CIA DA NOTÍCIA

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NO LUGAR E HORA ERRADAS

Walmir Rosário

Enquanto aqui no Brasil passamos os dias tentando debater sobre a validade e a continuidade da Operação Lava jato, a justiça da França confirma em grau de recurso, a condenação do deputado paulista Paulo Maluf (PP-SP). Lá, os franceses aplicaram uma pena de três anos de prisão, além de multa de 200 mil euros (R$ 725 mil), por crime de lavagem de dinheiro, fato ocorrido naquele país entre 1996 e 2003.

Aqui por essas bandas não temos visto e ouvido notícias das traquinagens praticadas por Paulo Maluf com o dinheiro público, haja vista não aparecer no Mensalão e na Lava Jato. Entretanto, estar fora dessas duas esculhambações não lhe dá um atestado de boa conduta, como tentou apresentar por muito tempo, o que conseguiu, em parte, nesta terra brasilis.

Se entre nós teve algum êxito não conseguiu o mesmo intento lá fora, especialmente na França, Suíça e Inglaterra, onde as investigações foram feitas de forma célere e séria. Além do deputado Paulo Maluf, também têm ficha suja nesses países sua parentela, especialmente sua esposa Sylvia e o seu filho Flávio.

Essa alta soma de recursos apreendidos na Europa seriam de malandragens feitas com o suado contribuinte paulista, nos tempos em que Paulo Maluf se jactava de ser o maior prefeito da cidade paulistana. A construção de um viaduto aqui, um túnel por ali ou um conjunto residencial Cingapura (com C, mesmo), para que a propina fosse tamanho família.

E todo esse dinheiro, como de todos os tubarões da época, eram direcionados para os bancos suíços e de outros paraísos fiscais, considerados símbolos de segurança. E realmente foram, até que as autoridades desses países começassem a investigar a origem, de tantos recursos. E não deu outra: a casa caiu. Não dos conjuntos habitacionais para a população de baixa renda, mas a de Paulo Maluf.

Mesmo diante de todas as negativas (próprias dos políticos) de que tais somas de dinheiro não lhe pertenciam (acredito que fez escola após Lula firmar coligação com Maluf para apoiar o deputado apoiar se candidato Haddad), os gringos chegaram à origem criminosa. Já em nosso Brasil varonil, o processo pesa e caminha com muita lentidão entre os cartórios e salas de audiência, haja vista a quantidade de recursos, em sua maioria protelatórios.

Nosso tem tão operoso deputado e sua estimada família não pode aparecer pela França – onde apareciam com a mesmo frequência de que vou caminhar na praia – sob pena de serem todos presos. Mesmo assim não descuida dos processos, para os quais contratou batalhões de advogados das melhores bancas desses países.

Se lá não vão, para evitar quaisquer desentendimentos com Interpol, o deputado Paulo Maluf e sua estimada família desfrutam das suas mansões nas melhores cidades, cada uma devidamente apropriada para cada estação do ano. Como eram useiros e vezeiros desses paraísos internacionais, deixam essas temporadas para o deleite dos emergentes, os conhecidos new rich.

Por incrível que pareça, Paulo Maluf teve mais sorte dos que seus colegas de parlamente e os políticos do executivo, pois não tem a Rede Globo lhe atazanando durante todo o dia e o dia todo. É verdade que já passou por isso em tempo recuados, e sabe muito bem o que a “bola da vez” sofre. Deve ter sido questão de oportunidade.

Por outro lado, faltou a Paulo Maluf – caso estivesse no meio do Mensalão e da Lava Jato, ou outra qualquer de somenos importância – a condição de dispor de um fã clube. Sim, hoje, na atual política brasileira, o cidadão comum deixou a condição de ser apenas um eleitor de cabresto para ostentar o status de idólatra de bandidos do seu partido.

Não sei, mas acredito que Paulo Maluf se encontrava no lugar e na hora erradas.

Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

E o que nos envergonhava era o placar de 7 X 1…

Walmir Rosario*

“Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Esse ditado dos tempos dos “coronéis” ainda persiste até hoje e se presta para as aplicações mais diversas, até mesmo nas decisões judiciais. Serviu recentemente para nos tirar uma dúvida atroz, em que pensávamos que o placar que envergonhava a todos os brasileiros seria o de 7 X 1, aplicado pelos alemães na seleção brasileira.

Que nada, hoje já sabemos que nossa vergonha atende pelo placar de 4 X 3, imposto pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a democracia brasileira. Desonra e humilhação maior não poderia ser mais acachapante do que essa decisão degenerada de suas excelências, ainda mais pelo excesso de provas.

Como bem disse o ministro Luiz Fux, aos ministros cabem julgar com altivez; à avestruz enterrar a cabeça na terra; numa alusão aos que teimam em não querer ver, enxergar. Mais incisivo com seus pares foi o ministro Herman Benjamim, relator do processo, que admitiu até “participar do velório, mas que não pegaria na alça do caixão”.

Mas o que teria acontecido aos senhores ministros, homens acima de qualquer suspeita (até prova em contrário), escolhidos para o mister por serem grandes conhecedores do direito e pessoas bem educadas? Os interesses de cada um, pelo que se desconfia, a julgar pelo placar conhecido antes mesmos do julgamento do processo começar.

Não foi à toa que ministros foram escolhidos em cima da hora por um dos réus do processo, o presidente Michel Temer, a quem realmente caberia a escolha, e cujos os interesses se tornaram explícitos. Para suas excelências, ora não haviam no processo provas suficientes para cassar os réus da chapa Dilma-Temer, ora o pedido inicial não se referia às provas apresentadas.

Até mesmo o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, desdisse tudo o que tinha dito a apenas dois meses, quando queria ouvir novas testemunhas, ou há dois anos, quando evitou a extinção do processo. Agora, somente faltou dizer: esqueça tudo o que eu disse, como fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em tempo nem tão recuados.

Mesmo com todas provas acostadas ao processo, inclusive periciadas pela Polícia Federal, os quatro ministros – Gilmar Mendes, Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira – de forma conveniente, não viram o menor indício do dinheiro da Odebrecht irrigando a campanha, muito menos em forma de propina, apesar da confissão afirmativa dos diretores da empresa construtora.

E as desculpas para que as quatro excelências não enxergassem os indícios de caixa 2, era de que o processo era para investigar apenas caixa 1. E foram além, confirmando que em todas as eleições esses abusos do poder econômico são useiros e vezeiros. Desmontaram a lei que prevê e condena esses crimes, sob o torpe argumento de que a condenação da chapa, com a queda de Temer da Presidência seria altamente prejudicial para a economia do país.

Sem ter como justificar a renegação das provas apresentadas, os quatro ministros partiram para o ataque ao relator acusando-o de ser descortês com os colegas. Atuação de quem não tem como explicar aos brasileiros a descortesia com a Constituição Federal, as leis, aos acórdãos do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF), já transformado em jurisprudência. Mas deselegantes foram os quatro ministros com o povo brasileiro.

Mais vergonhosa, ainda, foi a desculpa do ministro Napoleão Nunes Maia ao evocar passagem bíblica e a vingança do profeta com aqueles que o acusaram de não ter agido com probidade. Sábios, mesmos, foram seus irmãos de religião que cobraram seu desvio intelectual de juiz, ao abandonar as substanciosas provas existentes no autos. Se Napoleão não conseguiu enganar os homens, imaginem o olhar divino.

Essa não foi a primeira oportunidade demonstrada pelos tribunais superiores nos julgamentos dos que detêm o poder e utilizam subterfúgios escusos para tentar justificar seus votos. É preciso distinguir os interesses da Nação e Estado do de Governo. E os dois primeiros foram ultrajados vergonhosamente por suas quatro excelências em benefício do último.

Se o placar de 7 X 1 nos deixou cabisbaixos, o placar de 4 X 3 nos deixou profundamente envergonhados com o conteúdo dos votos desses quatro ministros que não souberam honrar suas togas. Daqui pra frente se cuidem os prefeitos, com processos no TSE, que irão “pagar o pato”, com cassações e mais cassações para tentar limpar as togas enxovalhadas. Como disse acima, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

 

Greve de vigilantes ou de bancos?

Walmir Rosário

De antemão, vou logo avisando: o título acima está correto, pois desta vez não são os bancários que protagonizam o fechamento dos bancos em todo o Brasil. Entretanto, prospera uma dúvida de quem, na realidade, pode ser responsável pelo fechamento dos bancos: os próprios banqueiros ou os sindicatos de vigilantes espalhados pelo país afora?

Na minha simples visão, são os banqueiros, que economizam milhões de reais nas contas de água, luz, telefone, horas extras dos bancários, como normalmente acontece nos movimentos paredistas. Esta greve, tida como dos vigilantes, apresenta um componente diferente, nem mesmo os funcionários de confiança dos bancos aparecem para o expediente interno.

E mais, serviço como o depósito via caixas eletrônicos estavam sendo feitos nos terminais, bem como nos correspondentes bancários (lotéricas, farmácias e outros agentes). Pela primeira vez no histórico anual de greves bancárias isso acontece (deve ser uma inovação). Entretanto, o que não “fecha a conta” é que o acontecimento se dá numa greve que não é dos bancários.

Confesso que não nunca cheguei a conversar com amigos bancários (tenho-os muitos) se realmente eles acreditam que a segurança de suas vidas pode ser creditada aos vigilantes. Tenho diversas e fortes razões para não acreditar, até mesmo pelo histórico das notícias publicadas na imprensa sobre os assaltos a bancos e carros fortes.

De acordo com as notícias, as primeiras vítimas dos assaltantes são justamente os vigilantes, cuja maioria é formada por pessoal sem o devido preparo, sem armas apropriadas e estratégia de enfrentamento. Chego até a pensar que o serviço de vigilância bancária é apenas o cumprimento de alguma portaria (ou coisa que a valha) emitida pelo Banco Central para que as agências possam funcionar.

Ganham os trabalhadores, que recebem um salário para o sustento de suas famílias – mesmo que isso importe não ter a certeza de que chegará no fim do dia em casa –, se locupletam as empresas, embolsando por um serviço que nem sempre tem competência para tal. Com disse antes, são as primeiras vítimas, obrigadas a entregarem as armas, e os que assim não procedem tombam mortos no valoroso exercício da profissão.

Não sou de ir muito às agências bancárias, pois não sou um cliente do jeito que gostam os gerentes dessas instituições, daqueles que tenham muita disposição para emprestar dinheiro barato e tomar empréstimos a juros mais altos. Nem poderia, dado ao meu perfil financeiro e econômico inadequado para as operações. Mesmo assim, sempre que vou, observo atentamente a postura desses trabalhadores.

Geralmente se recusam a conversar com um cliente, mesmo que para dar uma informação, sob a alegação de que é expressamente proibido. Concordo, pois um dos requisitos do vigilante é estar atento, vigilante, para não ser pego de surpresa pelos bandidos. Contudo, esse comportamento não tem o mínimo valor, caso seja solicitado por um bancário a orientar uma fila ou coisa que valha. Como diz o ditado: manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Mas voltando ao assunto, se não estou enganado, quem tem a obrigação legal de promover a segurança neste Brasil varonil – de norte a sul, leste a oeste – é o Estado e não o particular. Em nada deveria mudar o comportamento do expediente bancário numa greve de vigilantes, pois as polícias existem exatamente com essa finalidade.

Recuso-me a acreditar – e acredito que os bancários também – que estaremos mais seguros com os vigilantes do que com a Polícia Militar, cujos quadros são formados em segurança. Acredito, ainda, que o trabalho de inteligência das Polícias (militar, civil e federal) daria conta de manter os bancários, clientes e o dinheiro em segurança.

Sei que a greve é o último instrumento a ser lançado mão pelos trabalhadores, entretanto, uma pergunta que deve ser respondida por quem de direito é: a greve prejudica a quem? Aos banqueiros? Não. Aos ricos? Nem um pouco, pois continuam utilizando os serviços bancários, atendidos pelos gerentes. Aos mais pobres? Sim, pois são exatamente esses que não possuem os meios e as tecnologias para receber dinheiro e pagar as contas.

Como sempre, os trabalhadores fazem greve para prejudicar seus semelhantes, enquanto banqueiros e empresários do ramo da vigilância continuam na boa. E tudo sob os olhares complacentes das nossas autoridades, que não necessitam descer dos tronos e pedestais para tratar com o vil metal nas agências bancárias.

Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

Dois pesos e duas medidas

Walmir Rosário

Pouca diferença faz se Lula, Zé Dirceu, Dilma, Pallocci, Aécio Neves, Michel Temer, dentre outros menos votados tenham pedido dinheiro de origem suja para as campanhas políticas. Todos devem ser enquadrados de acordo com as leis brasileiras que tratam da questão, sem qualquer distinção como prevê a nossa constituição.

Se aos petistas as provas já foram apresentadas, o mesmo está acontecendo com o presidente (agora licenciado) do PSDB, Aécio Neves, e ao encontro do atual presidente da República. Aliás, com todos os defeitos legais da gravação, quem ficou mal na fita foi Michel Temer, que recebeu, na calada da noite em sua casa, um dos maiores corruptores da história do Brasil.

Se não houve acertos criminosos, como o presidente faz questão de dizer, no mínimo, quebrou a liturgia do cargo. Como diz o provérbio: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. E assim não agiu nosso presidente, ignorando todas os ritos reservados a quem ocupa cargo de tamanha relevância.

Dois pesos e duas medidas é o tratamento que nos impõe os membros do Partido dos Trabalhadores (PT) para os crimes cometidos pelos políticos contra a economia popular e o Brasil. Caso o criminoso seja filiado ao PSDB, DEM, PP, ou que outra agremiação seja, pode condenar que não é preciso a apresentação de provas material ou intelectual.

Por outro lado, se os denunciados pelos mesmo crimes de corrupção pertencem aos quadros do PT, a negativa é veemente e se rasga o Código Penal, apesar de todas as evidência e provas apontarem que eles são culpados. Chegam ao extremo de considerar ídolos aqueles que metem a mão no erário em causa própria e/ou do seu partido.

Pior ainda do que considerava o filósofo florentino Nicolau Machiavel, de que os fins justificam os meios (na verdade: “qualquer iniciativa é válida quando o objetivo é conquistar algo importante). Só que essa importância não é atribuída ao país, ao Brasil, mas a um projeto de governo que tem como principal meta desapropriar os bens do povo em benefício deles próprios e do partido.

Eu diria – melhor, digo – que os petistas sempre foram seguidores fiéis de Josef Stalin, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do Comitê Central a partir de 1922 até a sua morte em 1953. Entre os feitos do ditador soviético estão o assassinato em massa dos adversário ou ex-amigos, chegando ao ponto de cunhar a frase: “A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística”.

A paranoia dos petistas é idêntica ao do ditador soviético, que se livrava de todos, subordinados, simpatizantes ou quem simplesmente ele determinasse que não deveria mais viver. No Brasil ainda não chegamos a tanto, mas estamos trilhando o mesmo caminho, como o tal projeto de poder, interrompido com o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Até agora, com o que nos tem mostrado a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, indícios são fartos e as provas dos atos de corrupção desenfreada são mais que contundentes. Mesmo diante da tais evidências, o comportamento é um só: não negam o recebimento do dinheiro ao partido, que dizem terem sido as doações legais, embora tenham saído de empresas públicas e privadas de forma sorrateira.

A negativa dos dirigentes e militantes petistas (ressalvo muitos que se encontram envergonhados) chega a ser patética, quando defendem os seus companheiros apanhados no crimes. Em qualquer país do mundo, seriam vistos como desleal ou desonesto com os “companheiros” e o partido, aqui, se transformam em verdadeiros heróis.

Uma das frases que já se tornaram corriqueiras no Brasil é que, enquanto os eleitores de diversos partidos se indignam com os líderes que prevaricam os querem presos, os do PT criam fã clube para idolatrarem. Claro que toda a regra tem exceção, mas está provado ser esta uma posição tomada na defesa dos seus bandidos de estimação.

É mais uma jabuticaba brasileira.

Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

A res publica de quatro

Se Brasília sempre tem acordado em polvorosa nos últimos tempos, com as ações da Polícia Federal, nesta quarta-feira (17), nem chegou a conseguir tirar uma soneca. O medo, a apreensão tomava conta de alguns, enquanto a ânsia e a expectativa domina o restante do planalto central, após a notícia da delação dos irmãos Batista, do Grupo JBS, que abalou, mais uma vez, os alicerces da República.

Como acontecia corriqueiramente, eram os políticos localizados em Brasília que ficavam de quatro, mas com o avanço desenfreado da corrupção, o medo ficou estampado no Brasil inteiro. A denúncia dos irmãos Batista, líderes de uma dos maiores conglomerados frigoríficos do mundo, atingiu, em cheio o alto clero da política nacional, principalmente do PT, PMDB e PSDB, que gravaram uma conversa com o presidente Michel Temer.

Pela primeira vez, um membro do Ministério Público Federal (lotado no Tribunal Superior Eleitoral) também foi parar na prisão, acusado de favorecimento de empresas com informações privilegiadas. Aos poucos, a Operação Lava-jato, vai fechando o cerco e figurões até pouco tempo conhecidos como gente da melhor qualidade e reputação ilibada, vão sendo desmascarados.

Quanto aos políticos envolvidos, nunca restaram dúvidas que a cada dia, a cada operação, novos nomes seriam conhecidos, dada a facilidade com que as negociatas com a res publica eram acertadas. No Brasil, corrupção nunca foi uma novidade e os livros de história nos trazem informações desde o descobrimento do Brasil.

E, salvo melhor juízo, esse atavismo está fincado no DNA político dos brasileiros, haja vista fatos recentes, como em plena investigação do “Mensalão” a corrupção do governo federal (petista) se transformar na Lava-jato. À época, tomaram de assalto a Petrobras, maior empresa brasileira e símbolo de eficiência em todo o mundo.

E assim fizeram sem a menor cerimônia, loteando todos os contratos da empresa entre as empresas construtoras, que passaram a pagar polpudas contribuições para os partidos de sustentação do governo. Em alguns casos, até mesmo parlamentares de outros partidos também participavam do esquema, como um simples comensal.

Como a impunidade sempre reinou em nossa república, os políticos não acreditaram na Operação Lava-jato e continuaram a “operar” o dinheiro público, dentro dos mesmo moldes. Mais uma vez tivemos a comprovação de que o país estão mudando, com ações contra os senadores Zezé Perrela, Aécio Neves e sua irmã, e o deputado Rocha Loures. Nem mesmo o presidente Michel Temer escapou.

Entretanto, como circula nas redes sociais internet afora, se a corrupção sempre campeou com facilidade na política (ou entre determinados políticos), na era petista foi tratada com todas as pompas. De grade maioria sindicalista, os petistas trataram o governo federal com um grande sindicato, em que as regras de prestação de contas são definidas numa assembleia geral.

Como acontece no conhecido ditado “o costume do cachimbo deixa a boca torta”, o governo federal sob a égide petista transformou a res publica – coisa de todos – em “coisa nossa”, quem sabe inspirado na máfia italiana. Da soberania popular, passamos ao absolutismo, em que o déspota de plantão tudo podia.

E a República está de quatro. Não sabemos quais os desdobramentos, pois, se os poderes Executivo e Legislativo já não têm a confiança da população, ainda se comenta que as delações podem chegar ao Judiciário. Uma lástima, profunda decepção para os brasileiros que lutam para formar uma Nação, mas que constantemente são abalados por notícias altamente negativas.

No fundo, ninguém mais acredita que sobraria alguém em Brasília para apagar a luz, diante da intensidade dos fatos de corrupção que acometem os membros dos poderes constituídos. Nem mesmo um longe sinal de luz no fundo do túnel existe, dado a numerosa quantidade de deputados e senadores investigados na Operação Lava-jato.

Quem assumirá temporariamente a Presidência da República numa eventual vacância? O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia? O presidente do Senado, Eunício Oliveira? A presidente do STF, ministra Carmem Lúcia? Não sabemos. Questão mais grave será a eleição – direta ou indireta – para escolher o próximo presidente, livre de todos os vícios.

Agora, com o incentivo para as delações do pessoal ligado ao BNDES, Antônio Palocci e et caterva, deveremos ter uma queda em cadeia do dominó da corrupção, com mais nomes de envolvidos. Não foi à toa que a Polícia Federal batizou essa fase da Operação Lava-jato de Patmos, em referência à ilha grega onde o apóstolo João teve visões do Apocalipse.

Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

Greve, não, violência contra trabalhadores

Walmir Rosário*

Não me lembro quem disse isso: “Duas coisas que só existem no Brasil: Jabuticaba e comunista pregando democracia.” Essa sábia frase demonstra exatamente quem pregou e fez a greve de sexta-feira (28 de abril). Por mais que se esforcem, não conseguiram explicar que o fechamento dos estabelecimentos comerciais e industriais e de serviços foi decorrente de adesão dos trabalhadores.

Nada disso, o fechamento dos meios produtivos foi resultado medo da violência perpetrada pelos vândalos do PT, PCdoB, PSOL e outras siglas que enganam os trabalhadores, com barricadas e incendiando ônibus. E caso não agissem com a violência e o vandalismo próprios dos piores bandidos e quadrilhas como a dos sem-terra, atemorizando a verdadeira classe trabalhadora, não conseguiriam uma única adesão.

Greve, nada mais é do que o último instrumento do trabalhador para buscar benefícios para a categoria, após reivindicações não atendidas e até mesmo falta de negociação. Em assembleia, os trabalhadores decidem aprovar a paralisação e, segundo a legislação de nosso país, seguem um rito de comunicação prévia às empresas.

É lícito a categoria convencer os colegas que foram voto vencido por discordar da greve. Para isso, as chamadas “comissões de convencimento” se postam na porta do estabelecimento para convencer a adesão ao movimento. Greve, antes de tudo é um direito e não uma obrigação do trabalhador às determinações do seu sindicato ou grupos políticos.

Entretanto, como os trabalhadores brasileiros não concordaram com uma greve política, feita apenas para tentar escamotear os roubos praticados pelo PT e seus coligados, as centrais sindicais e sindicatos resolveram partir para a agressão. Mesmo assim, numa prova inequívoca de que não concordavam com a greve saíram de casa para trabalhar, embora não encontrassem transporte.

Nesse caso, cada um se virou como podia. Seguiu caminhando, de transporte alternativo ou de carona. Prova maior do repúdio dos trabalhadores à greve não poderia ter. A adesão para o fechamento das empresas ficou por conta das ações criminosas dos bandidos travestidos de sindicalistas, que entupiram fechadoras com todos os tipos de cola, dentre outras ameaças.

O mais incrível é que quem não trabalha e vive parasitando nos sindicatos às custas dos trabalhadores, tentavam impedir quem trabalha de seguir o labor do seu cotidiano. É a tal da jabuticaba: Quem não faz nada luta contra contra quem os sustenta. E com o pretexto de mentiras como luta de classe. Tudo tão falso como uma nota de três reais, apenas luta de parasitas contra quem produz.

Além do prejuízo que causam aos trabalhadores e ao país como um todo, agem fora da lei, e numa afronta sem precedentes aos que lhes sustentam, dizem defender a democracia. Bem próximo, exemplos de Ilhéus e Itabuna demonstram a violência, quando obrigavam o fechamento dos estabelecimentos comerciais, inclusive as farmácias.

O descalabro é tanto que os que promoveram o maior roubo às instituições brasileiras tentam, agora, estraçalhar a consciência do trabalhador, chamando-os de idiotas. Apesar de violentos, agem como os batedores de carteira dos grandes centros, que agem em bandos, roubam o cidadão e sob o pretexto de ajudar, e dizem que o ladrão é aquele que está caminhando à frente.

Mudar o Brasil é tarefa árdua, mas não impossível. Basta deixarmos de ser alienados, elegendo quem passa o tempo todo nos roubando, inclusive a consciência; idolatrando quem nos menospreza; desvalorizando quem nos ensina; não ouvindo quem sempre nos protegeu. São ações simples, mas que precisam ser praticadas, para que possamos deixar de alimentar os parasitas.

Aliás, essa ação criminosa que foi chamada de greve geral, inclusive pela imprensa, é uma amostra do que são capazes essas aves que rapinam o dinheiro do trabalhador. Eles praticaram mais essa insanidade com o temor das reformas trabalhistas no Congresso Nacional, que irá tirar as “boquinhas” ou melhor, “bocões” resultante da contribuição e imposto sindical.

Sem essa dinheirama, os pelegos terão que se transformar em representantes dos trabalhadores, já que não receberão os bilhões de reais descontados anualmente de quem lhes bancam. O mesmo vale para as entidades sindicais patronais. Ambos, se transformam em simples negociadores dos direitos dos seus representados (o que deveriam ser).

Na democracia, a real, não a jabuticaba dos petistas e comunistas, ainda dá para promover uma verdadeira mudança, basta querer, e através do voto!

*Radialista, jornalista e advogado.

Publicada originalmente no www.costasulfm.com.br

Mudam–se os costumes – nem sempre para melhor

Walmir Rosário*

É um sufoco diário para produtores e editores dos veículos de comunicação do Brasil. Têm que se virar nos 30, como diz Faustão, para conseguir fazer um programa redondinho. E o motivo não é outro, senão a política (e os políticos), que simplesmente mudaram de editoria: ao invés da tradicional e prestigiosa editoria de política, elas passaram a engordar a editoria de polícia, que nunca teve esses prestígios todos, a não ser em determinados horários ou meios de comunicação especializados.

E olha que os coitados dos jornalistas, radialistas e blogueiros até que tentam emplacar as notícias vindas de Brasília – sobretudo – na tradicional editoria de política, mas é muito difícil conseguir, e muitas vezes não encontram outro recurso que não seja a apelação. Como costumo dizer, não se deve brigar com a notícia, mas nem sempre essa máxima é seguida à risca e o público termina por não acreditar no que está vendo, lendo ou ouvindo. Ao invés de política, polícia no programa inteiro.

A depender o horário, aí é que o programa vai pro brejo. A escalada feita com todo o esmero para dar ênfase às chamadas e conseguir uma boa audiência é toda trocada no decorrer do programa, nos casos de emissoras de rádio e televisão. Já os impressos e blogs passam o tempo esperando que a grande imprensa e agências de notícias transmitam os debates do Congresso Nacional, acerca de temas relevantes para as áreas econômica, saúde, educação e cidadania. Mas é tudo em vão.

Como sempre acontece de uns tempos pra cá, oposição e situação não costumam travar os fenomenais debates com políticos importantes e que faziam vibrar a nação com seus discursos. Os grandes tribunos do naipe de Ruy Barbosa, Tarcilo Vieira de Melo, Aliomar Baleeiro, Carlos Lacerda, ou raposas políticas a exemplo de Tancredo Neves e Ulisses Guimarães desapareceram e deram lugar à política de bastidores. Se antes se privilegiava o debate sobre os temas, à vista de todos, hoje a população costuma “comer o prato feito” preparado nos recônditos das cozinhas palacianas.

Não quero aqui afirmar que na política de antes corredores, gabinetes, salas, restaurantes e cafezinhos do Congresso Nacional não fossem testemunhas de olhos e ouvidos – de mercador – do que e sobre o que se conversava nesses locais. Acordos eram feitos dentro e fora dos recintos parlamentares, principalmente na calada da noite nos badalados restaurantes. Local melhor para conspirar, trair e até mesmo acordar não existiam e tudo era percebido no plenário.

Uma das grandes diferenças era, àquela época, a presença das convicções, tempos ainda marcados pela ideologia política, comportamento tão escasso no Brasil de hoje, e prova melhor não há do que uma simples e perfunctória análise da mudança de partidos de nossos parlamentares. Transitam da esquerda à direita sem a menor cerimônia, sequer fazem um simples estágio no centro nessa temida e nefasta trajetória. E aí está o xis do problema: Hoje, em Brasília, até a raiva é combinada.

E os pensamentos são mudados, as consciências são compradas por qualquer dois mil réis. Aliás, essa antiga expressão não tem a menor chance de sobreviver em Brasília, onde as conversas começam com milhões, distribuídos generosamente pela nossas gentis empreiteiras, de forma das mais generosas. São todos bonzinhos e inteligentes ao interpretar a oração de São Francisco de Assis, principalmente naquela parte do é dando que se recebe. No popular, um caminho de duas vias: eu contribuo e você me devolve a gentileza com pequenas ações e atos no parlamento.

Mas ao fim e ao cabo, não conseguiram antever a recusa de cumplicidade dos Procuradores da República, Juízes Federais e da Polícia Federal. A partir daí, a atividade desenvolvida pelos políticos passou a ser publicada nas editorias de polícia. Ao invés de apresentações projetos de lei, operações da polícia federal; apreciações de projetos foram substituídas pela denúncia dos procuradores; e o espaço dado às ações parlamentares no dia a dia trocadas pelas prisões em casas, ao amanhecer do dia, embora todos se declarem inocentes.

Os jornais e revistas – inclusive os eletrônicos – que reservavam mais espaços para a vida em sociedade, o cotidiano, a economia, a cultura, passaram a dar manchetes sensacionalistas das atividades criminosas dos parlamentares. E até mesmo o Jornal Nacional, que evitava a notícia policial como “satanás corre da cruz”, adotou e proporciona espaços generosos, prometendo, ainda, mais desdobramentos para o dia seguinte.

É de matar de inveja antigos jornais como Notícias Populares, A Luta Democrática e o Jornal O Dia (em seu antigo formato) adjetivados como do tipo “se espremer sai sangue”. Hoje, esses modelos são copiado largamente pelos blogs, que expõem imagens cruéis de pessoas mortas e esquartejadas, sejam pelas chacinas ou em acidentes automobilísticos. Quanto aos coitados dos editores só duas alternativas: manter o novo formato policialesco ou perder audiência para os concorrentes.

Não esqueçamos, porém, que a sociedade mudou em seus costumes, com o embrutecimento das pessoas, para os quais miséria pouca é bobagem.

Jornalista, radialista e advogado

Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br

Mais um muro da vergonha que cai

Walmir Rosário*

Aos poucos, mais um bastião do comunismo vai ruindo. Cuba, a ilha de Fidel, sustentada por décadas pelos rublos da antiga União Soviética e mais recentemente com os dólares do BNDES, pulula com a chegada do capitalismo ianque. Se para os que ainda continuam lá já é um motivo de alívio e alegria, imagine para os que estão fora do país e são explorados pelo seu governo.

Refiro-me mais claramente aos profissionais da medicina que estão trabalhando no Brasil, através do Programa Mais Médicos, pelo contrato firmado entre os dois países pelos malfadados governos Dilma e Raul Castro. Pelo acordo, os médicos trabalham, são mal remunerados, enquanto o governo cubano fica com grande parte do pagamento que seria devido aos médicos.

Um contrato vergonhoso, um verdadeiro golpe para os trabalhadores da medicina que são enviados a países como o Brasil para trabalhar, num sistema análogo ao da escravidão, já que parte da remuneração fica para o governo. E mais, os parentes dos médicos que estão aqui – mas que continuam residindo em Cuba – sofrem pressões pelos que não pretendem mais voltar.

E o imbróglio teve mais um capítulo com a suspensão de mais de 700 médicos que deveriam vir ao Brasil, para substituir quantidade igual que voltaria à ilha. É que, os que estão aqui, finalmente conheceram o que é viver num país democrático, trabalhando sem ter pressões políticas e a única obrigação é pagar os seus impostos em dia (além de cumprir a legislação).

Após três anos de Brasil, os médicos cubanos resolveram desobedecer às ordens do ditador e permanecer como residentes no Brasil por tempo indeterminado, isto é, com ânimo definitivo. E 88 deles já recorreram à Justiça para permanecer em solo brasileiro, trabalhando no mesmo programa, porém recebendo toda a remuneração a que faz jus.

A repercussão do comportamento dos médicos que se encontram no Brasil e não pretendem voltar para o regime comunista ditatorial de Cuba é muito grande, tanto assim que o governo não quer enviar o novo grupo. O receio é que os novos também pretendam adotar o Brasil como seu novo país, principalmente agora que não tem o apoio do ex-governo petista.

E dentre os motivos para que os médicos tomassem tal atitude, estão em viver numa democracia (apesar dos pesares nos nossos políticos) e serem explorados na sua remuneração pelo próprio país. É que de acordo com o contrato firmado entre o Brasil e Cuba, parte dos salários dos médicos vai diretamente para o erário do governo cubano, uma tunga exploratória da classe trabalhadora.

Outra revolta dos médicos cubanos é que precisam ser submetidos, aqui, às ordens da ditadura cubana, com todos os tipos de restrições, a exemplo de viver e se relacionar com a comunidade brasileira. E quem se queixa disso são os médicos que não pretendem retornar a Cuba, vivendo sobre a pesada vigilância de colegas, esses tidos como agentes do governo cubano.

E as proibições não se limitam à simples convivência social, mas, também de ordem afetiva como amorosa. É o ditador cubano quem decide quem deve se relacionar com quem. Esse comportamento é próprio dos países comunistas, que limitam, inclusive, a quantidade de filhos, a exemplo do que até hoje acontece na China.

Agora, o Governo Brasileiro terá mais esse imbróglio pela frente para resolver. A intenção do Ministério da Saúde é reduzir a dependência dos médicos cubanos contratados com o governo de Raul Castro, o que já vem acontecendo. Tudo para evitar a falta de assistência médica em locais distantes dos grandes centros.

Hoje, o programa Mais Médicos conta com cerca de mil médicos a menos que no ano passado. A previsão é que cada um deles permanecesse no país por cerca de três anos. Essa estratégia teria como objetivo evitar que cubanos estreitassem os laços com o Brasil e não pretendessem voltar à ilha, como realmente está acontecendo.

Como disse o ex primeiro ministro inglês, Winston Churchill, “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas”. Ao que parece os médicos cubanos do programa Mais Médicos aprenderam mais cedo do que se esperava. E olhe que a intenção dos petistas é que eles viessem aqui para lutar por uma ditadura…

*Jornalista, radialista e advogado

Publicada originalmente no site www.costasulfm.com.br

Sem torcida, não teremos futebol?

Walmir Rosário

Como diz o ditado: nem muito nem tão pouco. E essa antiga máxima vale muito para o que estão fazendo com o futebol brasileiro, condenado a ficar descaracterizado, caso apenas uma torcida assista aos jogos. Ora, se a todo o dia ouvimos que temos que viver em sociedade, qual o motivo de separarmos as torcidas, ou melhor, proibirmos de que uma delas, a visitante, não possa entrar no estádio para nos dias de jogos?

A depender do estádio, as despesas com um jogo de futebol pode custar até cerca de 50% do total arrecadado com o ingresso dos torcedores, comprometendo o lado econômico. Mas se esse fator é importante, o que poderíamos dizer do lado sentimental do torcedor de futebol, acostumado a vibrar com os lances do seu time? Do campo de pelada do mais longínquo bairro ao estádio do Maracanã, qual a graça? Nenhuma.

Mesmo nos dias de hoje futebol é paixão. E quando deixar de ser não terá mais motivo para ser praticado. Dentro de campo, o objetivo do futebol é fazer gols, ganhar o jogo; fora dele, é emocionar as pessoas com brilhantes jogadas, dribles desconcertantes. É com esse ânimo que o torcedor vai a campo ver e torcer pelos seus ídolos.

A adoção dessa medida extrema pelo Ministério Público em permitir que apenas uma torcida, a que tem o mando de campo, possa assistir aos jogos não resolve o problema de segurança dentro e fora dos estádios. Bandido é bandido, torcedor é torcedor. Não é de hoje que conhecemos a passagem bíblica que nos orienta a separar o joio do trigo, com a adoção de medidas punitivas aos infratores.

A lei está posta e vigente, faltando apenas quem as aplique com todo o rigor, de forma pronta, com a agilidade que se espera nas decisões judiciais. Já nos ensinava o mestre baiano Ruy Barbosa, que justiça tardia não é justiça, mas injustiça. Basta instalar todo o aparato do Judiciário e do Ministério Público nos estádios para julgar os delitos cometidos pelos baderneiros travestidos de torcedores.

Pelos os estudos apresentados pelas Polícias Civil e Militar – estas sempre presentes – a violência nos dias de jogos de futebol não está restrita à área interna dos estádios. Ela tem início na internet, os sites, blogs e outros veículos da rede social, incitando os membros das facções e torcidas organizadas para as brigas – na verdade, operações de guerrilha urbana, durante todo o trajeto de casa para os estádios.

Ainda voltando à Bíblia, o justo não pode pagar pelo pecador, sendo o torcedor de bem penalizado sem ter cometido qualquer tipo de delito. É contra a lei divina, é contra a lei dos homens. Outros países resolveram problemas deste tipo com políticas e atitudes enérgicas e eficazes, a exemplo da Inglaterra com a torcida do Liverpool, tanto é assim que “hooligans” é uma palavra quase em desuso.

No Brasil, a violência não se restringe ou “campeia” no futebol, pelo contrário, e disso o Ministério Público é conhecedor. A violência é uma presença nefasta na vida de qualquer cidadão, dentro e fora de casa. São as facções criminosas hoje as administradoras das torcidas organizadas em todo o país, como nos mostra os episódios mais recentes pela luta pelo poder dentro dessas organizações.

O que queremos – como cidadãos – é poder ir a um estádio de futebol, levando nossa família (como antes poderíamos fazer) e torcer pelo nosso time, vibrar com nossos ídolos, esgoelar com todos os pulmões o grito de gol. Se a desorganização (para ser bondoso) dos nossos cartolas não conseguiu acabar com o futebol, a proibição do ingresso de uma só torcida ao estádio matará, por inanição, a paixão do torcedor.

Não falei de Pelé, não falei de Garrincha, e não gostaria de pagar pra ver!

Publicada originalmente na coluna “Penso assim”, no site http://www.costasulfm.com.br

A (boa) interação entre o público e o privado

WALMIR-ROSÁRIO-FOTO-WALDYR-GOMES1-150x150Walmir Rosário*

Em tempo de recursos cada vez mais escassos, só resta aos municípios brasileiros buscar novos paradigmas de administração pública. Há muito não se consegue junto aos governos Federal e estaduais recursos suficientes para atender as necessidades mais prementes dos municípios, com responsabilidades crescentes no atendimento à população.

Aquele modelo de simples crescimento, calcado na implantação de obras sem planejamento não mais funciona hoje. A população, embora cada vez mais pobre e sem perspectivas, possui modernos instrumentos de comunicação rápidos e eficientes: as chamadas redes sociais, disponíveis em qualquer smartfone conectado a internet.

E o avanço tecnológico provocou uma mudança comportamental em toda a população, sem distinção da sua estratificação econômica e social. Determinada pessoa pode até não saber analisar determinada situação de forma pedagógica, mas tem o conhecimento do fato e sua metodologia de discernimento é o caixa do supermercado.

Daí, o cuidado redobrado do governante em mudar seus conceitos: ao invés do simples e atrasado crescimento, terá que perseguir o desenvolvimento, adotando o planejamento municipal e não só o das finanças, como sempre aconteceu. Qual a cidade que queremos, quais os recursos que dispomos e quais as nossas prioridades?

Tudo isso deverá estar contemplado no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) como linha mestra a ser seguida. Para elaborá-la, ou reformá-la, precisamos do apoio de técnicos especialistas em cidades e vontade política de executar suas recomendações, transformadas em lei balizadora do zoneamento urbano.

Agora, passados 10 anos da aprovação do Plano Diretor Urbano Municipal, é hora de recolocar Canavieiras no caminho do desenvolvimento, com propostas dentro de novas perspectivas. Para tanto, é primordial instrumentalizar o processo com uma política urbana concreta, baseada na vocação econômica e nas possibilidades futuras.

E parceiros para essa monumental empreitada não faltam. Temos hoje na região a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), com conhecimento acumulado sobre nossos municípios, e a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), com uma proposta acadêmica diferenciada, o que a permite atuar de acordo com a realidade local.

Abrindo um parêntese, essa é a segunda grande oportunidade de Canavieiras integrar o rol dos municípios turísticos de fluxo perene. O primeiro foi o Projeto Canes (Complexo de Atividades de Natureza Econômica e Social), elaborado em 1990 pelos urbanistas André Sá e Francisco Mota e o economista Paulo Gaudenzi.

Nas ações complementares ao projeto Canes, a desapropriação de áreas no centro e na Ilha da Atalaia, para a implantação de hotéis, pousados e cabanas de praias padronizadas, bem como unidades residenciais. O Projeto Canes foi o primeiro grande vetor do desenvolvimento turístico de Canavieiras, proposta era a de transformá-la numa cidade que conseguisse reunir todas as condições de oferecer ao turista uma hospitalidade de primeira linha.

O Projeto Canes contemplava todos os segmentos empresariais – grandes, médios e pequenos – e foi lançado com uma ampla campanha de marketing, que tinha como slogan: “Canavieiras para todos, Canes para os íntimos”. Não bastava apenas implantar as ações para estimular a vinda dos empreendedores, mas que eles fossem diversificados e capazes de atender todas as demandas das alta e baixa temporada.

Passado o mandato, o sucessor não prosseguiu com a mesma política de atração de empreendedores, em especial para o segmento turístico, implantando-os em áreas especiais. O planejamento deu lugar ao achismo e Canavieiras perdeu, à época, uma grande oportunidade de se consolidar como um polo turístico perene.

Proferindo palestra no 3º Congresso da Ampesba, em Itabuna, o prefeito Almir Melo ressaltou que não basta a uma cidade explorar o turismo com as belezas naturais, sem uma completa infraestrutura pública e privada. No entender do prefeito, o turismo deve ser visto e praticado de forma integrada, do contrário ele não voltará e nem indicará aos amigos.

Para tanto, é preciso elaborar um calendário de eventos – fixos e móveis e eventuais – que agrade às mais diferentes culturas, ser hospitaleiro, dispor de boas acomodações e excelente gastronomia e capacitar mão de obra. Além de tratar bem o turista, a cidade deve transmitir confiança nos serviços públicos, como saúde e infraestrutura.

Agora, com a possibilidade de revisão do PDDU, Canavieiras poderá ser a “bola da vez”, com a oportunidade de elaborar um planejamento com técnicos de reconhecida competência, com respaldo das academias. E, de novo, a ocasião poderá reunir o economista Juvenal Maynart, especialista em planejamento de cidades e o Magnífico Reitor Naomar Monteiro Almeida Filho.

Não é por acaso que o destino – ou as oportunidades – conspiram a favor de Canavieiras. Enquanto Juvenal Maynart poderá contribuir com a condução dos trabalhos de planejamento, o reitor Naomar Monteiro terá o condão de implantar o Colégio Universitário, proporcionando a geração do conhecimento que a cidade necessita para promover o desenvolvimento.

Desenvolvimento, e não o simples crescimento baseado em alguns números e estatísticas, é o que nossas cidades precisam para promover oportunidades a todos os segmentos sociais. No caso de Canavieiras, o turismo que se avizinha é o da melhor idade e ecumênico, bastando, apenas que a cidade ofereça todas os serviços que esses turistas se sintam em casa.

É apenas uma questão de vontade política e inteligência para aglutinar o interesse dos diversos segmentos econômicos e sociais na forma de investimentos públicos e privados, com a política e a economia sendo colocada a serviço do povo. Isto demonstrará o amadurecimento da sociedade local, com um novo olhar sobre a cidade, abandonando velhos hábitos políticos e privilegiando Canavieiras como ente federativo.

* Jornalista e advogado

CANAVIEIRAS DESBANCA SÃO PAULO E PROVA QUE O RODÍZIO COMEÇOU AQUI

Por Walmir Rosário

Parece que os historiadores têm memória curta! Impossível não se lembrarem de que rodízio de serviços prestados pelo governo e suas concessionários são coisa deste mundo moderno. Aí que vocês se enganam. Basta botar a mão na cabeça e puxar pela memória que vão se dar conta que não é São Paulo a pioneira no sistema de rodízio, nem mesmo a circulação de veículos, inaugurado anos atrás, nem o de água, cantado e reclamado em verso e prosa até os dias de hoje.

Já deveria estar inscrita no Guines Book, o livro de recordes, caso algum canavieirense de memoria e boa vontade assim quisesse. Bastaria um simples telefonema, um simplório e-mail para os gringos conferirem o feito e desbancar São Paulo. Pois fiquem sabendo quem interessar possa que esse feito ainda vai ser motivo de orgulho, com livros de teses escritos para comprovar essa orgulhosa marca. Para que se restabeleça a verdade, São Paulo pode, no máximo, alcançar o segundo lugar.

Esse motor ainda é pequeno em comparação ao Locomóvel

E era a “Locomóvel”, nome de batismo popular dado à possante máquina que aportou por aqui à bordo de um vapor da Bahiana e transportada à rua Ruy Barbosa, local de sede da briosa “Luz e Força”, ou para os menos esclarecidos o motor de luz. Quem não lembra da festa iniciada com discursos e foguetórios para comemorar a chegada de um potente motor de luz! Era a glória, para os políticos de então, a começar pelo prefeito Edson Castro, autor do pedido.

E chamava a atenção o tamanho da Locomóvel, que para os mais viajados parecia um motor de navio transatlântico, embora para outros se tratasse de uma cabeça de locomotiva vinda do exterior para gerar energia elétrica de qualidade em Canavieiras. Nem mesmo essa grandeza toda seria capaz de fornecer a potente iluminação – se comparada aos candeeiros, fifós, placas e aladins das residências – em toda a cidade.

Como a potencia foi reconhecida insuficiente, um conhecido eletricista recomendou ao prefeito que não se avexasse com isso e estabelecesse um rodízio no fornecimento da moderna energia elétrica disponível das 18 às 23 horas. E a energia se despedia solenemente, com os devidos avisos de antecedência do desligamento, para dar tempo aos notívagos e os mais afoitos casais de namorados chegarem a casa ainda no claro.

– Vai ser batata! – disse o eletricista ao prefeito, detalhando o projeto na ponta da língua:

– Num dia, a gente liga as ruas Ruy Barbosa (onde ficava a Locomóvel), rua 13 (que ainda não era Octavio Mangabeira), General Pederneiras e dos Pescadores. No outro será a vez do complexo de praças da Bandeira, 15 de Novembro, São Boaventura e a avenida J. J. Seabra (hoje ACM). No terceiro dia seriam contempladas a, Benjamim Constant, Marechal Deodoro e Barão de Cotegipe –.

E assim foi vivendo a sociedade canavieirense, que marcavam suas festas e demais eventos sociais para os dias de clarão em sua residência, gozando, portanto, das modernidades de então. Mas como a teoria de Murphy nos ensina que não existe nada ruim que não possa piorar, eis que a gloriosa Locomóvel bateu biela, quebrou pistom, queimou válvulas e chegou ao fim de linha. Eis que o que era ruim ficou pior.

Eram os tempos do prefeito Osmário Batista, que prometeu substituir a Locomóvel por um gigantesco motor, equipamento vindo do exterior, não se sabe ao certo se Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. Mas vinha com a missão de iluminar todo o território canavieirense, até a distante Potiraguá, ainda dentro dos seus domínios. Também não deu certo e o possante motor, logo apelidado de “elefante branco”, dada a sua pífia serventia.

Foi o caos. Mas eis que as gestões políticas e uma comissão de alto nível liderada pelo prefeito Edmundo Lopes de Castro fez ver ao governador Lomanto Júnior que uma cidade do porte e da importância de Canavieiras não podia ficar às escuras, sob pena dos eleitores não acertarem nem mesmo depositar os votos nas urnas.

Diante de tão qualificado e irrecusável apelo, eis que no dia 13 de dezembro de 1963 três conjuntos de moto geradores doados pelo governador Lomanto Júnior começam a funcionar, justamente no dia consagrado a Santa Luzia. Com isso, a Locomóvel foi aposentada e hoje, sequer, lembram dela, caiu no mais absoluto esquecimento.

Entretanto, os três pequenos conjuntos de moto geradores não se encontravam à altura dos costumes de tradições de Canavieiras. É certo que deu sua contribuição, aumentando em uma hora o fornecimento de energia elétrica – das 18 às 24 horas – o era um considerável avanço, mas a vida noturna, a boemia, já não podia continuar às escuras, o cinema pretendia exibir uma segunda sessão, o clube social continuar as festas até o raiar do dia e sem energia nada disso seria possível.

Foi então que no fatídico dia de 23 de agosto de 1973, sob as benções de Antônio Carlos Magalhães e do prefeito João Perelo, Canavieiras se integra ao seleto grupo de cidades interligadas ao sistema da Barragem do Funil e quiçá o moderno sistema de Paulo Afonso. Um dia como esse era especial e merecia uma comemoração à altura do benefício.

Imediatamente, um grupo de rapazes alegres e chegados a um dia de folguedos sugerem – ou melhor, já levaram pronto – o ato oficial para decretar feriado em todo o Município, inclusive no Banco do Brasil. E assim foi feito: O prefeito João Perelo assinou o decreto e a cachaçada “comeu no centro” até altas horas do dia seguinte.

Festejou-se muito, para nada! É que o governador Antônio Carlos Magalhães, o “Toinho Ternura” – que tinha fiat lux –, não estava presente às comemorações da nova iluminação e marcou uma nova data, 23 de outubro de 1973, esta oficial, com direito a aplauso de toda a sociedade. E para isso, um novo feriado foi decretado – também com a ajuda do grupo Tolé, Tedesco e cia.. – com o competente fechamento dos banco.

Mais uma homérica cachaçada, em que até um professor e ex-pastor – um homem de Deus, portanto – se juntou à gandaia. Uma festa de arromba, digna do esquecimento da Locomóvel, máquina usada e abusada para não deixar a cidade às escuras, mas agora aposentada e enterrada num ferro-velho qualquer desse Brasil afora.

Tolé até hoje ainda se lembra da maldade que fez com “velho professor” e da homérica ressaca sofrida. Mas, o que fazer, se até o Dr. Boinha Portela tinha colocado toda as mercadorias de O Berimbau à disposição dos amigos, com a recomendação expressa dada a Neném de Argemiro de não cobrar nada de ninguém, pois a farra seria bancado do seu próprio bolso.

Realmente, foi por uma causa justa, justíssima!

O CASTIGO VEIO DE KOMBI

Walmir Rosário*Walmir Rosário

O ano era 1977 – salvo melhor juízo – período em que retornei de Salvador para Paraty. À época, a cidade já passava por uma transformação, porém ainda mantinha seu espírito bucólico, em que prevalecia a amizade, apesar da recém-chegada onda consumista. A chegada do progresso era fato e todos queriam se beneficiar dele e de seus efeitos, mas de forma honesta, no pensamento de alguns.
Entre as atividades em ascensão a produção de cachaça era a mais promissora delas, notadamente para quem conhecia do ofício, como Eduardo Mello, o Eduardinho, fiel seguidor dos ensinamentos do seu pai, Antônio Mello, produtor – por anos a fio – da cachaça “Quero Essa”. Com a venda da Fazenda Boa Vista, os novos proprietários – industriais paulistas, creio eu – fechou o alambique, deixando órfãos uma legião de cachacistas apreciadores do bom e precioso néctar da cana.
E nada tirava da cabeça de Eduardinho continuar a desempenhar o mister aprendido por anos e anos, plantando, colhendo, moendo cana e destilando o seu caldo até chegar ao ponto ideal da excelente cachaça. Não é de hoje que a cachaça de Paraty era cantada verso e prosa Brasil afora, e a semelhança não é mera coincidência, Paraty cidade, paraty cachaça, da boa, como convém aos apreciadores mais entendidos.
Até que chegou a oportunidade de ouro para o filho de Antônio Mello. Após várias tentativas, eis que um dos bons produtores de cachaça, o Ormindo, que fabricava a Coqueiro, pretendia se aposentar. Por outro lado, Eduardinho, que se aposentara precocemente e temporariamente, queria voltar a trabalhar, alambicar cachaça, cachaça do mesmo padrão de qualidade da “Quero Essa”, ou da “Vamos Nessa”, feita pelos seus avós. Era o caldo de qualidade, no fogo adequado.
E para “fechar o negócio”, marcamos uma Sexta-feira da Paixão como o “Dia D”. Tudo de forma bem planejada numa das muitas noitadas do Cana Verde. Cerca de meia-noite saímos da boemia com o compromisso de estarmos de prontidão às 6 da manhã no cais e zarpar para o encontro com o Ormindo, na Fazenda Engenho D’água.
No horário aprazado, lá estávamos nós – eu, Eduardinho, seu irmão Neguinho (Antônio Carlos) e Jorginho, este amigo e dono do barco que nos levaria ao então alambique, cujo único meio de comunicação era o marítimo. Apesar de cedo, já encontramos aberto o bar “Bem-me-quer”, do Edmir, e encomendamos nossas provisões (víveres) para a viagem. Do pedido constaram 24 latas de cerveja Skol, carteiras de cigarros (ainda tínhamos esse péssimo vício) e oito sanduíches de filé.
A manipulação dos sanduíches foi prontamente rechaçada pela cozinheira Madalena, que se recusou a cometer tal heresia:
– Comer carne na Sexta-feira Santa é um sacrilégio e Deus vai castigar quem fizer e comer – se desesperou Madalena.
Após várias intervenções de Edmir, finalmente, muito a contragosto, Madalena preparou os (mal)ditos sanduíches e rumamos para embarque na Kombi (assim era chamado o barco de Jorginho, pela sua aparência com o veículo fabricado pela Volkswagen). Após umas três cervejas e dois sanduíches de filé, finalmente chegamos à fazenda de Ormindo.
Negócio fechado, comemoramos com mais um litro de Coqueiro e alguns mergulhos no mar. Ao por do sol resolvemos rumar de volta para Paraty, fazendo planos para a mudança do alambique e a nova produção.
Tudo era festa, até notarmos os primeiros sinais de problema no motor da Kombi “flutuante”, que começou a perder força. Diagnóstico feito na hora, era a junta do cabeçote que tinha queimado. Alegres e satisfeitos com a aquisição do alambique, não nos afobamos e a cada cinco ou dez minutos desligávamos o motor até que esfriasse, para navegarmos mais um bom pedaço.
Se os problemas do barco não nos afligia, situação diferente se passava na cidade, após constatado o nosso sumiço. No bar, Madalena não se cansava de pregar os castigos de Deus com os hereges que se atreveram a comer carne na Sexta-feira da Paixão, desafiando os desígnios de Deus. Aos poucos, nossas famílias foram para caís, apavoradas com a demora do regresso, a notícia “corria costa” e as versões superavam o fato.
De boca em boca, Deus tinha feito justiça e castigado os hereges, que perderam-se no mar, naufragando com o peso dos pecados. No mar, cumpríamos nosso “encargo” de navegar e parar para esfriar o motor. Enquanto isso, o povo não arredava o pé do cais, para o desespero de nossas famílias.
Persistentes, nós sobreviventes de um quase acidente marítimo, fomos nos aproximando da cidade. Para nossa alegria, já avistávamos as luzes. Ligávamos o motor…logo em seguida desligávamos, e assim nos aproximávamos do cais.
E esse “calvário” continuou até as 21 horas, quando aportamos, para o alívio e felicidade geral. Âncora ao mar, barco amarrado na ponte, seguimos desfazendo a curiosidade alheia e a bronca das mulheres. E fizemos o primeiro pit stop etílico no “Bem-me-quer”, ponto de origem de toda a fofoca sobre nossas quase mortes no mar da Baía de Paraty.
E, juntos, pedimos ao Edmir uma Coqueiro e à Madalena mais um sanduíche de filé para comemorar a nossa ressurreição!
*Apreciador da boa cachaça.
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