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Meu rio Cachoeira de antigamente

Walmir Rosário*

Confesso que sou um pouco saudosista, mas quem há de resistir àquelas boas lembranças dos tempos de criança e adolescente? Poucos insensíveis, diria eu, recordando a belezas e a funcionalidade do rio Cachoeira dos anos 1950/60. A beleza plástica está quase toda registrada nas telas dos nossos artistas plásticos, com suas pedras à mostra, às vezes nem tanto, pois também serviam de “coarador” para as centenas de lavadeiras de ganho, ou de casa, que utilizavam as abundantes águas.

Labutavam, ainda, nas águas do velho Cachoeira pescadores – alguns especializados – de pitus, calambaus e camarões; peixes das mais variadas espécies, em sua maioria nobre, a exemplo de robalos, jundiás, tucunarés; os areeiros, que retiravam a areia para as construções com suas canoas e transportadas nos jegues; tipo de transporte também utilizados para levar água (de gasto) às residências que não dispunham de água encanada, artigo (melhor, serviço) raro à época.

Com poucos esgotos in natura (tratamento também não existia) despejando no nosso rio, era o local da higiene corporal de muitos moradores, alguns que se exibiam com saltos e braçadas durante a natação num simples banho. As águas límpidas – embora salobra – era um convite, inclusive durante à noite quando alguns se aventuravam a mergulhar e nadar sorrateiramente para furtar os peixes capturados nas grozeiras e outras armadilhas colocadas em frentes às residências.

Os donos sabiam quem eram os larápios, mas nada de chegar às vias de fato, bastava uma simples censura, como geralmente assim fazia Pepê, hoje o advogado Pedro Carlos Nunes de Almeida, que tinha suas armadilhas alí na rua da Jaqueira, hoje avenida Fernando Cordier. Nos tempos atuais, mesmo com os parcos recursos, poucos se aventurariam a entrar nas águas superpoluidas do nosso velho rio, ainda mais com peixes suscetíveis a todos os tipos de doenças.

Sem medo de errar ou ser interpretado como politicamente incorreto, até as enchentes do rio Cachoeira eram de encher os olhos e correr o mundo com as notícias da invasão das águas na pujante Itabuna. E olhe que naquela época não existia internet ou redes sociais, ganhava o mundo através dos jornais, telégrafo e dos microfones das rádios Clube, Difusora e Jornal, já que os serviços de altofalante Tabu (bairro Conceição) e a Voz da Cidade não tinham longo alcance.

Passada a refrega, o comércio contabilizava seu prejuízo, refazia seus planos e tudo voltava à normalidade. A economia cacaueira dava o seu ar da graça e todos voltavam a ser o grapiúna de sempre, rico mesmo sem ter dinheiro no bolso, mas com muito crédito na praça. Nenhuma cidade do porte de Itabuna possuía o número de agências bancárias numa mesma avenida, a Cinquentenário, e todas funcionando, emprestando dinheiro e recebendo aplicações da venda do cacau.

Voltando ao comércio, a Cinquentenário e adjacentes se impunham com a galhardia de seus luminosos, confeccionados em gás neon, apagando e acendendo em intervalos diferentes, como só se viam nas grandes metrópoles pelo mundo afora. E os visitantes ficavam de “queixo caído” com nossa beleza feérica, tanto assim que muitos anos depois um conhecido biólogo da capital fluminense (à época Niterói), José Zambrotti, enchia os pulmões para nominar Itabuna como a Broadway brasileira.

Nem parecia que meses atrás tinha sofrido a grande catástrofe e, assim como no comércio, indústria e serviços maiores, a vida do rio voltava ao normal, com todos utilizando o que as águas produziam e permitam que fosse retirado para o bem do homem. Até as pontes voltavam ao normal. Me refiro às pontes do Tororó (conhecida como dos Velhacos), estreita, baixa e somente para pedestres, e a do Marabá, cujo nome, Miguel Calmon, ainda é desconhecido da maioria da população, que eram interditadas.

Hoje maltratado, o rio Cachoeira ainda tenta sobreviver, mesmo contra a falta de vontade dos nossos governantes, que pela importância dos rios, já poderia merecer tratamento diferenciado, com um projeto de despoluição desde sua nascente até o chamado “mar de Ilhéus”, onde desagua. Atualmente nenhum artista plástico dedicaria parte do seu tempo para retratar seu leito tomado pelas baronesas, criadouro do mosquito da dengue, ou as águas fétidas e de cor encardida pelo caldo derramado pelos esgotos.

Mesmo assim, ainda tenho a esperança de vê-lo, se não como o de antigamente, mas um rio importante na nossa vida e na socioeconomia do itabunense, do grapiúna. Gostaria de, em cima das pontes atuais e das que serão construídas, poder apreciar o Cachoeira revitalizado na Itabuna altaneira que sempre acostumamos a ver. Espero um dia possa ter essa oportunidade, assim como todos os itabunenses – daqui e de fora – que aprenderam a amar essa terra.

Minha homenagem aos 107 anos de emancipação político-administrativa de Itabuna

* Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no site: www.costasulfm.com.br

UFSB torna-se ponto de coleta voluntária de eletroeletrônicos

COLETORES ELETROETRÔNICOS - UFSB-400x400A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em parceria com a EcologAmbiental, irá disponibilizar coletores nos seus três campi (Itabuna, Teixeira de Freitas e Porto Seguro) para receber eletroeletrônicos que serão destinados para reciclagem. Os pontos de coleta receberão equipamentos da própria universidade, trazidos de casa pelos servidores e estudantes, assim como da comunidade em geral.

A empresa EcologAmbiental, localizada em Ilhéus, irá recolher o material, fazer a desmontagem e triagem e promover a reciclagem de seus componentes.

No geral, os produtos eletroeletrônicos são classificados em três linhas:
– Linha Verde: microcomputadores, notebooks, celulares, tabletes;
– Linha Marrom: TV, monitor de LED/LCD, produtos de áudio, DVD/VHS;
– Linha Azul: Batedeiras, ferro elétrico, liquidificador.

Poderá ser depositado nos coletores microcomputadores, notebooks, celulares, TV monitor de LED/LCD, produtos de áudio, DVD/VHS, batedeiras, ferro elétrico, liquidificador e baterias de celulares.

Não poderão ser depositados equipamentos chamados de linha branca, tais como geladeira, máquina de lavar roupas ou micro-ondas; nem pilhas alcalinas, lâmpadas fluorescentes, TV de tubo/plasma.

A iniciativa da ação é da Coordenação de Sustentabilidade e ficará sob a responsabilidade do Ecotime, que já é responsável por outras campanhas, como a da Coleta Seletiva, em Itabuna, e da coleta de óleo de cozinha usado, em Teixeira de Freitas.

De novo, a implicância com o sino!

Walmir Rosário*

Deve ser o sinal dos tempos, como costumam dizer os antigos. Não sei se é apenas uma simples implicância ou a chamada intolerância (até religiosa) muito comum nos tempos de hoje. O certo, que, pela segunda vez em cerca de quatro anos a sonoridade dos sinos das igrejas católicas de Itabuna volta a ser questionada.

O alvo anterior foi a Catedral de São José, agora, a reclamação é contra a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no bairro do mesmo nome. Na catedral, contra o sino tradicional, fundido em bronze, que dá uma sonoridade ímpar a cada badalada. Na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o sino é uma versão moderna, concebida na mais alta tecnologia digital, integrada por duas “bocas” de alto-falante colocados na torre do templo.

São José e Nossa Senhora sempre foram perseguidos: naquele tempo por serem os pais de Jesus Cristo, nomeado o Rei dos Judeus, levando o temor aos romanos invasores e aos judeus palacianos. Terminou sendo julgado e condenado a morrer crucificado. Se esperavam os dirigentes de então que calariam sua voz, enganaram-se, ela tinha sido semeada aos quatro ventos.

Se me recordo bem, as reclamações contra o badalar dos sinos, o tradicional na Catedral e sua versão informatizada, na Igreja da Conceição, não partiu da comunidade. Tanto lá como cá, foram apenas duas pessoas as incomodadas com repicar dos sinos. Os protestos vieram apenas e tão somente de duas vozes, uma de cada vez, sem representatividade ou ressonância.

O silêncio dos sinos da Catedral foi denunciado aqui mesmo no www.ciadanoticia.com.br e causou muita celeuma, inclusive com esse simples blogueiro sendo vítima de sermões negativos nas Santas Missas. Mas nada que atrapalhasse a comunicação entre esse pecador confesso e Deus, além dos santos e anjos protetores. E os sinos da Catedral de São José voltaram, garbosamente a dobrar.

Já o reclamo que tenta calar a sonoridade da versão moderna dos sinos da Igreja de Nossa Senhora da Conceição tomei conhecimento num programa jornalístico de um canal de TV. Ouvida, a maioria da comunidade se manifestou favorável à tradição secular, incorporada ao cotidiano daquele bairro. Como diz o ditado: uma só andorinha não faz verão.

De minha parte, que tenho na Igreja de Nossa Senhora da Conceição uma forte referência religiosa, não consigo conceber o motivo desta contestação. É o sino quem através dos anos serve para alertar aos fiéis o horário da Santa Missa e outras cerimônias religiosas e, inclusive o horário. Em Minas Gerais, os sinos se firmaram na tradição e os sineiros e tocadores se especializaram em fabricar e fazê-los dobrar em cânticos e harmonias diversas, apropriadas para cada evento.

Mesmo longe, posso dar o testemunho de quem, ainda adolescente, ajudou a construir aquele templo, erguido com a liderança de missionários do naipe dos frades capuchinhos Justo, Apolônio e Isaías. Somente a título de lembrança, os sinos – os de bronze – foram adquiridos com campanhas realizadas e que contou com o apoio de toda a comunidade.

Ainda quando residia em Itabuna, assistia, às terças-feiras, ao lado do colega José Augusto Ferreira Filho, a Missa em louvor a Santo Antônio na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. E nossas referências eram o tocar dos sinos, pois como chegávamos mais cedo, ficávamos no bate-papo com os amigos, até que o Frei Calazans nos convocava para a missa.

Aos mais novos e desavisados, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição é a maior referência religiosa, urbanística, histórica, sociológica e antropológica do bairro. Foi a sua construção e implantação, responsável pelo convívio social, a educação e a elevação da autoestima daquela comunidade conhecida pelo nome pejorativo de Abissínia e que passou a ser conhecida por bairro da Conceição.

Apesar de àquela época os tempos serem outros, quando prevalecia a força bruta, a convivência em relação à diferença de credos eram por demais respeitadas. Os católicos não reclamavam dos louvores da Igreja Batista Teosópolis e da Igreja Adventista, muito menos ao contrário. A convivência era perfeita entre os pastores Apolônio e Isaías e os três frades capuchinhos.

Não sei qual a opinião da autora do protesto contra os sinos em relação aos carros de som que fazem publicidade e dos chamados paredões, nocivos contra a saúde do corpo, ao contrário do dobrar dos sinos. Como um pastor deve cuidar de suas ovelhas, Frei Calazans, de pronto, já decidiu baixar o volume dos sinos digitais, mantendo as tradições religiosa e comunitária. O dobrar dos sinos representa a “voz de Deus”, cuja percepção transporta a alma para além das fronteiras do mundo terreno.

* Um amante do som dos sinos

UFSB recebe Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

De segunda (17) até quarta (19), a UFSB irá receber a arte-snct-400x400ro, Itabuna,  em seus três campi: Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas. O objetivo da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia da UFSB (SNTC-UFSB) é divulgar a ciência, a tecnologia, as humanidades e as artes, em todos os seus aspectos, produzidas no âmbito da UFSB, com ampla participação de estudantes de outras instituições de ensino e da comunidade em geral.

Com o tema “Ciência alimentando o Brasil”, a Semana terá diversas atividades, como Palestras sobre “Homeopatia na Agricultura” e “Engenharia de Processos: alimentos, fármacos, cosméticos, biotecnologia”; Mesas-Redondas sobre “Agroecologia: desenvolvimento científico e socioeconômico na produção de alimentos no sul da Bahia” e “Os oceanos alimentando o Brasil”; Oficinas com os temas: “’Não, eu não estou perdida’: gênero e diversidade em Ciência e Tecnologia” e “Avicultura e II Dia do Ovo na UFSB”; além de Seminários.

Essas são algumas das atividades propostas. Toda a programação pode ser vista no site da UFSB (http://www.ufsb.edu.br/ semana-nacional-de-ciencia-e- tecnologia-2/ ) e as inscrições poderão ser realizadas no credenciamento, às 8 horas, no próprio campus.

Encontro pelas Águas

Dentro da Semana, ocorrerá também o Encontro pelas Águas, que tem por objetivo contribuir para a construção de uma política participativa e descentralizada, envolvendo atores públicos, privados e da sociedade civil organizada para a conservação dos recursos hídricos e o planejamento de paisagens sustentáveis na região de abrangência da UFSB.

O Encontro acontecerá nos dias 18 e 19, a partir das 8:30 com transmissão via webcobferência. Na terça (18), a programação será no campus Jorge Amado, com temas como “Planos Municipais de Saneamento Básico” e “Projeto Caminho das Águas”, e no Campus Paulo Freire, com o tema “ Ciclo da Água e Importância da Água para a Agricultura”. Pela tarde, o Campus Sosígenes Costa (CSC) sediará o evento com o lançamento do Programa de Monitoramento Independente da Cobertura Vegetal do Extremo Sul da Bahia e demais atividades. Na quarta, todas as atividades ocorrerão no CSC.

Workshop e Mesa-Redonda sobre Tecnologias em Saúde

Na quarta-feira (19), será a vez do Workshop “Inovação em Saúde e os desafios da Avaliação de Tecnologias em Saúde”, com a Profª Drª Erika dos Santos Aragão, e Mesa-Redonda sobre “Os desafios da Avaliação de Tecnologias em Saúde no Estado da Bahia”, com Erika Aragão e a Ms Martha Carvalho Pereira Teixeira. As atividades se iniciam às 8:30 no campus Jorge Amado e serão transmitidas via webconferência através do link: http://webconf2.rnp.br/sala04_ cja_ufsb

 

Ciência, Saúde e Espiritualidade é tema de Jornada

O Centro Espírita Fraternidade de Itabuna, realiza nesta sexta-feira e sábado (7 e 8), em sua sede, na travessa avenida Ilhéus, 39, Alto Mirante, sua 6ª Jornada Espírita, abordando a temática “Ciência, Saúde e Espiritualidade – Superando a Depressão”.

A programação tem início na sexta-feira, a partir das 19h15min, com a apresentação Musical de Adilson Ribeiro. Em seguida, teremos a palestra sobre “Depressão – Doença ou Transtorno Espiritual”, com o Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza, médico psiquiatra e diretor-técnico do Hospital Espírita André Luiz, em Belo Horizonte-MG.

No sábado, a programação tem sequência com a realização do Seminário “As Múltiplas Faces da Depressão – A doença depressiva; depressão e espiritualidade; auto amor e amor divino e terapia contra a depressão”, tendo como facilitador o Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza. No momento musical teremos a apresentação de Nielma Silva.

A Presidente do Centro Espírita Fraternidade, Rita Cássia Alves de Sousa, informa que o evento será aberto ao público em geral e apenas solicita aos participantes do Seminário a doação de um pacote de fraldas descartáveis infantil, tamanho “P”, que serão destinadas às gestantes assistidas pelo Centro.

Além de palestrante, o Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza é Vice-presidente das Associações Médico-espírita do Brasil e escritor com destaque em eventos no Brasil e exterior. As obras de sua autoria estarão disponíveis para os interessados em adquiri-las durante o evento.

Informações complementares: (73) 3212-4580 / 98873-4245 e 98862-1543.

2ª Jornada Espírita com palestra musical no Porto da Esperança

Aberta ao público em geral tem início na próxima sexta-feira (30), a partir das 19h45, no Instituto de Cultura Espírita de Itabuna (ICEI), localizado a Rua Allan Kardec, 101, Jardim Italamar, a 2ª Jornada Espírita promovida pelo Centro Espírita Porto da Esperança de Itabuna, com o tema: “Em busca da Iluminação Interior”.

A programação prevê na abertura, homenagem a Waldir Montalvão de Souza, fundadora do Centro. Em Seguida, às 20 horas: palestra musical “Comunhão Íntima com Deus”, com Margarete Áquila.

No dia seguinte, 1º de outubro, às 14 horas, o evento tem sequência com a oficina: “Doenças emocionais e físicas x Doenças do Espírito”, com Margarete Áquila.

Além do ICEI, apoiam o evento: a Federação Espírita do Estado da Bahia-FEEB, Anna Vest, Consultório Odontológico Volte a Sorrir, Itabuna Palace, Pope Modas, Mania de Você, Armazém Itabuna, Shalon Collecttion e a Tropical Móveis.

Quem é – Paulista de Santo André, Margarete Áquila atua profissionalmente como terapeuta em psicanálise e cantora. Há 16 anos desenvolve seu trabalho musical para relaxamento, elevação da alma e autoconhecimento. Gravou oito CD ́s e dois DVD ́s.

Formada em Psicanálise pelo Instituto de Trilogia Analítica do Dr. Norberto Keppe, hipnose clínica pelo Instituto Interamericano de hipnose, Matemática e Informática. Pós-graduada em “Gerenciamento de sistemas” e “Sistemas de informações”. Atua como pesquisadora e palestrante de estudos metafísicos, da Doutrina Espírita, física quântica e autoconhecimento, em Casas Espíritas e em Congressos científicos, ufológicos com pesquisa psíquica em casos de abdução, no Brasil e no exterior.

Com a comercialização de seus CDs e DVDs ela auxilia em projetos sociais para moradores de rua e comunidades carentes. Para maiores informações: Site: www.margareteaquila.com.br

Sem Charles, Itabuna perde muito do charme e brilho

Walmir Rosário*

Itabuna nunca mais será a mesma após a sentida ausência do jornalista e promotor de eventos Charles Henri. Sempre fui adepto da frase “ninguém é insubstituível”, mas se tratando de Charles é diferente, porque ele sempre foi uma pessoa diferenciada e continuará fazendo falta como gente, ser humano, e como profissional.

Sua história não foi e nem poderá ser contada em definitivo, pois sempre ficará um tema de fora da conversa, haja vista a quantidade dos seus feitos, nas mais diversas áreas de atuação. Para Charles, não bastava ser bom, era preciso ser bem feito, chegar à perfeição. Esse cuidado era a dose de pressão que necessitava para suas realizações.

Com ele mudaram-se os conceitos de Itabuna, seja na forma de elaborar uma coluna social, ao realizar um desfile de moda, uma festa de 15 anos, uma homenagem especial. Os pequenos detalhes eram vistos e revistos, tratados com esmero para chegar à excelência. Essa era uma marca registrada por Charles Henri.

Ainda jovem foi buscar conhecimento e experiência no Rio de Janeiro, onde estudou e aprendeu o dom da transformação. Voltando a Itabuna, não parou de surpreender em tudo o que fazia. Tornou o colunismo social atraente e agradável de ser lido.

A sua ausência não será só sentida em relação aos eventos em que promovia, mas, sobretudo pelas atitudes. Sim, era uma pessoa que não espera acontecer, pois sabia fazer a hora. E como sabia. Itabuna deve muito a ele, especialmente quando não deixou o Itabuna Esporte Clube “morrer” por inanição e assumiu a presidência do Meu Time de Fé.

Na presidência, formou uma das melhores equipes do Itabuna Esporte Clube, cuja escalação ainda está na memória dos que tiveram a felicidade de assistir aos jogos; O Estádio Luiz Vianna Filho também prosperou com as idas e vindas de Charles a Salvador, com sua lista de pedidos a Antônio Carlos Magalhães e atendidas pessoalmente pelo secretário Bernardo Spector.

Em 1988, Charles Henri resolve atuar na política partidária e se candidata a vereador em Itabuna pelo Partido Democrático Trabalhista, o PDT de Leonel de Moura Brizola. Não conseguiu os votos suficientes para assumir uma cadeira no Legislativo, talvez por não conhecer os meandros e bastidores da política. Caso fosse vencedor, quem sabe teríamos um legislativo mais cônscio dos seus deveres para com a sociedade.

Perdeu Itabuna, mas Charles não perdeu a ousadia e em outra oportunidade se candidatou, foi eleito e assumiu a presidência do Sindicato de Jornalistas do Sul da Bahia (Sinjorsulba), que agonizava na “UTI” corporativa. Encarou, mais uma vez, o desafio e deu conta do recado com todos os efes e erres mostrando aos incrédulos que o desafio seria mais um obstáculo vencido. E foi.

Nascido Carlos Henrique Brito do Espírito Santo, era católico fervoroso e se dedicava integralmente nas festas religiosas, notadamente nas dedicadas a São José. Além de planejar a decoração do andor, a cada ano mais bonito, também estabeleceu regras para os condutores, do Santo, afastando os políticos de ocasião, que apenas passaram a acompanhar o santo de perto.

Diplomado em filosofia (acredito ter vindo daí a sua preocupação e sensibilidade com a beleza e a estética), não seguiu a carreira, preferindo se dedicar ao jornalismo, sempre com muita responsabilidade em todas as publicações que editava. O deadline (tempo para entrega do conteúdo editorial na redação) era pacífico para o editor e diagramador, embora motivo de pressão para Charles, pontualíssimo com sua coluna, jornais e revistas que editava.

Colecionava amigos com a mesma facilidade que possuía desafetos, em grande maioria por falta de conhecimento da personalidade de Charles, intransigente em suas posições. Se poderia fazer bem feito, não tirava por menos e sem rodeios e utilizava produtos da melhor qualidade, na culinária, nas fantasias, nas palavras.

Proporcionou, com altivez, aos itabunenses e sul-baianos, desmitificar o Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro ao desfilar pela Beija-flor de Nilópolis como um dos principais destaques. As riquíssimas e belas fantasias que antes somente eram observadas de longe, pela tela da TV, passaram a ser vistas e tocadas entre nós, nas exposições. Quem de nós não sentia o orgulho de ver na telinha da Globo o imponente Charles Henri no seu personagem sendo descrito pelo apresentador…

Toda a excentricidade se transformava em simplicidade e humildade quando tomava conhecimento do sofrimento alheio de uma pessoa amiga ou conhecida. Se desesperava e chorava junto, movia céu e terra para solucionar o problema alheio como se fosse coisa do outro mundo e também não os tivesse. Pra ele pouco importava, o importante era a felicidade. Era o Charles Henri gente, amigo, conciliador, apaziguador, benfeitor. Era o seu lado Irmã Dulce.

Nos bate-papos entre nós, Adervan sempre encorajava Charles Henri a abrir a boca com vontade e sem pudor. Sua proposta era que – munidos com uma câmera na mão e todas as ideias na cabeça – ficássemos trancados num hotel em outra cidade para ver e ouvir toda a história de Charles, sem pudor ou piedade, e, por conseguinte, grande parte da história de Itabuna e região.

Mesmo com os constantes apelos, Charles Henri não se encorajou para esse importante empreitada. Quem sabe, essa recusa à proposta por Adervan, não seria uma mera falta de coragem, mas, simplesmente, uma ponderação inteligente e de muito bom senso por parte de Charles, para não ferir suscetibilidades. É uma pena, pois mesmo que custasse um alto preço, teríamos conhecimento da verdadeira história de Itabuna, aquela que nunca é contada nos livros comportados.

* Amigo e editor

Artigo elaborado para a edição especial do Jornal Agora sobre Itabuna, em 28 de julho de 2016

Em Itabuna, futebol é no céu

Walmir Rosário*

Quantos aos desígnios de Deus ninguém discute. A morte é o fim da vida. Cada um presta contas lá em cima pelo que fez aqui na terra. Esta é a lei implacável dos dons divinos. Aqui na terra, não chega a ser bem assim, mas as aparências são mais ou menos as mesmas. O que chama a atenção sãos os seus desígnios, que levou para a sua glória três esportistas de uma só vez: Adonias Oliveira, Léo Briglia e Vivaldo Moncorvo.

É um luto daqueles que Itabuna nunca viveu, embora a cada dia perca um ou vários dos seus filhos. Mas nunca os que militaram num único setor, o esporte, e com sucesso assegurado em vida. Cada um, é claro, na sua área de atuação. Enquanto Léo era o dono da bola, o goleador, os outros não podem ser considerados menores.

A Adonias Oliveira, que nunca chegou a chutar uma bola (e se fez foi totalmente errado), formou uma plêiades de jogadores. Embora sua proposta ultrapasse o retângulo do gramados e fossem na na realidade de formar cidadãos, deixou seu legado. De pouca fala – timidez ao extremo – conseguia se comunicar com os jovens que convocara para os quadros do Fluminense juvenil e o América da Vila Zara.

Adonias, ou “Dom Dom”, como muitos os chamavam, nunca chutou uma bola, mas sabia, como nunca, descobrir nos velhos campinhos de bairros valores esportivos. Alguns deles chegaram ao futebol profissional; outros se destacaram no futebol amador “marrom”, que ganhava dinheiro sem se profissionalizar. Mas não importa, eram craques que tinham seus lugares nos mais diversos times de Itabuna.

E todos se exibiam na velha Desportiva Itabunense, onde hoje está implantado o Centro de Cultura de Itabuna. O fim do velho campo da Desportiva não impediu que eles brilhassem nos campinhos de bairro ou até no Estádio Luiz Vianna Filho, o gigante do Itabunão, como querem alguns radialistas. Além de dirigir o América da Vila Zara e o Fluminense, seu time de coração, foi dirigente da Liga de Desportos de Itabuna.

Vivaldo Moncorvo, de 101 anos, também nos deixou na mesma semana. Radiotelegrafista, veio da cidade do Senhor do Bonfim para exercer seu trabalho nos Correios e Telégrafos, em Itabuna, e se apaixonou pela cidade e pelo esporte. Desde os tempos da gloriosa Seleção Amadora de Itabuna, tomou pra si a incumbência de animar a equipe com a famosa charanga que que o consagrou pelo resto da vida.

Se o Itabuna estava em baixa junto à torcida, quem “pagava o pato” era o Moncorvo e sua charanga, que se colocava na arquibancada ao lado da torcida. Não haveria local mais apropriado para receber as vaias que seriam destinadas aos jogadores. Quando o “Meu Time de Fé” estava em alta, Moncorvo era aclamado ao animar a torcida com sua charanga. Para ele, o “céu e o inferno” astral fazia pouca diferença, no esporte ou na política.

Diferente de Adonias e Moncorvo, Léo Briglia atuava dentro de campo, fazendo a alegria da torcida com seus dribles e gols. E Léo sempre gostou dos extremos: poderia ter sido um grande cacauicultor ou doutor, foi estudar em Salvador, mas optou pelo futebol; torcedor do Vitória, se consagrou no Bahia; nunca obedeceu às premissas do esporte, preferindo a vida desregrada; como gozava de saúde férrea, chegou a desprezar cuidados essenciais. E sempre viveu nessa dualidade.

Mas nada disso tirou o brilho de suas atuações em campo, seja no início de sua carreira profissional no Bahia, consagrando-se artilheiro da Taça Brasil, ou quando campeão em pleno Maracanã, estádio em que brilhou por anos seguintes. Não foi à Copa do Mundo na Suécia, mesmo sendo o melhor da posição, preterido sob a alegação de cáries e outros pequenos problemas de contusão. Estava no lugar errado e na hora errada, como dizem alguns.

Acabou o futebol, voltou para Itabuna, foi ser servidor da Secretaria da Fazenda. Continuou o mesmo de sempre. Uma boa companhia para um bom papo, principalmente se numa mesa de bar. Acostumado aos holofotes da imprensa nacional, ficava nervoso ao se deparar em frente a um gravador ou à caneta do repórter. Em vista dessa sua característica, sempre preferi conversar informalmente, transformando os bate-papos em crônicas e reportagens. Das boas.

E anos a fio fizemos boas matérias com Léo Briglia. Destaco, aqui, a perspicácia do jornalista Marival Guedes ao entrevistá-lo para uma grande reportagem de uma edição especial do Jornal Agora em homenagem Dia da Cidade de Itabuna. Avisado da aversão ao gravador e caneta, tomou a precaução de apenas ouvir suas histórias. Foi uma reportagem sensacional e que merece ser lida por todos.

Minhas conversas com Léo tinham dois lugares: a Ponta da Tulha (uma duas vezes) e o Bar do saudoso Raileu, onde sentava praça e dava expediente nas suas incursões a Itabuna. Não tinha lugar melhor para ouvi-lo. Ali recebia os amigos com o mesmo entusiasmo de sempre. Entusiasmo esse que se estendia o ano todo, com mais intensidade quando chegava o Carnaval, para desfilar garbosamente no bloco “As Leoninas”, fantasiado a caráter: apenas de biquíni.

Essa era a figura de Léo Bríglia, que soube viver a vida como lhe aprazia, feliz consigo mesmo e irradiando a mesma felicidade para o grande número de amigos que colecionou ao longo do tempo. Além de tudo o que já foi dito, bom pai, extremado avô, que deixa um importante legado para os mais novos. Acredito até que ele cultuava aquele pensamento do nosso poeta português Fernando Pessoa: “Tudo Vale a pena / Se a alma não for pequena. (Mar Português).

*Jornalista e advogado

Publicado na edição especial do Jornal Agora sobre Itabuna em 28-08-2106

“Teje preso, seu amarrado!”

Walmir Rosário*

Lembro-me bem que nos tempos em que ainda criança, a segurança pública era feita com muito esmero, embora os exageros também fossem fecundos. Não era pra menos, pois os tempos eram outros, em que não se falava em direitos humanos. O que valia mesmo era a palavra das autoridades, ou na falta delas, de alguém que detivesse algum poder.

Em matéria de segurança, aqui em Itabuna, os equipamentos eram bem distribuídos. Em cada um dos bairros existia um aparelho da delegacia, com delegado e os chamados “inspetores”, geralmente um funcionário da prefeitura destinado para este fim, ou alguém que tinha a polícia como vocação, vontade essa não realizada.

A autoridade competente em cada um desses bairros era alguém indicado pelo prefeito por ser seu amigo, seu cabo eleitoral, ou alguém com coragem suficiente para meter os meliantes no xadrez. Sim, cada um desses aparatos existia uma cela, onde eram “enjaulados” aqueles que cometiam qualquer deslises contra a comunidade.

De pequenos furtos, roubos, brigas de ruas, bares e de marido e mulher, tudo era resolvido pelo delegado (chamado de calça curta), com o auxílio do inspetor. A depender do crime praticado, o meliante, pra começo de conversa, tinha que respeitar a autoridade e era submetido a uma sova, que podia ser na “mão grande” ou outros apetrechos mais apropriados, como a uma palmatória, bainha de facão, ou o próprio, batido com a banda ou folha, para que aprendesse a se comportar.

Mas, pelo que pude observar, não era uma profissão – se é que assim pode ser chamada essa obrigação – muito segura, pois tinha lá os seus percalços, que o diga um amigo meu que assumiu esse posto máximo de segurança em Ferradas. Ao receber a voz de prisão do delegado, o bandido que ceifou a vida de um irmão de sangue ameaçou, dizendo de pronto: “Se o delegado está vendo o que fiz com ele, que é meu irmão, pode imaginar o que farei com o senhor quando for solto”. Imediatamente, a voz de prisão se transformou em “esteja solto”. E até hoje meu amigo Faruk desfruta sua proveitosa aposentadoria.

Apesar dessas exceções, a regra geral era da chamada “maré mansa”, sem grande sobressaltos para a sua segurança, pois os transgressores da lei eram mais chegados às contravenções penais do que aos crimes de pequena monta, as contravenções penais. Pulavam um quintal ali, subtraíam uma mercadoria num venda de comércio em geral, ou davam uns tapas numa briga num jogo de gude ou jogavam dados pra valer (apostado).

No caso dos amigos do alheio, a depender do modus operandi, os agentes da lei já sabiam quem eram os prováveis autores e davam uma busca no bairro, inclusive na residência da família. E essa providência não dependia de nenhum mandado judicial, bastava apenas e tão somente a vontade da “autoridade”. Alegações outras contra a obstrução da “autoridade policial” simplesmente não eram admitidas e ponto final.

Volta e meia um crime mais significativo, ou fatal, era cometido e aí, sim, era requisitada a Polícia Militar e Civil para dar conta dos fatos. Mas não era todo o dia que um fato dessa grandeza merecesse a atenção dos verdadeiros agentes de segurança, ou da lei, como costumavam a ser chamados. A cidade ainda gozava de certa tranquilidade.

Os “delegados calça curta”, dentro das condições existentes, davam conta do recado, mesmo que vez em quando eram chamados a atenção pela condução nem sempre legal dos inquéritos. Por ouvir dizer, lembro desses abnegados da segurança que já indiciaram até mesmo animais, como a vaca Florisbela, na vizinha cidade de Itapé, inquérito esse tornado sem feito pela atenção de um zeloso promotor de justiça.

No bairro Conceição, também por ouvir dizer, acumulei conhecimento de muitas dessa histórias – ou estórias –, a depender do grau de credibilidade de quem nos contava. Uma delas me marcou bem, pois foi narrada por uma pessoa tida e havida como de bem, conhecida por Turrão, que era antigamente conhecido pelo nome de Albertino César.

Segundo contou, um desses costumeiros praticantes de contravenções penais pulou o muro de um vizinho e atacou o galinheiro, subtraindo alguns frangos de raça, mantido para as homéricas brigas de galo na rinha do bairro da Conceição. Ao receber a queixa, o zeloso “inspetor” não se fez de rogado e, pelo conhecido modus operandi, se dirigiu à casa do meliante dando voz de prisão.

Ao resistir à voz de prisão, tentou correr, mas foi detido prontamente pela grande plateia que acompanhava o inspetor, sendo contido e amarrado com cordas. E o inspetor tinha que prestar contas da ação com rapidez, haja vista que o proprietário dos galináceos era pessoa de importância na sociedade, amigo pessoal do prefeito e quase vereador, pois perdeu a eleição por umas três dúzias de votos.

Para completar o serviço eram preciso entregar o “troféu” ao delegado para as providências de praxe. Então a comitiva desfilou pelas ruas do bairro da Conceição, em direção à feira livre – no local onde hoje funciona a FTC –, onde o delegado calça curta trabalhava em sua barraca de farinha. Por onde passavam, a comitiva aumentava, bem como as dores da porradas sofridas pelo amigo do alheio.

Ao chegar à barraca, nosso bravo delegado deixou de atender um freguês para dar ouvidos ao subordinado, que contou o crime ocorrido, com a gravidade de ter sido aplicado contra uma pessoa de bem. E assim que a plateia aumentou o suficiente, para o desespero do prisioneiro, o delegado largou a medida de farinha, sacou de seu revólver, e do alto dos seu pulmões, em voz solene anunciou:

Teje preso, seu amarrado!”.

E com o sentimento do dever cumprido ainda ordenou: “Leve-o à delegacia para os costumes de sempre!”.

Em seguida, Juquinha fez um gesto próprios dos vencedores, deu meia volta e voltou a atender ao comprador de farinha.

* Jornalista e advogado.

Publicado na edição especial do Jornal Agora sobre Itabuna, em 28-08-2016

Folhas de jamaica pelo serviço expresso

Walmir Rosário*

Dias desses, por ocasião de uma das reuniões de sábado da Confraria do Berimbau, falei sobre a dificuldade de bebermos, em Canavieiras, uma boa cachaça de folha, da música “Tarde em Itapuã”, do poeta Vinícius de Moraes, que troquei para “cachaça de folha”. Nunca achamos as folhas boas que queremos ou uma cachaça destilada que se preze pela qualidade.

As duas juntas e engarrafadas que temos notícia não merece tanta confiança e credibilidade. Nada contra as folhagens (que geralmente se prestam para a mistura), mas o problema reside na qualidade da cachaça, nem sempre muito confiável por essas paragens. E a cachaça de folha tem que ser um “casamento perfeito”: boas folhas, ótima destilada.

Na minha reserva especial de cachaça sempre há espaço para as destiladas – descansadas ou não – de boa procedência. Sempre sentenciei como crime inafiançável misturar uma boa destilada com elementos estranhos, como o limão, que, comprovadamente, tem causado males diversos aos intestinos e estômagos mais delicados.

Mas sempre abri exceção para a mistura com as folhagens diversas, desde que não sejam amargas, a exemplo de “pau-de-rato”, “Milome”, “carqueja”, “boldo”, dentre outras. Não coloco o “jiló” no mesmo balaio, pois as histórias sobre essa mistura já causou alguns dissabores na masculinidade de alguns desavisados no bairro da Conceição, em Itabuna.

Já outras folhagens, do tipo mais amigável ao paladar, são sempre bem-vindas. A começar pela “catuaba”, “angico”, “jatobá”, cravo, canela, “angélica”, “alecrim”, “figo”, “gengibre” e até mesmo tempero pra peixe, uma mistura rica em alho, cebola em cabeça e verde, tomate, hortelã, pimentão e por aí a fora.

Em Itabuna, essas preciosidades sempre foram encontradas nas boas casas do ramo, aquelas não não economizam dois reais na hora de adquirir uma boa destilada para servir à seleta clientela. Exemplos que merecem ser lembrados são as “farmácias” de Dortas, na esquina do beco do Fuxico com o Calçadão da Ruy Barbosa, de Batutinha, no Médio Beco do Fuxico, e até de Ithiel Xavier, no início do bar no Alto Beco do Fuxico e que serviu de inspiração para a Confraria do mesmo nome.

Ainda no Alto Beco, na esquina da travessa Ithiel Xavier com a rua Duque de Caxias, estava implantada a mercearia de Alcides Rodrigues Roma, ponto de apoio da boemia frequentadora daquelas paragens. Ao lado dos sacos de milho e feijão, um cavalete com carne do sol e jabá (ambas com dois vistosos pelos), preferida para o tira-gosto entre uma cachacinha e outra.

Aliás, é bom que se diga que a especialidade da casa, era a “angélica”, considerada pelos consumidores a bebida sublime, a preferida dos clientes. E nada melhor do que uma jabá assada como prato de resistência. E não era preciso nenhum chef em culinária para prepará-la ao gostos dos fregueses.

Bastava apenas envolvê-la num papel pardo de embrulho, ensopar o pacote com bastante álcool 90 graus, colocá-lo no prato da balança e riscar o fósforo. Após o fogo apagado, desembrulhar a carne, bater com a faca na carne para tirar o excesso de sal e cortá-la em pequenas fatias. Pronto, com uma iguaria dessa qualidade não ficava ninguém com fome.

Num desses domingos em que todos se preparavam para ir ao futebol no Itabunão – era dia de Itabuna e Vasco da Gama –, eis que aparece uma visita ilustre na mercearia de Alcides Rodrigues Roma, tendo como anfitrião Paulo Fernando Nunes da Cruz, o Polenga. Era o então presidente vascaíno Eurico Miranda, que diante da fama da angélica e da jabá, desprezou o almoço do Pálace para experimentar o inusitado prato.

Mas preciso retomar o fio da meada, para não embaralhar a cabeça dos leitores com tantas informações, às vezes desencontradas e que podem levar ao coma alcoólico. Ante ao meu questionamento, de pronto, um amigo resolveu atender, em parte, minha solicitação, dizendo conhecer um pé de pimenta jamaica inexplorado, mantido por ele longe dos olhares de cachaceiros.

O receio de Antônio Alves (Tonhão, ou Tonhe Elefoa), técnico agrícola aposentado da Ceplac, é que a árvore venha a ser alvo dos consumidores de cachaça com folha e venham a desfolhá-la. Garantiu que supriria as minhas necessidades, colhendo algumas folhas, que seriam entregues em data próxima.

Nem bem passou uma semana e ao chegar em casa e vasculhar a caixa de correspondência para conferir a entrega dos Correios, me deparo com o compartimento cheio de folhas. Fiquei pasmo e pensei que seria um novo serviço dos Correios para tapar o rombo nas suas contas, mas abandonei a ideia por achar estapafúrdia.

Em seguida, meu pensamento voltou-se para as crianças vizinhas que brincam na rua tocando as campainhas e se escondendo que tinham feito mais uma travessura. Ao chegar mais perto para retirar as folhas, reconheci o cheiro das folhas de pimenta jamaica e fui me lembrar da promessa feita por Tonhão na Confraria do Berimbau.

Olhei para as folhas e já vislumbrei elas dentro de um litro misturadas com uma boa destilada – ainda não repousada – trazida do Bar do Jacaré, em Itajuípe, pelo amigo Cláudio da Luz. Um casamento perfeito, digno de saboreá-las ouvindo a música Tarde em Itapuã, tendo o cuidado de trocar as palavras cachaça de rolha por cachaça de folha.

* Apreciador das boas bebidas

Publicado na edição especial do Jornal Agora sobre Itabuna em 28-07-2016

Canavieiras abastece Itabuna com água doce

Os itabunenses, antes grandes consumidores do caranguejo, também passam a importar água potável de Canavieiras

Os itabunenses, grandes consumidores do caranguejo, agora importam água potável de Canavieiras

Apesar do sufoco que passou com a crise hídrica recente, distribuindo água salgada em Canavieiras, a Embasa passa a oferecer água doce em Itabuna. O produto, captado no mesmo manancial de antes, quando estava sofrendo o efeito das marés, agora se encontra própria para o consumo humano.

Com essa mudança no regime dos rios de Canavieiras, causada pelas chuvas e elevação do lençol freático, o município passa, da condição de necessitado a exportador, diminuindo as condições críticas de Itabuna.

Por dia, segundo informações, são abastecidos cerca de oito a 10 veículos (carretas e caminhões) para o abastecimento de água doce em Itabuna. Esta água seria destinada aos hospitais, hotéis e outras grandes instituições consumidoras.

Antes visto com bastante frequência na caatinga – região mais seca do Nordeste brasileiro – os carros-pipas já fazem parte da paisagem do Sul da Bahia, transportando água potável para as grandes cidades.

A exportação de água potável – e doce – é mais um grande negócio para os municípios que ainda dispõe de mananciais. Por enquanto, esse tipo de comércio ainda não foi regulamentado pelo governo e poderá render royalties para os municípios produtores.

o bahia esporte clube de itajuípe

Itajuípe sempre foi um celeiro de craques, desde que ainda era chamada de Pirangy. O futebol de Itabuna sempre soube onde buscar seus jogadores e muitos deles desfilaram como titulares na conceituada Seleção Amadora de Itabuna, por oito vezes campeã do certame intermunicipal baiano. À época também existia muita rivalidade entre as equipes de Itabuna e Itajuípe. Pois o Cláudio da Luz trouxe de presente essa “relíquia”, uma foto do Bahia Esporte Clube, de Itajuípe, da década de 1950, com a escalação quase que completa. Quem sabe, os mais experientes na idade completam a legenda da foto.

Em pé da esquerda para direita 4º. Jackson Hage Midlej 5º. Piaba e o irmão Almir do Correio 6º. Tirso Weyll 7º. Francisquinho Vinhas 9º. Cemi Hage 10º. Zé Vinhas Agachados 3º. Ivone Borracheiro 4º. Abel (irmão de Piaba) 6º. Daguia 7º. Marujo

(Em pé da esquerda para direita) 4º. Jackson Hage Midlej, 5º. Piaba e o irmão Almir do Correio, 6º. Tirso Weyll, 7º. Francisquinho Vinhas, 9º. Cemi Hage, 10º. Zé Vinhas, (Agachados) 3º. Ivone Borracheiro, 4º. Abel (irmão de Piaba), 6º. Daguia e 7º. Marujo

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