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QUEM MUDOU? CÉSAR OU O PT?
A resposta correta para a pergunta do título é: mudaram os dois. Cada um a sua maneira. Enquanto César Borges, de DNA “carlista até a medula”, tenta permanecer no poder – onde está desde criancinha – e não pretende sair tão cedo, os governantes petistas tentam se manter e, para tanto, embarcaram – há tempos – numa campanha sem precedentes para aliciar políticos da direita.
E nada mais fácil do que atacar grande parte da direita baiana, atônita e sem saber o que fazer depois da morte do seu grande líder, Antônio Carlos Magalhães. Com isso, basta jogar a tarrafa, berés e piabas são apanhadas com a maior facilidade. Inteligentes, passam a comer na mão como qualquer animalzinho de estimação. E a nomeação de César Borges para o Ministério dos Transportes é uma clara demonstração (veja aqui).
Essa é mais uma prova inequívoca da anarquização da política brasileira, com a outrora chamada esquerda brasileira cada vez mais à direita. Já a direita, continua na direita, defendendo e aumentando o seu patrimônio. Já os esquerdistas de antes, como bons aprendizes, passam a se deslumbrar com os encantos da burguesia, e sem perda de tempo, imitam seus novos colegas.
Vivendo e aprendendo. Os valores continuam os mesmos, embora vistos enviesados.
Dilma mistura água e óleo

César e Dilma juntos comprova que água e óleo se misturam: quem tinha razão?
Uma das questões mais complicada da química foi resolvida de forma bem simples, sem se recorrer à polaridade das moléculas da água (H2O) e do óleo. O processo químico utilizado para isso o da política e os petistas já estão bem homogeneizados com o baiano César Borges.
O processo não irá concorrer a nenhum Prêmio Nobel, muito menos deverá fazer esse bem todo esperado pelos palacianos e uma banda nem tão saudável do Partido da República (PR). A soma esperada é apenas a troca de interesses. O ministro do Transporte que entra, César Borges, é da mesma turma do senador amazonense Alfredo Nascimento, que já ocupou o cargo.
A finalização do processo químico já tinha começado num daqueles liquidificadores do Palácio do Planalto comandados por Valdemar Costa Neto, Lula e Dilma. Na primeira passada no liquidificador, César Borges foi ocupar a vice-presidência do Banco do Brasil. Agora, que acertaram o ponto da mistura, é promovido ao ministério mais mal falado do Brasil.
Atanazado pelos petistas na eleição de 2010 para o Senado, Cesar Borges, que ocupava o primeiro lugar nas pesquisas, foi espezinhado pelos partidos PT, PSB e PCdoB, até ser derrotado nas urnas. Como prêmio de consolação por ter “baixado o cangote” e aderido aos velhos inimigos, vira ministro. Agora, só resta vir a Itabuna de braços dados com Geraldo Simões e declarar juras de amor eterno.
Os restos mortais de ACM estão retorcidos na tumba pelo comportamento sem pudor algum dos seus “meninos”. Vade retro satanás!
A PERERECA DA POLÍCIA BAIANA
Do site do Cláudio Humberto
MIGUEZIM DE PRINCESA
I
Não bastassem a violência
Do ladrão e da milícia,
Matança indiscriminada,
Morte por icterícia,
A Bahia se dá ao luxo
De dispensar a Polícia.
II
O Governo da Bahia,
Meio tonto de carnaval,
Resolveu bem na Quaresma
Publicar um edital
Exigindo virgindade
Para ser policial.
III
Depois de estimular
Tanta dança da bundinha,
Da boquinha da garrafa,
Cururu, pererequinha,
O governo quer formar
Um exército de santinhas.
IV
Soltam no Porto da Barra
A pergunta que não cala:
Pra que vale a virgindade,
Na rua, no mato ou na sala?
Será que é pra ter mais força
Quando disparar bala?
V
Lá em Água Meninos,
Onde o povo faz a feira,
Trocaram todo o estoque
De charque, vela e peixeira
Por cargas de pedra-ume
Para trancar a “porteira”.
VI
Minha amiga Sarajane,
Que vivia assanhadinha,
Dançando em Massaranduba
A dança da papudinha,
Já mudou o seu refrão,
Mandou fechar a rodinha.
VII
No bairro da Mata Escura,
Jonas Paulo senador
Exortou as companheiras,
Militantes de pudor,
A se inscrever no concurso
E mostrar o seu valor.
VIII
Foi aí que Cipriano,
Um petista de doer,
Disse que era mais fácil
O Lula gostar de ler
Do que encontrar uma virgem
Nas fileiras do PT.
IX
Será que um gênio baiano,
Inspirado no além,
Incorporado em Kadafi,
Pensou um dia também
Criar uma guarda de honra
E transformá-la em harém?
X
Na Bahia já aconteceu
A Guerra do Fim do Mundo;
Padre dá santo na missa,
Quenga sente amor profundo,
E Polícia usa perereca
Para prender vagabundo!
Greve de vigilantes ou de bancos?
Sem segurança dentro dos bancos
Quem souber para que serve um vigilante numa agência bancária, que informe, por favor: Em uma análise mais simplória, esses profissionais que deveriam promover a segurança, não a fazem, até mesmo por falta de preparo.
Talvez a melhor serventia seja tratar mal os clientes da agência, criando problemas e se julgando uma completa “otoridade”. E, por incrível que pareça, são eles mesmos quem mandam no banco, conforme mostra esse movimento paredista.
Na esteira da greve dos vigilantes, os bancários aproveitam para tirar sua casquinha e não trabalharem: Ora, um banco não só movimenta valores físicos, dinheiro em espécie, e sim uma série de negócios que não chamam a atenção dos assaltantes.
Se um cliente do banco necessite tirar uma dúvida, trocar um cartão magnético ou utilizar outro serviço, está impedido de entrar na agência e, até mesmo os funcionários que estão do lado de fora se negam a dar uma informação.
Ao que parece, os bancários aproveitam a greve dos vigilantes para fazer a sua, embora sua única reivindicação seja a de não prestar o serviço aos clientes que pagam os seus salários.
Um exemplo da desnecessidade dos vigilantes são as agências lotéricas, que mantêm suas portas abertas sem eles. Agora, com a greve dos vigilantes, a segurança é dada pela Polícia Militar, postada à frente das agências. Será que a PM não merece ser vista pelos bancos e bancários como os que inibem as ações desses assaltantes e os prendem depois que assaltam os bancos?
Será que são ordens da CUT? PT? PCdoB?
E Geraldo derrotou o PT…

Walmir Rosário
A arrogância e prepotência própria dos coronéis da política interiorana do início do século passado incrustaram em Geraldo Simões após sua permanência no poder. Não sei bem como qual nome científico mais adequado para isso, mas posso assegurar que tal prática é maléfica ao comportamento e a perfil dos políticos, e pior ainda para o povo, para a Nação.
Determinados membros do Partido dos Trabalhadores, cuja proposta inicial era a implantação da ética e moralidade na política brasileira, se desviaram de seus propósitos, abandonaram os dogmas contidos nos seus estatutos, copiaram, de forma desavergonhada, nas práticas que abominavam. Passaram de guardiões da moralidade a praticantes das mesmas mazelas por eles denunciadas, só que feitas com mais intensidade.
Na economia, essa voracidade famélica poderia ser explicada através do princípio da demanda reprimida, transpostas para o campo da ética por Geraldo Simões durante a sua primeira administração da Prefeitura de Itabuna. Os “meninos” que promoviam badernas para reclamar, apedrejando ônibus, entupindo fechaduras com cola araldite e massa plástica, se mudaram para os palacetes do Góes Calmon. Em volta das piscinas e whisky on the rocks as análises passaram a ser vistas por outro prisma, naturalmente de forma conservadora, mas confortável, e à bordo de carros luxuosos, os New Civic de hoje.
Aconselhados pela classe conservadora e pelos efeitos etílicos do mais puro malte das montanhas escocesas – com o reforço de uma legítima vodca russa –, a “república sindicalista” foi revestida de luxo e riqueza, rasgando os escritos de Karl Marx e condenando a mais valia ao fogo do inferno. Nada como os encantos da burguesia, principalmente quando se chega à condição de new rich.
Aos poucos, os companheiros das greves da Ceplac foram sendo defenestrados, talvez por não saberem como se comportar nas mansões e os operários de campo, auxiliares de serviços gerais, dentre outros piqueteiros foram substituídos pelo todo-poderoso Geraldo Simões pela fina flor da cacauicultura. Pela mão providencial de Martinelli, foi introduzido aos salões da nobreza, deixando de fora a plebe ignara.
Do alto da montanha, não dava mais para mirar, como antigamente, os velhos companheiros, estes perifericamente afastados. Os tempos são outros. Ao invés da força bruta dos piquetes, Geraldo Simões, o então prefeito, passou a se utilizar das artimanhas do poder dominante. Aos poucos, os Giltons, Veridianos, foram sendo substituídos pelos espertos doutores, ávidos para continuar encastelados no poder.
Mesmo conhecendo a derrota nas urnas, Geraldo foi incapaz de fazer uma reflexão para saber onde errou, fazer um mea culpa, reunir antigos colaborados, refazer seu exército. Mas não, preferiu os novos amigos, estes com mais experiência de vida e palavra fácil, capazes de massagear o ego do chefe com elogios fáceis e tapinhas nas costas. Não há quem resista!
E mais cabeças foram sendo cortadas. O “colégio de cardeais” petista passou a ostentar nomes conhecidos da velha oligarquia antes conhecida e combatida, e assumiram cargos importantes. Rei morto, rei posto, e Nelson Simões, Eliezar Correia, Everaldo Anunciação, Josias Gomes, tiveram seus nomes lançados no rol dos degredados. Sem qualquer explicação, deixaram de ser considerados da turma de “minha pedinha”.
Generais de outros exércitos tiveram de despir os velhos pijamas listrados para integrar o staff geraldiano. A cada reforço recrutado em Salvador e Brasília, mais uma cabeça interiorana rolava. E os reflexos foram sendo sentidos nas bases, notadamente entre os ceplaqueanos, responsáveis pela rápida ascensão do técnico agrícola em político influente e consequentemente uma das mais promissoras fortunas da Bahia.
Relegados ao degredo pelo Politiburo de Geraldo Simões, aos poucos seus desafetos foram sendo reabilitados. Ao assumir a Presidência do PT em Ilhéus, Eliezer Correia foi responsável pelo crescimento do partido. Everaldo Anunciação é hoje um dos homens fortes da candidatura de Walter Pinheiro em Salvador. Nelson Simões braço-direito do governador Jaques Wagner, e por aí afora…
O desafeto maior de Geraldo, Josias Gomes, foi, sem dúvida, o deputado federal mais atuante do Sul da Bahia, somente podendo ser comparado com o médico ilheense Jorge Viana. A disposição de trabalho de Josias no projeto de implantação do PT na Bahia despertou um sentimento de inveja e ciúmes ao vislumbrar uma ameaça ao seu projeto político individualista. Mesmo fora da Presidência estadual do PT, Josias continua sendo o homem de mais prestígio entre lideranças e militância no estado.
Ao desprezar todos os militantes petistas da Bahia, lançou seu último empreendimento da política coronelista, ao impor sua mulher como candidata a prefeita de Itabuna. Pela primeira vez os petistas se rebelaram e não seguiram a orientação partidária e o PT votou contra o PT, apesar da questão fechada.
Por último, Geraldo pensou que desafiaria a maioria do povo, inclusive o governador do Estado, que se posicionou contra a candidatura de Juçara Feitosa, pensando que voltaria a ganhar a eleição. Errou por prepotência, prejudicou o PT por arrogância. Manda a lei natural que cada um pague por seus pecados, como diz o ditado… “a justiça tarda mais não falha”.
E assim, assistindo a reabilitação e o crescimento dos desafetos, Geraldo Simões ainda vai ter que devolver “sua Secretaria da Agricultura” para o governador e ainda aturar seu ex-assessor parlamentar na Assembléia Legislativa, José Sérgio Gabrielli, hoje presidente da Petrobrás, ser lançado candidato ao Senado na vaga pretendida por “minha Pedinha”. Será o tiro de misericórdia. Ao derrotar o PT, Geraldo também será atingido.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 11-10-2008
Mudanças no Planalto
Walmir Rosário
Mais uma vez o presidente Lula reúne os ministros da Casa para discutir uma possível reforma no seu ministério. É a vez das especulações, quando os dirigentes dos partidos leiloam seus ministeriáveis a preços nunca vistos, para um presidente que pretende apenas trocar seis por meia dúzia, às vezes até com algum retrocesso, já que os que entram não dão continuidade às ações já engendradas.
Esses constantes anúncios de troca de ministros são anunciadas sempre às vésperas de uma decisão importante no Governo Federal, Senado ou Câmara Federal, no fato atual, as duas Casas Parlamentares são a bola da vez. Como a Presidência da República pretende eleger um deputado petista de sua confiança para a Câmara, e um aliado de primeira hora do PMDB, para o Senado, nada melhor do que acirrar os ânimos dos políticos.
Tal qual um caçador mostrando carne sangrenta para atrair sua presa, a articulação do Governo Federal acena com a possibilidade de preencher ministérios com políticos dos partidos da base aliada, dando a impressão de que cortaria na própria carne caso fosse preciso. Como sempre, alguns ministros são considerados a bola da vez, entre eles o ministro das Cidades, Olívio Dutra.
O que mais estranha nesse tipo de barganha é que o Ministério das Cidades é hoje um paraíso cercado de recursos públicos por todos os lados, e uma importante máquina de fazer política, especialmente para a eleição do próximo ano. Recursos para infra-estrutura, como saneamento básico, habitações e outros equipamentos urbanos são tudo que um prefeito deseja para o seu município.
Para carrear toda essa dinheirama disponível, é preciso, no entanto, se utilizar de uma série de artifícios, como o apadrinhamento de deputados, lobistas, a proteção de construtoras, para que os recursos sejam alocados no Orçamento e a obra possa ser executada. Um trâmite difícil somente comparado a uma maratona, onde vence quem tem mais prestígio e possa atender aos interesses do governo e sua máquina de fazer votos. Mas isso cabe aos deputados, no sentido de trazer os benefícios (promessas de campanha) para a alegria de suas bases eleitorais.
Nessas mudanças, o Poder Executivo poderia, pelo menos, tentar manter as aparências nas barganhas pelos ministérios. Caso as trocas sejam pra valer, seria de bom alvitre propor a substituição dos atuais (nem sempre técnicos ou políticos competentes) por outros de nível mais elevado, ou pelo menos mais compatível com o exercício da função.
Mas nem sempre os atributos necessários para o desempenho do cargo são levados em consideração, sobrepondo-os outros tantos, como a quantidade de deputados e senadores que poderão estar disponíveis em cada votação. Em nome da governabilidade, tão preterida em outras épocas, quando as negociações eram execradas, voltaram à moda em Brasília e continuam presentes em cada gabinete ministerial e da Presidência da República.
Que o diga a senadora maranhense Roseana Sarney, golpeada covardemente pelo PT e PSDB, quando era governadora e ensaiou os primeiros passos rumo à candidatura à Presidência da República. Por uma política de repercussão nacional, ganhou preciosos pontos nas pesquisas de opinião, ameaçando às “estrelas de primeira grandeza” dos dois partidos. Após uma porrada certeira, a governadora foi levada à lona e obrigada a declinar de sua candidatura.
Agora, tal qual a Phoenix, a senadora Roseana Sarney, eleita para um mandato de oito anos e com influência parlamentar considerável, volta à baila política como candidata sob medida para um dos grandes ministérios do Governo Lula. Pelo andar da carruagem, nesses dois anos de Senado deve ter expurgados seus pecados políticos e estar pronta para ser ungida a grande ministra de 2005.
É só aguardar pra ver!
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 12-01-2005
O partido da incoerência
Walmir Rosário
O PT, definitivamente, é insuperável no quesito incoerência. As atitudes assumidas agora que é governo – em tudo a negação de suas bandeiras como oposição – demonstram que o partido, astutamente, utilizou meias verdades para eleger Lula presidente. As mudanças drásticas na política econômica, a criação de milhões de novos empregos e a elevação do salário mínimo para o equivalente a 100 dólares, sem contar outras propostas delirantes, foram promessas postas de lado em nome da governabilidade e do bom senso, assim que o partido venceu as eleições.
Afora a decepção imposta aos eleitores e militantes mais crédulos, a metamorfose ocorrida nas posições do PT é compreensível e, até certo ponto, bem-vinda. Pior seria se o partido, na condição de governo, insistisse no discurso antigo, carregado de teses populistas e nem sempre viáveis, que a realidade se encarrega agora de redimensionar e impor limites. O próprio Lula, ao defender míseros R$ 260,00 para o salário mínimo, foi forçado a reconhecer a imensa distância que separa aqueles que – como ele – se comportavam como pedras e, por força das circunstâncias, agora são vidraça.
Oposicionistas obstinados, sempre prontos a propor soluções miraculosas para as grandes questões do país, os petistas terminaram revelando uma monumental falta de aptidão para governar, tanto na esfera federal como nos estados e municípios. O desempenho dos governos petistas em todas as áreas, inclusive a social (a que mais esperanças despertava), é pífio. Até no plano meramente ideológico o partido tem sido incoerente. Exemplo mais recente disso foi a tentativa de expulsão do jornalista norte-americano Larry Rohter, episódio em que o presidente Lula, graças à posição intransigente que assumiu, passou de vítima a algoz. Foi simplesmente inacreditável ver petistas históricos, vítimas da repressão militar em época não muito distante, defender com unhas e dentes tamanha arbitrariedade.
Entretanto, as contradições do PT não se restringem apenas a pontos de vista conflitantes com o ideário antes defendido pelo partido ou mesmo a questões relativas à governança. Descambam, infelizmente, para a pura e simples prática de atos que, em passado recente, criticava veementemente – e com razões de sobra, saliente-se. O uso da máquina pública como recurso para facilitar vitória dos candidatos do partido nas eleições municipais é um deles. No município de Ibicaraí, aqui bem pertinho de nós, houve recentemente uma demonstração do quanto a retórica moralista dos pronunciamentos oficiais se distancia da fria realidade dos fatos.
A apresentação de uma banda em praça pública serviu de pretexto para um comício extemporâneo (porque proibido pela Legislação Eleitoral), ao qual estiveram presentes figuras exponenciais do partido na Bahia. Não bastasse a ilegalidade do ato em si, a sofisticação da estrutura física montada para o evento e o requinte das peças publicitárias enaltecendo os candidatos petistas deixaram claro para o observador mais atento que os custos, inviáveis para o diretório local do partido, foram bancados com dinheiro público.
Como a matemática é uma ciência exata (despesas superiores à receita não podem ser pagas), a única conclusão possível é que a verba de um programa desenvolvido pela Petrobras, supostamente para apoiar iniciativas culturais, foi utilizada indevidamente naquela oportunidade. E a coisa promete ir ainda mais longe: já se anuncia, para os próximos dias, a apresentação de mais dois artistas de projeção nacional num grande evento que, na prática, será mais um “showmício”, com a presença, é claro, dos candidatos petistas à prefeitura. Depois dessas lamentáveis constatações, certamente não será exagero afirmar que o PT, pela forma que vem se conduzindo ultimamente, segue à risca a condenável tática do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 22-05-3004
Sinal dos tempos
Walmir Rosário
O Senado Federal defendeu-se com altivez da sanha avassaladora dos ocupantes do Governo Federal, demonstrando à Nação que nem tudo está perdido na política brasileira. Agora, ao impor uma derrota acachapante ao governo Lula, na votação da Medida Provisória sobre o aumento do salário mínimo, parece que se inverteram os papéis: o Senado, que tem o dever constitucional de representar o Estado, assumiu também a responsabilidade de defender o povo, reservada à Câmara Federal.
De uma vez por todas, os senadores desnudaram as artimanhas políticas – o jogo do poder – praticadas para aprovar projetos de interesse do governo ou de grupos corporativos. É o toma lá, dá cá. E a derrota foi se tornando realidade a partir de alguns próprios parlamentares petistas, como o vice-presidente do Senado, Paulo Paim, defensor intransigente de um salário mínimo digno para o trabalhador brasileiro. Também atuaram com maestria os hoje oposicionistas Jefferson Péres, Pedro Simon, Almeida Lima e Heloísa Helena.
Tal como fogo de monturo, a rejeição à proposta do governo Lula foi crescendo paulatinamente e contagiando senadores de partidos de esquerda, centro-esquerda e direita, até ganhar status de “guerra” contra a opressão ao assalariado. Pouco adiantou – ou, ao contrário influiu decisivamente –, as seduções vindas do Planalto no sentido de sensibilizar os senadores com propostas de liberação de verbas e cargos para apaniguados, que sempre levaram as contas do País a rombos homéricos.
O PT, partido de dogmas, por pouco menos do que rebeldias como essa expulsou seus melhores quadros, considerados “PO” (puros de origem) e árduos defensores da filosofia defendida durante muito tempo à população brasileira. E agora, qual será a atitude do presidente José Genoíno e outros “cardeais vermelhos?” Serão entregues à Santa Inquisição partidária? Expulsão? Ou será que já está se acostumando às constantes derrotas impostas?
Além dos opositores como Antônio Carlos Magalhães e a troupe do PFL, o governo ainda recebeu golpes violentos no fígado do ex-aliado José Sarney, que escolheu a hora certa para aplicar o troco. O presidente do Senado não digeriu bem a falta de apoio do Planalto para a aprovação da reeleição das Presidências da Câmara e Senado, mas como político experiente esperou a hora certa de aplicar um corretivo ao governo Lula, aliado de conveniência.
Foram 12 votos contrários vindos da base aliada, inclusive do PT. Será que o governo aprendeu a lição? Resta saber agora qual será o comportamento do PT e do Palácio do Planalto em relação à política que manterá daqui pra frente com o Congresso Nacional. Os senadores já demonstraram que em política os acordos são feitos para serem cumpridos. Não basta dizer que o salário mínimo é o maior dos últimos anos, é preciso aprová-lo com um valor nominal maior.
Com a volta da Medida Provisória para a Câmara Federal, a tropa de choque do governo Lula voltará a atacar os deputados com mais veemência de que antes. Mas qual será a receptividade, já que o governo se encontra altamente fragilizado? As seduções que serão feitas aos deputados serão mais carinhosas do que as lançadas aos vetustos senadores? Em poucos dias teremos condição de saber se a lição dada pelo Senado também contagiou os ilustres deputados federais, eleitos para representar o povo brasileiro.
Caso o poder de persuasão do governo Lula não seja suficiente e a Câmara mantenha o salário mínimo no valor de R$ 275,00, qual será a reação do governo? Quebrar a Previdência, como tem dito? Ou simplesmente vetar a decisão do Congresso Nacional? Neste caso, o salário mínimo voltará a valer os míseros R$ 240,00 de antes e o presidente Lula terá feito a opção mais fácil: quebrar, de vez, o sofrido trabalhador brasileiro. Como está escrito na Bíblia Sagrada: é o sinal dos tempos.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 20-06-2004
Geraldo, o santo
Walmir Rosário
Os acontecimentos recentes da cacauicultura do Sul da Bahia nos remetem à máxima de que “brasileiro tem memória fraca”. Não exatamente o brasileiro, mas as pessoas de um modo geral. Digo isto porque, por mais que me esforce, não consigo entender como grande parte dos cacauicultores baianos ainda tem dúvidas sobre os métodos utilizados pelos partidos de esquerda antes de chegarem ao poder.
Aos que nunca foram afeitos às questões político-partidárias, poderíamos até entender, não fosse a questões históricas sobre fatos e acontecimentos passados. O mais recente deles, para quem tem memória curta, foi a invasão da Câmara Federal por militantes do MLST, capitaneados por Bruno Maranhão, um alto ocupante da cúpula petista nacional. Portanto, nada de anormal entre as ações praticadas pelos membros do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PC do B) e congêneres.
A explicação acima sobre as ações dos chamados militantes de esquerda se trata tão-somente de ligar fatos históricos com as ações denunciadas pela revista Veja da introdução, de forma criminosa, do fungo Crinipellis perniciosa, causador da vassoura-de-bruxa nos cacauais baianos. Não seria a Veja leviana ao ponto de tentar destruir carreiras políticas sem que provas existam e que porventura possam ser apresentadas.
Não tenho nenhuma procuração da Veja para tratar do assunto, mas como jornalista tenho o dever e o direito de analisar a matéria, no sentido de identificar se o repórter “carregou nas tintas”, como se diz, ou tratou o assunto com imparcialidade. Pelo teor da matéria, está bastante visível o trabalho de apuração dos fatos, o que requereu muito tempo de perguntas e busca das respostas em todas as fontes – primárias, secundárias, pesquisas in loco, etc. –, o que certamente deve ter exigido um bom tempo de pesquisa. Sem esquecer que todas as fontes ou personagens envolvidos foram contatados e apresentaram suas versões. Fora disso, é simplesmente “chorar o leite derramado”.
Mas voltando à “vaca fria”, o que vimos, especialmente entre produtores rurais que participam da Lista Cacau, na rede mundial de computadores, era uma discussão inócua e descabida. Enquanto alguns questionavam a revista Veja sobre os motivos e conveniências da publicação da reportagem numa data próximas às eleições, outros faziam a defesa de forma arraigada e descabida de um dos denunciados, o ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões.
Poucos tiveram o bom senso de estabelecer um paralelo entre o acontecimento e as pessoas supostamente envolvidas, já que denunciadas por um réu confesso, o técnico em Administração Luiz Henrique Franco Timóteo. O fato realmente existiu? Que interesse poderiam ter esses personagens sobre o fato denunciado? Qual a conexão possível entre os autores e o fato?
O resto é perfumaria, coisa de quem defende uma pessoa por ser amiga, liderada ou simples simpatizante político. Aos menos avisados ou distraídos, podemos lembrar que o currículo sindical e político do Geraldo Simões não dão motivos suficientes para uma boa defesa, embora em momento algum eu possa afirmar sua participação na introdução criminosa da vassoura-de-bruxa, mas sou testemunha de que ele sempre agiu como um destruidor de patrimônios alheios.
A começar pelas costumeiras e contumazes greves decretadas na Ceplac, quando, a qualquer hora ou por qualquer motivo, fechava a instituição, passando pelo comando greve geral em Itabuna. Em todos esses movimentos, sempre comandados com “mão-de-ferro” por Geraldo Simões, as fechaduras de portas e garagens eram entupidas com cola e durepox (e precisavam ser trocadas), pneus dos ônibus furados, pára-brisas e janelas quebradas, empresas obrigadas a fechar as portas ou teriam vitrines quebradas, dentre outras violências e constrangimentos impostos aos cidadãos.
Agora, sem consistência mesmo está a desculpa utilizada por um dos denunciados, Geraldo Simões, ao tentar se esquivar da acusação com a afirmação de que não conhece ou nunca teve contato com Luiz Timóteo. Ao invés de, com segurança, negar sua participação no ato criminoso, Geraldo apelou para uma tática utilizada pelas esquerdas: a de tentar desqualificar seu acusador.
Mas é óbvio de que Itabuna é pequena e a afirmação de Geraldo Simões não resiste a uma pesquisa em fotos ou vídeos históricos sobre os movimentos dos até então chamados de partidos de esquerda em Itabuna. Certamente lá estarão na mesma fila Geraldo Simões, do PT, e Luiz Timóteo, entre tantos outros companheiros do PDT.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 1º-06-2006
No mínimo, indelicados!
Walmir Rosário
É certo que os cacauicultores baianos não possuem nem experiência nem ciência na difícil arte arte de fazer política, o lobby para o seu próprio negócio, mas nem por isso podem cometer desatinos quando se propõem a entrar nessa difícil seara. É chover no molhado falar das constantes dificuldades do maior segmento econômico regional e a falta de união da cadeia produtiva cacaueira para solução desses problemas.
Alguns desses problemas não se resolvem com a ajuda governamental, pois são decorrentes do sobe e desce do mercado internacional de commodities, preço do dólar, desempenho econômico do país, intempéries ou mesmo a oscilação da produção e produtividade nos diversos países produtores, entre outros. Outros estão mais perto de nós, mas também são relegados, a exemplo da falta de agregação de valor ao produto cacau, com investimentos numa incipiente agroindustrialização e outras pequenas atividades que poderiam estar sendo desenvolvidas.
Entretanto, o mais nefasto é a absoluta falta de intimidade no trato com o coletivo. Podem até os especialistas escreverem tratados completos sobre a civilização do cacau, mostrando o individualismo deste tipo de lavoura, já arraigado na nossa cultura, esnobando o cooperativismo, colocando num plano secundário o associativismo, a convivência entre vizinhos de cerca e sofrimentos comuns.
O mais inconcebível é que os cacauicultores não sejam adeptos da máxima: se unir nos pontos convergentes e discutir nos divergentes. Ao contrário, essa divisão se dá desde a originação, ou seja, da divisão existente entre as várias instituições dos cacauicultores, a exemplo da CNPC, sindicatos rurais, Comacau, e por aí afora, com arranhões na representatividade da classe produtora, mesmo que isto traga prejuízos incalculáveis a todo o segmento produtivo.
Não importa o coletivo, vale o individual, o dono do pedaço, o pai da criança, apesar dos riscos que correm diante de tamanha teimosia. Desde quando iniciou sua participação nas lutas em defesa da cacauicultura, o deputado Josias Gomes deu uma demonstração de sabedoria e desprendimento, ao insistir na união suprapartidária de deputados, senadores, governadores, prefeitos, enfim, todos os políticos regionais em torno da mesma causa, que mesmo sendo de partidos diferentes, defendem interesses comuns e convergentes.
Que demonstração maior poderiam ter dado Josias Gomes e Geddel Vieira Lima, ao unir esforços no sentido de sensibilizar as autoridades federais para buscar uma solução que atendesse aos cacauicultores. Neste empreendimento, as diferenças do PT e PMDB foram postas de lado, prevalecendo apenas os interesses maiores da cacauicultura e a questão passou a fazer pauta no Governo.
Ao que parece, os cacauicultores fizeram ouvidos de mercador diante da pregação dos deputados Josias Gomes e Geddel Vieira Lima, e passaram a tratar da suspensão das dívidas sozinhos. Marcada uma audiência com o governador Paulo Souto e o secretário da Agricultura da Bahia, Pedro de Deus, nossos representantes da Comacau partiram para Salvador sem a presença ou apoio de um único deputado, seja ele federal ou estadual.
Na certa, os cacauicultores devem ter voltado inebriadas da missão anterior em Brasília, quando se avistaram com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e o executivo do Ministério da Fazenda, Gerardo Fontelles, além de alguns poucos parlamentares. Talvez a paisagem e a arquitetura dos prédios e corredores de Brasília tenham enchido nossos representantes do cacau de entusiasmo, fazendo-os acreditar que já possuíam cacife suficiente para andar com as próprias pernas.
Ledo engano. Para percorrer os sinuosos e frios corredores palacianos é preciso mais do que estar empunhando uma causa justa. Para isso, nada melhor do que ter ao seu lado gente que tenha poder e argumentos suficientes para colocar o pleito em regime de urgência, afinal o apoio político é uma moeda de negociação em qualquer centro de decisão e isso vale em Itabuna, Salvador, Brasília ou Washington.
Apesar das constantes lições recebidas, as lideranças do cacau ainda não conseguiram fazer o dever de casa e aprender que política é a arte de somar e não dividir. Sozinhos, não conseguirão chegar a lugar algum, com o apoio dos deputados podem conseguir o intento. Mas, voltando ao que interessa, para mim, ir à audiência com o governador sem ao menos convidar os deputados envolvidos na luta pode ser considerada uma grosseria primária, no mínimo uma indelicadeza.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 11-12-2004
Prudência e caldo de galinha…
Walmir Rosário
A Câmara de Ilhéus é uma das últimas casas legislativas a eleger sua Mesa Diretora. E o processo eleitoral é um dos mais complicados, deixando os analistas políticos impedidos de arriscar o resultado por antecipação, embora se vislumbre. O jogo político jogado nos bastidores é complexo, dado o grande número de interesses em jogo.
Para início de conversa, não existem dois lados – situação e oposição –, mas uma divisão de grupos, cujas motivações vão desde a afinidade pessoal até as oportunidades criadas com o resultado das últimas eleições. E como a vitória de Jaques Wagner vem tornando a decisão mais difícil!
Não se trata de incursões do governador eleito ou do seu staff junto aos legisladores ilheenses, mas do que espera o presidente eleito desfrutar em termos de benesses advindas do Palácio de Ondina. Em princípio, não comungo essa ideia, pois todos os esforços nesse sentido caberão ao Executivo Municipal, a quem compete formular as parcerias.
O que considero mais estranho no processo eleitoral do Legislativo ilheense é que o seu desfecho está, de certo modo, fora do alcance da Casa Legislativa, dependendo dos líderes políticos que já exerceram cargos majoritários no Município e/ou no Parlamento Federal. Têm esses políticos o dever de restabelecer um debate político de forma mais ampla, o que não vem acontecendo.
Essa responsabilidade recai exatamente sob os ombros de Jabes Ribeiro, político com amplo currículo, capaz de fazer inveja em muitos dos detentores de mandatos. Jabes, não custa relembrar, exerceu a vice-liderança do PSDB no Congresso, quando o líder era o então senador José Serra, tendo, portanto, estofo, jogo de cintura, sabedoria. Melhor dizendo: sabe onde as cobras dormem.
Derrotado nas últimas eleições, quando pleiteava uma vaga na Assembléia Legislativa, Jabes Ribeiro entrou em hibernação e faz ouvidos de mercador quando incitado a falar sobre o seu futuro político. Mesmo que somente seja para esclarecer as fofocas de bastidores dando conta de sua saída do PFL e a volta ao PMDB, antigo reduto, embora aí também tenha adversários encastelados. Mas nada muito significativo, pois a política é a arte de quebrar lanças… Ou como dizia o caudilho Leonel Brizola: “A arte de engolir sapos”.
O silêncio obsequioso de Jabes Ribeiro pode até ajudar suas conversas com o travesseiro, mas em nada contribui para o futuro de Ilhéus, especialmente após a derrota do grupo carlista, do qual atualmente faz parte. Não acredito que a inteligência de Jabes seja direcionada para a política de terra arrasada, na qual os valores se invertem, privilegiando-se o “quanto pior, melhor”.
Ao longo desses últimos dois anos, Jabes tem repetido que Ilhéus fez uma escolha e, embora não tenha sido a melhor, a população vai ter de aguentar os quatro anos. Embora não tenha feito um exercício de futurologia, é certo que Jabes utilizou as assertivas da lógica para elaborar a sua proposição, o que vem se confirmando.
Apesar de negar com veemência a sua participação nesse processo, ninguém, de sã consciência, jamais ousaria atestar sua falta de interesse em tão importante pleito. Ainda mais, tratando-se da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2007/08, período preparatório para as eleições municipais.
O que interessa ao político Jabes Ribeiro? Manter-se alheio e omisso ao cenário político ilheense? Não é fácil acreditar numa decisão desse calibre, até porque ele já deu demonstrações claras de que seu apoio seria dado ao vereador Jailson Nascimento.
Por sua vez, Jailson Nascimento também é o candidato preferido dos vereadores petistas, não porque acreditem ser esse vereador o melhor e o mais indicado, mas para seguir o que está escrito na cartilha do PT. Isto quer dizer que o PT fechou questão e é tradição a obediência da bancada após a aprovação.
Tiraria algum proveito político Jabes Ribeiro fazer essa aliança com o PT, por mais pontual que seja? Hegemônico, o PT não abriria mão da candidatura majoritária, nem mesmo abriria algum espaço para Jabes Ribeiro, por conhecer sobejamente seu potencial nos vários embates políticos realizados no decorrer destes anos.
Como diz o ditado: “Gato escaldado de água fria tem medo”. E o PT de Ilhéus não iria incorrer num primarismo sem precedentes.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 25-11-2006
Metamorfose política
Walmir Rosário
O patrulhamento ideológico parecia coisa do passado, com aposentadoria compulsória marcada, de papel passado, com a entrada do país no regime democrático. Mas, de repente, estamos de volta ao passado, principalmente com a eleição, para cargos executivos, de companheiros e camaradas, velhos adeptos dessa abominável prática.
O conceito filosófico do bem contra o mal, utilizado com sucesso pelo que esperávamos fosse a última vez, na eleição indireta à Presidência da República, da qual participaram Tancredo Neves e Paulo Salim Maluf. Ledo engano. Até hoje, a luta do bem contra o mal é invocada aos quatro cantos de acordo com as conveniências da hora.
E o pior: sem levar em conta os conceitos filosóficos, e sim, e apenas, o contexto maquiavélico de que o fim justifica os meios. Nesse caso, todos os direitos individuais inerentes à cidadania dos adversários são jogados na lata do lixo e ele é simplesmente lançado no fogo dos infernos, condenado pelas “santas inquisições” de nossa época.
Em Itabuna, como no resto do país, esse é um fato corriqueiro, quando são ameaçados os interesses políticos de um candidato. Que relate essa experiência o político Davidson Magalhães, um dos grandes quadros do PCdoB baiano, execrado em praça pública e nos meios de comunicação durante a eleição municipal de 1996.
Por não ter se submetido aos caprichos do prefeito de Itabuna, à época, Geraldo Simões, e resolvido a concretizar um sonho legítimo de candidatar-se à Prefeitura de Itabuna, foi chamado de “laranja”, alcunha pejorativa que ainda paga. Por mais que tenha demonstrado lisura e competência política e administrativa nos cargos exercidos, ainda carrega a pecha indevida.
O mesmo vem acontecendo com o ex-prefeito Fernando Gomes, acusado pelos petistas de “vender” espaço de vice-prefeito na sua chapa para políticos sem voto, mas com recursos suficientes para alavancar uma campanha. Na hora do anúncio, Fernando Gomes surpreendeu seus adversários, indicando o capitão José Nilton Azevedo, um militar de folha limpa tanto na corporação que tem Tiradentes como patrono, quanto em outras por onde passou.
Em seguida, a bola da vez foi o deputado estadual capitão Fábio, antes considerado um “milico” a serviço de ACM, e, posteriormente, um possível aliado do PT e candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Geraldo Simões. Defeitos que tinha foram jogados em “baixo do tapete” e as qualidades ressaltadas pelas ruas e botequins de Itabuna. De condenado às profundas dos infernos foi elevado à condição de santo com lugar garantido no céu, sem sequer passar pelo purgatório.
Mas os quinze minutos de fama do capitão Fábio nas hostes petistas duraram pouco. Bastou uma simples conversa com as lideranças do PFL baiano, como o governador Paulo Souto e Antônio Carlos Magalhães, para que o castelo de areia geraldista caísse por terra, derrubado por uma onda avassaladora de argumentos. De anjo passou a demônio, sem direito a defesa nem explicações.
Lamentações a parte, a lógica prevaleceu e o capitão Fábio, homem forjado no cumprimento do dever e na hierarquia continuou onde estava, no ninho em que nasceu. Qual o pecado cometido pelo capitão Fábio? Não ter cedido às pressões políticas do PT? Ter continuado fiel aos seus princípios políticos? Não ter atendido ao chamamento e ao “canto da sereia” (legítimo numa campanha) de Geraldo Simões? É uma resposta para ser dada com o tempo.
Muito se gastou com tinta em jornais para endeusar e satanizar o capitão Fábio, que continua incólume em sua trajetória política, para o desgosto de alguns e regozijo de outros. Entretanto, ficou uma lição: não menosprezar a inteligência dos adversários, por menor que sejam pelas mínimas condições que apresentem. Em política, a conversa é uma arte que deve ser cultivada, os acordos devem ser propostos e, se aceitos, cumpridos.
A inteligência de ACM, mais uma vez, foi posta à prova e ele continuou a demonstrar que na arte de fazer política experiência ainda faz muita diferença. Nada como uma vitória para se comemorar ou uma derrota para ser meditada.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 23-06-2004



