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Mandioca, o exemplo que vem do Sul

Na minha rotina diária em busca de boas informações, encontrei na Gazeta do Povo, de Curitiba – jornal que reputo como um dos melhores do país – uma matéria sobre gastronomia, abordando um restaurante em Florianópolis (Santa Catarina). O restaurante trabalha com cardápio tipicamente nordestino e os pratos são de dar água na boca: feitos com mandioca, macaxeira ou aipim, nome dado conforme a região.

Bem que poderíamos dispor de um restaurante deste estilo aqui por nossa Bahia, mas pelo que já pesquisei, ainda não nos é possível degustarmos todas essas especialidades, com incursões em pratos da cultura japonesa, francesa, e por países afora. Gostas de sushi? O arroz, preferência dos nossos amigos japoneses é substituído por tapioca. Pelo que informa a reportagem, fica uma delícia.

A Oka de Maní (nome do restaurante) foi idealizado pelo casal de cearenses Samilla Paiva e Roberto Duarte para trabalhar exclusivamente com a matéria-prima mandioca, raiz 100% brasileira. Mais do que uma tapiocaria, o restaurante se destaca pelo mix culinário ao gosto da grande maioria dos clientes, inclusive daqueles que têm restrições ao uso do glúten na alimentação.

Se os pratos agradam aos mais exigentes paladares, as bebidas não ficam longe disso e as cachaças feitas a partir da mandioca também já estão se incorporando aos mais exigentes paladares dos “manezinhos” (como são conhecidos os nativos da ilha) outros moradores e visitantes. Elas são trazidas do Pará, como de jambu, responsável pelo famoso formigamento do paladar, e a tiquina, cachaça de mandioca curtida na folha de tangerina, trazida do Maranhão.

Eu poderia escrevinhar mais algumas dezenas de mal traçadas linhas sobre a gastronomia – o que muito me apraz – mas aqui o que interessa é mostrar que poderemos utilizar coisas nossas com sucesso. E, mas que isso, contribuir para o desenvolvimento de nossa agricultura, com resultados econômicos altamente positivos para todo o Brasil, substituindo o trigo, por exemplo.

De antemão, aviso: não sou contra a importação desse produto que ainda não somos autossuficientes. Nada de xenofobia contra os “hermanos” argentinos ou outros que exportem esse produto, pelo contrário, gosto de pães e macarrões fabricados com o trigo, famoso até na Bíblia Sagrada. Trago no DNA a lembrança das culturas portuguesa e italiana, tanto que não dispenso massas em geral, notadamente uma boa pizza.

Na verdade, me refiro às questões econômicas e a tecnologia que dispomos para substituir o trigo – ou pelo menos parte dele – na nossa riquíssima culinária, tão criativa, gostosa e capaz de agradar paladares de todo o mundo. E a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já provou, através das pesquisas dos seus cientistas, que isso é perfeitamente possível.

O pão nosso de cada dia é um belo exemplo e poderia ser adquirido nas padarias mais conceituadas de nosso país a preços mais baixos, caso fosse introduzida a farinha de mandioca na sua feitura. Com essa providência, não teríamos que ouvir, ver e ler na imprensa que a alta do preço de nossos pãezinhos é apenas consequência do reajuste do preço do trigo. Nos livraríamos desse lugar comum.

Garantem os pesquisadores que a mudança ou introdução da farinha de mandioca em nada alteraria o paladar do pão, o que é uma notícia alvissareira para quem não dispensa o seu consumo diário. A adição de fécula de mandioca à farinha de trigo é tecnicamente possível, como já ficou comprovado e demonstrado país afora, e a fécula atuaria na mistura como um diluidor do glúten presente no trigo.

Mas o que a ciência foi capaz de demonstrar, os políticos foram mestres em esconder, atrapalhar, não se sabe com qual interesse, mas é certo que a mistura da fécula de mandioca ao trigo para a confecção dos pãezinhos foi vetada pelo presidente Lula e o veto mantido pelo Congresso que antes aprovara o projeto. E o argumento utilizado pelo presidente foi o mais pífio de todos, conforme se lê no próximo parágrafo.

“De que haverá grande dificuldade para a comprovação pelo poder público da garantia de que o produto a ser adquirido tenha a composição proposta. No limite haverá necessidade de análise laboratorial. Como a produção será distinta quando destinada ao governo ou ao mercado tradicional, os moinhos terão que preparar lotes específicos o que tenderá a aumentar o custo e o preço do produto, sobretudo se os volumes de compra não forem muito elevados”. Nada mais enganador.

Como ainda não é possível comermos nosso pãozinho ou outros tipos de massa misturados com o trigo, a única opção é torcer para que exemplos como esse do casal de cearenses em Florianópolis sejam multiplicados por todo o país. Acredito que seja por isso que diz aquele ditado: “O governo nos ajudaria muito se pelo menos não nos atrapalhassem”.

Nem mesmo a atabalhoada declaração de amor incondicional de Dilma Rousseff pela mandioca foi suficiente para que seus subprodutos tivessem melhor sorte na economia. Ainda não sei o porquê, mas acredito que nossa presidenta deposta ainda não estava bastante segura se a mandioca era um tubérculo ou uma planta tuberosa.

Mandioca neles!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Só no próximo ano

Walmir Rosário

Com a proximidade das eleições, todo o Brasil parou para assistir a disputa entre os candidatos à Presidência da República. Por conta disso, nossos parlamentares também não trabalham em plenário ou nos bastidores dos ministérios, pois se encontram atarefadíssimos em busca de votos e dinheiro para incrementar a campanha.

Enquanto isso, os mortais cidadãos – do Oiapoque ao Chuí – ficam ao sabor da própria sorte. Caso um desses desvalidos precise de um serviço oferecido pelos governos, especialmente o federal – mais longe do contribuinte – encontra o cofre trancado, apesar da necessidade da prestação do serviço. O mesmo tratamento não vale para os banqueiros, empresários da aviação e outros tantos privilegiados.

Os agricultores, pelo tratamento que recebem do Governo Federal, estão incluídos na classe dos desvalidos, e os altos escalões em Brasília não abrem mão de cortar rubricas do Orçamento. Mesmo que isso importe em significantes prejuízos para o país. Decisão tomada, promessa cumprida. E que exploda o Brasil.

Aqui, bem pertinho de nós, na Ceplac, responsável pela pesquisa, assistência técnica e ensino técnico agropecuário nas regiões cacaueiras do Brasil, estamos presenciando as ações desse (des)governo. Há muito os técnicos não podem exercer o seu mister por absoluta falta de recursos. Não há dinheiro para abastecer os carros, pagar a energia elétrica, telefone e outras despesas normais de custeio.

Não é apenas uma nova ordem para desmantelar a Ceplac, pois sua prima-rica, a Embrapa, também está padecendo do mesmo mal: o descaso dos nossos governantes. Mas, o que nos interessa mesmo é como o cacauicultor vai poder continuar a renovar suas roças sem ter por perto quem lhes dê orientação técnica, quem conduza essa grande programa instituído pelo próprio Governo Federal.

É a própria sobrevivência da Ceplac, como instituição eficiente, que está em jogo, e o cacauicultor terá, pela primeira vez, de assumir a condução do seu próprio destino. Ao contrário de antes, quando delegada à Ceplac o que fazer da sua propriedade, hoje é ele quem deverá decidir sobre o futuro e a viabilidade do seu próprio negócio.

É chegada a hora do agricultor, além de planejar seu próprio negócio, influenciar nas decisões políticas que o cercam. Parece inverossímil, mas o produtor de cacau ainda não possui o prestígio e força política para carrear os recursos necessários ao fomento de sua atividade. E olhe que se trata da liberação de apenas R$ 127 milhões para a recuperação da lavoura de cacau da Bahia.

Se um recurso de pequena monta como esse se torna inacessível aos cacauicultores, não há de se pensar em promessas maiores, a exemplo dos R$ 489 milhões para o custeio da safra. Ainda mais se levarmos em conta que estamos em fim de governo, quando está em baixa manter a hierarquia administrativa. Será melhor para o cacauicultor – como todo o cidadão – pensar no futuro, no próximo ano, quando poderá, de forma organizada, cobrar dos nossos governantes essa dívida histórica para com a cacauicultura.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Agora Rural em 14-09-2002

 

É preciso avaliar antes do PAC

Walmir Rosário

Agora, com o anúncio de que o chamado PAC do Cacau será implantado em maio próximo, com a presença do presidente da República, Lula da Silva, as autoridades precisam, com urgência, corrigir um erro histórico: realizar uma ampla avaliação técnico-científica do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia, que se arrasta há anos e sem qualquer apreciação sobre os resultados produzidos até então.

Essa missão extrapola os muros da Ceplac – instituição a quem coube o mister de combater a doença –, devido ao seu grande envolvimento institucional, o que mascararia qualquer resultado. Mais que isso: sua estrutura funcional, cujo caráter corporativo é por demais conhecida, com certeza mascararia os resultados. Neste caso, a Ceplac participaria da comissão a ser criada como uma das entidades colegiadas.

A avaliação do programa não é um instrumento a ser usado contra a Ceplac, pelo contrário, se trata de uma prática corriqueira e necessária para a verificação dos projetos científicos e possíveis correções de rumos. E processos como esses são corriqueiros nas universidades do mundo inteiro e os exemplos nacionais podem ser vistos na Embrapa e demais instituições de pesquisa de todo o País.

Longe de desconhecer os avanços da pesquisa conseguidos pelos cientistas da Ceplac, é de importância fundamental manter viva “a galinha dos ovos de ouro” da economia cacaueira: o produtor de cacau. Afinal, o negócio cacau – ainda a principal matriz econômica do Sul da Bahia –, estará fadado a se tornar inviável caso os problemas de ordem genética e manejo não tenham solução definitiva.

E essa preocupação tem que estar na ordem do dia, haja vista os tropeços verificados ao longo do programa, iniciado pelo lançamento da variedade Theobahia. À época, a direção da Ceplac, de forma desajuizada para quem tem o dever de lidar com conhecimentos científicos, alardeou na imprensa nacional e internacional que teria solucionado – de forma definitiva – o mais grave problema da cacauicultura, a vassoura-de-bruxa.

A irresponsabilidade técnico-científica dos dirigentes da Ceplac, antes de propor a solução, agravou ainda mais as dificuldades dos cacauicultores. Ávidos para retomar a produção de suas roças, os agricultores atenderam ao chamamento da Ceplac, investindo na introdução da solução milagreira chamada Theobahia.

As variedades do Theobahia se mostram muito susceptíveis à doença conhecida como mal-do-facão, causada pelo fungo Ceratocysti fimbriata, que provoca obstrução de vasos, secamento de folhas e morte das plantas. Mais uma vez, a Ceplac reconhece o açodamento – não dos cientistas, mas e, sobretudo do dirigente que pretendia se perpetuar no cargo –, muda as recomendações e lança o Theobahia no rol dos endemonizados.

As recomendações milagreiras para combater o fungo Crinipellis perniciosa alcançaram as raias do ridículo, ganhando, inclusive, espaço na novela das oito da Rede Globo, Renascer, cuja história era oriunda do Sul da Bahia, também cenário das filmagens. Em seguida, vieram os japoneses com os Microorganismos eficazes (EM), que contou com a burlesca participação do diretor-geral da Ceplac, Joaquim Cardozo, que tomou a “porção mágica” para demonstrar à comunidade cacaueira que seria um medicamento inofensivo à saúde.

Como não conseguiu combater a vassoura-de-bruxa, o EM foi trocado pela urina de vaca, areia da praia e outras pajelanças sem cunho científico, claro. Uma nova tentativa da Ceplac – esta de cunho científico, pelo menos se espera – para barrar o avanço do fungo foi o rebaixamento drástico de copa e a aplicação maciça de fungicida. O resultado foi ainda mais drástico do que a ação do Crinipellis perniciosa.

De novo, o programa passa por mudança de foco e o bola da vez passa a ser a genética, com a introdução dos clones das séries TSHs, TSAs e os conhecidos VBs, materiais genéticos que causaram grande expectativa quanto à tolerância ao fungo quanto à alta produtividade. Entretanto, com o passar dos anos, a produtividade desses clones não ultrapassou as 20 @ por hectare e se tornaram os grandes vilões do endividamento.

A título de esclarecimento e para manter a fidelidade histórica, a implantação dos novos clones foi realizada de duas formas: com financiamento oriundo de recursos do Governo Federal, através do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia, dividido em quatro etapas, e com recursos do próprio agricultor.

É dispensável relembrar que foram essas ações as verdadeiras responsáveis pela descapitalização dos cacauicultores, notadamente os que tomaram recursos junto às agências financeiras (bancos do Brasil, Nordeste e Baneb). Também é irrelevante dizer que os recursos somente eram liberados depois das fiscalizações (Banco do Brasil e Ceplac) comprovarem terem sido as práticas recomendadas no pacote tecnológico totalmente realizadas.

Ora, quem impõe condições também tem o dever de arcar com os riscos decorrentes do contrato. Ao fazer parte do programa, o cacauicultor se obrigava, sob pena de não receber os recursos, de atender aos requisitos do contrato, e assim foi feito. Só que, e principalmente, as recomendações técnicas das primeira e segunda etapas se mostravam inadequadas, ineficazes e ineficientes ao que se propunham.

Somente agora, com as ações judiciais impetradas pelos cacauicultores é que surge um novo alento, dissipando, provisoriamente, as ameaças de inclusão nos cadastros de restrição ao consumidor – Serasa, SPC e Cadin –, além das temidas ações de execução.

Voltando aos clones, o que antes se apresentava como salvação da lavoura, as plantas intercompatíveis, ineficientes na polinização em campo, vêm sendo trocadas pelas autocompatíveis, embora permaneçam as preocupações quanto às possíveis quebras de resistência ao fungo. Como o fungo é mutável, essa perspectiva é perfeitamente viável e não pode ser descartada pelos técnicos.

Com base nesses equívocos cometidos ao longo do tempo – volto a dizer que não por culpa dos técnicos –, é que volto a insistir na avaliação do programa desenvolvido, que deve ser encarada como prioridade por todos os segmentos envolvidos. Somente assim, todo o trabalho realizado pela Ceplac junto com outras instituições parceiras poderá ser respaldado no futuro, além de demonstrar que está hoje no caminho certo.

Apesar de escrever tanto sobre esse assunto, as opiniões aqui emitidas não são pessoais e sim fruto de observação do trabalho dos técnicos e da realidade em campo. Faço assim por entender que descapitalizado, o cacauicultor não agüentará por muito tempo, causando enormes prejuízos à economia regional e ao meio ambiente.

Antes de implantar o PAC do Cacau, os segmentos envolvidos, com mais responsabilidade creditada ao Governo Federal, devem se guiar pelas recomendações feitas pelo cientista de conceito internacional Basil Bartley em abril de 2002 que continuam atualíssimas. Aqui, vale a pena reproduzir uma pequena parte do relatório:

“…Devido à base genética estreita que possuem estes progenitores não se esperam grandes diferenças entre o clone selecionado quanto à resistência ao C. perniciosa ou a produtividade”.

E vai além: “Embora os híbridos descendentes dos clones SCA evidenciam alguma potencialidade de resistência à C. perniciosa, às experiências obtidas durante os 50 anos desde que tais híbridos foram desenvolvidos mostram que eles se apresentam vários defeitos ou características  indesejáveis para a sua cultura efetiva. Alguns destes “defeitos” são relacionados ao fato que os SCA possuem um sistema de incompatibilidade específica a esta variedade o que torna todas as descendentes dos híbridos auto-intercompatíveis. Devido deste, o atingimento do potencial produtivo depende da existência no campo de efetivo sistema de polinização”.

E fecha “Os clones recomendados pelo Cepec para a distribuição aos agricultores são os poucos que porventura se encontravam na coleção de germoplasma. Estes clones não necessariamente são os melhores destes tipos disponíveis, a maioria deles sendo deixados de cultivar-se nos países de origem. Falta uma avaliação adequada do seu comportamento sob condições de cultura em larga escala. Alguns deste clones foram incluídos em ensaios implantados em torno de 1990, mas os resultados destes ensaios não foram divulgados.”.

É melhor avaliar agora para não amargar os prejuízos irrecuperáveis do futuro.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 26-04-2008.

De novo!…a Ceplac – se não puder ajudar, por favor não atrapalhe

Walmir Rosário*

Reiterada vezes, a Ceplac é alvo de francos atiradores. A mais recente polêmica envolvendo o órgão responsável pela pesquisa e extensão do cacau – além de outros cultivos – foi criada através de um questionamento do secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles. O assunto poderia ter passado despercebido não fosse o autor engenheiro agrônomo e ocupante do cargo máximo da agricultura na Bahia.

O tema divulgado pelo secretário era carregado de incerteza sobre o futuro da instituição, o que é bastante plausível, haja vista a importância da Ceplac para a agricultura baiana e brasileira. Porém, as premissas questionadas não foram bastantes e suficientes para tratar com a relevância que merece, provocando um debate estéril e desnecessário, não acrescentando coisa alguma em torno da questão mais premente: a Ceplac tem o que contribuir para o desenvolvimento econômico ou não?

A questão do patrimônio material e imaterial da Ceplac ser transferido para a Embrapa, universidades (existentes ou a ser criadas) ou outros órgãos análogos não serve como ponto de partida para uma discursão. Ao contrário, inviabilizaria qualquer tentativa neste sentido, iniciando pelas questões intrínsecas do seu quadro de pessoal, a exemplo do modelo jurídico empregatício.

Como se isso por si só não bastasse, ainda existem outros entraves como os objetivos de cada uma dessas instituições – estrutura e missão – passando pelo know-how existente nas atividades desempenhadas, somente para ficar nessas questões menores. Existem diferenças abissais entre os modelos de financiamento das pesquisas realizadas pela Ceplac – hoje um departamento do Ministério da Agricultura – e pela Embrapa.

Claro que como o papel aceita qualquer tipo de projeto, os técnicos em burocracia administrativa poderiam criar modelos dos mais diversos, híbridos ou não para dar forma a um desses monstrengos governamentais qualquer. Porém, não haverá como suprir o conhecimento científico adquirido ao longo do tempo sobre as áreas econômica, geológica, agronômica, social, dentre outras tão essenciais para o desenvolvimento das regiões cacaueiras da Bahia e do Brasil.

Digo isso porque a Ceplac fomentou, durante todo esse tempo, o conhecimento integrado das lavouras existentes nas regiões onde atua, sobretudo sobre a cacauicultura, cultura perene que exige décadas de observação para a formação de uma teoria. Mas isso ainda é pouco se formos observar a lavoura do cacau como um elemento de ligação cultural dos povos que desenvolvem essa atividade.

A Nação Grapiúna formada pelos mais de 100 municípios da Bahia tem impregnado no homem o “visgo do cacau”, o que se tornou mais que um símbolo, transformando-se numa identidade em um território habitado por mais de três milhões de pessoas. Nessa mesma região, a Ceplac, historicamente, pode ser creditada como o órgão governamental vetor do desenvolvimento, participando, decisivamente, de todas as ações empreendidas junto ao diversos setores da comunidade.

Mas se a Ceplac do passado participou do processo de amalgamento socioeconômico regional, a de hoje, rejeitada pelos sucessivos governantes da área federal, poderá ser repensada e reestruturada com a finalidade de continuar o processo iniciado desde a sua criação. Se já não é considerada a mesma por alguns setores da sociedade, notadamente a política e a rural, que se promova sua reestruturação, para que preste um serviço à altura de suas tradições.

E neste mister a Ceplac de hoje tem consciência de que “pode e deve” (para utilizar uma expressão de marketing utilizada pelos seus técnicos anos atrás) mudar e elaborar um amplo projeto para tal. Se fizermos um esforço, nossa memória vai relembrar diversos modelos de Ceplac, cada uma deles em consonância com a necessidade da lavoura em determinadas épocas.

A Ceplac da reestruturação dos créditos; da recuperação da produção com o uso de novas técnicas provenientes da revolução verde, com a extensão rural; a do aumento da produtividade, com as pesquisas científicas. Tudo sob os olhares atentos de José Haroldo, Paulo Alvim e outros tantos competentes técnicos, que conseguiam elaborar projetos e propostas em recursos e novas ampliações.

Na década de 80, os políticos mandantes no país promoveram o sucateamento da Ceplac sob o argumento imbecil de que seria um órgão “filhote da ditadura”, com o quadro de pessoal inchado e sem eficiência. Doaram os prédios, as máquinas desbravadoras de estradas vicinais, desmontaram a pesquisa e extensão.

Ao contrário dessa época, hoje se promove a reinserção da Ceplac nas propostas modernas, a exemplo de contribuir efetivamente para a conservação da Biodiversidade, elegendo como missão o desenvolvimento rural sustentável das regiões produtoras de cacau. Buscando ser uma instituição de excelência no desenvolvimento de modelos competitivos e sustentáveis de produção para a agricultura tropical perene nas regiões cacaueiras. A cabruca, sistema de cultivo do cacau que prima pela preservação ambiental e que tem por premissa a conservação produtiva, evidencia a importância da lavoura cacaueira na preservação da biodiversidade, da Mata Atlântica e da Floresta Amazônica.

Enquanto essa transformação é elogiada efusivamente pela comunidade científica nacional, que aguarda um plano de ação consistente para a produção sustentável durante a realização da Rio+20, os “urubus” voltam a sobrevoar a Ceplac em busca de “carniças” institucionais” para saciar sua fome. Ainda bem que “praga de urubu magro não pega em cavalo gordo”, como diz o ditado popular.

*Advogado, Jornalista, ex-ceplaqueano e editor do site: www.ciadanoticia.com.br

PROJETO RENORBIO PESQUISA SOLUÇÕES PARA O CACAU

Técnicos e produtores na apresentação do Renorbio

Reunindo pesquisadores da Ceplac, Embrapa, Uesc, Unicamp, USP, e secretaria estadual da Agricultura através da EBDA e Adab, o Projeto Renorbio, que incorporou o Renorbio-Vassoura-de-Bruxa do Cacaueiro, (Renobruxa), foi lançado oficialmente na manhã desta sexta-feira, (9), na superintendência da Ceplac, na rodovia Ilhéus/Itabuna, marcando um novo tempo na pesquisa do cacau. A somatória de esforços de instituições de pesquisas, desenvolvimento e Inovação com o objetivo de encontrar as alternativas para o controle da vassoura-de-bruxa foi destacada pelo secretário da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, como um exemplo a ser seguido por todos os elos da cacauicultura.

“Os produtores de cacau precisam abandonar as vaidades e diferenças e se unir por uma região melhor. É preciso quebrar o paradigma de que nessa região nunca haverá entendimento entre as várias correntes do cacau. A união dos pesquisadores, que estamos vendo aqui hoje no lançamento desse importante projeto, deve ser um exemplo para todos. Só assim superaremos a crise que já dura duas décadas, para entrar num ciclo de desenvolvimento sustentável”, ressaltou, destacando que o governo da Bahia não tem medido esforços para que o cacau e o Sul do Estado vivam um novo momento.

O projeto Renorbio-Vassoura-de-bruxa tem (Renobruxa), visa a revitalização da cacauicultura baiana e dinamização da cacauicultura nacional, através do controle da doença, por meio do desenvolvimento de novas variedades para plantio, com adequada qualidade de produto, boas características gerais e maior durabilidade de resistência, a partir da acumulação de genes e utilização de variedades com diferentes conjuntos de genes associados a este caráter, conforme destacou Luis Antonio Barreto de Castro, ex-presidente do Fundo Setorial do Agronegócio do Ministério da Ciência e Tecnologia, um dos articuladores da Rede Renorbio.

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Ilhéus sedia congresso de pupunha

A pupunha é uma excelente alternativa econômica

Produtores, agroindustriais e pesquisadores de várias partes do país discutem em Ilhéus questões ligadas ao melhoramento genético, pragas, formação de mudas, mercado e comercialização de palmito, além da utilização de frutos na alimentação humana e produção de ração animal, durante o I Simpósio Brasileiro da Pupunheira.

Promovido pela Ceplac e Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o evento será realizado de 27 a 30 de setembro, no centro de convenções Luís Eduardo Magalhães. O apoio é da Prefeitura de Ilhéus, Ministério da Agricultura, Secretaria da Agricultura da Bahia, Sebrae, Senar, Embrapa, Banco do Nordeste, dentre outras instituições.

Com o objetivo de apresentar o programa do simpósio, o prefeito Newton Lima recebeu na tarde desta segunda-feira (11), no Palácio Paranaguá, as pesquisadoras da Ceplac Maria das Graças Parada Costa, Stela Dalva Midlej Silva e Isabel Cristina Fontes Brandão, que integram a comissão organizadora do simpósio. Na oportunidade, a fiscal federal em agropecuária Maria das Graças Parada Costa falou sobre a importância de Ilhéus sediar o evento voltado para o agronegócio palmito de pupunha e para o fortalecimento das pesquisas com a espécie.

A abertura está prevista para as 18 horas do dia 27, seguida da palestra “Origem e domesticação a pupunha cultivada”, a ser proferida pelo técnico Charles Clement, do Instituto de Pesquisa do Amazonas. Depois, será lançado o livro “Palmeiras para produção de palmito”, escrito por Álvaro Figueiredo dos Santos, Cirino Corrêa Júnior e Edinelson José Maciel Neves.

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Leite orgânico aumenta a renda

A produção de leite orgânico registrada em 2010 chegou a quase 5,5 milhões de litros, o equivalente a 1% do comércio total do produto. Produzido em sistema diferente do processo habitual, representa uma fonte de renda alternativa para o agricultor. É uma variedade da bebida tradicional sem resíduos químicos a preços atrativos, porém com os mesmos valores nutritivos do convencional.

“A mudança do sistema produtivo pode ser bastante positiva, já que estudos mostram que o leite orgânico é valorizado no mercado e o preço chega a ser 50% maior do que o convencional em algumas regiões”, explica o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), João Paulo Guimarães Soares, zootecnista da unidade Cerrados da Embrapa, no Rio de Janeiro. O valor pago pelo leite convencional é de R$ 0,80 por litro enquanto com o leite orgânico o produtor pode ser remunerado com até R$ 1,20 por litro.

A produção de leite no sistema orgânico ainda é em pequena escala (a média diária varia entre oito e dez litros). Isso acontece porque existirem poucos produtores certificados no Brasil, adequados à Lei 10.831 e à Instrução Normativa nº 64 do Ministério da Agricultura. Os custos de produção são menores, pois o produtor usa menos insumos. Esse sistema evita a utilização de máquinas agrícolas, trabalha com plantio direto e compostos orgânicos, porém, exige mão-de-obra maior e mais qualificada.

Para adotar o sistema orgânico de produção é necessário ter, no mínimo, um período de 12 meses de manejo sustentável necessários para a conversão, principalmente das pastagens. Somente depois desse período, o produto é considerado orgânico.

Produtividade agropecuária do Brasil é uma das maiores do mundo

A produtividade da agropecuária brasileira é uma das mais altas do mundo, com crescimento médio anual de 3,57% de 1975 a 2009. Uma pesquisa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) analisou o comportamento do setor nos últimos 35 anos e aponta que o Brasil está à frente de outros países com tradição na produção e exportação de alimentos. Os Estados Unidos, por exemplo, apresentaram média de crescimento anual de 1,87%, no período de 1975 a 2008, segundo informações do Departamento de Agricultura daquele país (USDA, sigla em inglês). No Brasil, a avaliação dos últimos 10 anos (2000-2009) mostra que esse incremento foi de 5,39% ao ano.

A taxa média de variação anual da produtividade nesse período recente é consideravelmente superior aos 2,85% registrados entre 1990 e 1999 e aos 2,25% observados entre 1980 e 1989. O coordenador de Planejamento Estratégico do Mapa, José Gasques, um dos autores do estudo, explica que os principais fatores que impulsionaram esse bom desempenho foram a política de crédito e os investimentos na pesquisa agropecuária. “O financiamento para a compra de insumos e capital, como máquinas, fertilizantes e defensivos, além do trabalho desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foram essenciais para que o país crescesse em produtividade”, comenta.

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Taxa do cheque especial aumenta em agosto
 
A taxa média do cheque especial nos bancos em agosto foi de 13,52% ao mês (a.m.), alta de 0,06 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo pesquisa do Procon de São Paulo. A maior alta foi encontrada no Banco do Brasil
 
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Alto Beco do Fuxico festeja seus 30 anos
 
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