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REMUNERAÇÃO DO PROFESSOR

Julio Cezar de Oliveira Gomes

Houve um tempo em que muitas pessoas sonhavam em ser professor. Viam no exercício desta profissão a oportunidade de uma carreira bem remunerada, respeitável por ser voltada para a transformação da sociedade, construindo o amanhã.

Entretanto, atualmente vê-se cada vez menos pessoas se interessarem por fazer um curso superior voltado para o magistério. Infelizmente há boas razões para isso, e a maior delas é de ordem salarial.

Segundo dados publicados pelo IBGE e tabulados pelo jornal O Globo, no ano 2010 a renda média de um docente do ensino fundamental equivalia a 59% do que ganhavam os demais trabalhadores com nível superior. Em média, um médico e um engenheiro civil receberam R$ 7.150,00 e R$ 6.015,00 mensais na última década. Já o salário médio dos docentes da educação básica ficou em torno de R$ 1.878,00 no mesmo período.

Em matéria de vencimentos, os professores, com nível superior, mas com salário médio de R$ 1.878,00 ganham menos do que muitos trabalhadores de nível técnico e até mesmo do que alguns operários qualificados, como pedreiros, armadores, motoristas de ônibus ou caminhão e outras categorias que – embora mereçam todo o nosso respeito – não investiram parte significativa de suas vidas qualificando-se em um curso superior.

Esta falta de incentivo econômico para o exercício do magistério trás consequências imediatas. A primeira, já referida, é o desinteresse pelo ingresso na carreira. Outras são a saída de grande número de professores para outras profissões, deixando no magistério somente os mais vocacionados ou, às vezes, os menos qualificados, aqueles que não conseguiram ingressar em outro curso superior ou não conseguem mudar de carreira. De qualquer modo, para os que ficam está reservada uma sobrecarga horária brutal de trabalho, para tentar suprir, pela quantidade de aulas, a má qualidade da remuneração.

Também é comum ouvirmos relatos de colegas que abandonaram a profissão após perceber que, com seu salário, nunca poderiam atingir um padrão de vida satisfatório, ou que se deram conta de que trabalhando em outras atividades econômicas – como vendas, por exemplo – podem ganhar muito mais do que no magistério, já que professores possuem, em regra, boa formação geral, fluência verbal e grande capacidade de relacionar-se com o público, qualidades muito valorizadas no mercado de trabalho.

Outros professores seguem trabalhando na educação, mas fora da regência de classe. Passam a atuar nas escolas como pessoal de apoio, em secretarias ou mesmo em outras funções públicas, mas evitam ao máximo voltar à dura realidade da sala de aula.  Também é comum verificarmos professores altamente desmotivados, que passam a descuidar da administração do conteúdo e apresentam elevadas taxas de absenteísmo. Tudo isso contribui para a deterioração da qualidade do ensino.

Na vida, não há soluções mágicas. Vivemos em uma sociedade capitalista, onde as pessoas têm necessidades, sonhos, planos e família para sustentar.

Se queremos qualidade no ensino – e quem quer progredir no mundo moderno, onde ciência e tecnologia ocupam lugar de destaque tem que ter boa formação escolar – temos que, antes de tudo, promover uma melhoria significativa na remuneração do magistério, pois nada substitui o professor em seu ofício de educar e difundir conhecimento técnico. Fora de uma remuneração digna, não há chance de melhoria da qualidade do ensino, nem no Brasil nem em nenhum outro lugar do mundo.

Sem boa remuneração não há solução!

Graduado em História e em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). e-mail juliogomesbr@ig.com.br

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