimento, uma praxe para os padrões da época.

Como bem nos narra o livro “Canavieiras – Terra Mater do Cacau”, de autoria dos professores Durval Filho e Aurélio Schommer, no capítulo “Todos Diferentes, Todos Iguais”, aqui se misturaram europeus, africanos, asiáticos, indígenas e os já brasileiros, numa grande miscigenação. Aos poucos, os nomes estrangeiros foram se associando aos locais, formando a população que hoje conhecemos.

Essa mudança na cor da pele também influenciou os costumes, a maneira de agir e de falar, deixando para trás usos e costumes tradicionais. A herança cultural nem sempre era conservada, ou pouco preservada em raros momentos do recesso do lar. Agora, tudo girava sobre o fazer fortuna em Canavieiras, conforme a pretensão de cada um que para aqui se deslocou com essa finalidade.

Como os diamantes não afloraram a contento e conforme as notícias contadas mundo afora, os garimpeiros – cristãos novos ou por profissão – foram obrigados a deixar a Serra da Onça e seus arredores para se dedicarem a novos ofícios, com pouquíssimas defecções. Agora o novo “eldorado” era a fortuna que poderia ser feita com os frutos cor de ouro que por aqui se multiplicavam nas roças de cacau.

Àquela época, o cacau não era exatamente uma novidade, pois aqui foi introduzido nas margens do Rio Pardo, na Fazenda Cubículo, por Antônio Dias Ribeiro, com as sementes trazidas pelo franco-suíço Louis Frederic Warneaux da longínqua região amazônica, mais exatamente do Pará, no ano de 1746. Com o mercado internacional em alta, o cacau ganha prestígio e os atores de sua cadeia produtiva: dinheiro.

E a Vila Imperial de Canavieiras continua vivenciar uma nova fase de progresso. Tanto isso é verdade, que por seu visível crescimento – na sede e nos povoados – a luta dos seus moradores era sair da condição de vila para se transformar na cidade de Canavieiras, tida e havida como a “Princesinha do Sul. Finalmente, em 25 de maio de 1891, o sonho se tornou realidade.

Mas e o que tem a ver essa história de Canavieiras com a Maçonaria? Tudo! Pois se confundem em todos os momentos. Canavieiras e a Loja Maçônica União e Caridade estão umbilicalmente ligadas. Então, vejamos que não são meras coincidências essas datas: em 17 de fevereiro de 1890, o governador Manoel Victorino Pereira nomeia o médico Antônio Salustiano Viana o primeiro intendente de Canavieiras. Em 27 de dezembro do mesmo ano de 1890, é lançada a pedra fundamental da Loja União e Caridade.

Em 25 de maio de 1891, o governador do Estado da Bahia, José Gonçalves da Silva, eleva a Vila Imperial de Canavieiras à condição de cidade. Meses depois, em 17 de agosto de 1891, foi concedida à Loja Maçônica União e Caridade a Carta Constitutiva – ou Patente – que confere à Loja o direito de funcionar como Regular, filiada ao Grande Oriente do Brasil (GOB), da qual saiu em 24 de junho de 1954, para se filiar à Grande Loja Maçônica do Estado da Bahia (Gleb).

Acima, nos referimos a Antônio Salustiano Viana, primeiro intendente de Canavieiras. Pois foi essa mesma personalidade integrante dos Maçons Regulares a fundar a Loja Maçônica União e Caridade e o seu terceiro Venerável Mestre. Aqui faço uma ligação com o início desta peça de arquitetura, demonstrando como a utopia é uma “filosofia” (termo ainda controverso como sinônimo) recorrente e necessária à Maçonaria na formação de um mundo melhor.

Para a Maçonaria, a utopia surge como uma sociedade dentro da própria sociedade, dela extraída por um processo seletivo que pode variar no tempo e no espaço. De simples ideia passa a ser uma prática de vida, na qual o homem sente que pelo exercício de uma disciplina mental, orientada por uma ação divina, pode se viver melhor. É daí que nasce a ética (princípios) e a moral (conduta) como forma de educação do espírito para a construção efetiva de um reino de harmonia, paz e bem-estar.

Para finalizar, a utopia maçônica, à época, fez de Canavieiras uma cidade melhor para se viver – mesmo com a diversidade, ou como diz o livro: “Todos Diferentes, Todos Iguais”, em harmonia, com a prática da ordem e da justiça. E o livro “Canavieiras – Terra Mater do Cacau” nos conta histórias de uma história da vida de nossa cidade, na qual a Loja União e Caridade teve participação ativa na formação de uma comunidade mais justa.

*Radialista, jornalista e advogado (M:. M:.)

Publicado originalmente no site www.costasulfm.com.br

Podres Poderes

Walmir Rosário*

Não é de hoje que a política brasileira dá demonstração de que não respeita o eleitor, seja em que nível represente – municipal, estadual ou federal –, pouco se importando com o feedback dado pelo eleitor. Ele tem segurança que não é fiscalizado e poucos são os eleitores que lembram em qual candidato votou, muito menos o que ele faz no parlamento ou no executivo.

Infelizmente, é assim que a banda toca, com o nível de desinformação beneficiando o infrator, como sempre acontece, e quanto mais longe do eleitor, maior a facilidade de enganá-lo. Não é à toa que se lembram de que representa o eleitor, no caso do deputado, somente na hora de pedir o voto, com mil e uma promessas.

Constantemente lemos, vemos e ouvimos na imprensa o deputado se defendendo dos gastos com passagens aérea, envio de correspondências e combustíveis, como uma premissa de ouvir o seu eleitor. Nunca antes, agora e nem depois na história desse país, político algum se preocupou em ouvir que o elegeu, depositando o voto nas urnas, seja a manual ou eletrônica.

Pelo contrário, suas viagens às bases eleitorais – capital e interior – tem apenas como objetivo o encontro com seus cabos eleitorais, seja para justificar o que não pode ou deixou de fazer, como as promessas para o futuro. E isso acontece com os parlamentares de todos os partidos, já que após a derrubada do muro de Berlim e os oito anos de Lula as ideologias políticas foram para o espaço, tal e qual o foguete Sputnik levava seus satélites à órbita celeste.

Como diz a Lei de Murphy: “se alguma coisa pode dar errado, dará, e mais, dará errado da pior maneira”, pouco se preocupam com o país, pois a tendência é que um escândalo termine por encobrir o outro. Pelo que se sabe, em Brasília tudo é combinado, inclusive a raiva nos microfones e câmeras, miséria pouca para esses senhores é besteira.

E assim vamos caminhando para o caos, pois nossos governantes mudam de ideia logo que sentam na poltrona do poder, embutindo um discurso bem diferente daquele dito nos palanques. Planejamento se transforma em coisa de somenos importância e o que vale é gastar. Isto mesmo, gastar, nada de investir dentro dos princípios da razoabilidade.

A Lei de Responsabilidade Fiscal virou um empecilho para se governar, como disse Lula que foi eleito falando mal dos governantes atual e passado, prometendo o fazer do Brasil um paraíso. Não fez, pelo contrário, liderou a maior corrupção já vista no país desde os tempos imperiais – da época do descobrimento aos dias de hoje.

Com a gerentona Dilma não tivemos maior sorte e tudo continuou como dantes no quartel de Abrantes, afundando ainda mais nossa economia e a política de Estado. O que interessava aos ocupantes de plantão não era o Brasil e sim o Partido dos Trabalhadores e coligados, até que a Polícia Federal e o Ministério Público tomassem as providências moralizadoras juntos com a Justiça.

Mas quando o óbulo é grande até o santo desconfia, não tivemos a sorte de colocar o país nos trilhos com seu substituto, o vice Temer, que antes os petistas andavam com ele a tiracolo e que hoje execram. Tentam, mais uma vez, enganar aos incautos de que não foram eles quem o colocaram no Palácio do Jaburu, local considerado azarento e até nefasto.

Se Dilma afundou o país, Temer, ao que parece, quer jogar uma pá de cal, para que em pouco tempo não existam lembranças do “de cujos” e nem tenhamos lembrança. Ainda não cumpriu o intento pelo simples fato da consolidação e maturidade dos que pilotam a economia, fazendo com que a política se restrinja aos palácios de Brasília.

Mas ainda não sabemos até quando poderemos ter a economia descolada da política, caso os rombos no orçamento da União persistam e em valores cada vez mais ascendentes, sem o cumprimento das metas como se fôssemos uma republiqueta qualquer. Temos que abrir os olhos para evitarmos as açodadas propostas, nas quais os velhos enganadores se apresentam como os salvadores da pátria.

Já os novos são sempre opções, mas que têm que ser analisadas, estudadas e diagnosticadas para que não se contaminem e que seus tumores internos possam ficar em estado de putrefação. Os poderosos podres são por demais conhecidos, o que se espera é os novos não adquiram as células cancerosas da corrupção, dando continuidade aos podres poderes.

*Radialista, jornalista e advogado.

A lição de vida que nos dá o nordestino

Walmir Rosário*

Após quase 50 anos tenho o prazer de rever a caatinga aqui para as bandas da divisa de Sergipe e Bahia (Cícero Dantas e Poço Verde) e, dentre as novidades que vi, quase nada, a não ser o tamanho das cidades, num misto de crescimento e desenvolvimento. Ao invés das estradas carroçáveis e esburacadas de antes, asfalto, um tanto cansado, é verdade, mas aceitável para os padrões atuais.

Nada mais de paus-de-arara e agora o sertanejo viaja em ônibus confortáveis, em pick-ups cabines duplas, carros modernos iguais aos que vemos nas grandes metrópoles do Brasil. Pouca diferença no comércio, com supermercados oferecendo os melhores produtos das mais diversas regiões brasileiras e do exterior; lojas e boutiques acompanham os lançamentos mais recentes da Europa e Estados Unidos.

O sertanejo está com tudo, como sempre esteve. Se antes não dispensava as notícias mais imediatas nos grandes aparelhos de rádio com seis, sete e até nove faixas, hoje dispõe da televisão a cabo e via satélite, além da internet que o conecta 24 horas com todo o mundo. Negocia sua safra com as cooperativas e empresas multinacionais, via telefone celular, equipados com os mais modernos aplicativos.

Poderia eu dizer que o homem da caatinga disputa com seus colegas das outras regiões brasileiras em igualdade de condições, caso não tivesse informações outras coletadas ao longo dos anos. Se sobra coragem ao catingueiro, falta-lhe chuva no tempo certo, bem como outras benesses concedidas pelas autoridades governamentais, a exemplo de infraestrutura e crédito nos mesmos moldes dos outros.

Como afirmava Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, o nordestino até hoje não fez por desmerecer a citação desse jornalista e militar que acompanhou a vida, as adversidades e os conflitos dessa gente. Não desanima nunca e pede a Deus que no próximo ano reverta o quadro de dificuldades para que possa continuar sobrevivendo com os seus.

E é sempre atendido. Mas faz por merecer. “Acostumado aos revezes, sabe viver fritando o porco com a própria banha”, como dizem os mineiros, tirando lições das constantes situações vivenciadas. Planta para sua família comer, alimentar seus animais e vender um pouco do que eventualmente sobra, permitindo sua sobrevivência nas maiores dificuldades.

E essa situação fui observando ao longo das estradas, onde cada pedaço de terra é ocupado com uma pequena plantação de milho, feijão, mandioca, dentre outras culturas. Não dispensa a criação de pequenos animais, tratados como membros da família e que faz chorar o nordestino quando os vê “o couro e o osso”, igualzinho a que cantou Luiz Gonzaga na música o Último pau de arara.

Entretanto, se é obrigado a deixar seu torrão natal, vai para terras estranhas dar o duro para sustentar a si, sua família, seus bichos, sempre com o pensamento de um dia voltar. E sempre retorna trazendo na mala uma lição das terras por onde passou para juntá-la ao repertório de sabedoria e aplicá-la quando preciso for, sem a menor cerimônia.

Acostumados que fomos a ver o Nordeste brasileiro sob o estereótipo das terras pedregosas e calcinadas pelo sol inclemente – o que é uma parte da sua paisagem –, deixamos escondida a grande extensão de terras férteis, sempre prontas a produzir quando as condições sejam favoráveis. Bastam três dias de chuva para a beleza plástica do verde de sua vegetação animar os olhos e encher de coragem e esperança o catingueiro.

Água! Esse é o ingrediente que quando em escassez faz “cortar o coração” do catingueiro, que pede a Deus e aos seus santos de devoção que mandem chuva em abundância para poder plantar e colher. E quando são atendidos trabalham dia e noite para fazer a felicidade de todo um povo, de toda uma região, que conhece a pobreza, mas vive sem miséria, dividindo tristezas e alegria com a verdadeira fraternidade.

Se falta o pão a um vizinho, oferece um pedaço do pouco que lhe sobra; se a necessidade é a água, abre sua cisterna (melhor dizendo: de pedra e cal), seu pote ou moringa e mata a sede do semelhante. Fraternidade e igualdade não falta ao nordestino, que apenas precisa de mais liberdade para fazer o bem à humanidade.

Até chegar em Cícero Dantas vou conversando com meu amigo Batista sobre as dificuldades e a sabedoria deste povo que poderia ser mais ouvido e ministrar lições de experiência e vivência. Enquanto isso não lhe é possível, continua vivendo com simplicidade, demonstrando que quando não lhe é possível solucionar um problema que lhe surja, pede a intercessão de Nossa Senhora do Bom Conselho e a Jesus Cristo, que estão sempre prontos para atender seus filhos amados.

*Advogado, jornalista e radialista.

Postado originalmente no site www.costasulfm.com.br

 

Mandioca, o exemplo que vem do Sul

Na minha rotina diária em busca de boas informações, encontrei na Gazeta do Povo, de Curitiba – jornal que reputo como um dos melhores do país – uma matéria sobre gastronomia, abordando um restaurante em Florianópolis (Santa Catarina). O restaurante trabalha com cardápio tipicamente nordestino e os pratos são de dar água na boca: feitos com mandioca, macaxeira ou aipim, nome dado conforme a região.

Bem que poderíamos dispor de um restaurante deste estilo aqui por nossa Bahia, mas pelo que já pesquisei, ainda não nos é possível degustarmos todas essas especialidades, com incursões em pratos da cultura japonesa, francesa, e por países afora. Gostas de sushi? O arroz, preferência dos nossos amigos japoneses é substituído por tapioca. Pelo que informa a reportagem, fica uma delícia.

A Oka de Maní (nome do restaurante) foi idealizado pelo casal de cearenses Samilla Paiva e Roberto Duarte para trabalhar exclusivamente com a matéria-prima mandioca, raiz 100% brasileira. Mais do que uma tapiocaria, o restaurante se destaca pelo mix culinário ao gosto da grande maioria dos clientes, inclusive daqueles que têm restrições ao uso do glúten na alimentação.

Se os pratos agradam aos mais exigentes paladares, as bebidas não ficam longe disso e as cachaças feitas a partir da mandioca também já estão se incorporando aos mais exigentes paladares dos “manezinhos” (como são conhecidos os nativos da ilha) outros moradores e visitantes. Elas são trazidas do Pará, como de jambu, responsável pelo famoso formigamento do paladar, e a tiquina, cachaça de mandioca curtida na folha de tangerina, trazida do Maranhão.

Eu poderia escrevinhar mais algumas dezenas de mal traçadas linhas sobre a gastronomia – o que muito me apraz – mas aqui o que interessa é mostrar que poderemos utilizar coisas nossas com sucesso. E, mas que isso, contribuir para o desenvolvimento de nossa agricultura, com resultados econômicos altamente positivos para todo o Brasil, substituindo o trigo, por exemplo.

De antemão, aviso: não sou contra a importação desse produto que ainda não somos autossuficientes. Nada de xenofobia contra os “hermanos” argentinos ou outros que exportem esse produto, pelo contrário, gosto de pães e macarrões fabricados com o trigo, famoso até na Bíblia Sagrada. Trago no DNA a lembrança das culturas portuguesa e italiana, tanto que não dispenso massas em geral, notadamente uma boa pizza.

Na verdade, me refiro às questões econômicas e a tecnologia que dispomos para substituir o trigo – ou pelo menos parte dele – na nossa riquíssima culinária, tão criativa, gostosa e capaz de agradar paladares de todo o mundo. E a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já provou, através das pesquisas dos seus cientistas, que isso é perfeitamente possível.

O pão nosso de cada dia é um belo exemplo e poderia ser adquirido nas padarias mais conceituadas de nosso país a preços mais baixos, caso fosse introduzida a farinha de mandioca na sua feitura. Com essa providência, não teríamos que ouvir, ver e ler na imprensa que a alta do preço de nossos pãezinhos é apenas consequência do reajuste do preço do trigo. Nos livraríamos desse lugar comum.

Garantem os pesquisadores que a mudança ou introdução da farinha de mandioca em nada alteraria o paladar do pão, o que é uma notícia alvissareira para quem não dispensa o seu consumo diário. A adição de fécula de mandioca à farinha de trigo é tecnicamente possível, como já ficou comprovado e demonstrado país afora, e a fécula atuaria na mistura como um diluidor do glúten presente no trigo.

Mas o que a ciência foi capaz de demonstrar, os políticos foram mestres em esconder, atrapalhar, não se sabe com qual interesse, mas é certo que a mistura da fécula de mandioca ao trigo para a confecção dos pãezinhos foi vetada pelo presidente Lula e o veto mantido pelo Congresso que antes aprovara o projeto. E o argumento utilizado pelo presidente foi o mais pífio de todos, conforme se lê no próximo parágrafo.

“De que haverá grande dificuldade para a comprovação pelo poder público da garantia de que o produto a ser adquirido tenha a composição proposta. No limite haverá necessidade de análise laboratorial. Como a produção será distinta quando destinada ao governo ou ao mercado tradicional, os moinhos terão que preparar lotes específicos o que tenderá a aumentar o custo e o preço do produto, sobretudo se os volumes de compra não forem muito elevados”. Nada mais enganador.

Como ainda não é possível comermos nosso pãozinho ou outros tipos de massa misturados com o trigo, a única opção é torcer para que exemplos como esse do casal de cearenses em Florianópolis sejam multiplicados por todo o país. Acredito que seja por isso que diz aquele ditado: “O governo nos ajudaria muito se pelo menos não nos atrapalhassem”.

Nem mesmo a atabalhoada declaração de amor incondicional de Dilma Rousseff pela mandioca foi suficiente para que seus subprodutos tivessem melhor sorte na economia. Ainda não sei o porquê, mas acredito que nossa presidenta deposta ainda não estava bastante segura se a mandioca era um tubérculo ou uma planta tuberosa.

Mandioca neles!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

PELA BÍBLIA, SABE-SE QUE COLHEMOS O QUE TIVERMOS SEMEADO

A lei de causa e efeito é um dos maiores ensinos da Bíblia e de outas escrituras sagradas. Por ela, vamos colhendo o que semeamos. E o Nazareno confirmou-a com ênfase: Ninguém deixará de pagar tudo até o último centavo (Mateus 5: 26). Ela é divina, mas é manipulada por nós mesmos. Daí que temos de pagar tudo até o último centavo. Quando eu estudava para padre Redentorista, ouvia-se dizer muito sobre ela: “É, a lei de Deus é rigorosa!”. E ninguém percebia que, pago o último centavo, o indivíduo fica quite com suas dívidas e que, pois, as chamadas penas “eternas” eram jogadas por terra, totalmente.

A religião que mais difunde essa lei bíblica é o espiritismo. E esse é um dos motivos de ele ser muito atacado, geralmente, pelos líderes de outras religiões bíblicas, que querem passar a ideia de que os “devedores” podem anular seus “débitos”, se forem fiéis seguidores deles e, principalmente, se derem polpudos dízimos à sua igreja, que na verdade vão para os bolsos deles. Mas deve-se dizer que nem todos os líderes religiosos agem exclusivamente com essa intenção! Porém a verdade é que eles estão atacando também um dos mais importantes ensinamentos bíblicos! Eles ignoram ou fingem ignorar que essa lei de causa e efeito é divina. O argumento mais comum deles é que pagar uma dívida, sem o conhecimento dela, é uma incoerência E aqui calha bem um ensino bíblico: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.” (Isaias 55: 8).

Para a Bíblia, os fatos da vida presente mostram-nos o que fizemos no passado, pois eles são a colheita da semeadura que fizemos. E, se a semeadura é no passado com relação à colheita no futuro, e a colheita é no futuro com relação à semeadura do passado, isso, claramente, sugere-nos a ideia da reencarnação que incomoda muito os fanáticos contra ela! A desculpa deles para atacá-la, e a isso já nos referimos, é sempre afirmar que se a reencarnação é para quitar nossas faltas, que são desconhecidas por nós, o pagamento delas não tem lógica. Mas como ela não tem lógica, se se trata de uma lei bíblica e divina? Se a Bíblia e outras escrituras sagrada dizem que colhemos o que semeamos, logo, pelo que colhemos, sabemos, pelo menos em parte, o que semeamos. E, atualmente, com o avanço da Ciência, a Humanidade já pode saber fatos importantes de suas reencarnações anteriores, por exemplo, através da terapia de vivências passadas (TVP), que começou com o médico francês, em 1875, Prêmio Nobel de Química, em 1913, Charles Richet. E há os médiuns que têm o dom de lembrar os fatos importantes de suas vidas anteriores. Ademais, realmente, nós podemos não saber claramente a causa dos fatos presentes, até mesmo quando a causa é da vida atual, o que, porém, não anula a causa. Um indivíduo, que tem sífilis, sabe que está doente porque contraiu o vírus da sífilis, embora ele possa não saber bem quando e como o contraiu. É assim, mais ou menos, que acontece com o pagamento de faltas de vidas anteriores. E a reencarnação é principalmente para evoluirmos.

Voltemos à Bíblia (Jó 8: 9): “Somos de ontem e nada sabemos”. Podemos, pois, ignorar até mesmo que já existíamos antes desta vida. O próprio João Batista não sabia que seu espírito era o mesmo de Elias, mas Jesus (Mateus 11: 14) o confirma: “Ele é o Elias que estava para vir, quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”

PS: “Presença Espírita na Bíblia” com este colunista, na TV Mundo Maior.

NOTA:

Campanha da Fundação Espírita André Luiz (FEAL), tendo à frente a Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior para a distribuição de livros espíritas em hospitais, presídios, cracolândias e outros pontos da cidade de São Paulo.

Os apoiadores podem doar a partir de R$ 12,00.

Para participar: http: //www.mundomaior.com.br/

Taxa do cheque especial aumenta em agosto
 
A taxa média do cheque especial nos bancos em agosto foi de 13,52% ao mês (a.m.), alta de 0,06 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo pesquisa do Procon de São Paulo. A maior alta foi encontrada no Banco do Brasil
 
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Aos 35 anos, quatro dos quais dedicados à arte, Thiago tem despertado a atenção de turistas e nativos pela simplicidade de seus trabalho, com traços e entalhes precisos, retratando animais do bioma Mata Atlântica.
 
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Alto Beco do Fuxico festeja seus 30 anos
 
Saudosismo, amizade, cachaça da boa, cerveja bem gelada, mocofato preparado por Danilo, música de todos os gêneros e para atender todos os gostos. Esse foi o combustível que moveu membros da Confraria do Alto Beco do Fuxico, os acadêmicos da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopia e Etc. (Alambique), além de outros frequentadores do Alto Beco do Fuxico.
 
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