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Circuito Bivolt de Surf e Bodyboarding começa dias 25 e 26

A primeira etapa do Backdoor apresenta Circuito Bivolt de Surf e Bodyboarding será realizada nos 25 e 26 de maio, na Cabana Céu e Mar, praia do sul, em Ilhéus, sul da Bahia.

Os melhores atletas do estado marcarão presença em um dos maiores litorais do Brasil. A premiação será de pranchas, kits e troféus.

O circuito Bivolt tem a intenção de fortalecer a base e revelar novos talentos além de fomentar a cidadania. Atletas com média 8 (oito) não pagam taxa de inscrição.

Para a diretoria do Circuito Bivolt, o evento está a cada ano se consolidando. “É gratificante para nossa empresa investir no esporte e ter esse retorno. Estamos no quarto ano e são mais de 120 atletas por etapa. Tenho certeza que o circuito Bivolt é o marketing esportivo de qualidade e uma ferramenta motivadora na vida dos jovens da Bahia.”, conclui o diretor executivo Raimundo Machado.

Fique ligado que a energia da Bahia ligou a máquina de talentos e você vai conferir tudo nas mídias que divulgam o esporte. Mais informações e reservas de inscrições pelo telefone 73 3231-6139/8831-4425

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Rio do Engenho, a cachaça que pretende conquistar o mundo

Por Walmir Rosário

Cinco tipos de cachaça  para agradar os mais  diversos paladares

Cinco tipos de cachaça para agradar os mais diversos paladares

Ilhéus, que já foi chamada de Princesinha do Sul no auge da chamada civilização do cacau, desponta, agora, como produtora de cachaça. É a Cachaça (com C maiúsculo, sim) Rio do Engenho, produzida no distrito do Japu e apreciada pelos mais finos paladares de todo o mundo. E a cachaça é um dos produtos brasileiros em ascensão nos mercados nacional e internacional, a cada dia mais presente nas mesas mais bem postas e requintadas.

Diferenciada da chamada pinga, conhecida geralmente por ser consumida pelas pessoas de baixo poder aquisitivo, a cachaça ganhou status e algumas marcas são disputadíssimas no mercado, a depender da data da safra e do controle da produção. Sem querer bancar o empedernido nacionalista, os whiskys que se cuidem, pois a cachaça a cada dia está mais presente nas lojas especializadas na distribuição de bebidas finas, com preços para todos os bolsos.

E a Cachaça Rio do Engenho surgiu justamente na evolução desse mercado, distinguindo-se e até se sobressaindo de marcas famosas produzidas em regiões como Salinas, Minas Gerais, tida e havida como berço da cachaça no Brasil. Se as cachaças de Salinas se impõem pela tradição, a Rio do Engenho se consolidou pelo seu DNA: cada um dos tipos de cachaça obedecem, rigorosamente, a um processo de produção, descanso e envelhecimento.

DNA, sim, esse é o nome mais apropriado para apresentar os tipos de cachaça que passam pela linha de produção da Fazenda Chapada dos Boiadeiros, por Luiz Fernando Galletti, paulista radicado em Ilhéus há pouco mais de 10 anos e há mais de sete anos produzindo as cachaças Acqua Benta e Rio do Engenho, de forma artesanal. Para oferecer ao mercado cachaça de qualidade, todo o processo é feito obedecendo a um controle rigoroso de qualidade.

Luiz Fernando Galletti e a Acqua Benta, feita para ganhar o público jovem

Luiz Fernando Galletti e a Acqua Benta, feita para o público jovem

Segundo Luiz Fernando, cada um dos tipos de cachaça segue um processo especial, finalizando com o envelhecimento nos tonéis de madeira. Todos eles são fabricados a partir das madeiras umburana (cerejeira) e itiúba; castanheira e louro-canela; bálsamo e louro-canela, com percentuais diferenciados. Já a cachaça do tipo reserva especial passa por dois tipos de combinação de tonéis de madeira, o que lhe confere um buquê diferenciado.

Uma das preocupações de Luiz Fernando é agradar ao paladar de brasileiros e estrangeiros, daí esse envelhecimento em tonéis de madeira diferentes, com a finalidade de atender aos mais diversos paladares. “Esse trabalho de combinações requer bastante atenção, pois em cada região existe preferência mais acentuada e temos que atender a uma gama maior de consumidores, a exemplo do que aconteceu com os whiskys”, conta.

A inovação do mercado é outra preocupação constante de Luiz Fernando, que diz não ter entrado no mercado de cachaça para ser mais um e sim para inovar. “Começamos tomando todas as precauções, com a finalidade de apresentar um produto de qualidade, comparando a Rio do Engenho com as cachaças já tradicionais. E assim temos feito durante esses anos. Os frutos desse trabalho já começam a ser vistos nas feiras e exposições que temos participado”, ressalta.

Além de inovar para ganhar os já apreciadores de cachaça, o empresário pretende formar um novo mercado, formado pelo segmento jovem. Para tanto, criou a Acqua Benta, marca com nome original e de forte apelo de marketing para chamar a atenção desse novo público-alvo, além dos aromas do bálsamo e canela, que dão um buquê bastante diferenciado.

Atualmente, a Rio do Engenho produz cinco variedades de cachaça. A prata, mais rústica, sem ser envelhecida, descansada em alambiques de aço inox por seis meses e um forte sabor de cana; a Rio de Engenho Black; a Ouro e a Acqua Benta, envelhecidas por dois anos; e a Reserva, tipo especial, envelhecida por três anos.

 

Artesanal, a Rio do Engenho possui paladar diferenciado e disputa mercado com as grandes marcas tradicionais

Padrão de qualidade

Envelhecimento em tonéis de madeiras, com aromas e buquês diferentes

Envelhecimento em tonéis de madeiras, com aromas e buquês diferentes

A fabricação de uma cachaça de qualidade passa pela padronização da matéria-prima – a cana – e de todas as fases de produção. E esse cuidado começa com a plantação da cana na época certa, o corte quando o índice de açúcar estiver ideal, nem mais nem menos e tudo conferido no espectrômetro. Toda a cana cortada deve ser moída no mesmo dia, no sentido de que a sacarose não comece a se transformar em outros açúcares.

Outro cuidado especial para a produção de uma excelente cachaça é a fermentação. Para se conseguir 15 graus de açúcar, todo o processo de fermentação é totalmente natural, sem a adição de milho, pão ou outros produtos. O único componente utilizado é um fermento liofilizado, desenvolvido pela Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, a partir da própria cana, sem qualquer aditivo químico.

Também deve ser observada a limpeza dos equipamentos, livre de resíduos, bem como o controle do fogo. Num alambique das proporções do implantado na Rio do Engenho, a calda deve destilar de um litro a um litro e meio a cada minuto. Para manter o calor constante, é utilizada uma caldeira, cuja pressão é observada a todo o instante no manômetro, evitando as variações de temperatura.

Cachaça destilada, o armazenamento é outro cuidado a ser tomado para evitar interferência externa na qualidade. Por isso, é interessante que as dornas – de aço inoxidável e de madeira – estejam em local úmido. Cada fase, no entender do empresário, deve ser observada com o próprio olho do dono, inclusive durante o engarrafamento, utilizando garrafas novas, límpidas. Antes, porém, deve ser observada se a graduação está nos 38 graus pretendidos.

Assentada na história

A Fazenda Chapada dos Boiadeiros está localizada numa região rica em história e onde foram implantadas as primeiras plantações de cana-de-açúcar do sul da Bahia, ainda nos tempos das Capitanias Hereditárias. Segundo contam os historiadores ilheenses, em 1537, o terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá implantou o Engenho de Santana, de relevante importância histórica.

Porém uma série de crises com rebeliões de índios e de escravos resultaram em decadência econômica e diversas trocas de proprietários do território com o passar dos séculos. Por volta de 1573, Santana tinha 130 escravos, mas, por ser um tanto distante e isolada, sofreu ataques indígenas entre 1590 e 1601. Por volta de 1618, a ordem dos jesuítas havia adquirido Santana por herança.

Hoje, na localidade de Rio do Engenho, às margens do Rio Santana, ainda podem ser vistas as ruínas do engenho e abriga a terceira mais antiga igreja do Brasil, a Capela em homenagem a Nossa Senhora de Santana.

Publicado simultaneamente com a Banda B do Jornal Agora

 

O dia em que o Itabuna empatou com o Bahia e venceu o árbitro

Walmir Rosário

Profissionalizado em maio de 1967, o Itabuna Esporte Clube “herdou” praticamente todos os jogadores da Seleção Amadora de Itabuna, um timaço para torcedor nenhum botar defeito. Aos poucos, o time foi sendo mesclado com jogadores já profissionais, principalmente vindos dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, para a glória da dos torcedores do azulino.

Em 1970, o Itabuna Esporte Clube, então sob a presidência do advogado Gabriel Nunes, teve uma de suas melhores formações, tanto que fez sua mais brilhante campanha. Não se consagrou campeão baiano deste ano simplesmente pelas tramoias dos cartolas da Federação Baiana de Futebol, dominada pelos dirigentes do Bahia.

O Itabuna terminou vice-campeão, numa das histórias mais tristes da história do futebol baiano, somente comparada aos fatos contados na ocupação do solo grapiúna nos idos de 1800 até o início de 1900. Os tempos eram outros e as pendências geralmente eram resolvidas de forma violenta, ao contrário dos usos e costumes dos cartolas baianos.

Se para se estabelecer na terra imperava a lei do mais forte, com os “coronéis” armando seus caxixes nos cartórios ou invasão das roças de cacau com a força dos jagunços, no futebol baiano não era diferente e a influência política era o que dominava. Com todas as artes e manhas disponíveis no mundo da vigarice, algumas vezes agiam de forma dissimulada; outras nem tanto, era na “carteirada”, mesmo.

Dentro de campo, os árbitros sempre davam aquela mãozinha – ou apitada – fundamental para manter o resultado conforme os gostos e desejos dos cartolas soteropolitanos. Cartolas esses que poderiam ser comparados à realeza dos tempos do império, com todos os direitos e nenhum dever, a não ser o de conseguir resultados positivos para Bahia e Vitória, custe o que custar.

Um desses árbitros, que embora fosse batizado e registrado civilmente com o nome de um espiritualista indiano, nada fazia para repetir os gestos e ensinamentos do filósofo que seus pais quiseram homenagear. Ao contrário, as histórias e estórias são as mais antagônicas possíveis, no campo da moralidade, inapropriadas para atividades esportivas, diriam hoje os politicamente corretos.

Esse mesmo árbitro passou a ser conhecido como o mensageiro do mal, uma espécie de carrasco dos times das cidades do interior – Itabuna, Ilhéus, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Alagoinha e Jequié. Nem mesmo as equipes menores da capital escapavam da vingança maligna dos cartolas. E sabem qual era o pecado? Formar um time com condições de disputar – de igual para igual – o Campeonato Baiano.

A área do adversário era território proibido para os atacantes interioranos e os nanicos da capital. Chegar perto da pequena área…nem pensar: o árbitro acionava logo seu famoso apito para marcar impedimento ou uma falta do ataque. Já na defesa a situação era mais complicada e os zagueiros não podiam, sequer, chegar junto dos atacantes protegidos, que trilava o apito protetor marcando penalidade máxima.

Num desses jogos entre o Itabuna e Bahia eis que a Federação Baiana de Futebol escala justamente o homônimo do indiano para a partida a ser realizada na Desportiva Itabunense. Arrogante, descia do ônibus da Sulba e se dirigia ao Lord Hotel (o hotel mais refinado à época) para descansar até o início da partida, sem falar com pessoa alguma, principalmente se fosse dirigente do Itabuna.

Para o desespero do árbitro, neste domingo, a equipe azulina estava “azeitada”, e seus jogadores com sede de vingança da última partida realizada com o Bahia, quando perderam por um magro 1 X 0, como sempre, com a ajuda deste mesmo juiz. Bola em jogo, as duas equipes se estudando e os jogadores, principalmente os do Itabuna, com receio de partir para uma jogada mais viril.

E essa indecisão já deixava o árbitro angustiado, pois, como acertado com os cartolas, o Bahia precisava da vitória. Mas não tinha jeito e mesmo as quedas dos jogadores do time da capital eram em jogadas infantis, era impossível marcar o providencial pênalti, pois eram longe da grande área. Já no lado do ataque do Itabuna, toda escapada era marcado o impedimento, uma “banheira”, como era conhecida essa penalidade.

Pois se o ataque do Itabuna não chegava à grande área, e caso o jogador azulino se atrevesse a ultrapassá-la o apito trilava, devido a atitude indevida, mas decisiva do árbitro, o ataque do Bahia pecava nas finalizações, para desespero dos cartolas. Esse desespero também já era bastante visível nas transmissões das rádios da capital, cujos apresentadores e repórteres tentavam desqualificar o futebol jogado pelos interioranos.

Mas nessa tarde esportiva da velha Desportiva Itabunense não teve jogador ou cartola do Bahia que desse jeito. Muito menos o árbitro, diante do futebol impecável jogado dentro das quatro linhas. Sem ter como apitar o velho e famoso pênalti salvador da pátria, o conhecido árbitro foi obrigado a encerrar o jogo aos 50 minutos do segundo tempo.

Nesta tarde de domingo nenhum dos dois times venceram, pois o placar não saiu do zero a zero. Venceu o futebol baiano, numa tarde em que o esporte venceu a caxixe e o conluio entre os cartolas dos times da capital e da Federação Baiana de Futebol. Desde esse dia em que o suspeitosíssimo árbitro foi derrotado pela prática do bom futebol que o Itabuna Esporte Clube passou a ser visto com outros olhos pelos vigaristas do esporte.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Como começou a rivalidade Ilhéus x Itabuna

O trem foi levado de volta para Itabuna por um maquinista que integrava a comitiva

Muitas pessoas nesta cidade não sabem por que existe a rivalidade com a vizinha cidade de Ilhéus. Antes de escrever o porquê direi uma velha frase e desconhecida: “Ódio não esquenta panela, mas a união faz a força”. Ajuda-nos a nos distinguirmos como verdadeiros irmãos. Não admito que o povo de Ilhéus seja apelidado de “comedores de caranguejos” e o itabunense de “papa-jaca”. Por que existe esta intriga ferrenha entre o povo de Ilhéus e de Itabuna? Em 10 de maio de 1897 os senhores Henrique Berbert Júnior, Manoel Misael da Silva Tavares, Ramiro Ildefonso de Araújo Castro, Plínio Cardoso do Nascimento, José Fulgêncio Teixeira, José Firmino Alves. coronel Henrique Felipe, Venci Manoel Pereira, José do Nascimento Moreira, Domingos Pereira da Silva, Hermínio Figueiredo Rocha, Pedro Prudente da Costa e Teodolino João Berbert solicitaram ao Conselho Administrativo de Ilhéus, através de um memorando por eles assinado, a emancipação do terceiro distrito de Ilhéus, com sede em Tabocas, estribados na renda superior de 10 contos de réis por ano, com uma população de mais de 15 mil habitantes. Apesar das razões por eles apresentadas o pedido não teve boa acolhida. Por este motivo, o mesmo foi novamente redigido e enviado, em 1906, ao governador da Bahia (1904-1908), senhor José Marcelino.

Para que o leitor tenha uma ideia geral do que reinava lá contra os daqui citarei o que se passou na ocasião da inauguração em 1905, do Paço Municipal de Ilhéus. Fora escolhido o Dr. Xavier, genro de Firmino Alves, como orador oficial das festividades. No prolongado discurso, ao terminá-lo, ele disse as seguintes palavras: “Povo de Ilhéus, acaba de ser inaugurada a Intendência de Ilhéus, a mais moderna e confortável do Sul do Estado, mas, se Deus me permitir vida e saúde, eu e o Coronel Firmino Alves construiremos uma igual ou melhor em nossa futura cidade de Itabuna”. Estas palavras deram motivo para que o orador fosse apedrejado ali mesmo e para dali sair para a casa do Coronel Pessoa, onde estava hospedado, sendo preciso a intervenção do capitão Ângelo, delegado de polícia.

Outro fato também digno de nota aconteceu no ano de 1920: O Rio Branco Esporte Clube, de Itabuna, fora jogar contra o Ypiranga Esporte Clube, de Ilhéus. Para isso foi fretado um trem especial com 20 classes para atender ao povo que desejava assistir àquela partida. No dia aprazado, seguimos para Ilhéus, acompanhados da Filarmônica Minerva. O jogo começou às 15h30min e o nosso time fez o gol primeiro e último daquela partida. O jogador João Rego, autor do tento, foi agredido pelo filho do Dr. Soares Lopes. Quebraram o nariz do João Rego dando início a uma luta que dutou até às 18 horas. Para cessar o grande tumulto, fora preciso o cel. Francisco Andrade e demais classes representativas de Ilhéus, que portando as bandeiras do Rio Branco e do Ypiranga pediram paz. Até água quente fora jogada nos itabunenses.

O Hotel Coelho onde se hospedaram os jogadores e a nossa comitiva fechou as portas, ficando as roupas dos jogadores ali presas. A estrada de ferro deixou de fornecer o trem para a nossa volta, e na passagem pelas ruas eram jogadas laranjas podres, cebolas, ovos guardados para este fim. Os policiais desapareceram para que o povo pudesse levar a cabo o que fosse de sua vontade. Resolvemos, então, falar com o Dr. Machado, chefe e gerente da estrada de ferro, para lhe pedir o trem que, além de haver sido fretado, já havia sido pago, mas o mesmo nos respondeu que não poderia, apesar de achar um direito nosso. Disse não poder ficar contra os interesses do povo de Ilhéus que, a essa hora, estava unido para desforrar a derrota sofrida no campo, massacrando todo e qualquer itabunense que encontrasse e também quem o ajudasse. Por esse motivo não poderia deixar o trem partir. Ao ouvir isto, Antonio Velásquez, gerente da luz e força de Itabuna, atracou-se em luta corporal com o Dr. Machado e lhe disse: “Já que é de sua vontade sermos massacrados, você será primeiro, ou dá o trem para a nossa volta, ou lhe mato aqui agora mesmo”. Conseguiu-se apaziguar os ânimos, afastando Velásquez e Alcântara, que esbofeteavam o Dr. Machado. Este vendo o firme propósito ambos matá-lo, caso o trem não fosse despachado, e eu sozinho para conter os dois, considerando a sua vida em perigo resolveu despachar o trem para a nossa volta, indo à estação de pijama e chinelos xagrim. Lá chegando ordenou a Teodoro, chefe da estação, para dar o trem. O Coronel Adelino Gomes, delegado de polícia de Ilhéus, tendo notícia que o Dr. Machado tinha sido agredido e levado para a estação da estrada de ferro pra dar o trem de volta, embalou sua força policial e rumou para a estação. Lá chegando, ouviu Velásquez e olhando para quase mil pessoas enfurecidas, resolveu desprezar a queixa recebida. Partiu o trem com 20 classes puxados pela locomotiva nº 12 e empurrada pela de nº 1 para a subida da Serra da Baleia. E qual não fora a nossa surpresa que, ao chegar no Rosário, o trem parou e o povo então perguntava: “O trem parou?”. Quando constatamos que os maquinistas haviam abandonado as locomotivas. Surgiu, então o desespero, mas um passageiro se apresentou à comissão dizendo ser maquinista da estrada de ferro São Francisco, hoje Leste Brasileiro. Ele chamava-se Belmiro e estava em Itabuna a passeio e viera a Ilhéus assistir ao jogo. Se a comissão desse cobertura puxaria o trem até Itabuna. Tudo certo, Belmiro desengatou a máquina nº 12 que puxava. Na Serra da Baleia, Belmiro, partiu ao meio aquela composição, subiu a serra e foi até a estação do Lava-pés. De lá, voltou, pegou aos restantes e, chegando em Lava-pés engatou-as, tendo todos chegados a Itabuna são e salvos, por aquele maquinista da estrada de Ferro São Francisco às 4 horas da manhã.

Em Itabuna, procuramos gratificar Belmiro, porém ele não aceitou. Ás 8 horas do dia chegaram em Itabuna o Dr. Machado, Dr. Mário, Jaime Ribeiro e Bento Berilo de Oliveira que vieram saber quem era Belmiro, com que autorização tinha trazido a Itabuna aquele trem. Velásquez escutou àquela comissão e lhe respondeu: “Belmiro é maquinista de primeira classe da Estrada de Ferro São Francisco e a ele devemos toda a gratidão e, se tem algum crime pelo ato que praticou, eu respondia em seu lugar”. Dr. Machado, que já havia sido esbofeteado por Velásquez, teve receio de novas conseqüências. Então ficou o dito pelo não dito, apenas restando a intriga de Ilhéus como Itabuna.

 

Costa, José Pereira da

Terra, Suor e Sangue; lembrança do passado / História da Região Cacaueira / José Pereira da Costa – Salvador: EGBA, 1995.

Gomes – Bahia

Tá com dor de cotovelo? veja Lara

Lara, filme dirigido por Leandro Afonso e rodado em Ilhéus

Lara, filme dirigido por Leandro Afonso e rodado em Ilhéus

Finalmente, foi divulgado o cartaz oficial de Lara, curta metragem de Leandro Afonso gravado integralmente em Ilhéus, na avenida Soares Lopes e nos arredores do centro da cidade. O filme também marca o retorno do diretor, pelo menos momentâneo, à região cacaueira.

Nascido em Salvador, onde dirigiu Nunca Mais Vou Filmar (2012), seu filme anterior, ele voltou a viver rotina semelhante à de 2008, quando fez Do Goleiro ao Ponta-esquerda (2008), documentário sobre a seleção de Itabuna dos anos 60 que apresentou como projeto de conclusão do curso de Comunicação Social da Uesc, onde ele montou Lara.

No seu terceiro curta metragem, Leandro retorna às relações interpessoais. Se em Nunca Mais Vou Filmar (2012) a sinopse era “em Salvador, homem que bebe reencontra mulher que fuma”, a de Lara é “com dor de cotovelo, homem procura mulheres”.

No entanto, ele adianta que os dois não se assemelham muito. “Pra mim, eles pouco se parecem. Existe a questão de homem e mulher, algo que me atrai e me instiga, mas para aí. Câmera, ritmo e abordagem são diferentes”.

Equipe

Em Lara, Leandro trabalhou com uma equipe reduzida e formada basicamente de universitários. “90% da equipe técnica estuda ou estudou na Uesc. E 100% do elenco faz ou fez Uesc”, diz ele, que fala ainda sobre a vinda do filme para cá.

“Em 2009 trabalhei como editor na Ícone (Áudio e Vídeo), de onde só saí para Salvador. No meio de 2012, tinha um roteiro pronto e uma equipe fechada, mas deixei o trabalho onde estava, decidi que o filme era prioridade e voltei para cá. Fui na Ícone e conversei com Jean (Paul Ferraz, um dos sócios), e com Camila (Bahia, produtora), e os dois terminaram de abraçar projeto. Com eles, percebi que já tinha uma base segura pra poder fazer um filme bacana”, frisa Leandro. “Depois foi adaptar parte da história de Salvador para Ilhéus, ter as dores de cabeça tradicionais de produções independentes, filmar e montar.”

Sobre o lançamento, Leandro admite que vai fazer uma exibição em Ilhéus. “Até o final do mês essa data vai ser divulgada”. Quando questionado sobre exatidão, ele desconversa, mas dá uma base. “Não vai ficar pro Natal, não. Até junho ou julho quero exibir o filme aqui”.

O sentimento que contagia o governo

O que acontece com o Palácio Paranaguá? Foto: José Nazal

Do Jornal Bahia Online

O sentimento de que estava tudo abandonado, exaustivamente utilizado por Jabes Ribeiro quando candidato a prefeito de Ilhéus é insistentemente mantido, agora, em sua administração.

A diferença é que àquela época o apelo fazia efeito por que ele era candidato. Agora, é prefeito.

Era estilingue. Agora é vidraça.

A estratégia usada pelo prefeito Jabes Ribeiro em falar em público mais em crise do que em solução tem desagradado até membros importantes da sua equipe. O problema é que eles não têm coragem de usar da sinceridade com o chefe e trabalhar por sua mudança de comportamento.

Pior ainda é quando se percebe que a “depressão” termina contagiando a quem está cheio de sonhos, mesmo diante das dificuldades (grandes, por sinal) encontradas.

Uma enquete feita pelo co-irmão Pimenta – bom que se frize que nela não existe nenhuma base científica – em 100 dias de governo Jabes consegue a façanha de ser desaprovado por 69 entre cada 100 moradores de Ilhéus que utilizaram a ferramenta para dar a sua opinião. É um desgaste maior que o prefeito de Itabuna, o novato e inexperiente gestor Claudevane Leite.

Jabes em seu quarto mandato pouco sorri nos eventos públicos. Jabes mal cumprimenta as pessoas. Jabes dá passos curtos, olha para baixo, quando olha para os lados olha sem sonhos, não acena para o futuro com a mesma determinação que levantava os braços durante a campanha eleitoral e acenava para o povo cheio de solução e de amor para dar.

Jabes, convenhamos, não é o Jabes dos outros governos, é o que diz a maioria das pessoas.

E esse governo de nem de longe parece ser um governo de Jabes, é uma frase que se ouve permanentemente.

A prova deste sentimento é a campanha institucional do IPTU.

“Vamos Reconstruir Ilhéus” nada mais é do que a construção de uma comunicação institucional negativa, perigosa, ruim, fraca.

Esperava-se da primeira grande campanha do governo, um ar de otimismo tão esperado pela população que o elegeu. Esperava-se o “andar pra frente” sem a sensação de que o freio de mão continua puxado.

Não precisa um bom especialista em marketing para decifrar esta mensagem e este sentimento de vazio que a campanha proporciona.

Basta perguntar ao cidadão comum: você paga imposto para morrer ou para sonhar?

Se é para sonhar, existem temas muito mais interessantes do que as ruínas encontradas.

Morre Wagner Bastos, política de Ilhéus fica mais triste

Wagner Bastos

Faleceu hoje no Hospital Regional Luiz Viana Filho, em Ilhéus, o sindicalista Wagner Bastos. A causa da morte ainda não foi divulgada. Wagner se sentiu mal e foi internado por cerca de 15 dias no Hospital Regional Luis Viana Filho, mas os médicos não conseguiram diagnosticar qual a doença.

Liderança política sindical não deixou a atividade nem mesmo enquanto estava internado, denunciando com texto e fotos o lamentável estado do Hospital Regional.

O corpo de Wagner será velado na na funerária São José, à rua do Café,  próximo ao cemitério da Vitória.

Igreja Lindinópolis clama pela paz

Sensibilizados com o aumento significativo dos casos de violência, membros da Igreja Batista Lindinópolis realizam nesta sábado (09) um grande clamor pela paz. O culto de louvor e adoração acontecerá a partir das 19 horas, na praça da Mangueira, bairro Nelson Costa, em Ilhéus. A iniciativa pretende reunir cristãos de diferentes denominações.

Os fiéis creem que, através das orações, poderão unir a comunidade em busca de dias mais tranquilos. Conforme está escrito no quarto livro de Filipenses, desejam que a paz de Cristo, que excede todo entendimento, guarde os corações e as mentes de todos.

A Igreja Batista Lindinópolis tem sua sede instalada no bairro da Conquista e está representada no Nelson Costa através de uma congregação de membros. A unidade funciona na Rua Eucário Bastos, número 295-A.

Pinga, o herói do hexa

Walmir Rosário

Perder para Ilhéus era o desespero de cada um dos jogadores da Seleção de Itabuna. Esse sentimento também era partilhado por Wilson Dias da Costa, o Pinga, que por ironia do destino era um ilheense nascido no distrito do Banco Central. Por volta de 1953, Pinga chegou a Itabuna e, como todo menino daquela época, jogava babas nos campos de bairro até ser descoberto pelo Náutico, time juvenil que posteriormente se fundiu com o Janízaros.

O Janízaros foi o único time amador que Pinga jogou até se transferir para o Itabuna Esporte Clube, já profissional, onde jogou apenas seis meses. Nesse curto período, ele se desencanou com o futebol profissional, no qual os craques eram colocados na reserva de jogadores medíocres trazidos por técnicos do Rio de Janeiro e São Paulo. E no Itabuna não era diferente, por isso ele preferiu e encerrar sua carreira esportiva.

Pinga, jogava em duas posições e tinha um estilo diferente

Pinga, jogava em duas posições e tinha um estilo diferente

Centroavante e ponta-de-lança, Pinga possuía uma característica diferente de jogar, pois seu estilo era buscar o jogo na defesa e carregar a bola até o ataque. Com isso, tanto fazia gols como servia seus companheiros do Janizaros – Marinho e Nelsão –, artilheiros do time. Pelo Janízaros jogou até 1966, quando foi desfeita a Seleção (amadora) de Itabuna. Nesse período foi campeão juvenil e amador, inclusive do Torneio do Cinquentenário de Itabuna.

Consagração

Em 1963 foi convocado para a seleção amadora e ganhou o tetracampeonato. Também participou do penta, mas sua consagração definitiva veio no campeonato de 1965 – disputado até o ano seguinte –, quando a Seleção de Itabuna venceu o Intermunicipal pela sexta vez consecutiva, sagrando-se hexacampeã, em Alagoinhas, com um gol de Pinga.

Pinga relembra esse fato como muita emoção e diz que, para ele, foi a glória ser recebido em Itabuna com muita festa, desfilando pelas ruas da cidade em cima de um carro do Corpo de Bombeiros. “Emoção igual àquela somente a de ganhar uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira. Se jogar na Seleção de Itabuna já era um grande reconhecimento, hexa, então, era demais, ainda por cima por ter marcado o gol da vitória”, relembra.

Segundo Pinga, ser convocado para a Seleção de Itabuna era motivo de orgulho para qualquer jogador, ainda mais pelo clima de amizade entre eles, tanto dentro de campo como fora. Pinga diz ter sido um privilégio jogar com craques como Santinho, Fernando Riela (só viu um parecido com ele: Sávio do Flamengo), Ronaldo, Abiezel, Tombinho (maior líder em campo), dentre tantos outros.

Mesmo tendo recebido instruções do técnico no vestiário, Pinga se recorda que, dentro de campo, todo o esquema tático poderia ser modificado, de acordo com o comportamento do adversário. E isso era feito pelos próprios jogadores. Ele conta que na partida decisiva contra a Seleção de Alagoinhas, além de jogar contra um time bom e que deixava jogar, ainda tinham que se cuidar para não se machucarem devido às péssimas condições do gramado, e tudo isso era decidido pelos jogadores.

Destemido

Pinga revela que nunca acreditou em peso de camisa, bem como temer adversários mais famosos. “Jogávamos de igual para igual e éramos respeitados por todos”, relembra. Numa de suas viagens pelo Rio de Janeiro se encontrou com o técnico do Fluminense, Antoninho, que lhe confidenciou considerar a Seleção de Itabuna a melhor equipe amadora que já tinha visto jogar.

Outro fato poderia ter mudando sua vida, porém ele não quis abandonar o emprego no Banco Baiano da Produção e se mudar para o Rio de Janeiro. Na capital carioca recebeu o convite de Bel para acompanha-lo até a sede do Botafogo onde o colega iria fazer um teste. Foi a Marechal Severiano para assistir ao treino de Bel no time da estrela solitária.

Quando o técnico do Botafogo, Paraguaio, soube que ele também era jogador, resolveu convidá-lo para participar do teste. Pinga não contou conversa. Entrou e arrasou, marcando três dos cinco gols. Os outros dois foram feitos por Bel. Satisfeito, Paraguaio ainda tentou que ele participasse de outro treino, porém não aceitou o convite e voltou para seu emprego em Itabuna.

Competência

Apesar de Ilheense, não se conforma até hoje ter perdido a última partida da Seleção de Itabuna (dele também) contra a de Ilhéus, pelo placar de 1X0, mesmo reconhecendo a alta qualidade dos jogadores adversários. Pinga destaca o nível dos jogadores de Itabuna, que para ele seriam titulares em qualquer time do Brasil, bastando apenas mais um pouco de preparo físico.

Outros irmãos de Pinga também jogaram futebol amador em Itabuna, a exemplo de Nal, goleiro do Flamengo, Fluminense e Seleção; Régis, lateral esquerdo do Janízaros e Seleção; Gilson, quarto zagueiro do Janízaros; e Dilson, meio-campo do Janízaros. Obedecendo a recomendação médica, Pinga deixou o futebol – devido a uma distensão na virilha –, mas continua atento ao que se passa no meio esportivo.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 28-07-2002

O potencial itabunense

Walmir Rosário

Itabuna, mesmo tendo que promover os ajustes necessários, em decorrência da nova realidade financeira do setor público, ainda preserva razoáveis condições para continuar promovendo o desenvolvimento. Com um parque industrial em formação, a economia itabunense pode-se transformar numa das mais modernas do setor produtivo, explorando suas três vocações: a indústria, o comércio e os serviços.

Num mundo em transformações rápidas, também as oportunidades se oferecem em maior número e devem ser aproveitadas com agilidade. Não se trata de colocar em prática nenhum projeto mirabolante. Basta que as ações do Poder Público sejam eficientes e ágeis, a exemplo da transferência dos camelôs da avenida do Cinquentenário, medida tomada recentemente e que merece o aplauso de toda a sociedade, organizando o comércio no centro da cidade.

O potencial itabunense é justamente o de reunir boas condições para deslanchar uma nova etapa em seu desenvolvimento econômico e social. As lideranças itabunense – empresariais e públicas – precisam estar bem sintonizadas com o tempo em que vivem, de transformações aceleradas, permitindo maior competitividade aos negócios em todas as áreas da economia. Todos precisam trabalhar, ganhar dinheiro, já que estamos numa economia capitalista, porém as atividades devem ser regulamentadas de maneira que não haja concorrência desleal.

Itabuna é uma cidade que reúne excelentes condições para se beneficiar de sua localização geográfica, de sua privilegiada natureza, da proximidade de um litoral dos mais belos do país, o que favorece a instalação de empreendimentos voltados ao turismo, o lazer, a indústria de tecnologia avançada, a exemplo dos investimentos que estão sendo realizados em Ilhéus. A proximidade de apenas 30 quilômetros não é uma fronteira estanque e poderia muito bem se completar.

Com o programa de desenvolvimento bem delineado e mantendo-se um bom diálogo entre os governos Federal, do Estado, do Município e a iniciativa privada, Itabuna tem plenas condições de recuperar sua abalada economia, mesmo com o Brasil vivendo um período difícil como o atual. Será preciso, todavia, uma visão bastante clara de onde se pretende chegar, com plano de ação definido, parceria constante e contínua entre o capital privado e o poder público. O potencial itabunense é estimulante e só permite olhar otimista, mas requer, preliminarmente, o entendimento básico entre a sociedade e o governo.

Razoavelmente bem servido em termos de infraestrutura, com a BR-101 e a BR-415, Itabuna pode acolher novos empreendimentos e avançar no setor industrial e comercial, abrindo novas fontes de receita em curto prazo. Como se vê, o potencial de Itabuna recomenda otimismo. Requer, entretanto, ação e trabalho. Com ele, o trabalho, não há mesmo crise que não acabe ou recessão que não se vença.

Mãos à obra, portanto.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 09-01-1999

O Botafogo de Rodrigo contra Bahia de Itajuípe

Walmir Rosário

A disputa entre o Botafogo do bairro Conceição e o Bahia de Itajuípe, em 1958 – foi considerado o jogo do ano na região cacaueira. A partida não valia por nenhum campeonato, ou torneio, mas valia uma aposta no valor de Cr$ 30 mil, uma quantidade de dinheiro para resolver o problema financeiro de qualquer um vivente.

A aposta foi feita entre Sílvio Sepúlveda, ex-goleiro, cartola e frequentador assíduo dos jogos da desportiva, onde ficou famoso por suas apostas, e Osvaldo Gigante, cartola do Bahia de Itajuípe. A todos ele desafiava, dando gols de vantagem, e quem se retrucasse dizendo que preferia apostar no clube proposto por ele, recebia outra resposta na mesma hora:

– Dou dois pra um – e Sílvio finalizava a pendenga.

A gloriosa equipe de 1958 do Botafogo do bairro Conceição

A gloriosa equipe de 1958 do Botafogo do bairro Conceição

Num jogo amistoso, o Bahia de Itajuípe caiu na besteira de ganhar do Botafogo de Rodrigo Antônio Figueiredo, o que para Sílvio teria sido apenas um pequeno acidente de percurso. Afinal, o Bahia, um time com uma dúzia de pernas-de-pau não poderia ser superior à equipe alvinegra com Patuca, Pedrinha, Dal (Tarzan), Pintadinho, Afrânio, Jonga, todos craques de primeira linha. Só uma revanche resolveria a pendenga.

Feita a aposta, dinheiro casado, o jogo foi marcado para 15 dias depois, tempo suficiente para arregimentar torcedores de toda a região. No domingo aprazado, o campo da Desportiva estava superlotado com as caravanas vinda de Itajuípe, Coaraci, Itapé, Ilhéus e até de Vitória da Conquista. Jogo duro, mastigado, jogadores seguindo à risca as recomendações de Sílvio Sepúlveda, pródigo nas recompensas pelas vitórias que lhe interessavam.

Apesar dos esforços dos botafoguenses, o primeiro tempo terminou com o placar de 2X0 para os visitantes, para o desespero de Sílvio e da torcida local. No vestiário, a preleção foi uma verdadeira aula de como virar o jogo e ganhar, de lambuja, outros Cr$ 500,00 de troco. Bastou umas duas substituições e mandar o time encarar o Bahia de homem pra homem. Uma moleza, segundo Sílvio, esclarecendo que bastaria Patuca segurar a defesa, Pedrinho controlar o meio-de-campo, abrir pra Jonga e enfiar a bola nos pés de Pintadinho, Afrânio e Esquerdinha. O resultado era sair para o abraço.

Dito e feito. No segundo tempo entrou Robertão, marcou o primeiro gol aos 35 minutos; Afrânio fez o segundo e, para o delírio da torcida, aos 42, próximo do fim do jogo, Esquerdinha recebe um lançamento de Pedrinha e enfia o terceiro gol no Bahia. A fatura estava liquidada. Agora, era só comemorar no Elite Bar e no Café das Meninas.

Pedrinha

Pedrinha dominava o meio campo

Pedrinha dominava o meio campo

Um dos melhores jogadores de meio-campo de Itabuna foi Pedrinha, ou Antônio Gonçalves de Oliveira, jogador do Botafogo de Rodrigo, do Fluminense, dentre outros. Famoso pelos seus lançamentos e a tabelinha que fazia com Mundeco, era de estilo clássico e atuava com responsabilidade. Essa equipe de 58, da qual fez parte, é considerada como uma das melhores da história esportiva de Itabuna.

Pedrinha deixou de jogar, mas não abandonou o futebol e é um grande colecionador de fotos de equipes esportivas, colaborando nas edições especiais do Jornal Agora.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 28-07-2003

Vivaldo Moncorvo, a alma do Itabuna

Walmir Rosário

Figura folclórica já incorporada a Itabuna e região cacaueira, o radiotelegrafista Vivaldo Moncorvo, nascido em 10 de março de 1925, em Senhor do Bonfim (Bahia), veio para substituir um colega em férias na agência dos Correios e Telégrafos, aqui desembarcando no dia 28 de julho de 1958 (dia da Cidade). Gostou da festa e não saiu mais.

Esportista convicto, Moncorvo sempre participou ativamente dos jogos de futebol, principalmente quando o assunto era a Seleção Amadora de Itabuna, hexacampeã intermunicipal. Com a fundação do Itabuna Esporte Clube e sua entrada no profissionalismo, Moncorvo torna-se ainda mais famoso ao chefiar a charanga que embalava a equipe azul e branca.

Hoje, não há em Itabuna e região um político ou desportista que não conheça Vivaldo Moncorvo, cuja fama ultrapassa as fronteiras regionais e foi citado em vários jornais de circulação nacional e até no estrangeiro ao entregar um trombone ao seu amigo Antônio Carlos Magalhães, durante um evento em Ilhéus. Foi a glória.

Sua amizade com ACM teve início em 1955, quando atendeu a um pedido de Ângelo Magalhães, tesoureiro dos Correios, para que desse uma ajudazinha na campanha do irmão. Em 1966 Moncorvo e ACM voltam a se encontrar, desta vez em Itabuna, durante a campanha para deputado federal. Estava formada uma amizade para o resto da vida.

Não é de hoje que muitos políticos importantes, de vez em quando, solicitam a Moncorvo uma “mãozinha” quando há um assunto a tratar com ACM, que nunca deixou um seu pedido sem atender. O primeiro e talvez o mais importante deles se deu ainda durante a construção do estádio Luiz Viana Filho, em 1973, durante a administração do prefeito Simão Fiterman: com a dificuldade em receber os recursos necessários para concluir a primeira fase das arquibancadas do estádio, Moncorvo embarcou num ônibus da Sulba com a missão de conseguir junto ao Secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector,  250 mil (ou milhões, não se recorda mais) de cruzeiros. Missão cumprida, finalmente, Armando Andrade pode concluir a obra. Moncorvo, homenageado, plantou o último pé de grama do estádio Luiz Viana Filho, na data histórica de 9 de abril de 1973.

A amizade de Moncorvo e ACM ficou ainda mais consolidada após a acachapante derrota para Waldir Pires, em 1986. Nesse período, ACM ainda curtia sua grande derrota na Ilha de Itaparica, e somente recebia os seus seguidores mais fiéis, a exemplo do cantor, compositor e barraqueiro do Mercado Modelo, Chocolate da Bahia, também derrotado nas urnas, como candidato a deputado federal. Grande entendedor do clamor das ruas, Chocolate pressentiu que o governo de Waldir Pires não iria a lugar nenhum e iniciou a composição de umas músicas de campanha para o retorno triunfal de ACM.

Ao ir à Ilha de Itaparica mostrar as composições, foi rechaçado pelo político, que não acreditava mais no seu retorno à vida pública. Indisposição essa que foi desfeita seis meses depois, quando ACM mandou chamar Chocolate para gravar a música “Você se lembra de mim”. Coube a Moncorvo e sua charanga a primazia de tocá-la numa das primeiras viagens feitas por ACM ao interior.

Além da música “Você se lembra de mim” também foram gravadas “A Bahia vai bem”, “A vitória que a Bahia quer”, entre outras tocadas pela brava charanga de Moncorvo, inclusive em Salvador. Na capital, a cada aniversário de ACM, Moncorvo lá estava presente com sua charanga a tiracolo, devidamente despachada por Manuel Leal e com a incumbência de acordar o “chefe” com uma grande alvorada. E o repertório incluía “Amigo”, de Roberto Carlos.

Em 6 de janeiro de 1981, no auditório do antes glorioso Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), ACM discursava se dizendo um homem realizado, pois nada lhe faltava, já que tinha ocupado todos os grandes cargos públicos, no que foi retrucado em voz alta pelo amigo Moncorvo:

– Falta, sim, chefe, ser presidente da República – gritou.

O cargo lembrado por Moncorvo, por ironia do destino, foi ocupado por ACM, sem nunca ter sido eleito para ele.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 28-07-2001

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