CIA DA NOTÍCIA

Posts Tagged ‘Banco do Brasil’

CDL de Canavieiras acredita que recursos do Incra incrementem vendas no comércio

Fabrício Mota, da CEF, Douglas de Jesus, do Incra, e Ériston Nascimento, presidente da CDL de Canavieiras

Fabrício Mota, da CEF, Douglas de Jesus, do Incra, e Ériston Nascimento, presidente da CDL de Canavieiras

O coordenador-geral de Infraestrutura do Incra, Douglas Souza de Jesus, esteve em Canavieiras, onde manteve contato com autoridades e lideranças com a finalidade de disponibilizar linhas de crédito para assentados. Acompanhado do chefe da Unidade Avançada Sul, Marcos Nery, Douglas também conversou com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Canavieiras, Ériston Nascimento.

Durante o encontro, o coordenador de Infraestrutura, Douglas de Jesus, informou que o Governo Federal, por meio do Incra, pretende promover o desenvolvimento das atividades produtivas rurais para beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Além dos assentados, também poderão acessar esses benefícios os pescadores e marisqueiras ligados à Reserva Extrativista (Resex) de Canavieiras.

Em Canavieiras, Douglas de Jesus manteve contato com o prefeito Dr. Almeida, gerência do Banco do Brasil, representantes de assentados e da Resex, a quem expôs as condições de acesso aos programas de crédito. “A liberação é simples e o Incra encaminha as informações sobre os beneficiários ao Banco do Brasil, onde é feito o cadastro e a confecção dos cartões daqueles que foram considerados aptos a fazer parte do programa”, salientou.

Na conversa com o presidente da CDL, Ériston Nascimento, o coordenador do Incra enfatizou que esses recursos irão alavancar diretamente as vendas no comércio, como tem acontecido em outras cidades. Também participou da reunião o gerente da Caixa Econômica Federal (agência de Canavieiras), Fabrício Mota, que ressaltou o grande relacionamento da CEF com os beneficiários desses créditos.

As linhas de crédito têm uma grande amplitude e vai desde o apoio inicial, para a instalação no projeto de assentamento e a aquisição de itens de primeira necessidade, de bens duráveis de uso doméstico e equipamentos produtivos; ações de fomento para viabilizar projetos produtivos de promoção da segurança alimentar e nutricional e de estímulo à geração de trabalho e renda; e o fomento à mulher, para implantar projeto produtivo sob responsabilidade da mulher titular do lote.

Para Ériston Nascimento, ações como essa do Incra que promovem o desenvolvimento econômico são muito bem-vindas e deverão aquecer as vendas em todos os segmentos do comércio de Canavieiras, que dispõe de estoque variado e preços baixos. “Estamos a disposição dos órgãos participantes para apoiar a implantação e realização do programa de crédito na cidade” finalizou o presidente da CDL.

CANAVIEIRAS DESBANCA SÃO PAULO E PROVA QUE O RODÍZIO COMEÇOU AQUI

Por Walmir Rosário

Parece que os historiadores têm memória curta! Impossível não se lembrarem de que rodízio de serviços prestados pelo governo e suas concessionários são coisa deste mundo moderno. Aí que vocês se enganam. Basta botar a mão na cabeça e puxar pela memória que vão se dar conta que não é São Paulo a pioneira no sistema de rodízio, nem mesmo a circulação de veículos, inaugurado anos atrás, nem o de água, cantado e reclamado em verso e prosa até os dias de hoje.

Já deveria estar inscrita no Guines Book, o livro de recordes, caso algum canavieirense de memoria e boa vontade assim quisesse. Bastaria um simples telefonema, um simplório e-mail para os gringos conferirem o feito e desbancar São Paulo. Pois fiquem sabendo quem interessar possa que esse feito ainda vai ser motivo de orgulho, com livros de teses escritos para comprovar essa orgulhosa marca. Para que se restabeleça a verdade, São Paulo pode, no máximo, alcançar o segundo lugar.

Esse motor ainda é pequeno em comparação ao Locomóvel

E era a “Locomóvel”, nome de batismo popular dado à possante máquina que aportou por aqui à bordo de um vapor da Bahiana e transportada à rua Ruy Barbosa, local de sede da briosa “Luz e Força”, ou para os menos esclarecidos o motor de luz. Quem não lembra da festa iniciada com discursos e foguetórios para comemorar a chegada de um potente motor de luz! Era a glória, para os políticos de então, a começar pelo prefeito Edson Castro, autor do pedido.

E chamava a atenção o tamanho da Locomóvel, que para os mais viajados parecia um motor de navio transatlântico, embora para outros se tratasse de uma cabeça de locomotiva vinda do exterior para gerar energia elétrica de qualidade em Canavieiras. Nem mesmo essa grandeza toda seria capaz de fornecer a potente iluminação – se comparada aos candeeiros, fifós, placas e aladins das residências – em toda a cidade.

Como a potencia foi reconhecida insuficiente, um conhecido eletricista recomendou ao prefeito que não se avexasse com isso e estabelecesse um rodízio no fornecimento da moderna energia elétrica disponível das 18 às 23 horas. E a energia se despedia solenemente, com os devidos avisos de antecedência do desligamento, para dar tempo aos notívagos e os mais afoitos casais de namorados chegarem a casa ainda no claro.

– Vai ser batata! – disse o eletricista ao prefeito, detalhando o projeto na ponta da língua:

– Num dia, a gente liga as ruas Ruy Barbosa (onde ficava a Locomóvel), rua 13 (que ainda não era Octavio Mangabeira), General Pederneiras e dos Pescadores. No outro será a vez do complexo de praças da Bandeira, 15 de Novembro, São Boaventura e a avenida J. J. Seabra (hoje ACM). No terceiro dia seriam contempladas a, Benjamim Constant, Marechal Deodoro e Barão de Cotegipe –.

E assim foi vivendo a sociedade canavieirense, que marcavam suas festas e demais eventos sociais para os dias de clarão em sua residência, gozando, portanto, das modernidades de então. Mas como a teoria de Murphy nos ensina que não existe nada ruim que não possa piorar, eis que a gloriosa Locomóvel bateu biela, quebrou pistom, queimou válvulas e chegou ao fim de linha. Eis que o que era ruim ficou pior.

Eram os tempos do prefeito Osmário Batista, que prometeu substituir a Locomóvel por um gigantesco motor, equipamento vindo do exterior, não se sabe ao certo se Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. Mas vinha com a missão de iluminar todo o território canavieirense, até a distante Potiraguá, ainda dentro dos seus domínios. Também não deu certo e o possante motor, logo apelidado de “elefante branco”, dada a sua pífia serventia.

Foi o caos. Mas eis que as gestões políticas e uma comissão de alto nível liderada pelo prefeito Edmundo Lopes de Castro fez ver ao governador Lomanto Júnior que uma cidade do porte e da importância de Canavieiras não podia ficar às escuras, sob pena dos eleitores não acertarem nem mesmo depositar os votos nas urnas.

Diante de tão qualificado e irrecusável apelo, eis que no dia 13 de dezembro de 1963 três conjuntos de moto geradores doados pelo governador Lomanto Júnior começam a funcionar, justamente no dia consagrado a Santa Luzia. Com isso, a Locomóvel foi aposentada e hoje, sequer, lembram dela, caiu no mais absoluto esquecimento.

Entretanto, os três pequenos conjuntos de moto geradores não se encontravam à altura dos costumes de tradições de Canavieiras. É certo que deu sua contribuição, aumentando em uma hora o fornecimento de energia elétrica – das 18 às 24 horas – o era um considerável avanço, mas a vida noturna, a boemia, já não podia continuar às escuras, o cinema pretendia exibir uma segunda sessão, o clube social continuar as festas até o raiar do dia e sem energia nada disso seria possível.

Foi então que no fatídico dia de 23 de agosto de 1973, sob as benções de Antônio Carlos Magalhães e do prefeito João Perelo, Canavieiras se integra ao seleto grupo de cidades interligadas ao sistema da Barragem do Funil e quiçá o moderno sistema de Paulo Afonso. Um dia como esse era especial e merecia uma comemoração à altura do benefício.

Imediatamente, um grupo de rapazes alegres e chegados a um dia de folguedos sugerem – ou melhor, já levaram pronto – o ato oficial para decretar feriado em todo o Município, inclusive no Banco do Brasil. E assim foi feito: O prefeito João Perelo assinou o decreto e a cachaçada “comeu no centro” até altas horas do dia seguinte.

Festejou-se muito, para nada! É que o governador Antônio Carlos Magalhães, o “Toinho Ternura” – que tinha fiat lux –, não estava presente às comemorações da nova iluminação e marcou uma nova data, 23 de outubro de 1973, esta oficial, com direito a aplauso de toda a sociedade. E para isso, um novo feriado foi decretado – também com a ajuda do grupo Tolé, Tedesco e cia.. – com o competente fechamento dos banco.

Mais uma homérica cachaçada, em que até um professor e ex-pastor – um homem de Deus, portanto – se juntou à gandaia. Uma festa de arromba, digna do esquecimento da Locomóvel, máquina usada e abusada para não deixar a cidade às escuras, mas agora aposentada e enterrada num ferro-velho qualquer desse Brasil afora.

Tolé até hoje ainda se lembra da maldade que fez com “velho professor” e da homérica ressaca sofrida. Mas, o que fazer, se até o Dr. Boinha Portela tinha colocado toda as mercadorias de O Berimbau à disposição dos amigos, com a recomendação expressa dada a Neném de Argemiro de não cobrar nada de ninguém, pois a farra seria bancado do seu próprio bolso.

Realmente, foi por uma causa justa, justíssima!

Copa bombando, impostos baixando

Walmir Rosário*

Pós é, os que apostavam de que os ingressos para a Copa do Mundo “iriam boiar” deram com os burros n’água, e vão ter que se desdobrar para pagar o alto preço cobrado pelos cambistas. Pelo menos esses retardatários poderão assistir aos jogos, mesmo pagando “os olhos da cara”.

Menos mal para o Brasil, país do futebol, que poderia amargar uma situação vexatória caso os jogos fossem realizados com as arquibancadas, ou melhor, as cadeiras vazias. Nem pensar num fiasco desses diante da comunidade internacional. Ufa! É um alívio para os dirigentes da Fifa e o governo brasileiro.

Mesmo os jogos nos quais participam seleções menos tradicionais a exemplo de Irã e Nigéria, ou Honduras e Equador, a serem realizados na Arena da Baixada, em Curitiba, deverão ter um público convincente. Se não pelo futebol a ser jogado, mas pela excentricidade e falta de costume e desconhecimento desses países no grupo dos bons de bola.

A desorganização das vias de acesso e a logística do transporte até as arenas serão “tirada de letra” e os torcedores conseguirão chegar em tempo hábil, apesar das ameaças dos “black blocs” e da turma do PCC, segundo dizem. Não serão esses grupos que jogarão água na fervura da nossa paixão pelo futebol.

Se a Seleção Brasileira vencer os adversários, então, entraremos de vez no clima do já ganhou, e aí ninguém vai nos segurar, pois já estaremos contagiados pelo verde e amarelo. É assim que a história se repete. Se por acaso viermos a perder, o que acredito improvável, teremos o culpado na ponta da língua.

Mas como um governo prevenido vale por dois, um saco de bondades já vem sendo anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, diminuindo os índices do IPI cobrado dos automóveis. Essa medida ainda não está acertada e vai depender, quem sabe… dos resultados da nossa seleção.

Enquanto não atende as montadoras, Guido Mantega reduz o Imposto Sobre Operações Financeiras para empréstimos no exterior para facilitar a entrada de dólares. Nada que dê ânimo ao nosso “povão de Deus”, mas consegue dar “uma no cravo e outra na ferradura”.

Bom mesmo foi a farra feita pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica, Brasil Resseguros e outras empresas estatais ou de economia mista. De vez, foram às compras e asseguraram à Fifa nada mais, nada menos do que R$ 9 milhões em ingressos.

Ingressos estes que serão distribuídos entre clientes VIPs e funcionários do alto escalão, todos bem aquinhoados pela sorte e com condições de adquiri-los com recursos do próprio bolso, sem nenhum esforço, com perdão da rima. Mas nada disso vai tirar o brilho da nossa festa.

*Torcendo por esse Brasil varonil!

IPVA 2014 já pode ser pago com 10% de desconto

A Secretaria da Fazenda (Sefaz-Ba) avisa os contribuintes baianos que o Imposto Sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) 2014 pode ser pago com 10% de desconto, até 26 de fevereiro, em cota única à vista. Os proprietários de veículos devem se dirigir a uma agência ou caixa eletrônico do Banco do Brasil, Bradesco ou Bancoob portando o número do Renavam.

Os valores podem ser consultados no site www.sefaz.ba.gov.br, canal Inspetoria Eletrônica – IPVA – Valor. O desconto não inclui o licenciamento nem o seguro obrigatório, que são de responsabilidade do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-Ba). Em caso de dúvida, o cidadão pode entrar em contato por meio do call center da Sefaz (telefone 0800 071 0071).

Para quem não puder aproveitar a redução de 10%, existe a opção de pagar com 5% de abatimento. Nesse caso, é só quitar o valor integral no dia do vencimento da primeira cota, data que varia conforme o número final da placa do veículo. Os contribuintes podem optar ainda por parcelar o imposto em três vezes, observando o vencimento da primeira cota, de acordo com o número final da placa.

Tabela

Read the rest of this entry »

É preciso avaliar antes do PAC

Walmir Rosário

Agora, com o anúncio de que o chamado PAC do Cacau será implantado em maio próximo, com a presença do presidente da República, Lula da Silva, as autoridades precisam, com urgência, corrigir um erro histórico: realizar uma ampla avaliação técnico-científica do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia, que se arrasta há anos e sem qualquer apreciação sobre os resultados produzidos até então.

Essa missão extrapola os muros da Ceplac – instituição a quem coube o mister de combater a doença –, devido ao seu grande envolvimento institucional, o que mascararia qualquer resultado. Mais que isso: sua estrutura funcional, cujo caráter corporativo é por demais conhecida, com certeza mascararia os resultados. Neste caso, a Ceplac participaria da comissão a ser criada como uma das entidades colegiadas.

A avaliação do programa não é um instrumento a ser usado contra a Ceplac, pelo contrário, se trata de uma prática corriqueira e necessária para a verificação dos projetos científicos e possíveis correções de rumos. E processos como esses são corriqueiros nas universidades do mundo inteiro e os exemplos nacionais podem ser vistos na Embrapa e demais instituições de pesquisa de todo o País.

Longe de desconhecer os avanços da pesquisa conseguidos pelos cientistas da Ceplac, é de importância fundamental manter viva “a galinha dos ovos de ouro” da economia cacaueira: o produtor de cacau. Afinal, o negócio cacau – ainda a principal matriz econômica do Sul da Bahia –, estará fadado a se tornar inviável caso os problemas de ordem genética e manejo não tenham solução definitiva.

E essa preocupação tem que estar na ordem do dia, haja vista os tropeços verificados ao longo do programa, iniciado pelo lançamento da variedade Theobahia. À época, a direção da Ceplac, de forma desajuizada para quem tem o dever de lidar com conhecimentos científicos, alardeou na imprensa nacional e internacional que teria solucionado – de forma definitiva – o mais grave problema da cacauicultura, a vassoura-de-bruxa.

A irresponsabilidade técnico-científica dos dirigentes da Ceplac, antes de propor a solução, agravou ainda mais as dificuldades dos cacauicultores. Ávidos para retomar a produção de suas roças, os agricultores atenderam ao chamamento da Ceplac, investindo na introdução da solução milagreira chamada Theobahia.

As variedades do Theobahia se mostram muito susceptíveis à doença conhecida como mal-do-facão, causada pelo fungo Ceratocysti fimbriata, que provoca obstrução de vasos, secamento de folhas e morte das plantas. Mais uma vez, a Ceplac reconhece o açodamento – não dos cientistas, mas e, sobretudo do dirigente que pretendia se perpetuar no cargo –, muda as recomendações e lança o Theobahia no rol dos endemonizados.

As recomendações milagreiras para combater o fungo Crinipellis perniciosa alcançaram as raias do ridículo, ganhando, inclusive, espaço na novela das oito da Rede Globo, Renascer, cuja história era oriunda do Sul da Bahia, também cenário das filmagens. Em seguida, vieram os japoneses com os Microorganismos eficazes (EM), que contou com a burlesca participação do diretor-geral da Ceplac, Joaquim Cardozo, que tomou a “porção mágica” para demonstrar à comunidade cacaueira que seria um medicamento inofensivo à saúde.

Como não conseguiu combater a vassoura-de-bruxa, o EM foi trocado pela urina de vaca, areia da praia e outras pajelanças sem cunho científico, claro. Uma nova tentativa da Ceplac – esta de cunho científico, pelo menos se espera – para barrar o avanço do fungo foi o rebaixamento drástico de copa e a aplicação maciça de fungicida. O resultado foi ainda mais drástico do que a ação do Crinipellis perniciosa.

De novo, o programa passa por mudança de foco e o bola da vez passa a ser a genética, com a introdução dos clones das séries TSHs, TSAs e os conhecidos VBs, materiais genéticos que causaram grande expectativa quanto à tolerância ao fungo quanto à alta produtividade. Entretanto, com o passar dos anos, a produtividade desses clones não ultrapassou as 20 @ por hectare e se tornaram os grandes vilões do endividamento.

A título de esclarecimento e para manter a fidelidade histórica, a implantação dos novos clones foi realizada de duas formas: com financiamento oriundo de recursos do Governo Federal, através do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia, dividido em quatro etapas, e com recursos do próprio agricultor.

É dispensável relembrar que foram essas ações as verdadeiras responsáveis pela descapitalização dos cacauicultores, notadamente os que tomaram recursos junto às agências financeiras (bancos do Brasil, Nordeste e Baneb). Também é irrelevante dizer que os recursos somente eram liberados depois das fiscalizações (Banco do Brasil e Ceplac) comprovarem terem sido as práticas recomendadas no pacote tecnológico totalmente realizadas.

Ora, quem impõe condições também tem o dever de arcar com os riscos decorrentes do contrato. Ao fazer parte do programa, o cacauicultor se obrigava, sob pena de não receber os recursos, de atender aos requisitos do contrato, e assim foi feito. Só que, e principalmente, as recomendações técnicas das primeira e segunda etapas se mostravam inadequadas, ineficazes e ineficientes ao que se propunham.

Somente agora, com as ações judiciais impetradas pelos cacauicultores é que surge um novo alento, dissipando, provisoriamente, as ameaças de inclusão nos cadastros de restrição ao consumidor – Serasa, SPC e Cadin –, além das temidas ações de execução.

Voltando aos clones, o que antes se apresentava como salvação da lavoura, as plantas intercompatíveis, ineficientes na polinização em campo, vêm sendo trocadas pelas autocompatíveis, embora permaneçam as preocupações quanto às possíveis quebras de resistência ao fungo. Como o fungo é mutável, essa perspectiva é perfeitamente viável e não pode ser descartada pelos técnicos.

Com base nesses equívocos cometidos ao longo do tempo – volto a dizer que não por culpa dos técnicos –, é que volto a insistir na avaliação do programa desenvolvido, que deve ser encarada como prioridade por todos os segmentos envolvidos. Somente assim, todo o trabalho realizado pela Ceplac junto com outras instituições parceiras poderá ser respaldado no futuro, além de demonstrar que está hoje no caminho certo.

Apesar de escrever tanto sobre esse assunto, as opiniões aqui emitidas não são pessoais e sim fruto de observação do trabalho dos técnicos e da realidade em campo. Faço assim por entender que descapitalizado, o cacauicultor não agüentará por muito tempo, causando enormes prejuízos à economia regional e ao meio ambiente.

Antes de implantar o PAC do Cacau, os segmentos envolvidos, com mais responsabilidade creditada ao Governo Federal, devem se guiar pelas recomendações feitas pelo cientista de conceito internacional Basil Bartley em abril de 2002 que continuam atualíssimas. Aqui, vale a pena reproduzir uma pequena parte do relatório:

“…Devido à base genética estreita que possuem estes progenitores não se esperam grandes diferenças entre o clone selecionado quanto à resistência ao C. perniciosa ou a produtividade”.

E vai além: “Embora os híbridos descendentes dos clones SCA evidenciam alguma potencialidade de resistência à C. perniciosa, às experiências obtidas durante os 50 anos desde que tais híbridos foram desenvolvidos mostram que eles se apresentam vários defeitos ou características  indesejáveis para a sua cultura efetiva. Alguns destes “defeitos” são relacionados ao fato que os SCA possuem um sistema de incompatibilidade específica a esta variedade o que torna todas as descendentes dos híbridos auto-intercompatíveis. Devido deste, o atingimento do potencial produtivo depende da existência no campo de efetivo sistema de polinização”.

E fecha “Os clones recomendados pelo Cepec para a distribuição aos agricultores são os poucos que porventura se encontravam na coleção de germoplasma. Estes clones não necessariamente são os melhores destes tipos disponíveis, a maioria deles sendo deixados de cultivar-se nos países de origem. Falta uma avaliação adequada do seu comportamento sob condições de cultura em larga escala. Alguns deste clones foram incluídos em ensaios implantados em torno de 1990, mas os resultados destes ensaios não foram divulgados.”.

É melhor avaliar agora para não amargar os prejuízos irrecuperáveis do futuro.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 26-04-2008.

Até quando?

Walmir Rosário

Desde o anúncio do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, garantindo a liberação dos recursos para o combate à vassoura-de-bruxa, a região aguar com ansiedade que seja cumprida a promessa feita pelo mandatário maior do Brasil. Não há quem não acreditasse na palavra empenhada pelo presidente da República em sua visita a Ilhéus e à sede da Ceplac, onde conheceu o trabalho de pesquisa feito pela instituição.

A região não esperava que o presidente Fernando Henrique Cardoso viesse até nós somente para fazer anúncios eleitoreiros, por conta de sua “briguinha” particular com o ex-senador Antônio Carlos Magalhães. Este, aliás, também nos tinha empenhado sua palavra na liberação dos recursos tão necessários à renovação da cacauicultura. A bem da verdade, até que chegou algum dinheiro, mas parece que carimbado.

“Dinheiro carimbado” é a palavra certa, pois a nós parece e na realidade é o que está acontecendo, faltam garantias para os produtores ter acesso ao financiamento. O que não se concebe é que o presidente da República não tenha conhecimento dos trâmites legais e da burocracia, mas mesmo assim faça promessas eleitoreiras. Se esses anúncios merecessem mais seriedade, o mínimo exigido seria mais conhecimento da matéria.

Enquanto o dinheiro não chega – para alguns, pelo menos –, vamos encontrando os culpados. Inicialmente, o vilão era o Banco do Brasil, que também cometeu seus pecados e hoje purga por eles. Depois, a Ceplac e a sua morosidade para elaborar os projetos, notícias infundadas, segundo os técnicos. O excesso de documentação também esteve na pauta, o que até agora pode ser comprovado.

O tiro de misericórdia na cacauicultura, no entanto, foi deferido pelo Governo Federal, ao não ter a capacidade de se sobrepor às dificuldades existentes e refazer todo o processo. Afinal, vale a pena produzir cacau ou não? Vale a pena exportar, trazer divisas, ou não? Ou ainda melhor, importar cacau para nossas indústrias mandando nossos caros e escassos dólares para a África e os países asiáticos produtores de cacau? Cabe aos homens do governo responder.

Enquanto isso, nos chegam notícias de que o Ministério da Agricultura incluiu a cacauicultura no financiamento do plano de custeio de safra, uma informação de certa forma inócua, desde que seja mantido o atual modelo de contratação. Afinal, se não conseguimos distribuir os recursos existentes para todos os produtores de cacau, como então poderíamos pensar na chegada de novos recursos?

Para concluir, os técnicos reconhecem que, apesar da dificuldade do produtor em contratar o financiamento, o dinheiro está se acabando. Como sempre, muito nas mãos de poucos, o que não mais expressa a realidade de uma nova lavoura de cacau. A lavoura bem administrada e mais próxima do produtor também exige recursos.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora Rural em 10 de agosto de 2002.

Bravatas não descolam nádegas

Walmir Rosário

O produtor rural brasileiro, cansado de ameaças feitas pelos bancos, agora assiste, impassível, a mais uma, só que da lavra do próprio Presidente da República. Como se sempre fora um homem bem sucedido pelo seu passado empresarial, Luís Inácio Lula da Silva deitou falação a respeito da imobilidade do brasileiro, que “não levanta a bunda” da cadeira para procurar bancos com taxas de juros menores.

Não acredito que existam dados na biografia do presidente Lula dando conta de algum ato administrativo seu no comércio, indústria ou prestação de serviço. Pelo que se sabe, ele é um homem bem sucedido, sim, com posses, todas adquiridas sem que se desse ao trabalho de tomar determinadas atitudes como a que acaba de recomendar.

Quando ainda no chão da fábrica, dizem que ele não procurava nem mesmo um bar da esquina onde a cerveja era mais barata. Na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, sua luta foi outra, corporativa e digna na busca da recomposição dos salários dos metalúrgicos, embora soubesse (será ?) que aumento de salários alimente a inflação. Talvez por isso não permita tal comportamento na economia de hoje, acertadamente, dizem seus ministros.

E agora, o que estará pensando os produtores rurais a respeito dos ensinamentos dados pelo presidente Lula, ao vivo e em cores para todo o Brasil? Devem estar se sentindo uns idiotas, incapazes e irresponsáveis por não ter a coragem de ir às agências do Banco do Brasil, Nordeste, Amazônia e outros tantos que trabalham com crédito agrícola, e passar uma descompostura no funcionário da carteira agrícola e no seu gerente.

Sim, isso mesmo, ir lá e dizer com todas as letras que não aceita mais esse tipo de comportamento argentário assumido por eles num país democrático, capitalista, de economia aberta e que se fortalece frente à economia internacional. Caso o gerente do seu banco não se sensibilize com sua justa reivindicação, se invista de fiscal de Lula (basta lembrar dos fiscais do Sarney), feche a agência bancária e prenda o gerente pela prática da usura, conforme está prevista na legislação brasileira.

Feito isso, vá a outro estabelecimento bancário, faça um relato minucioso do seu patriótico feito e alerte ao gerente das penalidades que ele pode estar incurso caso adote o mesmo procedimento. O gerente não se sensibilizou e nem aceitou? Não esmoreça, faça tudo de novo, invoque o discurso do presidente Lula e se invista dos mesmos poderes.

Realmente, bem que você pensava que nada disso daria certo, que seria uma loucura seguir aos conselhos de quem não tem a mínima experiência empresarial. Logo você que passou anos e anos trabalhando sob sol e chuva, acreditar num político sem grandes conhecimentos e que vive nababescamente a serviço de um partido político dirigido por experientes intelectuais da ciência política.

Mas não se aflija, pois desde que os políticos mandam no mundo isso acontece com frequência, mudando-se apenas os métodos e os interlocutores. Faça de conta que nosso governante estava apenas “mareado” com as constantes mudanças de fuso horário, pressões diferentes de altitude, além das chatas, mas institucionais recepções com comes e bebes a que é obrigado a participar nesta vida dura de presidente.

Lembre-se do passado e imagine do que teria sido se você, por acaso, tivesse acatado todos os ensinamentos dados pelos economistas que servem aos mais variados governos. Não estaria mais aqui para contar história. Melhor do que isso só participar de seminários motivacionais, ouvindo estórias e realização de consultores de mercado sobre as possibilidades de seu sucesso, caso siga, palavra por palavra os seus ensinamentos.

Somente pela verborragia presidencial, acredito que o produtor rural deve desgrudar suas nádegas da espreguiçadeira e cobrar dos políticos em que votou um basta no festival de besteiras ditas pelo presidente. Na verdade, partindo isso de quem tem a obrigação de regular os juros, não sei se suas palavras são apenas besteiras colocadas da boca pra fora, ou fazem parte de uma estratégia do Palácio do Planalto de partir para o ataque antes que os brasileiros o façam.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 30-04-2005

 

Dossiê da desagregação

Walmir Rosário

A economia cacaueira, mais uma vez, foi sacudida com denúncias contra o programa de financiamento para sua recuperação. Desta vez, porém, as críticas não foram direcionadas para onde mais interessam: na falta de liberação dos recursos, e sim no ataque pessoal. A notícia, publicada na coluna do articulista Samuel Celestino, em A Tarde de domingo (23), sob o título Cacau, Suor e Roubo, trata-se, na verdade, de uma bomba, mas que pode ter efeito retardado e contrário às pretensões do denunciante, ainda em sigilo.

Na cabeça do artigo, o colunista revela uma frase de um documento confidencial, um projeto elaborado por Sérgio Pedroso para o deputado Josias Gomes, numa colaboração para o cacau. Esse projeto, aliás, é o verdadeiro móvel da questão. Somente três pessoas – fora o autor – tinham conhecimento em toda sua extensão: o deputado, o ministro da Agricultura e mais um secretário do ministério, que o teria repassado à Ceplac.

Apesar do articulista ter omitido o nome da fonte, no meio da economia cacaueira corre a informação não confirmada de que um dos principais interessados seria o diretor da Ceplac, Gustavo Moura.Uma das pistas é que todos sabem, e não é de hoje, que Moura estaria às turras com o funcionário do Banco do Brasil, Sérgio Pedroso. Segundo os comentários, inicialmente, o dirigente ceplaqueano teria solicitado um projeto de crédito para a cacauicultura, não atendido por Pedroso, mas que o teria elaborado por solicitação do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e enviado à Ceplac. Isto teria despertado a ira de Moura, que passou a construir um dossiê de seu antagonista numa rota inevitável de colisão.

Pedroso é visto por Gustavo – antes um grande aliado – como adversário, por ter sido um dos prováveis candidatos a disputar a direção do órgão. Há cerca de duas semanas que Moura vinha promovendo visitas e costurando acordos com alguns dos seus principais inimigos, a exemplo do ex-diretor da Ceplac, Joaquim Cardoso, com quem teria fechado a coordenação da comissão de Caracterização e Equacionamento das Dívidas dos Cacauicultores e Programa de Financiamento.

Conhecido por sua costumeira participação na elaboração de dossiês, o diretor da Ceplac incorreu num erro grosseiro de quem quer prejudicar determinada pessoa, ao deixar de lado a máxima “vingança é um prato que se come frio e pelas beiradas”. Ao contrário, teria recomendado a algumas pessoas a leitura do colunista de A Tarde e, em outros locais, solicitou que fossem abertas baterias na imprensa contra o funcionário do Banco do Brasil.

No afã de “matar e esfolar” o inimigo, cometeu ainda outro grande pecado: abriu baterias contra o Banco do Brasil, instituição que pertence ao mesmo governo a que serve, ocupante que é de cargo de confiança na Ceplac. Interessaria ao governo Lula manter no cargo quem atira no próprio pé, dando munição pesada aos inimigos? Só o desenrolar desse imbróglio poderá dizer qual a atitude tomada pelos seus superiores, caso as suspeitas recaídas sobre Moura sejam verdadeiramente confirmadas.

Outro erro grosseiro e de caráter ético foi o de induzir o colunista a erro, colocando sobre o Banco do Brasil toda a culpa pelo insucesso dos programas de financiamento e das linhas de crédito, a exemplo do Prodefruta, até hoje sem liberar um mísero centavo. Em nenhum momento o denunciante criticou o Baneb e seu sucessor no programa, Banco do Nordeste, que tinham o mesmo status. Ao contrário, quem elaborou esses programas foram órgãos do Governo Federal (Fazenda, Agricultura etc.), cabendo ao BB a execução do escrito, ou seja, a operacionalização do crédito. Quanto às tramoias praticadas, muitas deverão surgir, desde o início do aparecimento da vassoura-de-bruxa, inclusive algumas feitas pelo próprio Moura ao longo dos anos.

Não quero nem gostaria de acreditar nas insinuações feitas em relação ao diretor da Ceplac, Gustavo Moura, bastante primitivas para ficarem encobertas, dado o número de indícios. Se verdadeiras, pelo andar da carruagem, esta será uma semana de grandes embates no Congresso Nacional, podendo desaguar numa Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI do Cacau, que pode ser mais um problema para o Governo Federal.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 25-05-2004

Pinguins de geladeira

Walmir Rosário

Em julho de 1995 anunciava-se o início do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira Baiana. Na época, o senhor Joaquim Cardozo, recém-saído da Diretoria-geral da Ceplac, “sentou praça” na Secretaria da Agricultura da Bahia e discursava sobre as condições do financiamento redentor para a região. As pretensões seriam analisadas e aprovadas por uma comissão mista – da qual ele fazia parte – para evitar a burocracia bancária e dar agilidade na concessão dos créditos.

Agora, às vésperas desse aniversário, o Banco do Brasil anuncia que em 1º de julho vencerá e será exigível o pagamento do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) que, assim como a Securitização, é uma renegociação de dívidas não prorrogada pelo recente dispositivo governamental que mantém em prazo de espera o pagamento das dívidas vencidas e vincendas do Programa de Recuperação da Lavoura até 31 de outubro de 2005.

No comunicado, o banco deixa claro que o não-pagamento implica a anotação no cadastro negativo do Serasa, SPC e outras congêneres, além de triplicar o valor devido pela perda da pontualidade. Pagando na data certa (quanta ironia!), a prestação tem um desconto de praticamente 70%.

Ora, não é mais novidade para ninguém que o Pesa foi um mecanismo legal que o Governo Federal encontrou para encobrir sua própria culpa, pois endividou os produtores ao obrigá-los a aplicar um pacote técnico claudicante (para alguns sem qualquer conhecimento tecnológico), por duas vezes consecutivas, a um custo financeiro extorsivo e incompatível com os objetivos pretendidos na sua gênese. O Pesa não é nada além da prorrogação das dívidas indevidas por 20 anos, contraídas, paradoxalmente, para salvar a lavoura. O mais grave é que muitos produtores sequer tinham dívidas, antes desses financiamentos.

Está mais do que provado ter o Governo Federal prorrogado esses pagamentos porque está convencido de que a clonagem ainda é o único caminho para a cacauicultura e que as receitas obtidas com essa tecnologia, por erros de projeção técnica, não são suficientes para saldar as dívidas nos prazos estabelecidos. Daí ter criado uma comissão para estudar o assunto e resolver – de uma vez, diz-se por aí – a questão.

A pergunta que se faz, então, é esta: se o cacau clonado não consegue pagar as dívidas, como o Governo espera que o Pesa e/ou a Securitização sejam pagos? De onde surgiu a lógica de que há recursos para esses pagamentos, sobretudo a indevida dívida do Pesa?
E essa dita comissão? Tal e qual os exclusivamente decorativos e antigos pinguins de geladeira, que agora voltam à moda, está composta por atores já conhecidos: à frente, como sempre, o senhor Joaquim Cardozo (e pasmem! como representante dos produtores ou candidato à presidência da Faeb em 2006?), membros remanescentes (e cheirando a naftalina) do antigo Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia: do Ministério da Fazenda, Agricultura e alguns neófitos, como o burlesco Dr. Dossiê, o qual, segundo voz corrente entre os funcionários da Ceplac e os produtores, participa apenas para fazer intriga e adicionar empáfia ao grupo, já que, afora isso, ainda não mostrou para que serve, dada a incompetência demonstrada nos assuntos em que pretendeu solucionar.

Em suma, essa comissão ainda não acrescentou nenhum avanço nas negociações, nem tem demonstrado capacidade para lidar com os reais problemas da lavoura, cuja viabilidade prende-se simplesmente à aceitação da necessidade de maior tempo para produzir. Na verdade, gasta-se muito tempo em reuniões, dar-se muitas explicações, mas não ajuda a solucionar o problema. Não passa de uma comissão.

Será que seus membros não sabem que, independentemente da origem da dívida, não importa qual seja o bolso escolhido para sacar o dinheiro, pois o dono das calças é o mesmo, que vive do cacau, que ainda não produz renda suficiente?
Tá na hora de outra vela pro santo.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 02-07-2005

A volta do Prodefruta

Walmir Rosário

A Ceplac e o Banco do Brasil voltaram a promover reuniões para retomar o financiamento da lavoura cacaueira, estagnada com o fim do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira e a impossibilidade de qualquer produtor de cacau contratar recursos para custeio e investimentos. O lançamento do Prodefruta, considerado como a salvação da lavoura, até agora não disse pra que veio.

À Ceplac, como órgão do Governo Federal responsável pela cacauicultura, cabe a formulação de uma política para a agricultura do Sul da Bahia, especialmente a cacauicultura, onde detém o monopólio da pesquisa e orientação técnica. Entretanto, até agora se tem portado como um órgão auxiliar do Banco do Brasil quando a questão creditícia é debatida.

Não cabe ao Banco do Brasil a elaboração de programas agrícolas e o fomento à produção, mas sim a operacionalização do crédito, o que está mais do que provado. Não que o Banco do Brasil não possua técnicos capazes para isso, mas por sua natureza, afeita a emprestar recursos e obter lucros, caminharia na contramão da história caso fosse instado a formular projeto de tal monta.

Faltaria ao Banco do Brasil sensibilidade suficiente para tratar as questões da agricultura, no caso da lavoura cacaueira, como uma simples commodities a embarcar nos navios rumo aos países do primeiro mundo. Hoje, troca de cacau por dólares é uma operação complicada para o produtor, que sofre os desafios de sobreviver por mais de uma década ao sabor das intempéries e da boa vontade dos operadores do mercado internacional.

Enquanto não houver tratamento igual, por parte do Governo Federal, da cacauicultura como atividade econômica, com o cuidado que dispensa à soja, pecuária e outras matrizes econômicas do Sul e Sudeste do País, a lavoura de cacau será sempre uma pedra no sapato dos governantes.

O descaso para com a cacauicultura tem efeitos ainda pior no balanço de pagamentos, com os dólares do Tesouro Nacional saindo para pagar o ingresso no Brasil de cacau de terceira qualidade vindos da África e do Oriente. Enquanto isso acontece, o próprio governo causa outro efeito perverso do mercado: aviltamos nosso produto, de qualidade infinitamente superior, com preços inferiores.

Aviltamento aos preços de cacau é que nunca faltou na atividade. Como se não bastassem os efeitos da seca, das pragas e doenças, o cacauicultor sempre lutou desesperadamente contra o mercado de cacau, comandado por três a quatro empresas em todo o mundo, que ditam as regras conforme sua vontade. Tudo isso às barbas do governo, que teima em se livrar do problema quando o assunto não lhe convêm.

Fosse a lavoura de cacau afeita aos banqueiros e outras classes econômicas poderosas, teríamos a questão resolvida dentro de 24 horas, por uma salvadora medida provisória. Enquanto os cacauicultores não se afeiçoam ao poder, ficamos a assistir eternas reuniões entre Ceplac e Banco do Brasil, e ouvindo promessas de que na próxima semana o dinheiro do cacau sairá.

Puro engodo. Mais fácil seria nossas autoridades tratarem de coisas mais palpáveis, como elaborar uma política agrícola consistente, e depois, junto com os técnicos do Banco do Brasil, tentar solucionar os gargalos existentes. Antes disto não há salvação. O banco não se responsabilizará pela possível inadimplência futura, sob pena de responder juridicamente por isso.

É muito fácil maquiar um problema que se arrasta há anos, com falsas esperanças aos cacauicultores, bastante fragilizados diante das exigências descabidas dos projetos mal feitos para a situação. Ao que tudo indica, não será desta vez que poderemos ver Juvenal Mainart, com seu corpinho de bailarino espanhol, trajando um vestido feminino para pagar a aposta feita com o diretor da Ceplac, Gustavo Moura, de que até o dia 30 de junho próximo, não seriam contatados 200 financiamentos pelo Prodefruta.

Nossa vontade seria a de Juvenal pagar a aposta, mas nem a Ceplac nem o Banco do Brasil quiseram pagar pra ver!

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 15-06-2004

À espera da primeira pedra

Walmir Rosário

Há tempos venho tentando provocar um debate sobre a Ceplac, infelizmente sem nenhum sucesso, e isso me leva a imaginar algumas hipóteses: será que a minha condição de simples jornalista e advogado, sem nenhum daqueles pomposos títulos que cintilam nos currículos dos cientistas da instituição, é o motivo da indiferença que demonstram em relação a um assunto que deveria ser do seu maior interesse? E o que dizer, então, dos políticos, principalmente aqueles que mandam e desmandam na instituição, interferindo diretamente no seu desempenho? O que estará por trás do seu silêncio, já que costumam reagir quase imediatamente a qualquer comentário desfavorável publicado nos jornais? Ou será que a inapetência para debater o tema resulta da falta de interesse da própria sociedade sul-baiana, esquecida da formidável contribuição prestada pela Ceplac ao desenvolvimento regional?

Creio também que, na maioria das vezes, as minhas colocações a respeito da instituição têm sido incompreendidas, inclusive pelos servidores da instituição, que não aceitam certas cobranças feitas por mim. Entretanto, posso garantir que todas elas se basearam em atos e fatos reais e não visaram, em momento algum, atingir injustamente este ou aquele dirigente ou funcionário. Para começo de conversa, enfatizo que sempre vi a Ceplac como uma instituição necessária (e até indispensável) ao desenvolvimento regional e, como tal, esperei que permanecesse fiel aos seus objetivos institucionais. Infelizmente, não foi o que ocorreu. É bom que se diga, no entanto, que os eventuais desvios foram e ainda são provocados por gente que destoa do ideário da instituição, coerente e íntegro em essência.

E esse ideário, no entanto, não foi suficiente para evitar que, desde o seu início, a Ceplac enfrentasse ferozes opositores, pessoas apegadas a velhos hábitos e atitudes, incapazes de aceitar o novo. Há, inclusive, o caso de um velho coronel do cacau que consolou outros produtores igualmente incomodados com as novas ideias trazidas pelos técnicos: “Tem nada não… Eles começam a jantar na nossa casa, casam com nossas filhas e daqui a pouco estão iguaizinhos a nós”. Episódios deste tipo mostram que, paradoxalmente, a Ceplac era uma ameaça porque representava mudança, ainda que isso pudesse significar a retomada do envolvimento regional, a volta da produção – desta vez com o uso da tecnologia –, a ocupação dos postos de trabalho e a retomada de novos negócios.

Não era uma preocupação dos agricultores daquela época (com raras exceções) a realização de investimentos para aumentar a produção e a produtividade, por acreditarem ser o cacau uma cultura perene e – vejam só – carente de cuidados apenas nos primeiros anos. Adultas, dependeriam apenas do solo bom, de chuvas contínuas e alternadas com sol, além da proteção contra o frio que trazia o mela, a terrível podridão-parda. A eles só interessava, portanto, a ajuda do governo para recompor as dívidas que se acumulavam como resultado de anos de ínfima produção, agravadas pela seca e baixos preços, além da estrutura perversa de comercialização e da falta de crédito.

Foi contra esse tipo de pensamento que a Ceplac teve de lutar durante décadas. E da simples incumbência de realizar a recomposição das dívidas, ocupando uma sala nos fundos da agência do Banco do Brasil, a instituição foi ganhando musculatura e incorporando funções vitais à recuperação da combalida cacauicultura baiana. Da situação vexatória provocado pelo estado gravoso por que passava a lavoura cacaueira, com queima de cacau em praça pública, a região conseguiu alcançar um longo período de prosperidade.

Apesar dos resultados positivos alcançados pela pesquisa e extensão rural, com o aumento da produção e a produtividade do cacau, o mérito do trabalho da Ceplac não conseguiu reconhecimento unânime e seus técnicos eram vistos com desconfiança pelos cacauicultores. Em alguns casos, foram até proibidos de entrar com seus jipes pretos em determinadas fazendas, por ordens expressas de proprietários, desconfiados das técnicas recomendadas. Esse temor – soube-se depois – era motivado principalmente pelo receio de gastar dinheiro com as práticas agrícolas, como o uso de adubos, defensivos agrícolas e outros insumos.

Mas, aos poucos, a Ceplac foi se consolidando.  Há de se ressaltar, inclusive, a perseverança e a tenacidade de José Haroldo de Castro Vieira, cuja liderança transformou a instituição num agente de desenvolvimento regional, garantindo ao cacau e a outros cultivos os benefícios gerados pela pesquisa científica, extensão rural e ensino profissionalizante. Àquela época, a escassez de recursos também era um forte ameaça ao modelo proposto pela Ceplac e a quota de contribuição cambial foi a solução encontrada. Incidindo sobre o valor da exportação de amêndoas e derivados de cacau em percentuais que variaram inicialmente entre 15% e 5%, a quota finalmente foi fixada em 10%. Uma vez mais, a Ceplac foi alvo de críticas por produtores e lideranças regionais que não admitiam pagar um preço que consideravam escorchante por um serviço prestado com inegável eficiência.

Modelo único de instituição prestadora de serviços na agricultura, a Ceplac foi acumulando conhecimentos e promoveu um amplo diagnóstico em toda a região cacaueira, iniciativa que resultou na elaboração de um vitorioso projeto de desenvolvimento integrado. Ainda hoje, as informações disponibilizadas pela instituição sobre solo, clima, economia, geografia, história, hidrologia, cultura e mercado, dentre outros, são pontos básicos para a realização de qualquer empreendimento agropecuário na região. E assim tem sido ao longo das últimas décadas.

Lógico seria, portanto, que as lideranças regionais vissem com inquietação as freqüentes críticas feitas ao gigantismo da Ceplac, com propostas esdrúxulas e – por que não dizer? – irresponsáveis de fracionamento da instituição. Como, senão com a manutenção do modelo que aí está, associar e compartilhar tantas informações entre técnicos de diversas especialidades? “Com a ajuda da informática, disponibilizando esses conhecimentos em bancos de dados”, certamente dirão os defensores do esfacelamento, argumento que não se sustenta devido a sua fragilidade. Ao contrário do que acontece com as culturas de ciclo curto, a lavoura de cacau, por ser perene, depende do conhecimento adquirido ao longo do tempo, seja ele fruto da observação do agricultor ou do técnico, validado ou não pela pesquisa científica. E essa prática leva anos para apresentar resultados.

Raciocinemos, então: se até o momento, 50 anos depois de criada a Ceplac, produtores, pesquisadores e extensionistas ainda discutem qual o tempo adequado para a fermentação das amêndoas, como seria esse debate se fosse feito entre diversas instituições? Mais produtivos e ágeis? O bom senso indica que não. Na verdade, por esse e outros motivos, o que produtores precisam não é trocar um órgão de assistência técnica por outro. O que lhes falta é uma representação sindical forte, com capacidade de pressionar as autoridades ligadas ao agronegócio, a exemplo do que acontece com outros segmentos produtivos. Uma representação que lhes dê, principalmente, a condição de interferir na elaboração de políticas adequadas para o cacau, garantindo lucratividade ao seu negócio.

Enquanto não se concentrar no seu real problema – a ausência de organização e de poderio político –, dedicando o seu tempo e energia a iniciativas que só o enfraquecem, como o esfacelamento da Ceplac agora proposto, o produtor rural continuará sendo massa de manobra para a sanha de aproveitadores, os já conhecidos gigolôs do cacau. E quem achar que minto ou exagero no que afirmo, que atire a primeira pedra…

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em  07-09-2007conheci

Ventos favoráveis

Walmir Rosário

Pela primeira vez na história da região cacaueira da Bahia, os ventos começam a soprar favoravelmente na política nacional. Passada a tempestade com a eleição de Severino Cavalcanti para a Presidência da Câmara Federal, vem a bonança, com a eleição do deputado federal Geddel Vieira Lima para a Presidência da Comissão de Finanças e Tributação daquela Casa.

Mas, o que há de importante nesta Comissão para nossa região? Diretamente, nada, mas a ascensão de Geddel ao cargo pode proporcionar uma série de vantagens nas negociações, junto ao Governo Federal, dos interesses da lavoura cacaueira. É o prestígio e a grandeza do cargo a moeda mais forte na aprovação e execução de programas e projetos do governo.

Certamente, o deputado Geddel Vieira Lima vai contar com mais um “trunfo nas mangas” quando das tratativas de matérias do interesse do Governo Federal para serem apreciadas. São barganhas perfeitamente normais e éticas, até porque se negocia a escolha de determinada ação a ser empreendida e que passaria apenas a dispor do caráter prioritário. Como sempre acontece, a representatividade fala mais alto nessas questões.

Mas, como diz o ditado: “Uma andorinha só não faz verão”, nesta empreitada Geddel contará com outra “estrela petista”, o deputado federal Josias Gomes, que, além de desfrutar do prestígio das autoridades palacianas, possui reconhecido trabalho em prol da economia cacaueira. O deputado é hoje um dos principais interlocutores da lavoura cacaueira junto ao Governo Federal e não tem medido esforços quando os segmentos econômicos e sociais da região requerem sua presença. Pessoalmente tem atendido todas as reivindicações feitas pelas instâncias patronais e de trabalhadores, todos no mesmo barco quando o assunto é cacau.

Mas não é só o esforço empreendido que tem credenciado o deputado Josias Gomes junto à cacauicultura. Atualmente ele exerce a relatoria da Comissão Especial para a Renegociação das Dívidas dos Agricultores do Nordeste, cargo importante para solucionar um dos maiores problemas da cacauicultura, que é a revisão das dívidas do financiamento do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia.

Ultimamente, em que pesem as ações dos bancos do Brasil e Nordeste enviarem os nomes dos cacauicultores inadimplentes com o financiamento do Programa para os cadastros de devedores, a exemplo de Cadin e Serasa, os deputados têm mantido contatos com o governo para evitar que essas medidas continuem. Recentemente, o deputado Josias Gomes tem conversado com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no sentido de encaminhar soluções definitivas para a questão.

Ao que tudo indica, a partir desta segunda-feira (7), o Governo Federal já toma as primeiras providências para estudar o problema, que será visto de forma interdisciplinar, sendo apreciado pelos ministérios da Fazenda (incluindo aí o Conselho Monetário Nacional), e da Agricultura. Além do viés técnico, também deverão estar presentes os componentes econômico e político, imprescindíveis para a solução.

Mais do que nunca, a região não deverá deixar escapar essa oportunidade, e procurar fortalecer o trabalho dos parlamentares, mobilizando outros deputados baianos. Hoje, mesmo de forma tímida, os deputados federais Paulo Magalhães e Félix Mendonça despertaram as atenções para a questão e já se manifestam na Câmara Federal exigindo medidas eficazes para o impasse.

É chegada a hora dos líderes do cacau analisar os erros políticos cometidos no passado e repensar a atuação da lavoura cacaueira, que não deverá ser apenas centrada na economia, mas também, e sobretudo, na política. Sem a união das entidades representativas (patronal e de trabalhadores) e o respaldo dos políticos, continuaremos com o pires na mão pelos gabinetes de Brasília. É chegada a hora de aproveitar os ventos favoráveis.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 05-03-2005

 

Taxa do cheque especial aumenta em agosto
 
A taxa média do cheque especial nos bancos em agosto foi de 13,52% ao mês (a.m.), alta de 0,06 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo pesquisa do Procon de São Paulo. A maior alta foi encontrada no Banco do Brasil
 
LEIA MAIS
 
Artista canavieirense se inspira nas belezas naturais de sua terra
Aos 35 anos, quatro dos quais dedicados à arte, Thiago tem despertado a atenção de turistas e nativos pela simplicidade de seus trabalho, com traços e entalhes precisos, retratando animais do bioma Mata Atlântica.
 
LEIA MAIS
Alto Beco do Fuxico festeja seus 30 anos
 
Saudosismo, amizade, cachaça da boa, cerveja bem gelada, mocofato preparado por Danilo, música de todos os gêneros e para atender todos os gostos. Esse foi o combustível que moveu membros da Confraria do Alto Beco do Fuxico, os acadêmicos da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopia e Etc. (Alambique), além de outros frequentadores do Alto Beco do Fuxico.
 
LEIA MAIS