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E tudo continua como dantes

Walmir Rosário*

Apesar da tempestade de notícias diárias que aproxima a política da polícia, o Brasil retorna a normalidade após um breve período de festejos juninos, mais forte no Nordeste do que no restante do país. Por essa parte do Brasil, todas as quadrilhas já foram desmontadas, embora o mesmo não poderemos afirmar em relação à capital federal. Faz parte da cultura.

As instituições funcionam – é verdade que não tão bem as de ordem política – e nossa economia dá, mais uma vez, a demonstração que está cada vez mais vigorosa, haja vista os números que vêm sendo apresentados. Como sempre, o setor privado continua a mil maravilhas, embora não se possa dizer o mesmo em relação ao setor público. É uma mazela que persiste.

Se antes nos acostumamos a presenciar as crises “fabricadas” às quintas-feiras em Brasília, agora estamos mergulhadas nela de forma permanente, mas pouco caso fazemos. A expectativa do fim de semana em relação às mazelas que poderiam vir na segunda-feira é coisa do passado. Vivemos hoje no fio da navalha. E pouco ou quase nada ligamos para isso.

Não fosse a Operação Lava Jato, a crise política não seria considerada apenas um desequilíbrio na conjuntura socioeconômica e uma da fases problemáticas de nosso país. Para uns, nem mesmo preocupação causava, pois já estava arraigada nos costumes, como uma cultura do Estado sentida pelo segmento privado. Mas do que uma cultura, um atavismo.

Mas eis que vivemos hoje num mundo diferente, moderno, em que as novas tecnologias nos são apresentadas a cada semana, sem nos causar qualquer surpresa. As redes sociais “andam” a mais de mil por hora, superando a barreira do som, com notícias para todos os gostos, embora seja necessário separar o joio do trigo. Nem sempre tudo que é bom é verdadeiro.

Nunca antes na história desse Brasil varonil nos indignamos tanto e a toda a hora com as denúncias que nos chegam, mas que aprendemos a tolerá-la da forma mais cândida possível. Após as explosões de praxe, relaxamos e chegamos à conclusão que sempre foi assim, mesmo vendo que cada vez mais colarinhos brancos são presos e condenados. São os sinais de mudança dos tempos.

Sempre nos acostumamos a saber que – a grosso modo – uma das diferenças entre a direita e a esquerda vai além das questões básicas que os unem, como o pensamento. Entre os capitalistas, a defesa do capital os reúne de pronto, enquanto outras divergência serão discutidas; já na esquerda, qualquer discordância, por menor que seja, é o caos. Esta talvez seja o ponto básico do comportamento econômico brasileiro.

Os políticos – seja de que ideologia professem – que resolvam seus problemas pendentes com as instituições cabíveis, como Polícia, Ministério Público e Justiça. Os empresários que cuidem da economia, nos moldes permitidos pela legislação e pela ordem mundial, no sentido de gerar divisas e proporcionar o desenvolvimento. Desde os tempos mais remotos, essa tem sido a ordem.

Um dos motivos principais dos nossos problemas econômicos tem sido a má gestão ou a falta de gestão dos recursos públicos, tomados a força dos contribuintes, sem qualquer preocupação. A meta é sempre ter mais dinheiro para gastar e de forma desordenada como vivenciamos nos últimos 517 anos, com nossa concordância. Com a pólvora alheia o tiro é mais forte.

A preocupação primordial é o pagamento do juros aos bancos, o rico bem-estar dos políticos, as benesses aos amigos empreendedores com os recursos do tesouro federal. Já os recursos para implantar a infraestrutura necessária para a produção de riquezas estão cada vez mais escassos; os benefícios sociais são dispendiosos e dependem do aumento de impostos. O planejamento se resume à gastança.

Mas já nos acostumamos com isso tudo e chegamos a acreditar que os desvios de finalidade dos recursos público fazem parte da vida pública e chega a ser uma das prerrogativas dos políticos. Como na nossa legislação o Estado não pode declarar falência, sempre há alguém com um pires na mão em busca de recursos para tapar os rombos. Vale a pena ser perdulário.

Não sei o motivo de me preocupar com essas coisas, pois aprendi que desde o descobrimento do Brasil o fidalgo Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, já pedia ao rei Dom Manoel sinecuras para seus parentes. E desta forma se fez o Brasil por todos esses séculos em que sempre valeu a pena ser “amigo do rei”.

Talvez seja eu um inconformado. É, devo ser!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

“Império” da impunidade alimenta a violência

A forma pusilâmine das autoridades em relação à impunidade tem relação direta com as ondas de violência que acometem o Brasil. Se não há punição uma parcela de marginais atuam dentro de movimentos sem qualquer receio da reação legal das instituições.

Essa leniência é vista constantemente pelos bandidos na arregimentação de menores para suas quadrilhas. Os quebras-quebras nos protestos são feitos por pessoas que pouco ou nada tenham a ver com o movimento, mas continuam impunes, ou, pelo menos, sem sofrer uma ação coibitiva da polícia.

Quem coloca uma máscara para participar de um protesto pacífico é, decerto, porque tem algo a esconder da sociedade. Quem oculta seu rosto com máscara deveria, no mínimo, passar por uma revista da polícia. E não me venham dizer que se escondem do jato do spray de pimenta.

O Oriente Médio – ou o velho oeste – é aqui

Walmir Rosário

A violência não tem dado trégua à sociedade. Se na zona urbana a insegurança recrudesce a cada dia, na zona rural não tem sido diferente. Morar longe do movimento da cidade, especialmente num sítio com paisagem bucólica já não é a opção para milhares de pessoas residentes nas grandes capitais, a exemplo do Rio de Janeiro e São Paulo.

O que parecia uma excentricidade tornou-se uma temeridade, haja vista a falta de segurança dos arredores da cidade, onde o Estado não dispõe de qualquer representante. Hoje, os sítios e grandes fazendas, principalmente as que os proprietários ali residem, são o alvo preferido pelos ladrões. Além dos prejuízos materiais, ainda há o risco moral, pois todas as atrocidades são praticadas contra as famílias.

Nas grandes fazendas os riscos de assaltos são ainda maiores, por armazenarem, durante certo período, o produto da colheita, despertando a atenção dos marginais. Na região conhecida como a “Califórnia Brasileira”, que compreende vários municípios paulistas como Araraquara, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, entre outros, bem como no Oeste do Paraná, nem mesmo a vigilância privada atemorizou os bandidos, que agem abertamente.

Hoje, assaltam-se as fazendas de pecuária, matando o gado no pasto, ou simplesmente embarcando os animais em caminhões gaiolas com a maior tranqüilidade. E, que é pior, essa carne de origem ilícita é vendida nos açougues sem a menor cerimônia, tudo às barbas da Polícia e dos serviços de vigilância sanitária.

No Sul da Bahia, as fazendas de cacau são um verdadeiro “paraíso” para os assaltantes. Os furtos começam nas roças, feitos à calada da noite, praticados pelos considerados “ladrões menores”. É muito comum ver-se, na periferia das cidades, amêndoas de cacau secando nos passeios e até mesmo no meio das ruas. Essas amêndoas, depois, são vendidas aos compradores de cacau, que não exigem qualquer comprovante de sua procedência.

Já as quadrilhas estruturadas não querem ter trabalho com as operações de colheita e secagem e partem para o assalto do cacau seco, ainda nas barcaças ou nos armazéns das fazendas à espera de transporte para a cidade. Fortemente armados, à noite, surpreendem administrador e trabalhadores e, após todo o tipo de violência física e moral, levam o cacau.

Algumas quadrilhas, velhas conhecidas da Polícia, costumam ameaçar de que prestar queixa à Polícia é perda de tempo, ou melhor, uma atitude dessa poderá causar sérios dissabores para o denunciante. Também têm o desplante de avisar ao administrador que voltará em dia e hora determinado. Em alguns casos, voltam logo depois e se desculpam de não ter cumprido o prometido no dia certo, devido a qualquer contratempo que tiveram, como já aconteceu em diversas fazendas.

Setores da Polícia, sempre dispostos a fazer e acontecer com delinquentes “pés-de-chinelo” e cidadãos comuns, não se aventuram a “caçar” esses marginais, ou simplesmente se desinteressam de prendê-los. A história nos mostra que, por diversas vezes, marginais foram presos, mas os prejudicados se acovardaram – ou se recataram, como preferem alguns – e sequer apareceram na delegacia para reconhecê-los. À Polícia não restou alternativa e teve que soltá-los.

Esses fatos, contudo, não legitima o crime e o criminoso, haja vista possuir a Polícia setores de inteligência, responsáveis pela investigação e apreensão dos que agiram fora-da-lei. Recentemente, em Buerarema, conhecido abrigo de quadrilhas especializadas em assaltos a fazendas, a ação da Polícia local vem, sistematicamente, conseguindo desbaratar esses grupos, tirando-os de circulação, seja temporária ou definitiva.

Em momento algum defendemos a pena de morte (fora de nossa cultura), mas sim a ação enérgica e eficaz. Chegamos ao desplante de sermos ameaçados de morte – inclusive a Polícia – pelos bandidos. Agiu com bom rigor o delegado Carlos Nascimento quando alertou: “Bandido será tratado como bandido”. E a delegada Marília Pereira entendeu a mensagem.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em abril de 2004

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