CIA DA NOTÍCIA

Posts Tagged ‘troca de ministros’

Mudanças no Planalto

Walmir Rosário

Mais uma vez o presidente Lula reúne os ministros da Casa para discutir uma possível reforma no seu ministério. É a vez das especulações, quando os dirigentes dos partidos leiloam seus ministeriáveis a preços nunca vistos, para um presidente que pretende apenas trocar seis por meia dúzia, às vezes até com algum retrocesso, já que os que entram não dão continuidade às ações já engendradas.

Esses constantes anúncios de troca de ministros são anunciadas sempre às vésperas de uma decisão importante no Governo Federal, Senado ou Câmara Federal, no fato atual, as duas Casas Parlamentares são a bola da vez. Como a Presidência da República pretende eleger um deputado petista de sua confiança para a Câmara, e um aliado de primeira hora do PMDB, para o Senado, nada melhor do que acirrar os ânimos dos políticos.

Tal qual um caçador mostrando carne sangrenta para atrair sua presa, a articulação do Governo Federal acena com a possibilidade de preencher ministérios com políticos dos partidos da base aliada, dando a impressão de que cortaria na própria carne caso fosse preciso. Como sempre, alguns ministros são considerados a bola da vez, entre eles o ministro das Cidades, Olívio Dutra.

O que mais estranha nesse tipo de barganha é que o Ministério das Cidades é hoje um paraíso cercado de recursos públicos por todos os lados, e uma importante máquina de fazer política, especialmente para a eleição do próximo ano. Recursos para infra-estrutura, como saneamento básico, habitações e outros equipamentos urbanos são tudo que um prefeito deseja para o seu município.

Para carrear toda essa dinheirama disponível, é preciso, no entanto, se utilizar de uma série de artifícios, como o apadrinhamento de deputados, lobistas, a proteção de construtoras, para que os recursos sejam alocados no Orçamento e a obra possa ser executada. Um trâmite difícil somente comparado a uma maratona, onde vence quem tem mais prestígio e possa atender aos interesses do governo e sua máquina de fazer votos. Mas isso cabe aos deputados, no sentido de trazer os benefícios (promessas de campanha) para a alegria de suas bases eleitorais.

Nessas mudanças, o Poder Executivo poderia, pelo menos, tentar manter as aparências nas barganhas pelos ministérios. Caso as trocas sejam pra valer, seria de bom alvitre propor a substituição dos atuais (nem sempre técnicos ou políticos competentes) por outros de nível mais elevado, ou pelo menos mais compatível com o exercício da função.

Mas nem sempre os atributos necessários para o desempenho do cargo são levados em consideração, sobrepondo-os outros tantos, como a quantidade de deputados e senadores que poderão estar disponíveis em cada votação. Em nome da governabilidade, tão preterida em outras épocas, quando as negociações eram execradas, voltaram à moda em Brasília e continuam presentes em cada gabinete ministerial e da Presidência da República.

Que o diga a senadora maranhense Roseana Sarney, golpeada covardemente pelo PT e PSDB, quando era governadora e ensaiou os primeiros passos rumo à candidatura à Presidência da República. Por uma política de repercussão nacional, ganhou preciosos pontos nas pesquisas de opinião, ameaçando às “estrelas de primeira grandeza” dos dois partidos. Após uma porrada certeira, a governadora foi levada à lona e obrigada a declinar de sua candidatura.

Agora, tal qual a Phoenix, a senadora Roseana Sarney, eleita para um mandato de oito anos e com influência parlamentar considerável, volta à baila política como candidata sob medida para um dos grandes ministérios do Governo Lula. Pelo andar da carruagem, nesses dois anos de Senado deve ter expurgados seus pecados políticos e estar pronta para ser ungida a grande ministra de 2005.

É só aguardar pra ver!

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 12-01-2005

 

Hierarquia arranhada

Walmir Rosário

O episódio que causou a exoneração do ministro da Defesa, José Viegas, foi apenas a gota d’água que transbordou do cálice da insubordinação dos militares ao seu chefe. Não é de hoje ou de ontem, que os ministros militares não atendiam, sequer, uma sugestão do ministro Viegas, quanto mais a uma determinação, o que é muito grave, principalmente partindo-se do princípio de que a hierarquia é um verdadeiro dogma no militarismo.

De há muito a alta tropa estava sem comando e o que se via era um jogo de cena feito para tentar encobrir as insubordinações. Lula não admitia exonerar o seu ministro da Defesa (cargo por demais estratégico), para não demonstrar fraqueza e atender às pressões vindas do Forte Apache. Nessa queda de braço, perdeu Viegas, ganharam os militares e o governo Lula faz de conta que também é o vencedor.

O ponto nevrálgico da questão foi uma nota assinada pelo Ministério do Exército, sem a devida autorização do comandante da força (?), sobre as polêmicas fotos do padre canadense publicadas na imprensa como se fossem do jornalista Vladimir Herzog. Preso pelo DOI-Codi de São Paulo, interrogado, torturado e morto (“suicidado”) dentro das dependências do II Exército, Herzog foi transformado num dos mártires da luta contra a ditadura militar, que culminou na exoneração do seu comandante.

Esses “esqueletos” ainda hoje estão guardados nos armários e porões da ditadura, e por certo será alvo de muita discussão, para não dizer cisões, entre as partes envolvidas. De um lado, os integrantes do governo Lula, políticos que lutaram contra a ditadura, em milícias urbanas e rurais, que sofreram perseguições, torturas e humilhações. Do outro, os militares, promotores da ditadura e que cometeram atrocidades sem limites em nome da permanência do regime.

Até hoje grupos de militares (pequenos, é verdade) não admitem o retorno aos quartéis e ainda sonham com a volta da ditadura sob o argumento de expulsar os comunistas do poder. Logo agora que vivemos um período democrático por excelência e que ficou provado que os comunistas não comem criancinhas. Portanto, é infundado o temor dos nossos militares, que poderão continuar na caserna se profissionalizando, como requer as forças armadas da modernidade.

Mas, voltando ao ministro José Viegas, todo o País sabe que ele não deixou o cargo pelos dissabores causados pela nota oficial do Exército, e sim pelas rusgas que vinha tendo com a caserna, notadamente pelas licitações para a aquisição de aviões caças para a Força Aérea Brasileira e outros equipamentos militares. As velhas rusgas em época de compras voltaram a extrapolar o Forte Apache e caiu de para-quedas no meio da Nação.

O que mais assusta a população brasileira é que a quebra da hierarquia tenha passado em brancas nuvens pelo Palácio do Planalto, que julgou o caso como se fosse uma simples troca de guarda: sai Viegas, entra o vice-presidente José Alencar, que, além do cargo de comando, terá a função de bombeiro, apaziguando os ânimos entre as três forças e os civis. Uma pergunta, entretanto, fica no ar: qual o preço que o País terá de pagar?

As qualidades para comandar as forças armadas não devem se restringir a apenas ser vice-presidente eleito e ser nacionalista, como se esta fosse uma qualidade apenas dos militares. É preciso restabelecer a ordem, e a hierarquia quebrada pelo ato de rebeldia deve ser reparada conforme preceituado no Almanaque do Exército. A troca de ministros apenas recompõe uma situação fática, mas não tem o condão de corrigir o erro cometido.

A Nação foi ultrajada com um comentário premeditado, na vã tentativa de reparar erros passados com justificativas nefastas, como se a tortura e a morte fosse penas a serem aplicadas contra atos de pensamentos, de ideais. Com o precedente aberto, fica mais fácil para os inimigos do Estado Democrático de Direito atingir, não mais o ministro, mas a democracia, tentando derrubar governos, como se vivêssemos numa republiqueta de bananas.

 Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 06-11-2004

 

Taxa do cheque especial aumenta em agosto
 
A taxa média do cheque especial nos bancos em agosto foi de 13,52% ao mês (a.m.), alta de 0,06 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo pesquisa do Procon de São Paulo. A maior alta foi encontrada no Banco do Brasil
 
LEIA MAIS
 
Artista canavieirense se inspira nas belezas naturais de sua terra
Aos 35 anos, quatro dos quais dedicados à arte, Thiago tem despertado a atenção de turistas e nativos pela simplicidade de seus trabalho, com traços e entalhes precisos, retratando animais do bioma Mata Atlântica.
 
LEIA MAIS
Alto Beco do Fuxico festeja seus 30 anos
 
Saudosismo, amizade, cachaça da boa, cerveja bem gelada, mocofato preparado por Danilo, música de todos os gêneros e para atender todos os gostos. Esse foi o combustível que moveu membros da Confraria do Alto Beco do Fuxico, os acadêmicos da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopia e Etc. (Alambique), além de outros frequentadores do Alto Beco do Fuxico.
 
LEIA MAIS