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A res publica de quatro

Se Brasília sempre tem acordado em polvorosa nos últimos tempos, com as ações da Polícia Federal, nesta quarta-feira (17), nem chegou a conseguir tirar uma soneca. O medo, a apreensão tomava conta de alguns, enquanto a ânsia e a expectativa domina o restante do planalto central, após a notícia da delação dos irmãos Batista, do Grupo JBS, que abalou, mais uma vez, os alicerces da República.

Como acontecia corriqueiramente, eram os políticos localizados em Brasília que ficavam de quatro, mas com o avanço desenfreado da corrupção, o medo ficou estampado no Brasil inteiro. A denúncia dos irmãos Batista, líderes de uma dos maiores conglomerados frigoríficos do mundo, atingiu, em cheio o alto clero da política nacional, principalmente do PT, PMDB e PSDB, que gravaram uma conversa com o presidente Michel Temer.

Pela primeira vez, um membro do Ministério Público Federal (lotado no Tribunal Superior Eleitoral) também foi parar na prisão, acusado de favorecimento de empresas com informações privilegiadas. Aos poucos, a Operação Lava-jato, vai fechando o cerco e figurões até pouco tempo conhecidos como gente da melhor qualidade e reputação ilibada, vão sendo desmascarados.

Quanto aos políticos envolvidos, nunca restaram dúvidas que a cada dia, a cada operação, novos nomes seriam conhecidos, dada a facilidade com que as negociatas com a res publica eram acertadas. No Brasil, corrupção nunca foi uma novidade e os livros de história nos trazem informações desde o descobrimento do Brasil.

E, salvo melhor juízo, esse atavismo está fincado no DNA político dos brasileiros, haja vista fatos recentes, como em plena investigação do “Mensalão” a corrupção do governo federal (petista) se transformar na Lava-jato. À época, tomaram de assalto a Petrobras, maior empresa brasileira e símbolo de eficiência em todo o mundo.

E assim fizeram sem a menor cerimônia, loteando todos os contratos da empresa entre as empresas construtoras, que passaram a pagar polpudas contribuições para os partidos de sustentação do governo. Em alguns casos, até mesmo parlamentares de outros partidos também participavam do esquema, como um simples comensal.

Como a impunidade sempre reinou em nossa república, os políticos não acreditaram na Operação Lava-jato e continuaram a “operar” o dinheiro público, dentro dos mesmo moldes. Mais uma vez tivemos a comprovação de que o país estão mudando, com ações contra os senadores Zezé Perrela, Aécio Neves e sua irmã, e o deputado Rocha Loures. Nem mesmo o presidente Michel Temer escapou.

Entretanto, como circula nas redes sociais internet afora, se a corrupção sempre campeou com facilidade na política (ou entre determinados políticos), na era petista foi tratada com todas as pompas. De grade maioria sindicalista, os petistas trataram o governo federal com um grande sindicato, em que as regras de prestação de contas são definidas numa assembleia geral.

Como acontece no conhecido ditado “o costume do cachimbo deixa a boca torta”, o governo federal sob a égide petista transformou a res publica – coisa de todos – em “coisa nossa”, quem sabe inspirado na máfia italiana. Da soberania popular, passamos ao absolutismo, em que o déspota de plantão tudo podia.

E a República está de quatro. Não sabemos quais os desdobramentos, pois, se os poderes Executivo e Legislativo já não têm a confiança da população, ainda se comenta que as delações podem chegar ao Judiciário. Uma lástima, profunda decepção para os brasileiros que lutam para formar uma Nação, mas que constantemente são abalados por notícias altamente negativas.

No fundo, ninguém mais acredita que sobraria alguém em Brasília para apagar a luz, diante da intensidade dos fatos de corrupção que acometem os membros dos poderes constituídos. Nem mesmo um longe sinal de luz no fundo do túnel existe, dado a numerosa quantidade de deputados e senadores investigados na Operação Lava-jato.

Quem assumirá temporariamente a Presidência da República numa eventual vacância? O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia? O presidente do Senado, Eunício Oliveira? A presidente do STF, ministra Carmem Lúcia? Não sabemos. Questão mais grave será a eleição – direta ou indireta – para escolher o próximo presidente, livre de todos os vícios.

Agora, com o incentivo para as delações do pessoal ligado ao BNDES, Antônio Palocci e et caterva, deveremos ter uma queda em cadeia do dominó da corrupção, com mais nomes de envolvidos. Não foi à toa que a Polícia Federal batizou essa fase da Operação Lava-jato de Patmos, em referência à ilha grega onde o apóstolo João teve visões do Apocalipse.

Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

Cabeça de robalo – o manjar dos deuses

A iguaria, de origem canavieirense, também é desejada por presidentes da República, governadores de Estado, reis e até por “pobres mortais”

Por Walmir Rosário

Cabeça de Robalo elaborada pelo Restaurante Alegria de Viver

Cabeça de Robalo elaborada pelo Restaurante Alegria de Viver, o prato tradicional da gastronomia de Canavieiras

Os deuses gostam de dendê, tanto isso é verdade que um dos pratos mais desejados da riquíssima gastronomia canavieirense é a “cabeça de robalo”. Disto não se tem qualquer dúvida. A incerteza de quem ainda não foi apresentado a esse manjar dos deuses é apenas em relação à matéria-prima, pois os pobres mortais que ainda não tiveram o prazer de degustá-lo não concebem, à primeira vista – ou audição – de como os deuses poderiam apreciar uma parte do peixe cheia de ossos e espinhas.

À primeira vista da iguaria, desfaz-se a incerteza com a imagem, saliva-se a boca, aguça-se o paladar, despertando o primeiro dos sete pecados capitais: a gula. Pessoas de gosto refinado e alto conhecimento gastronômico contam que é impossível de controlar os instintos. Chegam ao ponto de afirmar o ato de comer cabeça de robalo, está longe ser ser um pecado capital, e é, sim, uma virtude, pondo por terra a teoria desenvolvida pelo Papa Gregório Magno no século VI.

E têm razão os nobres defensores desta tese. Pra início de conversa, a cabeça de robalo é um prato exclusivo da gastronomia canavieirense, onde os manguezais são considerados os maiores e mais ricos do Brasil, dada a sua diversidade. Não é por acaso que o caranguejo – Ucides cordato – de Canavieiras é tido e havido como o mais gostoso crustáceo de toda a costa brasileira.

E as virtudes gastronômicas da cabeça de robalo ultrapassaram as fronteiras de Canavieiras e Costa do Cacau, chegando a Salvador, Brasília, outros estados e até países. Passou pelas cozinhas e chegou aos salões de banquetes de palácios republicanos e conquistou – definitivamente – a realeza. Por dois anos seguidos o Rei e a Rainha da Suécia, Carlos XVI Gustavo e Sílvia vieram desfrutar do verão de Canavieiras, onde o Rei praticou a pesca do marlim e o casal se deliciou de algumas vezes com a iguaria.

Hoje deitada em berço esplêndido, a cabeça de robalo nasceu em casa tosca, como relata Edelzuita Maria Santana, que aprendeu a preparar esse prato com sua mãe. Aos poucos, a cabeça de robalo deixava de ser apenas um prato inusitado para ganhar status de prazer culinário. Do modesto bar e restaurante “Fundo de Quintal”, ganhou o mundo.

Dona Edelzuíta foi a criadora do prato mais famoso de Canavieiras

Dona Edelzuíta foi a criadora do prato mais famoso de Canavieiras

Nas histórias contadas pelo historiador Antônio Tolentino (Tolé), era muito comum eles levarem os colegas do Banco do Brasil para comer a novidade e eles comerem tudo e ainda perguntarem “Quando é que vem essa cabeça de robalo, pois já comemos toda a entrada?”. Para eles isso era motivo de constantes brincadeiras e que ganhava o mundo.

O Raimundo Antônio Tedesco, conta em suas reminiscências, que quando a cabeça de robalo se tornou amplamente conhecida, tentaram até mudar o seu nome para top less, numa alusão à moda criada na Inglaterra em que as mulheres ficam com os seios à mostra na praia. “Mas esse nome não pegou e o que prevaleceu mesmo foi cabeça de robalo.

Surfando na onda do marketing concebido pelo prefeito de Canavieiras à época (e atual), Almir Melo, que cunhou o slogan “Canavieiras para todos, Canes para os íntimos”, a cabeça de robalo também ganhou rápida ascensão. Em um Carnaval, Almir Melo encomendou 600 cabeças de robalo, que foram consumidas vorazmente, para o desespero dos convidados.

O prefeito Almir Melo é muito “cobrado” pelas autoridades, a exemplo de Jaques Wagner e até mesmo do ex-presidente Lula (recentemente em Salvador) quando se encontra com eles. Em Feira de Santana, durante a entrega de caminhões e máquinas aos municípios baianos, até a presidenta Dilma manifestou sua predileção pela iguaria, quando foi informada pelo governador:

É ele o prefeito de Canavieiras que nos manda a cabeça de robalo!”, disse Wagner.

E assim a presidenta Dilma deu uma pequena pausa na cerimônia para manifestar seu desejo em voltar a receber uma boa remessa de cabeça de robalo. Na alta corte de Brasília, aliás, faz tempo em que os presidentes se deliciavam com a novidade canavieirense, levada, pelo que dizem, por político Antônio Carlos Magalhães.

Matérias foram elaborados e publicadas nos veículos de comunicação, para o desespero de dona Edelzuita, que não aguentava mais para atender a tantas encomendas. “Almir foi o grande incentivador e divulgador da cabeça de robalo e já cheguei a ir a Salvador, convidada por um dos políticos mais famosos da Bahia, para preparar na festa de casamento. “Foi sucesso absoluto”.

Com o aumento das encomendas – que teria de despachar, inclusive por via aérea –, aos poucos, ela foi passando o conhecimento para outras pessoas e atualmente algumas pessoas se destacam no preparo da cabeça de robalo. Uma delas é Conceição de Oliveira, que diz ser o melhor caranguejo para a cabeça de robalo o catado de dezembro a agosto, principalmente nos meses em que não têm a letra “r” no nome.

Segundo Conceição, é preciso observar a melhor época para preparar a cabeça de robalo, respeitando, inclusive o período do “defeso”. Nesta época, diz ela, somos muito cobradas pelos clientes, mas não podemos transgredir a lei e nem vender um produto que não seja de qualidade.

Gostoso de comer, trabalhoso de fazer. Assim é a cabeça de robalo. Mas é a lei da oferta e da procura, pregada pela economia. No caso de cabeça de robalo, não se economiza atenção na hora de lavar e escovar bem a carapaça, quebrar as pernas e “catar” (tirar a “carne” das patas do caranguejo). Abra a carapaça com uma faquinha e retire tudo que tem dentro, inclusive o fel; tempere as “carnes” até o tempero murchar e recoloque no lugar.

Os temperos são: coentro e cheiro verde, tomate, cebola, pimentão, pimenta-de-cheiro, camarão, biri-biri, leite de coco e dendê. Leve a panela ao fogo, vá colocando o dendê e o leite de coco aos poucos. Deixe cozinhar como moqueca, e com o caldo faça um pirão. Depois é só servir com pirão e arroz branco. Mas, em vez de tentar prepará-lo, se torna mais fácil comprá-lo (congelado) numa das tantas especialistas canavieirenses, ou pronto no Restaurante Alegria de Viver, por exemplo, e desfrutá-lo, à beira-mar. É mais garantido.

E desta maneira, pode usar e abusar dos pecados capitais, a exemplo da luxúria, deixando-se dominar pelas paixões; a preguiça, após comer à vontade; a vaidade, pelo orgulho de ter comido bem … e muito…. Quanto à inveja, deixe que os outros que não provarão possam ter por você. Com certeza, lhe darão razão no futuro.

A ninguém é dado o direito de brincar de Deus

Walmir Rosário – 

Como cristão – católico praticante – aprendi desde cedo que Deus é o único responsável pelas nossas vidas. A Ele também é dado o direito sobre quando deveremos parar de viver, descansar, segundo alguns. Ao homem, quando transgride esse mandamento, é julgado e apenado pelas leis dos homens. Mas existem algumas exceções escritas e outras não escritas, e estas são as piores.

Mesmo aqueles que dizem ser mais chegados a Deus, gozando de privilégios de atender a Seu chamado e conversar com Ele têm esse poder. Mesmo que acumulem essa pretensa regalia – como querem alguns – com a prefeitura de Itabuna, pode ir tirando seu “cavalinho da chuva”, pois o castigo virá a galope, como mostram as pesquisas.

Aos políticos são dado o direito – não está escrito nos códigos ou Constituição – de matar pessoas, desde que por métodos não tradicionais. O presidente da República, o governador dos estados e os prefeitos cometem crimes de morte das mais diversas formas, a exemplo da condenação à sede, no Nordeste; à doenças várias, pela falta de saneamento; de fome, pela falta de políticas públicas decentes, etc.

Essas são as mais frequentes, embora outra forma de execução de sentença – informal – seja a cruel: a falta de prestação dos serviços de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS), que deveria cuidar da saúde das pessoas é utilizado para relegá-los à doença, culminando com deficiências físicas irreversíveis, males crônicos e até à morte. E fazem isso sem a menor cerimônia e até assistimos nos noticiários dos meios de comunicação.

Essas ações (não são omissões) são coisas de rotina nas unidades básicas de saúde e hospitais. Faltam médicos – é verdade – mas o problema mais recorrente é a falta dos medicamentos e o oferecimento dos procedimentos prescritos pelos médicos. Não adianta o simples diagnóstico, mas o tratamento, já que nossa saúde não merece o simples e prático trabalho de prevenção.

Dizem os técnicos que para cada R$ 1,00 que se deixa de investir outros R$ 5,00 no tratamento. Apesar dos dados oficiais, ao cidadão brasileiro não é dispensada a atenção que merece, apesar do dispêndio, via impostos, de recursos suficientes para tal mister. Para nossas autoridades, a vida da população, do cidadão comum é uma simples estatística.

Os absurdos estão a qualquer parte. Em Itabuna, Ilhéus, Salvador, Brasília, Oiapoque ou Chuí. Pouco importa, o crime dos políticos é praticado da forma mais democrática possível. Quer dizer, nem tão democrática assim, pois os menos servidos – ou bafejados pelas posses – são os maiores índices nas estatísticas oficiais. Números frios, implacáveis.

Mas como moro em Itabuna, vamos nos ater à nossa paróquia. Um cidadão do povo sofre um trauma. É atendido pelo médico que, após examinar o Raio X, diagnostica fratura. Imediatamente autoriza a imobilização engessando a área afetada. Tempos depois, retira o gesso, faz novo Raio X e recomenda a fisioterapia, coisa simples, procedimento comum, mas necessário.

Isso é o que pensa o médico, não as autoridades da saúde de Itabuna. Na unidade de saúde o paciente – bota paciente nisso – é quase recomendado a desistir. Os mais teimosos seguem em frente e vão enfrentar a burocracia da central de regulação. E é aí que “vão ver o que é bom pra tosse”. E vem logo a pergunta:

– Mora em que bairro? – interroga o funcionário.

– Pra esse bairro não tem mais, só no mês que vem – despacha o pobre do paciente.

E diz isso com aquela voz professoral, determinando a imediata retirada do paciente da sala. Também quem mandou o morador do bairro Califórnia se acidentar nesse mês. Se pelo menos fosse do bairro São Caetano, poderia dar um jeito.

– Quem já viu querer tudo na hora. Pensa que é quem? Agora é assim: o planejamento libera os procedimentos de acordo com o bairro – diz o funcionário, achando-se senhor de si. Só faltou combinar com o povo.

À primeira tentativa de reclamação do paciente-paciente, o funcionário faz cara de zangado e vira-se para o(a) colega ao lado e tasca uma pergunta sobre a protagonista da novela de ontem, talvez o único assunto que interesse à população. Sobre isso ele sabe tudo, não perde um só capítulo.

Quem não sabe de nada, inclusive sobre os seus direitos, é o paciente, que “rabo entre as pernas” como um cachorro escorraçado, dá meia volta e promete voltar no mês que vem.

Do dia 17 de julho, quando foi informado que viesse no começo de agosto, foi despachado para retornar em 2 de setembro. Quem sabe não precisa mais voltar, pois sem realizar o procedimento fisioterápico, no mês seguinte já não tenha eficiência alguma e seja obrigado a conviver com o “aleijão”, ou para os politicamente corretos, uma daquelas deficiências de nome complicado. Dá no mesmo. Assim como na fisioterapia, os pedidos de cirurgias, então, completam aniversários.

E assim, o prefeito Vane, que disse ter exonerado – enquanto concedida uma entrevista, numa falta de respeito com um seu colaborador – o secretário municipal da Saúde por não ter ele dado conta da rede de atenção básica. Errou o prefeito por desconhecer a outra ponta da rede e, mais ainda por ter prometido ele mesmo solucionar os problemas.

Como disse anteriormente, se não aprendeu a prefeitar, muito menos secretariar.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Forte, mas nem tanto…

Walmir Rosário

A célebre frase dita pelo engenheiro militar, jornalista e escritor Euclides da Cunha, afirmando que “O sertanejo é, antes de tudo, um forte” não tem sido levada ao pé-da-letra pelas nossas maiores autoridades.

Para eles, o nordestino teria o dom da ressurreição ou da imortalidade. Certo que alguns nordestinos ostentaram e ostentam o título de imortal, concedido por algumas academias, inclusive a conceituada Academia Brasileira de Letras.

Talvez, quem sabe, vendo a longevidade do ex-tudo José Sarney, maranhense, e, portanto, nordestino, esse povo de Brasília confunda a assertiva de Euclides da Cunha lá em Canudos.

Essa confusão tem criado sérios problemas para os nordestinos que teimam em viver no polígono da seca (se é que ali se vive). De fome e de sede eles não morrerão, acreditam aquela gente que se instala na presidência da República.

Mas não é assim que a banda toca e a cada dia presenciamos o tratamento desigual proporcionado aos nordestinos. Mas se eles já ganham o Bolsa-família, que querem mais? Devem perguntar.

No balaio de bondade distribuído pela presidenta Dilma Rousseff para os nordestinos está a prorrogação das dívidas com os bancos, como se bastasse na próxima chuva “chover em abundância rios de leite e ribanceiras de cuscuz”.

Não é bem assim, dona Dilma, falta água para beber, tanto para as pessoas (gente, mesmo…) e os animais, que já foram considerados pelo ministro Rogério Magri (portanto de Brasília) seres humanos.

Falta comida, pois as plantações têm sido perdidas há anos, e agora nem mesmo semente existe para ser plantada. O nordestino pode ser um forte, mas, com fome é difícil lutar. O nordestino também sente muita piedade e dor profunda de ver seus animais morrendo de fome, de sede.

E sabe o motivo, presidenta: Porque desde que Dom Pedro (os dois) eram monarcas que prometem acabar com a seca no Nordeste. E essas promessas passaram a ser feitas pelos presidentes desde que o império ruiu.

Se grande parte da criação morreu (gado, animais de monta e serviço, aves, etc.) foi por falta de ração, do simples milho que a Conab não teve a competência de transportar.

Mas a culpa é creditada na simples licitação para o transporte. Como os nordestinos não encontram o amparo da Fifa para a copa do mundo de 2014, o jeito é esperar, mesmo no leito de morte, a ajuda chegar.

Tivesse o apadrinhamento da Fifa, não precisaria licitação, como para construir e reformar estádios, aeroportos, dentre outros equipamentos para mostrarmos aos gringos a partir da copa das confederações.

Mas não se avexe, não, presidenta Dilma, que os nordestinos que morrerem de fome alguns sequer farão parte das estatísticas oficiais, por falta, inclusive de documentação. Muitos, sequer, possuem certidão de nascimento, para serem considerados brasileiros, nossos conterrâneos.

E tem mais, a seca até que tem seu lado bom. Sim, nossa imprensa vai lá conversa com dois ou três, filma e fotografa a miséria. E o nordestino aparece no Jornal Nacional e nas redes nacionais. Com dignidade, é bom que se diga.

Resignado, pede a Deus que mande chuva, mostra a criação morta ou desfalecendo, sua agonia que não acaba. Entra ano e sai ano, a necessidade é a mesma: água, só água para animais e vegetais.

E, em Brasília, as providências são adotadas com todas as pompas, sempre dois ou três anos após a necessidade, mas é assim mesmo. Os técnicos do governo têm de planejar com rigor, com base no banco de dados existente, para não fugir das técnicas rigorosas da economia e administração.

De repente, governos acompanham a presidenta e anunciam os programas que deverá ser disponibilizados e executados. Bonitos, bem feitos, com competência para solucionar todos os problemas do mundo.

Mas aí tem outro porém: como quem planeja não executa, surgem as dúvidas de como suprir a falta de documentação, a capacidade de contratação, a dificuldade do fiel cumprimento dos termos do contrato.

O governo (Brasília) diz que fez sua parte, destinando o dinheiro; o governo (bancos oficiais) diz que há recursos disponíveis, mas que não pode executar por falta das condições legais. “Como posso colocar dinheiro bom em coisa ruim”.

Ora, ruim é quem aufere lucro com a seca e não o nordestino que trabalha dia e noite para plantar e colher sua safra, criar seus bodes, carneiros e bois, produzir leite e carne, embora não tenha comida para oferecê-los no período da seca.

Como sempre o governo chega tarde na hora da ajuda. Para reparar esse erro, chega cedo antes da eleição, pede votos, garante que o Bolsa-família não vai acabar, desde que o nordestino vote neles.

Novas promessas são feitas. Como o nordestino, homem simples, acredita nos milagres de Deus e dos seus santos, porque não acreditar nos milagres prometidos pelos homens.

Ele empenha a palavra e honra votando neles. Eles, eleitos, nem sempre podem fazer o que prometeram. Problemas de governo, de burocracia que costuma emperrar os processos. “Nossa parte já foi feita”, mostram na televisão.

E o nordestino não tem a quem reclamar. Nem mesmo de Euclides da Cunha, que não se encontra mais entre nós para explicar o objetivo de sua frase, dita em outro contexto.

É assim que a banda toca!

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Mudanças no Planalto

Walmir Rosário

Mais uma vez o presidente Lula reúne os ministros da Casa para discutir uma possível reforma no seu ministério. É a vez das especulações, quando os dirigentes dos partidos leiloam seus ministeriáveis a preços nunca vistos, para um presidente que pretende apenas trocar seis por meia dúzia, às vezes até com algum retrocesso, já que os que entram não dão continuidade às ações já engendradas.

Esses constantes anúncios de troca de ministros são anunciadas sempre às vésperas de uma decisão importante no Governo Federal, Senado ou Câmara Federal, no fato atual, as duas Casas Parlamentares são a bola da vez. Como a Presidência da República pretende eleger um deputado petista de sua confiança para a Câmara, e um aliado de primeira hora do PMDB, para o Senado, nada melhor do que acirrar os ânimos dos políticos.

Tal qual um caçador mostrando carne sangrenta para atrair sua presa, a articulação do Governo Federal acena com a possibilidade de preencher ministérios com políticos dos partidos da base aliada, dando a impressão de que cortaria na própria carne caso fosse preciso. Como sempre, alguns ministros são considerados a bola da vez, entre eles o ministro das Cidades, Olívio Dutra.

O que mais estranha nesse tipo de barganha é que o Ministério das Cidades é hoje um paraíso cercado de recursos públicos por todos os lados, e uma importante máquina de fazer política, especialmente para a eleição do próximo ano. Recursos para infra-estrutura, como saneamento básico, habitações e outros equipamentos urbanos são tudo que um prefeito deseja para o seu município.

Para carrear toda essa dinheirama disponível, é preciso, no entanto, se utilizar de uma série de artifícios, como o apadrinhamento de deputados, lobistas, a proteção de construtoras, para que os recursos sejam alocados no Orçamento e a obra possa ser executada. Um trâmite difícil somente comparado a uma maratona, onde vence quem tem mais prestígio e possa atender aos interesses do governo e sua máquina de fazer votos. Mas isso cabe aos deputados, no sentido de trazer os benefícios (promessas de campanha) para a alegria de suas bases eleitorais.

Nessas mudanças, o Poder Executivo poderia, pelo menos, tentar manter as aparências nas barganhas pelos ministérios. Caso as trocas sejam pra valer, seria de bom alvitre propor a substituição dos atuais (nem sempre técnicos ou políticos competentes) por outros de nível mais elevado, ou pelo menos mais compatível com o exercício da função.

Mas nem sempre os atributos necessários para o desempenho do cargo são levados em consideração, sobrepondo-os outros tantos, como a quantidade de deputados e senadores que poderão estar disponíveis em cada votação. Em nome da governabilidade, tão preterida em outras épocas, quando as negociações eram execradas, voltaram à moda em Brasília e continuam presentes em cada gabinete ministerial e da Presidência da República.

Que o diga a senadora maranhense Roseana Sarney, golpeada covardemente pelo PT e PSDB, quando era governadora e ensaiou os primeiros passos rumo à candidatura à Presidência da República. Por uma política de repercussão nacional, ganhou preciosos pontos nas pesquisas de opinião, ameaçando às “estrelas de primeira grandeza” dos dois partidos. Após uma porrada certeira, a governadora foi levada à lona e obrigada a declinar de sua candidatura.

Agora, tal qual a Phoenix, a senadora Roseana Sarney, eleita para um mandato de oito anos e com influência parlamentar considerável, volta à baila política como candidata sob medida para um dos grandes ministérios do Governo Lula. Pelo andar da carruagem, nesses dois anos de Senado deve ter expurgados seus pecados políticos e estar pronta para ser ungida a grande ministra de 2005.

É só aguardar pra ver!

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 12-01-2005

 

Vampiros da Ceplac

Walmir Rosário

A máxima “vão-se os anéis e ficam os dedos” não faz o menor sentido para a direção da Ceplac e, muito menos, para quem a indicou: o ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões. Ao contrário, eles pouco se importam com a instituição Ceplac, sua importância para as regiões cacaueiras do Brasil e o que ela ainda poderá gerar de benefício para os agricultores e o próprio País.

Em matéria de minha autoria – embora sem assinatura – publicada na edição do fim de semana passado (5 a 7 de agosto), o Agora mostrou o descaso da atual direção da Ceplac em relação à institucionalização do órgão. A reportagem reproduz fielmente os passos dados pelo deputado federal Josias Gomes, em Brasília, acompanhado de Everaldo Anunciação (representando os funcionários) e do presidente da AproCeplac, Eduardo Magalhães. Ambos servidores da Ceplac, portanto.

Nesse périplo pelos ministérios, ouviram, em alto e bom som, as queixas dos técnicos encarregados de estudar a transformação da Ceplac em Fundação de Direito Público. A contrariedade dos especialistas – e compartilhada pelo ministro Paulo Bernardo (inclusive com documento publicado na reportagem) – era evidente em função da má-vontade ou ineficiência da direção da Ceplac para fornecer, simplesmente fornecer, informações indispensáveis à continuidade do processo de institucionalização.

Como se isto, por si só, não bastasse, os dirigentes da Ceplac ainda tentam, de todas as maneiras, emperrar o processo de transformação da Ceplac em Fundação, criando barreiras insuperáveis. Um desses obstáculos é a ampliação vertiginosa de cargos DAS (direção e assessoramento), cujo número foi simplesmente triplicado na versão elaborada por Gustavo Moura e seu assessor, Wellington Duarte, o Gamelão.

O imbróglio criado pelos dois dirigentes joga por água abaixo todos os passos dados pelos funcionários, através do Conselho das Entidades Representativas dos Funcionários da Ceplac, nos debates promovidos entre os próprios servidores e a comunidade. Isto porque cria um indesejável impacto no orçamento da União, o que dificulta enormemente a viabilidade da institucionalização.

Mas pouco se importam sobre o futuro da Ceplac o diretor Gustavo Moura e seu vice Wellington Duarte. Afinal, historicamente, Gustavo sempre se posicionou contra a instituição e muitos ainda devem lembrar de sua pregação pela extinção do órgão. Talvez agora tenha finalmente chegado a sua chance de sucatear a Ceplac a ponto de levá-la à inanição.

No tempo em que está à frente da instituição, Gustavo Moura jamais se preocupou com futuro da Ceplac, tampouco da cacauicultura, apesar de ter herdado fazendas de cacau. Ao invés de tentar passar para a história como um dirigente que contribuiu para sua institucionalização, agacha-se diante das benesses do poder e se contenta em se tornar um simples serviçal dos poderosos. No máximo, um estafeta (desculpem o termo os laboriosos funcionários dos Correios) e menino de recados a serviço de Geraldo Simões.

Certamente Gustavo se encaixou melhor no papel daquele cacauicultor a reclamar constantemente do governo, embora dele sempre recebesse as benesses concedidas aos amigos do poder. Pelo menos, mantinha as aparências. Quem sabe não falta ao atual diretor da Ceplac um conselho amigo para que deixe o cargo e explique a denúncia feita por Luiz Henrique Franco Timóteo, que o acusa de tentar introduzir a vassoura-de-bruxa na Costa do Marfim. Mas não, Gustavo Moura prefere sair furtivamente pelas portas do fundo.

Quanto a Wellington Duarte, o conhecido Gamelão, não é necessário tecer muitas considerações sobre o seu papel na direção da Ceplac. Sua vida pregressa na própria instituição e em outras por onde passou diz tudo. Na Prefeitura de Itabuna ou no Hospital de Base, sua trajetória não é das mais recomendáveis, com gestões desastrosas sob o ponto de vista administrativo e no trato com os colaboradores que os cercavam.

Na Ceplac, há muito que não trabalha e sempre destinou grande parte do seu tempo às atividades partidárias, apesar de receber mensalmente salário do Governo Federal. Dentre suas ações mais conhecidas, a pregação da desobediência civil era a mais importante, isso quando não ocupava cargo de confiança. Quando passou a receber um cargo DAS no contracheque, imediatamente se transformou no perseguidor de colegas.

Contra Wellington Duarte ainda pesa uma acusação também feita por Luiz Franco Timóteo e denunciada pela revista Veja: a de ser um dos membros da quadrilha responsável pela introdução criminosa da vassoura-de-bruxa no Sul da Bahia. Apesar de não haver provas concretas de sua cumplicidade no caso, a suspeição que paira sobre ele no mínimo torna  insustentável a sua manutenção no cargo.

Mas, voltando ao assunto em questão, teriam essas pessoas isenção para conduzir o processo de institucionalização da Ceplac? E vou além: teriam essas pessoas hombridade para dirigir a Ceplac? E eu mesmo respondo: Não. Por tudo que já fizeram, mostraram durante todo esse tempo que pouco importa para eles a Ceplac, seus técnicos e a tecnologia que pode ser gerada em benefício da lavoura cacaueira.

Repúdio

Não bastassem todas essas artimanhas praticadas pelos dois dirigentes e financiadas com o dinheiro público, Gustavo Moura e Wellington Duarte ainda se acham no direito de tentar enganar os ceplaqueanos e a comunidade do Sul da Bahia. Para tanto, contrata um jornalista, com os recursos da Ceplac, para enviar release aos jornais, contando versões imaginosas de suas pseudo-atuações na institucionalização da Ceplac.

Como é prática na turma de Geraldo Simões, a primeira ação é tentar desqualificar uma pessoa (no caso de Timóteo) ou uma ação (no caso da reportagem do Agora) para impor sua versão. Mais uma vez esse procedimento não obteve os resultados esperados. A primeira tentativa de escamotear a verdade deu-se com a publicação de nota oficial no site da Ceplac, prontamente repudiada pelos funcionários, tendo em vista a fragilidade dos argumentos.

Tal atitude dos funcionários foi prontamente referendada em assembléia, na qual reafirmaram a incapacidade de seus dirigentes em administrar um processo de tamanha magnitude, como é a institucionalização. No entender dos funcionários, o comportamento mentiroso dos dirigentes os transforma em adversários, pois tentaram esconder, inclusive, a posição de alguns tecnocratas do Ministério da Agricultura, ávidos em manter a Ceplac como o “Departamento Cacau” do Mapa, a exemplo do que acontece com o café, frutas, etc.

Os funcionários da Ceplac também já têm conhecimento de que Gustavo Moura e Wellington Duarte tentam, a todo custo, por vias sub-reptícias, mudar as propostas de institucionalização e até inviabilizar a reunião entre as superintendências da Ceplac, agendada para a próxima quinta-feira (17).

Os ceplaqueanos também têm consciência do trabalho feito pelo deputado federal Josias Gomes, junto com os representantes do Conselho das Entidades da Ceplac, no sentido de tornar a Ceplac uma autarquia ágil, eficiente e eficaz no seu mister: gerar tecnologia e desenvolvimento nas áreas de Mata Atlântica.

No mais, resta à região e aos ceplaqueanos distinguir o joio do trigo e dar um basta nos traidores do cacau.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 12-08-2006

 

Comendo a própria carne

Walmir Rosário

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, reclama da pressão democraticamente exercida pelos empresários junto ao Congresso Nacional para que deputados e senadores não aprovem, sem modificações, a Medida Provisória 232. Responde o ministro com outra pressão: a de que será obrigado a fazer cortes no Orçamento caso não conte com os tributos previstos na malfadada MP.

Esses jogos de cena, próprio das negociações palacianas de Brasília, chegam a ser cômicos, caso não tivessem o componente trágico e prejudicial à Nação. Releva-se a interesse do Brasil em benefício dos interesses governamentais. Isso é próprio de governo, não só este como todos os outros, cujos gestores acreditam que a expropriação dos contribuintes, via pagamento de tributos, é coisa normalíssima.

Costumeiramente, temos visto notícias de que o setor público, incluídos aí a União, estados e municípios, registrarem superávits primários, batendo recordes de décadas. Mesmo assim (em que pese o duro sacrifício imposto à população), economizando o equivalente a 7,43% do PIB, o governo não conseguiu pagar os juros do período, equivalentes a R$ 12,3 bilhões, ou 8,02% do PIB.

Não resta dúvida de que o Governo Federal, agindo assim, está na contramão da política pregada há anos, a tão famigerada política neoliberal, à custa do sacrifício de milhões de brasileiros. Apesar de em janeiro ter sido o menor déficit registrado desde 91 (R$ 902 milhões), está fartamente demonstrado que as excessivas taxas de juros cobradas não fazem bem à economia do país.

Além do estrago causado nas contas do governo, as altas taxas de juros também dilapidam a parca economia dos brasileiros, notadamente da classe trabalhadora (formal e informal), que precisam adquirir produtos e serviços através de crediário. Ao tentar contratar um produto ou serviço por esse sistema, o consumidor compra, na verdade, dinheiro, hoje um bem não tão escasso, mas de custo caríssimo.

Se para o Governo Federal o pagamento de juros com base na taxa Selic promove enormes rombos no orçamento, imaginem o que faz junto aos pobres mortais, que não têm a mínima capacidade de negociação junto ao contratado. Cá na ponta, junto aos bancos e as empresas financeiras, conhecidas pela prática da agiotagem, os juros se multiplicam por 10, 15 vezes, comprometendo os parcos salários dos trabalhadores.

Do lado do governo leva grande parte dos recursos destinados aos investimentos, que ao contrário de construir casas populares, saneamento básico e dinheiro mais barato para a promoção do desenvolvimento, aumenta o lucro dos gananciosos banqueiros. Se o governo, que tem o poder de negociar não o faz, pouco resta ao coitado que vai a uma loja para comprar um fogão ou geladeira.

Enquanto isso acontece com o beneplácito do governo, os números da balança comercial crescem (ou incham) com o crescente saldo das exportações sobre as importações. Nada mais simples do que fazer essa conta: se importamos menos do que exportamos é porque não estamos tendo condições de compra, pois todas nossas necessidades não estão satisfeitas.

Tudo isso nos leva a crer que exportamos mais porque não estamos tendo demanda no mercado interno, resultado da diminuição do poder de compra dos brasileiros assalariados. Mas os nossos governistas do Palácio do Planalto já estão preocupados com isso e, sem perda de tempo, o presidente Lula enviou (discretamente) uma mensagem ao Congresso para proporcionar um aumento aos funcionários públicos federais ativos e inativos de 0,1%.

Do jeito que vai, daqui a alguns anos teremos que reivindicar apenas ao governo que nos deixem pelo menos vivo, já que faz tempo que estamos comendo nossa própria carne.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 02-03-2005

Brasília já não é a mesma

Walmir Rosário

Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza. Essa assertiva de cunho popular cabe mais do que nunca nos petistas que compõem os cargos no Governo Federal e Congresso Nacional. Antes autodenominados paladinos da moralidade pública, hoje se empanturram com sinecuras de alto escalão para suas mulheres (no caso dos ministros), ou para amigos de caráter duvidoso.

De “Waldomiros Diniz” o Palácio do Planalto está cheio. Aliás, Brasília já não é a mesma de antes, quando o próprio presidente Lula declarava em alto e bom som ser o Congresso Nacional um valhacouto de 300 canalhas. Agora, esse tipo de população aumentou geometricamente e as notícias de malversação dos recursos públicos grassam nos noticiários da imprensa de todo o mundo.

Se antes os parlamentares petistas se gabavam de, como minoria, ter poderes para barrar a pauta do Congresso via regimento interno, hoje usam uma tropa de choque (formada pela base aliada) que faz matar de inveja os congressistas remanescentes da ditadura militar. Para eles, o que manda é pragmatismo (expressão bastante utilizada pelo ditador Ernesto Geisel) e ética é coisa de ex-comunista descompromissado com os interesses do País.

Para não dizer que não falei de flores, nossos ex-éticos, na vontade indômita de continuar com as benesses do poder (antes coisa da burguesia), avançaram sem dó nem piedade para o erário público, distribuindo recursos a torto e a direito. Esse dinheiro, no entanto, tinha destino certo: ajudar a eleger os companheiros petistas, cujos índices de aceitação do eleitor nas pesquisas de opinião de voto não são satisfatório. Em outras palavras: estão rejeitados pelo povo.

O caso mais escandaloso foi o de São Paulo, onde a companheira Marta Suplicy não encontra respaldo eleitoral nem para ser eleita inspetora de quarteirão. Somente na famosa edição extra do Dário Oficial da União foi publicada a dotação para a Prefeitura paulistana, no apagar das luzes, foram destinados R$ 52 milhões. Tratamento muito diferente teve a Prefeitura carioca, cujos recursos não passaram de parcos R$ 2 milhões. Mas aí tem um agravante: César Maia é filiado ao PFL e as pesquisas indicam que ele ganha disparado as eleições de 3 de outubro.

Itabuna também vem recebendo tratamento diferenciado em relação aos municípios da região. Enquanto o petista Geraldo Simões nada de braçada em dinheiro federal, prefeitos de outros partidos têm que mendigar de gabinete em gabinete e as emendas orçamentárias não são liberadas. Como alunos aplicados de Maquiavel (o fim justifica os meios) o governo do PT usa dois pesos e duas medidas sem a menor parcimônia, apesar de ter execrado essa máxima antes de chegar ao poder.

Com a cautela e sabedoria que lhe são peculiares, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Sepúlveda Pertence, proibiu o repasse de verbas para convênios cujas obras ainda não foram iniciadas. Parecer neste sentido já tinha sido emitido pelo Procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, condenando um outro parecer da Advocacia Geral da União (AGU), favorável à liberação.

Resguardando o bem público, Cláudio Fonteles ressaltou ser o grande problema eleitoral do País a conscientização dos eleitores. Para ele, voto é como consciência, não se vende. A mesma opinião de Fonteles tinha o PT em eleições passadas. Aqui mesmo em Itabuna um dos slogans usados na campanha que elegeu Geraldo Simões à Prefeitura de Itabuna era: “No meu voto mando eu”, numa clara alusão ao voto consciente do eleitor que não se vende.

Hoje, esses mesmos políticos, com as algibeiras entupidas de dinheiro público, mandam esquecer tudo que pregaram durante anos e tentam enxovalhar a consciência do eleitor-cidadão comprando coligações e eleitores. Já cantava o velho Luís Gonzaga muitos anos atrás: “Seu doutor uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”. A Justiça tarda, mas não falha.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado Jornal Agora em 10-07-2004

De quem eles têm medo?

Walmir Rosário

O Brasil assiste estarrecido – e calado – a mais uma grande arbitrariedade cometida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, contra o patrimônio público e histórico nacional: o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. Mandando cercar o Alvorada, presidente Lula incorreu em dois crimes; o primeiro foi modificar, sem autorização, um projeto do arquiteto Oscar Niemayer; o segundo, atentar contra um patrimônio arquitetônico do povo brasileiro.

Ainda resta o descaso com o povo brasileiro (incluídos aí os turistas) que procura visitar uma das consideradas maravilhas da arquitetura moderna construída no planalto central do país. Nem mesmo no tempo da ditadura militar implantada em 64, quando o uso da força era uma realidade, motivada pelo medo da reação popular, nossos monumentos foram tão enxovalhados. Àquela época, as pessoas podiam visitar os palácios e todo o acervo da República e as autoridades não tinham o menor receio deles, por questões óbvias.

Entretanto, ao chegar ao poder um homem do povo, as atitudes são extremamente inversas das praticadas pelas que têm na segurança uma obcecação profissional. O Lula acostumado ao cheiro de povo, à companheirada da fábrica, aos amigos do bar da esquina, das peladas de fins de semana tornou-se paranóico e tenta isolar-se, no Palácio da Alvorada, longe de todos. O próprio presidente Lula deve lembrar da cerimônia de sua posse, quando passeou pelo eixo monumental no meio da multidão.

Nada aconteceu, presidente. O povo brasileiro possui boa índole e só pretende viver feliz, apesar de não possuir condições materiais para tanto. Mesmo assim, consegue fazer festa para o governante que lhe tira o emprego, que tira parte do seu salário em cobranças de taxas e previdência dos aposentados, que o senhor era contra. O povo brasileiro, presidente, é capaz de perdoar os males cometidos pelos governantes como o senhor, que vendeu ilusão, prometendo (como diria um nordestino como o senhor) um rio de leite e uma ribanceira de cuscuz.

Meu receio é que essa paranóia que lhe acomete possa ser uma verdade. Quem sabe, após uma série de reflexões, o senhor não tenha chegado à conclusão de que o povo pode se revoltar com suas falsas promessas e não implantar uma réplica da Revolução Francesa e guilhotiná-lo. Nada disso, o brasileiro, além de ordeiro, é dado à democracia, mesmo que em algumas ocasiões não possa exercê-la na sua plenitude.

Estou desconfiando, presidente, que essa sua paranóia e os milhares de erros cometidos deva ser culpa de assessores despreparados para o cargo, gente que não tem a mínima noção do que seja uma nação. Meu receio é que essa sua clausura tenha sido recomendação do prefeito de Itabuna, Geraldo Simões, que tem andado tanto aí por Brasília. Deve ser o Geraldo que anda incutindo essas idéias na sua cabeça, pois como ele também prometeu mundos e fundos e não fez nada só anda em carro blindado, com vidros fechados e cercado de segurança. Mas não ligue, não, presidente, basta V.Exa. fazer o que prometeu que o povo esquece tudo. É sempre assim.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 04-09-2004

O Porto de Ilhéus em Brasília

Nem mesmos os serviços de manutenção do porto estão sendo feitos pela Codeba

Nesta terça-feira (6) o governador Jaques Wagner discute, em Brasília, com a presidenta Dilma Rousseff, sobre o Porto de Ilhéus. A conversa é mais um capítulo da novela “falta de vontade da Codeba com o antigo Porto do Malhado”, cuja implicância da Codeba também é antiga.

Promessas deverão ser feitas, embora não se possa afirmar que serão cumpridas, haja vista a longa lista de prometimentos feitos pelo atual governador da Bahia, todas guardadas a sete chaves numa das gavetas da governadoria e/ou das secretarias de Estado, até que caiam no esquecimento.

Quem sabe o povo de Ilhéus e região não tenham mais sorte com as promessas de Dilma…

Empresas apresentam projetos de R$ 400 milhões para pesca e aquicultura na Bahia

O presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli, se reuniu nesta quarta-feira (27), em Brasília, com o ministro da pesca e aquicultura, Marcelo Crivella, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

No encontro, Albagli apresentou três propostas de financiamentos para empreendimentos de grande porte no setor da pesca e aquicultura, já que a Bahia Pesca é a catalizadora que contribui para estes investimentos.

O primeiro, no valor de R$ 300 milhões, do Grupo Leardini, de Santa Catarina, é voltado para a pesca oceânica e à criação do peixe panga em cativeiro. Também inclui a construção de um frigorífico de grande porte e um centro de distribuição de pescado.

Outro projeto é do grupo português Pesca Nova, que pretende instalar uma empresa para a criação de tilápia no município de Glória. O investimento é avaliado em R$ 95 milhões. Já o grupo Graciosa tem um projeto para a produção e beneficiamento de ostra. Nesta iniciativa, com previsão de investimento de R$ 15 milhões, serão envolvidos os pequenos produtores com base no denominado “Sistema de Integração”.

O presidente da Bahia Pesca, empresa vinculada à Seagri, explica que o crescimento da Bahia neste setor, 52% nos últimos cinco anos, aliado a sua enorme costa marítima vem despertando o interesse dos grandes grupos, em investir no estado.

Albagli esclarece que a prioridade do governo é a pesca artesanal e a aquicultura familiar. “Mas ao lado destas atividades, podemos investir na pesca oceânica e em grandes projetos, inclusive em parceria com os pequenos pescadores e aquicultores”, concluiu.

São João de Ilhéus no Salão de Turismo

Mais um São João de Ilhéus com garantia de sucesso

Os festejos do São João da Bahia vão fazer parte da programação da primeira edição do Salão Baiano de Turismo, no período de 17 a 19 deste mês, no Centro de Convenções, em Salvador, e para o qual já confirmaram presença ao secretário estadual do Turismo, Domingos Leonelli, em Brasília, o ministro do Turismo, Gastão Vieira, e o presidente da Embratur, Flávio Dino.

Eles conhecerão a maquete da Bahia, com 125 metros quadrados, as exposições em homenagem ao ‘Centenário de Jorge Amado’ e ‘Saveiros da Bahia’, do artista plástico Bel Borba, além de pratos inusitados como pastel de jaca, preparados por 13 chefs de cozinha da área astronômica.

Quanto ao São João, serão apresentadas ao público em geral e mais de 170 agentes e operadores de viagem brasileiros e estrangeiros, várias atrações para mostrar porque é considerada a maior festa regional do país e também da cultura baiana.

Um dos principais momentos será o encontro de grandes nomes do forró baiano, que será realizado no primeiro dia do evento (17). Já está confirmada a participação dos forrozeiros Carlos Pitta, Del Feliz, Cicinho de Assis, Zelito Miranda, Adelmário Coelho, Virgílio, Val Macambira, Gereba e Léo Macedo. Juntos, eles farão show com uma hora de duração, das 19 às 20 horas. A apresentação será uma grande homenagem ao centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

ARRAIÁ

À noite terá exibição da quadrilha junina Asa Branca, às 20h40min. O grupo, fundado por moradores do bairro do Cabula, é um dos mais premiados da Bahia. Entre os títulos já conquistados está o de tetracampeã do Concurso Regional de Quadrilhas, que incluiu agremiações de 25 municípios baianos.

O concurso é realizado todos os anos, numa parceria entre a Federação Baiana de Quadrilhas Juninas, Secretaria de Turismo do Estado (Setur) e a Bahiatursa. O Salão estará aberto ao público das 14 às 22 horas, com acesso permitido mediante cadastramento pelo site http://www.salao.turismo.ba.gov.br/.

Taxa do cheque especial aumenta em agosto
 
A taxa média do cheque especial nos bancos em agosto foi de 13,52% ao mês (a.m.), alta de 0,06 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo pesquisa do Procon de São Paulo. A maior alta foi encontrada no Banco do Brasil
 
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Artista canavieirense se inspira nas belezas naturais de sua terra
Aos 35 anos, quatro dos quais dedicados à arte, Thiago tem despertado a atenção de turistas e nativos pela simplicidade de seus trabalho, com traços e entalhes precisos, retratando animais do bioma Mata Atlântica.
 
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Alto Beco do Fuxico festeja seus 30 anos
 
Saudosismo, amizade, cachaça da boa, cerveja bem gelada, mocofato preparado por Danilo, música de todos os gêneros e para atender todos os gostos. Esse foi o combustível que moveu membros da Confraria do Alto Beco do Fuxico, os acadêmicos da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopia e Etc. (Alambique), além de outros frequentadores do Alto Beco do Fuxico.
 
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