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Prudência e caldo de galinha…

Walmir Rosário

A Câmara de Ilhéus é uma das últimas casas legislativas a eleger sua Mesa Diretora. E o processo eleitoral é um dos mais complicados, deixando os analistas políticos impedidos de arriscar o resultado por antecipação, embora se vislumbre. O jogo político jogado nos bastidores é complexo, dado o grande número de interesses em jogo.

Para início de conversa, não existem dois lados – situação e oposição –, mas uma divisão de grupos, cujas motivações vão desde a afinidade pessoal até as oportunidades criadas com o resultado das últimas eleições. E como a vitória de Jaques Wagner vem tornando a decisão mais difícil!

Não se trata de incursões do governador eleito ou do seu staff junto aos legisladores ilheenses, mas do que espera o presidente eleito desfrutar em termos de benesses advindas do Palácio de Ondina. Em princípio, não comungo essa ideia, pois todos os esforços nesse sentido caberão ao Executivo Municipal, a quem compete formular as parcerias.

O que considero mais estranho no processo eleitoral do Legislativo ilheense é que o seu desfecho está, de certo modo, fora do alcance da Casa Legislativa, dependendo dos líderes políticos que já exerceram cargos majoritários no Município e/ou no Parlamento Federal. Têm esses políticos o dever de restabelecer um debate político de forma mais ampla, o que não vem acontecendo.

Essa responsabilidade recai exatamente sob os ombros de Jabes Ribeiro, político com amplo currículo, capaz de fazer inveja em muitos dos detentores de mandatos. Jabes, não custa relembrar, exerceu a vice-liderança do PSDB no Congresso, quando o líder era o então senador José Serra, tendo, portanto, estofo, jogo de cintura, sabedoria. Melhor dizendo: sabe onde as cobras dormem.

Derrotado nas últimas eleições, quando pleiteava uma vaga na Assembléia Legislativa, Jabes Ribeiro entrou em hibernação e faz ouvidos de mercador quando incitado a falar sobre o seu futuro político. Mesmo que somente seja para esclarecer as fofocas de bastidores dando conta de sua saída do PFL e a volta ao PMDB, antigo reduto, embora aí também tenha adversários encastelados. Mas nada muito significativo, pois a política é a arte de quebrar lanças… Ou como dizia o caudilho Leonel Brizola: “A arte de engolir sapos”.

O silêncio obsequioso de Jabes Ribeiro pode até ajudar suas conversas com o travesseiro, mas em nada contribui para o futuro de Ilhéus, especialmente após a derrota do grupo carlista, do qual atualmente faz parte. Não acredito que a inteligência de Jabes seja direcionada para a política de terra arrasada, na qual os valores se invertem, privilegiando-se o “quanto pior, melhor”.

Ao longo desses últimos dois anos, Jabes tem repetido que Ilhéus fez uma escolha e, embora não tenha sido a melhor, a população vai ter de aguentar os quatro anos. Embora não tenha feito um exercício de futurologia, é certo que Jabes utilizou as assertivas da lógica para elaborar a sua proposição, o que vem se confirmando.

Apesar de negar com veemência a sua participação nesse processo, ninguém, de sã consciência, jamais ousaria atestar sua falta de interesse em tão importante pleito. Ainda mais, tratando-se da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2007/08, período preparatório para as eleições municipais.

O que interessa ao político Jabes Ribeiro? Manter-se alheio e omisso ao cenário político ilheense? Não é fácil acreditar numa decisão desse calibre, até porque ele já deu demonstrações claras de que seu apoio seria dado ao vereador Jailson Nascimento.

Por sua vez, Jailson Nascimento também é o candidato preferido dos vereadores petistas, não porque acreditem ser esse vereador o melhor e o mais indicado, mas para seguir o que está escrito na cartilha do PT. Isto quer dizer que o PT  fechou questão e é tradição a obediência da bancada após a aprovação.

Tiraria algum proveito político Jabes Ribeiro fazer essa aliança com o PT, por mais pontual que seja? Hegemônico, o PT não abriria mão da candidatura majoritária, nem mesmo abriria algum espaço para Jabes Ribeiro, por conhecer sobejamente seu potencial nos vários embates políticos realizados no decorrer destes anos.

Como diz o ditado: “Gato escaldado de água fria tem medo”. E o PT de Ilhéus não iria incorrer num primarismo sem precedentes.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 25-11-2006

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