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Sinal dos tempos

Walmir Rosário

O Senado Federal defendeu-se com altivez da sanha avassaladora dos ocupantes do Governo Federal, demonstrando à Nação que nem tudo está perdido na política brasileira. Agora, ao impor uma derrota acachapante ao governo Lula, na votação da Medida Provisória sobre o aumento do salário mínimo, parece que se inverteram os papéis: o Senado, que tem o dever constitucional de representar o Estado, assumiu também a responsabilidade de defender o povo, reservada à Câmara Federal.

De uma vez por todas, os senadores desnudaram as artimanhas políticas – o jogo do poder – praticadas para aprovar projetos de interesse do governo ou de grupos corporativos. É o toma lá, dá cá. E a derrota foi se tornando realidade a partir de alguns próprios parlamentares petistas, como o vice-presidente do Senado, Paulo Paim, defensor intransigente de um salário mínimo digno para o trabalhador brasileiro. Também atuaram com maestria os hoje oposicionistas Jefferson Péres, Pedro Simon, Almeida Lima e Heloísa Helena.

Tal como fogo de monturo, a rejeição à proposta do governo Lula foi crescendo paulatinamente e contagiando senadores de partidos de esquerda, centro-esquerda e direita, até ganhar status de “guerra” contra a opressão ao assalariado. Pouco adiantou – ou, ao contrário influiu decisivamente –, as seduções vindas do Planalto no sentido de sensibilizar os senadores com propostas de liberação de verbas e cargos para apaniguados, que sempre levaram as contas do País a rombos homéricos.

O PT, partido de dogmas, por pouco menos do que rebeldias como essa expulsou seus melhores quadros, considerados “PO” (puros de origem) e árduos defensores da filosofia defendida durante muito tempo à população brasileira. E agora, qual será a atitude do presidente José Genoíno e outros “cardeais vermelhos?” Serão entregues à Santa Inquisição partidária? Expulsão? Ou será que já está se acostumando às constantes derrotas impostas?

Além dos opositores como Antônio Carlos Magalhães e a troupe do PFL, o governo ainda recebeu golpes violentos no fígado do ex-aliado José Sarney, que escolheu a hora certa para aplicar o troco. O presidente do Senado não digeriu bem a falta de apoio do Planalto para a aprovação da reeleição das Presidências da Câmara e Senado, mas como político experiente esperou a hora certa de aplicar um corretivo ao governo Lula, aliado de conveniência.

Foram 12 votos contrários vindos da base aliada, inclusive do PT. Será que o governo aprendeu a lição? Resta saber agora qual será o comportamento do PT e do Palácio do Planalto em relação à política que manterá daqui pra frente com o Congresso Nacional. Os senadores já demonstraram que em política os acordos são feitos para serem cumpridos. Não basta dizer que o salário mínimo é o maior dos últimos anos, é preciso aprová-lo com um valor nominal maior.

Com a volta da Medida Provisória para a Câmara Federal, a tropa de choque do governo Lula voltará a atacar os deputados com mais veemência de que antes. Mas qual será a receptividade, já que o governo se encontra altamente fragilizado? As seduções que serão feitas aos deputados serão mais carinhosas do que as lançadas aos vetustos senadores? Em poucos dias teremos condição de saber se a lição dada pelo Senado também contagiou os ilustres deputados federais, eleitos para representar o povo brasileiro.

Caso o poder de persuasão do governo Lula não seja suficiente e a Câmara mantenha o salário mínimo no valor de R$ 275,00, qual será a reação do governo? Quebrar a Previdência, como tem dito? Ou simplesmente vetar a decisão do Congresso Nacional? Neste caso, o salário mínimo voltará a valer os míseros R$ 240,00 de antes e o presidente Lula terá feito a opção mais fácil: quebrar, de vez, o sofrido trabalhador brasileiro. Como está escrito na Bíblia Sagrada: é o sinal dos tempos.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 20-06-2004

 

Prudência e caldo de galinha…

Walmir Rosário

A Câmara de Ilhéus é uma das últimas casas legislativas a eleger sua Mesa Diretora. E o processo eleitoral é um dos mais complicados, deixando os analistas políticos impedidos de arriscar o resultado por antecipação, embora se vislumbre. O jogo político jogado nos bastidores é complexo, dado o grande número de interesses em jogo.

Para início de conversa, não existem dois lados – situação e oposição –, mas uma divisão de grupos, cujas motivações vão desde a afinidade pessoal até as oportunidades criadas com o resultado das últimas eleições. E como a vitória de Jaques Wagner vem tornando a decisão mais difícil!

Não se trata de incursões do governador eleito ou do seu staff junto aos legisladores ilheenses, mas do que espera o presidente eleito desfrutar em termos de benesses advindas do Palácio de Ondina. Em princípio, não comungo essa ideia, pois todos os esforços nesse sentido caberão ao Executivo Municipal, a quem compete formular as parcerias.

O que considero mais estranho no processo eleitoral do Legislativo ilheense é que o seu desfecho está, de certo modo, fora do alcance da Casa Legislativa, dependendo dos líderes políticos que já exerceram cargos majoritários no Município e/ou no Parlamento Federal. Têm esses políticos o dever de restabelecer um debate político de forma mais ampla, o que não vem acontecendo.

Essa responsabilidade recai exatamente sob os ombros de Jabes Ribeiro, político com amplo currículo, capaz de fazer inveja em muitos dos detentores de mandatos. Jabes, não custa relembrar, exerceu a vice-liderança do PSDB no Congresso, quando o líder era o então senador José Serra, tendo, portanto, estofo, jogo de cintura, sabedoria. Melhor dizendo: sabe onde as cobras dormem.

Derrotado nas últimas eleições, quando pleiteava uma vaga na Assembléia Legislativa, Jabes Ribeiro entrou em hibernação e faz ouvidos de mercador quando incitado a falar sobre o seu futuro político. Mesmo que somente seja para esclarecer as fofocas de bastidores dando conta de sua saída do PFL e a volta ao PMDB, antigo reduto, embora aí também tenha adversários encastelados. Mas nada muito significativo, pois a política é a arte de quebrar lanças… Ou como dizia o caudilho Leonel Brizola: “A arte de engolir sapos”.

O silêncio obsequioso de Jabes Ribeiro pode até ajudar suas conversas com o travesseiro, mas em nada contribui para o futuro de Ilhéus, especialmente após a derrota do grupo carlista, do qual atualmente faz parte. Não acredito que a inteligência de Jabes seja direcionada para a política de terra arrasada, na qual os valores se invertem, privilegiando-se o “quanto pior, melhor”.

Ao longo desses últimos dois anos, Jabes tem repetido que Ilhéus fez uma escolha e, embora não tenha sido a melhor, a população vai ter de aguentar os quatro anos. Embora não tenha feito um exercício de futurologia, é certo que Jabes utilizou as assertivas da lógica para elaborar a sua proposição, o que vem se confirmando.

Apesar de negar com veemência a sua participação nesse processo, ninguém, de sã consciência, jamais ousaria atestar sua falta de interesse em tão importante pleito. Ainda mais, tratando-se da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2007/08, período preparatório para as eleições municipais.

O que interessa ao político Jabes Ribeiro? Manter-se alheio e omisso ao cenário político ilheense? Não é fácil acreditar numa decisão desse calibre, até porque ele já deu demonstrações claras de que seu apoio seria dado ao vereador Jailson Nascimento.

Por sua vez, Jailson Nascimento também é o candidato preferido dos vereadores petistas, não porque acreditem ser esse vereador o melhor e o mais indicado, mas para seguir o que está escrito na cartilha do PT. Isto quer dizer que o PT  fechou questão e é tradição a obediência da bancada após a aprovação.

Tiraria algum proveito político Jabes Ribeiro fazer essa aliança com o PT, por mais pontual que seja? Hegemônico, o PT não abriria mão da candidatura majoritária, nem mesmo abriria algum espaço para Jabes Ribeiro, por conhecer sobejamente seu potencial nos vários embates políticos realizados no decorrer destes anos.

Como diz o ditado: “Gato escaldado de água fria tem medo”. E o PT de Ilhéus não iria incorrer num primarismo sem precedentes.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 25-11-2006

Casamento de cobra com jacaré

Walmir Rosário

O Partido dos Trabalhadores (PT), antes uma agremiação integrada por vestais políticas, finalmente foi desnudado e expulso, sem nenhuma cerimônia, do paraíso político e jogado ao purgatório, se aquecendo com o que sobra do fogo dos infernos. Os mais experientes articulistas políticos não conseguem entender as bruscas mudanças tomadas pelos petistas após a tomada do poder, obedecendo ao caminho das urnas, como requer a democracia.

Os pruridos de antes foram apagados da cartilha petista com a maior desfaçatez, eliminando até mesmo um estágio centrista do tipo neoliberal praticado por Fernando Henrique Cardoso e criticado por eles. Não havia tempo para essas formalidades e a guinada foi de 360 graus, até se chegar aos pés do Partido da Frente Liberal, o nefasto PFL de antes, satanizado antes e depois das eleições pelos “companheiros barbudinhos”.

A bem da verdade, Lula e os petistas não conseguiram nem mesmo se juntar ao PFL (a não ser na eleição de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro), mas a um grupo liderado pelo senador Antonio Carlos Magalhães, um tipo de político que depende do poder para viver, como o peixe da água. Os meios utilizados para isso não importam, e sim os fins: promover uma ditadura civil no País, oprimindo a oposição, calando a voz de instituições, prevalecendo o absolutismo.

Aos eleitores resta saber quais os tipos perigosos de vírus ou bactéria que habitam o Planalto Central e contaminam um partido à primeira sentada no Trono Presidencial do Palácio da Alvorada. Em quem o eleitor vai agora acreditar? Nos partidos dos dogmas, da mentira, do esqueçam o que eu disse? É uma dúvida para ser tirada ainda nestas eleições de outubro próximo.

Como acreditar num partido como o PT, que diz explicitamente na sua propaganda eleitoral gratuita que, reeleito Geraldo Simões, a Fundação Marimbeta não vai acabar? Todos sabem que todos os cinco sítios do Menor Trabalhador foram implantados na administração de Ubaldo Dantas, quando era filiado ao PMDB. Durante esses anos nenhum sítio foi incorporado, apesar da miséria ter sido acentuada na periferia de Itabuna. Portanto, mais uma falácia, como também o é as três ambulâncias do Samu, cujas despesas da festa de entrega, com a presença do ministro da Saúde, Humberto Costa, daria para comprar mais outras 10 ambulâncias.

Outra tática utilizada pelo PT, tanto nos governos como nas campanhas eleitorais é sair na frente atacando pessoas e partidos, sem ética ou piedade, e ainda por cima entulha a Justiça Eleitoral com ações deslavadas e descabidas contra os adversários. Com isso, tenta impedir o trabalho da Justiça, para tentar sair incólume das agressões praticas. Não é honesto, não é ético.

Um partido não pode ter donos, mas perseguir posições definidas. Não deve ser hegemônico e cooptador, mas capaz de fazer alianças visando o benefício da população, governar com os coligados. Um das maiores demonstrações de desprendimento e espírito público foi dado pelo PMDB em Itabuna, ao se coligar com o PSB, mantendo Renato Costa na liderança da chapa, viabilizando uma candidatura com possibilidades reais de vitória.

Exemplos como esse são cada vez mais raros na seara política brasileira, onde os compromissos com a cidade, o estado, a nação, são relegados a segundo plano. Aliás, não é de hoje que o PMDB dá uma aula sobre convivência democrática partidária, abrigando na agremiação filiados das mais diversas tendências – esquerda, centro e direita, com suas subdivisões –, sem a prática de canibalismo entre as determinadas facções.

Na Bahia, o PMDB segue seu rumo, fazendo acordos políticos transparentes, defendendo a moralidade, chegando ao ponto de ter a coragem de cortar a própria carne quando atos espúrios contrários à sua filosofia, como os corriqueiros adesismos. Agir com pragmatismo não é vender a “alma ao satanás”, mas atuar de acordo sua capacidade de liderança na promoção do bem-estar social do povo.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 20-09-2004

 

Brasília já não é a mesma

Walmir Rosário

Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza. Essa assertiva de cunho popular cabe mais do que nunca nos petistas que compõem os cargos no Governo Federal e Congresso Nacional. Antes autodenominados paladinos da moralidade pública, hoje se empanturram com sinecuras de alto escalão para suas mulheres (no caso dos ministros), ou para amigos de caráter duvidoso.

De “Waldomiros Diniz” o Palácio do Planalto está cheio. Aliás, Brasília já não é a mesma de antes, quando o próprio presidente Lula declarava em alto e bom som ser o Congresso Nacional um valhacouto de 300 canalhas. Agora, esse tipo de população aumentou geometricamente e as notícias de malversação dos recursos públicos grassam nos noticiários da imprensa de todo o mundo.

Se antes os parlamentares petistas se gabavam de, como minoria, ter poderes para barrar a pauta do Congresso via regimento interno, hoje usam uma tropa de choque (formada pela base aliada) que faz matar de inveja os congressistas remanescentes da ditadura militar. Para eles, o que manda é pragmatismo (expressão bastante utilizada pelo ditador Ernesto Geisel) e ética é coisa de ex-comunista descompromissado com os interesses do País.

Para não dizer que não falei de flores, nossos ex-éticos, na vontade indômita de continuar com as benesses do poder (antes coisa da burguesia), avançaram sem dó nem piedade para o erário público, distribuindo recursos a torto e a direito. Esse dinheiro, no entanto, tinha destino certo: ajudar a eleger os companheiros petistas, cujos índices de aceitação do eleitor nas pesquisas de opinião de voto não são satisfatório. Em outras palavras: estão rejeitados pelo povo.

O caso mais escandaloso foi o de São Paulo, onde a companheira Marta Suplicy não encontra respaldo eleitoral nem para ser eleita inspetora de quarteirão. Somente na famosa edição extra do Dário Oficial da União foi publicada a dotação para a Prefeitura paulistana, no apagar das luzes, foram destinados R$ 52 milhões. Tratamento muito diferente teve a Prefeitura carioca, cujos recursos não passaram de parcos R$ 2 milhões. Mas aí tem um agravante: César Maia é filiado ao PFL e as pesquisas indicam que ele ganha disparado as eleições de 3 de outubro.

Itabuna também vem recebendo tratamento diferenciado em relação aos municípios da região. Enquanto o petista Geraldo Simões nada de braçada em dinheiro federal, prefeitos de outros partidos têm que mendigar de gabinete em gabinete e as emendas orçamentárias não são liberadas. Como alunos aplicados de Maquiavel (o fim justifica os meios) o governo do PT usa dois pesos e duas medidas sem a menor parcimônia, apesar de ter execrado essa máxima antes de chegar ao poder.

Com a cautela e sabedoria que lhe são peculiares, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Sepúlveda Pertence, proibiu o repasse de verbas para convênios cujas obras ainda não foram iniciadas. Parecer neste sentido já tinha sido emitido pelo Procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, condenando um outro parecer da Advocacia Geral da União (AGU), favorável à liberação.

Resguardando o bem público, Cláudio Fonteles ressaltou ser o grande problema eleitoral do País a conscientização dos eleitores. Para ele, voto é como consciência, não se vende. A mesma opinião de Fonteles tinha o PT em eleições passadas. Aqui mesmo em Itabuna um dos slogans usados na campanha que elegeu Geraldo Simões à Prefeitura de Itabuna era: “No meu voto mando eu”, numa clara alusão ao voto consciente do eleitor que não se vende.

Hoje, esses mesmos políticos, com as algibeiras entupidas de dinheiro público, mandam esquecer tudo que pregaram durante anos e tentam enxovalhar a consciência do eleitor-cidadão comprando coligações e eleitores. Já cantava o velho Luís Gonzaga muitos anos atrás: “Seu doutor uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”. A Justiça tarda, mas não falha.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado Jornal Agora em 10-07-2004

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