CIA DA NOTÍCIA

Posts Tagged ‘casas legislativas’

Os vereadores na berlinda

Walmir Rosário

A cada eleição das casas legislativas em todo o Brasil é muito comum pipocarem frequentes denúncias de corrupção eleitoral. A mais comum delas é a famosa compra de votos, ato dos mais repudiados num regime democrático. Em Itabuna não é diferente e a cada eleição da Mesa Diretora da Câmara os cochichos deixam os bastidores, gabinetes refrigerados e corredores e ganham as ruas.

A imprensa –  rádio TV e jornal – nada mais faz do que reverberar a voz rouca das ruas, como costumava dizer o velho caudilho Leonel Brizola. Entretanto, nem sempre a verdade aparece, pelo simples motivo de que faltam provas materiais para caracterizar o fato. Neste caso, a denúncia continua nas conjecturas, nos indícios. Afinal, não se corrompe de papel passado, com recibo assinado e assinatura reconhecida em cartório.

Geralmente esses acertos são tramados entre quatro paredes, na solidão de duas pessoas, de preferência longe de ouvidos atentos e olhares indiscretos. Melhor, eram! Com a banalização do crime, em muitos casos advinda da impunidade, ética se transformou em utopia, coisa de quem não tem o que fazer e não sabe se comportar nos novos tempos em que impera o pragmatismo.

Não é preciso se recorrer ao brilhante trabalho do mestre baiano Ruy Barbosa, Oração aos Moços, para nos certificarmos da mudança de atitude da população, ávida por levar vantagem em tudo. O famoso jeitinho brasileiro não é invenção nossa e veio parar nestas terras por passageiros e tripulantes das caravelas de Cabral ao singrar os mares nunca dantes navegados. A história nos mostra ser o jeitinho brasileiro um mal também presente em todo o mundo, mudando apenas a nacionalidade dos corruptos e os níveis de voracidade.

Essa população descrente no fazer justiça aos poderosos acostumou-se a assistir, ao vivo, via canais de TV, os escândalos de Brasília protagonizados pelos políticos. Volta e meia os aficionados pela política nem ligam mais para os resultados, pois já estarão ligados na denúncia seguinte. Nem mesmo companheiros encontram mais motivação para uma aposta sobre o resultado dos processos de cassação.

Neste diapasão, a sociedade firma um pacto social negativo com determinados setores políticos, em que uma parte (os políticos) finge de defensor da moralidade e dos bons costumes, enquanto o outro lado (os cidadãos) finge que acredita. E o resultado desta relação promíscua e incestuosa é a inversão dos valores sociais e morais que estamos acostumados a ver.

Antes, a máxima atribuída ao ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, o do  “rouba mas faz”, era tida e havida como uma permissividade natural na classe política, na qual se apropriar do dinheiro público deixava de ser crime desde que o indigitado também trabalhasse. Hoje nem mesmo atrás desse biombo eles se escondem e cometem crimes contra o erário sem a menor desfaçatez.

Mas, o que têm os vereadores de Itabuna com isso? Para muitos, nada. Para outros, é tudo farinha do mesmo saco. Claro que discordo desta análise superficial e feita de forma açodada, afinal, qualquer grupo é formado por pessoas de comportamentos e caráter diferentes. O ditado “À mulher de Cezar não basta ser honesta, também precisa parecer honesta” cabe em qualquer situação ou organização.

Neste caso, é preciso que a Mesa Diretora da Câmara de Itabuna tome medidas urgentes para apurar as denúncias feita por um dos seus pares, de que o processo eleitoral para sua direção foi eivado de vícios, de corrupção. Segundo o vereador, ele mesmo foi insistentemente procurado para fazer conchavos em troca de vantagens pecuniárias para simplesmente não comparecer ao pleito.

E foi além, afirmando que outro colega seu recebeu grande soma em dinheiro para votar em determinada chapa, fato este que se reveste de grande gravidade e responsabilidade, portanto, merece pronto esclarecimento. Esse vereador não pediu segrego, fez a denúncia num programa de rádio líder de audiência, e foi além: afirmou estar juntando documentos para apresentar denúncia formal ao Ministério Público.

Diante da gravidade do caso, urge esclarecimentos por parte da direção da Câmara de Itabuna, integrada por pessoas de reconhecida reputação ilibada, mas que devem explicações à sociedade. Espera-se que as medidas cabíveis sejam tomadas, independente das pessoas envolvidas, para que a verdade seja estabelecida. Se o vereador denunciante apresentar as provas, não restará aos vereadores pedir a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) e ao Ministério Público a abertura de ações judiciais. Caso o vereador tenha feito a denúncia apenas com o intuito de enxovalhar seus pares, que pague o preço da irresponsabilidade com a cassação.
No mínimo é o que se espera!

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 11-11-2006

Prudência e caldo de galinha…

Walmir Rosário

A Câmara de Ilhéus é uma das últimas casas legislativas a eleger sua Mesa Diretora. E o processo eleitoral é um dos mais complicados, deixando os analistas políticos impedidos de arriscar o resultado por antecipação, embora se vislumbre. O jogo político jogado nos bastidores é complexo, dado o grande número de interesses em jogo.

Para início de conversa, não existem dois lados – situação e oposição –, mas uma divisão de grupos, cujas motivações vão desde a afinidade pessoal até as oportunidades criadas com o resultado das últimas eleições. E como a vitória de Jaques Wagner vem tornando a decisão mais difícil!

Não se trata de incursões do governador eleito ou do seu staff junto aos legisladores ilheenses, mas do que espera o presidente eleito desfrutar em termos de benesses advindas do Palácio de Ondina. Em princípio, não comungo essa ideia, pois todos os esforços nesse sentido caberão ao Executivo Municipal, a quem compete formular as parcerias.

O que considero mais estranho no processo eleitoral do Legislativo ilheense é que o seu desfecho está, de certo modo, fora do alcance da Casa Legislativa, dependendo dos líderes políticos que já exerceram cargos majoritários no Município e/ou no Parlamento Federal. Têm esses políticos o dever de restabelecer um debate político de forma mais ampla, o que não vem acontecendo.

Essa responsabilidade recai exatamente sob os ombros de Jabes Ribeiro, político com amplo currículo, capaz de fazer inveja em muitos dos detentores de mandatos. Jabes, não custa relembrar, exerceu a vice-liderança do PSDB no Congresso, quando o líder era o então senador José Serra, tendo, portanto, estofo, jogo de cintura, sabedoria. Melhor dizendo: sabe onde as cobras dormem.

Derrotado nas últimas eleições, quando pleiteava uma vaga na Assembléia Legislativa, Jabes Ribeiro entrou em hibernação e faz ouvidos de mercador quando incitado a falar sobre o seu futuro político. Mesmo que somente seja para esclarecer as fofocas de bastidores dando conta de sua saída do PFL e a volta ao PMDB, antigo reduto, embora aí também tenha adversários encastelados. Mas nada muito significativo, pois a política é a arte de quebrar lanças… Ou como dizia o caudilho Leonel Brizola: “A arte de engolir sapos”.

O silêncio obsequioso de Jabes Ribeiro pode até ajudar suas conversas com o travesseiro, mas em nada contribui para o futuro de Ilhéus, especialmente após a derrota do grupo carlista, do qual atualmente faz parte. Não acredito que a inteligência de Jabes seja direcionada para a política de terra arrasada, na qual os valores se invertem, privilegiando-se o “quanto pior, melhor”.

Ao longo desses últimos dois anos, Jabes tem repetido que Ilhéus fez uma escolha e, embora não tenha sido a melhor, a população vai ter de aguentar os quatro anos. Embora não tenha feito um exercício de futurologia, é certo que Jabes utilizou as assertivas da lógica para elaborar a sua proposição, o que vem se confirmando.

Apesar de negar com veemência a sua participação nesse processo, ninguém, de sã consciência, jamais ousaria atestar sua falta de interesse em tão importante pleito. Ainda mais, tratando-se da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2007/08, período preparatório para as eleições municipais.

O que interessa ao político Jabes Ribeiro? Manter-se alheio e omisso ao cenário político ilheense? Não é fácil acreditar numa decisão desse calibre, até porque ele já deu demonstrações claras de que seu apoio seria dado ao vereador Jailson Nascimento.

Por sua vez, Jailson Nascimento também é o candidato preferido dos vereadores petistas, não porque acreditem ser esse vereador o melhor e o mais indicado, mas para seguir o que está escrito na cartilha do PT. Isto quer dizer que o PT  fechou questão e é tradição a obediência da bancada após a aprovação.

Tiraria algum proveito político Jabes Ribeiro fazer essa aliança com o PT, por mais pontual que seja? Hegemônico, o PT não abriria mão da candidatura majoritária, nem mesmo abriria algum espaço para Jabes Ribeiro, por conhecer sobejamente seu potencial nos vários embates políticos realizados no decorrer destes anos.

Como diz o ditado: “Gato escaldado de água fria tem medo”. E o PT de Ilhéus não iria incorrer num primarismo sem precedentes.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 25-11-2006

Taxa do cheque especial aumenta em agosto
 
A taxa média do cheque especial nos bancos em agosto foi de 13,52% ao mês (a.m.), alta de 0,06 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo pesquisa do Procon de São Paulo. A maior alta foi encontrada no Banco do Brasil
 
LEIA MAIS
 
Artista canavieirense se inspira nas belezas naturais de sua terra
Aos 35 anos, quatro dos quais dedicados à arte, Thiago tem despertado a atenção de turistas e nativos pela simplicidade de seus trabalho, com traços e entalhes precisos, retratando animais do bioma Mata Atlântica.
 
LEIA MAIS
Alto Beco do Fuxico festeja seus 30 anos
 
Saudosismo, amizade, cachaça da boa, cerveja bem gelada, mocofato preparado por Danilo, música de todos os gêneros e para atender todos os gostos. Esse foi o combustível que moveu membros da Confraria do Alto Beco do Fuxico, os acadêmicos da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopia e Etc. (Alambique), além de outros frequentadores do Alto Beco do Fuxico.
 
LEIA MAIS