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Juiz diminui crimes cometidos por menores no interior de SP

 

O dia em que o Itabuna empatou com o Bahia e venceu o árbitro

Walmir Rosário

Profissionalizado em maio de 1967, o Itabuna Esporte Clube “herdou” praticamente todos os jogadores da Seleção Amadora de Itabuna, um timaço para torcedor nenhum botar defeito. Aos poucos, o time foi sendo mesclado com jogadores já profissionais, principalmente vindos dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, para a glória da dos torcedores do azulino.

Em 1970, o Itabuna Esporte Clube, então sob a presidência do advogado Gabriel Nunes, teve uma de suas melhores formações, tanto que fez sua mais brilhante campanha. Não se consagrou campeão baiano deste ano simplesmente pelas tramoias dos cartolas da Federação Baiana de Futebol, dominada pelos dirigentes do Bahia.

O Itabuna terminou vice-campeão, numa das histórias mais tristes da história do futebol baiano, somente comparada aos fatos contados na ocupação do solo grapiúna nos idos de 1800 até o início de 1900. Os tempos eram outros e as pendências geralmente eram resolvidas de forma violenta, ao contrário dos usos e costumes dos cartolas baianos.

Se para se estabelecer na terra imperava a lei do mais forte, com os “coronéis” armando seus caxixes nos cartórios ou invasão das roças de cacau com a força dos jagunços, no futebol baiano não era diferente e a influência política era o que dominava. Com todas as artes e manhas disponíveis no mundo da vigarice, algumas vezes agiam de forma dissimulada; outras nem tanto, era na “carteirada”, mesmo.

Dentro de campo, os árbitros sempre davam aquela mãozinha – ou apitada – fundamental para manter o resultado conforme os gostos e desejos dos cartolas soteropolitanos. Cartolas esses que poderiam ser comparados à realeza dos tempos do império, com todos os direitos e nenhum dever, a não ser o de conseguir resultados positivos para Bahia e Vitória, custe o que custar.

Um desses árbitros, que embora fosse batizado e registrado civilmente com o nome de um espiritualista indiano, nada fazia para repetir os gestos e ensinamentos do filósofo que seus pais quiseram homenagear. Ao contrário, as histórias e estórias são as mais antagônicas possíveis, no campo da moralidade, inapropriadas para atividades esportivas, diriam hoje os politicamente corretos.

Esse mesmo árbitro passou a ser conhecido como o mensageiro do mal, uma espécie de carrasco dos times das cidades do interior – Itabuna, Ilhéus, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Alagoinha e Jequié. Nem mesmo as equipes menores da capital escapavam da vingança maligna dos cartolas. E sabem qual era o pecado? Formar um time com condições de disputar – de igual para igual – o Campeonato Baiano.

A área do adversário era território proibido para os atacantes interioranos e os nanicos da capital. Chegar perto da pequena área…nem pensar: o árbitro acionava logo seu famoso apito para marcar impedimento ou uma falta do ataque. Já na defesa a situação era mais complicada e os zagueiros não podiam, sequer, chegar junto dos atacantes protegidos, que trilava o apito protetor marcando penalidade máxima.

Num desses jogos entre o Itabuna e Bahia eis que a Federação Baiana de Futebol escala justamente o homônimo do indiano para a partida a ser realizada na Desportiva Itabunense. Arrogante, descia do ônibus da Sulba e se dirigia ao Lord Hotel (o hotel mais refinado à época) para descansar até o início da partida, sem falar com pessoa alguma, principalmente se fosse dirigente do Itabuna.

Para o desespero do árbitro, neste domingo, a equipe azulina estava “azeitada”, e seus jogadores com sede de vingança da última partida realizada com o Bahia, quando perderam por um magro 1 X 0, como sempre, com a ajuda deste mesmo juiz. Bola em jogo, as duas equipes se estudando e os jogadores, principalmente os do Itabuna, com receio de partir para uma jogada mais viril.

E essa indecisão já deixava o árbitro angustiado, pois, como acertado com os cartolas, o Bahia precisava da vitória. Mas não tinha jeito e mesmo as quedas dos jogadores do time da capital eram em jogadas infantis, era impossível marcar o providencial pênalti, pois eram longe da grande área. Já no lado do ataque do Itabuna, toda escapada era marcado o impedimento, uma “banheira”, como era conhecida essa penalidade.

Pois se o ataque do Itabuna não chegava à grande área, e caso o jogador azulino se atrevesse a ultrapassá-la o apito trilava, devido a atitude indevida, mas decisiva do árbitro, o ataque do Bahia pecava nas finalizações, para desespero dos cartolas. Esse desespero também já era bastante visível nas transmissões das rádios da capital, cujos apresentadores e repórteres tentavam desqualificar o futebol jogado pelos interioranos.

Mas nessa tarde esportiva da velha Desportiva Itabunense não teve jogador ou cartola do Bahia que desse jeito. Muito menos o árbitro, diante do futebol impecável jogado dentro das quatro linhas. Sem ter como apitar o velho e famoso pênalti salvador da pátria, o conhecido árbitro foi obrigado a encerrar o jogo aos 50 minutos do segundo tempo.

Nesta tarde de domingo nenhum dos dois times venceram, pois o placar não saiu do zero a zero. Venceu o futebol baiano, numa tarde em que o esporte venceu a caxixe e o conluio entre os cartolas dos times da capital e da Federação Baiana de Futebol. Desde esse dia em que o suspeitosíssimo árbitro foi derrotado pela prática do bom futebol que o Itabuna Esporte Clube passou a ser visto com outros olhos pelos vigaristas do esporte.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Pinga, o herói do hexa

Walmir Rosário

Perder para Ilhéus era o desespero de cada um dos jogadores da Seleção de Itabuna. Esse sentimento também era partilhado por Wilson Dias da Costa, o Pinga, que por ironia do destino era um ilheense nascido no distrito do Banco Central. Por volta de 1953, Pinga chegou a Itabuna e, como todo menino daquela época, jogava babas nos campos de bairro até ser descoberto pelo Náutico, time juvenil que posteriormente se fundiu com o Janízaros.

O Janízaros foi o único time amador que Pinga jogou até se transferir para o Itabuna Esporte Clube, já profissional, onde jogou apenas seis meses. Nesse curto período, ele se desencanou com o futebol profissional, no qual os craques eram colocados na reserva de jogadores medíocres trazidos por técnicos do Rio de Janeiro e São Paulo. E no Itabuna não era diferente, por isso ele preferiu e encerrar sua carreira esportiva.

Pinga, jogava em duas posições e tinha um estilo diferente

Pinga, jogava em duas posições e tinha um estilo diferente

Centroavante e ponta-de-lança, Pinga possuía uma característica diferente de jogar, pois seu estilo era buscar o jogo na defesa e carregar a bola até o ataque. Com isso, tanto fazia gols como servia seus companheiros do Janizaros – Marinho e Nelsão –, artilheiros do time. Pelo Janízaros jogou até 1966, quando foi desfeita a Seleção (amadora) de Itabuna. Nesse período foi campeão juvenil e amador, inclusive do Torneio do Cinquentenário de Itabuna.

Consagração

Em 1963 foi convocado para a seleção amadora e ganhou o tetracampeonato. Também participou do penta, mas sua consagração definitiva veio no campeonato de 1965 – disputado até o ano seguinte –, quando a Seleção de Itabuna venceu o Intermunicipal pela sexta vez consecutiva, sagrando-se hexacampeã, em Alagoinhas, com um gol de Pinga.

Pinga relembra esse fato como muita emoção e diz que, para ele, foi a glória ser recebido em Itabuna com muita festa, desfilando pelas ruas da cidade em cima de um carro do Corpo de Bombeiros. “Emoção igual àquela somente a de ganhar uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira. Se jogar na Seleção de Itabuna já era um grande reconhecimento, hexa, então, era demais, ainda por cima por ter marcado o gol da vitória”, relembra.

Segundo Pinga, ser convocado para a Seleção de Itabuna era motivo de orgulho para qualquer jogador, ainda mais pelo clima de amizade entre eles, tanto dentro de campo como fora. Pinga diz ter sido um privilégio jogar com craques como Santinho, Fernando Riela (só viu um parecido com ele: Sávio do Flamengo), Ronaldo, Abiezel, Tombinho (maior líder em campo), dentre tantos outros.

Mesmo tendo recebido instruções do técnico no vestiário, Pinga se recorda que, dentro de campo, todo o esquema tático poderia ser modificado, de acordo com o comportamento do adversário. E isso era feito pelos próprios jogadores. Ele conta que na partida decisiva contra a Seleção de Alagoinhas, além de jogar contra um time bom e que deixava jogar, ainda tinham que se cuidar para não se machucarem devido às péssimas condições do gramado, e tudo isso era decidido pelos jogadores.

Destemido

Pinga revela que nunca acreditou em peso de camisa, bem como temer adversários mais famosos. “Jogávamos de igual para igual e éramos respeitados por todos”, relembra. Numa de suas viagens pelo Rio de Janeiro se encontrou com o técnico do Fluminense, Antoninho, que lhe confidenciou considerar a Seleção de Itabuna a melhor equipe amadora que já tinha visto jogar.

Outro fato poderia ter mudando sua vida, porém ele não quis abandonar o emprego no Banco Baiano da Produção e se mudar para o Rio de Janeiro. Na capital carioca recebeu o convite de Bel para acompanha-lo até a sede do Botafogo onde o colega iria fazer um teste. Foi a Marechal Severiano para assistir ao treino de Bel no time da estrela solitária.

Quando o técnico do Botafogo, Paraguaio, soube que ele também era jogador, resolveu convidá-lo para participar do teste. Pinga não contou conversa. Entrou e arrasou, marcando três dos cinco gols. Os outros dois foram feitos por Bel. Satisfeito, Paraguaio ainda tentou que ele participasse de outro treino, porém não aceitou o convite e voltou para seu emprego em Itabuna.

Competência

Apesar de Ilheense, não se conforma até hoje ter perdido a última partida da Seleção de Itabuna (dele também) contra a de Ilhéus, pelo placar de 1X0, mesmo reconhecendo a alta qualidade dos jogadores adversários. Pinga destaca o nível dos jogadores de Itabuna, que para ele seriam titulares em qualquer time do Brasil, bastando apenas mais um pouco de preparo físico.

Outros irmãos de Pinga também jogaram futebol amador em Itabuna, a exemplo de Nal, goleiro do Flamengo, Fluminense e Seleção; Régis, lateral esquerdo do Janízaros e Seleção; Gilson, quarto zagueiro do Janízaros; e Dilson, meio-campo do Janízaros. Obedecendo a recomendação médica, Pinga deixou o futebol – devido a uma distensão na virilha –, mas continua atento ao que se passa no meio esportivo.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 28-07-2002

O Oriente Médio – ou o velho oeste – é aqui

Walmir Rosário

A violência não tem dado trégua à sociedade. Se na zona urbana a insegurança recrudesce a cada dia, na zona rural não tem sido diferente. Morar longe do movimento da cidade, especialmente num sítio com paisagem bucólica já não é a opção para milhares de pessoas residentes nas grandes capitais, a exemplo do Rio de Janeiro e São Paulo.

O que parecia uma excentricidade tornou-se uma temeridade, haja vista a falta de segurança dos arredores da cidade, onde o Estado não dispõe de qualquer representante. Hoje, os sítios e grandes fazendas, principalmente as que os proprietários ali residem, são o alvo preferido pelos ladrões. Além dos prejuízos materiais, ainda há o risco moral, pois todas as atrocidades são praticadas contra as famílias.

Nas grandes fazendas os riscos de assaltos são ainda maiores, por armazenarem, durante certo período, o produto da colheita, despertando a atenção dos marginais. Na região conhecida como a “Califórnia Brasileira”, que compreende vários municípios paulistas como Araraquara, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, entre outros, bem como no Oeste do Paraná, nem mesmo a vigilância privada atemorizou os bandidos, que agem abertamente.

Hoje, assaltam-se as fazendas de pecuária, matando o gado no pasto, ou simplesmente embarcando os animais em caminhões gaiolas com a maior tranqüilidade. E, que é pior, essa carne de origem ilícita é vendida nos açougues sem a menor cerimônia, tudo às barbas da Polícia e dos serviços de vigilância sanitária.

No Sul da Bahia, as fazendas de cacau são um verdadeiro “paraíso” para os assaltantes. Os furtos começam nas roças, feitos à calada da noite, praticados pelos considerados “ladrões menores”. É muito comum ver-se, na periferia das cidades, amêndoas de cacau secando nos passeios e até mesmo no meio das ruas. Essas amêndoas, depois, são vendidas aos compradores de cacau, que não exigem qualquer comprovante de sua procedência.

Já as quadrilhas estruturadas não querem ter trabalho com as operações de colheita e secagem e partem para o assalto do cacau seco, ainda nas barcaças ou nos armazéns das fazendas à espera de transporte para a cidade. Fortemente armados, à noite, surpreendem administrador e trabalhadores e, após todo o tipo de violência física e moral, levam o cacau.

Algumas quadrilhas, velhas conhecidas da Polícia, costumam ameaçar de que prestar queixa à Polícia é perda de tempo, ou melhor, uma atitude dessa poderá causar sérios dissabores para o denunciante. Também têm o desplante de avisar ao administrador que voltará em dia e hora determinado. Em alguns casos, voltam logo depois e se desculpam de não ter cumprido o prometido no dia certo, devido a qualquer contratempo que tiveram, como já aconteceu em diversas fazendas.

Setores da Polícia, sempre dispostos a fazer e acontecer com delinquentes “pés-de-chinelo” e cidadãos comuns, não se aventuram a “caçar” esses marginais, ou simplesmente se desinteressam de prendê-los. A história nos mostra que, por diversas vezes, marginais foram presos, mas os prejudicados se acovardaram – ou se recataram, como preferem alguns – e sequer apareceram na delegacia para reconhecê-los. À Polícia não restou alternativa e teve que soltá-los.

Esses fatos, contudo, não legitima o crime e o criminoso, haja vista possuir a Polícia setores de inteligência, responsáveis pela investigação e apreensão dos que agiram fora-da-lei. Recentemente, em Buerarema, conhecido abrigo de quadrilhas especializadas em assaltos a fazendas, a ação da Polícia local vem, sistematicamente, conseguindo desbaratar esses grupos, tirando-os de circulação, seja temporária ou definitiva.

Em momento algum defendemos a pena de morte (fora de nossa cultura), mas sim a ação enérgica e eficaz. Chegamos ao desplante de sermos ameaçados de morte – inclusive a Polícia – pelos bandidos. Agiu com bom rigor o delegado Carlos Nascimento quando alertou: “Bandido será tratado como bandido”. E a delegada Marília Pereira entendeu a mensagem.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em abril de 2004

Não dá mais para aguentar

Walmir Rosário

A ausência do Estado e a certeza da impunidade são as grandes responsáveis pelos tristes acontecimentos na segurança pública em vários estados brasileiros. A garantia de que não será processado e julgado dá ao bandido liberdade para que haja livremente, desafiando todo o aparato policial. Caso seja julgado e condenado, serve-lhe muito bem continuar comandando, de dentro da prisão, até de segurança máxima, seus negócios escusos.

É triste, mas é verdade, que pouco tem sido feito no Brasil para mudar esta vergonhosa situação. Muito se fala, grandes são as promessas, embora nada chegue ao destino. Plataformas políticas são elaboradas com prioridade à segurança pública, no sentido de angariar o voto do cidadão, que hoje vive enclausurado em sua própria casa, alguns deles são até obrigados a pagar “pedágio” em seu trajeto.

A ausência do Estado, especialmente a União Federal, é gritante e poderia ser considerada trágica se muito cômica não fosse. Enquanto o governo Lula alardeia liberação de milhões de reais para construir prisões de segurança máxima, aparelhamento das polícias, entre outras ações, contigencia o orçamento federal e nada chega ao seu destino.

Essa prática, aliás, é própria dos regimes de exceção ou de ideologia stalinista, que usam o poderio da comunicação oficial, irrigada por milhões de reais para fazer chegar ao cidadão a notícia da promessa. Entretanto, a execução da obra ou serviço nunca é informada e se perde em meio ao extenso noticiário. Depois, o mesmo governo cobra dos governos dos estados a segurança dos cidadãos, os investimentos nos presídios.

Por outro lado, apesar dos discursos, pouca e devida atenção tem sido dada no Brasil à questão da violência. Cada vez mais estão presente as ações assistencialistas praticadas pelo governo Lula nas classes mais pobres e miseráveis. Ao invés de legar dignidade a quem está passando fome, esses programas estão atolados de cunho eleitoreiro, mantendo-os “na coleira da política partidária” até o dia da eleição presidencial.

Em nenhum momento o governo Lula tem se preocupado em implantar programas sérios de geração de emprego e renda e esses recursos terminam se perdendo ou utilizados de forma fraudulenta. Pela ineficiência dos agentes do governo, os programas tornam-se ineficazes por não atingir objetivos sérios e competentes.

Outra grande dificuldade do governo Lula em atingir o crime e os criminosos em seu âmago é que as mesmas autoridades estão à volta com a Polícia e Justiça, com uma série de crimes praticados com o dinheiro público. São essas mesmas autoridades que criaram e defendem até hoje a formação de quadrilhas especializadas em espalhar a violência no campo e na cidade e com o financiamento de dinheiro público, dado pelo Governo Federal.

As ações de violência praticadas neste final de semana em São Paulo, Mato Grosso, Paraná e até na Bahia (Itabuna) não são diferentes das já realizadas no Rio de Janeiro, só mudam na forma e características. Em São Paulo, encontrou resposta rápida de decisiva do governador Cláudio Lembo. Agora que o circo pegou fogo, aparecem pretensas ajudas, como se o problema fosse apenas prender os marginais envolvidos e conciliar os que continuam amotinados nas prisões.

Não, a responsabilidade da União é bem maior e vai desde a liberação urgente de recursos já anunciados e não repassados, para manter a segurança, até a elaboração de uma política de segurança pública para o País. Uma queda de braço entre os vários partidos e interesses de grupos localizados em nada servirá à Nação, cujos cidadãos almejam, pelo menos, que seja cumprido o seu direito de ir e vir sem ser molestado.

Em Itabuna, não foi diferente e é uma resposta à “Lei da Madrugada”, combatida pelos mesmos grupos que defendem ações contra marginais, mas que se escondem quando as vítimas são pais de família e trabalham na defesa da segurança, da ordem, da população. Não é de hoje que um braço do PCC age em Itabuna e região, onde mantêm esconderijos e praticam algumas ações criminosas.

Aqui, pelo menos, as autoridades municipais e estaduais, notadamente as responsáveis pela segurança pública já fizeram o dever de casa e têm dado o tratamento dispensado aos marginais. Mas ainda precisa ser revista a “Lei da Madrugada”, e ampliada sua execução, para que não fique restrita ao centro da cidade e alguns bairros mais populosos. É preciso tratar o crime como uma atividade marginal e que precisa ser banida ou, no mínimo reduzida.

Desde ontem que as autoridades de segurança pública regional têm conhecimento de que novos ataques a ônibus, escolas e demais patrimônios da comunidade estão sendo planejados em Ilhéus. Caso os serviços reservados das polícias Civil e Militar não ajam com inteligência para abafar a ação dos marginais veremos pipocar ações nefastas como essa em toda a região.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 16-05-2006

Brasília já não é a mesma

Walmir Rosário

Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza. Essa assertiva de cunho popular cabe mais do que nunca nos petistas que compõem os cargos no Governo Federal e Congresso Nacional. Antes autodenominados paladinos da moralidade pública, hoje se empanturram com sinecuras de alto escalão para suas mulheres (no caso dos ministros), ou para amigos de caráter duvidoso.

De “Waldomiros Diniz” o Palácio do Planalto está cheio. Aliás, Brasília já não é a mesma de antes, quando o próprio presidente Lula declarava em alto e bom som ser o Congresso Nacional um valhacouto de 300 canalhas. Agora, esse tipo de população aumentou geometricamente e as notícias de malversação dos recursos públicos grassam nos noticiários da imprensa de todo o mundo.

Se antes os parlamentares petistas se gabavam de, como minoria, ter poderes para barrar a pauta do Congresso via regimento interno, hoje usam uma tropa de choque (formada pela base aliada) que faz matar de inveja os congressistas remanescentes da ditadura militar. Para eles, o que manda é pragmatismo (expressão bastante utilizada pelo ditador Ernesto Geisel) e ética é coisa de ex-comunista descompromissado com os interesses do País.

Para não dizer que não falei de flores, nossos ex-éticos, na vontade indômita de continuar com as benesses do poder (antes coisa da burguesia), avançaram sem dó nem piedade para o erário público, distribuindo recursos a torto e a direito. Esse dinheiro, no entanto, tinha destino certo: ajudar a eleger os companheiros petistas, cujos índices de aceitação do eleitor nas pesquisas de opinião de voto não são satisfatório. Em outras palavras: estão rejeitados pelo povo.

O caso mais escandaloso foi o de São Paulo, onde a companheira Marta Suplicy não encontra respaldo eleitoral nem para ser eleita inspetora de quarteirão. Somente na famosa edição extra do Dário Oficial da União foi publicada a dotação para a Prefeitura paulistana, no apagar das luzes, foram destinados R$ 52 milhões. Tratamento muito diferente teve a Prefeitura carioca, cujos recursos não passaram de parcos R$ 2 milhões. Mas aí tem um agravante: César Maia é filiado ao PFL e as pesquisas indicam que ele ganha disparado as eleições de 3 de outubro.

Itabuna também vem recebendo tratamento diferenciado em relação aos municípios da região. Enquanto o petista Geraldo Simões nada de braçada em dinheiro federal, prefeitos de outros partidos têm que mendigar de gabinete em gabinete e as emendas orçamentárias não são liberadas. Como alunos aplicados de Maquiavel (o fim justifica os meios) o governo do PT usa dois pesos e duas medidas sem a menor parcimônia, apesar de ter execrado essa máxima antes de chegar ao poder.

Com a cautela e sabedoria que lhe são peculiares, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Sepúlveda Pertence, proibiu o repasse de verbas para convênios cujas obras ainda não foram iniciadas. Parecer neste sentido já tinha sido emitido pelo Procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, condenando um outro parecer da Advocacia Geral da União (AGU), favorável à liberação.

Resguardando o bem público, Cláudio Fonteles ressaltou ser o grande problema eleitoral do País a conscientização dos eleitores. Para ele, voto é como consciência, não se vende. A mesma opinião de Fonteles tinha o PT em eleições passadas. Aqui mesmo em Itabuna um dos slogans usados na campanha que elegeu Geraldo Simões à Prefeitura de Itabuna era: “No meu voto mando eu”, numa clara alusão ao voto consciente do eleitor que não se vende.

Hoje, esses mesmos políticos, com as algibeiras entupidas de dinheiro público, mandam esquecer tudo que pregaram durante anos e tentam enxovalhar a consciência do eleitor-cidadão comprando coligações e eleitores. Já cantava o velho Luís Gonzaga muitos anos atrás: “Seu doutor uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”. A Justiça tarda, mas não falha.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado Jornal Agora em 10-07-2004

Nem de boquinha eu gosto

Walmir Rosário

Dias atrás, o publicitário Gerson Menezes, de quem privo de há muito a convivência pessoal e profissional, escreveu e publicou um artigo aqui no Agora, edição de 6 de junho de 2006, página 2, questionando o patrocínio de viagens por grandes empresas para jornalistas. Pouquíssimos veículos de comunicação proíbem seus profissionais desses regalos (?), outros, nem tanto.

Aqui no Agora essa prática é permitida e é a Editoria quem escolhe o profissional a cobrir o evento para o qual foi convidado. Mais do que um presente, o profissional ou a empresa convidada podem ser escolhidos de diversas formas. Seja pela importância do profissional ou veículo, além do público-alvo que pretende atingir. Até aí nada que vá de encontro aos padrões éticos exigidos pelo bom e sério jornalismo.

Como amigo e bom conhecedor do meu caráter, Gerson Menezes, ao invés de censura, fez apenas uma provocação, pois tinha certeza de que seu artigo seria publicado e ainda por cima caberia uma explicação de minha parte. Num texto bem-humorado e perspicaz, o publicitário deixar transparecer – não nas entrelinhas – mas no próprio texto, que o profissional não teria independência para elaborar uma matéria sobre o evento com a lisura necessária.

Tendências à parte, o problema levantado pelo publicitário merece a reflexão da imprensa e da comunidade. Até que ponto uma empresa de comunicação ou um jornalista que recebe benesses (passagens e estadas) está obrigada a escrever inverdades ou enfeitar o “pavão”? A mim parece que nenhuma. Prova disso é que nesta viagem ao Rio de Janeiro, feita a convite da Petrobrás, as matérias foram influenciadas pela estatal? Em nenhum momento, garanto. Os fatos foram narrados como se apresentaram e as críticas também escritas no local apropriado, na seção Política & Políticos, na página 3, onde cabem especulações.

A preocupação do publicitário Gerson Menezes é procedente, haja vista a prática abominável de algumas empresas de convidar jornalistas e dirigentes de veículos de comunicação para evitar matérias “desinteressantes”. E Gerson ilustra seu artigo com um fato verdadeiro passado em Itabuna e que tem como personagem a Nestlé, antes pródiga em agrados e mordomias à imprensa.

No caso em questão, a viagem da qual participou Gerson Menezes e confrades itabunenses teve como móvel a matéria “O passeio do leite”, em que mostrava uma possível “armação contábil praticada pela Nestlé contra a Bahia e Itabuna” (sic). Confortavelmente instalada num avião, a caravana foi a São Paulo desfrutar das mordomias permitidas a uns poucos mortais bafejados pela sorte.

Mas como disse Gerson, em momento algum foi instado pela empresa a esquecer “O passeio do leite”, numa sábia ação da competente equipe de relações públicas da multinacional suíça. No caso da Petrobrás, o objeto do convite era outro: divulgar o lançamento de editais do Programa Fome Zero da Petrobras.

Ao contrário da viagem patrocinada pela Nestlé, posso garantir que a Petrobrás foi de uma pobreza franciscana – tanto na que fiz como na que foi o Antonio Lopes – e essa liberdade se estendia às passagens aéreas e pensão completa em hotel. Nada mais justo. Ressalvo, porém, para que não pairem dúvidas ao amigo Gerson Menezes, que a expressão pensão completa era restrita a acomodações em apartamento simples, café-da-manhã, almoço e jantar, acompanhados apenas de água, suco ou refrigerante.

Portanto, nada de bebidas alcoólicas ou passeios por badaladas boates. A conta da frequência nos botequins do Leme e Copacabana corria às expensas dos jornalistas. E assim foi feito. Pra mim, nada de anormal, pois compareço aos eventos nos quais me sinto bem, quando o convite é pessoal, e nos profissionais, quando posso.

Nos pessoais, mesmo com a chamada “boca livre” e modernamente conhecida por 0800, nem sempre compareço, principalmente se não for do meu agrado. Prefiro, na maioria das vezes, jogar conversa fora e resolver os problemas do mundo com os meus diletos e selecionados amigos no “Alto Beco do Fuxico”. Dividindo a conta, é claro. Quanto ao receio de que eu possa trocar a “sagrada” cachacinha pelo sabor de um whisky 18 anos, não tenha receio: Sou democrático e todas as bebidas são do meu agrado, desde que sejam boas.

Pode ficar sossegado, Gerson.

Publicado no Jornal Agora em 11-05-2006

A ética no banco dos réus

Walmir Rosário

Dar a volta por cima, sem pagar nada do que deve à Nação é o que pretende o Partido dos Trabalhadores (PT) e o presidente Lula. E para defender seus companheiros atolados até o pescoço num mar de lama, sai da defesa partindo para o ataque, inclusive de partidos aliados. É o que pode ser chamado de um tiro no pé, ato falho que tem cometido o PT ao longo dos anos.

Acostumados a se posicionar sempre na defensiva, os petistas não se colocam (ou pelo menos se negam) na condição de governo, ou seja, pretendem continuar sendo estilingue, apesar da condição de vidraça. E que vidraça! Desde que chegou ao poder, representantes do PT têm cometido malefícios de toda a ordem, embora não admitam pagar por eles.

O partido guardião da ética e dos bons costumes, a cada dia cai de podre, ressalvando-se grande parte da militância bem intencionada e que lutou durante anos para o País se livrar do coronelismo oficial. Ledo engano! Ao chegar ao poder, praticaram os mesmos defeitos como se fosse parte da liturgia do cargo cometerem os erros que tanto repudiavam.

O fato que contraria o eleitor que votou em Lula à cata de mudanças profundas, a exemplo de uma reforma política debatida entre as bases, uma reforma econômica e, sobretudo, fiscal, lamentam ter avalizado tamanho destino. As reformas estão sendo postergadas, as promessas feitas durante todos esses anos e mais amiúde durante a campanha são empurradas com a barriga, como se diz popularmente.

E os eleitores não se conformam, principalmente os que hoje estão conscientes do erro cometido. Reclamam do voto dado, se arrependem da decisão tomada – embora tenha sido de boa-fé e na melhor das intenções. Mas não tem mais jeito e só resta chorar o leite derramado, e aguardar uma nova oportunidade de praticar a cidadania nas urnas.

Já outra parte da população não tem muito do que reclamar, afinal, se beneficia da política da esmola praticada pelo Governo Federal, antes chamada de assistencialismo. São os 25% da população menos assistida que recebem o Bolsa Família, programa eminentemente marcado pelo populismo eleitoral, cujo maior mérito é tentar transformar trabalhadores fora do mercado de trabalho em mendigo perene.

Uma outra parcela da população também está bastante satisfeita com a política – ou falta dela – do Governo Federal: são seus filiados, hoje ocupantes dos milhares de cargos públicos criados para abrigá-los em sinecuras federais e estaduais. Junto com eles, desfrutam também dessas benesses, filiados de partidos políticos aliados.

É preciso, entretanto, distinguir quem serve à máquina administrativa de que apenas chegou lá para fazer parte do feudo destinado, repartir o produto do botim, como se faziam nas batalhas conhecidas pela humanidade. Existem os que realmente administram a coisa pública com competência, haja vista certos órgãos quem vêm dando certo e os que servem apenas para o aparelhamento partidário.

Com toda essa sucessão de erros – para não dizer de má-fé –, ainda ouvimos, mais uma vez, os constantes discursos do presidente da República, que se confundindo presidente do PT, derrama elogios à prática da ética pelos companheiros de partido. “Ninguém é mais ético do que o PT”, disse Lula durante o 3º Congresso do PT, em São Paulo.

Esquece o presidente Lula – seja o da República ou o do PT –, na difícil missão de defender seus companheiros, que além de ser honestos, eles também devem parecer honestos (como deveria ser a mulher de Cezar). Esquece o presidente que o Partido dos Trabalhadores se coligou com outros partidos políticos nas últimas eleições, e que são eles, os outros que ele classifica de nem tão honestos, os administradores do Governo Federal.

Do discurso do presidente Lula pode se tirar uma lição (também bem popular): “farinha pouca meu pirão primeiro”. Só que esqueceram de avisar ao presidente Lula que ética não pode ser mensurada através de índices, de graus. Ou se é ético, ou não se é, e isso mostra que não pode existir dubiedade quanto ao conceito.

Comparam alguns que ética é igual à gravidez: ou se está grávida ou não. Afinal, ninguém nunca viu alguém ligeiramente grávida.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 04-09-2007

Yes, we have Baíta

Walmir Rosário*

Não me lembro bem do ano, mas juro, se minha memória não falha, que o fato aconteceu no início da década de 60, no bairro da Conceição – ainda com aquele jeito suburbano, mas que já demonstrava vocação de desenvolvimento. O fato aqui relatado foi motivo de orgulho para empresários e políticos itabunenses, compenetrados que estavam com a inauguração de uma promissora indústria de cerveja, a Baita.

Os mais novos podem até não entender o motivo desse orgulho, como se tratasse apenas de patriotada. Não, Itabuna iria competir com os estados do Sul e Sudeste, única região do País que detinha a primazia de industrializar cerveja, produto trazido para Brasil pelos alemães, dentre outros europeus.

O bairro Conceição foi o primeiro a sediar uma fábrica de cerveja em Itabuna

Agora, sim, Itabuna, o eldorado do cacau, com experiência restrita ao comércio, praticado com sabedoria pelos sírios e libaneses (ou turcos, quando queríamos zombar deles) iríamos partir para a industrialização, competir com o Rio de Janeiro e São Paulo.

As notícias dadas como manchetes nos jornais locais eram ufanistas (como desenvolvimentistas empedernidos que sempre fomos) e já sonhávamos com as chaminés despejando fumaça nos céus. Ao invés da mão-de-obra rural, acostumada a podão e biscó, teríamos operários de macacão apertando parafusos, azeitando máquinas, alimentando caldeiras. Era a glória!

Mas de onde viria essa empresa disposta a investir em Itabuna? O quê esses capitalistas estrangeiros teriam vislumbrado para montar uma indústria dessa magnitude, já que no máximo nos contentávamos com pequenas fábricas de cachaça? Mesmo assim do tipo “rinchona”, baldeando o produto vindo do alambique com álcool comprado em tonéis de 200 litros das usinas de Sergipe e Alagoas, conforme reclamavam os paladares mais exigentes.

Não, não se tratava de investidores alemães ou suíços acostumados aos lucros exorbitantes conseguidos com a compra de cacau e os adiantamentos feitos aos cacauicultores, que geralmente terminava com a entrega das fazendas. Nada disso, em Itabuna existia gente disposta a investir no desenvolvimento local, gente que não destoava de seus antepassados, responsáveis pela grandeza da cidade.

Claro que não eram homens poderosos, coronéis do cacau, acostumados a se meter em outras lides, derrubando matas, plantando cacau, fazendo pasto para colocar gado. Eram duas pessoas simples, trabalhadores, moradores do singelo bairro da Conceição, devotos da santa padroeira e fiéis assíduos das missas rezadas pelos frades capuchinhos Justo, Isaías e Apolônio.

Um, Antônio Vieira, era homem de saberes, professor de línguas – latim, português, francês e inglês – aprendidos no seminário, onde se ordenou padre, tendo deixado o hábito tempos depois, mas isso não importa agora. O outro, Zacarias bem esse já era diferente e tinha pendores (ou know-how, como dizem os americanos) para tal mister, pois detinha conceituados conhecimentos para a fabricação de vinagre.

Embora possa parecer que a ideia de fabricar cerveja tenha partido de Zacarias, a história é bem diferente, e foi justamente o professor Vieirinha quem convenceu o outro a formar sociedade. Mesmo antes de montar a Baita, o professor Vieira já era possuidor de um equipamento cervejeiro doméstico, e não relutava ir ao Rio de Janeiro e São Paulo para comprar malte, lúpulo e outros insumos próprios para o fabrico.

Nos fins de semana em que fabricava sua cerveja caseira era uma festa para os amigos, vizinhos e a garotada, que se transformavam em “pilotos de provas”, entre eles meu irmão Valter Rosário, amigo de seus filhos. Com esse aprendizado foi um pulo comprar equipamento para fabricar a mais legítima cerveja itabunense, baiana. Daí o nome Ba-ita, junção patriótica de Bahia e Itabuna.

Lembro-me como se fosse hoje a chegada dos caminhões com o maquinário e insumos. Uma festa para a garotada, que conferia a todo o dia a montagem da indústria. Aos poucos a fábrica foi tomando corpo, as experiências feitas, até os mestres cervejeiros darem o produto por acabado. Agora era a vez de vender, convencer os donos de bares a comprar a bebida, “filha da terra”, como diziam, arrematando que “não ficava nada a dever à Brahma e Antarctica”.

Como parte do marketing, tinha os frades capuchinhos para abençoar o empreendimento, o prefeito Félix Mendonça e o deputado estadual José de Almeida Alcântara para inaugurar. Neste dia, boa parte da cidade da gente graúda do centro da cidade estava no Conceição. Na hora, foguetes estourando, o professor Vieirinha abre uma cerveja e oferece a Alcântara o primeiro copo. Alegando uma indisposição, coisa de um sarapatel que tinha comido na feira, pegou o seu copo e ofereceu a um amigo que lhe acompanhava.

Era o funcionário do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários (IAPC), o saudoso Manuel Leal, que se tornou o primeiro “piloto de prova” da Baita, numa deferência toda especial do amigo deputado.

Quanto à Baita? Infelizmente não resistiu à concorrência das rivais e terminou sucumbindo. Com isso Itabuna perdeu uma grande oportunidade de se tornar o primeiro polo cervejeiro do Norte e Nordeste, já que Salvador somente anos depois ganhou suas duas primeiras fábricas. Essa é mais uma prova de que somos pioneiros também na fabricação de cerveja.

*Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Salário mínimo deveria ser de R$ 2.383,28, diz Dieese

salário mínimo do trabalhador no país deveria ter sido de R$ 2.383,28 em maio a fim de suprir as necessidades básicas das famílias brasileiras, como constata a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada nesta segunda-feira (4) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Com base no maior valor apurado para a cesta no período, de R$ 283,69 em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ter sido 3,83 vezes maior do que o piso vigente no Brasil, de R$ 622,00.

O valor estimado pelo Dieese em maio é maior do que o apurado para abril, quando o mínimo necessário foi calculado em R$ 2.329,35 ou 3,74 vezes o mínimo atual. Há um ano, o salário mínimo necessário para suprir as necessidades dos brasileiros era de R$ 2.293,31, o equivalente a 4,21 vezes o mínimo em vigor naquele período, de R$ 545,00.

A instituição também informou que o tempo médio de trabalho necessário para que o brasileiro que ganha salário mínimo pudesse adquirir, em maio deste ano, o conjunto de bens essenciais aumentou na comparação com o mês anterior, mas caiu significativamente em relação a igual período de 2011.

Fonte: Exame.com

Indústria registra queda na produção em março

Da AGÊNCIA BRASIL

Brasília – A produção industrial brasileira registrou em março queda em cinco dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com três estados apresentando uma queda acima da média nacional para o período (-0,5%). De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física-Regional, divulgados nesta quinta-feira (10), a queda na comparação com fevereiro foi de 1,3% na Bahia, 0,7% em Minas Gerais e 0,7% em Santa Catarina. No maior parque fabril do país, São Paulo, a taxa negativa foi 0,3%, inferior, portanto, à média nacional.

Já no confronto com março de 2011, as perdas mais intensas foram verificadas em São Paulo (-6,2%) e Santa Catarina (-6%). Rio de Janeiro e Espírito Santo, ambos com uma queda de 2,4%, também registraram recuos maiores que a média nacional nesse tipo de comparação (-2,1%).

De fevereiro para março, os indicadores regionais da produção industrial assinalam resultados positivos no Paraná (9,8%), em Goiás (6,7%) e no Amazonas (6,5%). Os três estados haviam apresentado quedas expressivas de produção no mês anterior, chegando a 8% no Amazonas e a 7,4% no Paraná. Rio Grande do Sul (2,6%) e Rio de Janeiro (2,5%) também tiveram desempenho positivo mais acentuado em março.

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Morre Romildo Fernandes

O engenheiro e empresário agropecuário Romildo Fernandes faleceu às 2 horas deste sábado (24), em São Paulo, onde realizava tratamento cardíaco. Há algum tempo Romildo lutava contra problemas de saúde. Romildo deixa a esposa e dois filhos.

Romildo Fernandes é um homem de personalidade forte, apesar de tímido, determinado no que se propunha fazer. Ultimamente era um dos maiores incentivadores da luta pela recuperação da lavoura cacaueira e os desmando praticados pelos introdutores da vassoura-de-bruxa nos cacauais do Sul da Bahia.

O corpo de Romildo será transferido para Salvador, onde será sepultado neste domingo (25).

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