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ENTREVISTA : Antônio Olímpio, ex-prefeito de Ilhéus
“Ilhéus é viável, desde que não eleja ‘milagreiros’”
Com grande parte da receita comprometida para o pagamento de precatórios trabalhistas e civis, dívidas com INSS, FGTS e empréstimos, não sobra dinheiro para o Município de Ilhéus investir em obras e serviços que possam proporcionar melhor qualidade de vida à população. Para o advogado Antônio OlímpioRhem da Silva (AO), atual presidente da Maramata, prefeito por dois mandatos e deputado estadual, Ilhéus foi altamente prejudicado pela falta de competência e compromisso de alguns ex-gestores. Nesta entrevista concedida ao AGORA, AO (foto) conta como o município chegou ao estágio atual e diz que Ilhéus tem jeito, e alerta que para o Município volte à condição de maior polo regional econômico e político, é preciso eleger candidatos sérios e comprometidos com Ilhéus, banindo os falsos milagreiros e os “Mandrakes”. A seguir, principais trechos da entrevista:
Jornal Agora – Com sua experiência de dois mandatos, quais os principais problemas que transformaram o município de Ilhéus num devedor, a ponto de inviabilizar sua capacidade de investimentos?
Antônio Olímpio – Ilhéus se afundou em dívidas pelos erros seguidos de administradores municipais despreparados, oportunistas ou que simplesmente usaram o poder para partilhar as benesses com a família e com amigos, além da queda brusca de arrecadação. Esse mal não foi causado somente nas finanças, mas, sobretudo, no prestígio que sempre teve, em ser uma cidade de vanguarda e sede de empresas e instituições importantes a exemplo da Embasa, Coelba, Petrobras, Brasilgás, moinho de trigo, além de eventos conceituados.
J. A. – Quando começou essa série de más administrações em Ilhéus?
A. O. – Essas dívidas surgiram há cerca de 28 anos, mas para que todos compreendam bem, é preciso retroceder a narração dos fatos ao início de nossa gestão, em 1977. Nesta época, Ilhéus era um município que desfrutava de uma excelente receita, na sua maioria proveniente da produção de cacau, e que foi ampliada com o advento do porto, a implantação do distrito industrial, responsável por cerca de 70% de todo o ICMS arrecadado. Quando assumi a administração do município em 1977, fiz um levantamento com a equipe da prefeitura e mais dois técnicos contratos, sobre a comercialização e exportação de cacau e, de acordo com os dados levantados, Ilhéus estava altamente prejudicada com o retorno do ICMS. Levamos o demonstrativo ao governador do Estado, Roberto Santos, que sensível ao problema, autorizou a Secretaria da Fazenda verificar a distorção e corrigir os índices. Com isso, do sétimo lugar que ocupávamos, passamos a quarto maior município arrecadador.



