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Dois pesos e duas medidas

Walmir Rosário

Pouca diferença faz se Lula, Zé Dirceu, Dilma, Pallocci, Aécio Neves, Michel Temer, dentre outros menos votados tenham pedido dinheiro de origem suja para as campanhas políticas. Todos devem ser enquadrados de acordo com as leis brasileiras que tratam da questão, sem qualquer distinção como prevê a nossa constituição.

Se aos petistas as provas já foram apresentadas, o mesmo está acontecendo com o presidente (agora licenciado) do PSDB, Aécio Neves, e ao encontro do atual presidente da República. Aliás, com todos os defeitos legais da gravação, quem ficou mal na fita foi Michel Temer, que recebeu, na calada da noite em sua casa, um dos maiores corruptores da história do Brasil.

Se não houve acertos criminosos, como o presidente faz questão de dizer, no mínimo, quebrou a liturgia do cargo. Como diz o provérbio: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. E assim não agiu nosso presidente, ignorando todas os ritos reservados a quem ocupa cargo de tamanha relevância.

Dois pesos e duas medidas é o tratamento que nos impõe os membros do Partido dos Trabalhadores (PT) para os crimes cometidos pelos políticos contra a economia popular e o Brasil. Caso o criminoso seja filiado ao PSDB, DEM, PP, ou que outra agremiação seja, pode condenar que não é preciso a apresentação de provas material ou intelectual.

Por outro lado, se os denunciados pelos mesmo crimes de corrupção pertencem aos quadros do PT, a negativa é veemente e se rasga o Código Penal, apesar de todas as evidência e provas apontarem que eles são culpados. Chegam ao extremo de considerar ídolos aqueles que metem a mão no erário em causa própria e/ou do seu partido.

Pior ainda do que considerava o filósofo florentino Nicolau Machiavel, de que os fins justificam os meios (na verdade: “qualquer iniciativa é válida quando o objetivo é conquistar algo importante). Só que essa importância não é atribuída ao país, ao Brasil, mas a um projeto de governo que tem como principal meta desapropriar os bens do povo em benefício deles próprios e do partido.

Eu diria – melhor, digo – que os petistas sempre foram seguidores fiéis de Josef Stalin, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do Comitê Central a partir de 1922 até a sua morte em 1953. Entre os feitos do ditador soviético estão o assassinato em massa dos adversário ou ex-amigos, chegando ao ponto de cunhar a frase: “A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística”.

A paranoia dos petistas é idêntica ao do ditador soviético, que se livrava de todos, subordinados, simpatizantes ou quem simplesmente ele determinasse que não deveria mais viver. No Brasil ainda não chegamos a tanto, mas estamos trilhando o mesmo caminho, como o tal projeto de poder, interrompido com o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Até agora, com o que nos tem mostrado a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, indícios são fartos e as provas dos atos de corrupção desenfreada são mais que contundentes. Mesmo diante da tais evidências, o comportamento é um só: não negam o recebimento do dinheiro ao partido, que dizem terem sido as doações legais, embora tenham saído de empresas públicas e privadas de forma sorrateira.

A negativa dos dirigentes e militantes petistas (ressalvo muitos que se encontram envergonhados) chega a ser patética, quando defendem os seus companheiros apanhados no crimes. Em qualquer país do mundo, seriam vistos como desleal ou desonesto com os “companheiros” e o partido, aqui, se transformam em verdadeiros heróis.

Uma das frases que já se tornaram corriqueiras no Brasil é que, enquanto os eleitores de diversos partidos se indignam com os líderes que prevaricam os querem presos, os do PT criam fã clube para idolatrarem. Claro que toda a regra tem exceção, mas está provado ser esta uma posição tomada na defesa dos seus bandidos de estimação.

É mais uma jabuticaba brasileira.

Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

É a lógica petista

Quem pode explicar os motivos de petistas e comunistas, historicamente, defenderem democracia para o Brasil e ditaduras na União Soviética de antes e até na Cuba da atualidade?

Faça o que mando, mas não faça o que faço.

E ainda querem praticar atos próprios da ditadura no Brasil.

PAC do Cacau – adjetivos, advérbios e conclusões

Walmir Rosário

Indignação! Não poderia ser diferente a reação dos cacauicultores em relação ao tão propalado PAC do Cacau. O que era para ser solução se tornou desespero, fazendo correr rio abaixo todas as expectativas depositadas num plano que atendesse às necessidades dos produtores de cacau, endividados ao extremo.

Frustração! Todas as esperanças, como num conto de mágica, se desvaneceram, e os sonhos de uma nova cacauicultura foram transformados em pesadelo. Mais uma vez é colocado um obstáculo no caminho dos produtores na luta contra a vassoura-de-bruxa, como se não bastassem os já existentes.

Injustiça! É a única conclusão possível, reforçada pelo mea-culpa feito pela Ceplac, através da Nota Técnica, reconhecendo a ineficácia das recomendações constantes do pacote tecnológico. E a tudo isso foi dado e passado recibo, embora as autoridades governamentais façam hoje ouvidos de mercador.

Afronta! Não é de hoje que o produtor de cacau é tratado como um Perdulário, daqueles que acendem charutos com notas de 500 mil réis, entre uma dose de whisky e um cheiro no congote da quenga no Bataclan de Maria Machadão. Coitado do Jorge Amado, não sabia quanto mal causaria à imagem do cacauicultor, muito embora o seu estilo literário tenha sido inspirado na ideologia comunista que admirava.

Raiva! Parece ter sido – pelo menos deixa a entender – esta a herança que caberá aos próceres petistas, que não souberam (e ainda não sabem) distinguir ficção da realidade. Por fidelidade a uma ideologia já comprovadamente obsoleta, o esquerdismo festivo e inconsequente, eles provocam a destruição de uma lavoura responsável ainda potencialmente capaz de diminuir a miséria numa região com quase dois milhões de pessoas.

Desprezo! Somente se explica esse tratamento infame dispensado aos cacauicultores a um trauma ideológico de quem passou anos a fio tentando prejudicar a maior matriz econômica regional. Os socialistas de ontem, agora vivendo na bonança e tendo todas as suas necessidades satisfeitas, não conseguem ter a grandeza de semear a concórdia e ganhar a confiança daqueles que têm muito pouco ou nada.

Repulsa! Quem chega ao poder e continua a agir como perdedor não merece a vitória. Só faz jus a ela quem é capaz de dispensar tratamento igualitário àqueles que produzem com dignidade. Sadismo e vingança só apequenam a quem os pratica.

Ódio! Sintoma de pequenez mental que impede a superação de conflitos passados. Com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, essa ideologia do autoritarismo e da violência deveria ter sido revista. Mas não, continua latente. É triste ver o quanto os progressistas de ontem se transformaram nos conservadores de hoje.

Empreendedorismo! Como se não bastassem todos os revezes sofridos ao longo dos anos, causados pelo que aconteceu do lado de dentro da porteira, os cacauicultores também têm que superar as dificuldades existentes fora dela, impostas pela burocracia estatal. Todos esses percalços, entretanto, não fazem desvanecer o espírito do cacauicultor, sobretudo pelo seu apreço ao seu trabalho.

Superação! Dólar baixo, insumos em alta e o grande endividamento causado pelos altos custos dos serviços da dívida, além da mão-de-obra cara, sempre foram obstáculos superados pelo cacauicultor. Só que agora – e ele não esperava por isso – ele tem que lutar contra a oposição ao sistema produtivo de sucesso, como se praticar o capitalismo fosse pecado ou crime contra a humanidade.

Liberdade! Na democracia a verdade tem de ser absoluta e a liberdade tem de pairar, soberana, acima de todos os interesses, sejam eles políticos, econômicos ou sociais. Acima de todas as divergências ideológicas devem prevalecer a inovação tecnológica, a livre concorrência, a geração de riquezas e a promoção do bem-estar social.

Livre pensamento! Ficam aqui, a título de sugestão, os ensinamentos de Immanuel Kant, em O que é o esclarecimento: “…Ouço, agora, porém, exclamar de todos os lados: não raciocineis! O oficial diz: não raciocineis, mas exercitai-vos! O financista exclama: não raciocineis, mas pagai! O sacerdote proclama: não raciocineis, mas crede! (Um único senhor no mundo diz: raciocinai, tanto quanto quiserdes, e sobre o que quiserdes, mas obedecei!). Eis aqui, por toda a parte, a limitação da liberdade.”.

Abdicação! Por tudo isso se conclui que não basta apenas (e exclusivamente) ao cacauicultor cuidar da produção, atendo-se à obtenção do poder econômico, mas racionar sobre a necessidade de deter também o poder político. Do contrário, continuará hoje, como antes, à mercê de discursos eloquentes, mas ardilosos. Discursos feitos, sobretudo, com a intenção deliberada de ludibriar, induzindo os mais crédulos a permanecer cometendo erros históricos, inclusive o mais perigoso deles: delegar poderes a quem se comporta como inimigo.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado na edição do Jornal Agora de 09-08-2008

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