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Meu rio Cachoeira de antigamente

Walmir Rosário*

Confesso que sou um pouco saudosista, mas quem há de resistir àquelas boas lembranças dos tempos de criança e adolescente? Poucos insensíveis, diria eu, recordando a belezas e a funcionalidade do rio Cachoeira dos anos 1950/60. A beleza plástica está quase toda registrada nas telas dos nossos artistas plásticos, com suas pedras à mostra, às vezes nem tanto, pois também serviam de “coarador” para as centenas de lavadeiras de ganho, ou de casa, que utilizavam as abundantes águas.

Labutavam, ainda, nas águas do velho Cachoeira pescadores – alguns especializados – de pitus, calambaus e camarões; peixes das mais variadas espécies, em sua maioria nobre, a exemplo de robalos, jundiás, tucunarés; os areeiros, que retiravam a areia para as construções com suas canoas e transportadas nos jegues; tipo de transporte também utilizados para levar água (de gasto) às residências que não dispunham de água encanada, artigo (melhor, serviço) raro à época.

Com poucos esgotos in natura (tratamento também não existia) despejando no nosso rio, era o local da higiene corporal de muitos moradores, alguns que se exibiam com saltos e braçadas durante a natação num simples banho. As águas límpidas – embora salobra – era um convite, inclusive durante à noite quando alguns se aventuravam a mergulhar e nadar sorrateiramente para furtar os peixes capturados nas grozeiras e outras armadilhas colocadas em frentes às residências.

Os donos sabiam quem eram os larápios, mas nada de chegar às vias de fato, bastava uma simples censura, como geralmente assim fazia Pepê, hoje o advogado Pedro Carlos Nunes de Almeida, que tinha suas armadilhas alí na rua da Jaqueira, hoje avenida Fernando Cordier. Nos tempos atuais, mesmo com os parcos recursos, poucos se aventurariam a entrar nas águas superpoluidas do nosso velho rio, ainda mais com peixes suscetíveis a todos os tipos de doenças.

Sem medo de errar ou ser interpretado como politicamente incorreto, até as enchentes do rio Cachoeira eram de encher os olhos e correr o mundo com as notícias da invasão das águas na pujante Itabuna. E olhe que naquela época não existia internet ou redes sociais, ganhava o mundo através dos jornais, telégrafo e dos microfones das rádios Clube, Difusora e Jornal, já que os serviços de altofalante Tabu (bairro Conceição) e a Voz da Cidade não tinham longo alcance.

Passada a refrega, o comércio contabilizava seu prejuízo, refazia seus planos e tudo voltava à normalidade. A economia cacaueira dava o seu ar da graça e todos voltavam a ser o grapiúna de sempre, rico mesmo sem ter dinheiro no bolso, mas com muito crédito na praça. Nenhuma cidade do porte de Itabuna possuía o número de agências bancárias numa mesma avenida, a Cinquentenário, e todas funcionando, emprestando dinheiro e recebendo aplicações da venda do cacau.

Voltando ao comércio, a Cinquentenário e adjacentes se impunham com a galhardia de seus luminosos, confeccionados em gás neon, apagando e acendendo em intervalos diferentes, como só se viam nas grandes metrópoles pelo mundo afora. E os visitantes ficavam de “queixo caído” com nossa beleza feérica, tanto assim que muitos anos depois um conhecido biólogo da capital fluminense (à época Niterói), José Zambrotti, enchia os pulmões para nominar Itabuna como a Broadway brasileira.

Nem parecia que meses atrás tinha sofrido a grande catástrofe e, assim como no comércio, indústria e serviços maiores, a vida do rio voltava ao normal, com todos utilizando o que as águas produziam e permitam que fosse retirado para o bem do homem. Até as pontes voltavam ao normal. Me refiro às pontes do Tororó (conhecida como dos Velhacos), estreita, baixa e somente para pedestres, e a do Marabá, cujo nome, Miguel Calmon, ainda é desconhecido da maioria da população, que eram interditadas.

Hoje maltratado, o rio Cachoeira ainda tenta sobreviver, mesmo contra a falta de vontade dos nossos governantes, que pela importância dos rios, já poderia merecer tratamento diferenciado, com um projeto de despoluição desde sua nascente até o chamado “mar de Ilhéus”, onde desagua. Atualmente nenhum artista plástico dedicaria parte do seu tempo para retratar seu leito tomado pelas baronesas, criadouro do mosquito da dengue, ou as águas fétidas e de cor encardida pelo caldo derramado pelos esgotos.

Mesmo assim, ainda tenho a esperança de vê-lo, se não como o de antigamente, mas um rio importante na nossa vida e na socioeconomia do itabunense, do grapiúna. Gostaria de, em cima das pontes atuais e das que serão construídas, poder apreciar o Cachoeira revitalizado na Itabuna altaneira que sempre acostumamos a ver. Espero um dia possa ter essa oportunidade, assim como todos os itabunenses – daqui e de fora – que aprenderam a amar essa terra.

Minha homenagem aos 107 anos de emancipação político-administrativa de Itabuna

* Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no site: www.costasulfm.com.br

Um ponteiro-direito que jogava por música

Walmir Rosário

Não tem que não tenha conhecido Lane, ponteiro-direito da Associação, Janízaros e Flamengo de Itabuna, nos anos 1950. Ponteiro de muitas firulas, e que gostava de fazer gols, todos comemorados com muito estilo e alegria. Marcar Lane era um suplício para os zagueiros, devido ao seu estilo brincalhão, mas que conduzia a bola com seriedade em direção ao gol.

Se tinham algumas pessoas que não gostavam de Lane eram justamente os zagueiros, o que ele considerava “jogadores de categoria inferior” – isso os dos times adversários, de sua equipe, não –, que só sabiam entrar no atacante para bater, machucar. E isso Lane detestava. Já imaginou receber uma falta e cair no campo molhado, sujar o calção? Nem pensar! Receber uma pancada na perna e baixar o meião…para ele essa era uma atitude inconcebível.

A equipe de Itabuna, com a camisa da Associação, foi campeã do Torneio Caixeral de 1957, vencendo Itapé por 3X2, gols de Juca Alfaiate, (2) e Lane (1). Em pé: (?) Vitor Baú, Sílvio Sepúlveda, Pedro Mangabeira, Lauxinho e Guaraí;agachados: Lane, Pedrinha, Juca Alfaiate, Macaquinho e Dioclécio

A equipe de Itabuna, com a camisa da Associação, foi campeã do Torneio Caixeral de 1957, vencendo Itapé por 3X2, gols de Juca Alfaiate, (2) e Lane (1). Em pé: (?) Vitor Baú, Sílvio Sepúlveda, Pedro Mangabeira, Lauxinho e Guaraí;agachados: Lane, Pedrinha, Juca Alfaiate, Macaquinho e Dioclécio

Os torcedores que tiveram a felicidade de presenciar Lane jogando uma partida são capazes de testemunhar a elegância com que entrava em campo e como saía, isso quando os zagueiros deixavam. Os roupeiros dos times por onde passou é que não gostavam muito das exigências de Lane em só receber o uniforme bem passado e engomado. Dizem, até, que ao ser contratado pelo clube, impunha ser o seu uniforme lavado e passado com todo o esmero por um conhecido profissional da pedra do Rio Cachoeira de nome João Brotinho, com fama aqui e em Itajuípe. Só assim ele entrava em campo.

Arlindo Monteiro Orrico era seu nome de batismo e certidão nascimento lavrada no cartório de Santo Antônio de Jesus, sua terra natal. Casado com dona Maria Isabel, com quem teve 12 filhos, viveu até os 83 anos, sempre esbanjando alegria por onde passava, brincando com os amigos, mesmo quando a situação lhe era adversa.

Chapista (funileiro, que conserta lataria de carros) de profissão, futebolista de primeira e músico da Euterpe Itabunense, a fama de Lane ultrapassava os limites do bairro Conceição, onde residia, e ia além das fronteiras de Itabuna. Um fim de semana sem festa e sem futebol era coisa que ele não admitia e fazia questão de não deixar passar isso em branco.

Os dias de sábado eram reservados para as festas, fosse tocando “caixa” na briosa Euterpe, onde desfilava com farda engalana, ou nas muitas orquestras e banda em que exerceu a função de baterista. Como fazia no futebol, na bateria ele não deixava por menos: atraía toda a atenção para si, realizando movimentos dignos de um malabarista.

Histórias e estórias

O músico Lane tocando "caixa" na Filarmônica Euterpe Itabunense

O músico Lane tocando “caixa” na briosa Filarmônica Euterpe Itabunense

Bater nos pratos e caixas de percussão com braços trocados era o que mais gostava. Dizem, até, que alguns músicos sem essas habilidades peculiares não gostavam de tocar junto com Lane, pois se sentiam menosprezados pela quantidade de aplausos dirigidos ao baterista. Restrições à parte, a plateia sempre vinha ao delírio nas noites mais inspiradas.

Contam os amigos mais chegados – com os quais dividia mesas nos muitos bares da cidade –, que certa feita, ao tocar numa conceituada orquestra itabunense, Lane resolveu embalar a festa. Lá pelas três horas da manhã, abandonou seu instrumento de trabalho – a bateria – e decidiu assumir o posto de crooner, imitando o astro americano Ray Charles.

Enquanto cantava, os assistentes da plateia, já devidamente embalados com o consumo de rabos-de-galo, sambas-em-Berlim, Ron Merino, cervejas e outras iguarias etílicas, começaram a jogar bolas de papel em sua direção. Com a elegância de sempre, Lane resolveu usar seus dotes futebolísticos e, com maestria, cabeceava cada bolinha de papel atirada em sua direção.

De repente, o violonista ao seu lado percebe o sangue jorrando da testa de Lane, que manchava o seu smoking. A orquestra para a música e seus colegas correm em sua direção para prestar socorro, temendo ser algum problema fatal, até descobrirem que não passava de um corte superficial. E foi o próprio Lane quem explicou:

– Eu fui cabeceando, cabeceando, até que jogaram uma taça…e aí não teve outro jeito – confessou.

Numa outra feita, Lane voltava para casa depois de mais uma noitada tocando num dos muitos clubes de Itabuna. Naquela época, dois eram os caminhos obrigatórios para se chegar ao bairro Conceição: a ponte do Tororó – por muitos também chamada de “ponte dos velhacos” – e a ponte velha, batizada de Miguel Calmon, local preferido pelos “amigos do alheio” daquela época para esperar os incautos escondidos nas guarda-vidas (recuos), um local perfeito para a tocaia.

E eis que surge Lane no início da ponte, caminhando despreocupadamente, até que, a chegar no meio, dois indivíduos surgem do guarda-vidas e anunciam o assalto.

Com o susto, Lane se desequilibrou e caiu, apoiando-se no chão para não sujar o terno de linho Branco S 120, todo engomado. Surpreso com a atitude da vítima, os dois ladrões se assustaram e disseram um pro outro:

– Vamos cair fora que o velho é capoeirista! – e saíram em debandada.

Lane não se fez de rogado, levantou, sacudiu a poeira das mãos e continuou seu caminho para chegar em casa.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 28-08-2003

Ressacas do Carnaval

Walmir Rosário

O Carnaval Antecipado de Itabuna foi um dos melhores dos últimos tempos, em termos de atrações e presença de público. Sem sombras de dúvida, podemos dizer que a cada ano fica melhor, não fosse a falta de contemplação de gêneros diferentes de músicas e espetáculos relembrando nossa cultura.

Não acredito que seja saudosismo reivindicar ao poder público que realize investimentos nesse setor, trazendo de volta nossas escolas de samba, blocos de bairros, afoxés e outras entidades carnavalescas. Não, eles não acabaram porque a população simplesmente as deixou de lado, e sim por falta de apoio, já que contam com pessoas qualificadas em marketing – em sentido lato – com sabedoria e know how suficiente para administrar essas verdadeiras megaestruturas.

Os blocos de sujos são outras entidades em via de extinção, enquanto proliferam as megaestruturas de blocos arrastados por trios elétricos e cantores e bandas famosos como Netinho Chiclete com Banana, Ivete Sangalo e outros monstros sagrados da música baiana. Aqui, entre nós, sobram nomes, mas falta condições ao povo de expressar sua verdadeira cultura.

Há, ainda, os que conseguem sobreviver, a exemplo dos Casados I…Responsáveis, que com sua  irreverência consegue arrastar multidões por onde passa, sem aplicar recursos financeiros em tecnologia e nomes famosos, investindo, apenas, em alegria. Essa tradição dos “Casados” é uma prova inequívoca de que a cultura carnavalesca pode sobreviver às novas gerações.

Mesmo não sendo adepto dos altos investimentos do poder público municipal na estrutura carnavalesca, defendo a intervenção do erário municipal para reduzir as desigualdades. Como existem foliões sem condições financeiras para brincar nos grandes blocos, nada de mais o apoio da Prefeitura, no sentido de satisfazer seus munícipes, deixando os pesados investimentos para as empresas particulares, promotoras de eventos em centenas de cidades brasileiras.

A descentralização do Carnaval, formando sítios diferentes conforme a variedade do evento, também seria outra medida bem-vinda, permitindo que cada folião frequente o local de acordo com seu gosto. Até os anos 80 isso era uma prática adotada em Itabuna, sendo as avenidas Fernando Cordier e Firmino Alves destinadas aos desfiles de blocos e escolas de samba, enquanto a avenida do Cinquentenário e a praça Adami aos blocos menores e trios elétricos, ficando o calçadão da Ruy Barbosa para a sonorização mecânica.

Hoje, ao contrário, o folião somente dispõe das avenidas Mário Padre e Aziz Maron, onde são concentrados todos os eventos. Este ano, apesar de todo o brilhantismo e a riqueza dos eventos, os foliões também foram obrigados a conviver com o mau cheiro vindo do rio Cachoeira, onde deságuam todos os esgotos de Itabuna e fedentina da própria avenida.

É inconcebível que o alto volume de investimento feito na promoção de uma festa dessa proporção não tenha os mesmo cuidados quando se fala em limpeza pública. Além do mau cheiro deixado pela urina, era insuportável a fedentina deixada pela falta de uma limpeza bem feita, dando a impressão de que os foliões estariam num chiqueiro e não numa das mais bonitas avenidas de Itabuna.

Vai aí uma sugestão para o nosso prefeito: ao invés de sair do interior de uma carro com ar-condicionado para ingressar num luxuoso camarote, faça como em anos atrás, quando ainda andava com desenvoltura junto ao povo. Ou então que tenha bons auxiliares para planejar um Carnaval bem decente.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 03-02-2004

 

Itabuna quer mais

Walmir Rosário

O prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, deu uma boa notícia à população esta semana, com a publicação do edital para licitação dos serviços da Zona Azul no centro da cidade. Não é de hoje que Itabuna necessita do disciplinamento do trânsito na Avenida do Cinquentenário e adjacências, especialmente nas áreas de estacionamento, um dos pontos em que os problemas se apresentam com maior intensidade, principalmente nas grandes cidades e nas médias também, como é o caso de Itabuna.

Com isso, Fernando Gomes vai cumprindo os compromissos assumidos com a população durante a campanha eleitoral. Já estão em andamento projetos arrojados, a exemplo da construção de um centro de convenções e de um teatro, ambos com obras iniciadas e um custo previsto de R$ 18 milhões. Essas realizações colocam Itabuna numa posição de vanguarda cultural, posto que já não ocupava há alguns anos.

O ainda candidato Fernando Gomes se penitenciou com os itabunenses por não ter dado a devida atenção à cultura e garantiu, se eleito fosse, construir, em regime prioritário, o centro de convenções, um teatro e uma biblioteca, esta no centro da cidade e em fase de projeto. Honrando essas promessas, Fernando deixa de lado o estigma de achar que “cultura é frescura”, declaração que lhe foi atribuída pelos seus adversários políticos.

Já que estamos falando de quebra de tabus, outra promessa de palanque eletrônico (horário eleitoral da televisão) feita por Fernando Gomes também gerou dúvidas e descrédito na oposição: o meio ambiente. No entanto, está sendo cumprida e começa pelo Cachoeira, rio que desperta o saudosismo dos mais velhos e campanhas empedernidas de ambientalistas festivos, os chamados “eco-bobos”, causadores de muito barulho e pouca ação.

E o velho Cachoeira, de tantos banhos, travessias, pescarias e lavadeiras, volta a ter dignidade, com o início agora do reflorestamento de suas margens em toda a sua extensão no município. Ainda é muito pouco, dizem alguns, cobertos de razão. Mas é o ponta pé inicial para a “ressurreição” do rio, que se completará com a sua despoluição, após o tratamento dos esgotos ali despejados.

Reconheço que ainda é cedo para cobrar a solução para todos os problemas de Itabuna, que vêm se arrastando ao longo dos anos, com a conivência dos governos anteriores. Mas não posso deixar de reconhecer que Itabuna é uma cidade cosmopolita e, como tal, não merece mais continuar com a aparência de um arruamento de casas, onde impera a lei do mais forte, como se no velho oeste americano estivéssemos.

Ações para melhorar a vida da cidade podem ser empreendidas sem necessariamente requerer investimentos financeiros altos, tão escassos nos municípios brasileiros. Todos sabem, inclusive o prefeito Fernando Gomes, que quanto antes essas ações sejam colocadas em prática, melhor. Caso as medidas desagradem, há bastante tempo para que novos e bons hábitos sejam assimilados pela população.

Claro que a implantação da Zona Azul não resolverá o problema do estacionamento do centro da cidade, mas irá fazer com que comerciantes e profissionais estabelecidos nos centro utilizem, no dia-a-dia, os seus veículos de forma racional. Mas isso só não irá bastar para melhorar a qualidade de vida dos itabunenses se a Prefeitura insistir em conceder licenças de construção de prédios para escritórios ou apartamentos sem garagens.

Os transtornos causados pelas construções erguidas em desconformidade com os modernos padrões urbanos causam enormes malefícios à população e aos clientes do comércio, sobretudo aqueles que se deslocam de outras cidades e não encontram sequer estacionamento. Escorraçados, vão em busca de outro local para realizar suas compras.

E os pedestres? Ah! Esses sofrem horrores ao tentar andar pelas calçadas, ocupadas pelas bancas de camelôs atulhadas de mercadorias do Paraguai. Perigo maior são os carros estacionados nas calçadas, como se elas fossem para ele construídas e não para o “passeio” de pedestres. Em alguns casos, lojas, armazéns, revendas de veículos e hotéis se apossam das calçadas para transformá-las em estacionamento de clientes.

Com a municipalização do trânsito, todos os poderes serão conferidos ao prefeito (alguns já os têm, como não permitir o estacionamento nas calçadas), tornando-o apto a coibir práticas inadequadas já incorporadas por amplas faixas da sociedade. Enquanto não são corrigidos erros de planejamento urbano já consagrados entre nós, seria de bom alvitre a prefeitura incentivar a construção de garagens coletivas, devolvendo ao cidadão o direito que lhe foi tirado de caminhar tranquilamente pelas calçadas.

Aos carros a rua, aos pedestres a calçada!

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 14-05-2005

Espumas flutuantes, a morte do Cachoeira

 

 

Na foto de Aleluia, as espumas flutuantes descritas na poesias descritas por Castro Alves não tem nada a ver com as do Rio Cachoeira, em Itabuna, causada pelo descaso e irresponsabilidades dos prefeitos que por aqui passaram

Na foto de Aleluia, do Blog Notícias Grapiúnas, as espumas flutuantes descritas na poesias descritas por Castro Alves não tem nada a ver com as do Rio Cachoeira, em Itabuna, causada pelo descaso e irresponsabilidades dos prefeitos e de dirigentes da Emasa que por aqui passaram, cobrando pelo tratamento de esgotos, enquanto jogam-os, in natura,  contribuindo para “matar” o nosso rio. Perfeitos 171, como descritos no Código Penal

 

Espumas Flutuantes

Castro Alves

Apomba d’aliança o vôo espraia
Na superfície azul do mar imenso,
Rente… rente da espuma já desmaia
Medindo a curva do horizonte extenso…
Mas um disco se avista ao longe… A praia
Rasga nitente o nevoeiro denso!…
O pouso! ó monte! ó ramo de oliveira!
Ninho amigo da pomba forasteira!…

Assim, meu pobre livro as asas larga
Neste oceano sem fim, sombrio, eterno…
O mar atira-lhe a saliva amarga,
O céu lhe atira o temporal de inverno…
O triste verga à tão pesada carga!
Quem abre ao triste um coração paterno?…
É tão bom ter por árvore—uns carinhos!
É tão bom de uns afetos — fazer ninhos!

Pobre órfão! Vagando nos espaços
Embalde às solidões mandas um grito!
Que importa? De uma cruz ao longe os braços
Vejo abrirem-se ao mísero precito…
Os túmulos dos teus dão-te regaços!
Ama-te a sombra do salgueiro aflito… Vai, pois, meu livro! e como louro agreste
Traz-me no bico um ramo de… cipreste!

Itabuna não tem o que comemorar no Dia da Água

Projeto de despoluição do rio Cachoeira de Azevedo e agrônomo da Ceplac não passa de engodo

Basta despoluir o rio Cachoeira para que as baronesas não proliferem na mesma velocidade

Neste dia 22 de março todo o mundo comemora o “Dia da Água”. Em diversas cidades, geralmente, são destacados os projetos de conservação da natureza e até obras de recuperação dos mananciais, através de reflorestamento das áreas de nascente. Assim, se preserva um dos bens mais úteis à humanidade: a água.

Em Itabuna, entretanto, ao invés de serem elaborados projetos que beneficiem a natureza, o prefeito Capitão Azevedo e um agrônomo da Ceplac apresentam a retirada de baronesas no rio Cachoeira para ser transformada em adubo como “a salvação do rio”. É apenas um ENGODO, com a finalidade de enganar a população.

O projeto, como está sendo apresentado, é um acinte ao conhecimento científico e parte de uma premissa totalmente equivocada. Ora, o rio Cachoeira está poluído porque a Empresa Municipal de Saneamento, a Emasa, despeja no rio todos os esgotos na forma “in natura”, o que causa a “morte do rio Cacheira”, com enormes prejuízos para a flora e a fauna.

Com isso, as baronesas se multiplicam – de forma geométrica – devido ao alto índice de matéria orgânica contida nos esgotos despejados. A simples retirada das baronesas e seu aproveitamento como adubo é coisa totalmente diversa e não pode ser apresentada à população sob a justificativa de despoluição. No máximo, representa uma diminuição dos focos de muriçocas e do mosquito da dengue, o Aedes aegypti.

O engodo à população chega aos níveis alarmantes que até mesmo a Ceplac chegou a emitir uma nota oficial desmentindo a informação dada pela Prefeitura de Itabuna de que o adubo teria sido analisado e recomendado pela instituição. Será que para tentar ganhar uma eleição o prefeito teria a recomendação do marketing para mentir de forma desavergonhada? Não acredito.

Bastaria uma simples consulta ao presidente da Emasa, o engenheiro Geraldo Briglia, que as formas de despoluição do rio Cachoeira seriam prontamente anunciadas, a exemplo das lagoas de estabilização. Esses importantes equipamentos foram desativados durante uma das administrações de Geraldo Simões e até agora não foram recompostos pela Emasa.

Esta, sim, seria uma medida eficiente para despoluir o velho e bom rio Cachoeira

A vida – como deveria ser

Walmir Rosário

Esse Ramiro (o Soares de Aquino) é “um cabra” porreta! Com ele não tem tempo ruim e a vida deve ser vivida de forma bem amena, cor-de-rosa, como diriam alguns, ou na valsa, chavão bem antigo, mas que ainda me lembro muito bem. Sem ter medo de incorrer num daqueles chavões, poderia comparar o companheiro Ramiro a um daqueles vinhos de qualidade: quando mais velho, melhor, como afirmaria um experiente sommelier.

Criado com todos os valores de uma família cristã, Ramiro aprendeu a ser um bom filho, um bom pai, um bom amigo, enfim, um homem generoso. Tanto é assim que ninguém se recorda de tê-lo visto reclamando da sorte, pelo contrário está sempre alegre, de bem com a vida, capaz de transformar uma situação adversa em piada de salão, com um ensinamento moral positivo, uma lição de vida.

Durante todos esses anos o “bom e velho” Ramiro, que já propôs mudanças no rádio, na TV e no jornal impresso, agora se mete em outra empreitada: exterminar as notícias ruins, banindo-as de vez dos veículos de comunicação. A única dúvida que ainda tenho é se a proposta de paz e amor será prontamente acatada pelos nossos comunicadores, acostumados a aplicar manchetes dignas de vender jornais e fidelizar os ouvintes e telespectadores no rádio e na TV.

Cá pra mim, ainda tenho as minhas dúvidas se os “coleguinhas” irão comungar com essa ideia, até porque existe uma máxima nas redações dando conta de que a notícia sempre é a que chama mais a atenção. E nossos coleguinhas citam esse exemplo: “Cachorro morder uma pessoa não é notícia. Mas uma pessoa morder um cachorro, sim, e de primeira página”.

Eu até concordo com os coleguinhas, embora adote o princípio recomendado pelos manuais de jornalismo, de que notícia é tudo aquilo que é de interesse da sociedade. Nessa premissa está implícita de que a sociedade é plural e não fica restrita às tribos e paróquias, principalmente por vivermos numa “aldeia global” com todos os requintes do conhecimento cibernético.

O que aqui falamos agora, imediatamente está no mundo graças à rapidez da rede mundial de computadores, a imprescindível internet. Aí, sim, é que acredito “morar o perigo”, dada a quantidade de pessoas que replicam a notícia sem qualquer responsabilidade. Mas, para isso existe o Código Penal Brasileiro e toda a estrutura do poder judiciário, com todas as deficiências conhecidas.

Como não sou nenhum especialista, mestre ou doutor em comunicação, gostaria apenas de ressaltar ao nosso decano da comunicação, profissional de conduta ilibada e farta bagagem literária, que o jornalismo é bastante parecido com a política: se a sociedade muda, a comunicação – nas suas diversas linguagens e expressões – a acompanha. É da natureza da vida humana.

Por outro lado, acredito que o comunicador pode e deve influir, não na publicação dos fatos, mas nas ações dos que os cometem. Sim, principalmente quando esse profissional da comunicação exerce funções de assessoramento. Mais do que influenciar tem o dever de interferir junto aos seus assessorados, para que a prática dos seus atos não mereça registro nos meios de comunicação, principalmente nos negativos.

Concordo – em gênero, número e grau – que as boas notícias devem se sobrepor às más. Gostaria de publicar o mérito do curso de medicina da Uesc alcançar o décimo lugar, mesmo tendo que ressaltar que a universidade é a maior poluidora do Salobrinho e do rio Cachoeira.

O mesmo tratamento gostaria de dar à boa nota dada à FTC no Enade, o reconhecimento especial aos antigos professores de Itabuna, inclusive com a entrega de honraria em diploma em pergaminho, sem esquecer o tratamento perverso que ela dispensa aos seus professores, especialmente na questão financeira.

Seria de bom alvitre “incensar” as boas ações e obras do prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo, para diminuir os índices de infestação da dengue na cidade, falando, tanto do óbito ocorrido em 2009, quanto do trabalho de prevenção realizado na cidade. Também não poderia deixar de cobrar a cesta básica que ele prometeu aos moradores das casas livres de infestação, não entregues até esta data.

Dá-me prazer constatar e publicar que as instituições encarregadas da segurança pública retiraram de circulação dezenas de marginais, deixando que a população possa viver em tranquilidade. Ao mesmo tempo é nosso dever dizer que, apesar de todo esse esforço, uma grande quantidade de marginais ainda continua à solta, traficando drogas, roubando e matando pais de família, em quantidade maior durante os finais de semana.

Não sei se esse papel e tinta gastos aqui dão para explicar o que pretendia dizer. De antemão, volto a tecer os maiores elogios ao “bom e velho” Ramiro, pessoa e profissional por quem nutro a mais profunda admiração. Mas deve ser o capricho do destino, pois mesmo tendo nascido no mesmo dia e mês, apesar de anos mais tarde, Deus deve ter sido bem mais generoso com o companheiro, proporcionando-lhe a capacidade de somente enxergar as coisas boas. Quanto a mim, deve ter destinado apenas a capacidade de indignação.

São as coisas da vida.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Sem os aborrecimentos do dia-a-dia

As diferenças não são muitas e até o rio que corta a cidade de Joinville é o Cachoeira

Desde o sábado (8) que estamos no Sul do país, constatando outra realidade. Em Joinville, por mais que se esforce o governo petista de Carlito Merss não consegue piorar muito a vida da cidade. Ele teima em não realizar operações tapa-buracos nas principais ruas da cidade, mas nada que se compare à buracolândia de Ilhéus e Itabuna (não chega nem perto). Mas, por aqui, a população reclama, e como.

Entretanto, deixando de lado o prefeito, a cidade de Joinville, a maior de Santa Catarina, segue sua vida normal e o cidadão pouco tem a reclamar. Por aqui, os carteiros estão trabalhando normalmente, o mesmo acontecendo com os bancários, que atendem aos clientes normalmente, com toda presteza e distinção. A indústria, a maior do estado, e o comércio operam a pleno vapor, o mesmo acontecendo com o setor de serviços.

Pouca diferença existe entre as cidades de Ilhéus e Itabuna, pois praticamente tudo que existe em Joinville também está presente aí nas maiores cidades do Sul da Bahia. A única diferença é que aqui em Joinville as coisas funcionam perfeitamente.

Comam debate saneamento em Itabuna

Assuntos inquietantes, como o destino do lixo e dos esgotos domésticos e industriais, darão o tom das discussões no Seminário “Em Debate, o Saneamento Básico”, programado para esta terça-feira (6), a partir das 19 horas, no auditório da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) de Itabuna. O evento é uma iniciativa do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam), que pretende abordar a questão do saneamento básico à luz da lei federal 11.445/07, na qual estão estabelecidas as diretrizes nacionais para o saneamento básico.

A programação do seminário inclui palestras da engenheira sanitarista ambiental Aline Matulja, que abordará o tema “Saneamento e Saúde”; do economista, professor da FTC e doutorando em Meio Ambiente pela Uesc, Anderson Alves Santos, que falará sobre a Lei 11.445; e do promotor público Yuri Melo, acerca dos “Planos do Ministério Público da Bahia para Saneamento Básico”.

A preocupação maior com a questão do lançamento de dejetos nos mananciais terá destaque no seminário, que deverá fazer uma crítica à falta de investimentos do poder público para ampliar a coleta e o tratamento dos esgotos. Em Itabuna, as estações de tratamento há muito tempo chegaram à saturação e a maior parte dos esgotos é despejada “in natura” no Rio Cachoeira.

“É preciso enfrentar a questão e esse é o objetivo deste seminário, que pretende envolver toda a sociedade no debate, não apenas em torno do abastecimento público de água, mas do problema ambiental causado pelos esgotos”, afirma o professor Antônio Fontes, presidente do Conam.

De onde viemos e para onde vamos

Itajaí Andrade*

Sou descendente de sergipanos, nasci em 1941 na casa de meus avós, na rua da Jaqueira, hoje Fernando Cordier, e ali cresci com a alegria de toda criança, brincando, correndo, pegando picula, tomando banho nas águas límpidas do meu Cachoeira. Tive a felicidade no início da minha juventude de ter uma família coesa onde todos eram por um e um por todos, onde começaram a plantar em mim palavras como dignidade e caráter, mas eu menino começando a frequentar a escola não sabia definir o que significava aquelas palavras.

Na escola, diga-se de passagem, pública, tive oportunidade e a felicidade de conhecer professores como Enedida Ribeiro, Ondina Veloso, Valdete Souza, Carmem Santana, Lourdes Fontes, Everton Chalupp, e então comecei a entender o significado das palavras dignidade e caráter, acompanhando e vendo o crescimento de minha Itabuna, com o seu comércio pujante, casas comerciais a exemplo de José Oduque Teixeira, Nicodemos Barreto, Gerson Chicorel, Otávio Mendonça Filho, José Franco Sobrinho, João de Mello Messias, Júlio Sergipano; lojas como a Gaúcha, Casas Pernambucanas, A Elegante, Cônsul, etc,.

A sociedade itabunense, que formada de sergipanos, libaneses e árabes, crescia com austeridade e respeito e em ritmo avassalador onde todos queriam o melhor para nossa cidade. Vi muitas disputas políticas e vi também a alternância de prefeitos mas depois de empossado, o objetivo de todos era um só: o crescimento de Itabuna.

A sociedade daquela época não era omissa, era uma sociedade presente qu consegui construir o Hospital Santa Cruz (hoje Calixto Midlej Filho), o Abrigo São Francisco de Assis, Colégio Divina Providência, Colégio Ação Fraternal, Associação Comercial de Itabuna, a Filarmônica, a Matriz de São José (hoje Catedral).

A vaidade dos itabunenses era incontida, pois todos queriam mais para a nossa cidade. Foram criados os clubes de serviço Rotary, Lions, Maçonaria, tudo isso com dignidade e caráter.

Pergunto à sociedade: de onde viemos e para onde vamos?

* Itabunense, sem pretensões políticas.

emasa amplia captação de água

As novas bombas ampliam a capacidade de captação

A instalação de cinco bombas – duas na captação do rio Cachoeira em Ferradas e outras três unidades de 300 cavalos, que vão jogar 350 litros de água bruta por segundo para a Estação de Tratamento do São Lourenço -, vão permitir ampliar o abastecimento de 600 para 900 litros por segundo.

O conjunto de bombas teve um custo de R$ 1,2 milhão, mas o valor total investido nas obras foi o de R$ 35 milhões, dos quais 10% através de recursos do município, com a implantação de 13 quilômetros de adutora entre Ferradas e Itabuna, com uma rede de 600 milímetros em ferro fundido e na ampliação da ETA do São Lourenço.

O novo sistema vai permitir atender à demanda do crescimento de Itabuna, uma cidade polo da região, aumentando a regularidade e a frequência na oferta de água nos diversos bairros da cidade. Com os equipamentos serão reduzidas, significativamente, as 157 manobras diárias e a operação de 370 registros, um trabalho que mobiliza uma equipe de sete profissinais. As mudanças serão implementadas após uma série de estudos e testes de pressão realizados nos próximos três meses.

parceria pretende recuperar o rio cachoeira

FTC e Lions Club juntos na recuperação do rio

A convite do Lions Clube de Itabuna/Centro, a FTC estará integrando o comitê de formulação do Protocolo em Defesa da Recuperação da Qualidade Socioambiental do Rio Cachoeira. As diretrizes serão construídas com a participação de órgãos das três esferas de governo, empresas do setor produtivo e entidades da sociedade civil organizada.

“Juntos Pela Recuperação do Rio Cachoeira” é o slogan do movimento iniciado pelo Lions na última quarta-feira (24). O objetivo é o de minimizar a degradação ambiental que atinge o principal curso d’água que banha a cidade de Itabuna e parte do município de Ilhéus. A participação da FTC no projeto estará sob a responsabilidade dos estudantes de Engenharia Ambiental.

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