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Morre Otoniel Cassemiro, ex-prefeito de Canavieiras

Otoniel Cassemiro, despontou para a política ainda bastante jovem
Está sendo velado desde as 14h30min de hoje, na Câmara Municipal de Canavieiras, o corpo do professor, advogado, ex-vereador e ex-prefeito Otoniel Cassemiro Neto.
Ele passou mal por volta das 11 horas da manhã, quando se encontrava no seu escritório no Centro Empresarial Royal Charlotte, na avenida Coronel Augusto Luiz de Carvalho.
Otoniel tinha 55 anos de idade e sofria de problemas coronarianos há tempos, já tendo se submetido a cirurgia anos atrás em Salvador.
Em outubro passado, ele alcançou 6.683 votos como candidato a prefeito de Canavieiras, mas perdeu o pleito para o atual prefeito. Em 1992 foi eleito prefeito, com o apoio do prefeito Almir Melo.
Aos 18 anos de idade, Otoniel foi eleito vereador pela primeira vez, em 1977, pelo antigo MDB. Ele elegeu-se vereador, no total, seis vezes.
Meses atrás ele aposentara-se como professor e a partir de janeiro passado, trabalhava como assessor jurídico da Câmara Municipal.
Com informações do Tabu Online
Ovas à insensatez
Walmir Rosário
– Nem pense que estou engolindo esses “agás”. Fica aí botando receita de comidas gostosas no site como seu fosse você quem fizesse. Nem tente enganar a gente com essas histórias – gritou o cara.
Ainda atônito, me virei pra ver quem seria o nervosinho mal-educado que me interpelava em pleno e malcuidado calçadão da Ruy Barbosa. Sem pestanejar, respondi:
– Cara, não lhe conheço e nem nunca lhe dei intimidade para que uma conversa tome esses rumos. Mas, como você já me interpelou, desembuche que não sou de levar desaforo pra casa… – retruquei na tampa ao impertinente.
Na hora uma avalanche de pensamentos me encheu a cabeça. Em cerca de 10 ou 15 segundos fui acometido por um turbilhão de ideias das mais estapafúrdias. Como é que um “cabra” que você nunca conversou, jamais se sentou ao lado em uma mesa de bar ou parou para bater um papo entre uma batida ou outra no ABC da Noite lhe interpela com essa violência explícita.
E antes mesmo que ele tentasse responder voltei a falar, mantendo o mesmo tom de voz enérgico:
– Se você tem seus problemas resolva-os você mesmo sem querer aporrinhar os outros. Continue seu caminho e eu o meu – e continuei andando.

Ovas à insensatez, feita no capricho
E não é que o impertinente não me deixava em paz, tentando denegrir as minhas habilidades gastronômicas, principalmente no trato do forno e fogão, mas repelidas de pronto.
– Fique sabendo que vou tirar a limpo essa história de dizer que sabe cozinhar, pois eu acho mesmo que essas receitas você pega e na internet e usa como se fosse um chef de cozinha. Quero ver fazer um prato desses ao vivo, pra todo mundo ver – continuou o insolente.
– Por favor, me deixe em paz, vá perturbar outro de sua turma. Se quiser ler, leia, mas pare de ‘encher o saco’. Tiro as receitas da internet, uma ova – murmurei.
– Isso aí, quero ver se sabe fazer uma ova de peixe, mas pra todo o mundo ver – continuou o petulante.
Conseguiu me desviar e fui pra casa pensando em como dar uma lição nesse inconveniente. Nada melhor do que elaborar e publicar esse prato. Fui à peixaria e consegui comprar umas ovas de pescada amarela, diretamente de Canavieiras. Atenção não é um risoto, mas bem parecido.
Vejam os ingredientes e o preparo:
Ingredientes:
500 g de ovas de pescada
1 cebola pequena picada
2 tomates picados
2 colheres de sopa de polpa de tomate
4 dentes de alho picados
1/2 pimentão em cubos (pequenos)
1 folha de louro
1 colher de sopa de manteiga
4 colheres de sopa de azeite
2 ramos de coentros picados
250 g de arroz
Pitadas de pimenta aroeira
Sal, pimenta do reino
Preparo:
Salgue as ovas e aguarde 30 minutos, enquanto faz um refogado com a cebola, alho, tomate, pimentão, polpa de tomate, louro, azeite e manteiga. Adicione cerca de 1 l de água, deixe ferver e junte as ovas. Quando estas estiverem cozidas, retire para um prato e corte em rodelas grossas, reserve.
Ao caldo de cozer as ovas, junte o arroz, se necessário junte mais água e assim que ferver o coentro. Mais cinco minutos em fogo baixo junte as ovas. Tempere de sal, aroeira e pimenta-do-reino.
Pode servir acompanhada de salada.
Bom apetite e não leve a sério os impertinentes que encontra pelo caminho.
Ferradas, o novo porto de Ilhéus
Walmir Rosário
A mudança ocorria no meio ambiente nos dá conta de que está havendo um esquentamento da terra. Segundo os cientistas, as geleiras estão derretendo, provocando enchentes; o aumento do buraco da camada de ozônio provocando doenças, como o câncer de pele; as secas do Nordeste; enfim, estamos assistindo, presenciando ao vivo e em cores, nem sempre tão coloridas, o cumprimento da profecia: o sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão.
Qualquer aluno bem aplicado lembras das pesquisas feitas no livro de Dantinhas (José Dantas de Andrade) para os trabalhos escolares de 28 de julho – dia da cidade de Itabuna –, da figura de Frei Ludovio de Livorno, o bravo Capelão do glorioso Exército Francês de Napoleão Bonaparte. O religioso franciscano capuchinho que, após cruzar o Atlântico em situações nunca bem esclarecidas, veio bater os costados na inóspita região Sul da Bahia, com o objetivo de catequizar almas para o catolicismo.
Aqui chegando, Frei Ludovico estabeleceu-se em Ferradas, onde se devotou a Nossa Senhora e tratou de conseguir fiéis para a sua religião, seja com orações poderosíssimas, ou através de parábolas que prometiam fazer arder no fogo do inferno quem ousasse desobedecer aos preceitos divinos. E não eram raras as promessas de fim de mundo e, de acordo com o pecado, o frade não esperava sequer o ano 2000, antecipando o castigo.
Desses castigos prometidos a índios, sergipanos, árabes, turcos e libaneses recém-convertidos, um era predileto de Frei Ludovico: o de que Ferradas seria transformada no porto de Ilhéus, dada a qualidade e quantidade de crimes e heresias praticadas nas roças de cacau, abertas às custas da ambição dos mais poderosos e do suor e sangue dos mais fracos e desprotegidos.
Já mudamos de século, de milênio, e nada da profecia creditada a Frei Ludovico e disseminada pelos seus seguidores se cumprida, embora tenha a mais absoluta convicção de que a população do Sul da Bahia e, especialmente a de Itabuna – Ferradas e redondezas – tenha lá deixado de cometer seus pecados. Mais eis que, há pouco tempo, tivemos notícia de que a profecia do santo frade italiano estava prestes a acontecer.
E essa notícia tem cunho científico – se é que podemos acreditar em todos eles – e nos foi dada por uma competente caranguejóloga, durante conferência proferida em Canavieiras, e ainda por cima com o aval do ambientalista Sérgio Ramos, pesquisador abnegado desses crustáceos decápodes, braquiúros, deliciosos, especialmente se acompanhados de cerveja bem gelada. Ante a catástrofe anunciada pela eminente caranguejóloga, de que a destruição dos manguezais provocaria a elevação do nível da água do mar, lembrei-me imediatamente do fim do mundo e do extermínio da humanidade.
Se bem que pela pesquisa dessa especialista, a fúria do mar não seria tão drástica como a que nos noticia a Bíblia, embora ela – a caranguejóloga – tenha sido categórica em dar como favas contadas a submersão da Ilha de Atalaia, em Canavieiras, bem como as terras a 20 léguas de distância, o que, pelos meus cálculos, vem dar em Itabuna. Mas aqui, pela profecia do nosso capuchinho, até que dá para escapar desse dilúvio se alojando nos morros da cidade. O morro do Pau do Urubu, então, de simples e depreciada favela passaria à condição de morada de gente chic, desbancando o Góes Calmon e outros locais menos favorecidos topograficamente.
Como sou pessoa extremamente preocupada com o bem-estar dos amigos, passei um e-mail para o correligionário Tyrone Perrucho, que hoje desfruta da aposentadoria em Canavieiras – mais exatamente na Ilha de Atalaia – apesar dos protestos de FHC pela inatividade precoce. Diante de tão iminente perigo, bem que poderia, junto com os amigos, mudar-se de volta para Itabuna.
Aqui chegando, instalaríamos a “republica canavieirense” num dos privilegiados morros da cidade, ou melhor, numa das melhores praias de Ferradas, com o de que melhor existe na boemia grapiúna. Quem sabe até não seria viável localizar o ABC da Noite, do folclórico Cabloco Alencar, em frente ao Berimbau de Ouro, de seu Neném, outrora músico famoso, e promover aqui um clone ampliado do “Troféu Galeota de Ouro”.
Garanto que, adotadas essas providências, atenderemos a profecia do Frei Ludovico de Livorno, salvamos os caranguejos e outras espécies marinhas, e ainda por cima reuniremos os melhores biriteiros de Itabuna fora do “Beco do Fuxico”.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 28-07-2001
No meio do caminho tinha uns quebra-molas. 151 quebra-molas para ser mais exato

Quebra molas em Valença, cuidado para não perder a conta. Haja disposição para aguentar
A ponte Itacaré-Camamu é uma mão na roda pra quem quer viajar para do litoral Sul da Bahia Salvador via Ferry boat. É quase metade da quilometragem saindo de Ilhéus, em comparação com o trecho BR 101-BR 324.
Uma maravilha, mas a produtora rural Cristiana Neves, que fez o trajeto saindo de Canavieiras, se deu ao trabalho de contar o numero de quebra-molas
E bota número de quebra-molas nisso: entre Canavieiras e Itacaré, passando por Ilhéus são 58 quebra-molas. De Itacaré a Camamu, Alah seja louvado, nenhum quebra-molas, mas entre Camamu e Nazaré das Farinhas são 80 quebra-molas.
Acabou? Ainda não. São mais 13 quebra-molas entre Nazaré e Bom Despacho.
No total, são 151 quebra-molas.
Além da sinalização nem sempre adequada, alguns quebra-molas são tão grandes que não quebram apenas as molas, mas o carro todo.
Os números são impressionantes, mas dada a notória irresponsabilidade de alguns motoristas, os quebra-molas são necessários, ao menos em áreas povoadas, para evitar acidentes e poupar vidas inocentes.
Itabuna está perdendo a sonoridade
Inegavelmente, Itabuna é hoje uma cidade cosmopolita. Mesmo antes de se emancipar, nossos conterrâneos já tinham idéias avançadas, bem diferentes das do restante da população de outras cidades regionais, e isto já bem dito e passado em papel pelos mestres Adelindo Kfoury, José Dantas de Andrade e outros historiadores desta terra.
Como um itabunense por adoção, aqui morando desde os dois anos de idade, ainda me lembro dos imensos quintais do bairro da Conceição, nos tempos que ainda acordávamos com o canto do galo (despertador ou grandes relógios de parede que badalavam a cada hora eram artigos de muito luxo).
Cada um desses chefes de terreiro tinham horários certos para cantar, sem depender de horário de verão, hora de Brasília ou do meridiano de Greenwich, mas estufavam o peito e deitavam sua cantoria no tempo determinado. Nem um minuto a mais ou a menos. Volta e meia sumia um desses galináceos, apreciados devidamente cozidos ao molho pardo e, como mandava o estatuto da malandragem, com a participação do dono.
A pontualidade britânica desses bichos era tamanha que o pessoal que servia o brioso Tiro de Guerra 126 levantava-se ao som do seu galo despertador predileto. Um galo de propriedade de Rodrigo Antonio dos Santos, o Rodrigo Bocão, dublê de tipógrafo e diretor do Botafogo do bairro Conceição, era quem determinava o horário do treino do time. No máximo, cinco minutos depois do galo cantar, lá estavam os fogosos atletas para irem treinar na Desportiva.
Saudades à parte, a Itabuna de hoje, povoada por prédios de apartamentos que varam o azul do céu, não permite mais esse tipo de hábito. Cada um que compre seu despertador, seja o aparelho de um modelo mais chique, vendido por Manolo e Benitez Solla, com garantia a perder de vista, ou nos camelôs da avenida do Cinquentenário e adjacências, com procedência da China antes de ser visitada pelo presidente Lula e comitiva.
Alguns têm sons estridentes, como preferiam os estudantes de antigamente (um amigo meu tinha que colocá-lo numa lata de querosene para conseguir despertar, tamanho o seu sono), ou conhecidos boêmios frequentadores da noite, mas homens responsáveis que não queriam perder a hora do trabalho. Já outros preferem os sons eletrônicos, capazes de perturbar os vizinhos a mais de um quarteirão.
Mas a Itabuna cosmopolita de hoje ainda nos permite arroubos bucólicos, principalmente na periferia, onde as casas possuem quintais generosos, com plantações de hortaliças, generosos pés de jaqueira, mangueiras, pequenas plantações de cana e, como não poderia deixar de ser, um poleiro. Meu amigo Roberto Abjaude, apreciador de um suculento galeto com manjericão e ervas variadas, não dispensa uma criação própria, com aves de raça, selecionadas sob rígidos critérios zootécnicos na granja da Ceplac. Na verdade, Abjaude, como todo libanês que se preza, cria seus galetos para deleite próprio.
Como mora afastado dos vizinhos, seu Roberto Abjaude está livre de problemas com seus vizinhos. A mesma sorte não teve o Dr. Jacó, comerciante do ramo de cacau, também acostumado a criar sua galinhas no quintal de casa, cevadas com generosas quantidades de milho e rações da mais variadas.
Ao se mudar para o centro da cidade, Jacó não abriu mão de manter perto de si sua numerosa criação. Nascido e criado em fazenda, não imaginava ele os aborrecimentos que iria encontrar pela frente, principalmente com seus vizinhos, pessoas urbanas de pouco conhecimento da vida animal. Eram pessoas que não conseguem distinguir uma galinha de um galo. Para eles tudo é frango, de preferência da Sadia, é claro. Quanto mais apreciar a sonoridade dessas aves.
Não deu outra. Jacó foi chamado às falas pelos órgãos competentes e solicitado a desfazer sua criação. Uma a uma, as aves foram sendo sacrificadas. Quem primeiro parou de cantar foi o rei do terreiro, e a cada domingo Jacob se deliciava com uma das galinhas do seu plantel. “P. da V”., nem mesmo os amigos do Alto Beco do Fuxico foram convidados a apreciá-las.
Nesses tempos modernos, parece que as pessoas resolveram abrir uma guerra sem quartel contra a família dos galiformes. Em Canavieiras, uma cidade ainda de médio porte, nos chega a notícia de que o galo em quintal está com os dias contados. Recentemente, uma respeitável senhora da sociedade, incomodada com a cantoria de um desses bichos madrugadores, convocou os préstimos da Justiça para resolver tão importante questão.
O indigitado galináceo teimava em acordar por volta das três da manhã e se punha a cantar até o dia amanhecer, tirando o sossego e a sonolência dos vizinhos. O galo é um dos grandes amigos de um marinheiro aposentado, que cansado das marolas do navio, escolheu Canavieiras para morar até o fim dos seus dias.
Não imaginava o marujo que o sonho de descansar longe do corre-corre das cidades grandes e da tecnologia fossem causar tanta indignação. Além da sonoridade do ilustre galináceo, a respeitável senhora ainda está contra uma invenção de séculos atrás: o fogão de lenha, que além de desatualizado, politicamente incorreto por ajudar a destruir o meio ambiente. E o pior, segundo a senhora, porque perturbava os vizinhos espalhando fumaça alérgica.
Não tenho nada contra a onda de modernidade que assola o planeta, mas não pretendo comer frango de granja pelo resto da vida, muito menos comer uma galinha a molho pardo cozida num forno de microondas. Teimoso que sou, continuo preferindo acordar com o intrépido cantar de um galo, ao ruído impertinente de relógio despertador digital. E no mais, tenho dito!
* Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 28-07-2004
Linha 192 do Samu de Ilhéus é restabelecida

Com o 192 restabelecido, melhora atendimento
A central de atendimentos 192 do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Ilhéus já está funcionando normalmente. Através dos esforços envidados pelo departamento administrativo da saúde e da equipe do Samu, o número já está a disposição da população para a solicitação dos atendimentos.
O número 192 foi desativado – provisoriamente – em função das mudanças das instalações do Samu, da avenida Itabuna para a avenida Litorânea Norte, no bairro do Malhado. Neste período, o serviço continuou funcionando através de um novo número divulgado para a população para o atendimento das emergências.
Segundo o diretor-administrativo do Samu, Edson Freitas, a operadora de telefonia fixa responsável, a OI, alegou problemas de ordem técnica para realizar a instalação da linha, e por isso a demora no restabelecimento do serviço. Edson agradece ainda a compreensão da população neste período, salientando que o serviço 192 já está disponível gratuitamente.
As novas instalações do Samu na avenida Litorânea Norte está localizada estrategicamente e tem como objetivo otimizar e qualificar o atendimento prestado a população de Ilhéus. A mudança foi realizada também para acelerar o processo de regionalização do Samu. A nova sede com demandas específicas eram um dos critérios para a regionalização. O processo já foi iniciado e aprovado junto ao Ministério da Saúde.
A regionalização do Samu de Ilhéus atenderá uma área microrregional com 21 municípios beneficiando um total de 720 mil habitantes. Cidades como Canavieiras, Una, Itacaré e Valença fazem parte dessa microrregião. Todos os municípios integrantes receberão uma ambulância de unidade básica ou de unidade avançada. O Samu de Ilhéus realizará a regulação dos atendimentos nestes municípios, através da central de atendimentos 192.
Sem acordo, limites serão resolvidos na Assembleia Legislativa
Na última quinta-feira (12), durante reunião ocorrida na Fundação Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento do Governo do Estado, juntamente com a Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembleia Legislativa da Bahia e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentaram a nova proposta de atualização das divisas do território do Litoral Sul, depois da realização do trabalho de campo e de compilação dos dados.
No encontro, onde estavam presentes representações dos municípios, Ilhéus e Itabuna assumiram mais uma vez o protagonismo do debate, que envolve, entre outros aspectos, o processo de revisão dos marcos divisórios. De acordo com o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis, Ilhéus e Itabuna, os dois principais municípios do território de identidade, devem internalizar a necessidade de estratégia comum para o desenvolvimento da região, uma vez que a tendência é o aprofundamento da complementariedade das funções urbanas existentes entre as duas cidades.
Durante seu pronunciamento, Geraldo Reis falou sobre a proposta que se transformará em minuta de projeto de lei na Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembleia Legislativa da Bahia. “As novas divisões geográficas põem em jogo litígios econômicos para além das mudanças de pertencimento das comunidades. Contudo, a credibilidade dos critérios técnicos norteadores costumam prevalecer no entendimento final dos atores políticos envolvidos”, declarou Reis, ao citar como referência territórios com o processo já concluído, como Itapetinga e Vitória da Conquista.
Por sua vez, o deputado estadual João Bonfim, autor da Lei de Demarcação e presidente da Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembleia Legislativa, garantiu durante o encontro que a comissão continuará como palco de diálogo para o equacionamento de possíveis divergências. “O projeto de atualização das divisas permite a solução de conflitos ao viabilizar a exposição do contraditório no processo”, defendeu.
Ilhéus não é cenário de novela
Não surpreendem as críticas do Sr. Fábio Feldman ao projeto Porto Sul, mas chama atenção a insistência em argumentos tolos na defesa de uma visão estreita. Apresentando-se como arauto do desenvolvimento sustentável, Feldman apelou a Jorge Amado e Gabriela para criticar um projeto sobre o qual demonstra pouco conhecimento. Aliás, como não é ilheense nem baiano, o autor do artigo parece ser daqueles que ainda imaginam Ilhéus como um cenário de novela, sem problemas e necessidades reais.
Em determinado trecho de seu artigo, Feldman afirma que a cidade precisa enfrentar seus problemas, elevar seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e gerar oportunidades. Sua fantástica sabedoria só não foi suficiente para ensinar como realizar tais proezas.
Somente alguém que conhece muito pouco Ilhéus (se já veio aqui, foi de passagem) é capaz de definir a cidade como uma referência em turismo sustentável. Na verdade, Ilhéus não é referência nem em turismo nem em sustentabilidade. A grande maioria dos turistas que desembarca em nosso aeroporto – que por sinal se chama Jorge Amado – tem como destino as praias da vizinha Itacaré, outros seguem para Canavieiras e muito poucos ficam por aqui.
Ilhéus precisa sim de oportunidades e inclusive de desenvolver um turismo, que ainda é explorado de forma amadora, inclusive pela falta de investimentos. A cidade tem urgência de ampliar seus horizontes, apostar no turismo de negócios e abraçar investimentos que diversifiquem sua economia. O caminho para o progresso não está unicamente no turismo, assim como no passado não estava na cacauicultura. Demorou para nossa região perceber isso. E custou caro.
Feldman é muito amigo do empresário Guilherme Leal, da Natura, e ambos estão unidos contra o Porto Sul. O fato de que o empresário investe em um empreendimento turístico no distrito de Serra Grande e não aceita ser vizinho do Porto Sul não é mera coincidência.
Curso de apicultura em Gandu

A apicultura é uma atividade bastante rentável
A Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, através da gerência regional de Itabuna, realiza, de 7 a 10 de fevereiro, no auditório da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), no município de Gandu, o Curso Básico de Apicultura para técnicos da empresa. O curso tem a finalidade de prepará-los para trabalhar com o manejo, direcionado à produção de mel e, posteriormente, repassar os conhecimentos para os agricultores interessados na prática apícola.
A capacitação será dividida em partes teóricas e práticas. Serão abordados, nas aulas teóricas, temas como biodiversidade, cadeia produtiva, abertura e divisão de enxames, captura das abelhas, manejo de abelhas rainhas, conhecimento de floradas, introdução de cera, beneficiamento do mel, entre outros temas relacionados a apicultura. Os participantes participarão de trabalhos de campo, aprendendo, de forma prática, a fazer a captura de abelhas e as técnicas de manejo.
Participam das aulas, técnicos dos escritórios locais de Ilhéus, Itabuna, Canavieiras, Camamu, Ubaitaba, Camacan, Ibicaraí, Gandu, Valença, Itapebi e Taperoá. O curso será ministrado pelo técnico da EBDA de Itabuna, Paulo Carilo.
SEI vai rever limites territoriais
O projeto de atualização das divisas intermunicipais do estado terá continuidade no dia 31 de janeiro, quando o diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Geraldo Reis, o presidente da Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembléia Legislativa da Bahia, João Bonfim, técnicos da SEI, uma autarquia da Secretaria do Planejamento, e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se reunirão na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus.
O encontro inicia o trabalho de redefinição dos limites territoriais do território de identidade Litoral Sul, composto por 26 municípios, cujas prefeituras foram convidadas pela SEI para participar da reunião, que será realizada no auditório da torre administrativa da UESC (Ilhéus-Ba), 5º andar, às 15h30min. Os municípios que formam o Litoral Sul são Maraú, Ubaitaba, Itacaré, Aurelino Leal, Uruçuca, Itapitanga, Coaraci, Almadina, Floresta Azul, Ibicaraí, Itapé, Itajuípe, Barro Preto/Lomanto Junior, Ilhéus, Itabuna, Buerarema, São José da Vitória, Arataca, Una, Santa Luzia, Canavieiras, Jussari, Itaju do Colônia, Pau Brasil, Camacan e Mascote.
CARTA DE ADELINDO KFOURY

AINDA SOMOS UM IMPÉRIO?
Sempre de quinze em quinze dias gozo momentos de alegria, pois que recebo com pontualidade britânica o exemplar do TABU editado em Canavieiras pelos queridíssimos amigos (mestres com os quais sempre aprendo) Wallace e Tyrone Perrucho e como garantem no frontispício “UM JORNAL SEM PRECONCEITOS”. No seu número mais recente, deparo com transcrição de uma frase do escritor português Eça de Queiroz “os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão”. Como estou justamente dentro do covil onde eles existem, permito-me a ilação das maltraçadas para hoje.
BRASÍLIA:- Uma das primeiras coisas que aprendi nos cursos superiores foi que nossas cidades, na acepção da palavra, surgiram durante o absolutismo. Como então não existiam eleições livres, seus governantes não tinham porque dar satisfações ao povo. Naturalmente que, et pour cause (como dizem os queridos quasenheum leitores eruditos), o Brasil em seus primórdios foi administrado segundo a igualdade de todos diante do Rei. Praticamente em sua maioria os cargos públicos eram alugados ou vendidos, ao sabor dos interesses da Corte. Sendo nosso território de imensas proporções e porque os meios de transporte e comunicações mostravam-se absolutamente precários, era difícil qualquer forma de fiscalização eficiente, obrigando serem nossas cidades e vilas administradas à distância. Tais óbices, porém, não impediam que os impostos seguissem diretamente para Lisboa, mas se tornava “justificativa” ao não retorno em forma de quaisquer benefícios para nós tupiniquins.
Somente após o advento da Independência, o Rio de Janeiro tornou-se lugar para onde convergiam os impostos cobrados nas cidades. Naturalmente que para as cidades geradoras só aconteciam pequenos retornos em formas de serviços, mediante interferência pessoal das oligarquias regionais. Isso mostra-nos sobejamente a História, fez com que as comunidades longe da “Corte” penassem por séculos (desgraçadamente até hoje ainda existam exemplos…) sem elementares serviços públicos.
Ontem na Biblioteca de Brasília, passei a vista num interessante trabalho de M. S. Carvalho Franco tratando de mistura de recursos públicos e privados, sob o título “Homens Livres na Ordem Escravocrata” onde faz citações sobre vereadores que em determinada época do passado emprestavam dinheiro para as obras das cidades, chamando-me atenção quando afirma: … “se retiram do bolso ajuda para os cofres oficiais, eles imaginam ter autorização ética para subtrair dos mesmos cofres o socorro para seus apuros”. Não sei se é o clima aqui da Capital Federal, mas saí dali meio zonzo.
Do Público ao Privado

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? I
Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais, os petistas ilheenses estão assombrados com o que irão dizer aos eleitores. Até agora, a totalidade das promessas feitas em palanques e outros locais eleitoreiros não foi cumprida. Pior do que isso é tentar explicar à população que os constantes engarrafamentos na ponte Lomanto Júnior (Ilhéus-Pontal) têm data marcada para acabar. Não tem marketing político que convença!
A duplicação da BR-415, no trecho Ilhéus-Itabuna, conhecida como avenida Jorge Amado, é outra promessa que tem tirado o sono dos petistas. Primeiro, pelos constantes buracos que teimam em aparecer em toda a extensão da pista, sem nenhuma previsão de reparo; segundo, a falta de ações efetivas para o início da obra, ou mesmo um cronograma convincente para a realização da licitação de projeto, execução, dentre outras providências.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? II
A reforma do prédio da Biblioteca Municipal é uma das promessas feitas pelo governador e no rol das esquecidas
Levado a visitar o prédio do antigo colégio General Osório, onde funcionava até há pouco tempo a Biblioteca Municipal, o governador Jaques Wagner não se fez de rogado e tascou mais uma promessa a Ilhéus: a reforma completa. E ressaltou a responsabilidade do Governo do Estado, que possuía técnicos de gabarito para trabalhar toda a estrutura, bem como os detalhes arquitetônicos do prédio.
Até o presente momento o município continua com o prédio ameaçado, diante da inércia do governador Jaques Wagner. O mesmo destino teve a promessa de construir o semianel rodoviário de Ilhéus, que não conseguiu sair do palanque para a prancheta dos arquitetos e engenheiros. A cada dia que passa aumenta o número de veículos circulando em Ilhéus, muitos deles utilizando o centro da cidade apenas como passagem para outras cidades, atazanando a vida dos moradores.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? III
A pobreza de realizações do Governo do Estado em Ilhéus contrasta ao extremo com a publicidade oficial nas emissoras de rádio e televisão mostrando as obras executadas pelo governo baiano, mas só que em outras cidades. São as realizações que ninguém conhece, mas são apresentadas por atores e outros personagens retirados do meio do povo, mas que recebe uma imersão de 40 dias num curso de teatro. Haja elogio!
Em Ilhéus, o povo já está tomando como afronta os outdoors elogiando a implantação da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba), cuja sede será implanta em Itabuna. Enquanto isso, a reforma do prédio do Departamento de Polícia Técnica (DPT) se arrasta por anos a fio. Os distritos de Ilhéus também passam por total insegurança, sem nenhuma providência à vista, apesar das inúmeras reivindicações feitas pela população e os poderes públicos.
O POVO JÁ VIU ESSE FILME
Agora, com a proximidade das eleições, é chegada a hora das autoridades estaduais voltarem às cidades para pedir votos para seus candidatos, prometendo, como contrapartida, realizações como nunca feitas. As promessas não cumpridas passam a ser renovadas, só que com outras agendas para realizar as providências necessárias ao andamento dos pleitos.
Mas nada disso importa para os políticos experientes que sabem como se entender com o eleitor, pedir desculpas pelas possíveis falhas cometidas e a promessa de renovar os votos de esperança para futuro cumprimento. E assim vai rolando a dívida feita e sem qualquer perspectiva de pagamento por parte das autoridades. Mas o povo aguenta.
JAQUES WAGNER DESAGRADA ATÉ O PT
As constantes promessas feitas e não cumpridas tem causado um profundo mal-estar entre os participantes da base eleitoral do governador baiano. E isso não fica restrito aos militantes dos partidos aliados, cansados de anunciar as promessas do governador para Ilhéus e não ter como explicar à sociedade o não cumprimento. Os militantes do PT, partido do governador, já não aguentam mais.
Recentemente, o vereador Paulo Carqueija discursou em plenário cobrando as ações do governador, além de ir a Salvador protocolar, na governadoria, documento cobrando as promessas não cumpridas por Jaques Wagner. Recebido com “tapinhas nas costas” e elogios pela independência pelo desempenho do mandato legislativo em favor do povo, não viu acontecer uma reles ação governamental para Ilhéus.
Na certa estão aguardando uma cobrança maior.
A MESMA CARA…

Câmara de Itabuna
Os vereadores de Itabuna e Ilhéus vêm fazendo de tudo para tentar se consagrar como o pior dos dois legislativos. É o Clóvis Loiola (de péssima lembrança) que está fazendo história e alunos. Todas as mazelas feitas na câmara dos “papa-jaca” estão sendo seguidas à risca pela câmara dos “papa-caranguejo”, pelo menos no tocante aos desmandos praticados com o suado dinheiro dos contribuintes.
Em Itabuna, pelo menos por enquanto, Clóvis Loiola continuar desfilando nem tão garbosamente como antes, mas se apresenta como um poço de virtude e moralidade, com a maior dissimulação, tentando aparentar que nada de errado cometeu. Ao tentar se defender das primeiras acusações, saiu-se com o discurso tosco de que estaria sendo vítima de ação de “inimigos”, por ser um homem do povo, que mesmo sem letras conseguiu subir na vida.
…OS MESMOS DEFEITOS
Em Itabuna, pelo menos, o discurso não pegou e Clóvis Loiola continua vereador, apesar de ter perdido a presidência da mesa diretora, no melhor estilo “vão os anéis, ficam os dedos”, ou seja: dos males o menor. Em Ilhéus, operação abafa de estilo idêntico para defender da cassação o presidente Edvaldo Nascimento, o conhecido Dinho Gás, acusado de ter “metido os pés pelas mãos” em relação às finanças do legislativo.
“FANTASMAS CONHECIDOS”
Uma simples verificação nas contas do legislativo ilheense no Tribunal de Contas dos Municípios, feita pelo vereador Paulo Carqueija (PT), identificou uma folha de pagamento de pessoal fora dos padrões, sem qualquer “amarração” com as leis que regem a contratação de pessoal, sejam do quadro funcional estável ou os conhecidos cargos de confiança.
A denúncia do vereador caiu como uma “bomba” e já se dava como “favas contadas” a cassação do mandato do vereador-presidente, pela gravidade que a denúncia representava. De novo, o presidente e alguns dos vereadores ligados ao grupo que representa se valem do singelo argumento utilizado anteriormente por Loiola, dando conta de uma retaliação à falta de intelectualidade de Dinho Gás. Quanta Pobreza de espírito!
“FANTASMINHAS CAMARADAS”
Após uma análise perfunctória dos nomes – que incluía até Regina Duarte, não a atriz –, se descobriu que os “fantasmas” eram conhecidos, ou melhor, poderiam ser chamados de “camaradas”, dada a proximidade com a família do presidente Dinho Gás. Mesmo com todas as evidências, as suspeitas recaíram sobre uma pessoal da confiança (será?) do presidente: o tesoureiro teria cometido um deslize e traído a confiança depositada, elaborando uma longa lista de pessoal, coisa acima de R$ 80 por mês, pagos com cheques do Legislativo.
Acuado, o tesoureiro acusou o irmão do presidente da Câmara de ter lhe passado a lista com os nomes das pessoas aquinhoadas com a amizade presidencial, que em troca seriam beneficiadas com parte da grana. Simples, não fosse a perspicácia do vereador Paulo Carqueija em cotejar todas as leis que criavam cargos e a folha de pagamento. Não deu outra, tinha “gato na tuba” do presidente Dinho.
AUDITORIA FAZ DE CONTA
Sem grandes novidades, o relatório da Comissão de Sindicância da Câmara de Ilhéus, como era de se esperar, mostra que realmente houve culpa, mas não do presidente e aponta para um “mordomo” para levar a culpa: José Ágdo Oliveira da Silva. Para o servidor não “botar a boca no mundo”, acrescentam outro participante do crime, o irmão do presidente Dinho Gás, João Nascimento, além do culpado mais notório: a imprensa.
Convém agora o presidente da Câmara de Ilhéus explicar o que fazia o seu irmão mandando e desmandando no âmago do legislativo, cometendo crimes contra o patrimônio público. Enquanto não se explica, providenciou o imediato afastamento dos quadros de cargos comissionados do “servidor culpado”, nada disse sobre os “fantasminhas camaradas” serem seus vizinhos (do presidente), e ainda deu o caso como encerrado. Resta agora manter o “espírito de corpo” para deixar tudo como está.
Esta é a vida fácil das nossas autoridades.
MARCHA DE PREFEITOS I

Luiz Caetano, presidente da UPB
Em busca de uma reposta para as demandas municipalistas entregue ao Governo do Estado no primeiro semestre deste ano, os prefeitos baianos, sob o comando da União dos Municípios da Bahia (UPB), marcharão rumo à governadoria do estado para conversarem com o governador Jaques Wagner. A data da caminhada será definida no dia 12 de setembro em assembleia geral na sede da UPB.
“Dia 12 realizaremos uma grande assembleia com todos os prefeitos lá na UPB. Neste dia, além de debatermos nossas dificuldades municipalistas e definirmos nossa mobilização em Brasília nos dias 13 e 14 para pressionar a votação dos royalties do petróleo, também vamos aprovar uma data para caminharmos rumo à governadoria. Já falei com Wagner que iremos em marcha até lá cobrar os convênios que muitos municípios assinaram com o governo”, afirmou Luiz Caetano, presidente da UPB.
MARCHA DE PREFEITOS II
As demandas dos prefeitos desse Brasil afora extrapolam e chegam a cúmulo de pedir a extinção de muitas leis destinadas ao controle orçamentário e fiscal. Em parte, os prefeitos têm razão, pois estimulados que são pelas ações (nefastas, por sinal) vinda do Governo Federal, a exemplo da contratação sem concorrência de obras destinadas à realização da Copa do Mundo de 2014.
Após tanto tempo fazendo marketing da conquista de realizar uma Copa do Mundo no Brasil, o Governo Federal esqueceu (de propósito, claro) de iniciar os procedimentos legais para a construção e reforma dos estádios onde deverão ocorrer os jogos. Ora, se o Governo Federal pode assim proceder; se o Governo do Estado pode realizar contratações através de “redas”; os municípios também devem ser liberados para também praticados seus desmandos. Se a constituição diz que todos são iguais…
DIREÇÃO DA CEPLAC
O administrador de empresa e técnico em agropecuária Eliezer Correia poderá tomar posse esta semana como superintendente regional para a Bahia, em substituição ao engenheiro agrônomo Antônio Zózimo. Os membros integrantes da atual superintendência – liderados por Zózimo – pediram exoneração dos cargos que exercem, para surpresa geral.
O grande problema, segundo notícias, seria a falta de recursos – financeiros e materiais – para a realização dos projetos em curso. Mas, na realidade, o problema é outro e de ordem política. A ingerência na Ceplac é grande e é atende pelo nome e sobrenome do deputado federal Geraldo Simões, que age como seu fosse seu feudo.
O grupo mostrou larga competência para administrar a Ceplac, que foi condenada a “morrer” de inanição, por falta da contratação de pessoal, tanto da área administrativa como científica.
BOA NOTÍCIA
A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou esta semana o Projeto de Lei 7473/10, do deputado licenciado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que obriga as empresas concessionárias de serviços públicos a devolver ao consumidor os valores referentes ao PIS e à Cofins repassados às suas tarifas. Pelo projeto, a obrigação se aplica às prestadoras dos serviços de telefonia, fixa ou móvel, de energia elétrica e de água e saneamento. Os valores devolvidos seriam atualizados monetariamente, pela taxa Selic, e ressarcidos em até seis parcelas mensais e consecutivas.
O relator da proposta, deputado Gean Loureiro (PMDB-SC), defendeu a aprovação do texto. Ele ressaltou que hoje as empresas não revelam aos consumidores a cobrança, o que constitui afronta ao dever de informar a composição e o preço de produtos e serviços. O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) prevê essa obrigação, de forma que o cliente possa contestar a tarifa. Loureiro também destacou que há insegurança jurídica no setor e falta base legal para a cobrança. Ele citou decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, em 2008, considerou abusivo o repasse do PIS e da Cofins para as tarifas.
CONTAM POR AÍ…
Quando governador, Paulo Souto gostava passar os fins de semana na pacata Canavieiras, cidade em que podia circular livremente sem as constantes “aporrinhações” da vida política, com pessoas lhe parando nas ruas para pedir benesses, que vão desde o emprego para si e parentes até a construção de obras e serviços que trouxessem os benefícios, como costumeiramente precisava se esquivar, deixando esse mister para os assessores mais chegados, treinados para deixar importunar o governador.
Na maioria das vezes, entretanto, o governador teria de desembarcar em Ilhéus, por conta da falta de condições e segurança para pousar no aeroporto de Canavieiras. Nesses casos, o hoje aeroporto Jorge Amado era a solução. Só que, para o desespero de Paulo Souto, pessoa recatada, a chegada do avião do governador era um acontecimento, visto que também “era ilheense”, cidade que morou por muitos anos, estudando e trabalhando como radialista e geólogo.
Nesta época, o prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro, conhecedor dos hábitos de Paulo Souto, alertou seus amigos que trabalhavam no aeroporto – desde os motoristas de táxis, carregadores e funcionários da Infraero – de avisá-lo imediatamente sobre a chegada do avião governamental. E os pedidos do prefeito eram consideradas ordens, não podiam deixar de ser cumpridas.
Às sextas-feiras, como eram de costume, os telefonemas disparavam para o Palácio Paranaguá: “O avião do governador está com previsão de aterrissagem para tantas horas”. Imediatamente, o prefeito se desincumbia dos seus afazeres, apressava as audiências concedidas para estar no aeroporto antes do avião aterrissar. Afinal, ficava bem receber o governador na porta do avião.
Não só pela gentileza demonstrada, mas era preciso também mostrar à população que desfrutava de grande prestígio junto ao governador. Era o máximo e, imediatamente os fotógrafos eram colocados a postos para flagrar os momentos mais importantes, o cumprimento ainda na pequena escada da aeronave. Enquanto os flashes pipocavam, os radialistas entravam “ao vivo” nas programações das emissoras para documentar a cena, revelando aos “queridos ouvintes” a preocupação do prefeito em receber o governador na intimidade, ocasiões mais do que propícias para numa conversa de “pé-de-orelha” tratar das reivindicações para Ilhéus.
Por mais que o governador Paulo Souto se esquivasse desses encontros nos fins de semana, a perspicácia de Jabes Ribeiro não permitia. “Espiões” a postos, não dava outra, assim que o piloto da governadoria preenchia o plano de voo em Salvador, os telefonemas disparavam e o prefeito se aprontava para a recepção semanal. Era a glória.
Num desses fins de semana, a agenda do governador era outra e sua passagem por Ilhéus tinha como finalidade apoiar outro candidato a prefeito para Ilhéus, o que seria decidido num lauto almoço na residência do então deputado federal Roland Lavigne. Desta vez – pensava o governador –, estaria livre para conversar sobre a política ilheense, pois, além de adversário político, seu anfitrião era considerado inimigo de Jabes. Enfim, a conversa seria longa, definitiva e bastante proveitosa.
Antes, porém tomou todas as precauções para desembarcar em Ilhéus longe dos olhares curiosos e vigilantes dos amigos do prefeito. Dito e feito, chega o avião, o governador desembarca e embarca num carro enviado por Roland Lavigne para conduzir Paulo Souto até sua residência. Como sempre, o serviço de informação municipal funcionou.
Sem perder a elegância, Jabes Ribeiro se dirige à residência de Roland Lavigne, toca a campainha, e como se convidado fosse, se apresenta para uma conversa institucional, republicana, como diriam os petistas. E a situação realmente permitia, pois estavam juntos nada menos do que o prefeito de Ilhéus, o governador da Bahia e o deputado federal por Ilhéus, Roland Lavigne.
Um whisky de entrada, vinhos durante o almoço e Jabes se desmanchava em gentilezas (fora das vistas dos eleitores) com o anfitrião e o governador, não permitindo que ambos discutissem a sucessão ilheense. Barrigas cheias – fome saciada, melhor dizendo – as visitas se despedem e cada um procura seu destino: Roland continua em casa, o governador se dirige a Canavieiras e Jabes desfila pelas ruas de Ilhéus de volta ao Palácio Paranaguá.
Moral da história: O político não dever perder a fleuma e considerar a oposição como adversária, apenas, e não inimiga.




