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Mandioca, o exemplo que vem do Sul

Na minha rotina diária em busca de boas informações, encontrei na Gazeta do Povo, de Curitiba – jornal que reputo como um dos melhores do país – uma matéria sobre gastronomia, abordando um restaurante em Florianópolis (Santa Catarina). O restaurante trabalha com cardápio tipicamente nordestino e os pratos são de dar água na boca: feitos com mandioca, macaxeira ou aipim, nome dado conforme a região.

Bem que poderíamos dispor de um restaurante deste estilo aqui por nossa Bahia, mas pelo que já pesquisei, ainda não nos é possível degustarmos todas essas especialidades, com incursões em pratos da cultura japonesa, francesa, e por países afora. Gostas de sushi? O arroz, preferência dos nossos amigos japoneses é substituído por tapioca. Pelo que informa a reportagem, fica uma delícia.

A Oka de Maní (nome do restaurante) foi idealizado pelo casal de cearenses Samilla Paiva e Roberto Duarte para trabalhar exclusivamente com a matéria-prima mandioca, raiz 100% brasileira. Mais do que uma tapiocaria, o restaurante se destaca pelo mix culinário ao gosto da grande maioria dos clientes, inclusive daqueles que têm restrições ao uso do glúten na alimentação.

Se os pratos agradam aos mais exigentes paladares, as bebidas não ficam longe disso e as cachaças feitas a partir da mandioca também já estão se incorporando aos mais exigentes paladares dos “manezinhos” (como são conhecidos os nativos da ilha) outros moradores e visitantes. Elas são trazidas do Pará, como de jambu, responsável pelo famoso formigamento do paladar, e a tiquina, cachaça de mandioca curtida na folha de tangerina, trazida do Maranhão.

Eu poderia escrevinhar mais algumas dezenas de mal traçadas linhas sobre a gastronomia – o que muito me apraz – mas aqui o que interessa é mostrar que poderemos utilizar coisas nossas com sucesso. E, mas que isso, contribuir para o desenvolvimento de nossa agricultura, com resultados econômicos altamente positivos para todo o Brasil, substituindo o trigo, por exemplo.

De antemão, aviso: não sou contra a importação desse produto que ainda não somos autossuficientes. Nada de xenofobia contra os “hermanos” argentinos ou outros que exportem esse produto, pelo contrário, gosto de pães e macarrões fabricados com o trigo, famoso até na Bíblia Sagrada. Trago no DNA a lembrança das culturas portuguesa e italiana, tanto que não dispenso massas em geral, notadamente uma boa pizza.

Na verdade, me refiro às questões econômicas e a tecnologia que dispomos para substituir o trigo – ou pelo menos parte dele – na nossa riquíssima culinária, tão criativa, gostosa e capaz de agradar paladares de todo o mundo. E a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já provou, através das pesquisas dos seus cientistas, que isso é perfeitamente possível.

O pão nosso de cada dia é um belo exemplo e poderia ser adquirido nas padarias mais conceituadas de nosso país a preços mais baixos, caso fosse introduzida a farinha de mandioca na sua feitura. Com essa providência, não teríamos que ouvir, ver e ler na imprensa que a alta do preço de nossos pãezinhos é apenas consequência do reajuste do preço do trigo. Nos livraríamos desse lugar comum.

Garantem os pesquisadores que a mudança ou introdução da farinha de mandioca em nada alteraria o paladar do pão, o que é uma notícia alvissareira para quem não dispensa o seu consumo diário. A adição de fécula de mandioca à farinha de trigo é tecnicamente possível, como já ficou comprovado e demonstrado país afora, e a fécula atuaria na mistura como um diluidor do glúten presente no trigo.

Mas o que a ciência foi capaz de demonstrar, os políticos foram mestres em esconder, atrapalhar, não se sabe com qual interesse, mas é certo que a mistura da fécula de mandioca ao trigo para a confecção dos pãezinhos foi vetada pelo presidente Lula e o veto mantido pelo Congresso que antes aprovara o projeto. E o argumento utilizado pelo presidente foi o mais pífio de todos, conforme se lê no próximo parágrafo.

“De que haverá grande dificuldade para a comprovação pelo poder público da garantia de que o produto a ser adquirido tenha a composição proposta. No limite haverá necessidade de análise laboratorial. Como a produção será distinta quando destinada ao governo ou ao mercado tradicional, os moinhos terão que preparar lotes específicos o que tenderá a aumentar o custo e o preço do produto, sobretudo se os volumes de compra não forem muito elevados”. Nada mais enganador.

Como ainda não é possível comermos nosso pãozinho ou outros tipos de massa misturados com o trigo, a única opção é torcer para que exemplos como esse do casal de cearenses em Florianópolis sejam multiplicados por todo o país. Acredito que seja por isso que diz aquele ditado: “O governo nos ajudaria muito se pelo menos não nos atrapalhassem”.

Nem mesmo a atabalhoada declaração de amor incondicional de Dilma Rousseff pela mandioca foi suficiente para que seus subprodutos tivessem melhor sorte na economia. Ainda não sei o porquê, mas acredito que nossa presidenta deposta ainda não estava bastante segura se a mandioca era um tubérculo ou uma planta tuberosa.

Mandioca neles!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Deputados apoiam fim do voto obrigatório

As manifestações de junho de 2013 surpreenderam por sua força e espontaneidade, mas também pela rápida amplitude das reivindicações. Não demorou muito para que o tema reforma política ganhasse as ruas e, consequentemente, os discursos dos políticos.

A tentativa mais ousada de responder a essa demanda partiu da presidente Dilma Rousseff, que convocou cadeia de rádio e TV para propor, entre outras medidas, um plebiscito e uma constituinte exclusiva para redesenhar o sistema político-eleitoral do País. A proposta não foi bem recebida pelo Congresso, mesmo entre aliados do governo, que viram a ideia como uma usurpação das prerrogativas do Legislativo.

A alternativa apresentada pela Câmara dos Deputados foi a criação de um grupo de trabalho, em julho do ano passado, para converter em um projeto toda discussão acumulada ao longo de décadas.

Em menos de quatro meses, os parlamentares apresentaram uma proposta de emenda à Constituição (PEC 352/13) que contempla 16 pontos e, ainda hoje, aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Entre todas as tentativas anteriores de reforma política, nenhuma deu tanto destaque à adoção do voto facultativo como a elaborada pelo grupo de trabalho.

De acordo com pesquisa divulgada pelo Datafolha em maio deste ano, o percentual de brasileiros contrários ao voto obrigatório chegou pela primeira vez a 61%. Pelas regras em vigor no País, o voto é facultativo apenas para analfabetos, pessoas com mais de 70 anos e as que têm 16 ou 17 anos.

O mesmo levantamento, feito com 2.844 cidadãos entre 18 e 70 anos, revela que, se tivessem opção, 57% dos eleitores não votariam no próximo dia 5 de outubro, outro recorde. A pergunta sobre comparecimento às urnas é feita desde 1989. Nas sondagens anteriores, o total dos que não votariam se não houvesse obrigatoriedade nunca superou 50%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Competência e marketing

Walmir Rosário

Estatísticas e indicadores forram os jornais ao longo dos últimos dias, ao lado das anunciadas medidas de aumento da arrecadação da Previdência, via cobrança de aposentados e de instituições filantrópicas e de novos impostos à vista, inclusive a transformação da CPMF em imposto permanente. Chegam também informações sobre a redução da atividade industrial, da ordem de 9,7% em São Paulo, queda nas vendas, aumento do desemprego e ampliação do déficit externo, que alcança hoje 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior desde a implantação do Real.

Os primeiros estudos sobre as novas regras arrecadadoras, o projeto de reforma tributária que chegou ao Congresso nesta semana, indicam, por exemplo, que a gasolina poderá aumenta em até 26% e lubrificantes em geral em mais de 10,9%.

Diante do cenário pouco animador do país e das perspectivas de forte recessão em 1999, o jornalista Aloysio Biondi indagava na última quinta-feira, por que grande parte da imprensa, ao comentar a saída de parte da equipe econômica, responsável pelo programa de privatização, continuar rasgando elogios aos “técnicos de altíssimo nível” que o governo perdeu por causa dos grampos telefônicos?

Pergunta, Biondi: “Pois aqui vai um desafio a esses colunista. Favor citar um único, unzinho só exemplo de previsão da equipe FHC que se cumpriu, ao longo de quatro anos. Queda da importações? Aumento das exportações? Queda da inadimplência? Redução do desemprego? O Brasil não é a Ásia? Safra agrícola recorde? Crescimento da economia no segundo semestre de 1998? Ora, ora. Os erros da equipe econômica, mês a mês, colocaram o Brasil no buraco. Que ‘competência’ é essa? Qual o objetivo dessa louvação?”, finaliza.

De fato, a mídia brasileira em geral não se cansa em repetir a qualidade e competência da equipe econômica de FHC. Mas, na prática, os fatos demonstram que o buraco em que o país está se metendo é muito preocupante. Tanto pelo crescimento do déficit público quanto pela redução geral da atividade produtiva. Visivelmente, de estagnado, o Brasil caminha para trás. Inclusive tendo que recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e armar ajuda internacional de US$ 41 bilhões. Isso é competência?

No Brasil, desde o advento do Real e do surgimento de Fernando Henrique Cardoso como autor da proeza, a mídia – com uma ou outra exceção isolada – sempre esteve em lua de mel com o presidente. Mesmo assim, há poucos dias FHC reclamou da imprensa no episódio dos grampos, e recebeu então, da chamada grande imprensa, forte reprimenda, não sem esta reconhecer que nunca um presidente no Brasil teve tanto apoio e elogios da mídia em geral, quanto ele.

É inegável que o fim das taxas elevadas de inflações e a inserção no mercado consumidor de duas dezenas de brasileiros que se mantinham à margem do processo social provocaram mudanças positivas. Mas o impulso do Plano Real, ao invés de proporcionar à equipe econômica a realização das outras etapas – redução do tamanho do Estado, controle de gastos e redução dos déficits públicos, externo e interno – não foi aproveitado. Ou seja, a chamada lição de casa nunca foi feita. De novo o governo anuncia, através do plano de estabilização fiscal e da reforma tributária, disposição em fazê-la.

O que tivemos, portanto, foi uma estratégia de marketing que ocupou o governo em tempo integral. Garantiu a reeleição, mas com os efeitos da crise financeira internacional, jogou o Brasil no buraco. Que se reconheça, todavia, que no buraco e à beira do precipício o país sempre esteve.

Mesmo assim, apesar dos déficits e dos desajustes, o Brasil avança e recua. Se o brilhantismo e a competência do governo fossem o que apregoam, certamente o cenário hoje seria outro. Bem outro.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 05-12-1998

Salário mínimo de R$ 540,00

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) da Câmara dos Deputados aprovou esta terça-feira relatório preliminar do Orçamento 2011 que prevê salário mínimo de R$ 540 para o próximo ano. O valor foi “arredondado” pelo relator, Gim Argello (PTB-DF), uma vez que a proposta do governo era de R$ 538,15.

Ele admite, contudo, que a cifra deve sofrer alteração. O senador afirma que aprovação do relatório só foi possível depois que o governo aceitou debater o valor. “No momento em que eu disse que abriríamos negociação, os parlamentares retiraram os destaques”, afirma.

Segundo Argello, foi marcada para amanhã uma negociação entre o governo e as centrais sindicais. Ele assinala que o valor será discutido antes pelos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Carlos Eduardo Gabbas (Previdência) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a presidente eleita, Dilma Rousseff.

Terça-feira (16), o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, apresentou nova estimativa de reajuste para o salário mínimo ainda menor do que os R$ 538,15 iniciais. Segundo a revisão, a quantia passaria de R$ 510 para R$ 536,88. As centrais sindicais querem reajuste de R$ 580. A oposição defende $ 600,00.

II Congresso Brasileiro de Heveicultura é aberto em Ilhéus

Representando o prefeito Newton Lima, o secretário Alisson Mendonça discursa na abertura do evento

Até o próximo dia 13 Ilhéus é a sede nacional da borracha. O II Congresso Brasileiro de Heveicultura foi aberto na manhã desta terça-feira (10) no auditório principal do Centro de Convenções Luís Eduardo Magalhães. O evento traz como tema central “Agronegócio Borracha: Desenvolvimento sustentável com Ênfase na Inclusão Social” e apresenta como propostas principais divulgar resultados científicos e tecnológicos, debater políticas públicas, informar sobre programas de crédito e fomento e promover o compartilhamento de experiências exitosas em todo o país.

Representando o prefeito de Ilhéus, Newton Lima – que cumpre agenda de compromissos em Salvador –, o secretário de Planejamento, Alisson Mendonça, participou da abertura do Congresso e ressaltou a escolha do município como sede nacional do evento. “Ilhéus tem todas as qualidades para alavancar o projeto do governo da Bahia de produzir 10 mil hectares de seringa no estado, com infra-estrutura, logística de escoamento, clima propício para a produção, produtores devidamente organizados, entre outros fatores. A seringa, desta forma, pode ser tornar outra importante via econômica, ajudando, inclusive, a diversificar a produção do cacau.

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