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Times investiam nas categorias de base

No ano de 1967 o Botafogo do bairro Conceição "papou" todos os títulos

No ano de 1967 o Botafogo do bairro Conceição “papou” todos os títulos. Um exemplo ainda hoje a ser seguido pelos times

Walmir Rosário

Chegar a jogar no campo da Desportiva numa tarde de domingo era o sonho de todos os atletas itabunenses. Durante a semana ele tinha dezenas de campos espalhados pelos bairros da cidade, onde jogavam baba o dia inteiro. Eram verdadeiras fábricas de craques, que alimentavam os clubes, que mantinham equipes de categorias diferentes, como aspirante, juvenil e amadores.

O Botafogo do bairro Conceição era um desses clubes, que no ano de 1967 foi campeão das categorias amador, aspirante e juvenil, e base para o time do ano seguinte. Na foto, o time juvenil composto por Nivaldo, Miguel Branco, Jacaré, Beguinho, Dudu, Manu, Almir, Miguel Preto, Alterivo, Tete, Cosme, Scania, Vavá, Zito Baú (técnico), Milton (supervisor) e Noel Moreira (presidente). O presidente de honra do time era Fernando Barreto.

Publicada no Jornal Agora em 28-07-2002

Competência e marketing

Walmir Rosário

Estatísticas e indicadores forram os jornais ao longo dos últimos dias, ao lado das anunciadas medidas de aumento da arrecadação da Previdência, via cobrança de aposentados e de instituições filantrópicas e de novos impostos à vista, inclusive a transformação da CPMF em imposto permanente. Chegam também informações sobre a redução da atividade industrial, da ordem de 9,7% em São Paulo, queda nas vendas, aumento do desemprego e ampliação do déficit externo, que alcança hoje 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior desde a implantação do Real.

Os primeiros estudos sobre as novas regras arrecadadoras, o projeto de reforma tributária que chegou ao Congresso nesta semana, indicam, por exemplo, que a gasolina poderá aumenta em até 26% e lubrificantes em geral em mais de 10,9%.

Diante do cenário pouco animador do país e das perspectivas de forte recessão em 1999, o jornalista Aloysio Biondi indagava na última quinta-feira, por que grande parte da imprensa, ao comentar a saída de parte da equipe econômica, responsável pelo programa de privatização, continuar rasgando elogios aos “técnicos de altíssimo nível” que o governo perdeu por causa dos grampos telefônicos?

Pergunta, Biondi: “Pois aqui vai um desafio a esses colunista. Favor citar um único, unzinho só exemplo de previsão da equipe FHC que se cumpriu, ao longo de quatro anos. Queda da importações? Aumento das exportações? Queda da inadimplência? Redução do desemprego? O Brasil não é a Ásia? Safra agrícola recorde? Crescimento da economia no segundo semestre de 1998? Ora, ora. Os erros da equipe econômica, mês a mês, colocaram o Brasil no buraco. Que ‘competência’ é essa? Qual o objetivo dessa louvação?”, finaliza.

De fato, a mídia brasileira em geral não se cansa em repetir a qualidade e competência da equipe econômica de FHC. Mas, na prática, os fatos demonstram que o buraco em que o país está se metendo é muito preocupante. Tanto pelo crescimento do déficit público quanto pela redução geral da atividade produtiva. Visivelmente, de estagnado, o Brasil caminha para trás. Inclusive tendo que recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e armar ajuda internacional de US$ 41 bilhões. Isso é competência?

No Brasil, desde o advento do Real e do surgimento de Fernando Henrique Cardoso como autor da proeza, a mídia – com uma ou outra exceção isolada – sempre esteve em lua de mel com o presidente. Mesmo assim, há poucos dias FHC reclamou da imprensa no episódio dos grampos, e recebeu então, da chamada grande imprensa, forte reprimenda, não sem esta reconhecer que nunca um presidente no Brasil teve tanto apoio e elogios da mídia em geral, quanto ele.

É inegável que o fim das taxas elevadas de inflações e a inserção no mercado consumidor de duas dezenas de brasileiros que se mantinham à margem do processo social provocaram mudanças positivas. Mas o impulso do Plano Real, ao invés de proporcionar à equipe econômica a realização das outras etapas – redução do tamanho do Estado, controle de gastos e redução dos déficits públicos, externo e interno – não foi aproveitado. Ou seja, a chamada lição de casa nunca foi feita. De novo o governo anuncia, através do plano de estabilização fiscal e da reforma tributária, disposição em fazê-la.

O que tivemos, portanto, foi uma estratégia de marketing que ocupou o governo em tempo integral. Garantiu a reeleição, mas com os efeitos da crise financeira internacional, jogou o Brasil no buraco. Que se reconheça, todavia, que no buraco e à beira do precipício o país sempre esteve.

Mesmo assim, apesar dos déficits e dos desajustes, o Brasil avança e recua. Se o brilhantismo e a competência do governo fossem o que apregoam, certamente o cenário hoje seria outro. Bem outro.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 05-12-1998

Uma questão de bom senso

Walmir Rosário

Em Itabuna os grandes assuntos de interesse de toda a sociedade continuam merecendo tratamento discriminatório, preconceituoso e sempre de forma inamistosa e radical. Nada do que interessa á sociedade é previamente discutida por ela, ou sequer é chamada a opinar.

Agora, que estamos vivendo o período natalino, o mais tradicional do comércio, o centro da cidade, continua carecendo de uma série de serviços, os chamados essenciais, prejudicando o brilhantismo dessa festa.

Até agora, em que pese uma parceria celebrada entre a Prefeitura de Itabuna e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o centro da cidade não recebeu nenhuma das benfeitorias previstas, como a iluminação e decoração natalina, equipamentos que continuam guardados nos depósitos do Município.

Além da falta do clima natalino, criado pelas luzes e peças decorativas, os consumidores que buscam o centro da cidade para fazer suas compras, ainda padecem com os constantes buracos da avenida, a falta de espaço para a circulação nas calçadas e a falta de estacionamento.

Por uma questão de bom senso, antes de tudo é preciso avaliarmos a necessidade da CDL, como representante dos lojistas, e da Prefeitura, órgão máximo da administração local, criar condições favoráveis para fomentar as vendas, alcançando um maior universo de pessoas, que geralmente se deslocam de suas cidades para realizar suas compras de fim de ano em Itabuna.

Infelizmente, invariavelmente esses consumidores não são tratados com o devido respeito e bom senso. O mesmo acontece com a população local, se bem que já acostumada ao desprezo por parte do Município, quando se trata de receber os serviços a que teria direito.

É natural e perfeitamente lógico que, nos esforços de reduzir despesas e ampliar receitas, que o município necessita de forma quase desesperada, em razão de suas prioridades, busque acabar com despesas – ou investimentos – consideradas não essenciais. Até aí nada mais justo. Porém, o Poder Público Municipal não pode desconhecer que o comércio sempre foi a maior atividade de Itabuna, a que gerou mais empregos e que responsável pela geração de impostos.

Não se concebe que uma atividade dessa importância seja relegada à sua própria sorte, na produção de benesses para o Município, através de promoções que aumentam a arrecadação de tributos pela Prefeitura, quando ele se nega a cumprir a sua parte.

Não se pode, a pretexto de acabar com determinados gastos, eliminar também as milhares de empresas, que são, verdadeiramente, as grandes benfeitoras, que ajudam – e muito a reduzir as amarguras de milhões de brasileiros que vivem no limite da pobreza e da miséria, proporcionando emprego e renda.

Emocionalismo exacerbado não contribui para a eliminação das dificuldades existentes no Município. É preciso aplicar o bom senso, pensar e buscar soluções para os problemas e não desprezar um dos segmentos mais importantes da sociedade. Os lojistas esperam ser ouvidos e atendidos em suas reivindicações, bem como pretendem continuar contribuindo para o desenvolvimento de Itabuna.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 12-12-1998

A comunicação como fator de integração entre o lojismo

Walmir Rosário

Ao comemorar 35 anos de existência, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Itabuna acredita que participou positivamente da vida do município. Afinal de contas, a CDL é integrada por pessoas de relevante conceito na sociedade, com atuação nos mais diversos setores produtivos. Para comemorar os 35 anos de atividade, nada de festas e sim mais planos para o futuro. Quem também comemora 40 anos é o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), que em Itabuna é um dos mais modernos do Brasil.

Os planos da CDL de Itabuna para os próximos anos são ambiciosos e têm como objetivo maior congregar o pensamento dos associados da instituição. Faz parte desse novo estágio um incremento nas ações de comunicação social, através do trabalho de uma assessoria voltada para atender os interesses corporativos e da sociedade como um todo. Esse novo momento na comunicação é o resultado de uma experiência acumulada ao longo dos anos, formando opinião na comunidade regional.

O projeto elaborado pela diretoria da CDL de Itabuna visa, sobretudo, acompanhar as transformações do mercado brasileiro, atualmente em ebulição. Atenta a todas as mudanças, a CDL de Itabuna ganha novo perfil, com destaque para a formação de parcerias. Com isso, ações estão sendo desenvolvidas no sentido de aumentar sua área de influência, através da elaboração de um plano estratégico efetivo para responder às necessidades institucionais.

Esses propósitos estão respaldados em conceitos modernos de marketing e estruturas no tripé Comunicação Empresarial e Relações Públicas; Eventos e Promoções; e Publicidade e Propaganda, cada uma contando com profissionais especializados nos segmentos envolvidos. Inicialmente, as ações serão concentradas numa nova formatação do jornal e do programa radiofônico Momento Empresarial, bem como na elaboração de campanhas publicitárias e de um calendário para a realização de eventos.

A intenção da diretoria da CDL de Itabuna é posicionar a comunicação da entidade como fonte geradora de recursos para organizar e executar ações mercadológicas, atuando nos âmbitos interno e externo, possibilitando o estabelecimento de canais de comunicação com os diversos públicos do segmento lojista e dos consumidores. Essas ações têm a finalidade de valorizar a comunicação empresarial como um meio capaz de levar o máximo de informações ao associado.

A área de eventos deverá contribuir para a realização de consultoria na organização de eventos bem sucedidos, gerando uma diversificação das atividades de marketing. Essa consultoria inclui desde a organização, produção do material de divulgação, desenvolvimento de brindes personalizados e estratégias de comunicação. Para isso será elaborado um calendário de eventos contemplando comemorações, encontros, convenções, seminários, simpósios, dentre outros.

Já o setor de publicidade e propaganda atuará na consultoria, planejamento e criação de material promocional visando o lançamento de novos produtos e serviços, homenagens a datas comemorativas, produção de material de divulgação e apoio aos eventos lojistas. A área de publicidade e propaganda continuará a desenvolver campanhas de forte apelo às vendas nas promoções e liquidações realizadas pela CDL, a exemplo de Natal, dia das mães, festejos juninos, dentre outras comemorações.

De acordo com as perspectivas do mercado – estabilizado economicamente –, as ações que a CDL está implantando deverão ter performance positiva de crescimento, já que o mercado se tornou acessível a todas as classe sociais. Desta forma, a CDL de Itabuna contribui ainda mais para o fortalecimento de um mercado cada vez mais competitivo, investindo na qualidade dos serviços prestados pelos seus associados.

O projeto de comunicação formulado pela CDL é considerado um ponto fundamental para continuar conquistando sua clientela, estruturando-se para atendê-la, ouvi-la e informá-la sobre o mercado, ganhando sua confiança. Neste sentido, procurará trabalhar oferecendo aos associados um serviço cada vez mais diferenciado, estabelecendo uma política de atendimento que busca novas oportunidades de mercado a ser exploradas.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 20-09-1998

A BR do esquecimento

Walmir Rosário

Já se tornou comum entre nós as constantes ameaças de fechamento da BR-101. Desde sua inauguração, há 26 anos, a estrada responsável pela integração do litoral brasileiro está relegada ao abandono. Pouquíssimas vezes recebeu tratamento, mesmo assim inadequado, pois os recursos sempre estão tão escassos e nunca são suficientes para uma completa recuperação. Enquanto isso, os motoristas são entregues à própria sorte, sofrendo prejuízos com pneus cortados e peças quebradas nas inúmeras crateras existentes ao longo da rodovia.

A BR-101, pensada na década de 1930, foi sendo construída aos pedaços e somente foi inaugurada em 1973 (no trecho que atravessa o Sul da Bahia), representando o último grande investimento do Governo Federal em nossa região. Talvez por termos sido ricos o bastante para não adotar formas de luta mais radicais, porém o eficiente, fomos nos acostumando com o descaso das autoridades para os nossos problemas e nos contentávamos em falar mal do governo pelas esquinas da vida, um péssimo exemplo a ser seguido.

Hoje, quando não mais estamos ricos (em alguns casos podemos nos considerar miseráveis), começamos a ensaiar tomadas de posição mais severas contra aqueles que não nos representam como esperávamos. Em que pese a timidez de nossas formas de luta, já há um avanço significativo na conscientização de nossa cidadania, fazendo valer nossos direitos, seja através do poder de pressão para que possamos ser atendidos em nossas justas reivindicações, ou pelo tradicional voto, excluindo da vida pública descomprometidos com nossas causas.

As ameaças de paralisação da BR-101 feitas pelo comitê representado pelas mais diversas instituições da sociedade são legítimas e devem ser encaradas por toda a comunidade como um ato essencial para a recuperação da nossa mais importante rodovia. Infelizmente, nossos governantes não se sensibilizam às solicitações educadas, mesmo que esta estejam devidamente fundamentadas e reconhecidas como necessária ao bem-estar comum.

Desta vez o comitê promete usar tática diferente e eficaz, realizando o protesto com o fechamento da BR-101 em data não divulgada, ao contrário da anterior, quando os efeitos não foram os esperados. Não estamos afirmando que os fins justifiquem os meios, porém os benefícios trazidos com a recuperação desta rodovia são mais importantes para a sociedade do que um ou outro interesse que por ventura possa ser prejudicado. É preciso que o Governo Federal possa assumir os compromissos acordados, nem que para isso as formas de luta sejam diferentes das normalmente utilizadas e que não produziram os efeitos positivos necessários.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 02-10-1999

Nem tanto, nem tampouco

Walmir Rosário

O Governo Federal recuou e já concedeu aumento de 10% aos fretes rodoviários para vigorar em novembro próximo, conforme acordo já firmado com as entidades representativas dos caminhoneiros. Essa é uma notícia ruim que vem escudada numa notícia boa – a redução dos juros –, também vinda do Palácio do Planalto. O setor produtivo, que já começava a olhar o governo com desconfiança, coloca um pé atrás e pergunta: Será que o custo de vida não sofrerá nenhuma alta, já que mais da metade da produção brasileira é transportada por caminhões?

Este é mais um problema para os economistas do governo se debruçarem sobre o problema, analisarem e dar uma resposta transparente ao povo brasileiro, quase esquecido dos constantes aumento de preços. Com o aumento do frete, as maquininhas remarcadoras voltarão a funcionar “a todo o vapor”, no sentido de “recuperar o atraso”. E os consumidores pensam que já estariam livres desta cultura inflacionária. Sem dúvida, a pressão feita pelos caminhoneiros obteve pleno êxito, resta-nos saber se os ruralistas também conseguirão, pois mudaram de estratégia e agora negociam nos gabinetes de Brasília, o que representa um grande risco.

Essa atitude do Governo Federal nos mostra que o Brasil não está livre do monstro da inflação, que aos poucos volta a dar demonstração que está vivo e pronto para novamente nos atacar. As explicações sobre os aumentos estarão na ponta da língua dos tecnocratas para, em bom “economês”, dizer que a culpa é dos consumidores de chuchu, ou de quem gasta gasolina para ir à praia num carro particular.

Esperamos que os tempos em que a sua economia sofria solavancos a cada majoração nos preços dos combustíveis já tenham passado, e que não sejamos acusados de sabotar a cotação do barril de petróleo no mercado internacional. Vamos fazer de conta de que não nos lembramos daquela época e que esse aumento do frete seja coisa do passado, sem grave influência na vida do cidadão comum, que consegue sobreviver com o salário corroído, sem saber o que é poder aquisitivo, mas sabedor de que seu dinheiro não dá para comprar as mesmas mercadorias do início do Plano Real.

O Governo Federal, por sua vez, deveria dar início aos seus projetos de investimentos, consertando as estradas que ainda estão sob sua responsabilidade, aumentando a vida útil de um caminhão, diminuindo o consumo de óleo diesel, evitando pneus estourados e molas quebradas. Não queremos nem mesmo exigir a ampliação da navegação de cabotagem e fluvial, bem como a ferroviária, como fazem os Estados Unidos e demais países do chamado primeiro mundo. Isso resolvido, com certeza, não teríamos nossa conta-petróleo ameaçada pelos caminhoneiros.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 18-09-1999

Confiando na Bahia

Walmir Rosário

As estatísticas revelam que nos últimos oito anos houve um grande crescimento positivo no mercado baiano. O mercado tem acompanhado passo a passo esse desenvolvimento e hoje a Bahia é um dos principais estados brasileiros em despertar o interesse de países compradores, especialmente da Europa e do Mercosul. A criação de facilidades de exportação tem sido motivo de trabalho da Promoexport, acompanhando e assessorando empresários baianos na busca de novo nichos de mercado.

Apesar das dificuldades econômicas surgidas no país e ocasionadas pelas oscilações do mercado financeiro internacional, o Governo do Estado tem tido a sabedoria necessária para atrair investimento para a Bahia, especialmente para o interior. São indústrias que chegam com pesados investimentos, diversificando a fonte da economia. Agora, somente na região cacaueira, milhares de postos de trabalho estão sendo gerados nas fábricas de calçados, meias, bicicletas, derivados de cacau, dentre outras que aqui estão se instalando.

Essa diversificação faz com que não passemos a depender apenas do cacau, única matriz econômica regional capaz de gerar empregos em massa. Faz bem lembramos que a cacauicultura também inicia o seu período de transformação, renovando os cacaueiros decadentes por plantas tolerantes à vassoura-de-bruxa e de alta produtividade, renovando as esperanças de produtores rurais, operários, enfim, de toda a cadeia produtiva e da sociedade regional sul-baiana.

Esses investimentos, além de gerar novos postos de trabalho, ainda são responsáveis pela mudança na mão-de-obra, que agora precisa ser especializada para atender à modernização cada vez mais crescente das atividades. O aumento quantitativo e qualitativo da nossa mão-de-obra não é apenas uma questão circunstancial, mas, sobretudo, um elemento a mais na economia, pois com o conhecimento adquirido, também chegam os melhores salários e, consequentemente, a satisfação das necessidades e o aquecimento do mercado.

É visível que não vivemos num oásis de prosperidade, mas não podemos fechar os olhos e desconhecer o período de crescimento que temos experimentado nesses últimos oito anos. Sabemos que a questão do emprego não é apenas um problema do Brasil e que aflige diretamente o mundo inteiro, desencadeada pela crescente globalização. Mudou o tipo de emprego, a relação de trabalho, e o Estado já está envidando esforços para encaminhar, recolocar essa força trabalhadora no mercado produtivo.

Não podemos desanimar com os acontecimentos momentâneos e nem acreditar em mensagens negativistas veiculadas com finalidade meramente político-eleitoral. O lojista, por formação, é um empreendedor que trabalha com portas abertas seduzindo clientes através da comunicação visual e mensagens de otimismo. Não devemos desacreditar nossos governantes que nos provam a competência com realizações cada vez mais frequentes, no intuito de corrigir as distorções ainda existentes na sociedade. Nada substitui nossa confiança e nosso otimismo.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 04-10-1998

A tendência mundial é o associativismo

Walmir Rosário

O momento em que vivemos se apresenta bastante conturbado e exige cautela no trato dos negócios. A inadimplência tem assustado muito. O aumento dos juros tem provocado dificuldades financeiras e comprometido vários empreendimentos. Porém, para esse delicado momento que estamos vivendo, as soluções têm que se buscadas em conjunto.

Temas como o banco de dados nacional único, cooperativismo na área de compras, de credito e nas mais diversas áreas, darem-se as mãos para uma solução em conjunto são fórmulas que outros segmentos já demonstraram que são métodos de sucesso. Os próprios países buscam soluções em conjunto. Basta observar os grandes blocos estão surgindo em todos os continentes.

O lojista que pensar individualmente para sobreviver com certeza enfrentará mais dificuldade do que aqueles que buscam soluções em conjunto. Daí a importância dessas discussões durante as convenções. Elas são salutares e quem sabe acendem algumas luzes que vão fazer com que muitos possam sobreviver.

Este é o cenário das tendências, que preveem a aglutinação de grandes marcas em grandes redes. Mas no varejo brasileiro o cenário ainda não é esse. Hoje a grande maioria é de pequenos empresários, mas que também está à porta da concentração. Isso já aconteceu em vários países como os Estados Unidos e diversos outros da Europa, e sabedores dessa tendência internacional, temos que preparar o nosso pequeno empresário do varejo para enfrentar essa nova realidade. Individualmente ele não vai conseguir sobreviver.

É a partir dessa constatação que ele (o pequeno empresário) passa a contar com entidades como as CDLs, associações comerciais, Sebrae, cooperativas, enfim, instrumentos importantes na busca de soluções para os problemas que estamos vivendo. Mas nunca esquecer que em primeiro lugar está o lojista. É ele quem mantém essas entidades que estão aí para oferecer subsídios capazes de auxiliá-lo na tomada de decisões.

Ao lado da tomada de ações associativistas e corporativistas, o lojista deve buscar incessantemente a profissionalização de sua atividade. Estudos nos mostram que a cada dia novos obstáculos surgem em função da economia globalizada e que devem ser superados. Sozinhos não conseguiremos atender as nossas dificuldades, mas juntos teremos a experiência e a capacidade necessária para resolver nossos problemas mais prementes.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 25-10-1998

 

Falta maturidade

Walmir Rosário

Os acontecimentos que levaram ao pedido de demissão do ministro das Comunicações mostraram que existe uma distância quase intransponível entre o que a sociedade brasileira e o mercado pensam a respeito dos negócios relacionados à venda de empresas estatais. Em seu depoimento no Senado, Luiz Carlos Mendonça de Barros disse que a postura mantida por ele e a cúpula do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) no processo que e antecedeu os leilões da teles era aceitável, levando-se em conta o tipo de “cultura de privatização” que se formou no país.

Pelo que se deduz dessas declarações, o estímulo à formação de consórcios parece corriqueiro, mesmo quando há amizades pessoais envolvidas. Normal, também, seria a participação ativa de bancos federais, agindo “no limite da irresponsabilidade”, como consta de um dos trechos das fitas que chegaram à imprensa. A ideia que se fazia do programa de desestatização, contudo, era bem diferente. As relações entre as autoridades e os investidores aparentavam estar dentro dos limites razoáveis, demarcados pela ética e pelo senso comum. Descobre-se, agora, que o espaço separando o Estado brasileiro do setor privado sempre foi muito menor do que se imaginava.

Essa constatação é insuficiente para invalidar os leilões, mesmo porque os resultados não corresponderam, necessariamente, à expectativa do governo – como as próprias gravações deixam claro. Mas fica a certeza de que faltou transparência na condução do processo, ou ao menos uma discussão séria sobre até onde os gestores da privatização podem ir, sem que passem a entrar em choque com o que se espera de administradores do patrimônio público.

Os argumentos favoráveis a Mendonça de Barros são, por sinal, os mais elucidativos desse conflito. Ao que tudo indica – e não há motivo para se duvidar dessa hipótese –, ele agiu convicto de que estava fazendo o melhor para o país, partindo do pressuposto de que uma atuação “agressiva” seria preferível a um comportamento “burocrático”. O que se entende por burocracia, nesse caso, é o apego exclusivo às regras do edital, sem que seja feito qualquer esforço no sentido de garantir maior retorno financeiro ao governo.

O desfecho do escândalo dos grampos mostrou, porém, que a falta de ousadia (como assim interpreta o ex-ministro) nem sempre é algo condenável. Pelo contrário, se Mendonça de Barros não tivesse se empenhado tanto em estimular a competição, pelos meios que considerava normais, o Tesouro Nacional poderia ter lucrado menos, mas em compensação o presidente Fernando Henrique Cardoso teria sido poupado do intenso desgaste das últimas semanas.

Se há algo de proveitoso em mais esse lamentável episódio envolvendo o governo é que ele criou a oportunidade de um debate aberto sobre os princípios que devem nortear a ação dos responsáveis pelo gerenciamento do programa de privatizações. Por mais competentes que sejam, eles não podem esquecer que a venda de empresas estatais é, acima de tudo, um processo político, cujas implicações vão muito além dos aspectos técnicos.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 28-11-1998

 

Novas oportunidades para a informalidade

Walmir Rosário

Com o lançamento do SimBahia pelo Governo do Estado abrem-se novas perspectivas para o crescimento da economia formal, retirando-se milhares de empreendedores baianos da informalidade. Essa medida deverá contribuir significativamente para tornar os produtos brasileiros mais competitivos em relação aos estrangeiros, sobretudo aos asiáticos, de qualidade duvidosa, mas que têm provocado estragos irreparáveis nos setores industrial e comercial. Agora, com a redução do “custo Brasil” a produção poderá chegar ao mercado com preços mais animadores e competitivos.

Os especialistas em mercado e relações de trabalho estão constantemente alertando para a nova realidade: a era do fim dos empregos para a população, no sentido tradicional. O que está acontecendo em outros países e vai ter que acontecer no Brasil que é a criação de uma rede de proteção social para que as pessoas sem carteira assinada possam gozar da mesma segurança dos trabalhadores formais, a exemplo da seguridade social, evitando, com isso, o aumento da legião de miseráveis.

A saída, sem dúvida, é a formalização das atividades, oferecendo fórmulas criativas para a regulamentação da economia informal, com alíquotas e faixas de faturamento compatíveis com a realidade das microempresas baianas, e isso fica mais fácil de acontecer. O SimBahia, com as mesmas regras e sistemáticas do Simples Federal, incentivará a criação de microempresas, sem trazer queda significativa na nossa arrecadação, e permitirá que os setores da economia informal es estabeleçam regularmente. Porém, para que o SimBahia tenha sucesso, é preciso que o Estado crie, urgentemente, um programa especial de oportunidade, com programas de capacitação, assistência jurídica, de marketing e investimento, para jovens empresários ou profissionais liberais recém-saídos da universidade e de cursos profissionalizantes.

Ao lado dessas medidas, outras também deverão ser tomadas, agora em nível municipal, para rezonear ou dotar de condições mais humanas essas pessoas. É preciso que o Poder Executivo Municipal proporcione melhores condições de trabalho aos camelôs que ocupam ruas e calçadas da avenida do Cinquentenário e adjacências, na nossa mais importante artéria comercial (no caso de Itabuna), realocando-os para áreas mais condizentes com a dignidade e livre das intempéries a que estão sujeitos, atualmente.

Talvez esteja faltando ser oferecida a primeira oportunidade, instalando-os em um dos tantos prédios desocupados do centro da cidade, beneficiando, também, os consumidores. Afinal, espírito empreendedor eles possuem e podem, em um curto período de tempo, retornar o investimento feito aos agentes financeiros. Experiências como essa têm sido feitas em todo o Brasil, com resultados altamente satisfatórios.

Ações como a proposta servirão de incentivo à criação de novas pequenas e microempresas, comprovadamente grande geradoras de mão-de-obra, diminuindo o efeito da concorrência negativa provocada pelos produtos importados via Paraguai, responsável pela evasão de divisas e o aumento do desemprego. A medida também beneficia a urbanização de nossa cidade, diminui a concorrência desleal com quem paga tributos e não prejudica as pessoas que apenas pretendem sobreviver.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 27-09-1998

O potencial itabunense

Walmir Rosário

Itabuna, mesmo tendo que promover os ajustes necessários, em decorrência da nova realidade financeira do setor público, ainda preserva razoáveis condições para continuar promovendo o desenvolvimento. Com um parque industrial em formação, a economia itabunense pode-se transformar numa das mais modernas do setor produtivo, explorando suas três vocações: a indústria, o comércio e os serviços.

Num mundo em transformações rápidas, também as oportunidades se oferecem em maior número e devem ser aproveitadas com agilidade. Não se trata de colocar em prática nenhum projeto mirabolante. Basta que as ações do Poder Público sejam eficientes e ágeis, a exemplo da transferência dos camelôs da avenida do Cinquentenário, medida tomada recentemente e que merece o aplauso de toda a sociedade, organizando o comércio no centro da cidade.

O potencial itabunense é justamente o de reunir boas condições para deslanchar uma nova etapa em seu desenvolvimento econômico e social. As lideranças itabunense – empresariais e públicas – precisam estar bem sintonizadas com o tempo em que vivem, de transformações aceleradas, permitindo maior competitividade aos negócios em todas as áreas da economia. Todos precisam trabalhar, ganhar dinheiro, já que estamos numa economia capitalista, porém as atividades devem ser regulamentadas de maneira que não haja concorrência desleal.

Itabuna é uma cidade que reúne excelentes condições para se beneficiar de sua localização geográfica, de sua privilegiada natureza, da proximidade de um litoral dos mais belos do país, o que favorece a instalação de empreendimentos voltados ao turismo, o lazer, a indústria de tecnologia avançada, a exemplo dos investimentos que estão sendo realizados em Ilhéus. A proximidade de apenas 30 quilômetros não é uma fronteira estanque e poderia muito bem se completar.

Com o programa de desenvolvimento bem delineado e mantendo-se um bom diálogo entre os governos Federal, do Estado, do Município e a iniciativa privada, Itabuna tem plenas condições de recuperar sua abalada economia, mesmo com o Brasil vivendo um período difícil como o atual. Será preciso, todavia, uma visão bastante clara de onde se pretende chegar, com plano de ação definido, parceria constante e contínua entre o capital privado e o poder público. O potencial itabunense é estimulante e só permite olhar otimista, mas requer, preliminarmente, o entendimento básico entre a sociedade e o governo.

Razoavelmente bem servido em termos de infraestrutura, com a BR-101 e a BR-415, Itabuna pode acolher novos empreendimentos e avançar no setor industrial e comercial, abrindo novas fontes de receita em curto prazo. Como se vê, o potencial de Itabuna recomenda otimismo. Requer, entretanto, ação e trabalho. Com ele, o trabalho, não há mesmo crise que não acabe ou recessão que não se vença.

Mãos à obra, portanto.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 09-01-1999

O Botafogo de Rodrigo contra Bahia de Itajuípe

Walmir Rosário

A disputa entre o Botafogo do bairro Conceição e o Bahia de Itajuípe, em 1958 – foi considerado o jogo do ano na região cacaueira. A partida não valia por nenhum campeonato, ou torneio, mas valia uma aposta no valor de Cr$ 30 mil, uma quantidade de dinheiro para resolver o problema financeiro de qualquer um vivente.

A aposta foi feita entre Sílvio Sepúlveda, ex-goleiro, cartola e frequentador assíduo dos jogos da desportiva, onde ficou famoso por suas apostas, e Osvaldo Gigante, cartola do Bahia de Itajuípe. A todos ele desafiava, dando gols de vantagem, e quem se retrucasse dizendo que preferia apostar no clube proposto por ele, recebia outra resposta na mesma hora:

– Dou dois pra um – e Sílvio finalizava a pendenga.

A gloriosa equipe de 1958 do Botafogo do bairro Conceição

A gloriosa equipe de 1958 do Botafogo do bairro Conceição

Num jogo amistoso, o Bahia de Itajuípe caiu na besteira de ganhar do Botafogo de Rodrigo Antônio Figueiredo, o que para Sílvio teria sido apenas um pequeno acidente de percurso. Afinal, o Bahia, um time com uma dúzia de pernas-de-pau não poderia ser superior à equipe alvinegra com Patuca, Pedrinha, Dal (Tarzan), Pintadinho, Afrânio, Jonga, todos craques de primeira linha. Só uma revanche resolveria a pendenga.

Feita a aposta, dinheiro casado, o jogo foi marcado para 15 dias depois, tempo suficiente para arregimentar torcedores de toda a região. No domingo aprazado, o campo da Desportiva estava superlotado com as caravanas vinda de Itajuípe, Coaraci, Itapé, Ilhéus e até de Vitória da Conquista. Jogo duro, mastigado, jogadores seguindo à risca as recomendações de Sílvio Sepúlveda, pródigo nas recompensas pelas vitórias que lhe interessavam.

Apesar dos esforços dos botafoguenses, o primeiro tempo terminou com o placar de 2X0 para os visitantes, para o desespero de Sílvio e da torcida local. No vestiário, a preleção foi uma verdadeira aula de como virar o jogo e ganhar, de lambuja, outros Cr$ 500,00 de troco. Bastou umas duas substituições e mandar o time encarar o Bahia de homem pra homem. Uma moleza, segundo Sílvio, esclarecendo que bastaria Patuca segurar a defesa, Pedrinho controlar o meio-de-campo, abrir pra Jonga e enfiar a bola nos pés de Pintadinho, Afrânio e Esquerdinha. O resultado era sair para o abraço.

Dito e feito. No segundo tempo entrou Robertão, marcou o primeiro gol aos 35 minutos; Afrânio fez o segundo e, para o delírio da torcida, aos 42, próximo do fim do jogo, Esquerdinha recebe um lançamento de Pedrinha e enfia o terceiro gol no Bahia. A fatura estava liquidada. Agora, era só comemorar no Elite Bar e no Café das Meninas.

Pedrinha

Pedrinha dominava o meio campo

Pedrinha dominava o meio campo

Um dos melhores jogadores de meio-campo de Itabuna foi Pedrinha, ou Antônio Gonçalves de Oliveira, jogador do Botafogo de Rodrigo, do Fluminense, dentre outros. Famoso pelos seus lançamentos e a tabelinha que fazia com Mundeco, era de estilo clássico e atuava com responsabilidade. Essa equipe de 58, da qual fez parte, é considerada como uma das melhores da história esportiva de Itabuna.

Pedrinha deixou de jogar, mas não abandonou o futebol e é um grande colecionador de fotos de equipes esportivas, colaborando nas edições especiais do Jornal Agora.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 28-07-2003

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