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Nenhum laço foi cortado

Walmir Rosário

Nestes últimos cinco anos o município de Ilhéus vem passando por um período de pobreza extrema. Não sei se é justo comparar, mas lembra muito a crise desencadeada pela introdução da vassoura-de-bruxa na região cacaueira da Bahia. Só que desta vez a miséria não reinou absoluta como antes, maltratando perversamente todos os segmentos da economia regional, mas atingindo diretamente o setor público, responsável pelo desenvolvimento social da comunidade.

E Ilhéus reunia todas as condições econômicas e políticas para se transformar na “bola da vez” do Sul da Bahia, voltando a desfrutar do título de “Princesinha do Sul”, da época dos coronéis do cacau, quando esbanjava riqueza, histórias e estórias. Pasmem os senhores, reunidas todas as condições favoráveis, a exemplo de ser destacada nas revistas econômicas como uma dos 100 melhores municípios para receber investimentos e, ainda por cima, sediar megaempreendimentos como o Complexo Intermodal do Porto Sul e suas variantes, Zona de Processamento e Exportação (ZPE), dentre outros projetos.

Como já disse acima, com as variáveis e pontos fortes favoráveis nas áreas econômicas e políticas, as autoridades de Ilhéus não conseguiram “cortar nenhum laço de fita” para inaugurar uma só obra, por mais ínfima que fosse. E não foi por falta de amizade, afinal, o prefeito Newton Lima sempre foi ressaltado pelo governador Jaques Wagner como um correligionário de primeira hora, daqueles que “comeram poeira na estrada”, um companheiro comprometido com as causas de Ilhéus, a cidade mais bonita da Bahia, como se referia costumeiramente o governador Wagner.

E olha que o “dever de casa” foi feito com todo o carinho pelo prefeito Newton Lima e retribuído pela população ilheense com uma avalanche de votos, contribuindo diretamente para alçar Wagner a cargo de mais alto mandatário da Bahia. E a história se repetiu – mesmo não sendo em forma de farsa – na eleição seguinte, o que garantiu sua permanência no cargo com novo mandato. Diversos compromissos de retribuição da generosidade ilheense foram prometidos, porém todos eles em vão, sem qualquer reciprocidade. Mão de via única.

O que teria faltado para que o governador pudesse cumprir seus compromissos, feitos em praça pública para quem quisesse ouvir? Incapacidade de execução por falta recursos orçamentários e financeiros do Estado para investir em Ilhéus? Dificuldades por falta de tempo para elaborar e operacionalizar os projetos? Não creio, pois a vontade política sempre prevalece. Quando é vontade do “rei”, os técnicos se debruçam sobre o problema e conseguem viabilizar o mais intricado obstáculo.

Há quem afirme ser simples ingratidão, afinal, as palavras ditas o vento as leva, as gravadas podem ser esquecidas, as impressas apagadas ou incompreendidas. Foi-se o tempo em que prevalecia a palavra do político, o compromisso assinado simbolicamente através de um “fio do bigode”. Uma prova viva e resistente da promessa política é a antiga ponte Lomanto Júnior, que liga o centro da cidade ao bairro do Pontal, realizada e cumprida pelo governador Antônio Lomanto Júnior, que faz parte de uma saga de político em extinção.

Agora, se pergunta o ilheense: qual o motivo de tamanha ingratidão com uma cidade que foi determinante nas suas duas eleições? Recursos, com certeza não foram fator impeditivo, mesmo porque as edições do Diário Oficial do Estado as notícias elaboradas pela Secretaria de Comunicação do Estado e publicadas nos veículos de comunicação da Bahia mostram os benefícios concedidos a outras cidades de diferentes regiões. Há até quem diz que gostaria de morar na propaganda do governo Wagner, recusando-se a acreditar que essas obras e serviços são executados priorizando esses locais em detrimento de Ilhéus.

Lembro-me bem que a omissão do governador Jaques Wagner tem revoltado insistentemente os ilheenses dos mais diversos credos e matizes, a ponto de um vereador do Partido dos Trabalhadores (PT), Paulo Carqueija, cobrar, através de ofício da Câmara Municipal, a execução das constantes promessas feitas pelo governador ao povo de Ilhéus. Mesmo assim, a resposta elaborada pela assessoria do Palácio de Ondina foi insípida, insossa, desinteressante e, porque não dizer: desrespeitosa.

Ilhéus, que durante anos a fio perdeu muito dos equipamentos e negócios que mantinha, agora está na iminência de ver passar em brancas nuvens as obras e serviços prometidos, como se nenhuma relação de compromisso existisse. Prova concreta é a desativação do Centro Social Urbano (CSU), do Batalhão da Polícia Militar, o segundo mais antigo da Bahia. Nessa esteira do descaso por certo outros equipamentos estarão condenados a sucumbir, apesar da necessidade imperiosa dos serviços que prestaram e que poderiam continuar prestando.

Palavras semeadas ao vento foram responsáveis pelo abandono do histórico prédio da antiga Escola General Osório, hoje destinada a abrigar a Biblioteca Pública Municipal Adonias Filho e o Arquivo Público Municipal João Mangabeira. Mais uma vez, dirigindo discurso ao povo de Ilhéus, garantiu a vinda de técnicos especialistas para a sua recuperação. Cobrado diversas vezes, de forma dissimulada agendou novas datas, reafirmou seu amor por Ilhéus e recebeu as palmas da plateia. Por qual motivo juro que não sei.

Entre as obras prometidas, o Departamento de Polícia Técnica (DPT) é uma das que saiu do papel, mas que continua sendo um elefante branco, sem qualquer serventia. Se partirmos para a educação, a lástima é total, sem o acréscimo de uma sala, embora nessa área, sejamos justos, tenha feito muita raiva aos professores; o asfalto para Ilhéus, cuja promessa de executar tenha ultrapassado as marcas da promessa, fazendo-a ao prefeito atual e ao eleito.

Embora mantenha a Superintendência Industrial e Comercial (Sudic) em Ilhéus, não move uma palha para ampliar e manter o Distrito Industrial; a duplicação da BR-415 entre Ilhéus e Itabuna é outra eterna promessa; a Ilhéus-Itacaré, construída por Paulo Souto e considerada estrada modelo do Brasil, tem mais buracos do que mangues vizinhos (deve ser para criar guaiamum e mantê-la como ecológica); sem falar no interminável porto pesqueiro administrado pela Bahia Pesca.

Como se pode perceber, nenhum laço de fita em inauguração foi cortado por Jaques Wagner, porém, outros laços, de afetividade e de amizade do governador com o ilheense com o governo por certo serão cortados (rompidos) de forma drástica e não será por culpa do eleitor.

Jornalista, advogado e editor do site www.ciadanoticia.com.br

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