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Tecnologia é boa, mas…

Walmir Rosário*

Confesso que sou aficionado por tecnologia de modo geral, principalmente da informática, teoricamente um arsenal de ferramentas para facilitar a vida do homem moderno. Entretanto, temos que tomar todos os cuidados para não complicarmos nossas vidas com os usos e costume que nós impõem essas modernidades.

Pra começo de conversa, sempre é salutar o uso dessas invenções que nos abastece de informação, que nem sempre são verdadeiras: a tal da internet, conhecida como terra de ninguém. Está tudo lá, de parto de formiga a conserto de aviões em pleno voo, passando pelos filósofos antigos e modernos, diagnósticos de doenças variadas e medicamentos para deixar o leitor tinindo.

Olhe sempre com desconfiança de tanta bondade, pois como diz o velho ditado, quando a esmola é grande o mendigo desconfia. É preciso filtrar todas as informações, o que nem sempre é possível, pois os créditos nem sempre são merecedores de confiança, apesar da beleza do discurso. Engana mais do que propagandista de feira vendendo remédio de raízes para todas as doenças.

E na internet se sabe de tudo, ou melhor, sabem tudo de você. Basta ligar o computador ou smartfone para que apareçam propagandas de produtos que você sonhou comprar. Como fazem isso ainda não sei, mas confesso que funciona e se o cabra tiver a cabeça fraca cai no conto do vigário, melhor dizendo, do internauta.

Dia desses pensei em verificar o preço das passagens aéreas e no dia seguinte recebi uma enxurrada de propostas para voar pelo mundo inteiro aos mais variados preços. Resolvi, então, fazer uma busca para um destino possível de minhas possibilidades, a preços módicos, claro, mas não conseguia. Refiz o roteiro até chegar a bom termo e, contente e satisfeito, emiti as passagens.

Para minha surpresa, no dia seguinte, em todo o site que visitava, olha lá a minha vontade inicial a preços acessíveis, conforme o planejamento inicial. Até que tentei trocar, mas não consegui. Teria que pagar três vezes mais para que meu desejo fosse atendido, mesmo com dois meses de antecedência, tempo que eu pensava que não causaria problemas à companhia aérea.

Diante do impasse, resolvi manter meu roteiro acertado anteriormente, para não causar constrangimentos ao planejamento da empresa dona do avião e nem aos meus parcos recursos. Eu desisti, menos a companhia, que fica me mandando notícias sobre o voo objeto do meu desejo. Fico em dúvida se eles querem facilitar minha vida ou tomar o dinheiro que não tenho.

Agora, constrangido mesmo fiquei numa manhã dessas ao conferir meus e-mails recebidos, pois esperava algumas notícias importantes sobre a chegada de uns livros e outras encomendas. Das empresas que comercializei nem uma linha, porém lá estavam três propostas de medicamentos para aumentar a potencia sexual, dentre outras fantasias delirantes.

Logo eu, que sempre fui uma pessoa recatada e não ando por aí espalhando notícias – verdadeiras ou não – das minhas intimidades, achei muito estranho o que esses vendedores me ofereciam. A mim causou estranheza esse tipo de comércio inovador, mas como esse pessoal do marketing inventam tantas estratégias mercadológicas, busquei no Google quem seria o pai dessa inovação.

Confesso que não encontrei esse Philip Kotler da vida, em compensação, fiquei estarrecido com algumas informações que me chegou aos olhos a respeito do comércio na internet. Enquanto uns chamam esses anunciantes de remédios milagrosos de espertalhões que se utilizam da fraqueza alheia para ganhar dinheiro desonesto, outros dizem que são pessoas de má-fé que usam esse expediente para aplicar golpes financeiros: são os achacadores.

O que me encantou dias desses foram as generosas ofertas de diversos grandes bancos, preocupados com problemas em minha conta e nos cartões de crédito. Com receio que eu ficasse sem dinheiro ou não passasse constrangimentos ao tentar fazer alguma compra com o cartão, pediam com toda a presteza que eu fornecesse as senhas para serem retificadas.

Me senti tão prestigiado que na hora fiquei com raiva de mim mesmo por não lembrar os números e letras das senhas para informar aos zelosos banqueiros, até que me dei conta que não era correntista desses estabelecimentos. Como diz o ditado (olha ele de novo…): um bom pedir faz um bom dar, daí minha preocupação em atendê-los com presteza.

Só depois tomei conhecimento de que essas ofertas todas eram coisas de crackers e hackers indivíduos com habilidades e conhecimento em informática para entrar em programas e computadores. Dizem que a diferença está no uso que fazem na invasão: se é de forma desonesta – crackers; se para obter segurança – hackers.

No meu caso, tive até pena dos caras, que tentavam levar o que eu não possuía. Mesmo assim, aconselho aos colegas internautas que evitem se aventurar nessas terras estranhas, pois podem ser “depenados” caso recursos possuam em suas polpudas contas. Já ia me esquecendo que outras pessoas praticam golpes na internet apenas para roubar a propriedade intelectual.

Esses últimos são mais perigosos.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Bancos! Ah, os bancos!

Walmir Rosário*

Que os bancos só emprestam dinheiro aos clientes que não precisam, todos sabem, mas o que passamos a saber a cada dia, é que os bancos somente querem cobrar taxas como estabelecimentos bancários, porém não admitem prestar os serviços a que devem entregar e já cobram por isso. É muito estanho, mas é verdade e é mais uma jabuticaba brasileira.

Pouco vou a uma agência bancária e só me dirijo a esses locais em última instância. Também não é pra menos: tenho que transpor uma série de barreiras para conseguir ultrapassar a porta giratória, após provar que não ando mal-intencionado e desarmado. Mesmo assim sou visto com desconfiança pelos estagiários e empregados, como se fosse ali apenas para importuná-los.

Ora, se um consumidor qualquer procura um banco é porque pretende fazer qualquer tipo de negócio que o banco preste: tomar empréstimos, sacar o seu dinheiro depositado com antecedência, ou, quem sabe, emprestar dinheiro ao banco. Alguns, até, se propõem a emprestar dinheiro aos bancos por juros ínfimos, mesmo sabendo que se precisar vai ter que pagar 10 vezes mais por isso. Mas como tem gente que tem gosto pra tudo…

Seja lá qual for sua intenção, não será bem-visto até que o gerente ou outro funcionário graduado lhe saúde com cara de bons amigos e, quem sabe lhe dê um abraço afetuoso e espalhafatoso para que todos conheçam a sua importância. Caso não seja desse quilate, será desprezado pelo caixa nem tão rápido, que lhe despacha um aviso deste tipo: “Você não tem o perfil para esse serviço”.

Pois é, se um reles equipamento que fica estacionado no lado de fora do banco não lhe aceita, por qual motivo os funcionários do banco iriam lhe aceitar lá dentro, dar um abraço apertado e servi-lhe um cafezinho? Seu perfil é o de fila de correspondente bancário e como tal você deverá se comportar. Hoje, você não é aceito na Caixa Econômica Federal nem mesmo para abrir uma conta poupança. Ah se Itamar Franco ainda fosse vivo e presidente do Brasil…

Um banco múltiplo, como é o caso de 99,99% dos bancos brasileiros, oferecem serviços como depósitos e saques nas contas-correntes e poupanças que mantêm, mas não querem que os clientes de suas contas entrem em suas agências. Estranho, muito estranho esse comportamento de uma empresa que quer o cliente longe dela, mesmo que cobre taxas cada vez mais caras para isso.

Atualmente é muito comum entrarmos na antessala de uma agência bancária – local onde ficam as máquinas chamadas caixas eletrônicas ou rápidas, apesar das grandes filas – e encontrarmos pessoas vestidas com um casaco com um letreiro às costas “Posso ajudar”. Engana-se que acredita na ajuda, a verdadeira função delas é fazer com que a agência se livre daquele cliente ou simples consumidor e procure outro lugar qualquer para pagar suas contas.

Parece mentira, mas é verdade. A cada conta – água, energia, cartão de crédito ou outra compra qualquer – que um consumidor paga, os estabelecimentos bancários recebem determinado valor sobre o recebimento. Mas não querem que esses serviços sejam prestados em suas agências. E isso à vista e beneplácito das autoridades do Banco Central e outras esferas governamentais.

Para isso, contratam outra empresa, denominada correspondente bancário para prestar esse serviço em seu nome. Nessa terceirização, claro que os bancos ficam com a parte do leão, destinando aos seus correspondentes bancários apenas uma pequena parte do que recebem para prestar esse serviço. Se exime dele mesmo (que contratou) prestar o serviço e repassa para outro, se livrando de diversas obrigações inerentes, a exemplo da contratação de bancários, equipamentos e segurança.

No caso dos correspondentes bancários da Caixa Econômica Federal os problemas são mais agravados, com as loterias, recebimento de benefício de prestação continuada (bolsa-família, PIS, dentre outros), além dos pagamentos e saques da própria Caixa e do Banco do Brasil. A cada dia são registrados tumultos nesses locais, principalmente nas pequenas cidades onde não têm ou são poucas as agências bancárias.

E no Brasil de hoje o item segurança é o que mais causa preocupação, pois o chamado correspondente bancário tem manter sob sua custódia o dinheiro oriundo das transações decorrentes. São os terceirizados obrigados a manter nos seus estabelecimentos uma grande soma em dinheiro para pagar quem vem em busca de saques e receber vultosas somas dos que pagam suas contas.

Para o transporte de valores, os estabelecimentos bancários utilizam carros-fortes, grandes e treinadas equipes de segurança, além do apoio do sistema de segurança do Estado. Já os pequenos correspondentes bancários utilizam seus próprios funcionários, sem qualquer aparato, para transportar os valores até os estabelecimentos bancários a quem servem.

Não é preciso dizer que a parte mais fraca sofre com a bandidagem solta e armada nas ruas, planejando assaltos diários, tanto aos correspondentes bancários quanto a outras empresas que trabalham com valores, a exemplo dos supermercados. A todo o dia temos notícias dos assaltos aos funcionários transportando esses valores, que acontecem na saída de suas empresas ou chegada aos bancos.

O que mais causa espécie é que os bancos oficiais, criados para fomentar o desenvolvimento e atender aos que não têm o perfil desejado pelos bancos particulares, são os que causam mais dificuldades para o cliente. É muito comum ouvir nos bancos oficiais que algumas pessoas não são clientes, apenas simples usuários, mesmo que eles recebam seus salários por aquele estabelecimento.

Quosque tandem abutere, bancos, patientia nostra…, parodiando o cônsul romano Marcos Tulio Cicero.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Sou brasileiro, sou solidário!

Walmir Rosário*

Não é pra me gabar, não, mas sou um homem bastante rico e excêntrico. Não sou de exibir muito luxo, mas gosto de tratar os amigos com bastante carinho. Para eles dedico parte de minha fortuna com a finalidade de que vivam bem, sem qualquer aperto ou constrangimento por pequenas coisas, afinal, temos que dividir o que temos para não sermos considerados avarentos.

Eu poderia, até, guardar mais dinheiro ou gastá-lo sozinho em viagens e outros prazeres mundanos, mas não me sentiria bem vivendo nessas orgias sem a presença e o bem-estar dos amigos, especialmente os mais chegados. Afinal, trabalho muito para isso e gasto o meu dinheiro não com a rapidez que ganho, é verdade, mas diria que num tempo considerável, como requer a vida em sociedade.

Como vocês devem ter percebido, não sou de ostentar bens de luxo, embora reconheça que são excelentes para o lazer nos finais de semana e receber bem os amigos e os amigos dos amigos. Não tenho propriedades como iates, carros esportivos das marcas Ferrari, Jaguar, Lamborghini, Porsches ou os aviões a jato da moda para percorrer o mundo. Acredito que discrição faz parte da minha personalidade.

Os que ainda não sabem fiquem informados da minha influência junto aos políticos das três esferas de poder: federal, estadual e municipal, cada um com a parte que lhe toca. Os que vivem em Brasília recebem uma ajuda mais substancial, pois a vida lá está por hora da morte. Além do mais é um local inóspito e nossos políticos precisam de mais cuidados, a exemplo de bons restaurantes, aviões confortáveis e hotéis de primeira.

Parte dos meus recursos destino ao pagamento de correspondências e outras formas de comunicação mais modernas, como a telefonia fixa e celular, pois não é todo o mundo que tem tempo disponível para ficar em busca de wi-fi para teclar nos wathzapps da vida. Também ajudo no pagamento dos régios salários dos assessores, ajudantes eficientes na elaboração de projetos e contato com as bases eleitorais.

Como não sou homem de mentira, jamais negarei que minhas empresas também contribuem de forma especial para as campanhas eleitorais, que custam os olhos da cara e não está pra qualquer um. Mas esse apoio desinteressado é retribuído com pequenas compensações nas votações no congresso e algum direcionamento nas verbas públicas, coisa de somenos importância.

Tenho me esforçado bastante para eleger os amigos mais chegados e os por chegar, pois minha prodigalidade é conhecida no Brasil e exterior, onde volta e meia faço questão de depositar alguns dólares e euros nos paraísos fiscais. E nada mais justo que isso, pois os amigos políticos sempre precisam de recursos extras nos seus passeios internacionais. Ninguém é de ferro e precisa sempre distrair as ideias no exterior. Tudo feito às claras.

Possuo amigos a mão cheia e em qualquer lugar, pois esse é o meu estilo de vida. No judiciário não deixo por menos e tenho destinado alguns mimos para esses sábios que cuidam da justiça. Além da inteligência, precisam se apresentar bem, o que não poderiam fazer sem nosso apoio, por isso faço questão de liberar o chamado “auxílio-paletó”, para que possam se vestir bem e com marcas de conceito internacional.

Ainda mais recentemente liberei o “auxílio-intelectual”, para juízes e promotores, no valor de R$ 14 mil – em alguns estados – para a aquisição de livros jurídicos, ampliando o cabedal de conhecimento forense. Alguns amigos até censuraram esse apoio, ressaltando que seria impossível a qualquer cristão ler, mensalmente, todos esses títulos, mas não importa, o que vale, é a minha generosidade.

E por falar em generosidade, também promovi outra doação, esta, na forma de “auxílio-moradia”. Não acho justo que nossos magistrados, procuradores e promotores usem parte dos seus salários em aluguéis, que estão pelo preço da morte. E a morte é um assunto que me sensibiliza bastante e há muito instituí a pensão permanente para filhas de funcionários públicos civis e militares de algumas carreiras de Estado. Nada mais justo.

Minhas graciosas ações não ficam apenas no campo político, pois coleciono amigos tantos na área cultural, especialmente músicos, artistas das várias linguagens, como teatro, plástica e até os chamados agitadores culturais. Para eles, incentivei a Lei Rouanet, onde distribuo recursos aos meus chegados, de forma gratuita, e por desvario acredito que eles fazem a prestação de contas, na forma da lei. Até que fazem, mas sei que não resistem a uma perfunctória auditoria. Mas o que se há de fazer…

Gostaria de tecer mais comentários sobre a minha generosidade a esses amigos, cuja pobreza franciscana me deixa bastante consternado, mas vou parar por aqui para não despertar a ira da imprensa e pessoas maledicentes. Ainda mais nesses tempos de hoje, em que gravam tudo que fazemos em áudio e vídeo, como se fossem os detestáveis “paparazzi” que não nos deixa em paz, nem mesmo no recôndito dos nossos lares.

Às vezes me perguntam quem sou eu, por que vivo de fazer altruísmos distribuindo benesses e recursos financeiros aos meus amigos, como se no meu íntimo não fosse eu um ser solidário, humanitarista e filantrópico. No meu âmago, benevolência não é apenas uma palavra, mas uma atitude que pode mover o mundo através do amor e do afeto ao próximo, notadamente os amigos que nos governam.

E ainda me perguntam: Quem é você? Ora, sou apenas o cidadão brasileiro que paga seus impostos e contribuições em dia.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Faltam ideologias e sobram donos aos partidos políticos

*Walmir Rosário

Atualmente, a maior falácia do Brasil é a tão falada reforma política. E não poderia ser diferente, pois a casta dominante em Brasília e que domina o Congresso Nacional – Senado e Câmara federais – e o Executivo não tomariam qualquer decisão contra o status quo em vigor. Poderíamos, ainda, incluir na casta dominante o Poder Judiciário, acostumado às benesses do poder, com ressalvas, é claro.

Esses senhores que escolhemos – muito mal – para nos representar não aceitam nos dar a contrapartida da representação, que seria trabalhar para colocar em vigor todas as promessas feitas durante as sucessivas campanhas eleitorais. Os deputados federais seriam, caso cumprissem o que prometeram, os representantes do povo; já os senadores seriam os representantes dos estados federativos, que em última instância teriam que promover a paz e o bem-estar social do seu povo.

Mas com a Lei de Defesa e Proteção ao Consumidor não tem o poder de penalizá-los, fica o dito em campanha pelo não dito após a posse, sem qualquer conotação de propaganda enganosa. Enfim, “esqueçam tudo que eu disse”, na péssima lição dada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Em outras palavras, o que eu digo não se escreve, conforme o ditado popular bastante conhecido pelos brasileiros bonzinhos.

Mas se o leitor acredita que os políticos são ruins, pense então na série de agremiações que os reúne para pedir o seu inocente voto e finalizar o contrato firmado com você logo após apurados os votos e empossados nos cargos. É assim que a banda toca nesse nosso Brasil, em que os partidos políticos se despiram das mais diferentes ideologias, logo após a queda do Muro de Berlim e a chegada de Lula à Presidência da República, com o propósito de nunca mais apear do poder.

Se os partidos estão desprovidos de ideologia, sobra neles o coronelismo atávico dos poderosos que os dominam com mãos de ferro para punir os inimigos ou membros mais afoitos que contrariem o escrito nas suas cartilhas. A dureza do tratamento com os subalternos, entretanto, não é a mesma quando tratam da benesses do poder, com a ocupação de cargos na estrutura administrativa do Estado e suas estatais.

Pelo contrário, a pose republicana passada nos discursos de palanque, emissoras de rádios, televisões e jornais se transforma em comportamento espúrio com a finalidade de tomar parte no rico botim do dinheiro público. Tudo feito à sorrelfa, no recôndito dos gabinetes palacianos, sem a presença de testemunhas indesejáveis. Farinha pouca, meu pirão primeiro, é o lema dos nossos bravos políticos.

Mas, e as reformas? Sinceramente, acredito até que eles pretendam implementá-las, mas ao jeito deles, ampliando a participação no combalido bolo de recursos públicos, cujo fermento é, em maior parte, o pagamento dos impostos pelos assalariados. Que venha o fundo de R$ 3,6 bilhões, associado às contribuições das empreiteiras, o caixa 2 e o roubo das estatais. Quanto mais, melhor.

E as reformas? Calma, que vamos promover mudanças profundas nos partidos políticos – simples associações necessárias para o registro de candidaturas –, promovendo a tão sonhada mudança nos nomes e suas siglas. Basta tirar o P – de partido – de algumas agremiações, acrescentar ou substituir nomes em outros e o eleitor ficará bastante satisfeito com as reformas.

Até que tem sentido, dirão eles, com a desculpa de que a exigência da legislação eleitoral da palavra partido como primeiro nome foi uma imposição dos militares durante o período da ditadura. À época, os militares insatisfeitos com o sucesso nas urnas do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – uma espécie de “Arca de Noé” que abrigava políticos dos mais diversos matizes – sobre a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava os governos militares, inventaram o P inicial como condição para o registro de partidos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Agora, estimado eleitor, já que você se sente um perfeito idiota, me diga o que essa mudança de nome acrescentará na sua vida, no desenvolvimento do país, a não ser embaralhar, ainda mais, a cabeça do nosso povo? O que a palavra partido – ou a falta dela – influenciará na economia, no desenvolvimento social do nosso povo? Mais uma vez, nada, a não ser o engodo que deveremos deixar descer goela abaixo.

Mas, não ligue não! Já que estamos conscientes de que a política é arte de quem não presta, como dizemos normalmente, pelo menos não sentimos violência quando somos surrupiados de nossos bens materiais. Afinal, com a violência que impera hoje em dia, pelo menos seremos vítima de simples furto, sem a ameaça de revólver, e não de roubo dos bandidos que campeiam as ruas de nossas cidades, armados até os dentes.

Como parece que nos encontramos num beco sem qualquer saída, só nos resta escolher o tipo de violência que preferimos sofrer: a física e patrimonial ou a psicológica e moral. E depois não me digam que é por falta de opção.

*Radialista, jornalista e advogado.

A UTOPIA CANAVIEIRENSE

WalmirRosárioWalmir Rosário*

Segundo os historiadores, há utopias sonhadas e utopias tentadas. Umas assumem o papel político enquanto outras o religioso. Algumas são apenas sonhos de filósofos, que jamais saem dos livros. Já a Maçonaria abrange as duas, pois é uma utopia filosófica e uma tentativa de implantá-la na prática. Por isso, tem envolvimentos com a política e ainda é confundida com a religião.

A utopia prega um modo de vida universal – como na Maçonaria – com a finalidade de redimir o homem pecador e formar uma verdadeira fraternidade, em que o profano possa conviver com o religioso. Para isso, são escolhidos no meio social indivíduos de elite moral, no sentido de prepará-los para servir de alicerce para essa sociedade, seja nos aspectos espirituais ou interesses mundanos. Mas como é possível fazer isso numa sociedade múltipla, diversa? Veremos com a história de nossa cidade:

Para Canavieiras convergiram todos os povos, diferentes etnias. Cada um em busca de novas oportunidades. A data mais precisa desta invasão é o ano da era vulgar de 1882, quando foi noticiada mundo afora a descoberta de diamantes no Córrego do Salobro, terras da Vila Imperial de Canavieiras.

Brasileiros e estrangeiros de várias nacionalidades aqui aportaram em navios e canoas – até mesmo em lombo de burros. Entre os nativos, a grande maioria da Chapada Diamantina, com a única preocupação de “bamburrar”, ficar rico e poderoso faiscando os famosos diamantes das fraldas da Serra da Onça.

Sozinhos ou com as famílias, vieram de toda as partes do mundo para desbravar as matas, vasculharem os rios e córregos. Até mesmo uma empresa francesa investiu pesado na importação de equipamentos para esvaziar a Lagoa Dourada, onde acreditava-se ser um depósito fervilhante dessas pedras preciosas. Apesar das motobombas trabalharem dia e noite todo o esforço foi em vão e quanto mais tiravam, mais água ajuntava.

Como gente atrai gente – por ser o homem um animal gregário –, uma leva de mascates deixou de preambular de povoamento em povoamento para se aqui se estabelecer. Comércios de todos os tipos foram abertos, desde os armazéns de secos e molhados, com produtos para a subsistência e o trabalho, quanto para o luxo e o divertimento, uma praxe para os padrões da época.

Como bem nos narra o livro “Canavieiras – Terra Mater do Cacau”, de autoria dos professores Durval Filho e Aurélio Schommer, no capítulo “Todos Diferentes, Todos Iguais”, aqui se misturaram europeus, africanos, asiáticos, indígenas e os já brasileiros, numa grande miscigenação. Aos poucos, os nomes estrangeiros foram se associando aos locais, formando a população que hoje conhecemos.

Essa mudança na cor da pele também influenciou os costumes, a maneira de agir e de falar, deixando para trás usos e costumes tradicionais. A herança cultural nem sempre era conservada, ou pouco preservada em raros momentos do recesso do lar. Agora, tudo girava sobre o fazer fortuna em Canavieiras, conforme a pretensão de cada um que para aqui se deslocou com essa finalidade.

Como os diamantes não afloraram a contento e conforme as notícias contadas mundo afora, os garimpeiros – cristãos novos ou por profissão – foram obrigados a deixar a Serra da Onça e seus arredores para se dedicarem a novos ofícios, com pouquíssimas defecções. Agora o novo “eldorado” era a fortuna que poderia ser feita com os frutos cor de ouro que por aqui se multiplicavam nas roças de cacau.

Àquela época, o cacau não era exatamente uma novidade, pois aqui foi introduzido nas margens do Rio Pardo, na Fazenda Cubículo, por Antônio Dias Ribeiro, com as sementes trazidas pelo franco-suíço Louis Frederic Warneaux da longínqua região amazônica, mais exatamente do Pará, no ano de 1746. Com o mercado internacional em alta, o cacau ganha prestígio e os atores de sua cadeia produtiva: dinheiro.

E a Vila Imperial de Canavieiras continua vivenciar uma nova fase de progresso. Tanto isso é verdade, que por seu visível crescimento – na sede e nos povoados – a luta dos seus moradores era sair da condição de vila para se transformar na cidade de Canavieiras, tida e havida como a “Princesinha do Sul. Finalmente, em 25 de maio de 1891, o sonho se tornou realidade.

Mas e o que tem a ver essa história de Canavieiras com a Maçonaria? Tudo! Pois se confundem em todos os momentos. Canavieiras e a Loja Maçônica União e Caridade estão umbilicalmente ligadas. Então, vejamos que não são meras coincidências essas datas: em 17 de fevereiro de 1890, o governador Manoel Victorino Pereira nomeia o médico Antônio Salustiano Viana o primeiro intendente de Canavieiras. Em 27 de dezembro do mesmo ano de 1890, é lançada a pedra fundamental da Loja União e Caridade.

Em 25 de maio de 1891, o governador do Estado da Bahia, José Gonçalves da Silva, eleva a Vila Imperial de Canavieiras à condição de cidade. Meses depois, em 17 de agosto de 1891, foi concedida à Loja Maçônica União e Caridade a Carta Constitutiva – ou Patente – que confere à Loja o direito de funcionar como Regular, filiada ao Grande Oriente do Brasil (GOB), da qual saiu em 24 de junho de 1954, para se filiar à Grande Loja Maçônica do Estado da Bahia (Gleb).

Acima, nos referimos a Antônio Salustiano Viana, primeiro intendente de Canavieiras. Pois foi essa mesma personalidade integrante dos Maçons Regulares a fundar a Loja Maçônica União e Caridade e o seu terceiro Venerável Mestre. Aqui faço uma ligação com o início desta peça de arquitetura, demonstrando como a utopia é uma “filosofia” (termo ainda controverso como sinônimo) recorrente e necessária à Maçonaria na formação de um mundo melhor.

Para a Maçonaria, a utopia surge como uma sociedade dentro da própria sociedade, dela extraída por um processo seletivo que pode variar no tempo e no espaço. De simples ideia passa a ser uma prática de vida, na qual o homem sente que pelo exercício de uma disciplina mental, orientada por uma ação divina, pode se viver melhor. É daí que nasce a ética (princípios) e a moral (conduta) como forma de educação do espírito para a construção efetiva de um reino de harmonia, paz e bem-estar.

Para finalizar, a utopia maçônica, à época, fez de Canavieiras uma cidade melhor para se viver – mesmo com a diversidade, ou como diz o livro: “Todos Diferentes, Todos Iguais”, em harmonia, com a prática da ordem e da justiça. E o livro “Canavieiras – Terra Mater do Cacau” nos conta histórias de uma história da vida de nossa cidade, na qual a Loja União e Caridade teve participação ativa na formação de uma comunidade mais justa.

*Radialista, jornalista e advogado (M:. M:.)

Publicado originalmente no site www.costasulfm.com.br

A lição de vida que nos dá o nordestino

Walmir Rosário*

Após quase 50 anos tenho o prazer de rever a caatinga aqui para as bandas da divisa de Sergipe e Bahia (Cícero Dantas e Poço Verde) e, dentre as novidades que vi, quase nada, a não ser o tamanho das cidades, num misto de crescimento e desenvolvimento. Ao invés das estradas carroçáveis e esburacadas de antes, asfalto, um tanto cansado, é verdade, mas aceitável para os padrões atuais.

Nada mais de paus-de-arara e agora o sertanejo viaja em ônibus confortáveis, em pick-ups cabines duplas, carros modernos iguais aos que vemos nas grandes metrópoles do Brasil. Pouca diferença no comércio, com supermercados oferecendo os melhores produtos das mais diversas regiões brasileiras e do exterior; lojas e boutiques acompanham os lançamentos mais recentes da Europa e Estados Unidos.

O sertanejo está com tudo, como sempre esteve. Se antes não dispensava as notícias mais imediatas nos grandes aparelhos de rádio com seis, sete e até nove faixas, hoje dispõe da televisão a cabo e via satélite, além da internet que o conecta 24 horas com todo o mundo. Negocia sua safra com as cooperativas e empresas multinacionais, via telefone celular, equipados com os mais modernos aplicativos.

Poderia eu dizer que o homem da caatinga disputa com seus colegas das outras regiões brasileiras em igualdade de condições, caso não tivesse informações outras coletadas ao longo dos anos. Se sobra coragem ao catingueiro, falta-lhe chuva no tempo certo, bem como outras benesses concedidas pelas autoridades governamentais, a exemplo de infraestrutura e crédito nos mesmos moldes dos outros.

Como afirmava Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, o nordestino até hoje não fez por desmerecer a citação desse jornalista e militar que acompanhou a vida, as adversidades e os conflitos dessa gente. Não desanima nunca e pede a Deus que no próximo ano reverta o quadro de dificuldades para que possa continuar sobrevivendo com os seus.

E é sempre atendido. Mas faz por merecer. “Acostumado aos revezes, sabe viver fritando o porco com a própria banha”, como dizem os mineiros, tirando lições das constantes situações vivenciadas. Planta para sua família comer, alimentar seus animais e vender um pouco do que eventualmente sobra, permitindo sua sobrevivência nas maiores dificuldades.

E essa situação fui observando ao longo das estradas, onde cada pedaço de terra é ocupado com uma pequena plantação de milho, feijão, mandioca, dentre outras culturas. Não dispensa a criação de pequenos animais, tratados como membros da família e que faz chorar o nordestino quando os vê “o couro e o osso”, igualzinho a que cantou Luiz Gonzaga na música o Último pau de arara.

Entretanto, se é obrigado a deixar seu torrão natal, vai para terras estranhas dar o duro para sustentar a si, sua família, seus bichos, sempre com o pensamento de um dia voltar. E sempre retorna trazendo na mala uma lição das terras por onde passou para juntá-la ao repertório de sabedoria e aplicá-la quando preciso for, sem a menor cerimônia.

Acostumados que fomos a ver o Nordeste brasileiro sob o estereótipo das terras pedregosas e calcinadas pelo sol inclemente – o que é uma parte da sua paisagem –, deixamos escondida a grande extensão de terras férteis, sempre prontas a produzir quando as condições sejam favoráveis. Bastam três dias de chuva para a beleza plástica do verde de sua vegetação animar os olhos e encher de coragem e esperança o catingueiro.

Água! Esse é o ingrediente que quando em escassez faz “cortar o coração” do catingueiro, que pede a Deus e aos seus santos de devoção que mandem chuva em abundância para poder plantar e colher. E quando são atendidos trabalham dia e noite para fazer a felicidade de todo um povo, de toda uma região, que conhece a pobreza, mas vive sem miséria, dividindo tristezas e alegria com a verdadeira fraternidade.

Se falta o pão a um vizinho, oferece um pedaço do pouco que lhe sobra; se a necessidade é a água, abre sua cisterna (melhor dizendo: de pedra e cal), seu pote ou moringa e mata a sede do semelhante. Fraternidade e igualdade não falta ao nordestino, que apenas precisa de mais liberdade para fazer o bem à humanidade.

Até chegar em Cícero Dantas vou conversando com meu amigo Batista sobre as dificuldades e a sabedoria deste povo que poderia ser mais ouvido e ministrar lições de experiência e vivência. Enquanto isso não lhe é possível, continua vivendo com simplicidade, demonstrando que quando não lhe é possível solucionar um problema que lhe surja, pede a intercessão de Nossa Senhora do Bom Conselho e a Jesus Cristo, que estão sempre prontos para atender seus filhos amados.

*Advogado, jornalista e radialista.

Postado originalmente no site www.costasulfm.com.br

 

Na democracia é bem melhor

Walmir Rosário*

Como ser humano, somos um animal gregário e buscamos viver em sociedade, o que implica numa série de regras a ser seguida para proporcionar uma convivência salutar. Esse é um princípio natural que devemos seguir como pessoas e mais ainda como cidadãos, por nossa obrigação assumida para com a sociedade em que vivemos.

Implícita nesta conduta está a obediência às regras preestabelecidas, a exemplo das normas jurídicas; da moral, de forma coletiva; e da ética, de maneira individual. Dentro desses princípios, a previsão de conflitos é muito pequena, pois a sociedade não pauta de forma retilínea, haja vistas as nossas visíveis diferenças.

Essa teoria seria importante caso transformada em realidade, o que a cada dia se torna mais impossível, dados os costumes de cada grupo da nossa sociedade. Os três princípios básicos estabelecidos e perseguidos pela Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – seriam, enfim, transformados de lema a fonte segura do direito de cada um.

Embora estejamos acostumados a ouvir os ensinamentos acima desde nossa infância, eles se tornam meras futilidades quando existem interesses contrários aos poderes dominantes. O que não se consegue conceber é que esses princípios basilares venham sendo desrespeitados sob variados pretextos, todos de interesses menores, justamente pelos que juraram obediência à Constituição.

A título de lembrança, frequentemente nos chegam notícias de pessoas e grupos conclamando a volta da ditadura militar para governar o Brasil, como se nosso país fosse uma simples república de bananas. Ora, se na democracia está ruim, não será num regime de força que a vida da população irá melhorar em todos os aspectos. Nos faltará liberdade, igualdade e fraternidade. Sem contar no desrespeito à Constituição.

Está lá no parágrafo 4º, do artigo 60 do texto constitucional: “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I – a forma federativa de Estado; II – o voto direto, secreto, universal e periódico; III – a separação dos Poderes; IV – os direitos e garantias individuais”. Ora, essas cláusulas pétreas nada mais são do que uma garantia constitucional a valores que nos são por demais caros.

Se não quisermos olhar pelo ângulo do Direito Positivo – o que se acha escrito -, poderemos analisar esse tema através do Direito Natural – o conjunto de normas que já nascem incorporadas ao homem -, como o direito à vida, à defesa e à liberdade. Então, para que pregamos os valores do iluminismo se queremos o absolutismo, mesmo contrariando todo o nosso legado normativo?

Acredito que esses conceitos absolutistas defendidos por essas pessoas e grupos devam ser revistos com a máxima urgência, sob pena de incorremos em transgressão dos princípios filosóficos e na quebra do nosso ordenamento jurídico. De já, caso prevaleça a teoria absolutista, teríamos que transformar toda a nossa legislação numa imensa fogueira.

Com a volta do regime de exceção – a ditadura militar –, nossos direitos e garantias individuais cairiam por terra e estaríamos expostos à vontade e ao furor de cada um dos “amigos do rei” com as injustiças chanceladas pela justiça. O direito à vida, o maior bem do homem, passaria a ser considerado artigo de quinta categoria, e que dele poderia dispor os ditadores de plantão.

Todas as sociedades são formadas por pessoas diferenciadas, o que torna a sociedade plural e cada um de nós poderá exercer o seu direito de pensar, agir e professar de acordo com o que lhe convêm, desde que assegurado o direito do próximo. Esse é o princípio natural da humanidade, defendido pela filosofia Iluminista, a quem a maçonaria participou de sua elaboração e tomou para si esses ensinamentos.

Na sociedade, cada um tem o seu papel e deverá desempenhá-lo de acordo com os preceitos estabelecidos. A grosso modo, o Poder Executivo administra; o Poder Legislativo fiscaliza e legisla; o Poder Judiciário julga. Se desvios são verificados, mudam-se os homens, preservam-se as instituições, como preceituam as normas legais.

E é nesse contexto constitucional que se encontra as forças armadas, cujo comandante em chefe é o Presidente da República. São os militares profissionais gabaritados em segurança, e assim devem ser, como todas as parcelas da sociedade. Não é a farda que o torna mais honesto ou preparado para governar um país e sim sua formação familiar, moral e ética.

Em todos os segmentos sociais existem os bons e os maus, os simplórios e notórios. Cabe a nós cidadãos sabermos escolher os nossos representantes, sempre avaliando pela sua capacidade e compromisso, retirando-o de nossa representação quando não mais merecer a nossa confiança. Alerto, entretanto, que para isso é preciso que antes de sermos partidários nos tornemos politizados.

Quando falamos nas maravilhas do milagre econômico daquela época é preciso que saibamos distinguir crescimento de desenvolvimento, E para encerrar recorro ao pensador iluminista Voltaire: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. Numa ditadura, ou governo de militares, como querem alguns, isso nunca será possível.

*Radialista, Jornalista e advogado

Publicado originalmente no site www.costasulfm.com.br

Chocolate é comida de boi

Walmir Rosário*

Calma, gente, isso acontece lá na Austrália, onde o chocolate serve como iguaria e tranquilizante para os animais da raça Wagyu (japonesa), que são transformados em kobe beef, uma das carnes mais saborosas do mundo. E como tudo tem seu preço, um quilo dessa carne é vendida em todo mundo pelo preço de arrobas que conseguimos vender por aqui.

Ao tomar conhecimento dessa notícia,pensei logo nos benefícios que poderiam trazer à cultura do cacau, com esse incentivo ao consumo do conhecido manjar dos deuses. Já imaginaram quanto embolsariam a mais os nossos produtores exportando mais cacau? Marketing a Canavieiras é o que não falta e teríamos como símbolo a fazenda Cubículo, primeira plantação de cacau da Bahia.

Mas ao relembrar as propostas de aumento da produção de cacau através da elevação do consumo, logo me aquietei pensando no histórico dessas tentativas anos a fio pelo antigo Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau (CCPC), que trocou o C de Consultivo pelo N de Nacional.

Ainda recordo das visitas de nossos conselheiros à China, que tinha como missão fazer com que apenas 10% dos chineses tomassem apenas uma pequena xícara diária de chocolate. Entre idas e vindas, a verdade é que se passeou muito e não conseguiram trocar o sagrado chá dos chineses pelo nosso cacau.

Uma lição caseira também me chama a atenção, que seria a introdução do chocolate na merenda escolar, com pioneiras tentativas, todas infrutíferas e de redundante fracasso. Não o porquê, mas a verdade é que essa ideia nunca foi transformada numa política pública, e não cabe a esse pobre escrevinhador pesquisar. É o papel dos cacauicultores.

Longe de mim afirmar – em alto e bom som – que a atitude do pecuarista australiano não irá produzir resultados positivos para o cacau. Também não vou sair por aí recomendando a introdução dessa nobre dieta aos pecuaristas brasileiros. Cabe-me apenas mostrar o que está sendo feito em terras distantes aos nossos patrícios. E vale a pena tomar conhecimento.

Antes de mais delongas, vale explicar que o kobe beef é considerada sinônimo de maciez, com gordura marmorizada e sabor inconfundível, que combina com o paladar dos consumidores que pagam em dólares e euros. Afinal, esses animais recebem um tratamento de luxo e carinho, sem falar da alimentação especial que recebem. Nada mais justo.

Tudo é uma questão de valor e disposição de pagar, como diriam os economistas para explicar a disposição desse seleto grupo de exigentes consumidores. De olho nessa demanda, o pecuarista Scott de Bruin, do Sul da Austrália, passou a investir na alimentação desses bovinos, oferecendo grãos especiais e frutas como maçãs.

Para agregar mais valor ao seu produto, Scott também passou a incluir o nosso chocolate na dieta do rebanho Wagyu, com a finalidade de aumentar as calorias consumidas. Com isso, conseguiu – segundo ele – a elevar o marmoreio da carne, tornando o kobe beef do seu rebanho ainda mais especial e de preço alto.

Acreditem que é a mais pura verdade. O pecuarista australiano consegue servir essa dieta composta por grãos, frutas e chocolate a todo o seu rebanho, formado por 7,5 mil cabeças, quando eles atingem os 30 meses. Ao sentir o cheiro do chocolate, as rezes se aproximam e comem à vontade (acredito que lambendo os beiços, como se diz popularmente).

Para o fazendeiro australiano, o consumo do chocolate faz com que o seu rebanho fique bem alimentado e mais feliz, transferindo esse bem-estar à qualidade e ao sabor da carne. A qualidade do tratamento a esses animais não se restringe ao chocolate e eles também ganham sessões de massagens, acupuntura, ouvem música clássica e dormem em tapetes térmicos, para que não sofram estresse. Um luxo!

Pelos meus parcos conhecimentos da pecuária, não sei se o chocolate é o elixir da felicidade para os nobres animais da raça Wagyu do Sul da Austrália, mas de cátedra, posso assegurar que no Brasil não merece confiança o chocolate por aqui consumido. Com raríssimas exceções, oriundas de fabricação caseira (artesanal) e pequenas fábricas.

Cada um tem o sonho de consumo que merece.

Radialista, jornalista e advogado

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

A sensibilidade dos políticos em Brasília

Walmir Rosário

Como se não bastasse o inferno astral que vive, o presidente Michel Temer está sendo acusado – a palavra correta seria criticado – por alguns por retaliação contra seus novos inimigos. Isso por conta das publicações do Diário Oficial da União, com a exoneração de muitos apaniguados de deputados e senadores, hoje desafetos do ocupantes do Palácio do Planalto.

A cobrada insensibilidade do presidente Michel Temer tem por motivação aquela máxima política: “Aos amigos, as benesses do poder, ao inimigos os rigores da lei”. Cargos de indicação política de livre escolha do presidente da República, esses senhores, passaram a trabalhar contra o governo a que deve obediência, por ordem de seus padrinhos.

Não é bem assim que a banda toca nesse nosso Brasil, que dispõe de uma enormidade de cargos para serem distribuídos entre os amigos do poder, enquanto são amigos. Ao ser escolhido para determinado cargo, vale mais a indicação do que sua formação e a competência para exercer o munus publicum. Vale quem o indicou.

A degeneração da essência da Administração Pública é coisa do passado, com todas as honras e pompas da Monarquia, daí a definição de “amigos do rei”, que perdura até hoje. Uma excrecência que continuou após a Proclamação da República, forma de governo que abomina todas essas, por ser governo do povo e para o povo.

Enquanto em países do chamado primeiro mundo a mudança de um governo federal movimenta apenas uma ou duas dezenas de ocupantes de cargos públicos considerados relevantes, no Brasil passa e muito dos 30 mil. Se colocarmos esse contingente em cada um dos estados e dos municípios…é bom nem pensar…Nos sentiremos mais ultrajados.

Nos sentindo indignados com o funcionamento e ocupação dos cargos públicos, principalmente os chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior), que compensam regiamente com polpudas remunerações os escolhidos. Mas não é tudo, pois nos estados e municípios esses cargos contemplam da direção às ocupações mais simples, coisa de até salário mínimo.

Todos os candidatos (ou a maioria) têm em seus programas de governo a moralização dessas benesses, promessa logo esquecida quando chegam ao poder. Sentados nos tronos, chegam à realidade de que não podem deixar de fora os colaboradores de suas campanhas e novo amigos, feitos logo após empossados. Como diz o ditado: “onde come um, comem dez”.

Pelo vimos até agora, nossos governantes não podem ser censurados pela insensibilidade e sim pela generosidade no tratamento dos amigos, desde que haja reciprocidade. Cada um de acordo o grau de benefício, que vai desde o voto no parlamento, ao favorecimento em determinadas questões, ou ao tamanho da mala que possa carregar.

Não me cabe aqui (e nem sei) determinar qual a ordem de importância que cada um representa, só sei que que existem os “mais chegados” e que para eles não se mede distância ou obstáculo para favorecê-los. Que o diga o ex-deputado federal, ex-assessor e amigo do peito Rocha Loures, que hoje ostenta em uma das pernas uma salvadora tornozeleira eletrônica que o livrou da hospedagem da Papuda.

Sei que existem graus de utilidade dos beneficiários a depender da necessidade do momento, como o livramento de um amigo das garras da justiça de primeiro grau. Que o diga o ex-presidente Lula, um quase ministro não fosse o bisbilhotamento telefônico feito pelos próceres da chamada “república de Curitiba”, que não deixou tomá-lo posse.

Melhor sorte tiveram outros amigos, como o Moreira Franco, salvo pelo gongo e que continua servindo ao presidente Michel Temer, para o bem do Brasil, bem como outros investigados com passe livre no Palácio do Planalto. É uma dureza exercer o poder no Brasil, ainda mais quando criticado injustamente de insensibilidade pelos ex e futuros amigos.

Tenham dó!

Radialista, jornalista e advogado

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

E tudo continua como dantes

Walmir Rosário*

Apesar da tempestade de notícias diárias que aproxima a política da polícia, o Brasil retorna a normalidade após um breve período de festejos juninos, mais forte no Nordeste do que no restante do país. Por essa parte do Brasil, todas as quadrilhas já foram desmontadas, embora o mesmo não poderemos afirmar em relação à capital federal. Faz parte da cultura.

As instituições funcionam – é verdade que não tão bem as de ordem política – e nossa economia dá, mais uma vez, a demonstração que está cada vez mais vigorosa, haja vista os números que vêm sendo apresentados. Como sempre, o setor privado continua a mil maravilhas, embora não se possa dizer o mesmo em relação ao setor público. É uma mazela que persiste.

Se antes nos acostumamos a presenciar as crises “fabricadas” às quintas-feiras em Brasília, agora estamos mergulhadas nela de forma permanente, mas pouco caso fazemos. A expectativa do fim de semana em relação às mazelas que poderiam vir na segunda-feira é coisa do passado. Vivemos hoje no fio da navalha. E pouco ou quase nada ligamos para isso.

Não fosse a Operação Lava Jato, a crise política não seria considerada apenas um desequilíbrio na conjuntura socioeconômica e uma da fases problemáticas de nosso país. Para uns, nem mesmo preocupação causava, pois já estava arraigada nos costumes, como uma cultura do Estado sentida pelo segmento privado. Mas do que uma cultura, um atavismo.

Mas eis que vivemos hoje num mundo diferente, moderno, em que as novas tecnologias nos são apresentadas a cada semana, sem nos causar qualquer surpresa. As redes sociais “andam” a mais de mil por hora, superando a barreira do som, com notícias para todos os gostos, embora seja necessário separar o joio do trigo. Nem sempre tudo que é bom é verdadeiro.

Nunca antes na história desse Brasil varonil nos indignamos tanto e a toda a hora com as denúncias que nos chegam, mas que aprendemos a tolerá-la da forma mais cândida possível. Após as explosões de praxe, relaxamos e chegamos à conclusão que sempre foi assim, mesmo vendo que cada vez mais colarinhos brancos são presos e condenados. São os sinais de mudança dos tempos.

Sempre nos acostumamos a saber que – a grosso modo – uma das diferenças entre a direita e a esquerda vai além das questões básicas que os unem, como o pensamento. Entre os capitalistas, a defesa do capital os reúne de pronto, enquanto outras divergência serão discutidas; já na esquerda, qualquer discordância, por menor que seja, é o caos. Esta talvez seja o ponto básico do comportamento econômico brasileiro.

Os políticos – seja de que ideologia professem – que resolvam seus problemas pendentes com as instituições cabíveis, como Polícia, Ministério Público e Justiça. Os empresários que cuidem da economia, nos moldes permitidos pela legislação e pela ordem mundial, no sentido de gerar divisas e proporcionar o desenvolvimento. Desde os tempos mais remotos, essa tem sido a ordem.

Um dos motivos principais dos nossos problemas econômicos tem sido a má gestão ou a falta de gestão dos recursos públicos, tomados a força dos contribuintes, sem qualquer preocupação. A meta é sempre ter mais dinheiro para gastar e de forma desordenada como vivenciamos nos últimos 517 anos, com nossa concordância. Com a pólvora alheia o tiro é mais forte.

A preocupação primordial é o pagamento do juros aos bancos, o rico bem-estar dos políticos, as benesses aos amigos empreendedores com os recursos do tesouro federal. Já os recursos para implantar a infraestrutura necessária para a produção de riquezas estão cada vez mais escassos; os benefícios sociais são dispendiosos e dependem do aumento de impostos. O planejamento se resume à gastança.

Mas já nos acostumamos com isso tudo e chegamos a acreditar que os desvios de finalidade dos recursos público fazem parte da vida pública e chega a ser uma das prerrogativas dos políticos. Como na nossa legislação o Estado não pode declarar falência, sempre há alguém com um pires na mão em busca de recursos para tapar os rombos. Vale a pena ser perdulário.

Não sei o motivo de me preocupar com essas coisas, pois aprendi que desde o descobrimento do Brasil o fidalgo Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, já pedia ao rei Dom Manoel sinecuras para seus parentes. E desta forma se fez o Brasil por todos esses séculos em que sempre valeu a pena ser “amigo do rei”.

Talvez seja eu um inconformado. É, devo ser!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

NO LUGAR E HORA ERRADAS

Walmir Rosário

Enquanto aqui no Brasil passamos os dias tentando debater sobre a validade e a continuidade da Operação Lava jato, a justiça da França confirma em grau de recurso, a condenação do deputado paulista Paulo Maluf (PP-SP). Lá, os franceses aplicaram uma pena de três anos de prisão, além de multa de 200 mil euros (R$ 725 mil), por crime de lavagem de dinheiro, fato ocorrido naquele país entre 1996 e 2003.

Aqui por essas bandas não temos visto e ouvido notícias das traquinagens praticadas por Paulo Maluf com o dinheiro público, haja vista não aparecer no Mensalão e na Lava Jato. Entretanto, estar fora dessas duas esculhambações não lhe dá um atestado de boa conduta, como tentou apresentar por muito tempo, o que conseguiu, em parte, nesta terra brasilis.

Se entre nós teve algum êxito não conseguiu o mesmo intento lá fora, especialmente na França, Suíça e Inglaterra, onde as investigações foram feitas de forma célere e séria. Além do deputado Paulo Maluf, também têm ficha suja nesses países sua parentela, especialmente sua esposa Sylvia e o seu filho Flávio.

Essa alta soma de recursos apreendidos na Europa seriam de malandragens feitas com o suado contribuinte paulista, nos tempos em que Paulo Maluf se jactava de ser o maior prefeito da cidade paulistana. A construção de um viaduto aqui, um túnel por ali ou um conjunto residencial Cingapura (com C, mesmo), para que a propina fosse tamanho família.

E todo esse dinheiro, como de todos os tubarões da época, eram direcionados para os bancos suíços e de outros paraísos fiscais, considerados símbolos de segurança. E realmente foram, até que as autoridades desses países começassem a investigar a origem, de tantos recursos. E não deu outra: a casa caiu. Não dos conjuntos habitacionais para a população de baixa renda, mas a de Paulo Maluf.

Mesmo diante de todas as negativas (próprias dos políticos) de que tais somas de dinheiro não lhe pertenciam (acredito que fez escola após Lula firmar coligação com Maluf para apoiar o deputado apoiar se candidato Haddad), os gringos chegaram à origem criminosa. Já em nosso Brasil varonil, o processo pesa e caminha com muita lentidão entre os cartórios e salas de audiência, haja vista a quantidade de recursos, em sua maioria protelatórios.

Nosso tem tão operoso deputado e sua estimada família não pode aparecer pela França – onde apareciam com a mesmo frequência de que vou caminhar na praia – sob pena de serem todos presos. Mesmo assim não descuida dos processos, para os quais contratou batalhões de advogados das melhores bancas desses países.

Se lá não vão, para evitar quaisquer desentendimentos com Interpol, o deputado Paulo Maluf e sua estimada família desfrutam das suas mansões nas melhores cidades, cada uma devidamente apropriada para cada estação do ano. Como eram useiros e vezeiros desses paraísos internacionais, deixam essas temporadas para o deleite dos emergentes, os conhecidos new rich.

Por incrível que pareça, Paulo Maluf teve mais sorte dos que seus colegas de parlamente e os políticos do executivo, pois não tem a Rede Globo lhe atazanando durante todo o dia e o dia todo. É verdade que já passou por isso em tempo recuados, e sabe muito bem o que a “bola da vez” sofre. Deve ter sido questão de oportunidade.

Por outro lado, faltou a Paulo Maluf – caso estivesse no meio do Mensalão e da Lava Jato, ou outra qualquer de somenos importância – a condição de dispor de um fã clube. Sim, hoje, na atual política brasileira, o cidadão comum deixou a condição de ser apenas um eleitor de cabresto para ostentar o status de idólatra de bandidos do seu partido.

Não sei, mas acredito que Paulo Maluf se encontrava no lugar e na hora erradas.

Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

E o que nos envergonhava era o placar de 7 X 1…

Walmir Rosario*

“Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Esse ditado dos tempos dos “coronéis” ainda persiste até hoje e se presta para as aplicações mais diversas, até mesmo nas decisões judiciais. Serviu recentemente para nos tirar uma dúvida atroz, em que pensávamos que o placar que envergonhava a todos os brasileiros seria o de 7 X 1, aplicado pelos alemães na seleção brasileira.

Que nada, hoje já sabemos que nossa vergonha atende pelo placar de 4 X 3, imposto pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a democracia brasileira. Desonra e humilhação maior não poderia ser mais acachapante do que essa decisão degenerada de suas excelências, ainda mais pelo excesso de provas.

Como bem disse o ministro Luiz Fux, aos ministros cabem julgar com altivez; à avestruz enterrar a cabeça na terra; numa alusão aos que teimam em não querer ver, enxergar. Mais incisivo com seus pares foi o ministro Herman Benjamim, relator do processo, que admitiu até “participar do velório, mas que não pegaria na alça do caixão”.

Mas o que teria acontecido aos senhores ministros, homens acima de qualquer suspeita (até prova em contrário), escolhidos para o mister por serem grandes conhecedores do direito e pessoas bem educadas? Os interesses de cada um, pelo que se desconfia, a julgar pelo placar conhecido antes mesmos do julgamento do processo começar.

Não foi à toa que ministros foram escolhidos em cima da hora por um dos réus do processo, o presidente Michel Temer, a quem realmente caberia a escolha, e cujos os interesses se tornaram explícitos. Para suas excelências, ora não haviam no processo provas suficientes para cassar os réus da chapa Dilma-Temer, ora o pedido inicial não se referia às provas apresentadas.

Até mesmo o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, desdisse tudo o que tinha dito a apenas dois meses, quando queria ouvir novas testemunhas, ou há dois anos, quando evitou a extinção do processo. Agora, somente faltou dizer: esqueça tudo o que eu disse, como fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em tempo nem tão recuados.

Mesmo com todas provas acostadas ao processo, inclusive periciadas pela Polícia Federal, os quatro ministros – Gilmar Mendes, Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira – de forma conveniente, não viram o menor indício do dinheiro da Odebrecht irrigando a campanha, muito menos em forma de propina, apesar da confissão afirmativa dos diretores da empresa construtora.

E as desculpas para que as quatro excelências não enxergassem os indícios de caixa 2, era de que o processo era para investigar apenas caixa 1. E foram além, confirmando que em todas as eleições esses abusos do poder econômico são useiros e vezeiros. Desmontaram a lei que prevê e condena esses crimes, sob o torpe argumento de que a condenação da chapa, com a queda de Temer da Presidência seria altamente prejudicial para a economia do país.

Sem ter como justificar a renegação das provas apresentadas, os quatro ministros partiram para o ataque ao relator acusando-o de ser descortês com os colegas. Atuação de quem não tem como explicar aos brasileiros a descortesia com a Constituição Federal, as leis, aos acórdãos do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF), já transformado em jurisprudência. Mas deselegantes foram os quatro ministros com o povo brasileiro.

Mais vergonhosa, ainda, foi a desculpa do ministro Napoleão Nunes Maia ao evocar passagem bíblica e a vingança do profeta com aqueles que o acusaram de não ter agido com probidade. Sábios, mesmos, foram seus irmãos de religião que cobraram seu desvio intelectual de juiz, ao abandonar as substanciosas provas existentes no autos. Se Napoleão não conseguiu enganar os homens, imaginem o olhar divino.

Essa não foi a primeira oportunidade demonstrada pelos tribunais superiores nos julgamentos dos que detêm o poder e utilizam subterfúgios escusos para tentar justificar seus votos. É preciso distinguir os interesses da Nação e Estado do de Governo. E os dois primeiros foram ultrajados vergonhosamente por suas quatro excelências em benefício do último.

Se o placar de 7 X 1 nos deixou cabisbaixos, o placar de 4 X 3 nos deixou profundamente envergonhados com o conteúdo dos votos desses quatro ministros que não souberam honrar suas togas. Daqui pra frente se cuidem os prefeitos, com processos no TSE, que irão “pagar o pato”, com cassações e mais cassações para tentar limpar as togas enxovalhadas. Como disse acima, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

 

Taxa do cheque especial aumenta em agosto
 
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Alto Beco do Fuxico festeja seus 30 anos
 
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