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A reforma tributária

Walmir Rosário

O setor produtivo vem se angustiando com as diversas propostas sobre a reforma tributária, até mesmo com as ações e a insensatez cometida por diversos setores, que vêm tentando barrá-la no Congresso Nacional. Resta aos empresários apenas uma pergunta: o que realmente significará a reforma fiscal para os meios de produção? Afinal, mais de 30% do que se produz no país transformam-se em impostos.

A essa pergunta cabe uma resposta: o setor produtivo terá de passar mais alguns meses do ano – atualmente são quatro – produzindo apenas para recolher tributos aos cofres governamentais. Num país onde as desigualdades sociais são gritantes, não resta dúvida de que essa é uma carga de fato pesada demais e sufocante. É, também, inibidora do acesso ao mercado consumidor, com o reflexo nos preços; e na produção, que é obrigada a retrair-se, diminuindo sensivelmente os índices de emprego.

Para o que serve o a quem serve a reforma fiscal? Para o setor produtivo é que não. Entendem os especialistas no assunto, que uma mudança profunda deve ser feita, obedecendo, porém, critérios que tornem os tributos uma alavanca para o desenvolvimento, através da cobrança justa e equânime, aplicada com igualdade. E por isso entende-se de que a reforma tributária deve representar uma intensa redução fiscal.

Tomemos o setor automobilístico como exemplo. Nele, a carga tributária de impostos diretos sobre o automóvel médio é de 33,8%. Comparativamente, a segunda maior, a da França (17,1%) é metade da brasileira. A média europeia é de 14%, enquanto nos Estados Unidos da América a tributação sobre os automóveis é de 6,6%. Há, ainda, o problema da tributação sem cascata.

E o que é pior: fala-se agora na criação de “tributos seletivos” para supérfluos, entre os quais estaria o automóvel, que, na maioria das vezes, não tem nada de supérfluo, sendo um instrumento de trabalho para muitos. Mais uma vez um setor é eleito “bola da vez” pela sanha de arrecadação do Governo Federal, que a cada dia precisa coletar mais impostos, para que possa gastá-lo, na maioria das vezes, muito mal. Nesse caso, mais uma vez, o consumidor compra um e paga dois. Um para si outro para o governo.

O comércio é outro setor que sofre com a falta de política tributária – o mais aplicado é a infame política tributária –, provocando uma rotatividade na abertura e fechamento de empresas. Lojistas de tradição são obrigados a fechar os seus negócios devido ao arrocho fiscal e a crescente diminuição do poder de consumo. Para o governo não importa se o comércio representa a maior geração de empregos entre os diversos setores produtivos. Com essa prática perversa o governo vem matando sua “galinha dos ovos de ouro”, pois sem emprego não há renda, sem renda não há impostos.

De sã consciência, temos convicção de que a reforma tributária é fundamental, mas tem que ser elaborada e executada dentro do conceito de que menos imposto significa mais demanda, produção, arrecadação e, especialmente, mais empregos. Porém, enquanto a aguardamos, há necessidade de medidas de curto e médio prazos que podem ser adotadas para viabilizar rapidamente a retomada do crescimento.

Muitas das medidas que podem ser tomadas para reverter a atual situação estão nas mãos do governo, mais precisamente do Executivo, que detém instrumentos eficazes para a sua aplicação. Caso o governo se disponha a tomar a iniciativa, basta, apenas, buscar em consenso com o setor produtivo essas medidas, no sentido de facilitar a produção. Diminuir o “custo Brasil” é um discurso que precisa ser levado a sério e não ser lembrado apenas nos palanques eleitorais.

O fim do “custo Brasil” pode ser facilmente resolvido apenas com a eliminação dos entraves burocráticos colocados pelo governo no setor produtivo, permitindo que a iniciativa privada ganhe a agilidade necessária para retomar a produção, hoje esmagada por uma série de exigências descabidas no início do terceiro milênio. Que o governo faça sua parte e o setor produtivo se encarregará de tornar o Brasil um país possível de se viver com dignidade.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 14-08-1999

Igualdade e responsabilidade

Walmir Rosário

Mais uma vez voltamos a chamar a atenção da sociedade – incluídas aí as autoridades – para problemas sociais como a proliferação do comércio ambulante nas ruas centrais de nossa cidade, especialmente a avenida do Cinquentenário. Principal ponto comercial de uma região, a Cinquentenário é hoje o cartão postal de uma cidade onde não são respeitadas as leis federais, estaduais e municipais.

O Código de Postura, o Código Tributário e seus regulamentos, decretos e portarias foram relegados ao desprezo, colocados no fundo das gavetas. Se verificarmos a legislação estadual, também aí, são feitas vistas grossas e a zelosa Secretaria da Fazenda não cobra o sagrado Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), e as mercadorias podem circular livremente, sem qualquer obstáculo pela frente, desde que estejam numa banca de camelô.

O Ministério da Fazenda nada vê: contrabando, descaminho, nada disso, mesmo estando tudo isso à vista dos fiscais e consumidores. Descaminho são apenas aquelas mercadorias apreendidas na fronteira do Paraguai ou nos ônibus de sacoleiros. Imposto de Renda, nada disso. Apesar da Constituição Federativa do Brasil, em seu artigo 5º, consagrar que todos são iguais, dois pesos e duas medidas são adotados.

O que está em discussão não é o fim da atividade do comércio ambulante e sim a prática da desigualdade utilizada pelas autoridades. Prática essa que incentiva a proliferação de novas bancas pelas ruas do centro da cidade. E o pior. Esse incremento está sendo feito por comerciantes de outras cidades, que agenciam falsos camelôs, escamoteando uma realidade nacional que é a mudança do tipo de emprego.

É urgente a tomada de posição das autoridades para coibir a prática cada vez maior da sonegação fiscal, feita de forma sub-reptícia por pessoas sem compromisso com a sociedade. É premente a identificação dessas pessoas, para que possam ser cadastradas e até apoiadas na sua luta pela sobrevivência, desde que também contribuam para os cofres públicos, a exemplo de outros cidadãos.

A situação está posta e não precisa ser tratadas como “cavalo de batalha”. Basta ser diagnosticada, planejada e executada com racionalidade, evitando-se o uso político da miséria alheia. Com isso, ganham os camelôs, ganham os consumidores legalmente estabelecidos, ganham os poderes públicos com a arrecadação de impostos, enfim, ganha a sociedade itabunense como um todo.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 18-10-1998

Transformação no comércio

Walmir Rosário

Há cerca de 10 anos que o comércio varejista vem passando por grandes transformações. Para uns é o efeito da globalização, com nova visão do mercado. Para outros, é apenas uma decorrência da modernização da atividade. Mas não podemos negar que os efeitos da globalização aceleraram esse processo, para permitir a competição com as grandes empresas vindas do exterior; as multinacionais do varejo, trazidas pela fase de abertura econômica vivida no Brasil. Nas pequenas e médias cidades, as mudanças ainda não são tão marcantes, mas o quadro já preocupa os empresários das grandes cidades.

A onda de globalização está chegando ao eixo Ilhéus-Itabuna, primeiro na última, onde será inaugurado o primeiro shopping center do Sul da Bahia, o Jequitibá, o que por certo provocará uma profunda mudança no nosso comércio varejista. Acreditamos que a concorrência será melhor, mais saudável, pois enquanto os empresários do shopping oferecem estacionamento, ar-condicionado e outras regalias, proporcionando mais comodidade, os do centro da cidade podem contra-atacar com outros tipos de promoções, concorrendo em preço.

Essa concorrência é visível onde os dois tipos de comércio já estão convivendo. Pesquisas recentes comprovam que há lugar para grandes e pequenos, desde que cada um procure o seu nicho de mercado, evitando, portanto, a concorrência predatória. De acordo com os pesquisadores, não dá para enfrentá-los de igual para igual, evitando-se a eliminação progressiva dos concorrentes menores. É evidente que a competição leal é saudável, impulsiona os negócios e beneficia o consumidor.

O empresário que não entender isso, com certeza, deixará a atividade num tempo bem menor do que se poderia imaginar. O seu negócio passará para as mãos de concorrentes mais aptos e ágeis, ou do contrário fechará as portas. É preciso saber onde está o seu cliente e ir buscá-lo, oferecendo o que as grandes redes não sabem fazer: tratá-los de forma personalizada e com o carinho como só os verdadeiros amigos sabem fazer. A depender do tipo de negócio, não espere que ele lhe seja totalmente fiel, mas que não o despreze.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 04-09-1999

 

Desabafo de um necrólatra

Walmir Rosário

– Companheiros, fomos ultrajados e nossa honra manchada. Não poderemos aceitar passivamente tamanho achincalhe praticado contra nós, pessoas benfeitoras da comunidade, que temos procurado levar nossa solidariedade e palavras de conforto aos parentes dos falecidos – reclamava o inflamado orador.

A assembleia estava perplexa, afinal de contas, o orador, até aquele momento, era pessoa considerada dócil e equilibrada, digna de um passado exemplar e um presente por demais pacato. O que teria provocada a ira do telegrafista aposentado pelos Correios e Telégrafos, rádio-escuta dos áureos tempos da Rádio Clube de Itabuna e atual dirigente de uma conceituada empresa gráfica? Indagava a plateia.

Para todos os presentes, o comportamento de José de Freitas, ou “Poly”, como é mais conhecido, não se coadunava com o espírito de quem já havia exercido o cargo de Juiz de Paz, resolvendo problemas da sociedade, aconselhando desafetos, unindo pessoas pelo sagrado laço do matrimônio. Qual o motivo de tamanho furor? Logo Poly, um viúvo que levava uma vida regrada, cuja maior extravagancia que se dava ao luxo era se reunir com os amigos para uma rodada de bate-papo na loja A Imperatriz, conversando amenidades e, no máximo, um fim de semana de descanso em Canavieiras.

E era justamente isso que intrigava os presentes. Alguma coisa estaria errada. Seria, por acaso, essa tal de andropausa? Por acaso Poly teria alcançado a malfada senilidade? Indagavam-se desconcertados os companheiros de assembleia.

Aos poucos as dúvidas da plateia foram sendo desfeitas com as competentes explicações oferecidas pelo orador:  O motivo da indignação fora causada por uma crônica escrita pelo jornalista e escritor Antônio Lopes, no Caderno Banda B, do Jornal Agora, sob o título: “Quando eu me chamei saudade”, contando um sonho em que teria morrido num trágico acidente automobilístico entre Buerarema e Itabuna. O grande pecado cometido pelo cronista foi o de não ter citado, nem en passant, nenhum dos conceituados necrólatras de Itabuna.

– Observem, companheiros, esse Lopes, no alto de sua sabedoria, se contentou apenas em atrapalhar o trânsito na avenida do Cinquentenário, como se isso representasse uma glória para um defunto, quanto mais um de cujus ilustre, em vida homem de letras, microfone e imagem como ele. Se convidados fôssemos, teríamos organizado um velório sublime, digno de um homem que dedicou sua vida a congressos, seminários, saraus literários e tertúlias tantas – desabafava Poly.

Enquanto desfiava seu rosário e ladainhas de lamentações, foi interrompido por um dos presentes que o indagou:

– Talvez o de cujus não tenha tido essa possibilidade de nos convidar, já que estava morto? Como poderia ele se lembrar disso? A família, sim foi quem falhou! – defendeu.

Nem mesmo uma explicação plausível como essa foi capaz de acalmar o esbaforido Poly, que indiferente às explicações vociferava:

– Como é que um intelectual dessa estirpe poderia deixar de nos convidar, além de outras tantas pessoas ilustres e letradas da mais fina flor da sociedade. Numa sentinela dessa magnitude, poderíamos organizar eventos dos mais diversos, a exemplo de debates sobre a vida e obra do de cujus. Acredito que o Dr. Renan Sílvio Santos não iria se furtar de discorrer uma tese abalizada sobre os ‘Efeitos Jurídicos da Morte de um Escritor na sua Propriedade Intelectual’. Poderíamos, ainda, convocar em Ilhéus o seu colega escritor Jorge de Souza Araujo, com a finalidade de apresentar um eminente estudo sobre a obra literária do defunto por ocasião dos 500 anos do Brasil; caberia ao cronista canavieirense Carlos de Carvalho delinear a trajetória literária do de cujus; e, quiçá, Mário Augusto, de São Paulo, que poderia falar na repercussão do livro ‘Buerarema falando para o mundo’, no contexto literário nacional – explicou, Poly.

Para o dia do sepultamento, Poly já tinha planejado meticulosamente um desfile apoteótico do féretro pela avenida do Cinquentenário, tendo a frente José Oduque Teixeira, responsável pelo asfaltamento dessa importante avenida; a Fanfarra do Imeam levantando os aplausos de comerciantes, comerciários e outros desocupados; e até a participação de Vivaldo Moncorvo, seu colega (de Poly) telegrafista, apresentando a charanga, sem custos financeiros, acredita.

Porém, o melhor estaria reservado para a subida da rua Antônio Muniz, último trecho a ser percorrido pelo cortejo antes de chegar ao Campo Santo. Naquele local já estaria previamente postado o Coral da Ceplac, além do tenor Duduca Paixão, que cantaria a pleno pulmões “Segura na mão de Deus e vá”, encomendando o defunto com todas as honras possíveis e imagináveis a que, por certo teria direito.

Sem conter mais a emoção, a voz trêmula de pesar, Poly, enfim, desabafou:

– Companheiros, em vida, esse Lopes sempre foi um cara porreta, mas, morto, se revelou um péssimo sonhador – disse.

Dito isso, saiu da assembleia com destino à avenida do Cinquentenário, talvez para saber se teria morrido mais uma pessoa importante da cidade.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 23-10-1999

(O advogado Renan Sílvio Santos faleceu às primeiras horas do mesmo dia publicação, sem ler essa crônica)

Competência e marketing

Walmir Rosário

Estatísticas e indicadores forram os jornais ao longo dos últimos dias, ao lado das anunciadas medidas de aumento da arrecadação da Previdência, via cobrança de aposentados e de instituições filantrópicas e de novos impostos à vista, inclusive a transformação da CPMF em imposto permanente. Chegam também informações sobre a redução da atividade industrial, da ordem de 9,7% em São Paulo, queda nas vendas, aumento do desemprego e ampliação do déficit externo, que alcança hoje 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior desde a implantação do Real.

Os primeiros estudos sobre as novas regras arrecadadoras, o projeto de reforma tributária que chegou ao Congresso nesta semana, indicam, por exemplo, que a gasolina poderá aumenta em até 26% e lubrificantes em geral em mais de 10,9%.

Diante do cenário pouco animador do país e das perspectivas de forte recessão em 1999, o jornalista Aloysio Biondi indagava na última quinta-feira, por que grande parte da imprensa, ao comentar a saída de parte da equipe econômica, responsável pelo programa de privatização, continuar rasgando elogios aos “técnicos de altíssimo nível” que o governo perdeu por causa dos grampos telefônicos?

Pergunta, Biondi: “Pois aqui vai um desafio a esses colunista. Favor citar um único, unzinho só exemplo de previsão da equipe FHC que se cumpriu, ao longo de quatro anos. Queda da importações? Aumento das exportações? Queda da inadimplência? Redução do desemprego? O Brasil não é a Ásia? Safra agrícola recorde? Crescimento da economia no segundo semestre de 1998? Ora, ora. Os erros da equipe econômica, mês a mês, colocaram o Brasil no buraco. Que ‘competência’ é essa? Qual o objetivo dessa louvação?”, finaliza.

De fato, a mídia brasileira em geral não se cansa em repetir a qualidade e competência da equipe econômica de FHC. Mas, na prática, os fatos demonstram que o buraco em que o país está se metendo é muito preocupante. Tanto pelo crescimento do déficit público quanto pela redução geral da atividade produtiva. Visivelmente, de estagnado, o Brasil caminha para trás. Inclusive tendo que recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e armar ajuda internacional de US$ 41 bilhões. Isso é competência?

No Brasil, desde o advento do Real e do surgimento de Fernando Henrique Cardoso como autor da proeza, a mídia – com uma ou outra exceção isolada – sempre esteve em lua de mel com o presidente. Mesmo assim, há poucos dias FHC reclamou da imprensa no episódio dos grampos, e recebeu então, da chamada grande imprensa, forte reprimenda, não sem esta reconhecer que nunca um presidente no Brasil teve tanto apoio e elogios da mídia em geral, quanto ele.

É inegável que o fim das taxas elevadas de inflações e a inserção no mercado consumidor de duas dezenas de brasileiros que se mantinham à margem do processo social provocaram mudanças positivas. Mas o impulso do Plano Real, ao invés de proporcionar à equipe econômica a realização das outras etapas – redução do tamanho do Estado, controle de gastos e redução dos déficits públicos, externo e interno – não foi aproveitado. Ou seja, a chamada lição de casa nunca foi feita. De novo o governo anuncia, através do plano de estabilização fiscal e da reforma tributária, disposição em fazê-la.

O que tivemos, portanto, foi uma estratégia de marketing que ocupou o governo em tempo integral. Garantiu a reeleição, mas com os efeitos da crise financeira internacional, jogou o Brasil no buraco. Que se reconheça, todavia, que no buraco e à beira do precipício o país sempre esteve.

Mesmo assim, apesar dos déficits e dos desajustes, o Brasil avança e recua. Se o brilhantismo e a competência do governo fossem o que apregoam, certamente o cenário hoje seria outro. Bem outro.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 05-12-1998

Uma questão de bom senso

Walmir Rosário

Em Itabuna os grandes assuntos de interesse de toda a sociedade continuam merecendo tratamento discriminatório, preconceituoso e sempre de forma inamistosa e radical. Nada do que interessa á sociedade é previamente discutida por ela, ou sequer é chamada a opinar.

Agora, que estamos vivendo o período natalino, o mais tradicional do comércio, o centro da cidade, continua carecendo de uma série de serviços, os chamados essenciais, prejudicando o brilhantismo dessa festa.

Até agora, em que pese uma parceria celebrada entre a Prefeitura de Itabuna e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o centro da cidade não recebeu nenhuma das benfeitorias previstas, como a iluminação e decoração natalina, equipamentos que continuam guardados nos depósitos do Município.

Além da falta do clima natalino, criado pelas luzes e peças decorativas, os consumidores que buscam o centro da cidade para fazer suas compras, ainda padecem com os constantes buracos da avenida, a falta de espaço para a circulação nas calçadas e a falta de estacionamento.

Por uma questão de bom senso, antes de tudo é preciso avaliarmos a necessidade da CDL, como representante dos lojistas, e da Prefeitura, órgão máximo da administração local, criar condições favoráveis para fomentar as vendas, alcançando um maior universo de pessoas, que geralmente se deslocam de suas cidades para realizar suas compras de fim de ano em Itabuna.

Infelizmente, invariavelmente esses consumidores não são tratados com o devido respeito e bom senso. O mesmo acontece com a população local, se bem que já acostumada ao desprezo por parte do Município, quando se trata de receber os serviços a que teria direito.

É natural e perfeitamente lógico que, nos esforços de reduzir despesas e ampliar receitas, que o município necessita de forma quase desesperada, em razão de suas prioridades, busque acabar com despesas – ou investimentos – consideradas não essenciais. Até aí nada mais justo. Porém, o Poder Público Municipal não pode desconhecer que o comércio sempre foi a maior atividade de Itabuna, a que gerou mais empregos e que responsável pela geração de impostos.

Não se concebe que uma atividade dessa importância seja relegada à sua própria sorte, na produção de benesses para o Município, através de promoções que aumentam a arrecadação de tributos pela Prefeitura, quando ele se nega a cumprir a sua parte.

Não se pode, a pretexto de acabar com determinados gastos, eliminar também as milhares de empresas, que são, verdadeiramente, as grandes benfeitoras, que ajudam – e muito a reduzir as amarguras de milhões de brasileiros que vivem no limite da pobreza e da miséria, proporcionando emprego e renda.

Emocionalismo exacerbado não contribui para a eliminação das dificuldades existentes no Município. É preciso aplicar o bom senso, pensar e buscar soluções para os problemas e não desprezar um dos segmentos mais importantes da sociedade. Os lojistas esperam ser ouvidos e atendidos em suas reivindicações, bem como pretendem continuar contribuindo para o desenvolvimento de Itabuna.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 12-12-1998

A comunicação como fator de integração entre o lojismo

Walmir Rosário

Ao comemorar 35 anos de existência, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Itabuna acredita que participou positivamente da vida do município. Afinal de contas, a CDL é integrada por pessoas de relevante conceito na sociedade, com atuação nos mais diversos setores produtivos. Para comemorar os 35 anos de atividade, nada de festas e sim mais planos para o futuro. Quem também comemora 40 anos é o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), que em Itabuna é um dos mais modernos do Brasil.

Os planos da CDL de Itabuna para os próximos anos são ambiciosos e têm como objetivo maior congregar o pensamento dos associados da instituição. Faz parte desse novo estágio um incremento nas ações de comunicação social, através do trabalho de uma assessoria voltada para atender os interesses corporativos e da sociedade como um todo. Esse novo momento na comunicação é o resultado de uma experiência acumulada ao longo dos anos, formando opinião na comunidade regional.

O projeto elaborado pela diretoria da CDL de Itabuna visa, sobretudo, acompanhar as transformações do mercado brasileiro, atualmente em ebulição. Atenta a todas as mudanças, a CDL de Itabuna ganha novo perfil, com destaque para a formação de parcerias. Com isso, ações estão sendo desenvolvidas no sentido de aumentar sua área de influência, através da elaboração de um plano estratégico efetivo para responder às necessidades institucionais.

Esses propósitos estão respaldados em conceitos modernos de marketing e estruturas no tripé Comunicação Empresarial e Relações Públicas; Eventos e Promoções; e Publicidade e Propaganda, cada uma contando com profissionais especializados nos segmentos envolvidos. Inicialmente, as ações serão concentradas numa nova formatação do jornal e do programa radiofônico Momento Empresarial, bem como na elaboração de campanhas publicitárias e de um calendário para a realização de eventos.

A intenção da diretoria da CDL de Itabuna é posicionar a comunicação da entidade como fonte geradora de recursos para organizar e executar ações mercadológicas, atuando nos âmbitos interno e externo, possibilitando o estabelecimento de canais de comunicação com os diversos públicos do segmento lojista e dos consumidores. Essas ações têm a finalidade de valorizar a comunicação empresarial como um meio capaz de levar o máximo de informações ao associado.

A área de eventos deverá contribuir para a realização de consultoria na organização de eventos bem sucedidos, gerando uma diversificação das atividades de marketing. Essa consultoria inclui desde a organização, produção do material de divulgação, desenvolvimento de brindes personalizados e estratégias de comunicação. Para isso será elaborado um calendário de eventos contemplando comemorações, encontros, convenções, seminários, simpósios, dentre outros.

Já o setor de publicidade e propaganda atuará na consultoria, planejamento e criação de material promocional visando o lançamento de novos produtos e serviços, homenagens a datas comemorativas, produção de material de divulgação e apoio aos eventos lojistas. A área de publicidade e propaganda continuará a desenvolver campanhas de forte apelo às vendas nas promoções e liquidações realizadas pela CDL, a exemplo de Natal, dia das mães, festejos juninos, dentre outras comemorações.

De acordo com as perspectivas do mercado – estabilizado economicamente –, as ações que a CDL está implantando deverão ter performance positiva de crescimento, já que o mercado se tornou acessível a todas as classe sociais. Desta forma, a CDL de Itabuna contribui ainda mais para o fortalecimento de um mercado cada vez mais competitivo, investindo na qualidade dos serviços prestados pelos seus associados.

O projeto de comunicação formulado pela CDL é considerado um ponto fundamental para continuar conquistando sua clientela, estruturando-se para atendê-la, ouvi-la e informá-la sobre o mercado, ganhando sua confiança. Neste sentido, procurará trabalhar oferecendo aos associados um serviço cada vez mais diferenciado, estabelecendo uma política de atendimento que busca novas oportunidades de mercado a ser exploradas.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 20-09-1998

A BR do esquecimento

Walmir Rosário

Já se tornou comum entre nós as constantes ameaças de fechamento da BR-101. Desde sua inauguração, há 26 anos, a estrada responsável pela integração do litoral brasileiro está relegada ao abandono. Pouquíssimas vezes recebeu tratamento, mesmo assim inadequado, pois os recursos sempre estão tão escassos e nunca são suficientes para uma completa recuperação. Enquanto isso, os motoristas são entregues à própria sorte, sofrendo prejuízos com pneus cortados e peças quebradas nas inúmeras crateras existentes ao longo da rodovia.

A BR-101, pensada na década de 1930, foi sendo construída aos pedaços e somente foi inaugurada em 1973 (no trecho que atravessa o Sul da Bahia), representando o último grande investimento do Governo Federal em nossa região. Talvez por termos sido ricos o bastante para não adotar formas de luta mais radicais, porém o eficiente, fomos nos acostumando com o descaso das autoridades para os nossos problemas e nos contentávamos em falar mal do governo pelas esquinas da vida, um péssimo exemplo a ser seguido.

Hoje, quando não mais estamos ricos (em alguns casos podemos nos considerar miseráveis), começamos a ensaiar tomadas de posição mais severas contra aqueles que não nos representam como esperávamos. Em que pese a timidez de nossas formas de luta, já há um avanço significativo na conscientização de nossa cidadania, fazendo valer nossos direitos, seja através do poder de pressão para que possamos ser atendidos em nossas justas reivindicações, ou pelo tradicional voto, excluindo da vida pública descomprometidos com nossas causas.

As ameaças de paralisação da BR-101 feitas pelo comitê representado pelas mais diversas instituições da sociedade são legítimas e devem ser encaradas por toda a comunidade como um ato essencial para a recuperação da nossa mais importante rodovia. Infelizmente, nossos governantes não se sensibilizam às solicitações educadas, mesmo que esta estejam devidamente fundamentadas e reconhecidas como necessária ao bem-estar comum.

Desta vez o comitê promete usar tática diferente e eficaz, realizando o protesto com o fechamento da BR-101 em data não divulgada, ao contrário da anterior, quando os efeitos não foram os esperados. Não estamos afirmando que os fins justifiquem os meios, porém os benefícios trazidos com a recuperação desta rodovia são mais importantes para a sociedade do que um ou outro interesse que por ventura possa ser prejudicado. É preciso que o Governo Federal possa assumir os compromissos acordados, nem que para isso as formas de luta sejam diferentes das normalmente utilizadas e que não produziram os efeitos positivos necessários.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 02-10-1999

Nem tanto, nem tampouco

Walmir Rosário

O Governo Federal recuou e já concedeu aumento de 10% aos fretes rodoviários para vigorar em novembro próximo, conforme acordo já firmado com as entidades representativas dos caminhoneiros. Essa é uma notícia ruim que vem escudada numa notícia boa – a redução dos juros –, também vinda do Palácio do Planalto. O setor produtivo, que já começava a olhar o governo com desconfiança, coloca um pé atrás e pergunta: Será que o custo de vida não sofrerá nenhuma alta, já que mais da metade da produção brasileira é transportada por caminhões?

Este é mais um problema para os economistas do governo se debruçarem sobre o problema, analisarem e dar uma resposta transparente ao povo brasileiro, quase esquecido dos constantes aumento de preços. Com o aumento do frete, as maquininhas remarcadoras voltarão a funcionar “a todo o vapor”, no sentido de “recuperar o atraso”. E os consumidores pensam que já estariam livres desta cultura inflacionária. Sem dúvida, a pressão feita pelos caminhoneiros obteve pleno êxito, resta-nos saber se os ruralistas também conseguirão, pois mudaram de estratégia e agora negociam nos gabinetes de Brasília, o que representa um grande risco.

Essa atitude do Governo Federal nos mostra que o Brasil não está livre do monstro da inflação, que aos poucos volta a dar demonstração que está vivo e pronto para novamente nos atacar. As explicações sobre os aumentos estarão na ponta da língua dos tecnocratas para, em bom “economês”, dizer que a culpa é dos consumidores de chuchu, ou de quem gasta gasolina para ir à praia num carro particular.

Esperamos que os tempos em que a sua economia sofria solavancos a cada majoração nos preços dos combustíveis já tenham passado, e que não sejamos acusados de sabotar a cotação do barril de petróleo no mercado internacional. Vamos fazer de conta de que não nos lembramos daquela época e que esse aumento do frete seja coisa do passado, sem grave influência na vida do cidadão comum, que consegue sobreviver com o salário corroído, sem saber o que é poder aquisitivo, mas sabedor de que seu dinheiro não dá para comprar as mesmas mercadorias do início do Plano Real.

O Governo Federal, por sua vez, deveria dar início aos seus projetos de investimentos, consertando as estradas que ainda estão sob sua responsabilidade, aumentando a vida útil de um caminhão, diminuindo o consumo de óleo diesel, evitando pneus estourados e molas quebradas. Não queremos nem mesmo exigir a ampliação da navegação de cabotagem e fluvial, bem como a ferroviária, como fazem os Estados Unidos e demais países do chamado primeiro mundo. Isso resolvido, com certeza, não teríamos nossa conta-petróleo ameaçada pelos caminhoneiros.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 18-09-1999

Confiando na Bahia

Walmir Rosário

As estatísticas revelam que nos últimos oito anos houve um grande crescimento positivo no mercado baiano. O mercado tem acompanhado passo a passo esse desenvolvimento e hoje a Bahia é um dos principais estados brasileiros em despertar o interesse de países compradores, especialmente da Europa e do Mercosul. A criação de facilidades de exportação tem sido motivo de trabalho da Promoexport, acompanhando e assessorando empresários baianos na busca de novo nichos de mercado.

Apesar das dificuldades econômicas surgidas no país e ocasionadas pelas oscilações do mercado financeiro internacional, o Governo do Estado tem tido a sabedoria necessária para atrair investimento para a Bahia, especialmente para o interior. São indústrias que chegam com pesados investimentos, diversificando a fonte da economia. Agora, somente na região cacaueira, milhares de postos de trabalho estão sendo gerados nas fábricas de calçados, meias, bicicletas, derivados de cacau, dentre outras que aqui estão se instalando.

Essa diversificação faz com que não passemos a depender apenas do cacau, única matriz econômica regional capaz de gerar empregos em massa. Faz bem lembramos que a cacauicultura também inicia o seu período de transformação, renovando os cacaueiros decadentes por plantas tolerantes à vassoura-de-bruxa e de alta produtividade, renovando as esperanças de produtores rurais, operários, enfim, de toda a cadeia produtiva e da sociedade regional sul-baiana.

Esses investimentos, além de gerar novos postos de trabalho, ainda são responsáveis pela mudança na mão-de-obra, que agora precisa ser especializada para atender à modernização cada vez mais crescente das atividades. O aumento quantitativo e qualitativo da nossa mão-de-obra não é apenas uma questão circunstancial, mas, sobretudo, um elemento a mais na economia, pois com o conhecimento adquirido, também chegam os melhores salários e, consequentemente, a satisfação das necessidades e o aquecimento do mercado.

É visível que não vivemos num oásis de prosperidade, mas não podemos fechar os olhos e desconhecer o período de crescimento que temos experimentado nesses últimos oito anos. Sabemos que a questão do emprego não é apenas um problema do Brasil e que aflige diretamente o mundo inteiro, desencadeada pela crescente globalização. Mudou o tipo de emprego, a relação de trabalho, e o Estado já está envidando esforços para encaminhar, recolocar essa força trabalhadora no mercado produtivo.

Não podemos desanimar com os acontecimentos momentâneos e nem acreditar em mensagens negativistas veiculadas com finalidade meramente político-eleitoral. O lojista, por formação, é um empreendedor que trabalha com portas abertas seduzindo clientes através da comunicação visual e mensagens de otimismo. Não devemos desacreditar nossos governantes que nos provam a competência com realizações cada vez mais frequentes, no intuito de corrigir as distorções ainda existentes na sociedade. Nada substitui nossa confiança e nosso otimismo.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 04-10-1998

A tendência mundial é o associativismo

Walmir Rosário

O momento em que vivemos se apresenta bastante conturbado e exige cautela no trato dos negócios. A inadimplência tem assustado muito. O aumento dos juros tem provocado dificuldades financeiras e comprometido vários empreendimentos. Porém, para esse delicado momento que estamos vivendo, as soluções têm que se buscadas em conjunto.

Temas como o banco de dados nacional único, cooperativismo na área de compras, de credito e nas mais diversas áreas, darem-se as mãos para uma solução em conjunto são fórmulas que outros segmentos já demonstraram que são métodos de sucesso. Os próprios países buscam soluções em conjunto. Basta observar os grandes blocos estão surgindo em todos os continentes.

O lojista que pensar individualmente para sobreviver com certeza enfrentará mais dificuldade do que aqueles que buscam soluções em conjunto. Daí a importância dessas discussões durante as convenções. Elas são salutares e quem sabe acendem algumas luzes que vão fazer com que muitos possam sobreviver.

Este é o cenário das tendências, que preveem a aglutinação de grandes marcas em grandes redes. Mas no varejo brasileiro o cenário ainda não é esse. Hoje a grande maioria é de pequenos empresários, mas que também está à porta da concentração. Isso já aconteceu em vários países como os Estados Unidos e diversos outros da Europa, e sabedores dessa tendência internacional, temos que preparar o nosso pequeno empresário do varejo para enfrentar essa nova realidade. Individualmente ele não vai conseguir sobreviver.

É a partir dessa constatação que ele (o pequeno empresário) passa a contar com entidades como as CDLs, associações comerciais, Sebrae, cooperativas, enfim, instrumentos importantes na busca de soluções para os problemas que estamos vivendo. Mas nunca esquecer que em primeiro lugar está o lojista. É ele quem mantém essas entidades que estão aí para oferecer subsídios capazes de auxiliá-lo na tomada de decisões.

Ao lado da tomada de ações associativistas e corporativistas, o lojista deve buscar incessantemente a profissionalização de sua atividade. Estudos nos mostram que a cada dia novos obstáculos surgem em função da economia globalizada e que devem ser superados. Sozinhos não conseguiremos atender as nossas dificuldades, mas juntos teremos a experiência e a capacidade necessária para resolver nossos problemas mais prementes.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 25-10-1998

 

Falta maturidade

Walmir Rosário

Os acontecimentos que levaram ao pedido de demissão do ministro das Comunicações mostraram que existe uma distância quase intransponível entre o que a sociedade brasileira e o mercado pensam a respeito dos negócios relacionados à venda de empresas estatais. Em seu depoimento no Senado, Luiz Carlos Mendonça de Barros disse que a postura mantida por ele e a cúpula do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) no processo que e antecedeu os leilões da teles era aceitável, levando-se em conta o tipo de “cultura de privatização” que se formou no país.

Pelo que se deduz dessas declarações, o estímulo à formação de consórcios parece corriqueiro, mesmo quando há amizades pessoais envolvidas. Normal, também, seria a participação ativa de bancos federais, agindo “no limite da irresponsabilidade”, como consta de um dos trechos das fitas que chegaram à imprensa. A ideia que se fazia do programa de desestatização, contudo, era bem diferente. As relações entre as autoridades e os investidores aparentavam estar dentro dos limites razoáveis, demarcados pela ética e pelo senso comum. Descobre-se, agora, que o espaço separando o Estado brasileiro do setor privado sempre foi muito menor do que se imaginava.

Essa constatação é insuficiente para invalidar os leilões, mesmo porque os resultados não corresponderam, necessariamente, à expectativa do governo – como as próprias gravações deixam claro. Mas fica a certeza de que faltou transparência na condução do processo, ou ao menos uma discussão séria sobre até onde os gestores da privatização podem ir, sem que passem a entrar em choque com o que se espera de administradores do patrimônio público.

Os argumentos favoráveis a Mendonça de Barros são, por sinal, os mais elucidativos desse conflito. Ao que tudo indica – e não há motivo para se duvidar dessa hipótese –, ele agiu convicto de que estava fazendo o melhor para o país, partindo do pressuposto de que uma atuação “agressiva” seria preferível a um comportamento “burocrático”. O que se entende por burocracia, nesse caso, é o apego exclusivo às regras do edital, sem que seja feito qualquer esforço no sentido de garantir maior retorno financeiro ao governo.

O desfecho do escândalo dos grampos mostrou, porém, que a falta de ousadia (como assim interpreta o ex-ministro) nem sempre é algo condenável. Pelo contrário, se Mendonça de Barros não tivesse se empenhado tanto em estimular a competição, pelos meios que considerava normais, o Tesouro Nacional poderia ter lucrado menos, mas em compensação o presidente Fernando Henrique Cardoso teria sido poupado do intenso desgaste das últimas semanas.

Se há algo de proveitoso em mais esse lamentável episódio envolvendo o governo é que ele criou a oportunidade de um debate aberto sobre os princípios que devem nortear a ação dos responsáveis pelo gerenciamento do programa de privatizações. Por mais competentes que sejam, eles não podem esquecer que a venda de empresas estatais é, acima de tudo, um processo político, cujas implicações vão muito além dos aspectos técnicos.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 28-11-1998

 

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