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Professores entram em operação tartaruga

Os professores iniciam pressão contra o Município
Cerca de 300 Professores ocuparam a porta da Prefeitura de Itabuna na tarde desta segunda-feira (06) para cobrar do Governo um posicionamento acerca do aumento salarial de 7,97%, devido desde janeiro aos professores de nível I, bem como um reajuste viável aos professores de nível II e III.
Enquanto os professores se manifestavam com faixas e bandeiras para alertar à sociedade os problemas enfrentados na educação municipal, o Simpi, sindicato da categoria, tentava negociar com as Secretarias da Educação e da Administração um aumento da proposta oferecida pelo prefeito de apenas 5,57% para os professores graduados. De acordo com a presidente do Simpi, Norma Guimarães, esse reajuste contraria a progressão e a valorização indicada pelo Plano de Carreira da categoria. “Até o momento o Governo não pagou o reajuste de 7,97% ao nível I e a proposta ofertada de 5,57% para os níveis II e III não contempla o esforço desses profissionais que passaram parte de sua vida em graduações e especializações”, afirma a Dirigente sindical que defende o reajuste de 15% para classe.
Sem novas propostas, os professores resolveram deliberar uma operação tartaruga até sexta feira (10), quando o consultor-jurídico do sindicato se reunirá com o contador da Prefeitura em busca de soluções concretas para o impasse. Até lá, as escolas permanecerão funcionando em meio período, ou seja, no turno da manhã até às 9h30min; no turno da tarde até às 15 horas; e no noturno até às 20h30min. Quanto às creches, elas deverão funcionar apenas em meio período. Durante a semana, os professores distribuirão panfletos nas escolas e nos bairros para justificarem aos pais e à comunidade os motivos de seus filhos retornarem mais cedo, e na sexta farão outra mobilização na porta da prefeitura às 9h30min, com o intuito de sensibilizar o Governo para que o mesmo atenda às reivindicações da classe.
Guerra de som prejudica empresários, comerciantes e clientes do Calçadão

Já não bastava o abandono dessa importante artéria comercial, ainda tem o som alto perturbando
Mais um exemplo do descaso do Poder Público Municipal com a cidade e os itabunenses pode ser conferido a qualquer hora no Calçadão da rua Ruy Barbosa, no centro de Itabuna.
No trecho compreendido entre a travessa Adolfo Leite (Beco do Fuxico) e a rua Nilo Santana (travessa do Artistas) duas lojas promovem a maior baderna de som, espantando os clientes do local.
Com o som no volume máximo, as lojas Quarto de Bebê e Mundo dos Naturais promovem uma verdadeira guerra contra os tímpanos das pessoas que se atrevem a passar ou permanecer no local.
Enquanto o povo sofre com o desrespeito dos dois péssimos comerciantes, a prefeitura de Itabuna faz ouvidos de mercador e não faz nada para defender o ouvido das pessoas e fazer cumprir a lei.
Tá na hora de avisar ao prefeito e secretários que é preciso tirar a bunda das poltronas macias e sair em campo e começar a administrar a sofrida Itabuna. Êta povo lerdo!
O peixe e as peixadas de Vane
Na guerra das piabas, quem nunca comeu mel, quando experimenta se lambuza (foto Na chapa quente)
De pronto, quero dizer que o prefeito Vane nada tem a ver com o que vou escrevinhar, a não ser suas claudicações em torno da administração de todos os itabunenses, sejam eles cristãos (católicos e demais professantes de igrejas evangélicas), agnósticos, ateus e mais que o valham. Mas diz respeito, sobretudo, aos seus secretários, cujo chefe e dono da caneta é ele como prefeito.
Pra começar a polêmica, não teríamos a distribuição de peixes às pessoas carentes, tradição em muitas cidades. Após diversas quedas-de-braço, enfim, cedeu. A seguir, novo problema: quem receber o peixe, como fazer a entrega das corvinas da semana santa sem a prática da politicagem assistencialista? Mais um abacaxi para descascar!
Mas o discurso, na prática, é diferente, e qualquer doutor sabe disso. Por último, vazou as briguinhas pela entrega política do peixe. Como em sociedade tudo se sabe, o presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), José Roberto, é acusado de boicotar a distribuição de peixe em alguns locais e por algumas lideranças: do PCdoB, é claro.
Ao se explicar e tentar passar a culpa a um assessor e o líder comunista, deixou evidenciado que o faça o que digo, mas não faça o que faço é voz corrente no governo municipal de Itabuna.
Só pra entender: “O que tem o presidente da FICC com distribuição de peixe? Essa não seria uma atribuição da secretaria da Assistência Social? Ou o presidente da FICC tem especialização neste mister?”.
Na guerra das piabas, como chama o Pimenta Blog, está por demais claro que “quem nunca comeu mel, como experimenta se lambuza”.
SEM INJUSTIÇAS
Mantenho a notícia acima intacta, pois já deve ter sido lida por um grande número de pessoas, porém faço aqui uma retificação justa e necessária: O Roberto autor da briguinha do peixe não se trata de José Roberto, o Presidente da FICC e sim Roberto, que teria sido motorista de Vane durante a campanha e que deve estar num desses cargos do gabinete.
Portanto nossas desculpas e o reparo feito à pessoa de José Roberto da FICC, que nada teve com o problema e entrou nessa notícia apenas por um erro de informação.
Reforma eleitoral
José Adervan
Durante o período de exceção militar, quando o país viveu uma de suas fases mais angustiantes em termos políticos (1964/1985), foram extintas todas as siglas partidárias e apenas dois segmentos passaram a ser representados na vida pública: a ARENA e o MDB. Ou seja, um representava os militares e todos os resquícios de uma ditadura e o outro, a oposição, com todas as suas mordaças e limitações, designadas pelo militarismo, com direito a repressão e coisas do gênero. Por simples lembrança, caiu a ditadura, venceu o MDB da resistência ao totalitarismo.
Vez por outra nossos políticos costumam ressuscitar – de maneira um pouco mais branda – aquele período de exceção, pois nunca aceitaram o debate das ideias como salutar para o exercício da democracia e preferem impor suas vontades, tendo em vista a perspectiva eleitoral, onde quem possa ter o voto, mesmo comprado ou tendo uma ficha policial um tanto escamoteada, tem a preferência e não importam os valores éticos e morais de quem não possui o dom de encantar os eleitores com promessas que jamais serão cumpridas, mas que representa o sonho da sociedade ainda não corrompida.
Daí, a figura das Comissões Provisórias – onde se tira e bota dirigentes ao talante do “líder”, aquele que tem o domínio estadual de qualquer partido – em detrimento de eleições democráticas, que forma o Diretório, a Executiva e seus diversos poderes, onde se constitui o verdadeiro espírito partidário, que é a identidade do cidadão com o partido escolhido e que, a cada dois anos, passa por uma reformulação que incentiva a participação dos filiados e amplia o conceito da agremiação e da própria democracia. Não é à toa o desprestígio da classe política junto ao eleitor.
A Comissão Provisória, como o próprio nome indica, deveria ser uma resolução atípica, quando não houvesse candidatos dispostos a gerir o partido, ou pela insubordinação ou por apoios a candidatos fora da agremiação, ou então, quando se formasse um grupo de pessoas dispostas a seguir a orientação filosófica e doutrinária da sigla que não estivesse formada na cidade. Exemplo típico: o novo partido criado pelo ex-prefeito de S. Paulo, Gilberto Kassab, ou o da ex-senadora Marina Silva, ainda à deriva no plano nacional.
O PSDB de Itabuna há tempos está regularizado, com suas diretrizes estabelecidas e, de certa forma, obedecidas. Nos últimos quatro anos coube-me a honra de presidir o partido. Desde 1992 não apresentávamos candidato a prefeito, quando Ubaldo Dantas foi derrotado por Geraldo Simões. Em 1996, apresentamos um candidato a vice, numa chapa com o PCdoB. Em 2000, foi formada uma chapa vitoriosa com Geraldo/Ubaldo. Em 2004, ficamos de fora. E em 2008 apresentei o meu nome, mesmo enfrentando dificuldades de toda ordem, e elegemos um vereador, coisa que não acontecia desde 1996.
Portanto, o ninho tucano de Itabuna, com todas as limitações, estava vivo e levamos o nome do candidato Augusto Castro, eleito, mas inexperiente e neófito político. Logo esgarçou o seu capital ao buscar uma briga de poder partidário sem necessidade, pois o apoio que lhe foi dado não tinha restrições. Mas, para mostrar força, passou a anunciar que tomaria o partido, pelos blogs a seu “dispor”, apesar de ter estimulado a minha reeleição. Não conseguiu tomar o PSDB e passou a hostilizar as decisões do Diretório quanto à candidatura própria para a Prefeitura de Itabuna, criando um cisma desnecessário e pouco inteligente, pela fragilização tucana, no novo cenário político da cidade. Interessava, muito mais, os bons negócios com o governo do militar de plantão, para onde tinha indicado o então secretário da Saúde, Geraldo Magela, com ótimos dividendos.
Agora, já mais experiente, foi buscar o apoio do deputado Jutahy Magalhães para evitar a eleição do novo Diretório Municipal, com a provável constituição de uma Comissão Provisória, sem passar pelo crivo do eleitor filiado ao PSDB. E já pensa em colocar a “coroa” na cabeça, apesar da recomendação de discutir a situação com o “PSDB histórico de Itabuna, com grande experiência de luta em favor do partido”, observação do deputado Antônio Imbassahy.
E Augusto Castro, que se arvorava em campeão de votos em Itabuna, ficou com medo de uma nova derrota dentro do PSDB, pois sabia que dentro do partido ele não conta com a maioria dos filiados e ganha uma sigla fracionada, dividida, mas perde, além de tudo, o respeito de quem fica, podendo ser derrotado na primeira tentativa de formar um Diretório Municipal pelo voto direto e soberano. Esse é o problema dos títeres. Mas como o sonho de Poder é mais alto, certamente, terá de pedir a Jutahy Magalhães, velho conhecido da ARENA, que faça tantas quantas necessárias intervenções para formar novas Comissões Provisórias, só para manter o pequeno e incompetente “ditadorzinho” no comando do PSDB de Itabuna.
Por sugestão, recomendaríamos ao deputado federal Jutahy Magalhães, pelo grande prestígio que desfruta em âmbito nacional, a retirada da palavra democracia da sigla tucana, pois não soa bem termos no PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira – algo que não se coaduna com a vocação ditatorial do deputado, uma questão de DNA, que vem como herança do velho general Juracy Montenegro de Magalhães, em quem teria votado quando disputou uma eleição de forma democrática, mas que governou a Bahia durante a república tenentista de Getúlio Vargas, período em que se acostumou a não questionar ordens recebidas dos superiores, assim como não gostava de ser questionado nas ordens dadas aos seus subalternos. E, no PSDB, a palavra de Jutahy Magalhães é uma ordem. E como nunca gostei de receber ordens, mas discutir sugestões, só vejo o caminho da retirada, pois sob o comando de Augusto Castro no PSDB de Itabuna seria regredir em minha caminhada. Retroceder, jamais…
Jornalista e político
Em tempos de escassez, farinha pouca meu pirão primeiro
Até tu, Vane, diria o imperador Julius Caesar, se por aqui morasse
Do Pimenta Blog
Por meio da portaria de número 7.590, de 27 de fevereiro, o prefeito de Itabuna, Claudevane Leite (PRB), concedeu função gratificada que dobra os vencimentos do servidor Bruno Moreira Magalhães Leite, agente de serviços gerais na Secretaria da Educação e filho do gestor. A medida é retroativa a 1º de fevereiro.
Em janeiro, o prefeito chegou a nomear o filho para um cargo comissionado na Fundação Marimbeta, mas voltou atrás devido à repercussão negativa. Não se sabe por que decidiu novamente contemplar o herdeiro.
O fato já repercute em novos questionamentos sobre a disposição do atual governo de mudar os rumos e práticas da política local…
N. E. - A promessa de austeridade do prefeito Vane para Itabuna, ao que tudo indica, foi apenas conversa pra boi dormir. Enquanto diz nos meios de comunicação de que não vai ocupar os cargos em comissão, as nomeações são feitas a três por dois, de forma aleatória, chegando ao ponto de nomear duas pessoas para o mesmo cargo. Desse jeito, não há Município que aguente, nem com toda a riqueza gerada pela população desta cidade. Em nome da moralidade, é uma pena que o esforço do itabunense para colocar o Capitão Azevedo da Prefeitura tenha sido em vão.
Uma questão de bom senso
Walmir Rosário
Em Itabuna os grandes assuntos de interesse de toda a sociedade continuam merecendo tratamento discriminatório, preconceituoso e sempre de forma inamistosa e radical. Nada do que interessa á sociedade é previamente discutida por ela, ou sequer é chamada a opinar.
Agora, que estamos vivendo o período natalino, o mais tradicional do comércio, o centro da cidade, continua carecendo de uma série de serviços, os chamados essenciais, prejudicando o brilhantismo dessa festa.
Até agora, em que pese uma parceria celebrada entre a Prefeitura de Itabuna e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o centro da cidade não recebeu nenhuma das benfeitorias previstas, como a iluminação e decoração natalina, equipamentos que continuam guardados nos depósitos do Município.
Além da falta do clima natalino, criado pelas luzes e peças decorativas, os consumidores que buscam o centro da cidade para fazer suas compras, ainda padecem com os constantes buracos da avenida, a falta de espaço para a circulação nas calçadas e a falta de estacionamento.
Por uma questão de bom senso, antes de tudo é preciso avaliarmos a necessidade da CDL, como representante dos lojistas, e da Prefeitura, órgão máximo da administração local, criar condições favoráveis para fomentar as vendas, alcançando um maior universo de pessoas, que geralmente se deslocam de suas cidades para realizar suas compras de fim de ano em Itabuna.
Infelizmente, invariavelmente esses consumidores não são tratados com o devido respeito e bom senso. O mesmo acontece com a população local, se bem que já acostumada ao desprezo por parte do Município, quando se trata de receber os serviços a que teria direito.
É natural e perfeitamente lógico que, nos esforços de reduzir despesas e ampliar receitas, que o município necessita de forma quase desesperada, em razão de suas prioridades, busque acabar com despesas – ou investimentos – consideradas não essenciais. Até aí nada mais justo. Porém, o Poder Público Municipal não pode desconhecer que o comércio sempre foi a maior atividade de Itabuna, a que gerou mais empregos e que responsável pela geração de impostos.
Não se concebe que uma atividade dessa importância seja relegada à sua própria sorte, na produção de benesses para o Município, através de promoções que aumentam a arrecadação de tributos pela Prefeitura, quando ele se nega a cumprir a sua parte.
Não se pode, a pretexto de acabar com determinados gastos, eliminar também as milhares de empresas, que são, verdadeiramente, as grandes benfeitoras, que ajudam – e muito a reduzir as amarguras de milhões de brasileiros que vivem no limite da pobreza e da miséria, proporcionando emprego e renda.
Emocionalismo exacerbado não contribui para a eliminação das dificuldades existentes no Município. É preciso aplicar o bom senso, pensar e buscar soluções para os problemas e não desprezar um dos segmentos mais importantes da sociedade. Os lojistas esperam ser ouvidos e atendidos em suas reivindicações, bem como pretendem continuar contribuindo para o desenvolvimento de Itabuna.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 12-12-1998
E Geraldo derrotou o PT…

Walmir Rosário
A arrogância e prepotência própria dos coronéis da política interiorana do início do século passado incrustaram em Geraldo Simões após sua permanência no poder. Não sei bem como qual nome científico mais adequado para isso, mas posso assegurar que tal prática é maléfica ao comportamento e a perfil dos políticos, e pior ainda para o povo, para a Nação.
Determinados membros do Partido dos Trabalhadores, cuja proposta inicial era a implantação da ética e moralidade na política brasileira, se desviaram de seus propósitos, abandonaram os dogmas contidos nos seus estatutos, copiaram, de forma desavergonhada, nas práticas que abominavam. Passaram de guardiões da moralidade a praticantes das mesmas mazelas por eles denunciadas, só que feitas com mais intensidade.
Na economia, essa voracidade famélica poderia ser explicada através do princípio da demanda reprimida, transpostas para o campo da ética por Geraldo Simões durante a sua primeira administração da Prefeitura de Itabuna. Os “meninos” que promoviam badernas para reclamar, apedrejando ônibus, entupindo fechaduras com cola araldite e massa plástica, se mudaram para os palacetes do Góes Calmon. Em volta das piscinas e whisky on the rocks as análises passaram a ser vistas por outro prisma, naturalmente de forma conservadora, mas confortável, e à bordo de carros luxuosos, os New Civic de hoje.
Aconselhados pela classe conservadora e pelos efeitos etílicos do mais puro malte das montanhas escocesas – com o reforço de uma legítima vodca russa –, a “república sindicalista” foi revestida de luxo e riqueza, rasgando os escritos de Karl Marx e condenando a mais valia ao fogo do inferno. Nada como os encantos da burguesia, principalmente quando se chega à condição de new rich.
Aos poucos, os companheiros das greves da Ceplac foram sendo defenestrados, talvez por não saberem como se comportar nas mansões e os operários de campo, auxiliares de serviços gerais, dentre outros piqueteiros foram substituídos pelo todo-poderoso Geraldo Simões pela fina flor da cacauicultura. Pela mão providencial de Martinelli, foi introduzido aos salões da nobreza, deixando de fora a plebe ignara.
Do alto da montanha, não dava mais para mirar, como antigamente, os velhos companheiros, estes perifericamente afastados. Os tempos são outros. Ao invés da força bruta dos piquetes, Geraldo Simões, o então prefeito, passou a se utilizar das artimanhas do poder dominante. Aos poucos, os Giltons, Veridianos, foram sendo substituídos pelos espertos doutores, ávidos para continuar encastelados no poder.
Mesmo conhecendo a derrota nas urnas, Geraldo foi incapaz de fazer uma reflexão para saber onde errou, fazer um mea culpa, reunir antigos colaborados, refazer seu exército. Mas não, preferiu os novos amigos, estes com mais experiência de vida e palavra fácil, capazes de massagear o ego do chefe com elogios fáceis e tapinhas nas costas. Não há quem resista!
E mais cabeças foram sendo cortadas. O “colégio de cardeais” petista passou a ostentar nomes conhecidos da velha oligarquia antes conhecida e combatida, e assumiram cargos importantes. Rei morto, rei posto, e Nelson Simões, Eliezar Correia, Everaldo Anunciação, Josias Gomes, tiveram seus nomes lançados no rol dos degredados. Sem qualquer explicação, deixaram de ser considerados da turma de “minha pedinha”.
Generais de outros exércitos tiveram de despir os velhos pijamas listrados para integrar o staff geraldiano. A cada reforço recrutado em Salvador e Brasília, mais uma cabeça interiorana rolava. E os reflexos foram sendo sentidos nas bases, notadamente entre os ceplaqueanos, responsáveis pela rápida ascensão do técnico agrícola em político influente e consequentemente uma das mais promissoras fortunas da Bahia.
Relegados ao degredo pelo Politiburo de Geraldo Simões, aos poucos seus desafetos foram sendo reabilitados. Ao assumir a Presidência do PT em Ilhéus, Eliezer Correia foi responsável pelo crescimento do partido. Everaldo Anunciação é hoje um dos homens fortes da candidatura de Walter Pinheiro em Salvador. Nelson Simões braço-direito do governador Jaques Wagner, e por aí afora…
O desafeto maior de Geraldo, Josias Gomes, foi, sem dúvida, o deputado federal mais atuante do Sul da Bahia, somente podendo ser comparado com o médico ilheense Jorge Viana. A disposição de trabalho de Josias no projeto de implantação do PT na Bahia despertou um sentimento de inveja e ciúmes ao vislumbrar uma ameaça ao seu projeto político individualista. Mesmo fora da Presidência estadual do PT, Josias continua sendo o homem de mais prestígio entre lideranças e militância no estado.
Ao desprezar todos os militantes petistas da Bahia, lançou seu último empreendimento da política coronelista, ao impor sua mulher como candidata a prefeita de Itabuna. Pela primeira vez os petistas se rebelaram e não seguiram a orientação partidária e o PT votou contra o PT, apesar da questão fechada.
Por último, Geraldo pensou que desafiaria a maioria do povo, inclusive o governador do Estado, que se posicionou contra a candidatura de Juçara Feitosa, pensando que voltaria a ganhar a eleição. Errou por prepotência, prejudicou o PT por arrogância. Manda a lei natural que cada um pague por seus pecados, como diz o ditado… “a justiça tarda mais não falha”.
E assim, assistindo a reabilitação e o crescimento dos desafetos, Geraldo Simões ainda vai ter que devolver “sua Secretaria da Agricultura” para o governador e ainda aturar seu ex-assessor parlamentar na Assembléia Legislativa, José Sérgio Gabrielli, hoje presidente da Petrobrás, ser lançado candidato ao Senado na vaga pretendida por “minha Pedinha”. Será o tiro de misericórdia. Ao derrotar o PT, Geraldo também será atingido.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 11-10-2008
Enchente na Cinquentenário?

Na foto, a Cinquentenário nos remete às enchentes, como a de 1966/67
A avenida do Cinquentenário não resiste nem mesmo a duas horas de chuvas. A situação, que já era ruim, ficou pior depois que o e (des)prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo, gastou mundos e fundos com a reforma da mais importante (pelo menos central) avenida, inclusive com esgotamento de águas pluviais, cujos serviços foram executados pela Emasa.
Na fotos tiradas por Hugo Bulhões e publicadas no Pimenta Blog, a situação é desesperadora, com prejuízos causados aos comerciantes daquela avenida e suas respectivas travessas. Além do fechamento dos estabelecimentos comerciais, muitas mercadorias são perdidas com o contato com a água das enchentes.
Fica aqui uma sugestão para as autoridades municipais, incluindo secretários, diretores de departamentos e outros com cargos de menor monta, que essas enchestes temporárias eram evitadas em Itabuna com um serviço muito simples: grupos de três servidores com pás apropriadas limpavam todas as bocas-de-lobo e não deixavam o material retirado (lama, areia, etc.) no local.
Com as mudanças na área da engenharia e da administração, hoje são privilegiadas as empresas terceirizadas, que somente realizam o serviço depois das enchentes temporárias (ou são constantes?). Mesmo quando são feitas as limpezas nesses locais antes das chuvas, o material não é retirado em tempo hábil, voltando para entupir as bocas-de-lobo.
Haja inteligência ou compromisso.
Voto pago com ingratidão
Walmir Rosário
Até agora o candidato Geraldo Simões não tomou coragem de ir à Ceplac pedir votos aos companheiros. Também pudera! Desde que deixou a convivência dos ceplaqueanos – e com os votos deles – para tomar posse na Assembleia Legislativa, Prefeitura de Itabuna e Câmara Federal, esqueceu dos que o ajudaram a se eleger.
Hoje, na Ceplac, Geraldo Simões é visto como um político “copa do mundo”, daqueles que somente aparecem de quatro em quatro anos. Nesse caso, ainda há uma agravante: volta e meia ele aparece por lá para se utilizar, de forma eleitoreira, de alguns eventos programados pelo deputado federal Josias Gomes, a exemplo da vinda de ministros ou outros figurões do Governo Federal.
Nos mandatos, entretanto, Geraldo Simões não contemplou, ou sequer reivindicou coisa alguma para a Ceplac ou seus servidores. Ao contrário, algumas conquistas poderiam ter sido concretizadas, a exemplo da inclusão dos servidores no Plano de Carreira. Mas, como seria um avanço político do Governo Federal, ele, com outros parlamentares petistas, engrossaram o “caldo” e se recusaram a participar, sob o patético argumento de que outros servidores federais ficariam à margem do benefício.
Como esse assunto data de 1992, os ceplaqueanos podem fazer as contas para saber quanto prejuízo para eles o companheiro Geraldo Simões proporcionou como retribuição aos votos dados. Em 2002 e 2003 os ceplaqueanos “bateram no pau do canto”, como se diz na gíria futebolística, e mais uma vez não conseguiram almejar um direito líquido e certo. Somente em 2004, após vencer muitas ações na Justiça, e com o apoio fundamental do deputado Josias Gomes, veio, enfim, a reclassificação no tão sonhado PCC.
Na avaliação do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), o deputado Geraldo Simões teve uma atuação medíocre na Câmara Federal. A publicação deste estudo foi feita em todo Brasil, inclusive pela Folha de São Paulo, jornal que não teria nenhuma influência ou inimizade política com o candidato petista.
Como era originário da Ceplac, esperava-se de Geraldo Simões o empenho em defesa da cacauicultura, principal matriz econômica regional, e cultura que une cerca de 1,5 milhão de pessoas no Sul da Bahia. Como deputado federal eleito por esta região, nenhum discurso foi proferido no plenário da Câmara em torno do cacau, da Ceplac, dos salários dos ceplaqueanos. Sequer procurou “pagar” os estudos proporcionados pela Emarc de Uruçuca, o que permitiu o seu “salto” para a vida política.
A falta de liderança e aptidão política de Geraldo Simões ficou patente com a entrada em cena dos deputados Josias Gomes e Geddel Vieira Lima, demonstrando ser perfeitamente viável a luta pela cacauicultura, pela economia cacaueira. Em pouco mais de um mês, o trabalho empreendido pelos dois parlamentares foi mais profícuo do que décadas de blá-blá-blás pelas esquinas e assembleias. Com certeza, esse fato será lembrado nas próximas eleições.
Como prefeito de Itabuna, Geraldo Simões somente lembra passagens terríveis, como um fim de (des)governo, com seis meses de salários e fornecedores atrasados, todas as linhas telefônicas cortadas, lixo acumulado pelas ruas e muitas denúncias de malversação do dinheiro público. Nunca a Polícia e o Poder Judiciário trabalharam tanto para dar conta de documentos da Prefeitura, grande parte encontrada após busca e apreensão na casa de auxiliares de confiança do prefeito Geraldo Simões.
Esperava-se que esses lamentáveis fatos servissem de lição ao prefeito Geraldo Simões. Ledo engano. Fez caras e bocas de peregrino, calçou (aparentemente) as sandálias da humildade e conseguiu, como um bom ator de segunda categoria, enganar, mais uma vez, a população de Itabuna. Também jogou na lata do lixo a segunda chance dada pelos eleitores. Uma terceira, convenhamos, é um preço muito alto a ser pago pelo povo de Itabuna.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 25-09-2004
Metamorfose política
Walmir Rosário
O patrulhamento ideológico parecia coisa do passado, com aposentadoria compulsória marcada, de papel passado, com a entrada do país no regime democrático. Mas, de repente, estamos de volta ao passado, principalmente com a eleição, para cargos executivos, de companheiros e camaradas, velhos adeptos dessa abominável prática.
O conceito filosófico do bem contra o mal, utilizado com sucesso pelo que esperávamos fosse a última vez, na eleição indireta à Presidência da República, da qual participaram Tancredo Neves e Paulo Salim Maluf. Ledo engano. Até hoje, a luta do bem contra o mal é invocada aos quatro cantos de acordo com as conveniências da hora.
E o pior: sem levar em conta os conceitos filosóficos, e sim, e apenas, o contexto maquiavélico de que o fim justifica os meios. Nesse caso, todos os direitos individuais inerentes à cidadania dos adversários são jogados na lata do lixo e ele é simplesmente lançado no fogo dos infernos, condenado pelas “santas inquisições” de nossa época.
Em Itabuna, como no resto do país, esse é um fato corriqueiro, quando são ameaçados os interesses políticos de um candidato. Que relate essa experiência o político Davidson Magalhães, um dos grandes quadros do PCdoB baiano, execrado em praça pública e nos meios de comunicação durante a eleição municipal de 1996.
Por não ter se submetido aos caprichos do prefeito de Itabuna, à época, Geraldo Simões, e resolvido a concretizar um sonho legítimo de candidatar-se à Prefeitura de Itabuna, foi chamado de “laranja”, alcunha pejorativa que ainda paga. Por mais que tenha demonstrado lisura e competência política e administrativa nos cargos exercidos, ainda carrega a pecha indevida.
O mesmo vem acontecendo com o ex-prefeito Fernando Gomes, acusado pelos petistas de “vender” espaço de vice-prefeito na sua chapa para políticos sem voto, mas com recursos suficientes para alavancar uma campanha. Na hora do anúncio, Fernando Gomes surpreendeu seus adversários, indicando o capitão José Nilton Azevedo, um militar de folha limpa tanto na corporação que tem Tiradentes como patrono, quanto em outras por onde passou.
Em seguida, a bola da vez foi o deputado estadual capitão Fábio, antes considerado um “milico” a serviço de ACM, e, posteriormente, um possível aliado do PT e candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Geraldo Simões. Defeitos que tinha foram jogados em “baixo do tapete” e as qualidades ressaltadas pelas ruas e botequins de Itabuna. De condenado às profundas dos infernos foi elevado à condição de santo com lugar garantido no céu, sem sequer passar pelo purgatório.
Mas os quinze minutos de fama do capitão Fábio nas hostes petistas duraram pouco. Bastou uma simples conversa com as lideranças do PFL baiano, como o governador Paulo Souto e Antônio Carlos Magalhães, para que o castelo de areia geraldista caísse por terra, derrubado por uma onda avassaladora de argumentos. De anjo passou a demônio, sem direito a defesa nem explicações.
Lamentações a parte, a lógica prevaleceu e o capitão Fábio, homem forjado no cumprimento do dever e na hierarquia continuou onde estava, no ninho em que nasceu. Qual o pecado cometido pelo capitão Fábio? Não ter cedido às pressões políticas do PT? Ter continuado fiel aos seus princípios políticos? Não ter atendido ao chamamento e ao “canto da sereia” (legítimo numa campanha) de Geraldo Simões? É uma resposta para ser dada com o tempo.
Muito se gastou com tinta em jornais para endeusar e satanizar o capitão Fábio, que continua incólume em sua trajetória política, para o desgosto de alguns e regozijo de outros. Entretanto, ficou uma lição: não menosprezar a inteligência dos adversários, por menor que sejam pelas mínimas condições que apresentem. Em política, a conversa é uma arte que deve ser cultivada, os acordos devem ser propostos e, se aceitos, cumpridos.
A inteligência de ACM, mais uma vez, foi posta à prova e ele continuou a demonstrar que na arte de fazer política experiência ainda faz muita diferença. Nada como uma vitória para se comemorar ou uma derrota para ser meditada.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 23-06-2004
O choro dos derrotados
Walmir Rosário
Assessores mais chegados e a “turma da boquinha” da Prefeitura de Itabuna, no afã de agradar ao chefe Geraldo Simões, que deverá deixar o cargo em poucos dias, tentam mover céu e terra para encontrar um culpado pela derrota em 3 de outubro. O alvo mais fácil foi o candidato do PSB, Renato Costa, até bem pouco tempo aliado do Centro Administrativo.
O bode expiatório dos “aspones” do prefeito, que não cabe no tamanho de Renato Costa, já foi imposto ao hoje aliado Davidson Magalhães, cacique do PCdoB itabunense, quando de sua candidatura à Prefeitura de Itabuna, em 96. Davidson, à época, também era um ex-aliado, que deixou o Centro Administrativo Municipal pelas mesmas razões de Renato.
O projeto político de Geraldo Simões é hegemônico, maior até que o próprio PT, e não admite sombras que possam obscurecer a sua visibilidade. Tentou atravessar em seu caminho? Pau nele! Para isso, tem a soldo um grupo de serviçais prontos a executar o “trabalho sujo”, execrando, publicamente, pessoas da mais alta credibilidade na sociedade, dentro do mais fiel estilo maquiavélico.
Tanto é assim, que até hoje o “de novo” aliado Davidson Magalhães ainda não obteve o perdão do todo-poderoso Geraldo I, mesmo o PCdoB tendo cedido a médica Conceição Benigno (esposa de Davidson), na condição de candidata a vice-prefeita, na chapa majoritária petista. Agora, o mesmo sacrifício tenta impor à figura de Renato Costa, pessoa que goza do mais alto conceito na sociedade grapiúna, o que não é o mesmo caso do ainda prefeito.
Talvez o ainda prefeito não tenha se dado conta de que estaria jogando uma partida de pôquer com Fernando Gomes, um político que conhece como ninguém as regras do jogo. Inebriado pelas benesses do poder, Geraldo Simões subestimou um adversário que conhecia largamente, pelo simples fato de ter ganho uma partida: as eleições passadas.
Nesta eleição fez tudo errado. De cima do planalto passava as vistas por cima e não enxergava ninguém na planície. Os antigos coligados passaram a ser simples incômodo, pessoas irrelevantes na sua administração e que estariam ali para mendigar as migalhas do poder. Para ele, bastava a caneta na mão e chave do cofre para ter a cidade aos seus pés.
Aos poucos foi perdendo aliados e os coligados de ontem passaram a ser os adversários de hoje, uma conta de subtrair que não pode ser desconhecida e desprezada na arte política. Ele mesmo, que quatro anos atrás só fazia contas de somar, multiplicar, passou a dividir. Contava com os recursos públicos, as propagandas enganosas, as promessas em vão, ditas no passado, não funcionaram por absoluta falta de credibilidade.
Tamanha sua confiança, Geraldo Simões se tornou um jogador de pôquer de quinta categoria. É bem verdade que possui um grande jogo em suas mãos, um four quase imbatível. Também possuía um cacife de fichas enorme, invejável: grande quantidade de dinheiro, militância partidária, ministros de Estado, presidente da República seu compadre (apesar de nunca ter mostrado a foto do batismo), sem falar no número de prestimosos amigos do poder.
Tudo em vão. Seu mal foi ter apostado todo esse cacife num projeto político hegemônico e se tornar, sozinho, o político de maior expressão no Sul da Bahia. A aposta de Geraldo Simões era a de anular, de uma só vez, todas as outras grandes lideranças regionais, fazendo de Ubaldo Dantas, Renato Costa, João Xavier, dentre outros, num futuro próximo seus simples cabos eleitorais.
Além de menosprezar os conhecidos adversários, não contou com outras expressivas lideranças regionais, a exemplo de Jabes Ribeiro, a quem julgava fora do páreo, já que ficará sem mandato a partir de 1º de janeiro próximo. Sua pretensão de daqui a dois anos postular o Palácio de Ondina foi por água abaixo, apesar das cartas.
Mesmo assim, Geraldo Simões apostou todas as fichas e pagou pra ver. Tinha um four de ases, jogo suficiente para quebrar os outros jogadores, fazê-los sair do jogo “sem as calças”. Mostrou as cartas, tinha quatro reis, muito pouco para o jogador Fernando Gomes, que jogou em cima da mesa um four de ases. Como era bancado pelos companheiros do seu partido, agora vai ter que se explicar ao presidente Lula e seus ministros, que prometiam um paraíso chamado Itabuna.
Já não se vende terrenos na lua como antigamente!
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 09-10-2004
A saúde na UTI
Walmir Rosário
Muito se tem falado sobre a atual situação da saúde em Itabuna. Mesmo com a municipalização plena, hoje gerida pela Prefeitura, o sistema vem mostrando suas falhas estruturais e conjunturais, desabando seus malefícios na cabeça da população desassistida, como sempre acontece.
Grande parte das mazelas do sistema de saúde é causada pelo modelo gerencial, que prioriza um grande volume dos escassos recursos da saúde, para a propaganda. Quem assiste televisão, ouve rádio ou lê os jornal acredita estar vivendo num mar de tranquilidade, diante das (des)informações passadas ao público comum.
Todos os problemas foram resolvidos pela administração Geraldo Simões e adoecer nesta cidade se transforma num privilégio. Pessoas (previamente escolhidas) dão depoimentos de que foram bem atendidas e num tempo recorde, bem diagnosticadas, bem tratadas, receberam os medicamentos de graça e não vêem a hora de retornar aos hospitais.
Esse tipo de desinformação deveria ser vista com outros olhos pelas autoridades do Poder Judiciário e do Ministério Público, zelosos guardiões da Constituição Federativa do Brasil. Ao que parece, esse tipo de propaganda não está estribada no parágrafo 1º do artigo 37 da Carta Magna, que diz: “A publicidade dos atos, programa, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”.
Essa parte do artigo 37 foi transformada em “letra morta” pelas autoridades, que não têm dado nenhum respaldo ao preceito constitucional e os crimes cometidos pelos administradores públicos grassam sem qualquer cobrança. A agravante, nisso tudo é que a população passa a receber informações falsas e vão digerindo essas “meias verdades” até que elas se tornem uma “verdade inteira”, como dizia o ministro das comunicações de Hitler, Goebels.
O cidadão não precisa acreditar neste humilde foliculário, basta se dirigir a um dos postos de saúde e tentar marcar uma consulta. Um exame, então, é coisa para muitos meses, caso não use do jeitinho brasileiro, ou seja “amigo do rei”. Uma simples dor de dente não é resolvida antes de, pelo menos, 15 dias. Se for uma radiografia dentária é o tempo de um parto de égua.
Caso o sujeito tente ser atendido num hospital, é necessário passar por um estágio preparatório de paciência, orar com bastante antecedência para São José, padroeiro desta cidade, e todos os santos juntos, no sentido de que eles deem uma forcinha. Feito isso, poderá chegar ao pronto-socorro da Santa Casa e aguardar um só médico plantonista dar conta de todos os casos que chegam: acidentados, doenças das mais generalizadas, e outras misérias do cotidiano.
Caso seja recomendado a ir para o Hospital de Base, aí são outros quinhentos. Nesse caso, haja paciência. Após o demorado atendimento, o que não é culpa do pessoal (médico, enfermeiros e atendentes), que também sofre com essa situação esdrúxula, o paciente ainda corre risco de ser internado. Aí é onde mora o perigo.
Além do risco de infecção hospitalar, os equipamentos estão em estado de miséria, com camas enferrujadas, sem lençóis, e colchões sem forro. Falta de tudo, desde medicamentos, em alguns casos tomados emprestados de outros hospitais, até profissionais.
De antemão, vou logo alertando que essas mal traçadas linhas foram escrevinhadas com o objetivo de dar conhecimento ao prefeito Geraldo Simões e ao secretário da Saúde, Paulo Bicalho, da realidade da saúde em Itabuna.
Caso essas autoridades não reconheçam na minha humilde pessoa a devida competência para tanto, por ser considerado radical ao extremo quando se trata de cidadania, poderei apresentar uma pessoa mais qualificada, um cidadão acima de qualquer suspeita para relatar o que se passou com ele numa peregrinação para prestar socorro a um doente. Trata-se de uma ilustre figura, aposentado do Banco do Brasil, e bem estabelecido na cidade, comandando a Livraria Oásis.
Podem perguntar a Aécio José dos Santos, que ele, além de confirmar o que escrevi, ainda acrescentará outras tantas informações preciosas para tentar tirar a saúde de Itabuna da UTI. Não se acanhem, seu Aécio é pessoa de fino trato, sabe receber bem e dará uma grande contribuição à Administração Pública.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 17-07-2004



