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A sensibilidade dos políticos em Brasília

Walmir Rosário

Como se não bastasse o inferno astral que vive, o presidente Michel Temer está sendo acusado – a palavra correta seria criticado – por alguns por retaliação contra seus novos inimigos. Isso por conta das publicações do Diário Oficial da União, com a exoneração de muitos apaniguados de deputados e senadores, hoje desafetos do ocupantes do Palácio do Planalto.

A cobrada insensibilidade do presidente Michel Temer tem por motivação aquela máxima política: “Aos amigos, as benesses do poder, ao inimigos os rigores da lei”. Cargos de indicação política de livre escolha do presidente da República, esses senhores, passaram a trabalhar contra o governo a que deve obediência, por ordem de seus padrinhos.

Não é bem assim que a banda toca nesse nosso Brasil, que dispõe de uma enormidade de cargos para serem distribuídos entre os amigos do poder, enquanto são amigos. Ao ser escolhido para determinado cargo, vale mais a indicação do que sua formação e a competência para exercer o munus publicum. Vale quem o indicou.

A degeneração da essência da Administração Pública é coisa do passado, com todas as honras e pompas da Monarquia, daí a definição de “amigos do rei”, que perdura até hoje. Uma excrecência que continuou após a Proclamação da República, forma de governo que abomina todas essas, por ser governo do povo e para o povo.

Enquanto em países do chamado primeiro mundo a mudança de um governo federal movimenta apenas uma ou duas dezenas de ocupantes de cargos públicos considerados relevantes, no Brasil passa e muito dos 30 mil. Se colocarmos esse contingente em cada um dos estados e dos municípios…é bom nem pensar…Nos sentiremos mais ultrajados.

Nos sentindo indignados com o funcionamento e ocupação dos cargos públicos, principalmente os chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior), que compensam regiamente com polpudas remunerações os escolhidos. Mas não é tudo, pois nos estados e municípios esses cargos contemplam da direção às ocupações mais simples, coisa de até salário mínimo.

Todos os candidatos (ou a maioria) têm em seus programas de governo a moralização dessas benesses, promessa logo esquecida quando chegam ao poder. Sentados nos tronos, chegam à realidade de que não podem deixar de fora os colaboradores de suas campanhas e novo amigos, feitos logo após empossados. Como diz o ditado: “onde come um, comem dez”.

Pelo vimos até agora, nossos governantes não podem ser censurados pela insensibilidade e sim pela generosidade no tratamento dos amigos, desde que haja reciprocidade. Cada um de acordo o grau de benefício, que vai desde o voto no parlamento, ao favorecimento em determinadas questões, ou ao tamanho da mala que possa carregar.

Não me cabe aqui (e nem sei) determinar qual a ordem de importância que cada um representa, só sei que que existem os “mais chegados” e que para eles não se mede distância ou obstáculo para favorecê-los. Que o diga o ex-deputado federal, ex-assessor e amigo do peito Rocha Loures, que hoje ostenta em uma das pernas uma salvadora tornozeleira eletrônica que o livrou da hospedagem da Papuda.

Sei que existem graus de utilidade dos beneficiários a depender da necessidade do momento, como o livramento de um amigo das garras da justiça de primeiro grau. Que o diga o ex-presidente Lula, um quase ministro não fosse o bisbilhotamento telefônico feito pelos próceres da chamada “república de Curitiba”, que não deixou tomá-lo posse.

Melhor sorte tiveram outros amigos, como o Moreira Franco, salvo pelo gongo e que continua servindo ao presidente Michel Temer, para o bem do Brasil, bem como outros investigados com passe livre no Palácio do Planalto. É uma dureza exercer o poder no Brasil, ainda mais quando criticado injustamente de insensibilidade pelos ex e futuros amigos.

Tenham dó!

Radialista, jornalista e advogado

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

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