CIA DA NOTÍCIA

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O prazo é pequeno

Walmir Rosário

Com o anúncio da liberação do crédito para o Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira feito pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, dia 21 passado, em Ilhéus, os cacauicultores esperam que não se trate de mais uma promessa.

Os recursos colocados à disposição do Programa, num passado recente, desafiou políticos de reconhecida capacidade e liderança nacional, não atendendo à sua finalidade e perdendo-se nos meandros da burocracia bancária. Segundo as autoridades, agora é diferente, pois a liberação está condicionada ao fornecimento de material genético tolerante à vassoura-de-bruxa e de alta produtividade.

Esperamos que não haja contratempos. A Ceplac pesquisou e, através da Biofábrica, está colocando à disposição dos cacauicultores os tão esperados clones. Entretanto, não podemos perder o prazo da liberação dos recursos em tempo hábil para a realização das práticas recomendadas pelos técnicos da Ceplac, do contrário, estamos apenas endividando ainda mais a combalida economia cacaueira.

A liberação dos recursos é de suma importância para o combate à vassoura-de-bruxa, porém o programa de crédito elaborado por tecnocratas de Brasília não atenta para a realidade da produção, em que pese o esforço empreendido pelos políticos baianos e técnicos da Ceplac e da Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia, a exemplo dos prazos para o pagamento dos contratos.

É necessário mais tempo para que o cacauicultor possa colher esses frutos e honrar sua dívida, o que não acontece com menos de cinco anos. Também os juros precisam ser revistos, sob pena de inviabilizar a economia de toda uma região. Afinal, existe uma norma corrente no meio financeiro e que são ditas pelos próprios tecnocratas do BNDES: “Não se coloca dinheiro bom numa atividade ruim”. Essa máxima vale também para o financiamento da cacauicultura.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Agora Rural em 30-08-1998

Estimular o debate

Walmir Rosário

Curiosamente, a região cacaueira não é afeita ao debate, principalmente quando o tema nos interessa. Até agora, os principais segmentos da cadeia produtiva do cacau não se manifestaram quando ao documento elaborado pelo Grupo Temático Cacau, do Fórum Nacional da Agricultura, e entregue ao Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, em 3 de setembro próximo passado.

Os mais acomodados podem indagar: o documento não foi exaustivamente debatido pelos diversos setores da sociedade organizada? Claro que os organizadores percorreram milhares de quilômetros pelas estradas das regiões cacaueiras da Bahia, Pará, Amazonas e Rondônia. E nós agricultores, participantes dessa sociedade, pessoas diretamente interessadas no nosso futuro? De nada sabemos, pois nada queremos.

Será que basta a nós discutirmos somente o ataque da vassoura-de-bruxa, reclamarmos da Ceplac por não ter distribuído mudas tolerantes à doença e de alta produtividade, como se da noite para o dia tudo fosse resolvido como num passe de mágica? Claro que não. É preciso nossa participação se quisermos fazer nosso próprio futuro.

Enquanto isso, outras regiões agrícolas do Brasil estão preocupadas em formular propostas, exigir compromissos que beneficiem suas corporações aos seus representantes. Salvo uma ou outra ação isolada, não se tem notíciade que nossos líderes tiveram essa preocupação. É preciso ter em mente que não se pode cobrar compromissos de quem não os tenham assumidos. Ainda mais quando eles são de difícil execução.

Enquanto nós assistimos passivamente “chorando o leite derramado”, outros setores da economia estão falando por nós, mesmo sem ter conhecimento de causa. Até agora, a única voz que se levantou para rebater os estudos equivocados realizados pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) foi a de José Haroldo Castro Vieira, o ex secretário-geral da Ceplac, e profundo conhecedor da economia cacaueira.

Por incrível que pareça, não ouvimos outra voz, nem mesmo das pessoas que, por dever de ofício, deveriam ter se manifestado. Talvez estivessem absortos com outras ocupações mais importantes do que as do cacau, atividade cheia de problemas. Talvez estivessem acompanhando os passos dos recursos destinados ao Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira.

Após 200 anos de implantada a cacauicultura na Bahia ainda vivemos submetidos a um regime de “escravidão branca”, obedecendo cegamente aos compradores, assim como fazíamos no início deste século, obrigando-os a comprar no barracão da fazenda. Saldo, nem por sonho.

Antes, ainda tínhamos a  opção de entregar nosso cacau para o exportador mais amigo, que pagava mais. Agora, nem esse direito nos dão, pois somente existem três ou quatro multinacionais operando nesse ramo.

A voz de José Haroldo também se levantou contra um documento, um bonito livro intitulado “Bahia ano 2000, editado em português e inglês, apresentando 183 excelentes fotos da paisagem baiana, seus casarios, igreja, suas praias e ladeiras, seus artesanatos, suas indústrias e seus produtos agrícolas. Entre melões e mangustões, uvas e tomates, mangas e cenouras, página dupla de pimenta-de-cheiro e dezenas de outras frutas e legumes, até de procedências asiáticas e europeias, nem uma foto do cacau, fruto que deveria ser o símbolo da Bahia, pois sustentou seu desenvolvimento praticamente sozinho…”, adiantou José Haroldo em artigo publicado nesta edição do Agora Rural.

Está na hora de corrigirmos nossas falhas.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora Rural em 27-09-1998

Vivaldo Moncorvo, a alma do Itabuna

Walmir Rosário

Figura folclórica já incorporada a Itabuna e região cacaueira, o radiotelegrafista Vivaldo Moncorvo, nascido em 10 de março de 1925, em Senhor do Bonfim (Bahia), veio para substituir um colega em férias na agência dos Correios e Telégrafos, aqui desembarcando no dia 28 de julho de 1958 (dia da Cidade). Gostou da festa e não saiu mais.

Esportista convicto, Moncorvo sempre participou ativamente dos jogos de futebol, principalmente quando o assunto era a Seleção Amadora de Itabuna, hexacampeã intermunicipal. Com a fundação do Itabuna Esporte Clube e sua entrada no profissionalismo, Moncorvo torna-se ainda mais famoso ao chefiar a charanga que embalava a equipe azul e branca.

Hoje, não há em Itabuna e região um político ou desportista que não conheça Vivaldo Moncorvo, cuja fama ultrapassa as fronteiras regionais e foi citado em vários jornais de circulação nacional e até no estrangeiro ao entregar um trombone ao seu amigo Antônio Carlos Magalhães, durante um evento em Ilhéus. Foi a glória.

Sua amizade com ACM teve início em 1955, quando atendeu a um pedido de Ângelo Magalhães, tesoureiro dos Correios, para que desse uma ajudazinha na campanha do irmão. Em 1966 Moncorvo e ACM voltam a se encontrar, desta vez em Itabuna, durante a campanha para deputado federal. Estava formada uma amizade para o resto da vida.

Não é de hoje que muitos políticos importantes, de vez em quando, solicitam a Moncorvo uma “mãozinha” quando há um assunto a tratar com ACM, que nunca deixou um seu pedido sem atender. O primeiro e talvez o mais importante deles se deu ainda durante a construção do estádio Luiz Viana Filho, em 1973, durante a administração do prefeito Simão Fiterman: com a dificuldade em receber os recursos necessários para concluir a primeira fase das arquibancadas do estádio, Moncorvo embarcou num ônibus da Sulba com a missão de conseguir junto ao Secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector,  250 mil (ou milhões, não se recorda mais) de cruzeiros. Missão cumprida, finalmente, Armando Andrade pode concluir a obra. Moncorvo, homenageado, plantou o último pé de grama do estádio Luiz Viana Filho, na data histórica de 9 de abril de 1973.

A amizade de Moncorvo e ACM ficou ainda mais consolidada após a acachapante derrota para Waldir Pires, em 1986. Nesse período, ACM ainda curtia sua grande derrota na Ilha de Itaparica, e somente recebia os seus seguidores mais fiéis, a exemplo do cantor, compositor e barraqueiro do Mercado Modelo, Chocolate da Bahia, também derrotado nas urnas, como candidato a deputado federal. Grande entendedor do clamor das ruas, Chocolate pressentiu que o governo de Waldir Pires não iria a lugar nenhum e iniciou a composição de umas músicas de campanha para o retorno triunfal de ACM.

Ao ir à Ilha de Itaparica mostrar as composições, foi rechaçado pelo político, que não acreditava mais no seu retorno à vida pública. Indisposição essa que foi desfeita seis meses depois, quando ACM mandou chamar Chocolate para gravar a música “Você se lembra de mim”. Coube a Moncorvo e sua charanga a primazia de tocá-la numa das primeiras viagens feitas por ACM ao interior.

Além da música “Você se lembra de mim” também foram gravadas “A Bahia vai bem”, “A vitória que a Bahia quer”, entre outras tocadas pela brava charanga de Moncorvo, inclusive em Salvador. Na capital, a cada aniversário de ACM, Moncorvo lá estava presente com sua charanga a tiracolo, devidamente despachada por Manuel Leal e com a incumbência de acordar o “chefe” com uma grande alvorada. E o repertório incluía “Amigo”, de Roberto Carlos.

Em 6 de janeiro de 1981, no auditório do antes glorioso Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), ACM discursava se dizendo um homem realizado, pois nada lhe faltava, já que tinha ocupado todos os grandes cargos públicos, no que foi retrucado em voz alta pelo amigo Moncorvo:

– Falta, sim, chefe, ser presidente da República – gritou.

O cargo lembrado por Moncorvo, por ironia do destino, foi ocupado por ACM, sem nunca ter sido eleito para ele.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 28-07-2001

Reforma agrária ou usurpação

Walmir Rosário

Não é preciso queimar as pestanas e chegar a conceitos jurídicos para dar sentido à pretendida reforma agrária executada na “marra” pelos diversos movimentos dos sem-terra, braço armado do Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na área rural. Enquanto a reforma agrária, nos países civilizados, é feita de forma pacífica, obedecendo a todos os trâmites legais, a do MST, MLT e outras “sopa de letras” é tentada levando medo e intranquilidade aos produtores rurais.

O mais incrível disso é saber serem os perseguidos agricultores brasileiros responsáveis diretos pela grande produção de alimentos, colocando o Brasil no topo da pirâmide da produtividade internacional, levando a balança comercial a superar todos os índices positivos. Dá ainda para garantir ter sido essa produção conseguida com recursos e tecnologia privados, principalmente nas áreas de grãos e pecuária.

Dos fatos ocorridos até agora se pode depreender que a questão, mais do que de natureza econômica tem forte componente político desestabilizador, com propostas do início do século passado, implantadas pelo regime comunista soviético. De lá pra cá, esse arcaico sistema de produção já deu o que tinha que dar, e nem mesmo o muro de Berlim resistiu às mudanças.

No Brasil, a história nos mostra o sucesso da reforma agrária executada naturalmente, a exemplo da região cacaueira, onde as fazendas foram feitas à custa do trabalho, sacrifício e dedicação dos sergipanos (grande maioria). O mesmo pode ser visto no Vale do Jequiriçá ou na região do Baixo Sul, onde predominam pequenas fazendas.

No Sudeste e Sul do Brasil não é diferente e todas as regiões agrícolas ricas foram fruto de colonização. O Norte do Paraná (Londrina, Maringá), parte do Rio Grande do Sul, Tocantins, Pará, Rondônia, entre outras, são exemplos de como produzir, gerar emprego e renda. Na colonização, compra-se a terra, faz-se a infraestrutura, planta-se, colhe-se e vende-se a produção.

Na reforma agrária pretendida pelo MST, a usurpação é o alvo principal, com o terrorismo implantado nas porteiras das fazendas e ameaças de tomar as terras já beneficiadas e estruturadas após anos de trabalho. Terras para a colonização existem, mas nem os técnicos do governo querem comprá-las, pagando preço justo, nem ao MST interessa, pois ficaria de fora o componente político.

Não existe um só assentamento do MST e congêneres que alcancem os índices mínimos de produtividade. Ao contrário, a Mata Atlântica preservada pela cacauicultura está sendo dizimada, os equipamentos adquiridos enferrujados, e as ervas daninhas tomando conta de pastos e outras culturas antes implantadas. O que fazem os técnicos e autoridades do governo para apurar essa situação. Nada.
Enquanto o presidente da República (fomentador do processo de invasões, chamadas gentilmente por ele durante muito tempo de ocupações) hoje discursa com sua eloqüência de assembléia, garantindo ter controle do processo, não permitindo reforma agrária na marra, os sem-terra mostram quem é que verdadeiramente manda no país. Logo após o falatório do presidente Lula no Mato Grosso, o MST invade uma propriedade no mesmo estado.

O chamado “abril vermelho” está mais presente do que nunca, desafiando, inclusive, os “beneméritos protetores” do MST, a exemplo do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto. Enquanto o ministro diz ter atendido as reivindicações, os sem-terra reclamam da morosidade e dos poucos recursos para o programa de assentamento.

O MST não diz, mas, na realidade, deixa entender que até agora o governo Lula não fez absolutamente nada em termos de assentamento e continua publicando os índices alcançados por FHC, também pequenos, mas efetivos. Será uma questão de inércia ou de incompetência administrativa? A nação brasileira, ao invés de “Fora ACM, Fora FHC”, precisa, na realidade, é de um grito uníssono de “Governa, Lula!”.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em abril de 2004

Inspiração ditatorial

Walmir Rosário

Como se já não bastasse ao Partido dos Trabalhadores (PT) os enormes prejuízos morais causados ao Brasil, agora, o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, tenta nos impingir o título de idiotas. Talvez nisso até ele tenha razão, afinal foram mais de 53 milhões de eleitores que cometeram a besteira de elegê-lo o maior mandatário do País.

Claro que a população brasileira, ou grande parte dela, ao votar em Lula, não lhe deu um “cheque em branco” ou avalizou a mudança no artigo 1º da Constituição Brasileira, uma cláusula pétrea, é bom que se diga, transformando-o num Estado (anti) Democrático de Direito. Esse mesmo artigo, no seu parágrafo único, diz, imperativamente: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

O presidente eleito democraticamente nós temos, e é o próprio Lula que vem extrapolando em suas ações, agindo como se o Estado fosse, em detrimento da construção de uma sociedade livre, justa e solidária, como preceitua o artigo 3º da Constituição Federal. Talvez a melhor definição do que Lula está fazendo tenha sido a manchete do Jornal do Brasil de sexta-feira (5), onde estampou: “O Brasil planta para Lula colher”.

É inconcebível que um País do porte do Brasil venha sendo tratado pelos petistas como uma republiqueta qualquer e não como uma verdadeira República, como eles mesmos gostam de se referir para ressaltar os seus feitos. O presidente da República não pode se dar o luxo de sair por aí ameaçando pessoas e partidos, principalmente os que são ou foram contras na eleição passada.

É preciso que a assessoria do presidente, se for competente, explique ao nosso maior mandatário que ele se tornou presidente de todos os brasileiros e não apenas dos eleitores que votaram em sua coligação. Afinal, durante os quatro anos em que durar o seu mandato, caso não sofra o impeachment, terá que se comportar como tal, até mesmo por força do simbolismo e da liturgia exigida pelo cargo.

Como um estadista que pretendia ser, caberia ao presidente, como vencedor da eleição, tratar com deferência os vencidos, numa demonstração de sabedoria e altivez, exemplo deixado ao longo da história. Mas, ao contrário do que sempre pregou, o partido e (ou) o presidente desrespeitam as instituições, oferecendo propina para facilitar os interesses do governo na Câmara Federal, conforme declaração do deputado Roberto Jefferson.

Ao invés de enfrentar as denúncias – que já ultrapassam além mar –, nosso presidente age ao sabor das análises de resultados de pesquisas, onde as estatísticas são manipuladas com fins escusos: o de desviar o foco e enganar, ainda mais, parte da população brasileira. Para cumprir esse ritual, viaja o país inteiro arrotando bravatas em discursos demagógicos, como uma espécie de “Antônio Conselheiro” dos tempos modernos.

Ao invés de prometer, como fazia Antônio Conselheiro, um rio de leite e uma ribanceira de cuscuz, Lula, ao contrário, pede ao povo mais votos, na próxima eleição, para se perpetuar no poder. E pede da forma mais vergonhosa possível, escamoteando a verdade, fazendo de conta que o mar de lama não lhe atinge, quando está mergulhando nele até a cabeça.

O mais grave disso tudo é que esses comícios são feitos com o dinheiro público, agora sem a intermediação do carequinha Marcos Valério. Esses comícios são pagos com o dinheiro do contribuinte, já cansado de pagar o avião e as mordomias, para que o presidente e seus apaniguados possam desfilar de norte a sul do país distribuindo mesuras com o chapéu alheio.

Se não fosse proibido fazer campanha política usando a máquina pública seria, no mínimo, antiético, palavra muito utilizada pelos “companheiros” do PT em épocas passadas. Mas o crime é muito mais do que eleitoral, pois representa o esbanjamento dos tributos pagos com sangue e suor pelos contribuintes.

Um agravante é que a inauguração dessas obras eleitoreiras, mesmo sendo antes do período eleitoral, custa mais dos que as casas entregues à comunidade carente. Como diz o ditado popular: “Com a pólvora dos outros, o tiro é muito mais forte”. Inspiração maior do que essa não poderiam ser de outra fonte que não o presidente venezuelano, Hugo Chavez. Fidel Castro é coisa do passado!

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 05-08-2005

Rompendo paradigmas

Walmir Rosário

Costumeiramente, o ex-secretário da Ceplac, José Haroldo Castro Vieira, referia-se à região como sendo autofágica, por sofrer da síndrome destrutiva das pessoas. Na sua concepção, “em lugar de consertar, corrigir, mudar os comandos, e recolocar as instituições no rumo certo, preferem criar outras, muitas, todas fracas, autodestruindo-se mutuamente”.

Sábio, o Zé Haroldo, um dos maiores estudiosos da região cacaueira – sua economia, sua política, sua sociologia, sua antropologia, enfim, sua gente. Felizmente – para ele, é claro –, não viveu o bastante para conhecer outras facetas, como provocar a morte das instituições e da região por inanição. É o que inadmissível: fazer crer que vivemos num mar de prosperidade.

Não, a região cacaueira da Bahia, em que pese as mudanças verificadas ao longo dos últimos anos, ainda ressente das mazelas trazidas pela vassoura-de-bruxa. Avanços são verificados, mas ainda não são suficientes para nos trazer de volta ao status quo anterior, quando éramos grandes produtores de riquezas.

Em alguns casos, esse atraso pode ser creditado ao nosso individualismo atávico, em outros por nos deixar conduzir por falsas lideranças, esta assertiva, talvez, a mais preocupante. Poderíamos, inclusive, juntar esses dois fatores como responsáveis pelo estágio de letargia intelectual que nos encontramos, impossibilitando que possamos enxergar mais longe, ampliando nossos horizontes.

Para não ficarmos somente no campo conceitual precisamos fazer um mea-culpa e darmos nomes aos bois, como se diz vulgarmente, e analisarmos em que nos interessa o chamado PAC do Cacau. Estamos ainda estarrecidos por não termos sido apresentados a esse programa que nos será enfiado goela abaixo no próximo dia 9 pelo presidente da República, Lula da Silva, e comitiva.

Para não ser mal interpretado, não estou me posicionando contra o tal PAC, mesmo porque não posso ser contra o que não conheço, comportamento que abomino e que se vê com frequência nos posicionamentos adotados pelos petistas. Assim como eu, parcela considerável da sociedade não tem a menor ideia do que seja esse PAC, muito menos que influência terá em nossas vidas e quem pagará a conta futuramente apresentada.

Sabemos vagamente que se trata da liberação de recursos para investimentos na lavoura cacaueira e outros cultivos regionais, incluindo, aí, a renegociação das dívidas decorrentes do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia. Agora, como das outras vezes, o produtor vai receber o chamado “prato feito”, sem que os representantes da lavoura (sindicatos e associações) abram a boca para reivindicar.

Essas lideranças, se é que podem ser chamadas assim, têm receio de usar a representação para a qual foram escolhidas, sob a desculpa de represália ou até compromisso político assumido. Diante de fatos como esses, os governantes de plantão usam e abusam de suas prerrogativas sem que uma voz se levante contra determinadas atitudes.

O mais corrente é, quando um representante de determinada instituição toma um determinado posicionamento, outros se mostram contrários, sem qualquer tipo de argumento convincente. É a autofagia tão criticada por José Haroldo. Ninguém se reúne para dialogar, fechando questão no que é convergente e debatendo itens divergentes.

Essas diferenças estão patentes que não se luta contra o Plano de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia, cujo fracasso está sobejamente demonstrado. Mesmo assim, assistimos, imóveis, às cobranças absurdas feitas pelos agentes financeiros, sem falar no lançamento dos nomes dos cacauicultores nos cadastros negativos do tipo SPC, Serasa e Cadin, quando não a execução pura e simples provocada na Justiça.

O fracasso do Plano, conforme confissão dada e passada em Nota Técnica das primeira e segunda etapas pela Ceplac não pareceu ser convincente e clara para que o cacauicultor pudesse utilizá-lo como um título extrajudicial. Desta forma, por si só seria o bastante para cobrar do Governo Federal o fim da cobrança da dívida contraída e ainda exigir indenização por perdas e danos decorrentes das recomendações técnicas impostas ao programa.

A confissão da Ceplac, através da Nota Técnica das duas primeiras fases, teria sido o bastante para que o produtor de cacau, já descapitalizado e endividado, pudesse cobrar do órgão, inclusive por via judicial, parecer idêntico em relação às terceira e quarta etapas. Motivos e justificativas não faltaram e continuam não faltando até o presente momento.

O programa que teria sido elaborado para solucionar o mais grave problema da lavoura cacaueira falhou e trouxe conseqüências nefastas para a economia cacaueira como um todo. Os prejuízos são por demais conhecidos e atingiram todos os segmentos envolvidos, atingindo cheio proprietários, trabalhadores rurais, comerciantes, enfim, todos os elos da cadeia produtiva.

Prejuízo maior ainda e que geralmente não é computado, atingiu fortemente o meio ambiente, com danos incalculáveis para o bioma Mata Atlântica, antes protegido pela lavoura de cacau. Sem a produção de cacau, a sobrevivência foi conseguida através da derrubada e venda da madeira de lei que antes protegia e dava sombra aos cacaueiros.

Todas essas adversidades conhecidas e divulgadas constantemente na imprensa nacional e internacional não foram capazes de sensibilizar os técnicos do Governo Federal para rever os erros cometidos. No máximo, concediam prorrogações no vencimento da dívida, ampliando a agonia de uma classe marcada pela morte anunciada.

Se não faltou seriedade aos segmentos envolvidos na elaboração e gerência do programa, no mínimo foram insensíveis e descompromissados. O alerta era dado a todo o momento por produtores e técnicos, entretanto, dirigentes faziam ouvidos de mercador e postergavam as análises sobre o programa, apesar de sobejamente saberem que não trilhavam o caminho certo.

Técnicos de renome internacional, a exemplo de Basil Bartley, mostraram que correções eram necessárias, mas esses apelos talvez não fossem convincentes para provocar sua correção. Antes disso, em 1999, em visita de férias à região, o pesquisador David R. Butler, diretor da Cocoa Research Unit (University of the West Indies), de Trinidad and Tobago, também apontou os erros.

Àquela época ele disse estar surpreso com a utilização dos clones oriundos do Scavina, considerados ultrapassados e com base genética estreita para um programa que se propunha a renovar toda a lavoura baiana. Ele também revelou que teria colocado à disposição da Ceplac todo o banco genético da instituição que dirige, embora nunca tenha sido procurado para celebrar tal convênio.

David Butler informou que sua instituição dispunha de um banco genético com cerca de 2.500 materiais genéticos diferentes, muitos deles com genes combinados e tolerantes à vassoura-de-bruxa e monília, bem como vassoura-de-bruxa e podridão-parda, dentre outras doenças. Apesar da denúncia feita pelo Agora Rural, a Ceplac continuou ignorando a Cocoa Research Unit (University of the West Indies), preferindo arriscar com materiais genéticos ultrapassados.

Em julho de 1999, o Agora Rural volta a denunciar a distribuição de clones infectados pelos fungos Crinipellis perniciosa (vassoura-de-bruxa) e Fusarium decemcellulare (buba floral). Após a denúncia, apenas foram feitas ameaças ao pesquisador autor das denúncias, a publicação de uma nota explicativa minimizando o fato e a Ceplac continuou distribuindo os mesmos materiais.

Diante da incapacidade de apresentar plantas geneticamente melhoradas e com tolerância à vassoura-de-bruxa, a direção da Ceplac volta a liberar clones sem o devido conhecimento científico, a exemplo dos VBs, como sendo de segunda geração. Apresentado como a salvação da lavoura, os clones nada mais eram do que clones descobertos por produtores e que cujos nomes foram substituídos.

A coleção de erros de nossas autoridades parece ter se espelhado no individualismo regional, no qual não são toleradas sugestões, exemplos bastante condizentes no autoritarismo próprio dos chamados “coronéis do cacau”. Eles preferiam errar sozinhos a acertar tendo que dividir os louros.

Triste história de uma instituição criada com a finalidade de transformar uma região, e que com o tempo vem se mostrando ainda mais conservadora que os dominantes. De nada adianta possuir equipe de cientistas integrada por doutores, mestres e especialistas; utilizar tecnologia de ponta e conhecimentos da engenharia genética e biologia molecular, se não tivermos a humildade de reconhecer que, junto com outras instituições, junto a outros cientistas resolveremos os problemas do cacau em muito menos tempo.

E, mais uma vez, fica aqui a lição de José Haroldo: “Estou convencido que, se não for produzido outro projeto que supere o apresentado pelo pacto das entidades dos cacauicultores ou finalmente se nada resultar de positivo, como já aconteceu outras vezes, se nada se fizer, que se jogue a toalha e os responsáveis assumam a responsabilidade de coveiros da economia cacaueira baiana. Mas essa não é a tradição dos nossos pioneiros.” (Últimas cicatrizes – os desafios do cacau).

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 03-05-2008

 

É preciso avaliar antes do PAC

Walmir Rosário

Agora, com o anúncio de que o chamado PAC do Cacau será implantado em maio próximo, com a presença do presidente da República, Lula da Silva, as autoridades precisam, com urgência, corrigir um erro histórico: realizar uma ampla avaliação técnico-científica do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia, que se arrasta há anos e sem qualquer apreciação sobre os resultados produzidos até então.

Essa missão extrapola os muros da Ceplac – instituição a quem coube o mister de combater a doença –, devido ao seu grande envolvimento institucional, o que mascararia qualquer resultado. Mais que isso: sua estrutura funcional, cujo caráter corporativo é por demais conhecida, com certeza mascararia os resultados. Neste caso, a Ceplac participaria da comissão a ser criada como uma das entidades colegiadas.

A avaliação do programa não é um instrumento a ser usado contra a Ceplac, pelo contrário, se trata de uma prática corriqueira e necessária para a verificação dos projetos científicos e possíveis correções de rumos. E processos como esses são corriqueiros nas universidades do mundo inteiro e os exemplos nacionais podem ser vistos na Embrapa e demais instituições de pesquisa de todo o País.

Longe de desconhecer os avanços da pesquisa conseguidos pelos cientistas da Ceplac, é de importância fundamental manter viva “a galinha dos ovos de ouro” da economia cacaueira: o produtor de cacau. Afinal, o negócio cacau – ainda a principal matriz econômica do Sul da Bahia –, estará fadado a se tornar inviável caso os problemas de ordem genética e manejo não tenham solução definitiva.

E essa preocupação tem que estar na ordem do dia, haja vista os tropeços verificados ao longo do programa, iniciado pelo lançamento da variedade Theobahia. À época, a direção da Ceplac, de forma desajuizada para quem tem o dever de lidar com conhecimentos científicos, alardeou na imprensa nacional e internacional que teria solucionado – de forma definitiva – o mais grave problema da cacauicultura, a vassoura-de-bruxa.

A irresponsabilidade técnico-científica dos dirigentes da Ceplac, antes de propor a solução, agravou ainda mais as dificuldades dos cacauicultores. Ávidos para retomar a produção de suas roças, os agricultores atenderam ao chamamento da Ceplac, investindo na introdução da solução milagreira chamada Theobahia.

As variedades do Theobahia se mostram muito susceptíveis à doença conhecida como mal-do-facão, causada pelo fungo Ceratocysti fimbriata, que provoca obstrução de vasos, secamento de folhas e morte das plantas. Mais uma vez, a Ceplac reconhece o açodamento – não dos cientistas, mas e, sobretudo do dirigente que pretendia se perpetuar no cargo –, muda as recomendações e lança o Theobahia no rol dos endemonizados.

As recomendações milagreiras para combater o fungo Crinipellis perniciosa alcançaram as raias do ridículo, ganhando, inclusive, espaço na novela das oito da Rede Globo, Renascer, cuja história era oriunda do Sul da Bahia, também cenário das filmagens. Em seguida, vieram os japoneses com os Microorganismos eficazes (EM), que contou com a burlesca participação do diretor-geral da Ceplac, Joaquim Cardozo, que tomou a “porção mágica” para demonstrar à comunidade cacaueira que seria um medicamento inofensivo à saúde.

Como não conseguiu combater a vassoura-de-bruxa, o EM foi trocado pela urina de vaca, areia da praia e outras pajelanças sem cunho científico, claro. Uma nova tentativa da Ceplac – esta de cunho científico, pelo menos se espera – para barrar o avanço do fungo foi o rebaixamento drástico de copa e a aplicação maciça de fungicida. O resultado foi ainda mais drástico do que a ação do Crinipellis perniciosa.

De novo, o programa passa por mudança de foco e o bola da vez passa a ser a genética, com a introdução dos clones das séries TSHs, TSAs e os conhecidos VBs, materiais genéticos que causaram grande expectativa quanto à tolerância ao fungo quanto à alta produtividade. Entretanto, com o passar dos anos, a produtividade desses clones não ultrapassou as 20 @ por hectare e se tornaram os grandes vilões do endividamento.

A título de esclarecimento e para manter a fidelidade histórica, a implantação dos novos clones foi realizada de duas formas: com financiamento oriundo de recursos do Governo Federal, através do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira da Bahia, dividido em quatro etapas, e com recursos do próprio agricultor.

É dispensável relembrar que foram essas ações as verdadeiras responsáveis pela descapitalização dos cacauicultores, notadamente os que tomaram recursos junto às agências financeiras (bancos do Brasil, Nordeste e Baneb). Também é irrelevante dizer que os recursos somente eram liberados depois das fiscalizações (Banco do Brasil e Ceplac) comprovarem terem sido as práticas recomendadas no pacote tecnológico totalmente realizadas.

Ora, quem impõe condições também tem o dever de arcar com os riscos decorrentes do contrato. Ao fazer parte do programa, o cacauicultor se obrigava, sob pena de não receber os recursos, de atender aos requisitos do contrato, e assim foi feito. Só que, e principalmente, as recomendações técnicas das primeira e segunda etapas se mostravam inadequadas, ineficazes e ineficientes ao que se propunham.

Somente agora, com as ações judiciais impetradas pelos cacauicultores é que surge um novo alento, dissipando, provisoriamente, as ameaças de inclusão nos cadastros de restrição ao consumidor – Serasa, SPC e Cadin –, além das temidas ações de execução.

Voltando aos clones, o que antes se apresentava como salvação da lavoura, as plantas intercompatíveis, ineficientes na polinização em campo, vêm sendo trocadas pelas autocompatíveis, embora permaneçam as preocupações quanto às possíveis quebras de resistência ao fungo. Como o fungo é mutável, essa perspectiva é perfeitamente viável e não pode ser descartada pelos técnicos.

Com base nesses equívocos cometidos ao longo do tempo – volto a dizer que não por culpa dos técnicos –, é que volto a insistir na avaliação do programa desenvolvido, que deve ser encarada como prioridade por todos os segmentos envolvidos. Somente assim, todo o trabalho realizado pela Ceplac junto com outras instituições parceiras poderá ser respaldado no futuro, além de demonstrar que está hoje no caminho certo.

Apesar de escrever tanto sobre esse assunto, as opiniões aqui emitidas não são pessoais e sim fruto de observação do trabalho dos técnicos e da realidade em campo. Faço assim por entender que descapitalizado, o cacauicultor não agüentará por muito tempo, causando enormes prejuízos à economia regional e ao meio ambiente.

Antes de implantar o PAC do Cacau, os segmentos envolvidos, com mais responsabilidade creditada ao Governo Federal, devem se guiar pelas recomendações feitas pelo cientista de conceito internacional Basil Bartley em abril de 2002 que continuam atualíssimas. Aqui, vale a pena reproduzir uma pequena parte do relatório:

“…Devido à base genética estreita que possuem estes progenitores não se esperam grandes diferenças entre o clone selecionado quanto à resistência ao C. perniciosa ou a produtividade”.

E vai além: “Embora os híbridos descendentes dos clones SCA evidenciam alguma potencialidade de resistência à C. perniciosa, às experiências obtidas durante os 50 anos desde que tais híbridos foram desenvolvidos mostram que eles se apresentam vários defeitos ou características  indesejáveis para a sua cultura efetiva. Alguns destes “defeitos” são relacionados ao fato que os SCA possuem um sistema de incompatibilidade específica a esta variedade o que torna todas as descendentes dos híbridos auto-intercompatíveis. Devido deste, o atingimento do potencial produtivo depende da existência no campo de efetivo sistema de polinização”.

E fecha “Os clones recomendados pelo Cepec para a distribuição aos agricultores são os poucos que porventura se encontravam na coleção de germoplasma. Estes clones não necessariamente são os melhores destes tipos disponíveis, a maioria deles sendo deixados de cultivar-se nos países de origem. Falta uma avaliação adequada do seu comportamento sob condições de cultura em larga escala. Alguns deste clones foram incluídos em ensaios implantados em torno de 1990, mas os resultados destes ensaios não foram divulgados.”.

É melhor avaliar agora para não amargar os prejuízos irrecuperáveis do futuro.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 26-04-2008.

Até quando?

Walmir Rosário

Desde o anúncio do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, garantindo a liberação dos recursos para o combate à vassoura-de-bruxa, a região aguar com ansiedade que seja cumprida a promessa feita pelo mandatário maior do Brasil. Não há quem não acreditasse na palavra empenhada pelo presidente da República em sua visita a Ilhéus e à sede da Ceplac, onde conheceu o trabalho de pesquisa feito pela instituição.

A região não esperava que o presidente Fernando Henrique Cardoso viesse até nós somente para fazer anúncios eleitoreiros, por conta de sua “briguinha” particular com o ex-senador Antônio Carlos Magalhães. Este, aliás, também nos tinha empenhado sua palavra na liberação dos recursos tão necessários à renovação da cacauicultura. A bem da verdade, até que chegou algum dinheiro, mas parece que carimbado.

“Dinheiro carimbado” é a palavra certa, pois a nós parece e na realidade é o que está acontecendo, faltam garantias para os produtores ter acesso ao financiamento. O que não se concebe é que o presidente da República não tenha conhecimento dos trâmites legais e da burocracia, mas mesmo assim faça promessas eleitoreiras. Se esses anúncios merecessem mais seriedade, o mínimo exigido seria mais conhecimento da matéria.

Enquanto o dinheiro não chega – para alguns, pelo menos –, vamos encontrando os culpados. Inicialmente, o vilão era o Banco do Brasil, que também cometeu seus pecados e hoje purga por eles. Depois, a Ceplac e a sua morosidade para elaborar os projetos, notícias infundadas, segundo os técnicos. O excesso de documentação também esteve na pauta, o que até agora pode ser comprovado.

O tiro de misericórdia na cacauicultura, no entanto, foi deferido pelo Governo Federal, ao não ter a capacidade de se sobrepor às dificuldades existentes e refazer todo o processo. Afinal, vale a pena produzir cacau ou não? Vale a pena exportar, trazer divisas, ou não? Ou ainda melhor, importar cacau para nossas indústrias mandando nossos caros e escassos dólares para a África e os países asiáticos produtores de cacau? Cabe aos homens do governo responder.

Enquanto isso, nos chegam notícias de que o Ministério da Agricultura incluiu a cacauicultura no financiamento do plano de custeio de safra, uma informação de certa forma inócua, desde que seja mantido o atual modelo de contratação. Afinal, se não conseguimos distribuir os recursos existentes para todos os produtores de cacau, como então poderíamos pensar na chegada de novos recursos?

Para concluir, os técnicos reconhecem que, apesar da dificuldade do produtor em contratar o financiamento, o dinheiro está se acabando. Como sempre, muito nas mãos de poucos, o que não mais expressa a realidade de uma nova lavoura de cacau. A lavoura bem administrada e mais próxima do produtor também exige recursos.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora Rural em 10 de agosto de 2002.

Bravatas não descolam nádegas

Walmir Rosário

O produtor rural brasileiro, cansado de ameaças feitas pelos bancos, agora assiste, impassível, a mais uma, só que da lavra do próprio Presidente da República. Como se sempre fora um homem bem sucedido pelo seu passado empresarial, Luís Inácio Lula da Silva deitou falação a respeito da imobilidade do brasileiro, que “não levanta a bunda” da cadeira para procurar bancos com taxas de juros menores.

Não acredito que existam dados na biografia do presidente Lula dando conta de algum ato administrativo seu no comércio, indústria ou prestação de serviço. Pelo que se sabe, ele é um homem bem sucedido, sim, com posses, todas adquiridas sem que se desse ao trabalho de tomar determinadas atitudes como a que acaba de recomendar.

Quando ainda no chão da fábrica, dizem que ele não procurava nem mesmo um bar da esquina onde a cerveja era mais barata. Na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, sua luta foi outra, corporativa e digna na busca da recomposição dos salários dos metalúrgicos, embora soubesse (será ?) que aumento de salários alimente a inflação. Talvez por isso não permita tal comportamento na economia de hoje, acertadamente, dizem seus ministros.

E agora, o que estará pensando os produtores rurais a respeito dos ensinamentos dados pelo presidente Lula, ao vivo e em cores para todo o Brasil? Devem estar se sentindo uns idiotas, incapazes e irresponsáveis por não ter a coragem de ir às agências do Banco do Brasil, Nordeste, Amazônia e outros tantos que trabalham com crédito agrícola, e passar uma descompostura no funcionário da carteira agrícola e no seu gerente.

Sim, isso mesmo, ir lá e dizer com todas as letras que não aceita mais esse tipo de comportamento argentário assumido por eles num país democrático, capitalista, de economia aberta e que se fortalece frente à economia internacional. Caso o gerente do seu banco não se sensibilize com sua justa reivindicação, se invista de fiscal de Lula (basta lembrar dos fiscais do Sarney), feche a agência bancária e prenda o gerente pela prática da usura, conforme está prevista na legislação brasileira.

Feito isso, vá a outro estabelecimento bancário, faça um relato minucioso do seu patriótico feito e alerte ao gerente das penalidades que ele pode estar incurso caso adote o mesmo procedimento. O gerente não se sensibilizou e nem aceitou? Não esmoreça, faça tudo de novo, invoque o discurso do presidente Lula e se invista dos mesmos poderes.

Realmente, bem que você pensava que nada disso daria certo, que seria uma loucura seguir aos conselhos de quem não tem a mínima experiência empresarial. Logo você que passou anos e anos trabalhando sob sol e chuva, acreditar num político sem grandes conhecimentos e que vive nababescamente a serviço de um partido político dirigido por experientes intelectuais da ciência política.

Mas não se aflija, pois desde que os políticos mandam no mundo isso acontece com frequência, mudando-se apenas os métodos e os interlocutores. Faça de conta que nosso governante estava apenas “mareado” com as constantes mudanças de fuso horário, pressões diferentes de altitude, além das chatas, mas institucionais recepções com comes e bebes a que é obrigado a participar nesta vida dura de presidente.

Lembre-se do passado e imagine do que teria sido se você, por acaso, tivesse acatado todos os ensinamentos dados pelos economistas que servem aos mais variados governos. Não estaria mais aqui para contar história. Melhor do que isso só participar de seminários motivacionais, ouvindo estórias e realização de consultores de mercado sobre as possibilidades de seu sucesso, caso siga, palavra por palavra os seus ensinamentos.

Somente pela verborragia presidencial, acredito que o produtor rural deve desgrudar suas nádegas da espreguiçadeira e cobrar dos políticos em que votou um basta no festival de besteiras ditas pelo presidente. Na verdade, partindo isso de quem tem a obrigação de regular os juros, não sei se suas palavras são apenas besteiras colocadas da boca pra fora, ou fazem parte de uma estratégia do Palácio do Planalto de partir para o ataque antes que os brasileiros o façam.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 30-04-2005

 

Assepsia geral e irrestrita

Walmir Rosário

Com certeza, o Brasil nunca mais será o mesmo. Anos atrás, tivemos oportunidade de passar o Brasil a limpo, entretanto, fizemos em parte, não porque fosse de propósito, uma reforma “meia-boca”, como se diz na gíria, talvez por falta de preparo, desacostumados que estávamos com o regime ditatorial que imperou no País por mais de duas décadas.

Em tempos de democracia é assim mesmo. O erro, o crime, não possui o privilégio de ficar escondido, acobertado, em baixo do tapete. Mais dia menos dia vai ter que aparecer, ser exposto à sociedade, que irá avaliá-lo através de suas instituições responsáveis e tomar as medidas cabíveis aos fatos praticados.

O presidente Collor foi o primeiro a provar do remédio mais amargo da democracia: o afastamento do maior cargo da República através de um impeachment, com respaldo do Congresso Nacional. Aliviada, a Nação pensou que, a partir daquele momento histórico, o Brasil estava amadurecido para enfrentar com altivez as crises institucionais.

Entretanto, essa constatação seria mostrada mais tarde como uma meia verdade, uma daquelas frases do genial jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, criador das “coisas dignas do Sobrenatural da Silva”. Mais uma vez a cúpula do poder central, em Brasília, estava metida em outro “mar de lama”, com o escândalo dos “Anões do Orçamento”.

Mais uma vez o Congresso Nacional foi revestido com o manto da justiça e cortou na própria carne (como gosta Lula), decepando a cabeça de vários dos membros. Bem, aí é que mora o perigo! Anos após, vimos que a passada do Congresso a limpo atingiu também pessoas da mais alta honradez, embora tivesse sido execrado em praça pública.

Um deles foi o deputado federal gaúcho Ibsen Pinheiro, hoje reabilitado para uma minoria de privilegiados que tem acesso a informações de jornais e revistas nacionais. Durante muito tempo o ex-deputado Ibsen Pinheiro, considerado um dos parlamentares e constituintes mais brilhantes da Câmara Federal, foi obrigado a viver praticamente escondido dos seus eleitores e da população em geral.

O parlamentar passou do júbilo da corte celeste ao fogo do inferno como num passe de mágica e, em momento algum, sua biografia foi respeitada (como quer o presidente Lula), apesar das constantes demonstrações dadas como político de grande influência nacional. Agora, a situação está novamente posta e o Brasil volta a ser a bola da vez e sofreria uma assepsia sem precedentes.

Realmente, momento mais propício do que este não existe para limpar o País das quadrilhas que se organizaram para corromper e saquear as finanças do Estado, sempre com o beneplácito das autoridades instituídas. Instalou-se o absurdo e quem tinha o dever constitucional de defender o Brasil se transformou em abutre praticando a rapinagem.

Entretanto, pelo andar da carruagem, não acredito que essa comoção social se transforme numa mobilização sem precedentes, capaz de extirpar de vez esse mal que assola o País. Isso porque, ao invés de xerifes defensores da ordem e da moralidade, estamos presenciando uma guerra de facções imprevisível dos resultados e danos que poderão causar.

Ao mesmo tempo em que o presidente da República promete investigar “doa em quem doer”, mantém em seu ministério colaboradores aparentemente ligados ao “mar de lama” que devasta o governo. E mais, a condição de que permaneçam apenas pelo seu próprio arbítrio. Outros pecados cometidos são as insinuações sobre corrupções de governos passados, como se essa premissa eximisse a culpa das atuais.

Agora, para evitar um fratricídio, é preciso que os membros das CPMIs ajam com bastante prudência, evitando assim que excessos sejam cometidos contra pessoas de reputação ilibada e livre de acusações. Nem por isso devem diminuir o rigor das investigações e imputar as acusações devidamente comprovadas, para que possam pagar a pena juta pelos crimes cometidos.

Investigar, sim, afrouxar, jamais, mas sempre balizado nos princípios éticos e no compromisso firmado com a Nação. Só assim poderemos ter hoje o Brasil do futuro que sempre sonhamos.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 16-07-2005

Acima da lei

Walmir Rosário

“Sabe com quem você está falando? Sou amigo e assessor do presidente Lula!” Esta foi a mais nova carteirada dada à Polícia Federal pelo publicitário Duda Mendonça, marqueteiro-mor do Palácio do Planalto e responsável pela campanha publicitária da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, à reeleição, ao receber ordem de prisão numa rinha de galo, no Rio de Janeiro.

À frente das câmaras de televisão, após a recusa do delegados e agentes da Polícia Federal em compactuar com o tráfego de influência (tentativa de corrupção, mesmo), Duda Mendonça ainda disse com a maior prepotência: “Todos sabem que meu hobby é briga de galo. E isso não tem nada de mais”, disse Duda Mendonça aos perplexos policiais da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal. Para o marqueteiro que vende políticos aos eleitores como se vende um sabonete de péssima qualidade num embrulho bonito, seus gostos estão acima da lei, afinal se considera o verdadeiro amigo do rei.

Aos poucos, vai caindo a máscara dos que até pouco tempo não abriam mão da apuração dos fatos, doa em quem doer; da formação de Comissão Parlamentar de Inquérito, as famosas CPIs, palco certo para estar em evidência na mídia. Hoje, ocupando cargos no governo, buscam jogar a sujeira para baixo do tapete, se negam a sentar no banco dos réus.

E a lei, pra que serve a lei? Em tempos passados, diriam alguns políticos que para uso próprio, se valiam dos benefícios; dos rigores para aplicar aos inimigos; e das entrelinhas, para salvar os amigos. Mas será que em pleno século XXI ainda teremos que estarrecer os cidadãos brasileiros com comportamentos deste tipo, vindo de pessoas que vivem no centro do poder? Como diz o remoto ditado romano: “Não basta à mulher de César ser honesta; sobretudo tem que parecer honesta”.

A lei que o publicitário Duda Mendonça pensa estar acima dela não é nada menos do que a chamada “mãe das leis”, a que está no topo do ordenamento jurídico nacional: a Constituição da República Federativa Brasileira, que no Capítulo VI, artigo 225, VII, preceitua: “proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.”.

Para atentar conta a Constituição Brasileira, pessoas de grande poder político, econômico e financeiro se organizam para praticar atos criminosos, com requintes de luxo e ostentação. Para isso constroem os chamados clubes de lazer, onde imperam as jogatinas (também proibidas no Brasil) e as brigas de galos, impondo crueldade aos inocentes animais. São essas pessoas que satisfazem seus instintos de forma criminosa as responsáveis pelos destinos do nosso País.

A Nação não suporta mais ter que conviver com as constantes denúncias, recheadas de provas, de conduta imoral e desonesta dos nossos governantes. Infelizmente, os Waldomiros, Delúbios e outros nomes que envergonham o Brasil estão acobertados pela cumplicidade de ministros e toda espécie de gente poderosa que habitam e frequentam o Planalto Central.

O comportamento dessas pessoas chega a se tornar normal e ético após declarações do próprio presidente da República, quando recomenda que a imprensa utilize de subterfúgios para não publicar notícias que prejudiquem a imagem do governo. É a escamoteação da verdade, escondida sob o vocabulário “relativizar”. E foi mais fundo: “Se o sujeito toma uns cascudos da mulher, basta dizer que sua mulher está nervosa hoje”.

Sei lá, presidente Lula, lá em casa não tem disso, não!

Jornalista, advogado e editor  do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 23-10-2004

Ressaca de pessimismo

Walmir Rosário

Confesso que não tenho a mínima confiança no governo Lula, até porque o vejo apenas como um simples disseminador das ideias fabricadas pelos intelectuais do PT, desconhecedores (em grande parte) da realidade nacional. Para ir mais fundo na questão, basta termos a paciência de Jó e prestarmos atenção nos discursos que comete nos eventos de que participa.

Tanto lá – Teimoso, não obedece aos assessores que lhe prepararam para externar as questões políticas do Brasil e mundo e solta “cargas d’água” (os bem-educados chamam de pérolas, o que não é o caso) a valer. Quarta-feira (1º), uma delas, sobremaneira, me chamou a atenção e repasso aqui para os pouquíssimos e teimosos leitores desta coluna: “Deixe a vida nos levar”, numa referência a uma entrevista concedida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sobre o péssimo governo Lula na área social.

Não há cabimento um presidente da República do Brasil – um dos países mais influentes do mundo –, responsável pelo seu desenvolvimento dizer aos brasileiros que deixem tudo de lado e que esperem sentado o crescimento do país. É certo que o nosso presidente não é dado ao conhecimento da economia, desenvolvimento, planejamento, pois não faz isso nem mesmo em mesa de bar.

Agora, fica ridículo para um presidente da República confundir, nos meios de comunicação, bolhas de crescimento setoriais com desenvolvimento, mas esse é o preço pago por aqueles que se compenetram em falar além dos seus conhecimentos. Principalmente se estiver “estimulado”! O que nosso presidente Lula disse pode ser comparado com um trecho da música Ouro de Tolo, de Paulo Coelho e Raul Seixas: “sento num trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”.

Como cá – As mazelas do Brasil começam com governantes sem capacidade de administrar, mas possuidores de boa lábia e coragem de prometer o que jamais poderão cumprir, até porque não sabem. E isso não cabe sob medida apenas ao governante maior, mas a todos os escalões governamentais até chegar a setores da iniciativa privada, como a cacauicultura, de longe o melhor negócio de todo o agribusiness brasileiro.

Por costume atávico, nossos empreendedores do Sul da Bahia, há muito, se desinteressaram da política e o que é pior, da administração do seu próprio negócio. Antes, tinham a Ceplac para lhe fornecer, na fazenda, sementes de cacau, que nem sempre eram plantadas, e que volta e meia chegavam secas aos armazéns. Agora, diante das dificuldades impostas pelas enfermidades endêmicas, estiagem prolongada, baixos preços e ausência de manejo, ainda elegem administradores alheios ou conflitantes com seu negócio como os “salvadores da pátria” ou gerenciadores da lavoura.

Como estamos sob a égide do PT, gastam-se muito tempo em reuniões, criam-se e elegem-se câmaras setoriais para tudo, escolhendo as pessoas certas para os cargos errados. Esses ungidos prometem se empenhar e solucionar os problemas em tempo recorde, produzem muito papel, apresentam o óbvio, e ainda tratam diagnóstico como se projeto fosse.

O mais triste desta história é a papelada sistematizada pelo Grupo Temático 2 da Câmara Setorial do Cacau, que trata das dívidas dos cacauicultores, que tem como coordenador o ex-diretor-geral da Ceplac, Joaquim Cardoso Filho, uma espécie de “Rei Midas” da cacauicultura ao avesso, que tem o condão de exterminar tudo em que toca (dirige).

O mais incrível é que os cacauicultores elegeram esse senhor, responsável pelo sucateamento da Ceplac – cujo patrimônio foi construído com recursos da Taxa de Retenção do Cacau – seja considerado mais que um amigo da lavoura, seja eleito o seu mais legítimo representante. Como o brasileiro tem memória curta, pode ser que tenhamos esquecido do desmonte da instituição do cacau via doação da sede em Brasília, patrulha mecânica para o Estado, esfacelamento do quadro funcional com tentativa de desmoralização do pessoal, entre outras maléficas contribuições.

Se bem que todo o serviço prestado pelo senhor Cardoso não convenceu, àquela época, nem ao governador Antonio Carlos Magalhães, que não lhe deu o cargo do secretário da Agricultura, ou ao presidente Collor, onde mostrava serviço para tentar ser ministro da Agricultura. Mas todo cuidado é pouco, pois não falta, ao senhor Cardoso, lábia para convencer, com argumentos suficientes, de que o que é bom para os exportadores é bom para a lavoura.

Convenhamos, o senhor Cardoso não possui o perfil adequado para guru de cacauicultor!

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 04-12-2004

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Rio do Engenho, cachaça de Ilhéus para o mundo
 
Atualmente, a Rio do Engenho produz cinco variedades de cachaça. A prata, mais rústica, sem ser envelhecida, descansada em alambiques de aço inox por seis meses e um forte sabor de cana; a Rio de Engenho Black; a Ouro e a Acqua Benta, envelhecidas por dois anos; e a Reserva, tipo especial, envelhecida por três anos.
 
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A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) divulgou o resultado da seleção pública de projetos de Demanda Espontânea. O número de projetos inscritos e a qualidade das propostas apresentadas levaram a Secult a buscar um aumento no valor dos recursos, de forma a contemplar um número maior de projetos nessa seleção.
 
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Saudosismo, amizade, cachaça da boa, cerveja bem gelada, mocofato preparado por Danilo, música de todos os gêneros e para atender todos os gostos. Esse foi o combustível que moveu membros da Confraria do Alto Beco do Fuxico, os acadêmicos da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopia e Etc. (Alambique), além de outros frequentadores do Alto Beco do Fuxico.
 
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