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Os muitos pais da BR-415

Walmir Rosário*

A Bahia reedita mais uma campanha política acirrada com a luta travada entre as candidaturas do governador Rui Costa (PT) à reeleição, e a do atual prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) ao Palácio de Ondina. Uma das mais recentes disputas é a duplicação da BR-415, no trecho entre Ilhéus e Itabuna, anunciado pelo Governo do Estado como se fosse sua, embora os recursos tenham origem no Governo Federal.

A eleição ainda será no próximo ano, mas já pega fogo em todo o Brasil e na Bahia não poderia ser diferente, pelo contrário, aqui começa mais cedo, haja vista a dualidade das candidaturas. E faz tempo que é assim, com os eleitores e simpatizantes de Antônio Carlos Magalhães e um seu adversário, seja lá de que corrente política for, mas unidas (ou coligadas) para tentar derrotar os adversários de sempre.

E não é de hoje que o palanque é armado em Itabuna em 1985, a exemplo do que lançou Waldir Pires (PMDB) ao Governo da Bahia, que no ano seguinte ganhou para Josaphat Marinho (PFL) por uma avalanche de votos: perto de 1,5 milhão. Se antes o palanque foi montado na praça Adami, agora foi deslocado para a avenida Juracy Magalhães, na saída para a Ilhéus, cidade vizinha amada ou odiada, de acordo com os interesses.

E o motivo da discórdia é a chamada duplicação da BR-415, trecho que será construído pela margem direita do rio Cachoeira, mas sem o fôlego suficiente para segui-lo até sua foz. O projeto é antigo, elaborado pelo Derba, revisto pelo DNIT, e, de certa forma, é um grande vetor de desenvolvimento regional, por desbravar uma área que produz cacau, café, gado (leite e corte) e produtos de subsistência.

Sim, mas onde está o motivo da refrega entre os possíveis candidatos ao Governo Estado da Bahia? No anúncio do “pai da criança”. Pela primeira vez todos os candidatos que se apresentar como tal, mesmo sem o certificado do DNA. Ou melhor, a genética financeira aponta que o Governo Federal é o pai e mãe da criança, pois gerou e vai custear todas as despesas de criação até que se dê por independente.

E não é de hoje que a fecundação da criança é insistentemente anunciada, mas sem resultados positivos. Pelos meus cálculos, está já é a quarta vez que os coitados dos jornalistas anunciam a data do nascimento, mas a mãe União cismava em não dar a luz ao rebento. De tanto anunciarem, os governadores baianos petistas se acostumaram e se consideraram (em verdade, se consideram) o verdadeiro pai da criança.

E nessa renhida disputa, o governador do Estado considera o rebento como seu, por ter sido a duplicação anunciada durante os governo de Lula e Dilma, embora nunca executada. Assim como a BR-415, outras obras com recursos do Governo Federal são executadas pelo Governo do Estado e Municípios, como se fossem de recursos próprios e não oriundos de transferências, seja a que título forem.

E os petistas – que não são graça e sabem utilizar a mídia no formato os fins justificam os meios – massacraram o presidente da República, “golpista” no entender deles, como se não quisessem executar a obra. E os arroubos não foram poucos, com afirmações falaciosas do tipo: “Se o governo golpista não fizer, nós faremos”, embora grande parte dos recursos federais já esteja disponível na conta.

Mais uma vez, a turma do Temer “apanha como mala velha pra tirar a poeira”, sem ter qualquer culpa registrada em cartório, e não soube ou sabe contra-atacar e promover sua defesa. De forma atabalhoada, cancelou a vinda do ministro dos Transportes a Itabuna e se apresentar no palanque como o verdadeiro pai da criança. Nos comunicados petistas, a culpa teria sido de ACM Neto, que agiria nos mesmos moldes do avô, embora nem cabeça branca ainda tenha.

E essa confusão toda tem todo o motivo para tanto. A obra, embora não seja uma duplicação de verdade, é importante para o desenvolvimento econômico e social, não só de Itabuna e Ilhéus, mas da região cacaueira como um todo. A atual BR-415 se tornou uma avenida comercial, industrial e serviços, além de ser nosso caminho do nosso pequeno mas atuante aeroporto e poderá nos oferecer novos rumos.

Só que, no meu modesto entendimento, a duplicação de verdade começaria em Itabuna, no bairro da Conceição, e se estenderia até a cidade de Ilhéus e não terminaria no meio da estrada. A nova estrada terá 17,98 quilômetros de extensão, embora a distância entre as duas cidades meçam quase 30 quilômetros. Uma perna nasce menor do que a outra e antes do bairro ilheense do Banco da Vitória o tráfego se congestionará de novo. Deveria ter sido feito um enxerto ou uma prótese para corrigir a deficiência.

É uma pena que uma estrada tão anunciada e cancelada como essa continue com com os defeitos congênitos, que poderiam ter sido corrigidos antes do começo da obra. Até porque o fluxo do tráfego não é apenas das duas cidades e sim de toda uma região, que sempre teve a vocação para produzir e ser grande, mesmo que seu povo abdique da política, entregando-a de bandeja aos povos de outras regiões, contentando-se apenas com a economia.

Eu, como sou um otimista incorrigível, acredito que a obra seja concluída, porém muitos ainda são como São Tomé: têm que ver para crer.

*Radialista, jornalista e advogado

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Faltam ideologias e sobram donos aos partidos políticos

*Walmir Rosário

Atualmente, a maior falácia do Brasil é a tão falada reforma política. E não poderia ser diferente, pois a casta dominante em Brasília e que domina o Congresso Nacional – Senado e Câmara federais – e o Executivo não tomariam qualquer decisão contra o status quo em vigor. Poderíamos, ainda, incluir na casta dominante o Poder Judiciário, acostumado às benesses do poder, com ressalvas, é claro.

Esses senhores que escolhemos – muito mal – para nos representar não aceitam nos dar a contrapartida da representação, que seria trabalhar para colocar em vigor todas as promessas feitas durante as sucessivas campanhas eleitorais. Os deputados federais seriam, caso cumprissem o que prometeram, os representantes do povo; já os senadores seriam os representantes dos estados federativos, que em última instância teriam que promover a paz e o bem-estar social do seu povo.

Mas com a Lei de Defesa e Proteção ao Consumidor não tem o poder de penalizá-los, fica o dito em campanha pelo não dito após a posse, sem qualquer conotação de propaganda enganosa. Enfim, “esqueçam tudo que eu disse”, na péssima lição dada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Em outras palavras, o que eu digo não se escreve, conforme o ditado popular bastante conhecido pelos brasileiros bonzinhos.

Mas se o leitor acredita que os políticos são ruins, pense então na série de agremiações que os reúne para pedir o seu inocente voto e finalizar o contrato firmado com você logo após apurados os votos e empossados nos cargos. É assim que a banda toca nesse nosso Brasil, em que os partidos políticos se despiram das mais diferentes ideologias, logo após a queda do Muro de Berlim e a chegada de Lula à Presidência da República, com o propósito de nunca mais apear do poder.

Se os partidos estão desprovidos de ideologia, sobra neles o coronelismo atávico dos poderosos que os dominam com mãos de ferro para punir os inimigos ou membros mais afoitos que contrariem o escrito nas suas cartilhas. A dureza do tratamento com os subalternos, entretanto, não é a mesma quando tratam da benesses do poder, com a ocupação de cargos na estrutura administrativa do Estado e suas estatais.

Pelo contrário, a pose republicana passada nos discursos de palanque, emissoras de rádios, televisões e jornais se transforma em comportamento espúrio com a finalidade de tomar parte no rico botim do dinheiro público. Tudo feito à sorrelfa, no recôndito dos gabinetes palacianos, sem a presença de testemunhas indesejáveis. Farinha pouca, meu pirão primeiro, é o lema dos nossos bravos políticos.

Mas, e as reformas? Sinceramente, acredito até que eles pretendam implementá-las, mas ao jeito deles, ampliando a participação no combalido bolo de recursos públicos, cujo fermento é, em maior parte, o pagamento dos impostos pelos assalariados. Que venha o fundo de R$ 3,6 bilhões, associado às contribuições das empreiteiras, o caixa 2 e o roubo das estatais. Quanto mais, melhor.

E as reformas? Calma, que vamos promover mudanças profundas nos partidos políticos – simples associações necessárias para o registro de candidaturas –, promovendo a tão sonhada mudança nos nomes e suas siglas. Basta tirar o P – de partido – de algumas agremiações, acrescentar ou substituir nomes em outros e o eleitor ficará bastante satisfeito com as reformas.

Até que tem sentido, dirão eles, com a desculpa de que a exigência da legislação eleitoral da palavra partido como primeiro nome foi uma imposição dos militares durante o período da ditadura. À época, os militares insatisfeitos com o sucesso nas urnas do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – uma espécie de “Arca de Noé” que abrigava políticos dos mais diversos matizes – sobre a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava os governos militares, inventaram o P inicial como condição para o registro de partidos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Agora, estimado eleitor, já que você se sente um perfeito idiota, me diga o que essa mudança de nome acrescentará na sua vida, no desenvolvimento do país, a não ser embaralhar, ainda mais, a cabeça do nosso povo? O que a palavra partido – ou a falta dela – influenciará na economia, no desenvolvimento social do nosso povo? Mais uma vez, nada, a não ser o engodo que deveremos deixar descer goela abaixo.

Mas, não ligue não! Já que estamos conscientes de que a política é arte de quem não presta, como dizemos normalmente, pelo menos não sentimos violência quando somos surrupiados de nossos bens materiais. Afinal, com a violência que impera hoje em dia, pelo menos seremos vítima de simples furto, sem a ameaça de revólver, e não de roubo dos bandidos que campeiam as ruas de nossas cidades, armados até os dentes.

Como parece que nos encontramos num beco sem qualquer saída, só nos resta escolher o tipo de violência que preferimos sofrer: a física e patrimonial ou a psicológica e moral. E depois não me digam que é por falta de opção.

*Radialista, jornalista e advogado.

Podres Poderes

Walmir Rosário*

Não é de hoje que a política brasileira dá demonstração de que não respeita o eleitor, seja em que nível represente – municipal, estadual ou federal –, pouco se importando com o feedback dado pelo eleitor. Ele tem segurança que não é fiscalizado e poucos são os eleitores que lembram em qual candidato votou, muito menos o que ele faz no parlamento ou no executivo.

Infelizmente, é assim que a banda toca, com o nível de desinformação beneficiando o infrator, como sempre acontece, e quanto mais longe do eleitor, maior a facilidade de enganá-lo. Não é à toa que se lembram de que representa o eleitor, no caso do deputado, somente na hora de pedir o voto, com mil e uma promessas.

Constantemente lemos, vemos e ouvimos na imprensa o deputado se defendendo dos gastos com passagens aérea, envio de correspondências e combustíveis, como uma premissa de ouvir o seu eleitor. Nunca antes, agora e nem depois na história desse país, político algum se preocupou em ouvir que o elegeu, depositando o voto nas urnas, seja a manual ou eletrônica.

Pelo contrário, suas viagens às bases eleitorais – capital e interior – tem apenas como objetivo o encontro com seus cabos eleitorais, seja para justificar o que não pode ou deixou de fazer, como as promessas para o futuro. E isso acontece com os parlamentares de todos os partidos, já que após a derrubada do muro de Berlim e os oito anos de Lula as ideologias políticas foram para o espaço, tal e qual o foguete Sputnik levava seus satélites à órbita celeste.

Como diz a Lei de Murphy: “se alguma coisa pode dar errado, dará, e mais, dará errado da pior maneira”, pouco se preocupam com o país, pois a tendência é que um escândalo termine por encobrir o outro. Pelo que se sabe, em Brasília tudo é combinado, inclusive a raiva nos microfones e câmeras, miséria pouca para esses senhores é besteira.

E assim vamos caminhando para o caos, pois nossos governantes mudam de ideia logo que sentam na poltrona do poder, embutindo um discurso bem diferente daquele dito nos palanques. Planejamento se transforma em coisa de somenos importância e o que vale é gastar. Isto mesmo, gastar, nada de investir dentro dos princípios da razoabilidade.

A Lei de Responsabilidade Fiscal virou um empecilho para se governar, como disse Lula que foi eleito falando mal dos governantes atual e passado, prometendo o fazer do Brasil um paraíso. Não fez, pelo contrário, liderou a maior corrupção já vista no país desde os tempos imperiais – da época do descobrimento aos dias de hoje.

Com a gerentona Dilma não tivemos maior sorte e tudo continuou como dantes no quartel de Abrantes, afundando ainda mais nossa economia e a política de Estado. O que interessava aos ocupantes de plantão não era o Brasil e sim o Partido dos Trabalhadores e coligados, até que a Polícia Federal e o Ministério Público tomassem as providências moralizadoras juntos com a Justiça.

Mas quando o óbulo é grande até o santo desconfia, não tivemos a sorte de colocar o país nos trilhos com seu substituto, o vice Temer, que antes os petistas andavam com ele a tiracolo e que hoje execram. Tentam, mais uma vez, enganar aos incautos de que não foram eles quem o colocaram no Palácio do Jaburu, local considerado azarento e até nefasto.

Se Dilma afundou o país, Temer, ao que parece, quer jogar uma pá de cal, para que em pouco tempo não existam lembranças do “de cujos” e nem tenhamos lembrança. Ainda não cumpriu o intento pelo simples fato da consolidação e maturidade dos que pilotam a economia, fazendo com que a política se restrinja aos palácios de Brasília.

Mas ainda não sabemos até quando poderemos ter a economia descolada da política, caso os rombos no orçamento da União persistam e em valores cada vez mais ascendentes, sem o cumprimento das metas como se fôssemos uma republiqueta qualquer. Temos que abrir os olhos para evitarmos as açodadas propostas, nas quais os velhos enganadores se apresentam como os salvadores da pátria.

Já os novos são sempre opções, mas que têm que ser analisadas, estudadas e diagnosticadas para que não se contaminem e que seus tumores internos possam ficar em estado de putrefação. Os poderosos podres são por demais conhecidos, o que se espera é os novos não adquiram as células cancerosas da corrupção, dando continuidade aos podres poderes.

*Radialista, jornalista e advogado.

Mandioca, o exemplo que vem do Sul

Na minha rotina diária em busca de boas informações, encontrei na Gazeta do Povo, de Curitiba – jornal que reputo como um dos melhores do país – uma matéria sobre gastronomia, abordando um restaurante em Florianópolis (Santa Catarina). O restaurante trabalha com cardápio tipicamente nordestino e os pratos são de dar água na boca: feitos com mandioca, macaxeira ou aipim, nome dado conforme a região.

Bem que poderíamos dispor de um restaurante deste estilo aqui por nossa Bahia, mas pelo que já pesquisei, ainda não nos é possível degustarmos todas essas especialidades, com incursões em pratos da cultura japonesa, francesa, e por países afora. Gostas de sushi? O arroz, preferência dos nossos amigos japoneses é substituído por tapioca. Pelo que informa a reportagem, fica uma delícia.

A Oka de Maní (nome do restaurante) foi idealizado pelo casal de cearenses Samilla Paiva e Roberto Duarte para trabalhar exclusivamente com a matéria-prima mandioca, raiz 100% brasileira. Mais do que uma tapiocaria, o restaurante se destaca pelo mix culinário ao gosto da grande maioria dos clientes, inclusive daqueles que têm restrições ao uso do glúten na alimentação.

Se os pratos agradam aos mais exigentes paladares, as bebidas não ficam longe disso e as cachaças feitas a partir da mandioca também já estão se incorporando aos mais exigentes paladares dos “manezinhos” (como são conhecidos os nativos da ilha) outros moradores e visitantes. Elas são trazidas do Pará, como de jambu, responsável pelo famoso formigamento do paladar, e a tiquina, cachaça de mandioca curtida na folha de tangerina, trazida do Maranhão.

Eu poderia escrevinhar mais algumas dezenas de mal traçadas linhas sobre a gastronomia – o que muito me apraz – mas aqui o que interessa é mostrar que poderemos utilizar coisas nossas com sucesso. E, mas que isso, contribuir para o desenvolvimento de nossa agricultura, com resultados econômicos altamente positivos para todo o Brasil, substituindo o trigo, por exemplo.

De antemão, aviso: não sou contra a importação desse produto que ainda não somos autossuficientes. Nada de xenofobia contra os “hermanos” argentinos ou outros que exportem esse produto, pelo contrário, gosto de pães e macarrões fabricados com o trigo, famoso até na Bíblia Sagrada. Trago no DNA a lembrança das culturas portuguesa e italiana, tanto que não dispenso massas em geral, notadamente uma boa pizza.

Na verdade, me refiro às questões econômicas e a tecnologia que dispomos para substituir o trigo – ou pelo menos parte dele – na nossa riquíssima culinária, tão criativa, gostosa e capaz de agradar paladares de todo o mundo. E a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já provou, através das pesquisas dos seus cientistas, que isso é perfeitamente possível.

O pão nosso de cada dia é um belo exemplo e poderia ser adquirido nas padarias mais conceituadas de nosso país a preços mais baixos, caso fosse introduzida a farinha de mandioca na sua feitura. Com essa providência, não teríamos que ouvir, ver e ler na imprensa que a alta do preço de nossos pãezinhos é apenas consequência do reajuste do preço do trigo. Nos livraríamos desse lugar comum.

Garantem os pesquisadores que a mudança ou introdução da farinha de mandioca em nada alteraria o paladar do pão, o que é uma notícia alvissareira para quem não dispensa o seu consumo diário. A adição de fécula de mandioca à farinha de trigo é tecnicamente possível, como já ficou comprovado e demonstrado país afora, e a fécula atuaria na mistura como um diluidor do glúten presente no trigo.

Mas o que a ciência foi capaz de demonstrar, os políticos foram mestres em esconder, atrapalhar, não se sabe com qual interesse, mas é certo que a mistura da fécula de mandioca ao trigo para a confecção dos pãezinhos foi vetada pelo presidente Lula e o veto mantido pelo Congresso que antes aprovara o projeto. E o argumento utilizado pelo presidente foi o mais pífio de todos, conforme se lê no próximo parágrafo.

“De que haverá grande dificuldade para a comprovação pelo poder público da garantia de que o produto a ser adquirido tenha a composição proposta. No limite haverá necessidade de análise laboratorial. Como a produção será distinta quando destinada ao governo ou ao mercado tradicional, os moinhos terão que preparar lotes específicos o que tenderá a aumentar o custo e o preço do produto, sobretudo se os volumes de compra não forem muito elevados”. Nada mais enganador.

Como ainda não é possível comermos nosso pãozinho ou outros tipos de massa misturados com o trigo, a única opção é torcer para que exemplos como esse do casal de cearenses em Florianópolis sejam multiplicados por todo o país. Acredito que seja por isso que diz aquele ditado: “O governo nos ajudaria muito se pelo menos não nos atrapalhassem”.

Nem mesmo a atabalhoada declaração de amor incondicional de Dilma Rousseff pela mandioca foi suficiente para que seus subprodutos tivessem melhor sorte na economia. Ainda não sei o porquê, mas acredito que nossa presidenta deposta ainda não estava bastante segura se a mandioca era um tubérculo ou uma planta tuberosa.

Mandioca neles!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

A sensibilidade dos políticos em Brasília

Walmir Rosário

Como se não bastasse o inferno astral que vive, o presidente Michel Temer está sendo acusado – a palavra correta seria criticado – por alguns por retaliação contra seus novos inimigos. Isso por conta das publicações do Diário Oficial da União, com a exoneração de muitos apaniguados de deputados e senadores, hoje desafetos do ocupantes do Palácio do Planalto.

A cobrada insensibilidade do presidente Michel Temer tem por motivação aquela máxima política: “Aos amigos, as benesses do poder, ao inimigos os rigores da lei”. Cargos de indicação política de livre escolha do presidente da República, esses senhores, passaram a trabalhar contra o governo a que deve obediência, por ordem de seus padrinhos.

Não é bem assim que a banda toca nesse nosso Brasil, que dispõe de uma enormidade de cargos para serem distribuídos entre os amigos do poder, enquanto são amigos. Ao ser escolhido para determinado cargo, vale mais a indicação do que sua formação e a competência para exercer o munus publicum. Vale quem o indicou.

A degeneração da essência da Administração Pública é coisa do passado, com todas as honras e pompas da Monarquia, daí a definição de “amigos do rei”, que perdura até hoje. Uma excrecência que continuou após a Proclamação da República, forma de governo que abomina todas essas, por ser governo do povo e para o povo.

Enquanto em países do chamado primeiro mundo a mudança de um governo federal movimenta apenas uma ou duas dezenas de ocupantes de cargos públicos considerados relevantes, no Brasil passa e muito dos 30 mil. Se colocarmos esse contingente em cada um dos estados e dos municípios…é bom nem pensar…Nos sentiremos mais ultrajados.

Nos sentindo indignados com o funcionamento e ocupação dos cargos públicos, principalmente os chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior), que compensam regiamente com polpudas remunerações os escolhidos. Mas não é tudo, pois nos estados e municípios esses cargos contemplam da direção às ocupações mais simples, coisa de até salário mínimo.

Todos os candidatos (ou a maioria) têm em seus programas de governo a moralização dessas benesses, promessa logo esquecida quando chegam ao poder. Sentados nos tronos, chegam à realidade de que não podem deixar de fora os colaboradores de suas campanhas e novo amigos, feitos logo após empossados. Como diz o ditado: “onde come um, comem dez”.

Pelo vimos até agora, nossos governantes não podem ser censurados pela insensibilidade e sim pela generosidade no tratamento dos amigos, desde que haja reciprocidade. Cada um de acordo o grau de benefício, que vai desde o voto no parlamento, ao favorecimento em determinadas questões, ou ao tamanho da mala que possa carregar.

Não me cabe aqui (e nem sei) determinar qual a ordem de importância que cada um representa, só sei que que existem os “mais chegados” e que para eles não se mede distância ou obstáculo para favorecê-los. Que o diga o ex-deputado federal, ex-assessor e amigo do peito Rocha Loures, que hoje ostenta em uma das pernas uma salvadora tornozeleira eletrônica que o livrou da hospedagem da Papuda.

Sei que existem graus de utilidade dos beneficiários a depender da necessidade do momento, como o livramento de um amigo das garras da justiça de primeiro grau. Que o diga o ex-presidente Lula, um quase ministro não fosse o bisbilhotamento telefônico feito pelos próceres da chamada “república de Curitiba”, que não deixou tomá-lo posse.

Melhor sorte tiveram outros amigos, como o Moreira Franco, salvo pelo gongo e que continua servindo ao presidente Michel Temer, para o bem do Brasil, bem como outros investigados com passe livre no Palácio do Planalto. É uma dureza exercer o poder no Brasil, ainda mais quando criticado injustamente de insensibilidade pelos ex e futuros amigos.

Tenham dó!

Radialista, jornalista e advogado

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

Dois pesos e duas medidas

Walmir Rosário

Pouca diferença faz se Lula, Zé Dirceu, Dilma, Pallocci, Aécio Neves, Michel Temer, dentre outros menos votados tenham pedido dinheiro de origem suja para as campanhas políticas. Todos devem ser enquadrados de acordo com as leis brasileiras que tratam da questão, sem qualquer distinção como prevê a nossa constituição.

Se aos petistas as provas já foram apresentadas, o mesmo está acontecendo com o presidente (agora licenciado) do PSDB, Aécio Neves, e ao encontro do atual presidente da República. Aliás, com todos os defeitos legais da gravação, quem ficou mal na fita foi Michel Temer, que recebeu, na calada da noite em sua casa, um dos maiores corruptores da história do Brasil.

Se não houve acertos criminosos, como o presidente faz questão de dizer, no mínimo, quebrou a liturgia do cargo. Como diz o provérbio: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. E assim não agiu nosso presidente, ignorando todas os ritos reservados a quem ocupa cargo de tamanha relevância.

Dois pesos e duas medidas é o tratamento que nos impõe os membros do Partido dos Trabalhadores (PT) para os crimes cometidos pelos políticos contra a economia popular e o Brasil. Caso o criminoso seja filiado ao PSDB, DEM, PP, ou que outra agremiação seja, pode condenar que não é preciso a apresentação de provas material ou intelectual.

Por outro lado, se os denunciados pelos mesmo crimes de corrupção pertencem aos quadros do PT, a negativa é veemente e se rasga o Código Penal, apesar de todas as evidência e provas apontarem que eles são culpados. Chegam ao extremo de considerar ídolos aqueles que metem a mão no erário em causa própria e/ou do seu partido.

Pior ainda do que considerava o filósofo florentino Nicolau Machiavel, de que os fins justificam os meios (na verdade: “qualquer iniciativa é válida quando o objetivo é conquistar algo importante). Só que essa importância não é atribuída ao país, ao Brasil, mas a um projeto de governo que tem como principal meta desapropriar os bens do povo em benefício deles próprios e do partido.

Eu diria – melhor, digo – que os petistas sempre foram seguidores fiéis de Josef Stalin, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do Comitê Central a partir de 1922 até a sua morte em 1953. Entre os feitos do ditador soviético estão o assassinato em massa dos adversário ou ex-amigos, chegando ao ponto de cunhar a frase: “A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística”.

A paranoia dos petistas é idêntica ao do ditador soviético, que se livrava de todos, subordinados, simpatizantes ou quem simplesmente ele determinasse que não deveria mais viver. No Brasil ainda não chegamos a tanto, mas estamos trilhando o mesmo caminho, como o tal projeto de poder, interrompido com o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Até agora, com o que nos tem mostrado a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, indícios são fartos e as provas dos atos de corrupção desenfreada são mais que contundentes. Mesmo diante da tais evidências, o comportamento é um só: não negam o recebimento do dinheiro ao partido, que dizem terem sido as doações legais, embora tenham saído de empresas públicas e privadas de forma sorrateira.

A negativa dos dirigentes e militantes petistas (ressalvo muitos que se encontram envergonhados) chega a ser patética, quando defendem os seus companheiros apanhados no crimes. Em qualquer país do mundo, seriam vistos como desleal ou desonesto com os “companheiros” e o partido, aqui, se transformam em verdadeiros heróis.

Uma das frases que já se tornaram corriqueiras no Brasil é que, enquanto os eleitores de diversos partidos se indignam com os líderes que prevaricam os querem presos, os do PT criam fã clube para idolatrarem. Claro que toda a regra tem exceção, mas está provado ser esta uma posição tomada na defesa dos seus bandidos de estimação.

É mais uma jabuticaba brasileira.

Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

Mais um muro da vergonha que cai

Walmir Rosário*

Aos poucos, mais um bastião do comunismo vai ruindo. Cuba, a ilha de Fidel, sustentada por décadas pelos rublos da antiga União Soviética e mais recentemente com os dólares do BNDES, pulula com a chegada do capitalismo ianque. Se para os que ainda continuam lá já é um motivo de alívio e alegria, imagine para os que estão fora do país e são explorados pelo seu governo.

Refiro-me mais claramente aos profissionais da medicina que estão trabalhando no Brasil, através do Programa Mais Médicos, pelo contrato firmado entre os dois países pelos malfadados governos Dilma e Raul Castro. Pelo acordo, os médicos trabalham, são mal remunerados, enquanto o governo cubano fica com grande parte do pagamento que seria devido aos médicos.

Um contrato vergonhoso, um verdadeiro golpe para os trabalhadores da medicina que são enviados a países como o Brasil para trabalhar, num sistema análogo ao da escravidão, já que parte da remuneração fica para o governo. E mais, os parentes dos médicos que estão aqui – mas que continuam residindo em Cuba – sofrem pressões pelos que não pretendem mais voltar.

E o imbróglio teve mais um capítulo com a suspensão de mais de 700 médicos que deveriam vir ao Brasil, para substituir quantidade igual que voltaria à ilha. É que, os que estão aqui, finalmente conheceram o que é viver num país democrático, trabalhando sem ter pressões políticas e a única obrigação é pagar os seus impostos em dia (além de cumprir a legislação).

Após três anos de Brasil, os médicos cubanos resolveram desobedecer às ordens do ditador e permanecer como residentes no Brasil por tempo indeterminado, isto é, com ânimo definitivo. E 88 deles já recorreram à Justiça para permanecer em solo brasileiro, trabalhando no mesmo programa, porém recebendo toda a remuneração a que faz jus.

A repercussão do comportamento dos médicos que se encontram no Brasil e não pretendem voltar para o regime comunista ditatorial de Cuba é muito grande, tanto assim que o governo não quer enviar o novo grupo. O receio é que os novos também pretendam adotar o Brasil como seu novo país, principalmente agora que não tem o apoio do ex-governo petista.

E dentre os motivos para que os médicos tomassem tal atitude, estão em viver numa democracia (apesar dos pesares nos nossos políticos) e serem explorados na sua remuneração pelo próprio país. É que de acordo com o contrato firmado entre o Brasil e Cuba, parte dos salários dos médicos vai diretamente para o erário do governo cubano, uma tunga exploratória da classe trabalhadora.

Outra revolta dos médicos cubanos é que precisam ser submetidos, aqui, às ordens da ditadura cubana, com todos os tipos de restrições, a exemplo de viver e se relacionar com a comunidade brasileira. E quem se queixa disso são os médicos que não pretendem retornar a Cuba, vivendo sobre a pesada vigilância de colegas, esses tidos como agentes do governo cubano.

E as proibições não se limitam à simples convivência social, mas, também de ordem afetiva como amorosa. É o ditador cubano quem decide quem deve se relacionar com quem. Esse comportamento é próprio dos países comunistas, que limitam, inclusive, a quantidade de filhos, a exemplo do que até hoje acontece na China.

Agora, o Governo Brasileiro terá mais esse imbróglio pela frente para resolver. A intenção do Ministério da Saúde é reduzir a dependência dos médicos cubanos contratados com o governo de Raul Castro, o que já vem acontecendo. Tudo para evitar a falta de assistência médica em locais distantes dos grandes centros.

Hoje, o programa Mais Médicos conta com cerca de mil médicos a menos que no ano passado. A previsão é que cada um deles permanecesse no país por cerca de três anos. Essa estratégia teria como objetivo evitar que cubanos estreitassem os laços com o Brasil e não pretendessem voltar à ilha, como realmente está acontecendo.

Como disse o ex primeiro ministro inglês, Winston Churchill, “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas”. Ao que parece os médicos cubanos do programa Mais Médicos aprenderam mais cedo do que se esperava. E olhe que a intenção dos petistas é que eles viessem aqui para lutar por uma ditadura…

*Jornalista, radialista e advogado

Publicada originalmente no site www.costasulfm.com.br

PT contra PT – é o que se anuncia para o momento

Walmir Rosário

Uma guerra fratricida sem precedentes é o que se vislumbra nos altos escalões do Partido dos Trabalhadores (PT). É a famosa luta do PT contra o PT. Mas não a que estamos acostumados a assistir, e sim a hegemonia de uma de suas correntes. Como fogo de monturo, ela foi deflagrada desde a posse de Dilma Rousseff à Presidência, porém vem se acirrando a cada dia, a cada protesto, a cada pescoço degolado.

Ficou mais evidente agora, depois dos protestos que assolam as ruas do país. De um lado, o bloco petista dos descontentes, que ainda não se conforma com essa maneira petista de governar. Afinal, não foi para isso que lutaram contra a ditadura. Saíram os militares, entraram os burgueses, como sempre acontece, o que tem causado grande descontentamento, embora não reclamem de forma clara, agem à sorrelfa. Sem falar na luta intestina pelos corredores e salas do Palácio do Planalto.

Esta última é a mais acirrada, pois age nas sombras em busca de um espaço no sol do poder. É o PT contra o PT. Disto ninguém tem dúvida. Afinal são mais de uma dezena de correntes e tendências com pensamentos filosóficos dos mais díspares. Embora algumas poucas não causem preocupações, tendo em vista a pequena capacidade de mobilização interna e externa, outra cresce e se agiganta como uma verdadeira Hidra de Lerna. E já amedronta.

A luta interna pelo poder está sendo desnudada para a sociedade a cada protesto, a cada reivindicação vinda das ruas. E não se limita a encontrar soluções para a redução dos R$ 0,20 da tarifa dos transportes urbanos, pois algumas medidas – falhas e inconsistentes – foram tomadas, a exemplo da desoneração de impostos. A verdadeira briga, a de cachorros grandes, como se diz na gíria, está nas ações políticas.

E nessa luta renhida travada entre o PT contra o PT é que estão sendo colocadas as “cascas de bananas” para a presidenta Dilma Rousseff pisar. E ela tem escorregado em todas. Qualquer aluno do terceiro semestre dos cursos de Direito ou Ciências Políticas teriam interpretado de forma diferente as ações anunciadas pela presidenta, todas em flagrante desrespeito à Constituição Federal. Um vexame.

Quem teria aconselhado a presidenta Dilma a dirigir à Nação tamanhos impropérios? Com certeza não foram os técnicos da Presidência da República – incluindo, aí seus ministérios e órgãos de assessoria –, pois possuem quadros de competência comprovada. E esses erros crassos foram sendo repetidos à exaustão, como se o Brasil não vivesse sob a égide do estado democrático de direito, obrigando ministros ir a públicos para os desconcertantes a desmentidos institucionais, do tipo: “não foi bem isso que queria dizer”.

Dilma e Lula. PT contra o PT. Com todos os desmentidos e dissimulações, fica cada vez mais evidenciado e provado os desencontros. No núcleo duro do Palácio do Planalto as discordâncias estão cada vez mais expostas. O grupo fiel a Lula acredita que ainda deve obediência ao ex-presidente e mostra o desconforto do relacionamento com a presidenta, que possui métodos bastante diferentes de governar, distribuindo broncas a torto e a direito, o que não deixa de ser uma falta de respeito com o subordinado.

Se é incompetente, o remédio mais adequado é a exoneração, o que nunca acontece. Esse comportamento evidencia que, apesar da caneta e do diário oficial à disposição, a presidenta não pode agir como queria, ou seja: com os colaboradores de sua estrita confiança. Se essas dificuldades permeiam a relação interpartidária, avaliem em relação aos partidos da base aliada, com desejos e pensamentos dos mais diversos.

As reações da presidenta Dilma Rousseff são vistas e sentidas por todos os brasileiros e mais diretamente no Planalto Central. Queixam-se os “lulistas” da falta do afago do ex-presidente, considerado líder inconteste do partido e que soube ganhar o respeito de outras lideranças e dos brasileiros pelo comportamento. Já da presidenta Dilma a reclamação é decorrente da frieza no tratamento, chegando a ser considerado desprezo, em determinadas situações. “Uma gerente”, dizem.

Mas voltando às ruas, não se pode excluir desses movimentos filiados de diversos partidos políticos, a exemplo do PCdoB, PCB, PCO, PSTU, dentre outros, e até mesmo do PT. Todos reclamam da falta de atendimento adequado pela máquina pública, que não presta os serviços na conformidade da cobrança dos tributos. E aí é que está o cerne da questão: Enquanto odos os brasileiros demonstraram entender o recado, o Governo Federal fez de conta que de que nada daquilo era com ele e que passaria incólume ao recado das ruas.

Daí que volto a insistir na guerra do PT contra o PT. Um partido com o histórico do PT pode não ter expertise em governar, mas não pode desconhecer a voz das ruas, apesar de todo o processo de aburguesamento. Se a “parte gerente” não soube auscultar as massas, é até admissível o erro de interpretação; mas a “parte líder” não entender a origem dos acontecimentos ou fazer “vistas grossas” aos protestos, não faz parte de nenhum manual.

Se Dilma é a gerente, Lula é o líder. Enquanto a primeira não correu da raia, mesmo sendo atropelada pelo “fogo amigo”, o mesmo não se pode dizer do líder, que se “fingiu de morto”, tomou um avião de saiu flanando pela África e Europa, sob o patrocínio de empresas multinacionais.

Lá fora, claro que ele não sabe de nada. Aqui, coube ao seu amigo e compadre, o deputado federal Devani Ribeiro (PT-SP) aceitou fazer um dos serviços recomendados por Lula, para denegrir o Governo Dilma, alardeando: “Quem pediu plebiscito? O que falta no governo Dilma é gestão. As pessoas querem transporte de qualidade, saúde e educação. Dinheiro tem. É só investir”, berrou.

Com isso, ficou com compaixão de pessoas sérias filiadas e militantes petistas, que, na base, tentam levar a sério o partido que ajudaram a construir, e que agora tem que amargar comportamentos nada republicanos como esse. Mas é o preço que aceitam pagar.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

 

De ratos de redação a carrascos da imprensa

Walmir Rosário

Uma das imagens mais vistas nas redações brasileiras no período da ditadura militar – e até hoje – eram alguns personagens chamados naturalmente de “ratos-de-redação”, “chatos-de-galocha” ou outros adjetivos que o valham. Essas peregrinações diárias tinham como objetivo conseguir nos veículos de comunicação – órgãos capachos do capitalismo, segundo eles – alguns espaços para divulgarem, em muitos casos, material de origem duvidosa.

E traziam material para as possíveis notícias nas várias editorias. Cultura, esportes, reclamações e denúncias diversas e até política. De início, a política sindical; depois partidária. Antes de mostrar o que tinha ido ali fazer, gastava uns 10 tostões de proza tentando agradar, entrava na seara das dificuldades econômicas, cuspia fogo na tirania da inflação, creditando tudo às mazelas do maldito capitalismo.

Entregavam o material, o repórter lia, faziam algumas perguntas para complementar as lacunas, respondidas prontamente quando eram do interesse partidário. Quando não, geralmente o repórter ouvia alguns impropérios do tipo “é mais um burguesinho, um bajulador dos patrões da grande imprensa que vive cerceando os interesses dos trabalhadores”…e ia embora. De qualquer forma a notícia, quando boa, era publicada.

Outros, de forma dissimulada, chegavam às redações justamente no horário do fechamento, quando somente estavam sendo elaboradas a primeira página e a página da editoria de polícia, e avisavam que tinham a maior notícia do mundo. Quando ouviam que todas as páginas já tinham sido fechadas, retrucavam com a maior cara-de-pau: “Não tem um espaço nem na primeira página?”, perguntavam virando o rosto com vergonha.

Mas nem tudo continua com dantes, eis que esses rapazes e moças chegaram ao poder junto com o Partido dos Trabalhadores e seu leque de satélites, que incluem os PCs, PSB, dentre outros menos votados. Já em 1993, com a chegada desses partidos ao poder em Itabuna, a mudança foi de 360 graus, e as visitas às redações foram escasseando, mas as cobranças, não. Agora eram feitas por telefone, em formas de ameaças.

E essa prática continuou se acentuando com mais vigor após a posse de Lula no Palácio do Planalto. Mutatis mutandis (ou no velho português de guerra, mudando o que tem de mudar), o comportamento acompanhou o surrado brocardo romano. Ao invés de chegarem pisando macio, como antes, brandiam as folhas dos jornais com ameaças da pior espécie: “Nosso governo não admite isso não” e prometiam retirar até mesmo a publicidade do jornal.

Como nunca trabalhei num departamento comercial de um veículo de comunicação, apesar de conhecer sua importância no pagamento do nosso salário, nunca fui dado a me submeter a esse tipo de humilhação, parta de onde partir. Afinal, como sempre fui adepto à máxima que diz: “Um veículo de comunicação não deve ser temido, mas respeitado”, comportamento diferente não poderia ter.

Pois bem, a estratégia desses senhores mudou…e pra pior, diga-se de passagem, tornando-se muito mais perversa, principalmente para os coitados dos contribuintes brasileiros. Se antes prevalecia a humildade, depois a arrogância (que continuou), agora essas características estão reunidas no “assalto” ao dinheiro público. Sim, é isso mesmo que você leu, apesar do tipo penal definir assalto como ataque súbito utilizando a força ou ameaças, com o objetivo de roubar.

E o fazem de modo sub-reptício, dissimulado, utilizando como estratégia as táticas nazistas do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, difusor da sentença “uma mentira repetida mil vezes se transforma em realidade”. Como no III Reich, a mensagem de ufanismo é dita e repetida dia e noite pelos seus militantes, como forma de atrair incautos dos mais diversos calibres para os seus pretensos feitos.

De repente, mais do que de repente, de forma milagrosa, o Brasil se transformou, como num passe de mágica, num paraíso escolhido por Deus (ou seria Lula?). Tudo o que antes existia ou foi feito de positivo para o seu crescimento e desenvolvimento não aconteceu. O Plano Real, execrado pelo PT e PCdoB em seu lançamento, virou coisa do PT. Os programas de combate à pobreza foram apropriados por eles de forma cínica.

Os prejuízos causados à Nação neste período são escondidos a sete chaves, embora na maioria das vezes sejam apresentados como os melhores do mundo, embora nos causem náuseas. Até mesmo os desmedidos e cínicos autores do Mensalão são defendidos como políticos puritanos e defensores do bravo e pobre povo brasileiro. Uma inversão de valores incutida na cabeça dos incautos dia e noite.

Dia e noite, mesmo. Pois além das mentiras transformadas em matérias jornalísticas enviadas em forma de releases às redações, um bando de militantes desses partidos se apropria do Estado Brasileiro das mais diversas formas: através de suas cores e símbolos, do discurso nazista em que o governante é travestido de Estado, ou na simples partidarização e aparelhamento dos cargos.

Como bons alunos do ministro nazista Joseph Goebbels, dia e noite, esses senhores estão presentes nos veículos de comunicação social com o objetivo de enxovalhar a honra dos adversários ou quem se atreva a contradizê-los. Mas isso é pouco, pois grande parte de sua empreitada consiste em desbancar o Deus todo-poderoso para entronizar Lula, Dilma e José Dirceu no lugar da mais alta honra no reino da terra.

Mas fazem isso com o suado dinheiro dos contribuintes, haja vista que são pagos pelos gabinetes de senadores, deputados federais e estaduais, vereadores, governos federal, estaduais e municipais. Ganham do Estado, mas trabalham comodamente em suas casas para os partidos, sendo, portanto, sanguessugas do dinheiro público. E não difícil obter essas provas, basta acessar as redes sociais (twitter, facebook, blogs de opinião, dentre outras).

Será que essa prática difere muito do mensalão, crime perpetrado contra as finanças públicas? Acredito que não, pois honestidade não pode ser medida por grau: ou se é honesto, ou não. Nesse caso o que muda é o conceito do criminoso, que no jargão popular pode ser considerado um simples pé-de-chinelo ou um ladrão de colarinho branco. Sem falarmos nos chamados funcionários “fantasmas”, que grassam em nosso serviço público.

Para concluir minha indignação, gostaria de lembrar um pequeno trecho da carta enviada pelo Lord Acton ao Bispo M.Creighton, em 1887:  “E, lembre-se, quando se tem uma concentração de poder em poucas mãos, frequentemente homens com mentalidade de gangsters detêm o controle. A história provou isso. Todo o poder corrompe: o poder absoluto corrompe absolutamente.”

Mas não podemos negar que esta turma avançou no seu papel de carrascos: Às antigas práticas stalinistas foram somadas as nazistas e um exemplo é o projeto de Lei do Marco Regulatório da Imprensa (lei da mordaça). Só nos resta pedir clemência a Deus e votar corretamente nas próximas eleições.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Coligado de Lula, Maluf é novo alvo do STF

Da Agência Brasil

Maluf e Lula em momento de intimidade

Maluf e Lula em momento de intimidade

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para investigar se o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) cometeu crime de caixa 2 na campanha eleitoral de 2010. O ministro Luiz Fux atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para aprofundar investigação iniciada na Justiça Eleitoral de São Paulo.

Há suspeita de que Maluf teve despesas de quase R$ 170 mil pagas pela empresa Eucatex, que pertence à sua família, sem declarar os gastos em sua prestação de contas. Apurações indicaram que a empresa Artzac prestou serviços à Eucatex, mas com destinação para a campanha de Maluf. A quantia corresponde a 21% do total gasto na campanha.

A operação resultou na rejeição das contas de Maluf na Justiça Eleitoral de São Paulo. Para aprofundar as apurações, a PGR pediu uma série de diligências ao STF, que foram atendidas por Fux e devem ser cumpridas no prazo de 60 dias da data da publicação do despacho, que é do dia 19 de fevereiro.

Entre as medidas, estão a solicitação, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de cópias de notas fiscais emitidas pela Artzac, assim como a oitiva do dono da empresa e do próprio Maluf.

A PERERECA DA POLÍCIA BAIANA

Do site do Cláudio Humberto                          

                                     MIGUEZIM DE PRINCESA

I
Não bastassem a violência
Do ladrão e da milícia,
Matança indiscriminada,
Morte por icterícia,
A Bahia se dá ao luxo
De dispensar a Polícia.

II
O Governo da Bahia,
Meio tonto de carnaval,
Resolveu bem na Quaresma
Publicar um edital
Exigindo virgindade
Para ser policial.

III
Depois de estimular
Tanta dança da bundinha,
Da boquinha da garrafa,
Cururu, pererequinha,
O governo quer formar
Um exército de santinhas.

IV
Soltam no Porto da Barra
A pergunta que não cala:
Pra que vale a virgindade,
Na rua, no mato ou na sala?
Será que é pra ter mais força
Quando disparar bala?

V
Lá em Água Meninos,
Onde o povo faz a feira,
Trocaram todo o estoque
De charque, vela e peixeira
Por cargas de pedra-ume
Para trancar a “porteira”.

VI
Minha amiga Sarajane,
Que vivia assanhadinha,
Dançando em Massaranduba
A dança da papudinha,
Já mudou o seu refrão,
Mandou fechar a rodinha.

VII
No bairro da Mata Escura,
Jonas Paulo senador
Exortou as companheiras,
Militantes de pudor,
A se inscrever no concurso
E mostrar o seu valor.

VIII
Foi aí que Cipriano,
Um petista de doer,
Disse que era mais fácil
O Lula gostar de ler
Do que encontrar uma virgem
Nas fileiras do PT.

IX
Será que um gênio baiano,
Inspirado no além,
Incorporado em Kadafi,
Pensou um dia também
Criar uma guarda de honra
E transformá-la em harém?

X
Na Bahia já aconteceu
A Guerra do Fim do Mundo;
Padre dá santo na missa,
Quenga sente amor profundo,
E Polícia usa perereca
Para prender vagabundo!

Meus ídolos

Non minus esset probanda medicina quae sanaret uitiosas partes rei publicae quam quae exsecaret” (“É preferível um remédio que cure as partes defeituosas da democracia do que um que as ampute”)

(Marcus Túlio Cícero in Cartas a Atiço, II,1.7)

Walmir Rosário

Desde pequeno tenho me inspirado em algumas pessoas de destaque na sociedade como forma de estimular minhas ações. O primeiro, meu e de todo o mundo que conheço, é o pai, aquele em que nos espelhamos e procuramos nos amoldar. Em seguida, outros ídolos despertam nossa consciência e os vamos incorporando ao nosso subconsciente.

De pronto, vou alertando para o fato de que nem sempre continuamos admirando nossos ídolos e podemos nos decepcionar com alguns deles, passando, às vezes, a ter uma relação de ódio ou desprezo. Outros atos, praticados pelos nossos heróis, são relevados por não possuírem tanta importância, mas sempre mágoa.

Ainda nos primeiros bancos escolares comecei a admirar meus ídolos, seja por terem bom desempenho nas arguições da tabuada, no sucesso com as meninas da classe ou por se destacarem pelo comportamento rebelde, tão em voga no início dos anos 50. Mais tarde, fui acrescentando novos ídolos, como os frades capuchinhos (Justo, Isaías e Apolônio), os mais legítimos representantes de Deus no meu querido bairro Conceição.

Confesso que até tentei ser um deles, primeiro como coroinha, após passar no vestibular de catecismo regido pela exigente professora Maria Zélia Couto. Depois, fui estudar nos seminários capuchinhos de Vitória da Conquista e Feira de Santana, mas confesso que a sabedoria divina soube me afastar do sacerdócio, do contrário estaria criando boas confusões para os bispos resolverem até hoje.

No futebol tive um monte deles, que tinha a oportunidade de admirá-los no velho campo da Desportiva. Volta e meia saía embevecido com os dribles em cima da linha de Fernando Riela, a virilidade das arrancadas de Santinho, a classe de Ebieser, as artimanhas de Tombinho, a elegância dos vôos de Plínio, a matada no peito e o petardo em gol de Danielzão.

Poderia aqui ficar falando sobre um monte deles, como sempre faço com meu amigo Neném (Jesuíno da Conceição), e faltaria espaço para tanto. Mais uma vez não tive como seguir o exemplo de meus ídolos no futebol, apesar da teimosia de tentar jogar no glorioso Botafogo de Rodrigo. Minha habilidade não era do gosto dos treinadores e achei mais acertado desistir. Na música, também amei meus ídolos, fossem eles Nélson Gonçalves, Elisete Cardoso, Dick Farney, Lúcio Alves, Tom Jobim, Agostinho dos Santos, Vinícius de Morais, Carlos Lira, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Clara Nunes, Raul Seixas, sem falar nos nossos domésticos Oswaldo Fahel, Marcelo e Rita Cezimbra. Com todo esse timaço, não consegui ter chance na música, embora também tentasse.

Na publicidade também tive meus ídolos. Sempre fiquei imaginando como o poeta, escritor jornalista e publicitário Orígenes Lessa tinha a capacidade de, num simples jingle, fazer com que os brasileiros passassem a escolher numa farmácia um determinado antigripal e antitérmico, apenas por lembrar da música: “Melhoral, Melhoral, é melhor e não faz mal”. Duda Mendonça foi outro. Inicialmente marqueteiro e depois publicitário (que não o vejo pessoalmente desde o enterro do Barão, em 1976), me decepcionou após seu envolvimento com o poder, ao ponto de dar uma carteirada (mal sucedida) num delegado da Polícia Federal, que o surpreendeu numa rinha de galo.

Na política, atividade que despertou meu interesse antes mesmo do Exame de Admissão ao Ginásio, tive e continuo tendo meus ídolos. É bem verdade que decepções não faltaram durante todos esses anos, mas desde os tempos do Colégio Estadual de Itabuna, ali em frente ao hoje CNPC, passei a cultivá-los na política estudantil, a começar por Jairo Muniz, que venceu uma campanha memorável. Antes disso, na política internacional vibrávamos com os feitos de Fidel Castro e Che Guevara; a rebeldia constitucional de Brizola, através dos seus discursos explosivos na rádio Mairink Veiga.

Ainda na política, tempos atrás, admirávamos a modernidade que chegou ao Brasil com a implantação da indústria automobilística, que nos surpreendia com as kombis e volkswagens conterrâneos, para o nosso orgulho. Lembro-me bem do dia da inauguração de Brasília, fato relevante para o Brasil e relatado na sala de aula (da Escola General Osório, no bairro Conceição) pela professora Lélia, como um dos grandes feitos da história. Nem com todo esse civismo consegui ser um político concorrente a cargos eletivos, seja do Executivo ou Legislativo. Entretanto, passei a atuar na retaguarda, como faço até hoje.

Pelo que se conhece da história, Juscelino Kubitschek foi um homem preparado para exercer o poder como Executivo. Primeiro, se elegeu prefeito de Belo Horizonte, deputado federal, senador, foi governador de Minas Gerais, cargos que exerceu com dinamismo, cercando-se, para isso, de assessores competentes, que por sua vez trouxeram profissionais de primeira linha, a exemplo do arquiteto Oscar Niemayer, responsável pela transformação da paisagem belorizontina. O interior do estado conheceu o desenvolvimento com a abertura de estradas e melhorias na infra-estrutura e no campo social.

Eleito presidente da República, Juscelino governou sob o lema 50 anos em cinco, levando desenvolvimento para os rincões mais longínquo do País. Como um estadista soube enfrentar com maestria as conspirações políticas contra o seu governo, inclusive dois levantes militares, em que rebelados e seus autores perdoados com a humildade própria dos grandes homens. Falar sobre Juscelino Kubitschek é “chover no molhado”. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito do governo Lula, de resultados pífios na área social, como acontece em todos os governos de cunho populista-messiânico.

Diante dos fatos expostos, posso concluir que não adianta a Lula ter como ídolo político Juscelino Kubitschek, até porque nesta época não se interessava em política. Enquanto Juscelino foi se preparando para governar, galgando posições, Lula preferiu sair da direção “stalinista” do seu sindicato para assumir a Presidência da República, com uma pálida passagem pela Câmara dos Deputado, onde seu maior feito foi declarar que ali existiam “300 picaretas”. Muito pouco para quem pretende governar um País do tamanho do Brasil. Presidente, sua comparação com o ex-presidente Juscelino é apenas mais um fruto do marketing fantasioso que conseguiu lhe alçar à Presidência da República.

Ora, presidente, até por respeito aos mortos, deixe a memória do ex-presidente em paz. Melhor serviria ao Brasil encarar os problemas criados por V. Excelência e companheiros, respeitando os 53 milhões de eleitores decepcionados com seu ídolo. Ou como diziam os antigos.

Ora, Lula, me faça uma garapa!

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 03-09-2005

 

 

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