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A lição de vida que nos dá o nordestino

Walmir Rosário*

Após quase 50 anos tenho o prazer de rever a caatinga aqui para as bandas da divisa de Sergipe e Bahia (Cícero Dantas e Poço Verde) e, dentre as novidades que vi, quase nada, a não ser o tamanho das cidades, num misto de crescimento e desenvolvimento. Ao invés das estradas carroçáveis e esburacadas de antes, asfalto, um tanto cansado, é verdade, mas aceitável para os padrões atuais.

Nada mais de paus-de-arara e agora o sertanejo viaja em ônibus confortáveis, em pick-ups cabines duplas, carros modernos iguais aos que vemos nas grandes metrópoles do Brasil. Pouca diferença no comércio, com supermercados oferecendo os melhores produtos das mais diversas regiões brasileiras e do exterior; lojas e boutiques acompanham os lançamentos mais recentes da Europa e Estados Unidos.

O sertanejo está com tudo, como sempre esteve. Se antes não dispensava as notícias mais imediatas nos grandes aparelhos de rádio com seis, sete e até nove faixas, hoje dispõe da televisão a cabo e via satélite, além da internet que o conecta 24 horas com todo o mundo. Negocia sua safra com as cooperativas e empresas multinacionais, via telefone celular, equipados com os mais modernos aplicativos.

Poderia eu dizer que o homem da caatinga disputa com seus colegas das outras regiões brasileiras em igualdade de condições, caso não tivesse informações outras coletadas ao longo dos anos. Se sobra coragem ao catingueiro, falta-lhe chuva no tempo certo, bem como outras benesses concedidas pelas autoridades governamentais, a exemplo de infraestrutura e crédito nos mesmos moldes dos outros.

Como afirmava Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, o nordestino até hoje não fez por desmerecer a citação desse jornalista e militar que acompanhou a vida, as adversidades e os conflitos dessa gente. Não desanima nunca e pede a Deus que no próximo ano reverta o quadro de dificuldades para que possa continuar sobrevivendo com os seus.

E é sempre atendido. Mas faz por merecer. “Acostumado aos revezes, sabe viver fritando o porco com a própria banha”, como dizem os mineiros, tirando lições das constantes situações vivenciadas. Planta para sua família comer, alimentar seus animais e vender um pouco do que eventualmente sobra, permitindo sua sobrevivência nas maiores dificuldades.

E essa situação fui observando ao longo das estradas, onde cada pedaço de terra é ocupado com uma pequena plantação de milho, feijão, mandioca, dentre outras culturas. Não dispensa a criação de pequenos animais, tratados como membros da família e que faz chorar o nordestino quando os vê “o couro e o osso”, igualzinho a que cantou Luiz Gonzaga na música o Último pau de arara.

Entretanto, se é obrigado a deixar seu torrão natal, vai para terras estranhas dar o duro para sustentar a si, sua família, seus bichos, sempre com o pensamento de um dia voltar. E sempre retorna trazendo na mala uma lição das terras por onde passou para juntá-la ao repertório de sabedoria e aplicá-la quando preciso for, sem a menor cerimônia.

Acostumados que fomos a ver o Nordeste brasileiro sob o estereótipo das terras pedregosas e calcinadas pelo sol inclemente – o que é uma parte da sua paisagem –, deixamos escondida a grande extensão de terras férteis, sempre prontas a produzir quando as condições sejam favoráveis. Bastam três dias de chuva para a beleza plástica do verde de sua vegetação animar os olhos e encher de coragem e esperança o catingueiro.

Água! Esse é o ingrediente que quando em escassez faz “cortar o coração” do catingueiro, que pede a Deus e aos seus santos de devoção que mandem chuva em abundância para poder plantar e colher. E quando são atendidos trabalham dia e noite para fazer a felicidade de todo um povo, de toda uma região, que conhece a pobreza, mas vive sem miséria, dividindo tristezas e alegria com a verdadeira fraternidade.

Se falta o pão a um vizinho, oferece um pedaço do pouco que lhe sobra; se a necessidade é a água, abre sua cisterna (melhor dizendo: de pedra e cal), seu pote ou moringa e mata a sede do semelhante. Fraternidade e igualdade não falta ao nordestino, que apenas precisa de mais liberdade para fazer o bem à humanidade.

Até chegar em Cícero Dantas vou conversando com meu amigo Batista sobre as dificuldades e a sabedoria deste povo que poderia ser mais ouvido e ministrar lições de experiência e vivência. Enquanto isso não lhe é possível, continua vivendo com simplicidade, demonstrando que quando não lhe é possível solucionar um problema que lhe surja, pede a intercessão de Nossa Senhora do Bom Conselho e a Jesus Cristo, que estão sempre prontos para atender seus filhos amados.

*Advogado, jornalista e radialista.

Postado originalmente no site www.costasulfm.com.br

 

Joaquim Barbosa é o novo Salvador da Pátria

Por: Valdeck Almeida de Jesus

O brasileiro é mesmo um forte, parafraseando Euclides da Cunha. Duvido um pouco dessa fortaleza toda. Se assim o fosse, muitas das nossas mazelas seriam resolvidas por nós mesmos. Não delegaríamos poder sobrenatural a quem quer que fosse. Tomaríamos as rédeas de nossa vida e daríamos cabo de toda sorte de injustiças, corrupções, violências diversas.

Se “alguma coisa está fora da ordem”, não será um único cidadão que vai varrer todo o lixo, toda a sujeira. Este país é continental e a população já beira os 200 milhões. Se dez por cento dos habitantes fizesse sua parte, passaríamos a limpo muita coisa. Acordamos apenas em momentos de comoção geral. Mas, na guerra não declarada que ceifa vidas a cada minuto, já nos acostumamos a reclamar com o vizinho, se indispor com o colega de trabalho, sem, contudo, tomarmos uma posição e atitude de cidadão. Bater boca resolve tudo.

Ser cidadão dá trabalho. É preciso acordar cedo, cuidar dos afazeres pessoais, familiares e profissionais. Isso já é muita coisa. A sociedade que se regule por si própria. Eu não preciso participar das decisões políticas; para isso eu delego poderes absolutos a vereadores, deputados estaduais e federais, prefeitos, governadores, senadores e presidentes. Eles que cuidem e descuidem. Meu papel é apertar o botão verde a cada par de anos. E quando surgir algum problema grave, sempre terá outros joaquins para carregar o país nas costas.

Itabuna, uma cidade sem lei

Walmir Rosário

Em pleno século XXI, Itabuna parece mais uma vila do início do século passado, onde imperava a lei do mais forte. Leis existem, mas nossas autoridades municipais não se dispõem a cumpri-las, principalmente num ano eleitoral. A população que se dane, vá se queixar ao bispo ou em outra freguesia.

Andar a pé em Itabuna é sufoco para qualquer cidadão que se disponha a enfrentar esse tipo de aventura. Os passeios são tomados por camelôs, na principal avenida do centro da cidade; por carros, que ficam estacionados nas calçadas sem a menor cerimônia do motorista; e por mesas de bares, em todos os bairros, inclusive se apropriando ilegalmente de praças e outros equipamentos públicos.

Se não bastassem esses incômodos, atravessar a rua, mesmo protegido por uma faixa de pedestre, é um verdadeiro desafio, principalmente na praça Adami. Coitado do pedestre que resolva desafiar a ira de um desses motoristas que usam o carro como uma arma mortífera. Além de ouvir desaforos, o pobre pedestre ainda pode ser ameaçado de morte.

Mas como Euclides da Cunha disse que o “nordestino é, sobretudo, um forte”, nós, itabunenses, vamos sobrevivendo aos trancos e barrancos, para o desgosto do prefeito Geraldo Simões. O prefeito, sim, está imune e alheio aos problemas da população, afinal, falta-lhe contato com o povo, por força de sua reclusão num carro com vidros escuros, cercado de seguranças por todos os lados, impedindo-lhe de fazer o que mais gostava nos tempos de sindicalista: conversar com o povão.

Talvez falte ao nosso alcaide tempo suficiente para fiscalizar as trapalhadas feitas por seus auxiliares no exercício da função pública, mais preocupados com o carro de som dirigido pelo radialista Ciro Sales, do que com o barulho infernal produzido pela propaganda de outros carros de som. O problema é que, para conforto do prefeito, a blazer fica com os vidros fechados, para aproveitar melhor o ar-condicionado, e não ouvir o sufoco sonoro que o povo passa na avenida do Cinquentenário.

Bem que no tempo de sindicalista Geraldo Simões já conhecia a ousadia dos donos de bares em tomar os passeios do pedestre, afinal, ele mesmo costumava ir a esses lugares em busca do cumprimento dos eleitores, e até “molhar a goela”, já que ninguém é de ferro. Infelizmente, hoje ele não pode seguir o mesmo ritual, tudo em nome da segurança, preocupado com a exposição do prefeito junto à turba ignara.

Já o problema do estacionamento é um caso sério e os homens da Secretaria de Transporte não têm como resolvê-lo. Onde colocar tantos carros, se nem zona azul a cidade dispõe? Também é muita petulância do pedestre querer um passeio inteirinho só pra ele. Que mal tem estacionar em cima do passeio se o próprio prefeito não se furta a cometer esse pequeno deslize? Afinal, não fica bem a uma autoridade não poder desfrutar de pequenas regalias como essa, pelo contrário, mostra prestígio, força.

Se fosse no tempo do regime militar, quando imperava a ditadura, esse povinho de Itabuna iria ver o que é “bom pra tosse”. Onde já se viu querer reclamar das mordomias inerentes ao uso do poder? É o que dá viver nesse regime democrático, com todos querendo ter o mesmo direito. Daqui a pouco vão querer até se meter na fiscalização das obras públicas e nas construções de casas particulares. Taí um bom assunto pra outro dia, se a democracia ainda imperar.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 08-05-2004

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