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Campeonato Baiano de Kettlebell reunirá número recorde de atletas

O esporte cresce no estado, que em setembro recebe etapa de GP mundial

Por: Liliane Pólvora

Cartaz Baiano 1-640x640-640x640-400x400Em 5 de agosto Salvador reunirá os melhores atletas de kettlebell sport do estado no campeonato baiano dessa modalidade. A competição terá início a partir das 10 horas, no Clube da Adelba, onde treina a L3 training, equipe com maior número de atletas do estado.

O campeonato baiano é uma chance de preparação maior para os atletas que irão competir na etapa Brasil do GP mundial da Associação Mundial de Kettlebell Sport (WAKSC), que acontece pela primeira vez na Bahia, em Salvador, no dia 8 de setembro”, informa João Rosário, organizador do GP e pioneiro no treinamento e realização de competições de Kettlebell no Brasil.

Quer competir? Então se apresse. As inscrições dos atletas se encerram no dia 21 de julho. Confira no site www.brutalsc.com todas as informações sobre a inscrição (formulário) e regras do campeonato.

Kettlebell Sport na Bahia

Equipe feminina de kettlebell sport da L3 training

Equipe feminina de kettlebell sport da L3 training

O campeonato baiano será a quarta competição realizada em Salvador e a quinta no estado. “A última foi realizada em março, em Canavieiras, no 1º Torneio de Kettlebell Sport do interior; outras três aconteceram em Salvador, sendo uma em 2015 e outras duas em 2016”, explica Rosário. A expectativa para ele é de o campeonato bata recorde de competidores, uma vez que só a equipe L3, liderada pelo treinador Fábio Leal, conta atualmente com time de 35 atletas de kettlebell.

Antes do campeonato baiano, João Rosário representará o estado e o Brasil no 1º Campeonato Latino Americano da WAKSC, que será realizado no dia 28 de julho, no Chile. “Será uma grande oportunidade de convidar atletas de toda a América Latina para o GP Brasil, além de ir em busca de mais uma medalha para a Bahia”, explica.

De acordo com ele, Salvador concentra os atletas mais experientes do estado no esporte e com boa colocação no ranking nacional. No último ano, o treinamento intensivo e aprimoramento da técnica renderam a sete atletas de duas equipes da capital baiana dez medalhas de ouro no GP mundial da WAKSC em Curitiba, primeira competição em nível internacional realizada no país.

Um dos grandes destaques no Grand Prix em 2016 foi Fátima Regina, 56 anos, da equipe da L3 training, de Salvador, e suas duas filhas, Gabriela e Lara Guimarães. Fátima começou a treinar para emagrecimento, virou atleta de Kettlebell Sport e apresentou o esporte para as filhas. Juntas, elas conquistaram no GP seis medalhas de ouro, duas para cada uma. O último recorde registrado por Fátima foi de 232 repetições na prova snatch, com kettlebell de 8 kg em 10 minutos, no torneio em Canavieiras, em março.

Mas o que é esse esporte?

O Kettlebell Sport utiliza uma técnica de levantamento de peso que exige força e habilidade com o kettlebell, uma bola de ferro com alça que pode pesar 24 quilos na categoria feminina e 32 kg masculina em campeonatos profissionais. O esporte consiste em quatro provas – jerk, snatch, long cycle e o biathlon, disputadas em 10 minutos em campeonatos oficiais, aliando força, técnica e resistência. O vencedor é o atleta que conseguir executar mais repetições, validadas tecnicamente pelo árbitro, no tempo da prova.

Nos últimos dois anos o esporte cresceu no Brasil e desde 2014, quando os primeiros campeonatos foram organizados, o nível técnico e a performance dos atletas aumentaram. Em 2016, o Brasil sediou pela primeira vez uma etapa do GP mundial da WAKSC em Curitiba, que contou com 47 atletas de 8 estados brasileiros. “Em setembro o GP Brasil 2017 da World Association of kettlebell Sport Club —WAKSC será em Salvador, e terá pela primeira vez a presença do russo Sergey Rachinskiy, com 12 títulos mundiais no esporte e detentor de sete recordes no Guiness Book em levantamento de peso”, destaca João Rosário.

O Campeonato Baiano de Kettlebell Sport 2017 é uma realização da L3 training e Brutal Strength and Conditioning, com patrocínio da Rhanc Clube Fitness, Cross Rhanc e Burpees Comfort Fitness. A competição será no Clube da Adelba, na Rua Tamburugy 2079, em Piatã, Salvador-BA. As inscrições se encerram no dia 21 de julho sendo R$ 45,00 para uma prova e R$ 60,00 para duas. O campeonato é aberto ao público. Mais informações no whatsapp (73) 99827-9091, com João Rosário.

João Rosário participa de campeonato de kettlebell em Salvador

João Rosário

João Rosário

O coach da Brutal Strength and Conditioning, João Rosário, participa neste sábado (3) do Campeonato L3 de Kettlebell Lifting, no Clube Costa Verde em Salvador. Além de acompanhar a prova da atleta Priscila Beck, ele vai disputar a prova Long Cycle com dois kettlebells de 20 kg.

No dia 17 de setembro Rosário retorna à Salvador para ministrar curso de Kettlebell Sport para professores de educação física, atletas e praticantes. E em 23 de setembro será a vez do sul da Bahia participar da palestra de João Rosário em Canavieiras, onde ele compartilhará sua experiência com professores de educação física e comunidade no auditório Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães.

No dia seguinte (24) ele ministrará o módulo 1 da certificação profissional em Kettlebell Training na academia Master, também em Canavieiras. E ainda no Sul da Bahia, ministra curso em Itabuna no mês de outubro. Referência no Brasil em kettlebell e coach de atletas de destaque no kettlebell sport e MMA, Rosário viaja pelo Brasil ministrando cursos de formação, workshops, além do envio semanal de planilhas de treino para alunos e atletas de outros estados.

Em novembro, ele ministra cursos no eixo sudeste-sul, nas cidades de São Caetano do Sul-SP e em dezembro em Joinville-SC. Fechando o ano em Curitiba, onde fará parte da organização do Word Kettlebell Grand Prix Series no dia 9 de dezembro e da Certificação Internacional em Kettlebell Sport nos dias 10 e 11 com o hexacampeão mundial Denis Vasilev. Mais informações: @wkgpsbrasil

O esporte – Levantar uma bola de ferro (kettlebell) na maior quantidade de vezes possível em um período de tempo determinado. Esse é objetivo do kettlebell sport, modalidade que tem um baiano como referência no Brasil na formação de professores e treinamento de atletas premiados.

Com várias certificações internacionais em kettlebell, o educador físico João Rosário é ex- presidente da Federação Brasileira de Kettlebell Lifting (FBKL) e está à frente da organização do 1º GP mundial de Kettlebell no Brasil, o World Kettlebell Grand Prix Series, que será realizado no dia 9 de dezembro, em Curitiba, e planeja levar atletas que treina de outros estados e também da Bahia para a competição.

Mas, até o final do ano a agenda do educador físico já está reservada para campeonatos e cursos de kettlebell sport na Bahia e no eixo Sudeste-Sul do Brasil, voltados para a formação de professores de educação física, atletas e praticantes do esporte.

Mais informações sobre o curso de sábado (17): (71) 9270-5945.

Mais informações sobre agenda de cursos podem ser obtidas pelo email joaorosariobrutal@gmail.com ou telefone (73) 99827-9091 (Whatsapp)

Salvador sedia qualificatória de Kettlebell Sport

Qualificatória em São Paulo

Qualificatória em São Paulo

No próximo dia 15 de agosto será realizada no estúdio Movimento Funcional, no Shopping Costa Azul, em Salvador (Ba), a qualificatória etapa Bahia de kettlebell Sport da Federação Brasileira de Kettlebell Lifting (F.B.K.L). No evento, os atletas baianos receberão orientação de técnica e ajuste estratégico e terão a oportunidade de competir e testarem sua evolução no esporte antes do Campeonato Brasileiro da modalidade.

A competição será realizada coordenado pela professora de Educação Física Priscila Beck, e contará ainda com a presença do presidente da Federação Brasileira de Kettlebell, João Rosário, que será árbitro das provas. Rosário também é técnico de atletas já premiadas no esporte e campeãs latino-americanas e americanas na prova Long Cycle em 2014.

O esporte, que surgiu originalmente na Rússia, consiste em movimentar o kettlebell com uma técnica e tempo específico, vem conquistando adeptos no Brasil, que já conta com calendário de competições e ranking dos atletas. Um exemplo da eficiência do esporte é a atleta Priscila Beck. Após romper os ligamentos do joelho e ter uma recuperação muito rápida utilizando exercícios com o kettlebell, Priscila  que já inseria a ferramenta nos treinos de seus alunos  decidiu competir tornando-se atleta de kettlebell e é uma grande promotora desse esporte.

Priscila, com João Rosário, na sua estreia

Priscila, com João Rosário, na sua estreia

A qualificatória terá quatro provas divididas por peso corporal e do kettlebell, idade e sexo: Snatch (5 e 10 min), Long Cycle (5 e 10 min) e Biathlon (junção do jerk + snatch), 10 min. Em 25 de julho foi realizado a qualificatória etapa São Paulo no Espaço Funcional Mônica Pimenta em São Paulo, e Priscila Beck representou a Bahia competindo nas provas Snatch e Long Cycle, destacando-se no Snatch. Segundo João Rosário, foi a primeira vez em competições no Brasil que um atleta completou a prova snatch 10 minutos e ela executou 183 repetições, adquirindo experiência para a competição na Bahia.

F.B.K.L – A Federação Brasileira de Kettebell Sport fundada em fevereiro de 2014, em São Paulo, tem o objetivo de divulgar o kettelbell ou girevoy esporte e organizar campeonatos no país, bem como apoiar os times e atletas além de promover treinamentos e certificações. Em 19 de setembro realiza o 2º Campeonato Brasileiro da modalidade no país na Crossfit Brasil, em São Paulo e esse ano decidiu realizar qualificatória antes para preparar os atletas para a competição.

João Rosário informa que já esteve em Salvador ministrando cursos e tem grande expectativa de ver surgir um talento no kettlebell sport nessa qualificatória. Em 25 de julho foi realizado a qualificatória etapa São Paulo no Espaço Funcional Mônica Pimenta em São Paulo e marcas importantes foram alcançadas. Em campeonatos profissionais da modalidade os homens utilizam 2 kettlebells de 32 kg no Long Cycle e, apesar de ser um esporte novo no Brasil, pela primeira vez o atleta Eduardo Scavone competiu com 28 kg no Long Cycle 5 min atingindo 40 repetições. Teve ainda recorde americano batido no Long Cycle 10 min feminino com kettlebell de 16 kg. A atleta catarinense Nicole Zaniz completou 113 repetições na prova, 1 repetição a mais do que Flávia Karolina, sua colega de treino, que em 2014 foi campeã nessa prova no campeonato American Kettlebell Alliance, em Nova Iorque.

Segundo João Rosário, o objetivo da F.B.K.L para esse ano é organizar mais campeonatos para fortalecer o esporte e promover competições menores também antes da principal, o 2º Campeonato Brasileiro de Kettlebell, em setembro. Ele explica que a Federação Brasileira de Kettebell Lifting é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo a promoção do Kettlebell Sport no Brasil através da organização de competições e capacitação específica (seminários e certificações) com profissionais qualificados e expoentes do kettlebell sport mundial.

Nesse sentido, vem promovendo cursos específicos e nos dias 5 e 6 de dezembro realiza a 1ª Certificação em Kettlebell Sport com o campeão mundial de kettlebell Denis Vasilev, em São Paulo. “Buscamos a qualificação constante promovendo cursos e certificações com os melhores atletas e treinadores da modalidade para aumentar o nível técnico dos atletas e treinadores do país.”

Em maio a Federação Brasileira trouxe ao Brasil pela primeira vez o atleta russo Denis Vasilev, pentacampeão mundial e sete vezes campeão russo e europeu de kettlebell na modalidade long cycle, para ministrar 2 dias do seminário Kettlebell Sport Skills. “O seminário com o Denis deu uma importante contribuição para a melhora do nível técnico e das estratégias de treino dos atletas. Ele deixou claro sua disponibilidade em retornar ao Brasil para cursos futuros e para auxiliar no desenvolvimento desse esporte no país. Um apoio de peso”, analisa João Rosário. Ele enfatiza ainda a importância do apoio de patrocinadores ao esporte na promoção de campeonatos no país e no custeio de despesas de viagens dos atletas desse esporte, que já se destacam em campeonatos internacionais.

O que: Qualificatória do Campeonato Brasileiro Kettlebell Sport– Etapa Bahia

Quando: 15 de agosto (Início às 8h30min)

Onde: Movimento Funcional Studio – Avenida Artur Azevedo de Machado, Shopping Costa Azul – Salvador – Bahia

Inscrições e informações: (71) 9270-5945 / www.fbkl.com

Festival Boca de Brasa leva artistas da periferia para palco do TCA

Desde 1986 o projeto Boca de Brasa vem descobrindo e revelando novos talentos escondidos pelos bairros de Salvador. Após um hiato de 10 anos, o projeto voltou com força total em 2013 e, de lá para cá, mais de 500 artistas residentes em bairros periféricos da cidade puderam participar de oficinas organizadas pela Fundação Gregório de Matos. Para encerrar o ciclo e celebrar o sucesso do retorno do projeto, no dia 13 de maio, às 20h,  acontecerá o Festival Boca de Brasa, onde os destaques de 2013 e 2014 vão poder apresentar seus trabalhos no palco da Sala Principal do Teatro Castro Alves.

Cerca de 30 grupos artísticos de bairros como Uruguai, Plataforma, Lobato, Pernambués, Pau da Lima, Cajazeiras, Liberdade, Nordeste de Amaralina, Itapuã, Boca do Rio, Engenho Velho de Brotas, Ribeira, vão subir pela primeira vez no palco do TCA para apresentar números musicais, de dança, teatro e performances. O projeto Boca de Brasa é uma iniciativa da Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos (FGM), órgão vinculado a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, e visa a fomentar a cultura na periferia da cidade, com foco no resgate da cidadania, através do incentivo ao desenvolvimento das diversas manifestações artísticas nos bairros.

Para abrilhantar ainda mais a noite, a cantora Margareth Menezes fará uma participação especial com o cantor Saulo Fernandes. O Festival contará com a direção artística de Zeca de Abreu, direção musical de Luciano Bahia, coreografia Rita Brandi, roteiro de Caica Alves, e figurino assinado por João Perene.

Histórico 

Criado em 1986 pela FGM, quando era liderada por Roberto Dias, o projeto Boca de Brasa contava com uma estrutura composta por quatro carretas-palanques, projetadas pela arquiteta paranaense Consuelo Cornelsen, e uma equipe de profissionais de diferentes áreas artísticas que iam até os bairros periféricos. Interagindo com as lideranças, associações e grupos locais, a ação consistia em realizar diversas apresentações artístico-culturais em várias regiões da cidade. Em 2003, o projeto foi suspenso, após a realização de mais de 600 apresentações.

Coordenado por Bertrand Duarte e Walter Seixas Jr., na gestão do então prefeito Mário Kertész, o projeto Boca de Brasa foi inaugurado no dia 10 de outubro de 1986, em um evento realizado na Praça Municipal. O espetáculo reuniu as quatro carretas-palanques, em que foram realizados shows de Zelito Miranda, Lazzo, Lui Muritiba, Beto Marques, Tom Tavares, a banda Studio 5, Feo do Acordeon e o grupo Amigos do Nordeste.

Reconhecendo a importância da iniciativa e sua contribuição para o desenvolvimento do campo cultural de Salvador, a FGM relançou o projeto, no dia 25 de setembro de 2013, em cerimônia realizada na Praça Municipal, com a presença de autoridades municipais e artistas, tendo o cantor Saulo como padrinho da ação.

Com novo formato, o Boca de Brasa acontece em diversos bairros de Salvador, através da realização de oficinas culturais gratuitas em diferentes áreas artísticas e de formação de gestores. Em seguida, uma mostra pública aberta à comunidade reúne o resultado das aulas e apresentações de artistas locais.

No ano de relançamento, foram realizadas três edições nos bairros de Plataforma (outubro), Cajazeiras (novembro) e Boca do Rio (dezembro). Em 2014 o projeto foi ampliado, alcançando sete bairros de Salvador, que foram Nordeste de Amaralina (junho), Engenho Velho de Brotas (julho), Pernambués (julho/agosto), Uruguai (agosto), Itapuã (setembro), Pau da Lima (setembro) e Paripe (outubro).

Em 2015 o Boca de Brasa aumentou a carga horária das oficinas, que passaram de quatro para seis dias e vai chegar a mais dez bairros da cidade. Já foram realizadas as edições da Ribeira (22/1 a 5/2), Liberdade (2 a 15/3), Lobato (16 a 29/3) e Sussuarana (15 a 26/4).

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Cabeça de robalo – o manjar dos deuses

A iguaria, de origem canavieirense, também é desejada por presidentes da República, governadores de Estado, reis e até por “pobres mortais”

Por Walmir Rosário

Cabeça de Robalo elaborada pelo Restaurante Alegria de Viver

Cabeça de Robalo elaborada pelo Restaurante Alegria de Viver, o prato tradicional da gastronomia de Canavieiras

Os deuses gostam de dendê, tanto isso é verdade que um dos pratos mais desejados da riquíssima gastronomia canavieirense é a “cabeça de robalo”. Disto não se tem qualquer dúvida. A incerteza de quem ainda não foi apresentado a esse manjar dos deuses é apenas em relação à matéria-prima, pois os pobres mortais que ainda não tiveram o prazer de degustá-lo não concebem, à primeira vista – ou audição – de como os deuses poderiam apreciar uma parte do peixe cheia de ossos e espinhas.

À primeira vista da iguaria, desfaz-se a incerteza com a imagem, saliva-se a boca, aguça-se o paladar, despertando o primeiro dos sete pecados capitais: a gula. Pessoas de gosto refinado e alto conhecimento gastronômico contam que é impossível de controlar os instintos. Chegam ao ponto de afirmar o ato de comer cabeça de robalo, está longe ser ser um pecado capital, e é, sim, uma virtude, pondo por terra a teoria desenvolvida pelo Papa Gregório Magno no século VI.

E têm razão os nobres defensores desta tese. Pra início de conversa, a cabeça de robalo é um prato exclusivo da gastronomia canavieirense, onde os manguezais são considerados os maiores e mais ricos do Brasil, dada a sua diversidade. Não é por acaso que o caranguejo – Ucides cordato – de Canavieiras é tido e havido como o mais gostoso crustáceo de toda a costa brasileira.

E as virtudes gastronômicas da cabeça de robalo ultrapassaram as fronteiras de Canavieiras e Costa do Cacau, chegando a Salvador, Brasília, outros estados e até países. Passou pelas cozinhas e chegou aos salões de banquetes de palácios republicanos e conquistou – definitivamente – a realeza. Por dois anos seguidos o Rei e a Rainha da Suécia, Carlos XVI Gustavo e Sílvia vieram desfrutar do verão de Canavieiras, onde o Rei praticou a pesca do marlim e o casal se deliciou de algumas vezes com a iguaria.

Hoje deitada em berço esplêndido, a cabeça de robalo nasceu em casa tosca, como relata Edelzuita Maria Santana, que aprendeu a preparar esse prato com sua mãe. Aos poucos, a cabeça de robalo deixava de ser apenas um prato inusitado para ganhar status de prazer culinário. Do modesto bar e restaurante “Fundo de Quintal”, ganhou o mundo.

Dona Edelzuíta foi a criadora do prato mais famoso de Canavieiras

Dona Edelzuíta foi a criadora do prato mais famoso de Canavieiras

Nas histórias contadas pelo historiador Antônio Tolentino (Tolé), era muito comum eles levarem os colegas do Banco do Brasil para comer a novidade e eles comerem tudo e ainda perguntarem “Quando é que vem essa cabeça de robalo, pois já comemos toda a entrada?”. Para eles isso era motivo de constantes brincadeiras e que ganhava o mundo.

O Raimundo Antônio Tedesco, conta em suas reminiscências, que quando a cabeça de robalo se tornou amplamente conhecida, tentaram até mudar o seu nome para top less, numa alusão à moda criada na Inglaterra em que as mulheres ficam com os seios à mostra na praia. “Mas esse nome não pegou e o que prevaleceu mesmo foi cabeça de robalo.

Surfando na onda do marketing concebido pelo prefeito de Canavieiras à época (e atual), Almir Melo, que cunhou o slogan “Canavieiras para todos, Canes para os íntimos”, a cabeça de robalo também ganhou rápida ascensão. Em um Carnaval, Almir Melo encomendou 600 cabeças de robalo, que foram consumidas vorazmente, para o desespero dos convidados.

O prefeito Almir Melo é muito “cobrado” pelas autoridades, a exemplo de Jaques Wagner e até mesmo do ex-presidente Lula (recentemente em Salvador) quando se encontra com eles. Em Feira de Santana, durante a entrega de caminhões e máquinas aos municípios baianos, até a presidenta Dilma manifestou sua predileção pela iguaria, quando foi informada pelo governador:

É ele o prefeito de Canavieiras que nos manda a cabeça de robalo!”, disse Wagner.

E assim a presidenta Dilma deu uma pequena pausa na cerimônia para manifestar seu desejo em voltar a receber uma boa remessa de cabeça de robalo. Na alta corte de Brasília, aliás, faz tempo em que os presidentes se deliciavam com a novidade canavieirense, levada, pelo que dizem, por político Antônio Carlos Magalhães.

Matérias foram elaborados e publicadas nos veículos de comunicação, para o desespero de dona Edelzuita, que não aguentava mais para atender a tantas encomendas. “Almir foi o grande incentivador e divulgador da cabeça de robalo e já cheguei a ir a Salvador, convidada por um dos políticos mais famosos da Bahia, para preparar na festa de casamento. “Foi sucesso absoluto”.

Com o aumento das encomendas – que teria de despachar, inclusive por via aérea –, aos poucos, ela foi passando o conhecimento para outras pessoas e atualmente algumas pessoas se destacam no preparo da cabeça de robalo. Uma delas é Conceição de Oliveira, que diz ser o melhor caranguejo para a cabeça de robalo o catado de dezembro a agosto, principalmente nos meses em que não têm a letra “r” no nome.

Segundo Conceição, é preciso observar a melhor época para preparar a cabeça de robalo, respeitando, inclusive o período do “defeso”. Nesta época, diz ela, somos muito cobradas pelos clientes, mas não podemos transgredir a lei e nem vender um produto que não seja de qualidade.

Gostoso de comer, trabalhoso de fazer. Assim é a cabeça de robalo. Mas é a lei da oferta e da procura, pregada pela economia. No caso de cabeça de robalo, não se economiza atenção na hora de lavar e escovar bem a carapaça, quebrar as pernas e “catar” (tirar a “carne” das patas do caranguejo). Abra a carapaça com uma faquinha e retire tudo que tem dentro, inclusive o fel; tempere as “carnes” até o tempero murchar e recoloque no lugar.

Os temperos são: coentro e cheiro verde, tomate, cebola, pimentão, pimenta-de-cheiro, camarão, biri-biri, leite de coco e dendê. Leve a panela ao fogo, vá colocando o dendê e o leite de coco aos poucos. Deixe cozinhar como moqueca, e com o caldo faça um pirão. Depois é só servir com pirão e arroz branco. Mas, em vez de tentar prepará-lo, se torna mais fácil comprá-lo (congelado) numa das tantas especialistas canavieirenses, ou pronto no Restaurante Alegria de Viver, por exemplo, e desfrutá-lo, à beira-mar. É mais garantido.

E desta maneira, pode usar e abusar dos pecados capitais, a exemplo da luxúria, deixando-se dominar pelas paixões; a preguiça, após comer à vontade; a vaidade, pelo orgulho de ter comido bem … e muito…. Quanto à inveja, deixe que os outros que não provarão possam ter por você. Com certeza, lhe darão razão no futuro.

O CASTIGO VEIO DE KOMBI

Walmir Rosário*Walmir Rosário

O ano era 1977 – salvo melhor juízo – período em que retornei de Salvador para Paraty. À época, a cidade já passava por uma transformação, porém ainda mantinha seu espírito bucólico, em que prevalecia a amizade, apesar da recém-chegada onda consumista. A chegada do progresso era fato e todos queriam se beneficiar dele e de seus efeitos, mas de forma honesta, no pensamento de alguns.
Entre as atividades em ascensão a produção de cachaça era a mais promissora delas, notadamente para quem conhecia do ofício, como Eduardo Mello, o Eduardinho, fiel seguidor dos ensinamentos do seu pai, Antônio Mello, produtor – por anos a fio – da cachaça “Quero Essa”. Com a venda da Fazenda Boa Vista, os novos proprietários – industriais paulistas, creio eu – fechou o alambique, deixando órfãos uma legião de cachacistas apreciadores do bom e precioso néctar da cana.
E nada tirava da cabeça de Eduardinho continuar a desempenhar o mister aprendido por anos e anos, plantando, colhendo, moendo cana e destilando o seu caldo até chegar ao ponto ideal da excelente cachaça. Não é de hoje que a cachaça de Paraty era cantada verso e prosa Brasil afora, e a semelhança não é mera coincidência, Paraty cidade, paraty cachaça, da boa, como convém aos apreciadores mais entendidos.
Até que chegou a oportunidade de ouro para o filho de Antônio Mello. Após várias tentativas, eis que um dos bons produtores de cachaça, o Ormindo, que fabricava a Coqueiro, pretendia se aposentar. Por outro lado, Eduardinho, que se aposentara precocemente e temporariamente, queria voltar a trabalhar, alambicar cachaça, cachaça do mesmo padrão de qualidade da “Quero Essa”, ou da “Vamos Nessa”, feita pelos seus avós. Era o caldo de qualidade, no fogo adequado.
E para “fechar o negócio”, marcamos uma Sexta-feira da Paixão como o “Dia D”. Tudo de forma bem planejada numa das muitas noitadas do Cana Verde. Cerca de meia-noite saímos da boemia com o compromisso de estarmos de prontidão às 6 da manhã no cais e zarpar para o encontro com o Ormindo, na Fazenda Engenho D’água.
No horário aprazado, lá estávamos nós – eu, Eduardinho, seu irmão Neguinho (Antônio Carlos) e Jorginho, este amigo e dono do barco que nos levaria ao então alambique, cujo único meio de comunicação era o marítimo. Apesar de cedo, já encontramos aberto o bar “Bem-me-quer”, do Edmir, e encomendamos nossas provisões (víveres) para a viagem. Do pedido constaram 24 latas de cerveja Skol, carteiras de cigarros (ainda tínhamos esse péssimo vício) e oito sanduíches de filé.
A manipulação dos sanduíches foi prontamente rechaçada pela cozinheira Madalena, que se recusou a cometer tal heresia:
– Comer carne na Sexta-feira Santa é um sacrilégio e Deus vai castigar quem fizer e comer – se desesperou Madalena.
Após várias intervenções de Edmir, finalmente, muito a contragosto, Madalena preparou os (mal)ditos sanduíches e rumamos para embarque na Kombi (assim era chamado o barco de Jorginho, pela sua aparência com o veículo fabricado pela Volkswagen). Após umas três cervejas e dois sanduíches de filé, finalmente chegamos à fazenda de Ormindo.
Negócio fechado, comemoramos com mais um litro de Coqueiro e alguns mergulhos no mar. Ao por do sol resolvemos rumar de volta para Paraty, fazendo planos para a mudança do alambique e a nova produção.
Tudo era festa, até notarmos os primeiros sinais de problema no motor da Kombi “flutuante”, que começou a perder força. Diagnóstico feito na hora, era a junta do cabeçote que tinha queimado. Alegres e satisfeitos com a aquisição do alambique, não nos afobamos e a cada cinco ou dez minutos desligávamos o motor até que esfriasse, para navegarmos mais um bom pedaço.
Se os problemas do barco não nos afligia, situação diferente se passava na cidade, após constatado o nosso sumiço. No bar, Madalena não se cansava de pregar os castigos de Deus com os hereges que se atreveram a comer carne na Sexta-feira da Paixão, desafiando os desígnios de Deus. Aos poucos, nossas famílias foram para caís, apavoradas com a demora do regresso, a notícia “corria costa” e as versões superavam o fato.
De boca em boca, Deus tinha feito justiça e castigado os hereges, que perderam-se no mar, naufragando com o peso dos pecados. No mar, cumpríamos nosso “encargo” de navegar e parar para esfriar o motor. Enquanto isso, o povo não arredava o pé do cais, para o desespero de nossas famílias.
Persistentes, nós sobreviventes de um quase acidente marítimo, fomos nos aproximando da cidade. Para nossa alegria, já avistávamos as luzes. Ligávamos o motor…logo em seguida desligávamos, e assim nos aproximávamos do cais.
E esse “calvário” continuou até as 21 horas, quando aportamos, para o alívio e felicidade geral. Âncora ao mar, barco amarrado na ponte, seguimos desfazendo a curiosidade alheia e a bronca das mulheres. E fizemos o primeiro pit stop etílico no “Bem-me-quer”, ponto de origem de toda a fofoca sobre nossas quase mortes no mar da Baía de Paraty.
E, juntos, pedimos ao Edmir uma Coqueiro e à Madalena mais um sanduíche de filé para comemorar a nossa ressurreição!
*Apreciador da boa cachaça.

Amyr Klink discute inovação empreendedora em Salvador

Amir Klink

O empresário interessado em inovar para melhorar a competitividade do seu negócio terá uma ótima oportunidade em novembro. O empreendedor de expedições marítimas Amyr Klink ministra no dia 17, em Salvador, a palestra “Inovação para o crescimento”. O evento será às 19 horas e integra a programação da Semana de Inovação e Sustentabilidade, que acontece no Othon Palace, entre os dias 17 e 21 de novembro.

Realizada pelo Sebrae em parceria com a Associação de Jovens Empresários (Aje Bahia), a semana também promove palestras gratuitas sobre diversos temas e aulas práticas, as chamadas clínicas tecnológicas, a preços populares (R$ 20,00 por pessoa, por sessão). A ideia da semana é fomentar a inovação e as políticas sustentáveis nas empresas.

“Para se tornar mais competitiva, a empresa tem que se diferenciar no mercado, e o caminho para isso é a inovação”, destaca a gerente da Unidade Regional Salvador do Sebrae, Madalena Seixas. “Com as clínicas tecnológicas, workshops e palestras, os participantes poderão ver de perto o que é inovação empresarial e entender como podem aplicá-la nos seus negócios”, completou.

Os eventos são voltados, sobretudo, para quem já tem um pequeno negócio, mas também podem ser vistos por pessoas interessadas em empreender. Entre as oportunidades de palestras gratuitas estão o painel “Caso de sucesso de mulheres empreendedoras”, ministrada por Vera do Araketu. O encontro acontece na terça-feira (18), às 8h30min, e contará com a participação da fundadora e CEO do Empreendedorismo Rosa, Lênia Luz.

À noite do mesmo dia, haverá gratuitamente a palestra de José Araújo Goes e Souza, da distribuidora de bebidas Brasil Kirin. Outra atração sem custo será uma palestra sobre governança corporativa da PricewaterhouseCoopers (PwC), uma das maiores prestadoras de serviços profissionais do mundo. Haverá ainda palestras grátis sobre como empreender com sucesso na área de saúde e uma rodada de investimentos com startups, ambas na terça-feira.

A técnica da Unidade Regional Salvador do Sebrae, Carla Kuehn, destaca que inovar não é apenas papel das grandes empresas. “Existe, no senso comum, a ideia de que inovação é algo caro, para empresa de grande porte, mas não é. Há várias formas de inovar que também servem para as pequenas, desde um diferencial mínimo no atendimento ao cliente como na redução de custos de produção”, afirma. Carla destaca ainda que a semana tratará sobre as práticas sustentáveis, já que as empresas estão cada vez mais voltadas para essa questão.

Programação paga
A Semana de Inovação e Sustentabilidade também contará com programação paga. As chamadas clínicas tecnológicas, nas quais o empresário de pequenos negócios terá acesso a experiências práticas, terão preços populares: R$ 20 por pessoa na participação de cada sessão. Entre os temas das clínicas estão estocagem correta de alimentos, boas práticas de fabricação, redução de desperdício, impacto da qualidade na rentabilidade das empresas, registro de marca, eficiência energética, design de ambientes e planejamento de vitrines.

A semana também contará, a investimento de R$ 100,00 com duas palestras. Uma delas será do escritor e empreendedor na área da navegação, Amyr Klink, na abertura do evento. A outra, com o jornalista Dal Marcondes, que focará na questão da sustentabilidade e incluirá um executivo da Natura para falar sobre o case da empresa, no dia 19, das 19 às 21 horas.

No lombo do jumento

Walmir Rosário*

Um dia após a despedida do ministro Joaquim Barbosa do STF, deixam o Complexo Penitenciário da Papuda o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o ex-deputado federal Valdemar da Costa Neto. Saiu Joaquim, os outros já se consideram livres, leves e soltos.

É a lei sendo interpretada por quem tem a competência de fazê-la. Agora, os beneficiados pela Lei de Execuções Penais vão trabalhar. Para Barbosa esse trabalho seria apenas um arranjo entre amigos, no sentido de bular a lei, portanto, não poderia ser levado a sério. Mas foi e ponto final.

Enquanto os do colarinho branco são soltos, a Polícia de São Paulo começa a prender os baderneiros que promoveram um quebra-quebra numa concessionária de automóveis importados da capital paulista. Pela extensa lista de crimes apresentada, está comprovada a participação de gente ligada ao crime organizado nos protestos, como já tinha sido anunciado.

Mas os grupos organizadores desses protestos prometem não deixar essas prisões “baratas” e prometem partir para o ataque. Se prometem, cumprem, como sempre fazem. Investigação eficaz cortaria as fontes de financiamento desses grupos, provenientes de organizações não-governamentais, do próprio Estado e, segundo dizem, do temido Comando Vermelho.

No dia 2 de Julho políticos se reúnem em grupos para desfilar para os eleitores. Tem sido assim em Salvador de dois em dois anos e marca o lançamento das campanhas políticas. Este ano não foi diferente e situação e oposição deram as caras com suas comitivas.

Tudo seria igual aos anos anteriores não fosse a truculência dos seguranças das duas principais candidaturas, que distribuíram socos e pontapés. E por duas vezes o civismo e a homenagem aos caboclos e heróis foram trocados pela violência. Tomara que não continue assim até as eleições.

E o jumento nordestino se transforma no centro das atenções, num debate inusitado. De um lado os que defendem o seu abate para consumo humano; de outros, os grupos ambientalistas defendendo vida-longa para o animal considerado símbolo do Nordeste pela sua rusticidade.

Imortalizado em música por Luiz Gonzaga, o jumento também é considerado um verdadeiro amigo do nordestino, além de ter carregado Nosso Senhor Jesus Cristo em suas costas. Símbolo ou não, hoje o jumento está sendo abandonado e é considerado um grande problema.

Com a popularização das motocicletas, os jumentos deixaram de se tornar montaria ou transporte de cargas para os nordestinos. Esse desprezo está provocando a superpopulação e o povoamento das margens das rodovias, causando acidentes com vítimas fatais. Uma decisão difícil que poderá ser resolvida num plebiscito.

*Receoso do bife a ser servido.

É 2 de Julho

Walmir Rosário*

Hoje é 2 de Julho, data que deve ser comemorado como o verdadeiro Dia da Independência da Brasil. Na Bahia é comemorada apenas em Salvador e outras poucas cidades do Recôncavo, de onde saíram grande parte dos líderes e mártires da guerra sangrenta e heroica que venceu e expulsou da Bahia as tropas portuguesas comandadas por Madeira de Melo.

Os baianos e brasileiros não poderão, jamais, deixar de lembrar de suas heroínas, com a valente Maria Quitéria ou a Sóror Joana Angélica, que ganharam lugar de destaque no panteão nacional. Foi pela luta dos baianos que, um ano após declarada a Independência do Brasil, o país ficou realmente livre do jugo de Portugal.

Mas, infelizmente, na própria Bahia, essa data não é comemorada com o civismo que merece. Para muitos, é apenas um feriado, daqueles para comemorar datas ou feitos da história antiga sem nenhuma repercussão nos tempos atuais. Esta é uma demonstração do grau de desinformação do nosso povo e do descaso das autoridades para tão importante feito histórico.

Por falar em feitos, ontem, deixou a Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa, também relator do processo conhecido como Mensalão. Polêmico ao falar sobre os processos e decisões, se afasta da mais alta Corte do País deixando o Brasil dividido quanto a sua antecipada aposentadoria.

Ele mesmo deixa nas entrelinhas que trilhará os caminhos da política, embora desconverse quando perguntado sobre essa possibilidade. O certo é que o anúncio de sua saída do STF pegou a todos de surpresa, pois era tido e havido como uma importante trincheira jurídica numa Corte acostumada a decidir de forma política. Vida nova para Joaquim Barbosa.

Aos poucos, as seleções de todas as partes do mundo vão arrumando as malas e voltam aos seus países de origem. Mais recente, Suíça e Estados Unidos são duas seleções que deixam o Brasil e a competição. Resistem, ainda, nossos hermanos argentinos, a novidade Colômbia, nossos algozes franceses e holandeses, a desconhecida Bélgica e a disciplinada Alemanha.

Confesso não saber a quem temeremos mais, se aos selecionados até aqui classificados ou se à própria desarrumação da nossa Casa, cujos problemas internos são mais do que evidentes. Bastou encontrar uma pedra no caminho chamada Chile, que bateu o desespero nos “nossos cartolas”. Todos sumiram e deixaram o técnico Felipão com a obrigação de apagar a luz.

Felipão, por sua vez, deixou patente ter se arrependido de uma convocação, haja vista esse ainda misterioso atleta não ter se integrado à grande família. Com todos esses reverses, ainda acredito na nossa seleção, pois se o papa é argentino, Deus é Brasileiro.

*Chorando no pé do Caboclo.

IX Panorama Coisa de Cinema

Braseiro

Braseiro

Três longas-metragens e seis curtas produzidos na Bahia foram selecionados para a Competitiva Baiana do IX Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece entre 31 de outubro e 07 de novembro em Salvador e Cachoeira. Mantendo a tradição do festival, ficções e documentários concorrem juntos, oferecendo um cenário consistente da produção cinematográfica do estado.  As sessões são seguidas de debate com os realizadores, aprofundando a análise dos filmes exibidos.

Os filmes em competição serão exibidos em sessões no Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha e no Auditório da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), mas os dias e horários ainda estão sendo definidos. Em Cachoeira, o acesso é gratuito.  O festival é uma realização da produtora Coisa de Cinema, em parceria com o Cineclube Mário Gusmão, projeto de pesquisa e extensão da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O Panorama conta com o patrocínio da Petrobras e do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura.

Lista dos filmes selecionados:

– 28 – Luciana Rodrigues

– Braseiro – Thiago Gomes

– Hereros Angola – Sérgio Guerra

– Maria Vai Ca’s Vacas – Luara Dal Chiavon

– Rabeca – Caetano Dias

– O menino invisível – Murilo Deolino

– Testemunho – Rafael Rauedys

– Um filme para Michal – Violeta Martinez

– Veraneio – Leon Sampaio

A ninguém é dado o direito de brincar de Deus

Walmir Rosário – 

Como cristão – católico praticante – aprendi desde cedo que Deus é o único responsável pelas nossas vidas. A Ele também é dado o direito sobre quando deveremos parar de viver, descansar, segundo alguns. Ao homem, quando transgride esse mandamento, é julgado e apenado pelas leis dos homens. Mas existem algumas exceções escritas e outras não escritas, e estas são as piores.

Mesmo aqueles que dizem ser mais chegados a Deus, gozando de privilégios de atender a Seu chamado e conversar com Ele têm esse poder. Mesmo que acumulem essa pretensa regalia – como querem alguns – com a prefeitura de Itabuna, pode ir tirando seu “cavalinho da chuva”, pois o castigo virá a galope, como mostram as pesquisas.

Aos políticos são dado o direito – não está escrito nos códigos ou Constituição – de matar pessoas, desde que por métodos não tradicionais. O presidente da República, o governador dos estados e os prefeitos cometem crimes de morte das mais diversas formas, a exemplo da condenação à sede, no Nordeste; à doenças várias, pela falta de saneamento; de fome, pela falta de políticas públicas decentes, etc.

Essas são as mais frequentes, embora outra forma de execução de sentença – informal – seja a cruel: a falta de prestação dos serviços de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS), que deveria cuidar da saúde das pessoas é utilizado para relegá-los à doença, culminando com deficiências físicas irreversíveis, males crônicos e até à morte. E fazem isso sem a menor cerimônia e até assistimos nos noticiários dos meios de comunicação.

Essas ações (não são omissões) são coisas de rotina nas unidades básicas de saúde e hospitais. Faltam médicos – é verdade – mas o problema mais recorrente é a falta dos medicamentos e o oferecimento dos procedimentos prescritos pelos médicos. Não adianta o simples diagnóstico, mas o tratamento, já que nossa saúde não merece o simples e prático trabalho de prevenção.

Dizem os técnicos que para cada R$ 1,00 que se deixa de investir outros R$ 5,00 no tratamento. Apesar dos dados oficiais, ao cidadão brasileiro não é dispensada a atenção que merece, apesar do dispêndio, via impostos, de recursos suficientes para tal mister. Para nossas autoridades, a vida da população, do cidadão comum é uma simples estatística.

Os absurdos estão a qualquer parte. Em Itabuna, Ilhéus, Salvador, Brasília, Oiapoque ou Chuí. Pouco importa, o crime dos políticos é praticado da forma mais democrática possível. Quer dizer, nem tão democrática assim, pois os menos servidos – ou bafejados pelas posses – são os maiores índices nas estatísticas oficiais. Números frios, implacáveis.

Mas como moro em Itabuna, vamos nos ater à nossa paróquia. Um cidadão do povo sofre um trauma. É atendido pelo médico que, após examinar o Raio X, diagnostica fratura. Imediatamente autoriza a imobilização engessando a área afetada. Tempos depois, retira o gesso, faz novo Raio X e recomenda a fisioterapia, coisa simples, procedimento comum, mas necessário.

Isso é o que pensa o médico, não as autoridades da saúde de Itabuna. Na unidade de saúde o paciente – bota paciente nisso – é quase recomendado a desistir. Os mais teimosos seguem em frente e vão enfrentar a burocracia da central de regulação. E é aí que “vão ver o que é bom pra tosse”. E vem logo a pergunta:

– Mora em que bairro? – interroga o funcionário.

– Pra esse bairro não tem mais, só no mês que vem – despacha o pobre do paciente.

E diz isso com aquela voz professoral, determinando a imediata retirada do paciente da sala. Também quem mandou o morador do bairro Califórnia se acidentar nesse mês. Se pelo menos fosse do bairro São Caetano, poderia dar um jeito.

– Quem já viu querer tudo na hora. Pensa que é quem? Agora é assim: o planejamento libera os procedimentos de acordo com o bairro – diz o funcionário, achando-se senhor de si. Só faltou combinar com o povo.

À primeira tentativa de reclamação do paciente-paciente, o funcionário faz cara de zangado e vira-se para o(a) colega ao lado e tasca uma pergunta sobre a protagonista da novela de ontem, talvez o único assunto que interesse à população. Sobre isso ele sabe tudo, não perde um só capítulo.

Quem não sabe de nada, inclusive sobre os seus direitos, é o paciente, que “rabo entre as pernas” como um cachorro escorraçado, dá meia volta e promete voltar no mês que vem.

Do dia 17 de julho, quando foi informado que viesse no começo de agosto, foi despachado para retornar em 2 de setembro. Quem sabe não precisa mais voltar, pois sem realizar o procedimento fisioterápico, no mês seguinte já não tenha eficiência alguma e seja obrigado a conviver com o “aleijão”, ou para os politicamente corretos, uma daquelas deficiências de nome complicado. Dá no mesmo. Assim como na fisioterapia, os pedidos de cirurgias, então, completam aniversários.

E assim, o prefeito Vane, que disse ter exonerado – enquanto concedida uma entrevista, numa falta de respeito com um seu colaborador – o secretário municipal da Saúde por não ter ele dado conta da rede de atenção básica. Errou o prefeito por desconhecer a outra ponta da rede e, mais ainda por ter prometido ele mesmo solucionar os problemas.

Como disse anteriormente, se não aprendeu a prefeitar, muito menos secretariar.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

PT manda “descer o cacete” em futuros médicos

A PM “mete bronca” nos estudantes de medicina da FTC de Salvador (Foto de A Tarde)

O que seria um simples protesto contra a péssima Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), na avenida Paralela, em Salvador, terminou num massacre do Polícia Militar, que não economizou porrada, tiros com balas de borracha e bombas com gás lacrimogêneo.

A atuação da PM foi mais uma demonstração da dubiedade das ações diferentes da polícia comandada por Wagner, que protege as manifestações dos índios e sem-terras, e o governo ainda gasta o dinheiro público para a ajudar nas invasões de prédios públicos.

Enquanto índios e sem-terras aprontam como querem, outras parcelas da sociedade são tratadas na base da porrada, como se marginais fossem, a exemplo do aparato totalmente desproporcional. O motivo é um só: quem não é da turma dos petistas toma pau.

Já os índios, MST, MLT e outras dessas siglas estão liberadas para promover arruaças, intimidar a sociedade, invadir fazendas, tocar fogo em casas, máquinas e outros equipamentos, matar gado, tudo considerado legal, para essas quadrilhas formadas e incentivadas pelo PT E PCdoB como seus “braços armados”.

Agora pergunta-se: Qual o porquê na diferença do tratamento dado nas ações? Será que a FTC merece tratamento especial, apesar dos costumeiros calotes?

 

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