Posts Tagged ‘sul da bahia’
Circuito Bivolt de Surf e Bodyboarding começa dias 25 e 26
A primeira etapa do Backdoor apresenta Circuito Bivolt de Surf e Bodyboarding será realizada nos 25 e 26 de maio, na Cabana Céu e Mar, praia do sul, em Ilhéus, sul da Bahia.
Os melhores atletas do estado marcarão presença em um dos maiores litorais do Brasil. A premiação será de pranchas, kits e troféus.
O circuito Bivolt tem a intenção de fortalecer a base e revelar novos talentos além de fomentar a cidadania. Atletas com média 8 (oito) não pagam taxa de inscrição.
Para a diretoria do Circuito Bivolt, o evento está a cada ano se consolidando. “É gratificante para nossa empresa investir no esporte e ter esse retorno. Estamos no quarto ano e são mais de 120 atletas por etapa. Tenho certeza que o circuito Bivolt é o marketing esportivo de qualidade e uma ferramenta motivadora na vida dos jovens da Bahia.”, conclui o diretor executivo Raimundo Machado.
Fique ligado que a energia da Bahia ligou a máquina de talentos e você vai conferir tudo nas mídias que divulgam o esporte. Mais informações e reservas de inscrições pelo telefone 73 3231-6139/8831-4425
Rio do Engenho, a cachaça que pretende conquistar o mundo
Por Walmir Rosário

Cinco tipos de cachaça para agradar os mais diversos paladares
Ilhéus, que já foi chamada de Princesinha do Sul no auge da chamada civilização do cacau, desponta, agora, como produtora de cachaça. É a Cachaça (com C maiúsculo, sim) Rio do Engenho, produzida no distrito do Japu e apreciada pelos mais finos paladares de todo o mundo. E a cachaça é um dos produtos brasileiros em ascensão nos mercados nacional e internacional, a cada dia mais presente nas mesas mais bem postas e requintadas.
Diferenciada da chamada pinga, conhecida geralmente por ser consumida pelas pessoas de baixo poder aquisitivo, a cachaça ganhou status e algumas marcas são disputadíssimas no mercado, a depender da data da safra e do controle da produção. Sem querer bancar o empedernido nacionalista, os whiskys que se cuidem, pois a cachaça a cada dia está mais presente nas lojas especializadas na distribuição de bebidas finas, com preços para todos os bolsos.
E a Cachaça Rio do Engenho surgiu justamente na evolução desse mercado, distinguindo-se e até se sobressaindo de marcas famosas produzidas em regiões como Salinas, Minas Gerais, tida e havida como berço da cachaça no Brasil. Se as cachaças de Salinas se impõem pela tradição, a Rio do Engenho se consolidou pelo seu DNA: cada um dos tipos de cachaça obedecem, rigorosamente, a um processo de produção, descanso e envelhecimento.
DNA, sim, esse é o nome mais apropriado para apresentar os tipos de cachaça que passam pela linha de produção da Fazenda Chapada dos Boiadeiros, por Luiz Fernando Galletti, paulista radicado em Ilhéus há pouco mais de 10 anos e há mais de sete anos produzindo as cachaças Acqua Benta e Rio do Engenho, de forma artesanal. Para oferecer ao mercado cachaça de qualidade, todo o processo é feito obedecendo a um controle rigoroso de qualidade.

Luiz Fernando Galletti e a Acqua Benta, feita para o público jovem
Segundo Luiz Fernando, cada um dos tipos de cachaça segue um processo especial, finalizando com o envelhecimento nos tonéis de madeira. Todos eles são fabricados a partir das madeiras umburana (cerejeira) e itiúba; castanheira e louro-canela; bálsamo e louro-canela, com percentuais diferenciados. Já a cachaça do tipo reserva especial passa por dois tipos de combinação de tonéis de madeira, o que lhe confere um buquê diferenciado.
Uma das preocupações de Luiz Fernando é agradar ao paladar de brasileiros e estrangeiros, daí esse envelhecimento em tonéis de madeira diferentes, com a finalidade de atender aos mais diversos paladares. “Esse trabalho de combinações requer bastante atenção, pois em cada região existe preferência mais acentuada e temos que atender a uma gama maior de consumidores, a exemplo do que aconteceu com os whiskys”, conta.
A inovação do mercado é outra preocupação constante de Luiz Fernando, que diz não ter entrado no mercado de cachaça para ser mais um e sim para inovar. “Começamos tomando todas as precauções, com a finalidade de apresentar um produto de qualidade, comparando a Rio do Engenho com as cachaças já tradicionais. E assim temos feito durante esses anos. Os frutos desse trabalho já começam a ser vistos nas feiras e exposições que temos participado”, ressalta.
Além de inovar para ganhar os já apreciadores de cachaça, o empresário pretende formar um novo mercado, formado pelo segmento jovem. Para tanto, criou a Acqua Benta, marca com nome original e de forte apelo de marketing para chamar a atenção desse novo público-alvo, além dos aromas do bálsamo e canela, que dão um buquê bastante diferenciado.
Atualmente, a Rio do Engenho produz cinco variedades de cachaça. A prata, mais rústica, sem ser envelhecida, descansada em alambiques de aço inox por seis meses e um forte sabor de cana; a Rio de Engenho Black; a Ouro e a Acqua Benta, envelhecidas por dois anos; e a Reserva, tipo especial, envelhecida por três anos.
Artesanal, a Rio do Engenho possui paladar diferenciado e disputa mercado com as grandes marcas tradicionais
Padrão de qualidade

Envelhecimento em tonéis de madeiras, com aromas e buquês diferentes
A fabricação de uma cachaça de qualidade passa pela padronização da matéria-prima – a cana – e de todas as fases de produção. E esse cuidado começa com a plantação da cana na época certa, o corte quando o índice de açúcar estiver ideal, nem mais nem menos e tudo conferido no espectrômetro. Toda a cana cortada deve ser moída no mesmo dia, no sentido de que a sacarose não comece a se transformar em outros açúcares.
Outro cuidado especial para a produção de uma excelente cachaça é a fermentação. Para se conseguir 15 graus de açúcar, todo o processo de fermentação é totalmente natural, sem a adição de milho, pão ou outros produtos. O único componente utilizado é um fermento liofilizado, desenvolvido pela Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, a partir da própria cana, sem qualquer aditivo químico.
Também deve ser observada a limpeza dos equipamentos, livre de resíduos, bem como o controle do fogo. Num alambique das proporções do implantado na Rio do Engenho, a calda deve destilar de um litro a um litro e meio a cada minuto. Para manter o calor constante, é utilizada uma caldeira, cuja pressão é observada a todo o instante no manômetro, evitando as variações de temperatura.
Cachaça destilada, o armazenamento é outro cuidado a ser tomado para evitar interferência externa na qualidade. Por isso, é interessante que as dornas – de aço inoxidável e de madeira – estejam em local úmido. Cada fase, no entender do empresário, deve ser observada com o próprio olho do dono, inclusive durante o engarrafamento, utilizando garrafas novas, límpidas. Antes, porém, deve ser observada se a graduação está nos 38 graus pretendidos.
Assentada na história
A Fazenda Chapada dos Boiadeiros está localizada numa região rica em história e onde foram implantadas as primeiras plantações de cana-de-açúcar do sul da Bahia, ainda nos tempos das Capitanias Hereditárias. Segundo contam os historiadores ilheenses, em 1537, o terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá implantou o Engenho de Santana, de relevante importância histórica.
Porém uma série de crises com rebeliões de índios e de escravos resultaram em decadência econômica e diversas trocas de proprietários do território com o passar dos séculos. Por volta de 1573, Santana tinha 130 escravos, mas, por ser um tanto distante e isolada, sofreu ataques indígenas entre 1590 e 1601. Por volta de 1618, a ordem dos jesuítas havia adquirido Santana por herança.
Hoje, na localidade de Rio do Engenho, às margens do Rio Santana, ainda podem ser vistas as ruínas do engenho e abriga a terceira mais antiga igreja do Brasil, a Capela em homenagem a Nossa Senhora de Santana.
Publicado simultaneamente com a Banda B do Jornal Agora
Intermunicipal tem motivação especial este ano
Por Walmir Rosário
Teve início ontem às 17 horas, em Santo Amaro, com o jogo Santo Amaro 2 X 1 Feira de Santana, o Campeonato Intermunicipal de Seleções Amadoras da Bahia, versão 1993. Participam do Intermunicipal 81 seleções de todas as regiões da Bahia, transformando-o no maior campeonato amador do mundo. Pelo novo regulamento aprovado entre os clubes e a Federação Bahiana de Futebol (FBF), a seleção campeã do Intermunicipal irá disputar o Campeonato Baiano de Profissionais de 94 – 1ª Divisão –, o que vem incentivando os investimentos na contratação de bons jogadores.
O maior campeonato do mundo também é o mais organizado, recebendo toda a atenção por parte dos dirigentes da FBF. Isto pode ser visto durante a realização do Conselho Técnico, para definir o regulamento. Enquanto o arbitral da Divisão de Profissionais é realizado na sede da Federação Bahiana de Futebol, o de amadores teve como palco o luxuoso Hotel Méridien, reunindo dezenas de dirigentes e prefeitos.
Lucratividade

Ilhéus realiza um trabalho de base e prepara a geração do futuro para evitar investimentos altos no futebol
O intermunicipal pretende ser rico e lucrativo para a FBF. Para cada inscrição de seleção são cobrados Cr$ 8 milhões (oito milhões e cruzeiros), fora inscrições individuais e transferências de jogadores, entre outros serviços. Segundo o jornalista e diretor da Liga Itabunense de Futebol, Pedro Ivo Bacelar, antes mesmo de começar o campeonato propriamente dito a FBF já arrecadou mais de Cr$ 1 bilhão (um milhão de cruzeiros), sendo que cerca de 60% desse faturamento tem como origem o Sul da Bahia.
Os lucros vão além do que arrecada a entidade. Como o Intermunicipal está mais profissionalizado do que o Campeonato Baiano da divisão principal, jogadores, técnicos, preparadores físicos e até empresários vão fazendo o seu pé-de-meia, já que estariam condenados a ficar fora dos gramados por algum tempo e, consequentemente, desempregados. Cada vez mais o público entrará em contato com atletas conhecidos, oriundos de times como o Itabuna, Galícia, Jacuipense, Catuense, Serrano, Camaçari, e de equipes do Espírito Santo e Minas Gerais.
Prestígio eleitoral
Às vésperas da eleição da Federação Bahiana de Futebol os dirigentes mostram prestígio e buscam votos nas ligas interioranas. Mesmo que isso importe na descaracterização do Campeonato Intermunicipal, a FBF facilitou a utilização de até oito atletas profissionais por cada seleção. Afinal de contas, uma seleção campeã eleva o conceito, de dirigentes locais e do prefeito, sempre pronto para pagar as contas de sua equipe.
Além dos repasses de subvenções para as ligas, o prefeito ainda pode influir decisivamente na sucessão da FBF, haja vista ser o Palácio dos Esportes roteiro obrigatório dos prefeitos interioranos em suas viagens à capital do estado. Com isso, o presidente Marcos Andrade sai disparado na frente para eleger o seu vice, Pedro Roberto, que terá como adversário o ex-presidente Antônio Piton. O contraponto do Campeonato Intermunicipal ficou por conta das ligas de grandes cidades, como Vitória da Conquista, e Jequié, que não aceitaram as regras do jogo: competir num campeonato amador com seleções profissionais e realizado altos investimentos.
Muita ‘grana’ nas contratações
Entre as seleções que mais investiram visando ao primeiro lugar no Campeonato Intermunicipal estão as de Buerarema, Itajuípe, Coaraci e Itororó, que lutam desesperadamente por uma vaga no campeonato de profissionais, apesar de não possuírem infraestrutura, como grandes estádios futebol ou público suficiente para manter um time. Essas seleções gastaram muito na contratação de jogadores e comissão técnica, além de despesas com material esportivo de primeira qualidade, alojamentos, alimentação e transporte.
Contrato, luvas salários ou qualquer outro tipo de de remuneração tão comum no vocabulário esportivo não fazem parte do dicionário dos dirigentes de ligas ou de prefeitos. Exceção apenas para os chamados “bichos”, muitas das vezes progressivos, conforme o número de vitórias ou a classificação no campeonato. Entretanto, um técnico poderá receber salários de até Cr$ 80 milhões (oitenta milhões de cruzeiros) e mais as despesas, não contando, aí, os prêmios pelo desempenho da equipe, e um jogador profissional pode ganhar entre Cr$ 20 milhões a Cr$ 40 milhões de salário.
Buerarema
Considerado um “salvador” de times, o técnico Sapatão foi convocado para dirigir a outrora modesta Seleção de Buerarema. Junto com Sapatão também vieram o preparador físico Cleto Sauer, o massagista Santana, o roupeiro Napaeta, o treinador de goleiros Celso Adrião, todos ex-Itabuna, continuando apenas o supervisor Orlando da Hora, que já foi o treinador da seleção no campeonato passado.
Além da comissão técnica, o treinador Sapatão recrutou atletas em diversos times da Bahia, como o Galícia e o Camaçari, que dirigiu e salvo da “degola” em cima da hora. Somente do Camaçari vieram o goleiro Ferreira, Pita, Lima Baiano, Paulo Itaparica e Carlinhos Maracás; do Itabuna, Zé Luiz e Formigão (Araxá); além dos juniores Zé Mário e Rodrigo. Em Ilhéus o técnico foi buscar os amdores Nazaré (campeão baiano no intermunicipal de 87 pela Seleção de Itajuípe) e Ivan Baiano (outro campeão do ano passado pelo Linhares, do Espírito Santo).
Experiência
Em Buerarema os investimentos, entretanto, não ficaram restritos à contratação de jogadores profissionais. A Liga vem realizando um trabalho junto aos juniores. Dos atletas inscritos para o Intermunicipal cinco são provenientes dos clubes amadores da cidade – inclusive um atleta foi convado da equipe das “Puaias”, que disputou o Campeonato Rural do Município: o meio campo Watson. Segundo o zagueiro Zé Luiz, que também é irmão do prefeito Tarciso Brunelli, os investimentos são altos. Semente com salários são gastos em torno de Cr% 500 milhões mensais, o que daria inveja a muitos times profissionais.
Justifica Zé Luiz que em Buerarema a seleção encontra vários “protetores” como o prefeito Brunelli, empresário do ramo de distribuição de petróleo, e responsável pela seleção do ano passado, quando apenas era empresário. “Ainda temos a ajuda de parte do comércio e da própria prefeitura”, ressalta. Diz ainda Zé Luiz que o investimento maior da prefeitura foi a reforma do Estádio Antônio Carlos Magalhães, que recebeu cobertura na arquibancada, novos vestiários para os juízes, pintura e reforma do gramado.
Apesar de todas as contratações, a Seleção de Buerarema ainda não teve tempo suficiente para trabalhar em campo. Nas duas partidas amistosas disputadas contra a modesta Seleção de Ibicuí, perdeu por 2 X 1 fora de casa e empatou em 1 X 1 no estádio local. Segundo o preparador físicio Cleto Sauer, a seleção ainda não realizou um treino com todo o conjunto. Houve a contratação de outros jogadores e existe a escassez de tempo para prepará-los fisicamente. “Quem estava atuando no campeonato de profissionais está bem, mas quem estava parado ainda precisa de mais um tempo para chegar à forma física desejável”, afirma Cleto.
Profissionalismo é criticado
O alto nível de profissionalização das seleções amadoras é criticado por grande parte da imprensa e de alguns dirigentes de ligas. Para os defensores do amadorismo, a inclusão de jogadores profissionais descaracteriza o Campeonato Intermunicipal e ainda inibe a revelação de futuros craques, tão escassos no futebol de hoje. Parte dessa crítica é feita por dirigentes que reclamam a falta de apoio para um trabalho de base com a garotada da periferia das cidades, locais que tem revelado bons jogadores.

Ivo Badaró critica o profissionalismo existente hoje
Para o diretor de Educação Física, Recreação e Desportos da Prefeitura de Ilhéus, Ivo Badaró, é inconcebível pagar altos salários aos atletas, enquanto o município ainda não pode fazer o mesmo com os professores. Para a Seleção Amadora de Ilhéus participar do Intermunicipal, a Prefeitura destinou apenas a modesta quantia de Cr$ 200 milhões (duzentos milhões de cruzeiros), constante no orçamento municipal, além da liberação de dois funcionários: o treinador Sérgio Vieira e o massagista. Outros tipos de ajuda concedidos são os veículos para o transporte da seleção durante os treinamentos e as partidas oficiais, além dos faturamento com a publicidade no estádio Mário Pessoa.
Juniores
Destaca Ivo Badaró que a Prefeitura de Ilhéus, ao invés de investir recursos para contratar jogadores profissionais, tem se preocupado em formar novos atletas em todas as modalidades esportivas. Especificamente no futebol, a Secretaria da Educação vem investindo nas equipes de base, realizando um trabalho semelhante ao do Matsubara do Paraná, recuperando e construindo campos de futebol na periferia da cidade. “Estão programados quatro Centros de Treinamento (CT’s) para trabalhar os garotos até eles poderem chegar à Vila Olímpica Mário Pessoa”, explica Badaró.
Para o técnico Sérgio Vieira, ex-campeão do Intermunicipal jogando pela Seleção de Itajuípe em 1987, a profissionalização do Intermunicipal é uma injustiça, pois impede o surgimento de novos valores. Sérgio garante que somente ganhou dinheiro com o futebol jogando pelas seleções amadoras de outras cidades, nunca pela Seleção de Ilhéus ou como profissional. “Dos 24 jogadores convocados para a seleção, seis deles já saíram para ganhar dinheiro em seleções de cidades vizinhas e apenas três jogadores da atual seleção já participaram de outros intermunicipais. O restante do time é todo formado por juniores”, explica.
Itabuna
Situação semelhante a de Ilhéus passa a Seleção de Itabuna: ela não tem recursos para enfrentar as seleções profissionalizadas. Para o técnico Amail Lins, a parada é dura, pois a primeira partida é justamente contra a Seleção de Buerarema. “Enquanto nós treinamos à noite porque os atletas trabalham em dois turnos, em Buerarema os jogadores fazem dois turnos, já que esse é o seu trabalho”, ironiza. Para entrar no Campeonato Intermunicipal, o Itabuna comprou Cr$ 160 milhões (cento e sessenta milhões de cruzeiros) de material esportivo (fiado) e os jogadores vão aos treinos graças aos vales-transportes oferecidos por uma empresa de ônibus. “Mesmo assim temos uma frequência de 100%”, garante o treinador Amail.
Segundo o jornalista e diretor da Liga Itabunense de Desportos Amador, Pedro Ivo Bacelar, uma das exigências da diretoria foi convocar somente os jogadores que participavam do Campeonato Amador Municipal. “Não temos nenhum atleta de fora ou que ganhe dinheiro. Todos eles pertencem aos 14 times da cidade”, frisa. Para o radialista esportivo Jorge Caetano, uma das exigências que deveriam ser impostas pela FBF para que a seleção fosse inscrita seria a realização de um campeonato local. “Temos bons jogadores, porém eles não aparecem por falta de equipes”, ressalta.
O técnico de Itajuípe, Alberto Leguelé, encara a profissionalização do Intermunicipal como um novo mercado para os jogadores e comissões técnicas, além de revelar nomes de cidades sem a tradição do futebol. Para ele, a FBF deveria aumentar o número de seleções e o calendário, participando todas as cidades que tenham estrutura. Quem concorda com Leguelé é o zagueiro Zé Luiz, de Buerarema. “Se o campeão do Intermunicipal vai subir para a Primeira Divisão, a profissionalização é necessária para a equipe pegar experiência”, avalia.
O Campeonato Intermunicipal tem sido um vasto mercado para suprir o período de “férias” dos campeonatos profissionais. Tem atraído jogadores de outros estados, como o lendário Jacozinho, oriundo do futebol alagoano. O troca-troca de clubes enchem os noticiários das emissoras de rádio, que chegam a dedicar cerca de 90% de sua programação esportiva ao Intermunicipal. O chefe da equipe esportiva da Rádio Difusora de Itabuna, Robério Menezes, comenta que a emissora transmite até sete partidas simultaneamente, o que garante audiência e faturamento.
João Xavier aponta solução
“Como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não permite mais de uma federação por estado, a única solução para se manter a atividade esportiva nas várias regiões da Bahia é a implantação de ligas regionais ou outra entidade que controle os clubes de futebol”. A afirmação é do ex-presidente do Itabuna Esporte Clube e secretário de Esportes e Turismo da Prefeitura de Itabuna, João Xavier. Para ele, a única maneira de se evitar a decadência do futebol baiano é a criação de campeonatos regionais paralelos, que vão se afunilando até chegar ao campeão estadual.
Garante Xavier que sua ideia vem encontrando receptividade entre os diversos dirigentes de futebol do Sul da Bahia, embora seja uma proposta que requeira estudos mais aprofundados. “Temos que sair da crise financeira, onde somente a Federação Bahiana ganha dinheiro com o futebol. Numa renda de Cr$ 20 milhões (vinte milhões de cruzeiros), por exemplo, somente Cr$ 667 e 220 cruzeiros ficam para o clube da casa”, protesta. Xavier afirma que a estrutura do Intermunicipal deveria ser profissional, já que acabaram com a essência do amadorismo. O campeonato de profissionais – completa –, é direcionado para Bahia e Vitória.
O dirigente observa que não tem sentido a prefeitura bancar uma seleção profissional, mascarando-a de amadora, pois não oferece recursos e condições para o surgimento de novos valores. “A prefeitura liberou cerca de Cr$ 300 milhões para a Seleção de Itabuna comprar material esportivo. Se não liberou mais é porque os recursos estão escassos”, diz. Para inverter a situação de decadência do esporte do esporte amador, Xavier informa que sua secretaria vai executar projetos de construção e recuperação de campos de futebol e contratar pessoal técnico para formar escolinhas. Ainda hoje Xavier vai manter uma reunião com as associações de bairros para discutir a criação do primeiro campeonato de futebol de campo entre os bairros da cidade.
Itajuípe quer ser bicampeã
Campeã em 1987, a Seleção de Itajuípe tem obtido ótimo desempenho no Campeonato Intermunicipal, tendo sido vice-campeã por três vezes. Este ano, mais uma vez, ela não deixa por menos e tentará repetir a façanha de 87, quando ganhou da Seleção de Santo Amaro na casa do adversário. Para repetir o feito, a Liga Itajuipense contratou o técnico Alberto Leguelé, que atuou por Camaçari, Lauro de Freitas, Riachão do Jacuípe, Leônico e Vitória (onde foi auxiliar técnico), e que aportou em Itajuípe com sete jogadores profissionais.
Uma vantagem considerada por Leguelé foi ter encontrado a base da equipe do ano passado, principalmente na defesa e no meio-de-campo, formados há muitos anos pelos jogadores Goiabão, Vivas, Du, Badon, Naldo, Edson, dentre outros. Entretanto, foram efetuadas as contratações de “homens-gols” como Uílton e Neridal, ambos do Galícia, mais os jogadores Havengá, Dumé, Quincas e André, vindos de outras seleções da região cacaueira. Nos dois primeiros jogos, a Seleção de Itajuípe goleou a Seleção de Floresta Azul por 4 X 0, repetindo a dose contra os profissionais do Itabuna.
Como não realiza um campeonato amador no município há cerca de cinco anos, a Seleção de Itajuípe vem se valendo da antiga base da década passada, reforçando-a com atletas de outras seleções e times profissionais. Mesmo assim, Itajuípe tem revelado alguns jogadores de bom nível, como Mário César e Edson, ambos da seleção do ano passado. Jogadores como Goiabão, Vivas, Du, Badon, por sua vez, aproveitam a folga do intermunicipal para jogarem em times profissionais como o Itabuna.
Confiança
Contando com dois jogadores para cada posição, o técnico Alberto Leguelé vem confiando no sucesso de sua equipe, que participará de um dos grupos mais modestos do Intermunicipal, estreando domingo contra a Seleção de Gongogi. “Estamos treinando muito, em dois turnos, até o começo do campeonato. A partir daí, os treinamentos se restringirão apenas à manutenção do preparo físico e à realização dos coletivos para aprimorar as jogadas e corrigir as falhas”, informa Leguelé.
Publicado no Correio da Bahia em 12-07-1993
Léo Andrade vence Ilhéus Surf Treino

As boas condições do mar, com ondas favoráveis, permitiram grandes e talentosas manobras
Foi realizado neste domingo (17) o Ilhéus Surf Treino, evento promovido pelos atletas ilheenses na praia do sul, em Ilhéus, sul da Bahia. A intenção foi reunir os atletas e manter ritmo de treinamento, além de premiar com dinheiro os finalistas.
O grande campeão foi Léo Andrade, que mostrou muita radicalidade e boa leitura de ondas. Em segundo ficou outro surfista talentoso, Thiago Silva, que abusou de belas linhas durante a competição. Fabricio Silva ficou em terceiro e foi a revelação da etapa com belos aéreos, deixando Gol Brandão, que vinha de boas apresentações nas outras baterias, em quarto.
O evento ainda contou com a presença dos surfistas profissionais Bruno Galini e Ruda Carvalho. Bruno julgou o treino e deixou os atletas atualizados com o critério de notas.
O Ilhéus Surf Treino teve o apoio Rip Star idéias, Backdoor Surf Shop, Monitori Soluções e divulgação do portal Surf Bahia. A supervisão é da Associação Ilheense de Surf.
Resultados
1 Léo Andrade R$200,00
2 Thiago Silva R$100,00
3 Fabricio Silva R$50,00
4 Gol Brandão R$50,00
O marketing do cacau e o da cachaça
Walmir Rosário
O cultivo do cacau, ou mais especificamente o legado sociocultural e econômico transmitido pela cultura do cacau, nos deixou mal acostumados, a ponto de não buscarmos novas fontes de agregação de valores ao nosso principal produto. Isto é fato e não se discute mais. Qualquer novidade a ser implantada sempre nos desperta a sensação de que estamos incursionando pelo caminho mais difícil e de menor valia.
Atavicamente, até movidos pelos resultados financeiros obtidos com a venda do cacau em amêndoas, nos escusamos em investir na agroindústria. E isto não é de agora, época em que os cacauicultores estão realmente descapitalizados. Antes, quando obtínhamos preços justos pela produção, nos sentíamos satisfeitos e dizíamos que nossa vocação era a de produtor, outros que cuidassem de produzir.
Realmente, os outros, a exemplo dos gringos da Nestlé, Garoto, Lacta e por aí afora, se dedicavam a esta difícil e espinhosa tarefa. Por ter realizado esse “sacrifício”, foram bem remunerados, ganharam dinheiro. Muito, por sinal. Somente a título de lembrança, sozinha, a Chocolates Garoto, instalada em Vitória (ES), faturava com a industrialização quase o dobro da produção de cacau em bagas de todo o Sul da Bahia.
Não fossem investimentos de empresários visionários e, por que não dizer teimosos, a exemplo de Hans Schaeppi, que resolveu dar gostos aromas, sabores e licores de chocolate em nosso cacau, ainda hoje teríamos que nos deslocar ao Sul do País (Gramado como exemplo), para degustar um chocolate caseiro.
Mas como a economia regional não se resume à cacauicultura, apesar de ser nossa mais importante matriz econômica, outras atividades podem e devem ser incrementadas. Entretanto, com a globalização da economia, hoje não basta apenas produzir, e sim produzir bem, adicionando valores capazes de diferenciar o produto de outros existentes no mercado.
Um bom exemplo desse descaso ou falta de vocação do produtor do Sul da Bahia é a cachaça. O que para uns pode ser a perdição física e moral, a outros pode significar um negócio das arábias, ou contemporaneamente, da China. Isto mesmo, produzir cachaça é um grande negócio, e que o digam produtores de Minas Gerais, principalmente da cidade de Salinas, que conferem à bebida status e dignidade dos grandes scotchs.
Esta semana, ao receber um release do Ministério da Agricultura que deu entrada no pedido de registro da Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência, Paraty, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Com o reconhecimento, só poderá ter o nome Paraty a cachaça produzida naquele município, a exemplo do que já acontece com a champagne produzida na França.
Não é de hoje que a palavra paraty é sinônimo da cachaça fabricada no município do litoral carioca do mesmo nome. Até o escritor Aloísio de Azevedo, no livro O cortiço, já fazia referência à aguardente. A partir de agora, o substantivo paraty servirá para identificar toda cachaça produzida naquela região do Rio de Janeiro, seguindo as diretrizes da certificação de origem.
Como um dos grandes apreciadores da cachaça de Paraty, louvo a ideia da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça Artesanal de Paraty (Apacap), técnicos do Mapa e da SFA (RJ) e do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae). Ressalto, entretanto, que lá, os donos de alambique são empresários preocupados com seus negócios.
Ao invés de se acomodarem, os produtores de cachaça de Paraty foram em busca de novos ingredientes para alavancar o desenvolvimento do negócio cachaça junto aos órgãos técnicos. E conseguiram. Os empresários cobram e aos organismos governamentais atendem, como é próprio de um país democrático e que as instituições funcionam.
Infelizmente não se pode dizer o mesmo no Sul da Bahia, onde as instituições não têm a mesma importância das pessoas. Em nossa região produzimos excelentes cachaças, fruto apenas do empreendedorismo de alguns produtores, a exemplo de Elmiro, em Itajuípe. Mas que não passa disso. Nenhum órgão governamental tem feito pesquisas nesta área. Sejam elas agronômicas, com a finalidade de construir material genético com teores de açúcar compatíveis com a produção e qualidade da cachaça, ou sobre a adubação ideal.
A mesma inércia acomete órgãos que, teoricamente, teriam como finalidade acompanhar e desenvolver produtos, a exemplo do Sebrae. Nossos produtos primam pela qualidade, mas são relegados à condição de primos pobres de outras bebidas, a exemplo do uísque, stanheguer, rum, sakê, vinho, dentre outros. A não ser que percorram o caminho trilhado por grandes produtores de São Paulo, ou os tradicionais de Minas Gerais.
A técnica do Ministério da Agricultura responsável pela área, Bivanilda Almeida Tapias, explica que o Mapa atualmente está trabalhando em 10 projetos já selecionados no diagnóstico nacional de potenciais Indicações Geográficas (IG) de produtos agropecuários como o queijo, açafrão da terra, café e outros tipos de cachaça em outras regiões do Brasil. Estes trabalhos são conduzidos pelos fiscais federais agropecuários das superintendências federais de agricultura nos estados, que têm sido treinados para acompanhar todo o processo de reconhecimento e proteção das IG.
O IG é uma prática secular na Europa, mas no Brasil a Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279) é de 1996 e só há cinco anos está sendo efetivamente colocada em prática. A União Européia tem mais de três mil produtos agropecuários registrados como IG. Enquanto isso, ainda estamos engatinhando nesta área, apesar da nossa cachaça ser produzida desde o século XVIII, como é o caso de Paraty, que passou a ser sinônimo de cachaça.
Tenho de parabenizar os fabricantes de cachaça de Paraty, principalmente aos meus amigos Eduardo e Luiz Mello, filhos e netos de cachaceiros; Anísio Gama, José Carlos (Socó) e a viúva Mazinho pelos 300 mil litros de cachaça produzidos anualmente. O setor é a segunda maior fonte de renda do município, ficando atrás apenas do turismo. Ao mesmo tempo, só me resta solicitar às autoridades governamentais que olhe com responsabilidade para um dos segmentos produtivos mais promissores.
Ah, já ia me esquecendo: quanto à qualidade da cachaça de Paraty, posso atestar que se trata de uma bebida sublime, digna dos melhores, exigentes e mais refinados paladares. Não é à toa que costumo beber, com muita parcimônia o estoque que mantenho em casa da “Coqueiro”, a mim presenteada pelos amigos e cachaceiros Eduardo e Antonio Carlos Melo. Sorry, periferia…
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 08-12-2006
Transformação no comércio
Walmir Rosário
Há cerca de 10 anos que o comércio varejista vem passando por grandes transformações. Para uns é o efeito da globalização, com nova visão do mercado. Para outros, é apenas uma decorrência da modernização da atividade. Mas não podemos negar que os efeitos da globalização aceleraram esse processo, para permitir a competição com as grandes empresas vindas do exterior; as multinacionais do varejo, trazidas pela fase de abertura econômica vivida no Brasil. Nas pequenas e médias cidades, as mudanças ainda não são tão marcantes, mas o quadro já preocupa os empresários das grandes cidades.
A onda de globalização está chegando ao eixo Ilhéus-Itabuna, primeiro na última, onde será inaugurado o primeiro shopping center do Sul da Bahia, o Jequitibá, o que por certo provocará uma profunda mudança no nosso comércio varejista. Acreditamos que a concorrência será melhor, mais saudável, pois enquanto os empresários do shopping oferecem estacionamento, ar-condicionado e outras regalias, proporcionando mais comodidade, os do centro da cidade podem contra-atacar com outros tipos de promoções, concorrendo em preço.
Essa concorrência é visível onde os dois tipos de comércio já estão convivendo. Pesquisas recentes comprovam que há lugar para grandes e pequenos, desde que cada um procure o seu nicho de mercado, evitando, portanto, a concorrência predatória. De acordo com os pesquisadores, não dá para enfrentá-los de igual para igual, evitando-se a eliminação progressiva dos concorrentes menores. É evidente que a competição leal é saudável, impulsiona os negócios e beneficia o consumidor.
O empresário que não entender isso, com certeza, deixará a atividade num tempo bem menor do que se poderia imaginar. O seu negócio passará para as mãos de concorrentes mais aptos e ágeis, ou do contrário fechará as portas. É preciso saber onde está o seu cliente e ir buscá-lo, oferecendo o que as grandes redes não sabem fazer: tratá-los de forma personalizada e com o carinho como só os verdadeiros amigos sabem fazer. A depender do tipo de negócio, não espere que ele lhe seja totalmente fiel, mas que não o despreze.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 04-09-1999
Ferradas, o novo porto de Ilhéus
Walmir Rosário
A mudança ocorria no meio ambiente nos dá conta de que está havendo um esquentamento da terra. Segundo os cientistas, as geleiras estão derretendo, provocando enchentes; o aumento do buraco da camada de ozônio provocando doenças, como o câncer de pele; as secas do Nordeste; enfim, estamos assistindo, presenciando ao vivo e em cores, nem sempre tão coloridas, o cumprimento da profecia: o sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão.
Qualquer aluno bem aplicado lembras das pesquisas feitas no livro de Dantinhas (José Dantas de Andrade) para os trabalhos escolares de 28 de julho – dia da cidade de Itabuna –, da figura de Frei Ludovio de Livorno, o bravo Capelão do glorioso Exército Francês de Napoleão Bonaparte. O religioso franciscano capuchinho que, após cruzar o Atlântico em situações nunca bem esclarecidas, veio bater os costados na inóspita região Sul da Bahia, com o objetivo de catequizar almas para o catolicismo.
Aqui chegando, Frei Ludovico estabeleceu-se em Ferradas, onde se devotou a Nossa Senhora e tratou de conseguir fiéis para a sua religião, seja com orações poderosíssimas, ou através de parábolas que prometiam fazer arder no fogo do inferno quem ousasse desobedecer aos preceitos divinos. E não eram raras as promessas de fim de mundo e, de acordo com o pecado, o frade não esperava sequer o ano 2000, antecipando o castigo.
Desses castigos prometidos a índios, sergipanos, árabes, turcos e libaneses recém-convertidos, um era predileto de Frei Ludovico: o de que Ferradas seria transformada no porto de Ilhéus, dada a qualidade e quantidade de crimes e heresias praticadas nas roças de cacau, abertas às custas da ambição dos mais poderosos e do suor e sangue dos mais fracos e desprotegidos.
Já mudamos de século, de milênio, e nada da profecia creditada a Frei Ludovico e disseminada pelos seus seguidores se cumprida, embora tenha a mais absoluta convicção de que a população do Sul da Bahia e, especialmente a de Itabuna – Ferradas e redondezas – tenha lá deixado de cometer seus pecados. Mais eis que, há pouco tempo, tivemos notícia de que a profecia do santo frade italiano estava prestes a acontecer.
E essa notícia tem cunho científico – se é que podemos acreditar em todos eles – e nos foi dada por uma competente caranguejóloga, durante conferência proferida em Canavieiras, e ainda por cima com o aval do ambientalista Sérgio Ramos, pesquisador abnegado desses crustáceos decápodes, braquiúros, deliciosos, especialmente se acompanhados de cerveja bem gelada. Ante a catástrofe anunciada pela eminente caranguejóloga, de que a destruição dos manguezais provocaria a elevação do nível da água do mar, lembrei-me imediatamente do fim do mundo e do extermínio da humanidade.
Se bem que pela pesquisa dessa especialista, a fúria do mar não seria tão drástica como a que nos noticia a Bíblia, embora ela – a caranguejóloga – tenha sido categórica em dar como favas contadas a submersão da Ilha de Atalaia, em Canavieiras, bem como as terras a 20 léguas de distância, o que, pelos meus cálculos, vem dar em Itabuna. Mas aqui, pela profecia do nosso capuchinho, até que dá para escapar desse dilúvio se alojando nos morros da cidade. O morro do Pau do Urubu, então, de simples e depreciada favela passaria à condição de morada de gente chic, desbancando o Góes Calmon e outros locais menos favorecidos topograficamente.
Como sou pessoa extremamente preocupada com o bem-estar dos amigos, passei um e-mail para o correligionário Tyrone Perrucho, que hoje desfruta da aposentadoria em Canavieiras – mais exatamente na Ilha de Atalaia – apesar dos protestos de FHC pela inatividade precoce. Diante de tão iminente perigo, bem que poderia, junto com os amigos, mudar-se de volta para Itabuna.
Aqui chegando, instalaríamos a “republica canavieirense” num dos privilegiados morros da cidade, ou melhor, numa das melhores praias de Ferradas, com o de que melhor existe na boemia grapiúna. Quem sabe até não seria viável localizar o ABC da Noite, do folclórico Cabloco Alencar, em frente ao Berimbau de Ouro, de seu Neném, outrora músico famoso, e promover aqui um clone ampliado do “Troféu Galeota de Ouro”.
Garanto que, adotadas essas providências, atenderemos a profecia do Frei Ludovico de Livorno, salvamos os caranguejos e outras espécies marinhas, e ainda por cima reuniremos os melhores biriteiros de Itabuna fora do “Beco do Fuxico”.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 28-07-2001
Líderes não fogem à luta
Walmir Rosário
Muito se tem discutido sobre a cobrança, via judicial, do imposto sindical pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), inclusive na lista cacau. Entretanto, ninguém atentou para a questão política que o caso requer, e somente para o dever do agricultor pagá-la.
A legislação é clara e manda os sindicatos cobrar dos agricultores e, através da Caixa Econômica Federal, o pagamento é repassado mensalmente para os entes de direito, no caso em questão, 5% para a CNA, 15% para a Faeb, 60% para o sindicato respectivo, e 20% para a Conta Especial Emprego e Salário, do Ministério do Trabalho.
Acredito que a questão essencial é saber quem tem o direito de ir à Justiça para buscar o pagamento judicial, e esse direito pertence somente aos sindicatos. Apesar desse garantido por lei, não foram os sindicatos rurais que pediram a proteção do Poder Judiciário para satisfazer suas pretensões, e sim a CNA e a Faeb.
Como já se tornou praxe, os presidentes de sindicatos rurais de diversas cidades baianas preferiram se omitir, como costumeiramente fazem, e outorgaram procuração para que a CNA e a Faeb pudessem resolver seus problemas. E os dois órgãos, mais afastados das bases sindicais, o fazem sem a menor cerimônia.
Tal como Pilatos, as “lideranças” sindicais lavaram as mãos e se omitiram do mister conferido por lei. Derraparam feio os presidentes de sindicatos rurais que resolveram abrir mão de suas prerrogativas, voltando ao comodismo de sempre. Nada fazem nem querem fazer e ainda por cima ficam com raiva de quem faz.
No mundo globalizado, onde as decisões tomadas no hemisfério norte trazem reflexo imediato para os mais distantes grotões, e no sul da Bahia não é diferente, com os preços do cacau refletindo diretamente sobre as oscilações das bolsas de Nova Iorque e Londres, além de outros fatores. E aí é onde entra a representação classista dos produtores, hoje combalida e carente de líderes dinâmicos.
Dinamismo, sim, é o que precisa a região, onde a maioria dos sindicatos rurais funcionam aos trancos e barrancos, sem eleições abertas, sem participação dos filiados, que na verdade não se sabe (menos o presidente, é claro) quantos são. É esta a triste realidade do quadro sindical econômico, com raríssimas exceções, às vezes consideradas destoantes.
Lideranças de verdade são forjadas na lida diária entre a classe, discutindo idéias, debatendo os problemas, mobilizando os colegas, e não às portas fechadas, na calada da noite, realizando eleições na base do lápis e borracha. Verdadeiros líderes não abrem mão de suas prerrogativas, não se escondem, não fogem à luta, e nem por desídia delegam os afazeres a outras instâncias.
Líderes de verdade não usam dois discursos, soltando-os de acordo à situação conveniente. Quem repudia a cobrança de taxas, não tem o direito de taxar, ou exigir o cumprimento delas, sobretudo se tais cobranças tragam alguns pressupostos, como a oneração dos produtores, sob qualquer hipótese, como foi lavrado em documento entregue ao Governo Federal pela Faeb e CNA.
Líderes de verdade lutariam pela publicação da Nota Técnica a ser elaborada pela Ceplac, conforme compromisso assumido pelo seu diretor, e até agora não cumprido. Líder de verdade teria capacidade de mobilizar os companheiros, mostrando a necessidade de manter uma estrutura sindical forte e importância dos recursos financeiros para tanto. Um estágio dessas lideranças num sindicato de trabalhadores faria bem a toda a cadeia produtiva.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 11-06-2004
O PAC do cacau
Walmir Rosário
Teve boa repercussão na comunidade regional a notícia de que um Grupo de Trabalho foi instituído pelo Governo Federal para elaborar um Plano Executivo para a Aceleração do Desenvolvimento e Diversificação do Agronegócio na Região Cacaueira da Bahia. A Portaria, que foi assinada pelo ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, e publicada no Diário Oficial da União de 15 de fevereiro de 2007, início do Carnaval, merece aqui algumas considerações.
Se por um lado nos regozijamos com a lembrança do Governo Federal em relação ao Sul da Bahia que, diga-se de passagem, não recebe grandes investimentos federais há cerca de 40 anos, quando foram construídos o Porto do Malhado e a BR-101, por outro estranhamos o prazo concedido para que o plano comece a decolar: apenas 60 dias. Em tão curto espaço de tempo é impossível que quase 30 pessoas cheguem a um resultado comum sobre as iniciativas e atividades a serem implantadas.
Não é de agora que estamos acostumados com a máxima: “Quando o Governo não quer resolver nada, cria logo uma comissão”. Para mim, a sentença se aplica agora. Mesmo que o grupo de trabalho recém-formado fosse constituído das mais brilhantes inteligências do planeta, nem assim conseguiria montar, num piscar de olhos, uma estratégia lúcida e consistente de ação para uma tarefa de tamanha envergadura e complexidade como desenvolver e diversificar a economia regional.
Ao dizer isto, não tento desmerecer a capacidade intelectual e profissional dos membros do grupo, mas apenas demonstrar que a grande quantidade de pessoas envolvidas no empreendimento aumentará ainda mais os conflitos de interesses e as divergências. Nada mais natural, partindo-se da constatação de que elas representam segmentos distintos e, como tal, forçosamente terão diferentes enfoques das questões a serem tratadas.
Por falar nos membros que compõem a comissão, também é estranhável a ausência de representantes das instituições regionais. É inconcebível, por exemplo, que a Central Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC) não faça parte da iniciativa, até porque o seu presidente, Wallace Setenta, é um profundo conhecedor da realidade econômica e social da região cacaueira.
Não pretendemos aqui entrar em searas alheias ou insinuar que as escolhas tenham sido feitas por meio de critérios outros que não a capacidade das pessoas. Entretanto, é realmente impossível ignorar que o presidente do Sindicato Rural de Ilhéus, Isidoro Gesteira, responsável por uma luta sem precedentes em benefício do produtor de cacau, também não faça parte da tal comissão. Só uma conclusão é possível: ou as iniciativas de Isidoro, sempre elogiadas por seus pares, não obtiveram a ressonância idêntica junto às autoridades, ou simplesmente elas o têm como inimigo em potencial.
Ausência não menos ilustre é a do chefe do Centro de Extensão da Ceplac (Cenex), Elieser Barros Correia, responsável por um projeto de reposição dos produtos oferecidos pela Ceplac à sua clientela. Outro trabalho que o credencia a fazer parte da comissão é sua tese de mestrado, cujo título, “Certificação Orgânica em Agrossistemas Cacau: A Sustentabilidade Agrícola em Construção no Âmbito da Mata Atlântica Sul Baiana”, mostra a sua preocupação em associar crescimento econômico à conservação ambiental.
É bom lembrar também que não menos importante seria também a contribuição do ex-deputado federal Josias Gomes, que estudou com afinco o agronegócio regional para defendê-lo durante o seu mandato, como é do conhecimento de toda a comunidade regional. E para não cometer uma injustiça, não poderia deixar de citar Everaldo Anunciação, também da Ceplac e com excelentes serviços ao desenvolvimento regional. Preferimos acreditar que tão gritantes ausências foram motivadas apenas por simples lapsos de memória e não por uma intencional disposição de privilegiar apaniguados em razão de conveniências políticas.
Longe de mim, entretanto, colocar pessoas acima das instituições. Mas, por dever de ofício, não poderia deixar de lado assunto de tamanha grandeza passar em brancas nuvens, sobretudo porque seremos afetados, direta ou indiretamente. A não ser, evidentemente, que o Grupo de Trabalho em pauta seja apenas mais uma ação de marketing político do governo Lula, elaborada às pressas para compensar o esquecimento da região no festejado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 24-02-2007
Geraldo, o santo
Walmir Rosário
Os acontecimentos recentes da cacauicultura do Sul da Bahia nos remetem à máxima de que “brasileiro tem memória fraca”. Não exatamente o brasileiro, mas as pessoas de um modo geral. Digo isto porque, por mais que me esforce, não consigo entender como grande parte dos cacauicultores baianos ainda tem dúvidas sobre os métodos utilizados pelos partidos de esquerda antes de chegarem ao poder.
Aos que nunca foram afeitos às questões político-partidárias, poderíamos até entender, não fosse a questões históricas sobre fatos e acontecimentos passados. O mais recente deles, para quem tem memória curta, foi a invasão da Câmara Federal por militantes do MLST, capitaneados por Bruno Maranhão, um alto ocupante da cúpula petista nacional. Portanto, nada de anormal entre as ações praticadas pelos membros do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PC do B) e congêneres.
A explicação acima sobre as ações dos chamados militantes de esquerda se trata tão-somente de ligar fatos históricos com as ações denunciadas pela revista Veja da introdução, de forma criminosa, do fungo Crinipellis perniciosa, causador da vassoura-de-bruxa nos cacauais baianos. Não seria a Veja leviana ao ponto de tentar destruir carreiras políticas sem que provas existam e que porventura possam ser apresentadas.
Não tenho nenhuma procuração da Veja para tratar do assunto, mas como jornalista tenho o dever e o direito de analisar a matéria, no sentido de identificar se o repórter “carregou nas tintas”, como se diz, ou tratou o assunto com imparcialidade. Pelo teor da matéria, está bastante visível o trabalho de apuração dos fatos, o que requereu muito tempo de perguntas e busca das respostas em todas as fontes – primárias, secundárias, pesquisas in loco, etc. –, o que certamente deve ter exigido um bom tempo de pesquisa. Sem esquecer que todas as fontes ou personagens envolvidos foram contatados e apresentaram suas versões. Fora disso, é simplesmente “chorar o leite derramado”.
Mas voltando à “vaca fria”, o que vimos, especialmente entre produtores rurais que participam da Lista Cacau, na rede mundial de computadores, era uma discussão inócua e descabida. Enquanto alguns questionavam a revista Veja sobre os motivos e conveniências da publicação da reportagem numa data próximas às eleições, outros faziam a defesa de forma arraigada e descabida de um dos denunciados, o ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões.
Poucos tiveram o bom senso de estabelecer um paralelo entre o acontecimento e as pessoas supostamente envolvidas, já que denunciadas por um réu confesso, o técnico em Administração Luiz Henrique Franco Timóteo. O fato realmente existiu? Que interesse poderiam ter esses personagens sobre o fato denunciado? Qual a conexão possível entre os autores e o fato?
O resto é perfumaria, coisa de quem defende uma pessoa por ser amiga, liderada ou simples simpatizante político. Aos menos avisados ou distraídos, podemos lembrar que o currículo sindical e político do Geraldo Simões não dão motivos suficientes para uma boa defesa, embora em momento algum eu possa afirmar sua participação na introdução criminosa da vassoura-de-bruxa, mas sou testemunha de que ele sempre agiu como um destruidor de patrimônios alheios.
A começar pelas costumeiras e contumazes greves decretadas na Ceplac, quando, a qualquer hora ou por qualquer motivo, fechava a instituição, passando pelo comando greve geral em Itabuna. Em todos esses movimentos, sempre comandados com “mão-de-ferro” por Geraldo Simões, as fechaduras de portas e garagens eram entupidas com cola e durepox (e precisavam ser trocadas), pneus dos ônibus furados, pára-brisas e janelas quebradas, empresas obrigadas a fechar as portas ou teriam vitrines quebradas, dentre outras violências e constrangimentos impostos aos cidadãos.
Agora, sem consistência mesmo está a desculpa utilizada por um dos denunciados, Geraldo Simões, ao tentar se esquivar da acusação com a afirmação de que não conhece ou nunca teve contato com Luiz Timóteo. Ao invés de, com segurança, negar sua participação no ato criminoso, Geraldo apelou para uma tática utilizada pelas esquerdas: a de tentar desqualificar seu acusador.
Mas é óbvio de que Itabuna é pequena e a afirmação de Geraldo Simões não resiste a uma pesquisa em fotos ou vídeos históricos sobre os movimentos dos até então chamados de partidos de esquerda em Itabuna. Certamente lá estarão na mesma fila Geraldo Simões, do PT, e Luiz Timóteo, entre tantos outros companheiros do PDT.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 1º-06-2006
Voto pago com ingratidão
Walmir Rosário
Até agora o candidato Geraldo Simões não tomou coragem de ir à Ceplac pedir votos aos companheiros. Também pudera! Desde que deixou a convivência dos ceplaqueanos – e com os votos deles – para tomar posse na Assembleia Legislativa, Prefeitura de Itabuna e Câmara Federal, esqueceu dos que o ajudaram a se eleger.
Hoje, na Ceplac, Geraldo Simões é visto como um político “copa do mundo”, daqueles que somente aparecem de quatro em quatro anos. Nesse caso, ainda há uma agravante: volta e meia ele aparece por lá para se utilizar, de forma eleitoreira, de alguns eventos programados pelo deputado federal Josias Gomes, a exemplo da vinda de ministros ou outros figurões do Governo Federal.
Nos mandatos, entretanto, Geraldo Simões não contemplou, ou sequer reivindicou coisa alguma para a Ceplac ou seus servidores. Ao contrário, algumas conquistas poderiam ter sido concretizadas, a exemplo da inclusão dos servidores no Plano de Carreira. Mas, como seria um avanço político do Governo Federal, ele, com outros parlamentares petistas, engrossaram o “caldo” e se recusaram a participar, sob o patético argumento de que outros servidores federais ficariam à margem do benefício.
Como esse assunto data de 1992, os ceplaqueanos podem fazer as contas para saber quanto prejuízo para eles o companheiro Geraldo Simões proporcionou como retribuição aos votos dados. Em 2002 e 2003 os ceplaqueanos “bateram no pau do canto”, como se diz na gíria futebolística, e mais uma vez não conseguiram almejar um direito líquido e certo. Somente em 2004, após vencer muitas ações na Justiça, e com o apoio fundamental do deputado Josias Gomes, veio, enfim, a reclassificação no tão sonhado PCC.
Na avaliação do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), o deputado Geraldo Simões teve uma atuação medíocre na Câmara Federal. A publicação deste estudo foi feita em todo Brasil, inclusive pela Folha de São Paulo, jornal que não teria nenhuma influência ou inimizade política com o candidato petista.
Como era originário da Ceplac, esperava-se de Geraldo Simões o empenho em defesa da cacauicultura, principal matriz econômica regional, e cultura que une cerca de 1,5 milhão de pessoas no Sul da Bahia. Como deputado federal eleito por esta região, nenhum discurso foi proferido no plenário da Câmara em torno do cacau, da Ceplac, dos salários dos ceplaqueanos. Sequer procurou “pagar” os estudos proporcionados pela Emarc de Uruçuca, o que permitiu o seu “salto” para a vida política.
A falta de liderança e aptidão política de Geraldo Simões ficou patente com a entrada em cena dos deputados Josias Gomes e Geddel Vieira Lima, demonstrando ser perfeitamente viável a luta pela cacauicultura, pela economia cacaueira. Em pouco mais de um mês, o trabalho empreendido pelos dois parlamentares foi mais profícuo do que décadas de blá-blá-blás pelas esquinas e assembleias. Com certeza, esse fato será lembrado nas próximas eleições.
Como prefeito de Itabuna, Geraldo Simões somente lembra passagens terríveis, como um fim de (des)governo, com seis meses de salários e fornecedores atrasados, todas as linhas telefônicas cortadas, lixo acumulado pelas ruas e muitas denúncias de malversação do dinheiro público. Nunca a Polícia e o Poder Judiciário trabalharam tanto para dar conta de documentos da Prefeitura, grande parte encontrada após busca e apreensão na casa de auxiliares de confiança do prefeito Geraldo Simões.
Esperava-se que esses lamentáveis fatos servissem de lição ao prefeito Geraldo Simões. Ledo engano. Fez caras e bocas de peregrino, calçou (aparentemente) as sandálias da humildade e conseguiu, como um bom ator de segunda categoria, enganar, mais uma vez, a população de Itabuna. Também jogou na lata do lixo a segunda chance dada pelos eleitores. Uma terceira, convenhamos, é um preço muito alto a ser pago pelo povo de Itabuna.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em 25-09-2004
O Oriente Médio – ou o velho oeste – é aqui
Walmir Rosário
A violência não tem dado trégua à sociedade. Se na zona urbana a insegurança recrudesce a cada dia, na zona rural não tem sido diferente. Morar longe do movimento da cidade, especialmente num sítio com paisagem bucólica já não é a opção para milhares de pessoas residentes nas grandes capitais, a exemplo do Rio de Janeiro e São Paulo.
O que parecia uma excentricidade tornou-se uma temeridade, haja vista a falta de segurança dos arredores da cidade, onde o Estado não dispõe de qualquer representante. Hoje, os sítios e grandes fazendas, principalmente as que os proprietários ali residem, são o alvo preferido pelos ladrões. Além dos prejuízos materiais, ainda há o risco moral, pois todas as atrocidades são praticadas contra as famílias.
Nas grandes fazendas os riscos de assaltos são ainda maiores, por armazenarem, durante certo período, o produto da colheita, despertando a atenção dos marginais. Na região conhecida como a “Califórnia Brasileira”, que compreende vários municípios paulistas como Araraquara, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, entre outros, bem como no Oeste do Paraná, nem mesmo a vigilância privada atemorizou os bandidos, que agem abertamente.
Hoje, assaltam-se as fazendas de pecuária, matando o gado no pasto, ou simplesmente embarcando os animais em caminhões gaiolas com a maior tranqüilidade. E, que é pior, essa carne de origem ilícita é vendida nos açougues sem a menor cerimônia, tudo às barbas da Polícia e dos serviços de vigilância sanitária.
No Sul da Bahia, as fazendas de cacau são um verdadeiro “paraíso” para os assaltantes. Os furtos começam nas roças, feitos à calada da noite, praticados pelos considerados “ladrões menores”. É muito comum ver-se, na periferia das cidades, amêndoas de cacau secando nos passeios e até mesmo no meio das ruas. Essas amêndoas, depois, são vendidas aos compradores de cacau, que não exigem qualquer comprovante de sua procedência.
Já as quadrilhas estruturadas não querem ter trabalho com as operações de colheita e secagem e partem para o assalto do cacau seco, ainda nas barcaças ou nos armazéns das fazendas à espera de transporte para a cidade. Fortemente armados, à noite, surpreendem administrador e trabalhadores e, após todo o tipo de violência física e moral, levam o cacau.
Algumas quadrilhas, velhas conhecidas da Polícia, costumam ameaçar de que prestar queixa à Polícia é perda de tempo, ou melhor, uma atitude dessa poderá causar sérios dissabores para o denunciante. Também têm o desplante de avisar ao administrador que voltará em dia e hora determinado. Em alguns casos, voltam logo depois e se desculpam de não ter cumprido o prometido no dia certo, devido a qualquer contratempo que tiveram, como já aconteceu em diversas fazendas.
Setores da Polícia, sempre dispostos a fazer e acontecer com delinquentes “pés-de-chinelo” e cidadãos comuns, não se aventuram a “caçar” esses marginais, ou simplesmente se desinteressam de prendê-los. A história nos mostra que, por diversas vezes, marginais foram presos, mas os prejudicados se acovardaram – ou se recataram, como preferem alguns – e sequer apareceram na delegacia para reconhecê-los. À Polícia não restou alternativa e teve que soltá-los.
Esses fatos, contudo, não legitima o crime e o criminoso, haja vista possuir a Polícia setores de inteligência, responsáveis pela investigação e apreensão dos que agiram fora-da-lei. Recentemente, em Buerarema, conhecido abrigo de quadrilhas especializadas em assaltos a fazendas, a ação da Polícia local vem, sistematicamente, conseguindo desbaratar esses grupos, tirando-os de circulação, seja temporária ou definitiva.
Em momento algum defendemos a pena de morte (fora de nossa cultura), mas sim a ação enérgica e eficaz. Chegamos ao desplante de sermos ameaçados de morte – inclusive a Polícia – pelos bandidos. Agiu com bom rigor o delegado Carlos Nascimento quando alertou: “Bandido será tratado como bandido”. E a delegada Marília Pereira entendeu a mensagem.
Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br
Publicado no Jornal Agora em abril de 2004



